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  • INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ

    Falar de missão é falar da Bíblia como um todo, de Gênesis a Apocalipse, é falar de um Deus que olha para o ser humano e se importa. Falar de missão é falar de um Deus salvador e do homem pecador, é falar da tarefa que nós cristãos temos, o de levar a palavra a todos, John Piper tem uma frase que resume bem o que é:

    “Missões existem porque não existe adoração” (SHEDD, 2001, p. 7).

    Nós fomos criados por Deus para adorá-lo, contudo por conta do pecado, temos insistido em virar as costas para ele. A missão existe para mostrar ao homem quem ele é, o quão mal e decaído tem sido e o quanto precisa de Deus. Entretanto, antes quero falar do significado de missionário para que tenhamos certeza de que todos nós estamos falando a mesma língua, com isso eu pergunto: O que é um missionário? Segundo o dicionário, missionário é:

    “Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio).

     Ou seja, missionário não é apenas aquele camarada que viaja para outro país e sim aquele que prega a palavra, que tem uma missão. Eu estou propondo este conceito amplo justamente para termos em mente que todos têm a missão de pregar, no fim todo o cristão é missionário, porém alguns viajam para outros países ou cidades e outros cristãos não. Então você pode ser um missionário no seu trabalho, pode trabalhar com alguma tribo urbana específica que é pouco alcançada, pode ser um missionário em seu bairro ou família e também até ser um missionário em outro país. Não se esqueça de que da porta da igreja para fora já estamos em um campo missionário e onde você estiver estará sendo uma ferramenta nas mãos de Deus. Cristo nos deu uma missão lá em Mateus 16:15: “Ide por todo o mundo…” Sendo que as ênfases no texto são “ir e pregar”, não importando onde. Contudo, temos que antes nos lembrar de algumas coisas importantes quando falamos de missão.

    1. A missão começa com a pregação e com o cuidado.

     Quando olhamos para a Bíblia, vamos ver que a missão, o ide, é muito mais que ganhar almas, como normalmente ouvimos, afinal o lado espiritual é só um lado da moeda, de um ser que sofre com problemas sociais, faltas e necessidades:

    “Ganhar almas é bom, não tenha dúvidas, mas parece-nos que a Bíblia apresenta uma forma de redenção do ser humano que vai muito além. Deus, através da Bíblia, enxerga no ser humano um ser completo, íntegro, holístico, e não somente a sua alma ou sua vida espiritual” (GERONE, 2014, 9).

    Para que a missão seja eficaz, temos que nos lembrar de uma mensagem de salvação, não podemos deixar de pontuar o quanto o ser humano é pecador e do quanto ele precisa de Deus, mas sem esquecer que este tem as suas mazelas, dificuldades e sofrimentos, que uma sociedade formada por inúmeros seres pecadores e falhos têm. Holístico significa totalidade, é considerar o todo do ser humano (GERONE, 2014, 9). A salvação é um movimento completo, que traz esperança ao homem por completo e restaura a sua vida física, emocional e material.

    Quando lemos sobre Cristo nos evangelhos nós vemos justamente isso, um Deus que se preocupava com o presente e o futuro. Com as doenças que afligia quem o buscava, mas também com a salvação deste doente. 

    Jesus nos contou a parábola do bom samaritano (Lucas 10:33), o texto não diz que quando o samaritano viu o homem moribundo, ele lhe deu um folhetinho dizendo Jesus te ama, foi muito mais que isso, o samaritano cuidou do homem. Na multiplicação dos pães vemos Cristo se preocupando com quem estava lá ouvindo a mensagem (Marcos 6:34), e ele não deixou de alimentar aquela multidão, mesmo que os seus discípulos insistissem em querer mandar estes embora para que se alimentassem em casa. Enfim, são muitos os exemplos que vemos de Jesus pregando, curando, matando a fome e restaurando o homem por completo:

    “A obra de evangelização não pode ser reduzida a uma simples proclamação verbal (comunicação oral) sobre Jesus, mas compreende uma ação integral: proclamação e atuação, pregação e prática, denúncia e ação transformadora. O evangelho alcança o ser humano não só pelo que se diz, mas também pelo que se faz” (GERONE, 2014, p. 36).

    Estas são as pessoas que precisam ser alcançadas por inteiro, a salvação deve ser completa e não pela metade, e a missão deve vir com este viés, mas ainda não é só isso, existe um segundo ponto que está interligado com este.

    1. A missão não é nossa e sim de Deus.

    É Deus quem quer salvar, é Deus que ama e doa o seu filho. A “Missio Dei”, ou seja, a Missão de Deus no Mundo deve começar Nele, pois é dele e nós somos apenas cooperadores:

    “A Missio Dei se caracteriza, então, pelo fato de ser uma missão que começa e termina em Deus e por Deus. A missão para a igreja está baseada na cooperação com o que Deus está realizando, por sua graça, neste mundo. Assim sendo, a igreja que está em missão, não poderá realiza-la sem perceber o mundo com todas as suas necessidades, se não for com os olhos de Deus” (GERONE, 2014, 13).

    A missão se inicia com Deus doando o seu filho, em nome de salvar a humanidade, nós somos apenas participantes deste movimento, sendo que para sermos boas ferramentas nas mãos D’ele, temos que conhecer a sua palavra para poder enxergar o mundo com seus olhos.

    Cuidar e evangelizar, dar esperança para uma vida melhor aqui na terra e também para uma vida futura. Olhar o homem como um todo e não somente como alguém que precisa do evangelho, este é um dos desafios da missão. Afinal, o pecado tem destruído o homem por completo, físico e espiritual, com isso a restauração deve ser completa. Sem esquecer-nos do principal, a missão é de Deus, é a partir dele que tudo deve começar, é com os olhos dele que devemos fazer a sua vontade.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005.

    Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001.

    GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014.

    https://www.dicio.com.br/missionario.

  • POLÍTICA OU POLITICAGEM

    Em tempos de eleição é sempre a mesma coisa, políticos aparecem, promessas vêm à tona e a velha ladainha é entoada. O que me angustia é que não há nada de novo debaixo do céu, qualquer pesquisada mequetrefe é o bastante para vermos que o tom da política nunca mudou, pois os velhos golpes ainda surtem efeitos, e o povo continua sendo feito de idiota como sempre.

    Eu nunca sei se me envergonho ou se sinto raiva, pois os mesmos continuam chegando ao poder, a falta de profundidade continua sendo os erros desta nossa sociedade, sendo que em pleno século XXI as fake news prosseguem fazendo muitos de trouxa.

    A política é uma de nossas grandes conquistas, ter a oportunidade de participar do processo de escolher os nossos governantes é uma oportunidade sem igual, um privilégio que temos e que devemos valorizar. Entretanto, sem reflexão, acabaremos por eleger os poucos que usam da emoção para conquistar o poder.

    Penso que o desafio é conseguir distinguir o político que quer fazer um trabalho sério (eu tenho esperança que ainda exista algum), daqueles oportunistas, que acreditam que a política é o melhor caminho para o seu bem estar. Acredito que o segredo é tentar enxergar quem pensa no coletivo, dos que pensam apenas em si. De quem olha para todos e não para uma classe de pessoas apenas. Nilton Bonder, no livro: Alma & Política, pontua justamente esta questão:

    “O perigo da política e do poder é que se transformem num forte instrumento para que o ser humano pense de forma estreita, ou seja, para que se restrinja em seu pensamento” (BONDER, 2018, p. 76)

    O segredo é procurar o político que olha para fora, que tenta dar voz a muitos e propor soluções no qual a maioria seja beneficiada e para isso, fórmulas simplistas, parcialidade e apelos populistas devem ser abandonados:

     “O que ocorre com a má política é que sua parcialidade a transforma num empecilho para que o fim seja alcançado” (BONDER, 2018, p. 76)

    Por um lado eu concordo que cada um deve escolher seu modelo político, por outro eu creio que está em falta neste nosso cenário à humildade, um diálogo inteligente e a troca de informações, e não insultos. O grande medo é que a solução para resolver estes embates parece distante, pois a população tem teimado em não dialogar.

    Tenho ficado preocupado com o fato dos políticos corruptos estarem sendo ovacionados, como se os mesmos não tivessem culpa de serem pilantras. Eu também fico receoso quando ouço pessoas falarem que vão votar no político ladrão, por conta de que ele rouba, mas faz, este tipo de papo é muito antigo, mas tem passado de geração para geração como se fosse algo inteligente.  

    No final das contas o nosso problema é de valores, de ética e coerência, e de cultivar um pensamento ampliado. A estreiteza da nossa forma de dialogar tem feito com que o nosso país siga para a bancarrota, pois enquanto brigamos por políticos, os mesmos saqueiam a nossa nação sem dó.

    Temos que aprender a ver as propostas políticas em primeiro lugar, a analisar a índole de quem quer um cargo público e a não aceitar políticos corruptos ou que se calam ante a corrupção, o que eu considero uma atitude ainda pior.

    A mudança nunca virá se nós não nos posicionarmos, o Brasil continuará o mesmo se não aprendermos a sermos cidadãos e a tratar a política como um movimento sério e não da forma como temos tratado nestes anos todos.

    Não vote em um herói, muito menos em quem rouba, mas faz, mas procure em seu candidato a coerência e a seriedade. Verifique o seu passado político, veja o quanto ele faz, e analise também sua vida particular, como ele viveu e como tem vivido. O nosso jeito de ser diz muito do que nós somos, aprenda também que o que dizemos e como agimos reflete muito quem somos e como vamos agir após eleitos, por isso abra o olho e preste atenção nestes detalhes.

     

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, Alma & Política, Um regime para seu partidarismo, editora Rocco, Rio de Janeiro,2018

  • CRISTIANISMO SIMPLIFICADO – AUGUSTUS NICODEMUS

     

     

    Dentre os muitos teólogos brasileiros, um dos mais relevantes e que tem se destacado muito ultimamente, por conta de seus livros e ótimas pregações disponíveis na internet é Augustus Nicodemus. Não posso deixar de salientar que ler um livro ou ouvir uma pregação deste pastor é sempre um prazer e um momento de aprendizado e crescimento.

    Este ótimo lançamento denominado de: “Cristianismo Simplificado”, surgiu por conta de um programa de rádio, que depois acabou sendo também disponibilizado em formato de podcast, chamado: Em Poucas Palavras.

    O livro é dividido basicamente em 5 capítulos principais, sendo que cada capítulo tem suas divisões, ou poderíamos dizer subcapítulos, abordando inúmeros temas relacionados a teologia e vida cristã. Como o programa era focado em responder perguntas, o livro ficou neste formato, diante disso, todos os pontos discutidos são em forma de perguntas e respostas.

    O destaque do livro é na grande capacidade que o autor tem em simplificar assuntos um tanto quanto complicados, sem deixar simplista, ele deixa todos os tema acessíveis, com bastante base teológica e fundamentação. A leitura é tranquila e profunda, o autor é apaziguador, mas não deixa de comunicar a verdade que a Bíblia transmite.

    Outro grande destaque é a capa, que diga-se de passagem, ficou ótima, muito bem elaborada. Tenho visto que os últimos lançamentos da editora Mundo Cristão tem vindo com ótima capas, o que proporciona a obra credibilidade, seriedade e respeito por quem vai adquirir o material.

    Enfim, mais um grande lançamento da editora Mundo Cristão, um material relevante para quem quer aprender mais ou ter acesso a materiais relevantes para indicar aos seus amigos e discípulos.

    O livro tem 205 páginas e foi lançado pela editora Mundo Cristão.  

  • 4 ANOS DE TEOLOGIA NA SOLITUDE

    Neste mês comemoramos o quarto ano de existência do blog, com um total de 35.792 visualizações, mais de 400 textos publicados e com inúmeras novidades de temas, textos e estudos apresentados nestes quatro anos.

    Confesso que no começo do blog foi complicado escrever sem que soasse forçado e repetitivo, foi um dos meus grandes desafios. Além do medo de não conseguir, depois de um tempo, escrever coisas novas, mas como estive errado. Pois quanto mais eu leio e estudo, mais tenho ideias, foi bom não deixar que o medo enterrasse neste projeto.

    Um dos segredos do blog é trabalhar textos com antecedência, eu escrevo muito, para depois corrigir e postar o texto. Desde o começo do blog eu sempre trabalhei assim, pois eu queria manter uma regularidade de postagens, sendo que eu nunca gostei de escrever e postar imediatamente, sempre preferi deixar passar um tempo para depois ler e alinhar o material

    Outro segredo é ter um tempo separado para me dedicar aos estudos e aos artigos do blog, afinal, meus dias são sempre corridos, por isso que o planejamento é fundamental para o sucesso da empreitada. Eu sempre digo que para oferecermos algo, temos que primeiro ter este algo de sobra, por isso que estudar e ler é fundamental para que tenhamos o que oferecer ao próximo, caso contrário, a nossa vida acabará sendo uma eterna repetição e acabaremos por não ter nada a oferecer.

    Por fim, o meu último segredo é a persistência, pois nem tudo começa dando certo logo de cara. Às vezes leva tempo, não tenha dúvidas, foram muitos os dias que tive que reaprender, planejar e começar de novo para fazer com que algo desse certo.

    O blog começou com poucos acessos, quase nenhum por dia, mas por conta da persistência, estudos e divulgação, temos tido muitos acessos diários, e os planos são de crescer ainda mais. Hoje temos algumas parcerias com editoras, uma boa visibilidade e estamos buscando o caminho de crescer ainda mais, pois como eu disse, o segredo é persistir e aprender com os erros.

    Agradeço a todos que acompanham o blog e que de alguma maneira colaboram, seja acessando, divulgando ou perguntando, aguardem mais novidades e que venham mais alguns anos, com a graça de Deus.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 24: OS DOIS CAMINHOS

    “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (MT 7:13-14) (NVI). 

    Estamos quase no fim desta importante coleção de ensinos, espero que tenha visto o quão é completo. Falamos de dinheiro, oração, como conviver e muitos outros temas da vida cristã. E esta passagem é uma das principais para estes nossos dias confusos, nos proporcionando duas principais lições.

    A primeira delas é que existem apenas dois caminhos. Um problema muito grande para quem é universalista, para quem crê que no final todos alcançarão salvação. Seria ótimo todos se salvarem, eu torço por isso, mas não é um ensino que a Bíblia nos dá. A Bíblia diz que não são todos que a semente do evangelho irá brotar, não são todos que vão escolher seguir o caminho de Cristo, pois muitos entrarão pelo caminho da perdição. A segunda lição é que o verdadeiro caminho não é fácil, não é bem aberto, asfaltado e nem bem iluminado:

    “Há também uma propriedade inseparável do caminho para o céu. É um caminho estreito que leva à vida. Ele leva à vida eterna, e a porta é tão estreita que nada impuro, nada que não seja santo, pode entrar” (WESLEY, 2015, p. 222).

    É desafiador ser cristão,  são muitos os obstáculos que o mundo coloca. Isso sem contar as inúmeras coisas das quais abrimos mão para seguirmos Jesus e o desconforto de remar contra a maré do mundo. É mais fácil jogar tudo isso para o alto e seguir a correnteza. O problema disso tudo é que o caminho que, embora nos pareça mais fácil, tem muito mais obstáculos e o fim dele é a perdição. Seguir a Deus não é para amadores, o caminho da cruz é estreito, mas leva à vida, vale a pena seguir.

    Há um tempo, a minha antiga banda foi convidada a tocar em uma cidade de Santa Catarina. Como uma banda de um amigo também iria e eles eram da mesma cidade, resolvemos dividir os custos de uma van. Todos sairiam ganhando e não precisaríamos dirigir por horas. O problema nisso tudo era que um dos membros insistiu que queria ir de automóvel e acabou indo. Ele iria seguindo a van, já que não conhecia o caminho, porém no conforto do seu automóvel.

    O problema foi que, no meio da viagem, ele acabou seguindo outra van, indo parar em outra cidade, do outro lado do nosso estado. O que era mais cômodo acabou se transformando em um grande problema. E o caminho mais fácil acabou se mostrando o pior caminho, o caminho errado.

    Não existem atalhos para a vida cristã, o caminho é duro e estreito. E muito menos fórmulas mágicas para encontrar a salvação, a vida cristã é um caminho estreito, quem sabe por ser pouco frequentado, mas é o caminho certo, por isso não pegue atalhos e nem siga o caminho do seu jeito, pois pode ser que no final você descubra que estará no destino contrário.

    BIBLIOGRAFIA

    WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.

  • CRISE

    Crise é aquele momento da economia onde os preços sobem, o desemprego aumenta e o medo toma conta de tudo. Gosto de pensar que a crise também é um momento para sairmos do comodismo, de pensar em ideias melhores, procurar outros desafios. Não tenho medo de crise, nossos pais e avós já passaram perrengues piores e superaram, por que nós também não iríamos conseguir?

    Acho interessante ouvir pessoas mais velhas, suas dificuldades passadas e a maneira como lidaram com elas, pois eles nos dão força para encarar a vida com mais esperança. Afinal, quem nunca passou por uma Crise? Quem nunca sentiu o chão desabar? Quem nunca achou que nunca mais se recuperaria? Normal, mas quando ouvimos outras experiências, outros pontos de vistas, nós enxergamos como nem tudo está perdido.

    É na crise que crescemos, que os fracos caem e que aprendemos a procurar outras saídas. É durante a crise que muitas ótimas ideias surgem, que portas que nunca imaginamos que um dia se abririam, acabam se abrindo, que oportunidades novas nascem. Porém, o ponto mais importante da crise é que ela nos faz confiar mais em Deus, confiar em seus cuidados e nos leva a buscá-lo com mais constância.

    Não se esqueça de como é comum nos acomodarmos, o leão que já conquistou o seu espaço, que já chegou onde queria chegar ou que já conseguiu uma certa estabilidade, tende a se encostar.

    Gosto de dia a dia me lembrar que o mundo é incerto e que nada é para sempre, isso me faz sempre olhar adiante a não parar. Convivo com mudanças de maneira bem tranquila, pois sei bem da  importância dela para o nosso crescimento, além de saber que somos frágeis e finitos e mais dia ou menos dia, vamos ter que aprender a lidar com quedas e perdas.

    Contudo, a crise tem um último lado muito importante, pois é durante a má fase que você vê quem realmente se importa. É na falta que você enxerga quem divide e auxilia, é quando não sobra, que você vê o bom coração.

    Eu não me impressiono quando vejo empresários explorando o pobre, não me admiro quando vejo injustiças e falta de amor, mas agradeço a Deus por saber que é só na crise que percebemos a verdade, sem máscaras.

    A crise é algo comum, dou graças a Deus por ela, pois é na crise que lembramos que somos fracos, é ela que nos faz olhar uns para os outros, é a crise que derruba a nossa autossuficiência, que revela quem é o homem e o quanto a sociedade que ele criou é fraca e limitada.

    Não se desespere com a crise, não entre em pânico quando descobrir a sua limitação ou perceber que está no fim de uma empreitada por conta dela. Aprenda a olhar para frente e prosseguir. Não somos infinitos, muito menos autossuficientes, somos fracos e dependentes. Diante disso, quando a crise chegar, aprenda a recomeçar, busque o novo sem se esquecer de quão limitado e finito realmente somos e do quanto temos que aprender a confiar em Deus.

  • CÉTICO POLÍTICO

    Estamos em ano político e para completar, presenciamos um grande período de crise e desemprego. Caos em ano político é certeza de promessas milagrosas, de santos políticos que depois de eleitos, somem tão rápido como quando apareceram.

    Sou um cético político, não creio mais nas soluções milagrosas propostas por muitos salvadores, que de salvadores não têm nada. Primeiro, porque quem estudou um pouquinho de política, história ou Maquiavel, vai ter sempre um pé atrás com a política. Depositar a minha esperança em um sistema onde a sua principal prática tem sido parecer algo que não é, não me deixa animado.

    Segundo, porque eu não acredito que com esta nossa corrupção e má administração, algo vá funcionar. Pode vir o comunista mais consciente, com a proposta econômica mais revolucionária, que tudo vai dar errado quando se deparar com toda a burocracia e má administração. Pode vir o político de direita mais competente, com uma formula realmente coesa e genial para gerar renda e movimentar a economia brasileira, que tudo vai dar errado por conta dos ladrões, desvios e superfaturamentos. Não adianta propormos algo, enquanto o básico não funcionar. Pouco importa votar em um “salvador”, se este “salvador” não começar a consertar a casa do começo.

    Eu espero que uma mudança venha, tenho uma esperança escondida lá no fundo do peito, mas na maioria das vezes é o ceticismo que impera. Afinal, desde criança eu vejo a corrupção, desde novo vejo humoristas brincando e denunciando com o humor todas as falcatruas políticas, e nada muda. É claro que eu tenho tentado votar certo, acho que é obrigação do cidadão analisar seu candidato e escolher a pessoa que achamos ser mais capaz, mesmo que nós não tenhamos mais esperança, mas no geral, creio que vou morrer sem ver mudanças. Gosto da citação de Lênin, que eu li no livro do Roger Scruton:

    “… o pior tipo de governo não é aquele que comete enganos, mas aquele que, ao cometer os enganos, é incapaz de corrigi-los” (SCRUTON, 2015, p. 104).

    Estamos chafurdados na lama da incompetência, penso que estas nossas opiniões polarizadas, além de nos dividir, tem colaborado para que não vejamos mais as incoerências, contradições políticas e o quanto o Brasil tem que evoluir primeiro antes de propor uma fórmula de governo.

    Enquanto a máquina não estiver funcionando de acordo, qualquer outra fórmula não funcionará. Enquanto continuarmos votando em incompetentes em troca de promessas vazias e sem sentido, continuaremos no caminho do caos, e ele é um chamariz de políticos corruptos, com isso, o circulo vicioso continuará.

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.

  • A VERDADEIRA POBREZA

    Eu gosto do simples, me impressiono como algumas pessoas, apesar de  não terem estudos, são tão profundas e sábias. Ser sábio não é ter faculdade, quem assim pensa se engana profundamente. Sabedoria é a capacidade de gerenciar seu conhecimento seja ele qual for,  ou a capacidade de tomar boas decisões, é claro que um curso superior ajuda muito, mas não existe garantia de que ele faça alguém inteligente.

    Um tempo atrás assisti a um vídeo que me deixou muito pensativo. Era uma senhora (Dona Lindalva), sem muito estudo e muito pobre, que contava como tinha batalhado para ter o seu pedaço de chão e o quanto suava a camisa para aprender a ler e escrever, pois era analfabeta. No meio do vídeo ela solta uma frase digna de um grande filósofo: “Minha pobreza é só de dinheiro…”.

    Muito passam a vida tendo como principal objetivo ganhar dinheiro. E se esquecem de viver o que a vida dá de graça. Temos tantas tecnologias que nos esquecemos de dar valor ao que temos. Muitos acham que ser feliz é ter, mas quando acabam tendo, descobrem que ainda continuam infelizes.

    Aquela senhora não se curvou ante a falta de recursos ou limitações e fez a opção de seguir firme valorizando o que tinha. Acredito que muitas vezes perdemos muito tempo reclamando, desejando ter, pensando no futuro e nos esquecendo do hoje.

     Quando falamos que a nossa pobreza é só de dinheiro, afirmamos que a única coisa que nos falta é o vil metal, porém, não é por conta da falta que seremos infelizes. Não podemos deixar que as riquezas definam nossa felicidade, ser feliz não é ter e sim ser. Gosto do que Phillip Keller fala em seu livro “Nada me faltará”:

    “Os homens estão sempre buscando segurança fora de si mesmos. São inquietos, inseguros, ambiciosos, ambiciosos de mais riquezas – querendo isto e aquilo, e contudo nunca estão realmente satisfeitos espiritualmente” (KELLER, 1984, p. 26)

    Não é se acomodar, mas se contentar com o que temos e viver o hoje, é ter em mente que a verdadeira felicidade e paz, vêm de Deus. Se você não é feliz, nada vai suprir esta falta de felicidade, ou você resolve o problema, que é interno e não externo, ou você nunca vai mudar.

    Quando você resolve esta falta, você pode ter muito ou pouco que estará feliz, você aprende a viver um dia de cada vez, valorizará o hoje, antes de ficar correndo atrás como louco de um futuro que nunca vem.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    KELLER, Phillip, Nada me Faltará, O salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas, Editora Betânia, Belo Horizonte, 1984

  • DEUS É LUZ

    Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma (Referência 1 João 1:5-7).

    Conheço muitos cristãos que não acreditam que conversão é mudança de vida.  Segundo estes, ser salvo, não é ter a vida transformada, por isso, seguem tendo a mesma velha vida, contudo, o que a Bíblia afirma é justamente o contrário e este texto é uma das passagens que dão ênfase no fato que quando seguimos a Deus, nossa vida muda.

    O texto começa falando que Deus é luz (v. 5) e sobre esta declaração o dicionário Vincent faz uma pontuação importante:

    “Declaração da natureza absoluta de Deus. Não uma luz nem a luz, com referência a seres criados, como a luz dos homens, a luz do mundo, mas simples e absolutamente Deus é luz, em sua própria natureza” (VINCENT, 2013, p. 258).

    Deus é, ele não parece com luz ou tem algo semelhante a luz, não. Sua essência é a verdadeira luz que ilumina nosso coração e a nossa vida. O versículo prossegue, pontuando algo muito importante para quem acha que conversão não é mudança de vida:

    “Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (v. 6).

    É simples, quando temos comunhão com o Deus da luz, é impossível andarmos nas trevas. Quando achamos que ser cristão não é mudar de vida, não é ter uma nova vida, estamos nos enganando. Gosto do que Phillip Keller fala em seu livro complementando a questão:

    “Muitos de nós parecem possuir grande volume de informação acerca do que o mestre espera de nós. Mas são poucos os que têm vontade, determinação e intenção de agir de acordo com essa informação ou seguir as instruções” (KELLER, 1984, p. 68).

    A mudança de vida é o sinal de genuína conversão, a busca diária por mudança e obediência a Deus é o fruto de sermos tocados e transformados. Só saber sobre Deus e a Bíblia não basta, só ter a informação sem a práxis, não adianta muito.

    Se dissermos que estamos unidos com Deus, o Deus de luz, não podemos estar nas trevas, o texto é claro. Quem serve ao Deus de luz, não anda na escuridão. É claro que iremos pecar, faremos coisas erradas, é por isso que pedimos perdão por nossos pecados dia a dia, mas a mudança deve ser visível. Por fim, o texto termina com uma afirmação importante:

    “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (v. 7).

    A comunhão é um fator decisivo para quem anda na luz, afinal, amar é estar em comunhão, ser cristão é estar em comunhão, isso a Bíblia deixa bem claro, são muitas passagens e provas que falam da importância da comunhão. Vincent completa:

    “A comunhão com Deus revela-se e prova-se pela comunhão com os cristãos” (VINCENT, 2013, p. 258).

    Não existe cristão solitário, servir a Deus e andar na luz tem como resultado a comunhão. Quem é tocado pelo espírito tem a sua vida transformada, e esta transformação resulta em uma vida de comunhão, apoio e coesão.

    Quem serve ao Deus de luz, também anda na luz, sua vida é transformada e a comunhão com os irmãos é certa. Estes são resultados de andarmos com Deus, estas são as provas de quem realmente anda na luz e é um ótimo parâmetro para analisarmos a nossa vida e vermos que tipo de cristãos estamos sendo.

    BIBLIOGRAFIA

    VINCENT, Marvin. R. Estudo do Vocabulário Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2013.

    KELLER, Phillip. Nada me Faltará: O salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1984.

  • OS DOIS TIPOS DE OTIMISTAS

    Eu sempre tive um receio com ideias fáceis e soluções mágicas para os problemas. Acredito que ideias simplistas, que não olham a questão como um todo e nem analisa todas as variantes de uma questão, são pensamentos perigosos. A vida não é um bloco de montar, nem um computador onde recorremos ao antivírus quando precisamos corrigir problemas. Na maioria das vezes o desafio é mais complexo, requer tempo e muita reflexão.

    E diante desta questão Roger Scruton em seu livro As Vantagens do Pessimismo, descreve dois tipos de pessoas que ele nomeia como os “otimistas escrupulosos” e os “otimistas inescrupulosos”, personagens fáceis de detectar em nossa sociedade. Segundo Scruton, um otimista escrupuloso é:

    “Alguém que mede a extensão de um problema e consulta o estoque existente de conhecimento e autoridade a fim de resolvê-lo, confiando na iniciativa e na inspiração quando não é possível encontrar nenhuma outra orientação, ou quando alguma peculiaridade em sua situação problemática desencadeia nela uma resposta análoga” (SCRUTON, 2015, p. 24-25).

    Este tipo de otimista é alguém que pondera, pensa em todas as variantes de um problema, entende que nem sempre o nosso problema é apenas o obstáculo, mas também as variantes que podem vir ao conseguirmos remover o obstáculo. Scruton complementa:

    “Esse otimismo escrupuloso também conhece as vantagens do pessimismo e sabe quando moderar nossos planos com uma dose dele. Ele nos encoraja a levar em conta o preço da falha, a conceber a pior das hipóteses e a assumir riscos com a plena consciência do que acontecerá se os riscos não compensarem” (SCRUTON, 2015, p. 24-25).

    Este tipo de pessoa é o amigo que nos dá uma dose de luz, é a pessoa que pensa em todas as variantes antes de entrar em uma empreitada ou resolver um problema. Já o otimista inescrupuloso é o oposto disso:

    “O otimismo inescrupuloso não é assim. Ele executa saltos de pensamento que não são saltos de fé, mas uma recusa a reconhecer que a razão deixou de apoiá-lo. Ele não leva em conta o custo do fracasso ou não imagina a pior das hipóteses. Ao contrário, ele é tipificado por aquilo que chamarei de a “falácia da melhor das hipóteses”. Quando lhe pedem que faça escolhas sob condições de incerteza, o otimista imagina o melhor resultado e supõe que não precisa considerar nenhum outro. Ele se devota apenas a um resultado e ou esquece de levar em conta o custo do fracasso – ou então – e este é o aspecto mais pernicioso – tenta transferir esse custo para os outros” (SCRUTON, 2015, p. 25).

    Na maioria das vezes este é o cidadão que fala que não conseguiu sucesso em uma determinada empreitada por culpa de um fulano, do tempo ou por falta de apoio de alguém. Este tipo de pessoa não assume seus erros, não confessa suas incompetências para que assim ele possa mudar. Eu sempre falo isso e vou sempre repetir, só mudamos quando confessamos os erros. Evoluímos apenas quando aprendemos com os fracassos, tiramos lições dos nossos equívocos apenas quando confessamos e pontuamos todos eles para que possamos mudar.

    “Os otimistas escrupulosos sabem que vivem em um mundo de limitações, que alterar essas limitações é difícil e que as consequências de fazê-lo são frequentemente imprevisíveis. Eles sabem que podem muito mais facilmente ajustar a si próprios do que modificar as limitações sob as quais vivem, e que deveriam trabalhar nisso continuamente, não apenas pelo bem de sua própria felicidade e daqueles que amam e que dependem deles, mas também pelo bem da atitude do “nós” que respeita as constantes das quais nossos valores dependem, e que faz o máximo possível para preservá-las” (SCRUTON, 2015, p. 35).

    Muitas soluções são propostas sem olhar o próximo e quem pensa diferente, muitas respostas carecem do mínimo de reflexão a fim de se concluir qual será o impacto que determinada empreitada vai causar no meio em que ela será aplicada. Algumas soluções nos trouxeram muito mais problemas, algumas propostas resultaram em mais erros do que acertos.

    Quando vejo alguém colocar a esperança de melhora em um determinado político, ou colocar a culpa da nossa crise em determinado lado, eu penso que estes não estão olhando o problema como um todo. A corrupção nada mais é que o último estágio de uma sociedade egoísta e mesquinha, que não demora em culpar pessoas, mas que não olha para si, suas atitudes e formas de pensar. A corrupção é o resultado de uma má administração, de um pensamento egoísta que só pensa em si e se esquece do “nós”. Temos que entender que com a corrupção solta, sem um remédio efetivo que a extermine, nenhuma forma de pensar funcionará, todas as propostas políticas enfraquecerão ante este mal. Eu gosto muito de uma frase, de um autor desconhecido, que diz:

    “Tome cuidado com os incompetentes com iniciativa”.

    Este é o pior tipo de pessoa que em sua maioria são otimistas inescrupulosos. Não quero agora me contradizer e culpar alguém, a minha proposta é que aprendamos a olhar o todo antes de procurarmos soluções seja para política, para a sociedade ou para a nossa vida. Nem sempre o obstáculo é o problema, mas a variante que virá ao retirarmos o obstáculo.

    Há muito pouco tempo não tínhamos celulares, carros e a tecnologia, hoje temos estas facilidades, mas com ela veio alguns outros problemas como: pessoas utilizando celulares enquanto dirigem, estudantes que deixam de fazer a lição para ficar conectados o dia inteiro em jogos ou redes sociais e por aí vai. Toda a solução ou avanço nos traz algum outro problema, e é sobre estas variantes que muitas vezes não refletimos na hora de solucionarmos problemas ou propormos algo novo.

    Eu fujo de algumas polarizações, seguir a direita, esquerda ou a solução mágica de algum “pensador” é pensar de forma simplista. É ser otimistas inescrupulosos, que resumem os problemas e propõe as soluções da mesma forma que preparam um macarrão instantâneo. Alguns problemas não são tão simples assim, e os otimistas escrupulosos sabem disso. Propostas realistas, assumir riscos de forma consciente sabendo que as soluções não são mágicas é a base do seu pensar e é assim que temos que tentar ser se quisermos ser relevantes.

    BIBLIOGRAFIA

    SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.