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A VERDADEIRA POBREZA
Eu gosto do simples, me impressiono como algumas pessoas, apesar de não terem estudos, são tão profundas e sábias. Ser sábio não é ter faculdade, quem assim pensa se engana profundamente. Sabedoria é a capacidade de gerenciar seu conhecimento seja ele qual for, ou a capacidade de tomar boas decisões, é claro que um curso superior ajuda muito, mas não existe garantia de que ele faça alguém inteligente.
Um tempo atrás assisti a um vídeo que me deixou muito pensativo. Era uma senhora (Dona Lindalva), sem muito estudo e muito pobre, que contava como tinha batalhado para ter o seu pedaço de chão e o quanto suava a camisa para aprender a ler e escrever, pois era analfabeta. No meio do vídeo ela solta uma frase digna de um grande filósofo: “Minha pobreza é só de dinheiro…”.
Muito passam a vida tendo como principal objetivo ganhar dinheiro. E se esquecem de viver o que a vida dá de graça. Temos tantas tecnologias que nos esquecemos de dar valor ao que temos. Muitos acham que ser feliz é ter, mas quando acabam tendo, descobrem que ainda continuam infelizes.
Aquela senhora não se curvou ante a falta de recursos ou limitações e fez a opção de seguir firme valorizando o que tinha. Acredito que muitas vezes perdemos muito tempo reclamando, desejando ter, pensando no futuro e nos esquecendo do hoje.
Quando falamos que a nossa pobreza é só de dinheiro, afirmamos que a única coisa que nos falta é o vil metal, porém, não é por conta da falta que seremos infelizes. Não podemos deixar que as riquezas definam nossa felicidade, ser feliz não é ter e sim ser. Gosto do que Phillip Keller fala em seu livro “Nada me faltará”:
“Os homens estão sempre buscando segurança fora de si mesmos. São inquietos, inseguros, ambiciosos, ambiciosos de mais riquezas – querendo isto e aquilo, e contudo nunca estão realmente satisfeitos espiritualmente” (KELLER, 1984, p. 26)
Não é se acomodar, mas se contentar com o que temos e viver o hoje, é ter em mente que a verdadeira felicidade e paz, vêm de Deus. Se você não é feliz, nada vai suprir esta falta de felicidade, ou você resolve o problema, que é interno e não externo, ou você nunca vai mudar.
Quando você resolve esta falta, você pode ter muito ou pouco que estará feliz, você aprende a viver um dia de cada vez, valorizará o hoje, antes de ficar correndo atrás como louco de um futuro que nunca vem.
BIBLIOGRAFIA
KELLER, Phillip, Nada me Faltará, O salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas, Editora Betânia, Belo Horizonte, 1984
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DEUS É LUZ
Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma (Referência 1 João 1:5-7).
Conheço muitos cristãos que não acreditam que conversão é mudança de vida. Segundo estes, ser salvo, não é ter a vida transformada, por isso, seguem tendo a mesma velha vida, contudo, o que a Bíblia afirma é justamente o contrário e este texto é uma das passagens que dão ênfase no fato que quando seguimos a Deus, nossa vida muda.
O texto começa falando que Deus é luz (v. 5) e sobre esta declaração o dicionário Vincent faz uma pontuação importante:
“Declaração da natureza absoluta de Deus. Não uma luz nem a luz, com referência a seres criados, como a luz dos homens, a luz do mundo, mas simples e absolutamente Deus é luz, em sua própria natureza” (VINCENT, 2013, p. 258).
Deus é, ele não parece com luz ou tem algo semelhante a luz, não. Sua essência é a verdadeira luz que ilumina nosso coração e a nossa vida. O versículo prossegue, pontuando algo muito importante para quem acha que conversão não é mudança de vida:
“Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (v. 6).
É simples, quando temos comunhão com o Deus da luz, é impossível andarmos nas trevas. Quando achamos que ser cristão não é mudar de vida, não é ter uma nova vida, estamos nos enganando. Gosto do que Phillip Keller fala em seu livro complementando a questão:
“Muitos de nós parecem possuir grande volume de informação acerca do que o mestre espera de nós. Mas são poucos os que têm vontade, determinação e intenção de agir de acordo com essa informação ou seguir as instruções” (KELLER, 1984, p. 68).
A mudança de vida é o sinal de genuína conversão, a busca diária por mudança e obediência a Deus é o fruto de sermos tocados e transformados. Só saber sobre Deus e a Bíblia não basta, só ter a informação sem a práxis, não adianta muito.
Se dissermos que estamos unidos com Deus, o Deus de luz, não podemos estar nas trevas, o texto é claro. Quem serve ao Deus de luz, não anda na escuridão. É claro que iremos pecar, faremos coisas erradas, é por isso que pedimos perdão por nossos pecados dia a dia, mas a mudança deve ser visível. Por fim, o texto termina com uma afirmação importante:
“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (v. 7).
A comunhão é um fator decisivo para quem anda na luz, afinal, amar é estar em comunhão, ser cristão é estar em comunhão, isso a Bíblia deixa bem claro, são muitas passagens e provas que falam da importância da comunhão. Vincent completa:
“A comunhão com Deus revela-se e prova-se pela comunhão com os cristãos” (VINCENT, 2013, p. 258).
Não existe cristão solitário, servir a Deus e andar na luz tem como resultado a comunhão. Quem é tocado pelo espírito tem a sua vida transformada, e esta transformação resulta em uma vida de comunhão, apoio e coesão.
Quem serve ao Deus de luz, também anda na luz, sua vida é transformada e a comunhão com os irmãos é certa. Estes são resultados de andarmos com Deus, estas são as provas de quem realmente anda na luz e é um ótimo parâmetro para analisarmos a nossa vida e vermos que tipo de cristãos estamos sendo.
BIBLIOGRAFIA
VINCENT, Marvin. R. Estudo do Vocabulário Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2013.
KELLER, Phillip. Nada me Faltará: O salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1984.
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OS DOIS TIPOS DE OTIMISTAS
Eu sempre tive um receio com ideias fáceis e soluções mágicas para os problemas. Acredito que ideias simplistas, que não olham a questão como um todo e nem analisa todas as variantes de uma questão, são pensamentos perigosos. A vida não é um bloco de montar, nem um computador onde recorremos ao antivírus quando precisamos corrigir problemas. Na maioria das vezes o desafio é mais complexo, requer tempo e muita reflexão.
E diante desta questão Roger Scruton em seu livro As Vantagens do Pessimismo, descreve dois tipos de pessoas que ele nomeia como os “otimistas escrupulosos” e os “otimistas inescrupulosos”, personagens fáceis de detectar em nossa sociedade. Segundo Scruton, um otimista escrupuloso é:
“Alguém que mede a extensão de um problema e consulta o estoque existente de conhecimento e autoridade a fim de resolvê-lo, confiando na iniciativa e na inspiração quando não é possível encontrar nenhuma outra orientação, ou quando alguma peculiaridade em sua situação problemática desencadeia nela uma resposta análoga” (SCRUTON, 2015, p. 24-25).
Este tipo de otimista é alguém que pondera, pensa em todas as variantes de um problema, entende que nem sempre o nosso problema é apenas o obstáculo, mas também as variantes que podem vir ao conseguirmos remover o obstáculo. Scruton complementa:
“Esse otimismo escrupuloso também conhece as vantagens do pessimismo e sabe quando moderar nossos planos com uma dose dele. Ele nos encoraja a levar em conta o preço da falha, a conceber a pior das hipóteses e a assumir riscos com a plena consciência do que acontecerá se os riscos não compensarem” (SCRUTON, 2015, p. 24-25).
Este tipo de pessoa é o amigo que nos dá uma dose de luz, é a pessoa que pensa em todas as variantes antes de entrar em uma empreitada ou resolver um problema. Já o otimista inescrupuloso é o oposto disso:
“O otimismo inescrupuloso não é assim. Ele executa saltos de pensamento que não são saltos de fé, mas uma recusa a reconhecer que a razão deixou de apoiá-lo. Ele não leva em conta o custo do fracasso ou não imagina a pior das hipóteses. Ao contrário, ele é tipificado por aquilo que chamarei de a “falácia da melhor das hipóteses”. Quando lhe pedem que faça escolhas sob condições de incerteza, o otimista imagina o melhor resultado e supõe que não precisa considerar nenhum outro. Ele se devota apenas a um resultado e ou esquece de levar em conta o custo do fracasso – ou então – e este é o aspecto mais pernicioso – tenta transferir esse custo para os outros” (SCRUTON, 2015, p. 25).
Na maioria das vezes este é o cidadão que fala que não conseguiu sucesso em uma determinada empreitada por culpa de um fulano, do tempo ou por falta de apoio de alguém. Este tipo de pessoa não assume seus erros, não confessa suas incompetências para que assim ele possa mudar. Eu sempre falo isso e vou sempre repetir, só mudamos quando confessamos os erros. Evoluímos apenas quando aprendemos com os fracassos, tiramos lições dos nossos equívocos apenas quando confessamos e pontuamos todos eles para que possamos mudar.
“Os otimistas escrupulosos sabem que vivem em um mundo de limitações, que alterar essas limitações é difícil e que as consequências de fazê-lo são frequentemente imprevisíveis. Eles sabem que podem muito mais facilmente ajustar a si próprios do que modificar as limitações sob as quais vivem, e que deveriam trabalhar nisso continuamente, não apenas pelo bem de sua própria felicidade e daqueles que amam e que dependem deles, mas também pelo bem da atitude do “nós” que respeita as constantes das quais nossos valores dependem, e que faz o máximo possível para preservá-las” (SCRUTON, 2015, p. 35).
Muitas soluções são propostas sem olhar o próximo e quem pensa diferente, muitas respostas carecem do mínimo de reflexão a fim de se concluir qual será o impacto que determinada empreitada vai causar no meio em que ela será aplicada. Algumas soluções nos trouxeram muito mais problemas, algumas propostas resultaram em mais erros do que acertos.
Quando vejo alguém colocar a esperança de melhora em um determinado político, ou colocar a culpa da nossa crise em determinado lado, eu penso que estes não estão olhando o problema como um todo. A corrupção nada mais é que o último estágio de uma sociedade egoísta e mesquinha, que não demora em culpar pessoas, mas que não olha para si, suas atitudes e formas de pensar. A corrupção é o resultado de uma má administração, de um pensamento egoísta que só pensa em si e se esquece do “nós”. Temos que entender que com a corrupção solta, sem um remédio efetivo que a extermine, nenhuma forma de pensar funcionará, todas as propostas políticas enfraquecerão ante este mal. Eu gosto muito de uma frase, de um autor desconhecido, que diz:
“Tome cuidado com os incompetentes com iniciativa”.
Este é o pior tipo de pessoa que em sua maioria são otimistas inescrupulosos. Não quero agora me contradizer e culpar alguém, a minha proposta é que aprendamos a olhar o todo antes de procurarmos soluções seja para política, para a sociedade ou para a nossa vida. Nem sempre o obstáculo é o problema, mas a variante que virá ao retirarmos o obstáculo.
Há muito pouco tempo não tínhamos celulares, carros e a tecnologia, hoje temos estas facilidades, mas com ela veio alguns outros problemas como: pessoas utilizando celulares enquanto dirigem, estudantes que deixam de fazer a lição para ficar conectados o dia inteiro em jogos ou redes sociais e por aí vai. Toda a solução ou avanço nos traz algum outro problema, e é sobre estas variantes que muitas vezes não refletimos na hora de solucionarmos problemas ou propormos algo novo.
Eu fujo de algumas polarizações, seguir a direita, esquerda ou a solução mágica de algum “pensador” é pensar de forma simplista. É ser otimistas inescrupulosos, que resumem os problemas e propõe as soluções da mesma forma que preparam um macarrão instantâneo. Alguns problemas não são tão simples assim, e os otimistas escrupulosos sabem disso. Propostas realistas, assumir riscos de forma consciente sabendo que as soluções não são mágicas é a base do seu pensar e é assim que temos que tentar ser se quisermos ser relevantes.
BIBLIOGRAFIA
SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações Editora, 2015.
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O LAVA-PÉS
Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? (Referência João 13: 1-20).
Quando falamos de liderança pastoral os exemplos de bons líderes ou de líderes servidores não são tantos. Abusos, exageros e hipocrisias são vistas aos montes. Neste texto de João 13:1-20, vemos uma das bases da liderança cristã, por isso é importante lermos e entendermos como Cristo mandou que agíssemos para com o próximo a fim de não nos equivocarmos. Entretanto, antes de prosseguir com a reflexão, peço que leia o texto inteiro (João 13:1-20).
A primeira lição está na atitude de Jesus (V4,5), que diga-se de passagem, é uma das mais fora do padrão. Muitos creem que um líder deve mandar, e ponto final, quanto mais um Deus. Mas nesta atitude, Cristo toma o lugar de um servo e lava os pés dos seus discípulos.
“Jesus explicou que suas ações serviam de exemplo – era uma lição prática de humildade. Se o Mestre e Senhor deles lhes lavava os pés, eles não deveriam hesitar em servir uns aos outros” (RICHARDS, 2013,p. 855).
Esta é uma das lógicas do reino, o mundo manda, mas no reino devemos servir, ninguém é melhor do que ninguém e se Cristo, o Deus encarnado, serviu, devemos servir também, é este um dos exemplos que Jesus nos deu:
“Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros” (V14).
A parte curiosa do texto é que Cristo lavou os pés até de Judas, aquele que iria traí-lo, mesmo sabendo da traição (V2). A lógica do reino é outra, o maior, serve o menor, o que quer ser grande serve a todos. E por servir, não digo fazer todas as suas vontades, servir não é isso, é dar o que a pessoa precisa, é oferecer a mão e ajudá-lo.
Quando vejo líderes mandando como se fossem superiores, ou agindo como se fossem ungidos intocáveis e a igreja, seus servos, eu percebo o quanto estes não entenderam os ensinos de Jesus:
“Nenhum ideal pode ser maior que a vida humana, criada à imagem de Deus. Ela precisa ser respeitada e dignificada. A igreja que passa por cima de pessoas para implantar um reino não pode estar sob a liderança daquele que, temporariamente, abriu mão de um reinado para resgatar pessoas” (CÉSAR, 2009, pg. 72).
Eu incansavelmente bato na mesma tecla, o poder corrompe, liderar sem os pés no chão, sem bons parceiros ou acompanhamento é uma porta aberta para cairmos nesta armadilha maligna:
“Quando o líder se sente em posição hierarquicamente mais alta, mais privilegiada, sente-se mais tentado a controlar os que estão sob sua tutela” (CÉSAR, 2009, pg. 75).
O lava-pés deixa-nos muitas lições, a principal delas é que se Cristo, sendo Deus, serviu, nós, sendo seus servos, temos a obrigação de também servir.
Mas existe uma segunda lição que o lava-pés nos dá e é sobre purificação. Não podemos esquecer que naquela época era comum, quando alguém chegava à casa de um amigo, que um servo ou escravo lavasse os pés de quem chegava, afinal, as ruas eram muito poeirentas e todos usavam sandálias, por conta disso os pés ficavam imundos.
Na vida cristã é igual, nós cristãos já estamos limpos, nós seguimos a Deus e Ele já nos deu salvação, porém, por conta das caminhadas da vida, constantemente sujamos os pés pelas estradas empoeiradas da nossa existência. Estamos constantemente pecando, por isso é preciso pedir constantemente perdão a Deus.
“Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos” (V10).
O lava pés é uma excelente analogia para exemplificar a importância de pedirmos perdão diariamente a Deus, coisa que Pedro, a princípio não entendeu. Quase todos estavam limpos, mas o perdão diário era importante para a caminhada cristã. Quando a passagem fala que nem todos estavam limpos, se referia a Judas, que já havia maquinado um plano para trair Jesus.
O poder corrompe, não tenha dúvidas, e ser um pastor ou líder não pode ser encarado como privilégio e sim como responsabilidade. Deus lhe conferiu esta missão, com isso, você não pode olhar para os seus liderados com olhos altivos, mas com a humildade de quem recebeu uma missão de Deus.
Seguir a Cristo é servir ao próximo, está é uma lição bem visível em toda a Bíblia. Na igreja de Cristo não existe espaço para altivez e pedantismo. Estamos todos no mesmo barco, nós somos todos pecadores, lavar os pés do próximo é uma lição básica para a vida cristã e para entendermos a graça e o amor de Cristo.
BIBLIOGRAFIA
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
CÉSAR, Marília de Camargo, Feridos em nome de Deus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2009.
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O SERMÃO DO MONTE PT 23: A REGRA DE OURO
Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” (MT 7:12) (NVI).
Conta-se que o Rabino Hillel por volta de 20 a. C. foi desafiado, juntamente com seu maior rival o Rabino Shammai a explicar toda a lei em um espaço de tempo em que o desafiante conseguisse ficar equilibrado em uma só perna. Seu maior rival desistiu, porém, o Rabi Hillel explicou com apenas uma frase, que por sinal é muito parecida com a frase de Jesus (STOTT, 1982, p. 200). E a frase é:
“O que você achar odioso, não o faça a ninguém. Esta é toda a lei; o restante não passa de comentário” (STOTT, 1982, p. 200).
Eu acho realmente muito poderoso encontrar interpretações da Bíblia parecidas com algumas interpretações de Cristo. Muitos dirão que isso invalidará o ensino de Cristo, dando a entender que Ele estava imitando outras pessoas. Eu não penso assim, acredito que, quando vemos o reflexo de bons ensinos proferidos por outros antes de Cristo, chegamos apenas a uma conclusão: “que estes entenderam o evangelho”. O interessante é que Jesus inverteu a frase, de negativa para positiva, não é mais não faça e sim faça. Diante da premissa, Jesus nos desafia a ir e tratar bem o próximo, a ser um bom amigo, um bom irmão, nos desafia a ir e fazer. Isso nos traz soluções para inúmeros problemas de convivência, já que nem todos possuem respeito ao espaço alheio. Ouvem músicas altas no ônibus, ou jogam lixo na rua, sem entender que a poluição é um problema que atinge a todos e por aí vai. Eu gosto como Eugene Peterson traduz esta passagem:
“Aqui está um guia simples e objetivo de conduta: pergunta a você mesmo o que quer que os outros façam a você, e, então, faça o mesmo a eles. Na verdade, nisso se resumem a Lei e os Profetas” (2012, p. 1386).
Um tempo atrás, em uma antiga igreja que eu frequentava, ao chegar mais cedo para o culto de domingo, esbarrei com um grupo de pessoas falando mal de um colega, que era um tanto quanto inconstante em sua vida com Deus. Volta e meia aquele colega aprontava alguma e o pastor, com toda a paciência estendia a mão e o ajudava, por anos foi assim. E aquele grupo de pessoas não entendia porque o pastor não tinha largado mão daquele discípulo. No meio daquelas indagações eu me meti, pois eu havia sido um cara parecido com aquele membro “problemático”. Este mesmo pastor me deu inúmeras chances onde no fim, acabei mudando e dou graças a Deus pela paciência daquele homem. Hoje este membro é um missionário atuante, com um trabalho muito bem feito com pessoas em situação de rua e dependentes químicos.
Trate o próximo como gostaria de ser tratado, tenha a paciência que gostaria que tivessem contigo e demore muito em julgar. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, como diz o ditado, mas quando é em nossos olhos a coisa muda, não é assim? É fácil falar do vizinho drogado, do colega problemático, do amigo depressivo, mas quando é conosco ou com nossos familiares, são outros quinhentos.
Cada um sabe onde o seu calo dói, e é por isso que devemos ser solícitos com as dificuldades alheias. Seja o que você espera do outro, compreenda como gostaria de ser compreendido, faça como gostaria que fizessem contigo. Esta é toda a lei de Deus, uma ótima lei de convivência e uma prática fundamental para quem também tem inúmeros defeitos, sendo eles, apenas diferentes dos defeitos do próximo.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
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NOVO TESTAMENTO: FILIPENSES
Ninguém tem uma opinião unânime para explicar como ser alegre. Cada um descreve o seu segredo de alegria de uma forma, sendo que, algumas vezes este segredo contradiz a fórmula de alegria do outro. Todo mundo quer ser alegre, mas não sabe como, sendo que muitas vezes durante a busca o que mais estes caçadores de alegria acham é justamente a frustração e a tristeza.
A epístola de Filipenses é considerada como uma carta de alegria, nesta carta não encontramos o apóstolo Paulo resolvendo problemas, corrigindo erros ou aconselhando, o que mais vemos em todo o seu texto é agradecimento e a alegria de quem compartilha uma fé em comum (RICHARDS, 2013, p. 1082).
A cidade de Filipos era considerada na época uma das mais relevantes, localizada em uma província da Macedônia, ela desfrutava da fama de ser uma colônia romana, uma espécie de pequena Roma (Atos 16:12), a cidade recebeu este nome em homenagem a Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1746).
Não é por menos que Filipenses é considerada uma carta de alegria, pois Paulo tinha muito a comemorar. Primeiro porque ele havia recebido ofertas de seus amigos (4:16-20). As cartas de Paulo nos deixam claro que o apóstolo não aceitava ajuda financeira das igrejas. Naquele tempo, muitos pregadores itinerantes, alguns questionáveis, saiam pregar e pediam ajuda. Paulo, com o propósito de se proteger de comentários, acabava por não aceitar, ele preferia trabalhar do que pedir (1 Tessalonicenses 2:9). Contudo, Paulo aceitou a oferta daqueles irmãos, não sabemos o motivo, mas o texto tem como uma das ênfases agradecê-los por suas ajudas (BOOR, 2006, p. 265).
Segundo porque o apóstolo comemorava o fato que a sua prisão havia dado frutos (1:12-26). Ele também alerta a igreja dos perigos do legalismo judaico (3:1-11). E encoraja-os a sofrerem corajosamente e a serem perseverantes entre outras coisas (1:27-30; 2:12-18; 3:17-21; 4:4-9) (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1874).
Certamente, temos muitos outros motivos para a epístola ter sido escrita, porém, quero ressaltar o ponto alto do texto. A passagem que contém uma das mais profundas declarações a respeito de Cristo no Novo Testamento, que está no capítulo 2:5-11 (RICHARDS, 2013, p. 1082):
“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens […]”.
Nesta declaração de fé, Jesus é o centro de tudo, o Deus que se doou e o servo humilde que morreu por nós. A passagem é muito maior, eu coloquei apenas um trecho, vale a pena ler e conhecer uma das mais belas passagens de Filipenses.
Eu comecei o texto falando sobre alegria, não foi por menos, pois a carta fala justamente disso e quando você a lê encontra a receita de como ser alegre. Primeiro o texto fala que a fonte de alegria é Jesus, são muitas as passagens que enfatizam isso (3:1, 4:4, 3:3, 4:10), é só n’Ele que podemos ser realmente alegres e felizes, não tem outra forma. Mas temos uma outra fonte de alegria, que lendo o texto todo veremos de forma clara, é a alegria de estar em comunhão com os irmão e no mesmo propósito (1:25, 2:2, 1:4, 2:2).
Só temos uma fonte de alegria e esta fonte é Cristo, contudo, estar em comunhão, vivenciando a mesma fé e no mesmo propósito de Deus também é uma fonte de alegria. É impossível sermos alegres sozinhos, fechados em nosso individualismo, à vida que vale a pena é sempre em comunhão e é isso que a epístola deixa explícito em todo o texto.
Somos felizes e alegres por conta de Cristo, sermos salvos por Ele ou termos sido alcançados por seu evangelho deve ser uma de nossas grandes alegrias. Mas a vida em comunhão, dando suporte, ajuda, apoio uns aos outros é também uma fonte de alegria é isso que ensina um pouco Filipenses, a carta da alegria.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
BOOR, Eberhard.; Hahn, Werner de. Comentário esperança: Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses. Curitiba: Editora Esperança, 2006.
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O INESCRUTÁVEL DEUS
Deus é a palavra que usamos para nomear YHWH, o único Deus, uma palavra pobre e limitada, que não explica quem ele é de verdade e o quão poderoso é. O tetragrama, como é chamado à palavra YHWH, esconde quem ele é e até a sua pronúncia, já que os Judeus, a fim de não usarem o nome de Deus em vão, não pronunciavam, esquecendo assim sua articulação.
Tenho uma verdade gravada em meu coração, algo que me guia e me tranquiliza: “Nós, seres finitos, nunca entenderemos um Deus infinito”. E se um dia o fizermos, provavelmente não estaremos falando de Deus, o nosso Deus e sim, de algo criado conforme a nossa imagem decaída e pequena, limitado como nós seres humanos somos. É absurdo crer que um dia um ser criado explicará um ser incriado, eterno, sem começo e fim, sendo que a teologia nos ajuda pontuando que se ele não se revelasse, o homem, com a sua própria força, nunca conseguiria encontrar este soberano pai.
Qualquer conclusão que tivermos de Deus será sempre pequena e limitada, estudo algum explicará de forma plena e perfeita quem ele realmente é. E Romanos 11:33-36 nos dá uma boa base para esta afirmação e reforça um pouco mais o que estou dizendo:
“Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (NVI).
É impossível entendermos Deus, é impossível investigar, sondar ou compreendê-lo, o que podemos fazer é entender a sua palavra, estudar o que ele nos deixou para que estudássemos e nos contentar com isso. Deus é muito maior do que a Bíblia, é enormemente maior do que a sua criação e tudo o mais que ele deixou como sinal de sua existência (Romanos 1:20).
Eu fico tranquilo em saber que Deus é muito maior que a minha capacidade, quando eu vejo a ciência se bater e mudar inúmeras vezes de ideia tentando assim explicar os fenômenos da natureza, eu percebo quem realmente somos e o quanto precisamos de humildade para entender isso. Se nos batemos para explicar uma coisa criada, quanto mais Deus…
Talvez o nosso problema seja o de não aceitar a nossa limitação, e viver como se estes avanços científicos fossem nos levar a algum lugar. No fim, o homem se perde em seu próprio orgulho, demora em confessar que nunca irá conhecer este vasto universo, quanto mais Deus, por isso, prefere crer que ele não existe, por não se encaixar em seu próprios padrões finitos, como se o infinito se encaixasse no finito.
É contraditório crer em um Deus explicável, é incoerente afirmar que ele não existe só por não se encaixar em nossas reflexões ou explicações. Deus é um absurdo, é por isso que é Deus, se ele fosse algo possível certamente seria um ser humano ou algo criado a nossa imagem.
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A IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO
Quando eu era muito novo eu trabalhei em um frigorífico, neste local, conheci um funcionário, um dos melhores por sinal, que só tinha dois dedos na mão direita. Por tempos eu fiquei curioso para saber o motivo daquele homem ter somente dois dedos na mão e um dia, ele me falou que perdeu os dedos por saber operar muito bem uma máquina. É claro que fiquei com cara de dúvida diante daquelas palavras. Como é possível alguém bom em algo, se acidentar? A resposta é simples.
É comum com o tempo pegarmos prática em determinadas áreas, é totalmente normal executarmos certas tarefas tão no automático que com o tempo perdemos a cautela. Segundo o dicionário cautela significa:
“Precaução; excesso de cuidado que se toma com o objetivo de prever um mal, um dano, um perigo” (Dicio).
Quando estamos no automático não raciocinamos, ao perdermos o medo deixamos de lado as precauções e sem querer não nos protegemos. O medo é um ótimo companheiro, em doses pequenas ele nos ajuda a tomarmos cuidado, a ter atitudes seguras. Provérbios 14:16 diz:
“O sábio é cauteloso e evita o mal, mas o tolo é impetuoso e irresponsável”.
Impetuoso é aquele indivíduo que age sem pensar, que não faz uma reflexão, que é movido pela emoção. Este não têm o mínimo de responsabilidade e age movido por seus impulsos. O cauteloso já pensa antes de falar e tenta controlar a emoção antes de dar uma resposta.
Não viva a vida como se estivesse no automático, como o impetuoso vive, aprenda a olhar em volta, aprenda a analisar a sua vida e descubra o que você tem feito dela. A reflexão faz parte de uma vida relevante, pense, reflita e busque conhecer antes de tomar alguma atitude. Sócrates já nos avisou que:
“Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” (apud KLEINNMAN, 2014, 12).
Sendo que viver no automático é viver sem reflexão, é compartilhar notícias sem verificar os fatos, é usar argumentos sem o mínimo de lógica, verdade e bibliografia, como temos visto neste nosso infeliz cenário político polarizado. Gosto de uma citação de Heráclito que resume bem o que temos visto por aí:
“Os tolos, quando de fato ouvem, são como os surdos; a eles se aplica o ditado de que estão ausentes quando presentes” (RUSSEL, 2017, p. 29).
O tolo é aquele que ouve e não faz uma reflexão, nem pensa no que está sendo falando, ou deixa de ouvir uma boa argumentação. Um indivíduo assim é orgulhoso, se considera suficientemente sábio demais para ouvir alguém, o problema é que normalmente um indivíduo assim não é sábio.
Eu falei no começo do texto sobre o medo e como em pequenas doses ele nos traz cautela. Eu não dei o exemplo à toa, só por ser uma boa história, eu falei do medo por justamente estar em falta em nossa sociedade ultimamente.
Tenha medo de falar opiniões sem o mínimo de reflexão, busque a relevância, cultive o hábito de ler e estudar. Tenha medo de ser uma pessoa vazia, que segue a opinião da maioria, que não reflete e nem enxerga as contradições. Tenha medo de ser o dono da verdade, mas, quando achar a verdade e tiver uma opinião embasada, aprenda a argumentar de forma construtiva. Tenha medo de falar muito, só por falar, pois o ouvir é igualmente importante. Tenha medo também de querer estar sempre certo, pois nem sempre estamos, às vezes achamos que estamos vendo a verdade, mas no fim pode ser apenas um ponto de vista simplista e egoísta. Não sabemos de tudo, entenda isso, e tenha a humildade de pontuar bem suas limitações, só cresce e se desenvolve quem cultiva tais práticas.
Boas opiniões vêm de boas reflexões, mas para termos boas reflexões precisamos de boas bases, boas informações, leituras e estudos. Práticas difíceis, ainda mais em nossos corridos dias, mas não impossíveis, basta cultivarmos.
BIBLIOGRAFIA
CAUTELA. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2024. Disponível em: https://www.dicio.com.br/cautela. Acesso em: 25/08/2018.
KLEINMAN, Paul. Tudo o que você precisa saber sobre filosofia. São Paulo: Gente Editora, 2014.
RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.
BONDER, Nilton. A Cabala da Inveja. Rio de janeiro, Editora Rocco, 2010.
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HERMENÊUTICA – E. LUND & P. C. NELSON
Hermenêutica segundo o dicionário é a arte de interpretar textos, em nosso caso, que somos cristãos, seria a arte de interpretar a Bíblia. Uma ferramenta importante, usada por pastores, missionários e todos que querem entender e buscar o real significado da mensagem que o texto bíblico quer nos passar. Contudo, apesar de sua importância, não é usada por todos, o que abre um leque de más interpretações e equívocos no qual vemos por aí. Teologias equivocadas, mensagens mal interpretadas e ensinos errados é o que mais vemos nesse nosso Brasil.
O propósito do livro é falar de todas as ferramentas da hermenêutica, sendo que a maneira no qual os autores discorrem sobre estas ferramentas é prática, de fácil entendimento e explicação. Eles trabalham desde como deve ser a nossa disposição de interpretar a Bíblia, fala sobre a linguagem Bíblica, e termina dando muitas regras de interpretação como: A importância de entender a palavra no sentido que o contexto quer dar, a importância de consultar passagens paralelas, paralelos de ideias, paralelos de ensinos gerais, figuras de retóricas, hebraísmos e por aí vai.
São muitas as ferramentas para interpretar um texto Bíblico, e o autor discorre sobre as principais e dá algumas ótimas explicações para a compreensão e interpretação Bíblica. Vale à leitura, o texto é bem escrito, com uma linguagem de fácil interpretação.
Editora Vida, com 167 páginas.
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IRA DIVINA
Muitos não conseguem conceber como um Deus de amor pode ser irar. Há quem diga que o Deus do Velho Testamento não é o mesmo que o Deus do Novo. Como se a Bíblia narrasse a história de dois Deuses distintos e totalmente opostos. Penso que a resposta para esta questão é dupla, Deus se ira porque é santo e porque nos ama.
Primeiro, entenda que Deus é santo, e por ser santo, odeia o pecado:
“Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus” (GRUDEM, 2010, p.151)
Deus é santo, e sua ira é profundamente ligada a sua santidade e justiça, um Deus santo não coaduna com o pecado.
Segundo, Deus se ira porque nos ama. Ninguém fica feliz quando vê um filho ou um amigo se afundar, seja em drogas ou bebida. Pior ainda, ninguém fica alegre quando este alcoólatra ou drogado afirma que seus vícios não o prejudicam, ainda mais quando você vê sua saúde e dinheiro indo para o ralo. Normalmente nos enfurecemos, e com certeza tentaremos, mesmo que furiosos, fazer quem nós estimamos enxergar seu erro. Com Deus não é diferente:
“O mal enfurece a Deus, porque destrói os seus filhos” (LUCADO, 2007, p. 29)
O mal e o pecado enfurece a Deus porque ele é santo, e porque o mal e o pecado destrói a sua criação.
“Deus não fica zangado por não havermos feito como ele quis. Ele se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição” (LUCADO, 2007, p. 30)
Não fica difícil constatar o caos que o homem faz, basta olhar para o mundo e ver em que pé ele está. É claro que a ira de Deus não é igual a nossa, Ele é santo e perfeito, porém não existe contradição alguma em este Deus santo e perfeito se irar, nada mais comum quando amamos alguém, ainda mais quando este alguém não se cansa de se autodestruir.
Falando em autodestruição eu me lembro de um acontecimento que vivenciei há muitos anos. Conheci um garoto muito desobediente, vivia aprontando e arrumando das suas. Uma vez ele, que era menor de idade, pegou o carro de sua mãe escondido e bateu o carro em alta velocidade. A batida foi tão forte que a perna dele quase se prendeu as ferragens, por sorte não aconteceu nada. Aquela mãe ficou furiosa, afinal, ela o amava e não queria perdê-lo daquela maneira.
João 3:16 diz que Deus amou o mundo tanto, que deu o seu Filho para morrer em nosso lugar, para que não fôssemos consumidos por conta de nosso pecado, basta crermos n’Ele e o seguirmos. Caso contrário já estamos condenados, o que não é tão difícil assim, pois o homem é um ser autodestrutivo, mestre em seguir pelo caminho errado
Deus abomina o pecado por isso se ira, mas também nos ama. Por isso que Ele deseja que nós o sigamos, pois só pode haver vida n’Ele, fora d’Ele só encontramos caos e destruição. É claro que o pecado o enfurece, afinal Ele é santo, porém ao invés de nos destruir, consumir a raça humana com a sua ira, Ele preferiu nos dar uma chance e se doar para nos salvar.
BIBLIOGRAFIA
LUCADO, Max, Nas garras da graça, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2007
GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010

