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O LAVA-PÉS
Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? (Referência João 13: 1-20).
Quando falamos de liderança pastoral os exemplos de bons líderes ou de líderes servidores não são tantos. Abusos, exageros e hipocrisias são vistas aos montes. Neste texto de João 13:1-20, vemos uma das bases da liderança cristã, por isso é importante lermos e entendermos como Cristo mandou que agíssemos para com o próximo a fim de não nos equivocarmos. Entretanto, antes de prosseguir com a reflexão, peço que leia o texto inteiro (João 13:1-20).
A primeira lição está na atitude de Jesus (V4,5), que diga-se de passagem, é uma das mais fora do padrão. Muitos creem que um líder deve mandar, e ponto final, quanto mais um Deus. Mas nesta atitude, Cristo toma o lugar de um servo e lava os pés dos seus discípulos.
“Jesus explicou que suas ações serviam de exemplo – era uma lição prática de humildade. Se o Mestre e Senhor deles lhes lavava os pés, eles não deveriam hesitar em servir uns aos outros” (RICHARDS, 2013,p. 855).
Esta é uma das lógicas do reino, o mundo manda, mas no reino devemos servir, ninguém é melhor do que ninguém e se Cristo, o Deus encarnado, serviu, devemos servir também, é este um dos exemplos que Jesus nos deu:
“Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros” (V14).
A parte curiosa do texto é que Cristo lavou os pés até de Judas, aquele que iria traí-lo, mesmo sabendo da traição (V2). A lógica do reino é outra, o maior, serve o menor, o que quer ser grande serve a todos. E por servir, não digo fazer todas as suas vontades, servir não é isso, é dar o que a pessoa precisa, é oferecer a mão e ajudá-lo.
Quando vejo líderes mandando como se fossem superiores, ou agindo como se fossem ungidos intocáveis e a igreja, seus servos, eu percebo o quanto estes não entenderam os ensinos de Jesus:
“Nenhum ideal pode ser maior que a vida humana, criada à imagem de Deus. Ela precisa ser respeitada e dignificada. A igreja que passa por cima de pessoas para implantar um reino não pode estar sob a liderança daquele que, temporariamente, abriu mão de um reinado para resgatar pessoas” (CÉSAR, 2009, pg. 72).
Eu incansavelmente bato na mesma tecla, o poder corrompe, liderar sem os pés no chão, sem bons parceiros ou acompanhamento é uma porta aberta para cairmos nesta armadilha maligna:
“Quando o líder se sente em posição hierarquicamente mais alta, mais privilegiada, sente-se mais tentado a controlar os que estão sob sua tutela” (CÉSAR, 2009, pg. 75).
O lava-pés deixa-nos muitas lições, a principal delas é que se Cristo, sendo Deus, serviu, nós, sendo seus servos, temos a obrigação de também servir.
Mas existe uma segunda lição que o lava-pés nos dá e é sobre purificação. Não podemos esquecer que naquela época era comum, quando alguém chegava à casa de um amigo, que um servo ou escravo lavasse os pés de quem chegava, afinal, as ruas eram muito poeirentas e todos usavam sandálias, por conta disso os pés ficavam imundos.
Na vida cristã é igual, nós cristãos já estamos limpos, nós seguimos a Deus e Ele já nos deu salvação, porém, por conta das caminhadas da vida, constantemente sujamos os pés pelas estradas empoeiradas da nossa existência. Estamos constantemente pecando, por isso é preciso pedir constantemente perdão a Deus.
“Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos” (V10).
O lava pés é uma excelente analogia para exemplificar a importância de pedirmos perdão diariamente a Deus, coisa que Pedro, a princípio não entendeu. Quase todos estavam limpos, mas o perdão diário era importante para a caminhada cristã. Quando a passagem fala que nem todos estavam limpos, se referia a Judas, que já havia maquinado um plano para trair Jesus.
O poder corrompe, não tenha dúvidas, e ser um pastor ou líder não pode ser encarado como privilégio e sim como responsabilidade. Deus lhe conferiu esta missão, com isso, você não pode olhar para os seus liderados com olhos altivos, mas com a humildade de quem recebeu uma missão de Deus.
Seguir a Cristo é servir ao próximo, está é uma lição bem visível em toda a Bíblia. Na igreja de Cristo não existe espaço para altivez e pedantismo. Estamos todos no mesmo barco, nós somos todos pecadores, lavar os pés do próximo é uma lição básica para a vida cristã e para entendermos a graça e o amor de Cristo.
BIBLIOGRAFIA
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
CÉSAR, Marília de Camargo, Feridos em nome de Deus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2009.
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O SERMÃO DO MONTE PT 23: A REGRA DE OURO
Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” (MT 7:12) (NVI).
Conta-se que o Rabino Hillel por volta de 20 a. C. foi desafiado, juntamente com seu maior rival o Rabino Shammai a explicar toda a lei em um espaço de tempo em que o desafiante conseguisse ficar equilibrado em uma só perna. Seu maior rival desistiu, porém, o Rabi Hillel explicou com apenas uma frase, que por sinal é muito parecida com a frase de Jesus (STOTT, 1982, p. 200). E a frase é:
“O que você achar odioso, não o faça a ninguém. Esta é toda a lei; o restante não passa de comentário” (STOTT, 1982, p. 200).
Eu acho realmente muito poderoso encontrar interpretações da Bíblia parecidas com algumas interpretações de Cristo. Muitos dirão que isso invalidará o ensino de Cristo, dando a entender que Ele estava imitando outras pessoas. Eu não penso assim, acredito que, quando vemos o reflexo de bons ensinos proferidos por outros antes de Cristo, chegamos apenas a uma conclusão: “que estes entenderam o evangelho”. O interessante é que Jesus inverteu a frase, de negativa para positiva, não é mais não faça e sim faça. Diante da premissa, Jesus nos desafia a ir e tratar bem o próximo, a ser um bom amigo, um bom irmão, nos desafia a ir e fazer. Isso nos traz soluções para inúmeros problemas de convivência, já que nem todos possuem respeito ao espaço alheio. Ouvem músicas altas no ônibus, ou jogam lixo na rua, sem entender que a poluição é um problema que atinge a todos e por aí vai. Eu gosto como Eugene Peterson traduz esta passagem:
“Aqui está um guia simples e objetivo de conduta: pergunta a você mesmo o que quer que os outros façam a você, e, então, faça o mesmo a eles. Na verdade, nisso se resumem a Lei e os Profetas” (2012, p. 1386).
Um tempo atrás, em uma antiga igreja que eu frequentava, ao chegar mais cedo para o culto de domingo, esbarrei com um grupo de pessoas falando mal de um colega, que era um tanto quanto inconstante em sua vida com Deus. Volta e meia aquele colega aprontava alguma e o pastor, com toda a paciência estendia a mão e o ajudava, por anos foi assim. E aquele grupo de pessoas não entendia porque o pastor não tinha largado mão daquele discípulo. No meio daquelas indagações eu me meti, pois eu havia sido um cara parecido com aquele membro “problemático”. Este mesmo pastor me deu inúmeras chances onde no fim, acabei mudando e dou graças a Deus pela paciência daquele homem. Hoje este membro é um missionário atuante, com um trabalho muito bem feito com pessoas em situação de rua e dependentes químicos.
Trate o próximo como gostaria de ser tratado, tenha a paciência que gostaria que tivessem contigo e demore muito em julgar. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, como diz o ditado, mas quando é em nossos olhos a coisa muda, não é assim? É fácil falar do vizinho drogado, do colega problemático, do amigo depressivo, mas quando é conosco ou com nossos familiares, são outros quinhentos.
Cada um sabe onde o seu calo dói, e é por isso que devemos ser solícitos com as dificuldades alheias. Seja o que você espera do outro, compreenda como gostaria de ser compreendido, faça como gostaria que fizessem contigo. Esta é toda a lei de Deus, uma ótima lei de convivência e uma prática fundamental para quem também tem inúmeros defeitos, sendo eles, apenas diferentes dos defeitos do próximo.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
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NOVO TESTAMENTO: FILIPENSES
Ninguém tem uma opinião unânime para explicar como ser alegre. Cada um descreve o seu segredo de alegria de uma forma, sendo que, algumas vezes este segredo contradiz a fórmula de alegria do outro. Todo mundo quer ser alegre, mas não sabe como, sendo que muitas vezes durante a busca o que mais estes caçadores de alegria acham é justamente a frustração e a tristeza.
A epístola de Filipenses é considerada como uma carta de alegria, nesta carta não encontramos o apóstolo Paulo resolvendo problemas, corrigindo erros ou aconselhando, o que mais vemos em todo o seu texto é agradecimento e a alegria de quem compartilha uma fé em comum (RICHARDS, 2013, p. 1082).
A cidade de Filipos era considerada na época uma das mais relevantes, localizada em uma província da Macedônia, ela desfrutava da fama de ser uma colônia romana, uma espécie de pequena Roma (Atos 16:12), a cidade recebeu este nome em homenagem a Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1746).
Não é por menos que Filipenses é considerada uma carta de alegria, pois Paulo tinha muito a comemorar. Primeiro porque ele havia recebido ofertas de seus amigos (4:16-20). As cartas de Paulo nos deixam claro que o apóstolo não aceitava ajuda financeira das igrejas. Naquele tempo, muitos pregadores itinerantes, alguns questionáveis, saiam pregar e pediam ajuda. Paulo, com o propósito de se proteger de comentários, acabava por não aceitar, ele preferia trabalhar do que pedir (1 Tessalonicenses 2:9). Contudo, Paulo aceitou a oferta daqueles irmãos, não sabemos o motivo, mas o texto tem como uma das ênfases agradecê-los por suas ajudas (BOOR, 2006, p. 265).
Segundo porque o apóstolo comemorava o fato que a sua prisão havia dado frutos (1:12-26). Ele também alerta a igreja dos perigos do legalismo judaico (3:1-11). E encoraja-os a sofrerem corajosamente e a serem perseverantes entre outras coisas (1:27-30; 2:12-18; 3:17-21; 4:4-9) (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1874).
Certamente, temos muitos outros motivos para a epístola ter sido escrita, porém, quero ressaltar o ponto alto do texto. A passagem que contém uma das mais profundas declarações a respeito de Cristo no Novo Testamento, que está no capítulo 2:5-11 (RICHARDS, 2013, p. 1082):
“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens […]”.
Nesta declaração de fé, Jesus é o centro de tudo, o Deus que se doou e o servo humilde que morreu por nós. A passagem é muito maior, eu coloquei apenas um trecho, vale a pena ler e conhecer uma das mais belas passagens de Filipenses.
Eu comecei o texto falando sobre alegria, não foi por menos, pois a carta fala justamente disso e quando você a lê encontra a receita de como ser alegre. Primeiro o texto fala que a fonte de alegria é Jesus, são muitas as passagens que enfatizam isso (3:1, 4:4, 3:3, 4:10), é só n’Ele que podemos ser realmente alegres e felizes, não tem outra forma. Mas temos uma outra fonte de alegria, que lendo o texto todo veremos de forma clara, é a alegria de estar em comunhão com os irmão e no mesmo propósito (1:25, 2:2, 1:4, 2:2).
Só temos uma fonte de alegria e esta fonte é Cristo, contudo, estar em comunhão, vivenciando a mesma fé e no mesmo propósito de Deus também é uma fonte de alegria. É impossível sermos alegres sozinhos, fechados em nosso individualismo, à vida que vale a pena é sempre em comunhão e é isso que a epístola deixa explícito em todo o texto.
Somos felizes e alegres por conta de Cristo, sermos salvos por Ele ou termos sido alcançados por seu evangelho deve ser uma de nossas grandes alegrias. Mas a vida em comunhão, dando suporte, ajuda, apoio uns aos outros é também uma fonte de alegria é isso que ensina um pouco Filipenses, a carta da alegria.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
BOOR, Eberhard.; Hahn, Werner de. Comentário esperança: Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses. Curitiba: Editora Esperança, 2006.
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O INESCRUTÁVEL DEUS
Deus é a palavra que usamos para nomear YHWH, o único Deus, uma palavra pobre e limitada, que não explica quem ele é de verdade e o quão poderoso é. O tetragrama, como é chamado à palavra YHWH, esconde quem ele é e até a sua pronúncia, já que os Judeus, a fim de não usarem o nome de Deus em vão, não pronunciavam, esquecendo assim sua articulação.
Tenho uma verdade gravada em meu coração, algo que me guia e me tranquiliza: “Nós, seres finitos, nunca entenderemos um Deus infinito”. E se um dia o fizermos, provavelmente não estaremos falando de Deus, o nosso Deus e sim, de algo criado conforme a nossa imagem decaída e pequena, limitado como nós seres humanos somos. É absurdo crer que um dia um ser criado explicará um ser incriado, eterno, sem começo e fim, sendo que a teologia nos ajuda pontuando que se ele não se revelasse, o homem, com a sua própria força, nunca conseguiria encontrar este soberano pai.
Qualquer conclusão que tivermos de Deus será sempre pequena e limitada, estudo algum explicará de forma plena e perfeita quem ele realmente é. E Romanos 11:33-36 nos dá uma boa base para esta afirmação e reforça um pouco mais o que estou dizendo:
“Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (NVI).
É impossível entendermos Deus, é impossível investigar, sondar ou compreendê-lo, o que podemos fazer é entender a sua palavra, estudar o que ele nos deixou para que estudássemos e nos contentar com isso. Deus é muito maior do que a Bíblia, é enormemente maior do que a sua criação e tudo o mais que ele deixou como sinal de sua existência (Romanos 1:20).
Eu fico tranquilo em saber que Deus é muito maior que a minha capacidade, quando eu vejo a ciência se bater e mudar inúmeras vezes de ideia tentando assim explicar os fenômenos da natureza, eu percebo quem realmente somos e o quanto precisamos de humildade para entender isso. Se nos batemos para explicar uma coisa criada, quanto mais Deus…
Talvez o nosso problema seja o de não aceitar a nossa limitação, e viver como se estes avanços científicos fossem nos levar a algum lugar. No fim, o homem se perde em seu próprio orgulho, demora em confessar que nunca irá conhecer este vasto universo, quanto mais Deus, por isso, prefere crer que ele não existe, por não se encaixar em seu próprios padrões finitos, como se o infinito se encaixasse no finito.
É contraditório crer em um Deus explicável, é incoerente afirmar que ele não existe só por não se encaixar em nossas reflexões ou explicações. Deus é um absurdo, é por isso que é Deus, se ele fosse algo possível certamente seria um ser humano ou algo criado a nossa imagem.
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A IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO
Quando eu era muito novo eu trabalhei em um frigorífico, neste local, conheci um funcionário, um dos melhores por sinal, que só tinha dois dedos na mão direita. Por tempos eu fiquei curioso para saber o motivo daquele homem ter somente dois dedos na mão e um dia, ele me falou que perdeu os dedos por saber operar muito bem uma máquina. É claro que fiquei com cara de dúvida diante daquelas palavras. Como é possível alguém bom em algo, se acidentar? A resposta é simples.
É comum com o tempo pegarmos prática em determinadas áreas, é totalmente normal executarmos certas tarefas tão no automático que com o tempo perdemos a cautela. Segundo o dicionário cautela significa:
“Precaução; excesso de cuidado que se toma com o objetivo de prever um mal, um dano, um perigo” (Dicio).
Quando estamos no automático não raciocinamos, ao perdermos o medo deixamos de lado as precauções e sem querer não nos protegemos. O medo é um ótimo companheiro, em doses pequenas ele nos ajuda a tomarmos cuidado, a ter atitudes seguras. Provérbios 14:16 diz:
“O sábio é cauteloso e evita o mal, mas o tolo é impetuoso e irresponsável”.
Impetuoso é aquele indivíduo que age sem pensar, que não faz uma reflexão, que é movido pela emoção. Este não têm o mínimo de responsabilidade e age movido por seus impulsos. O cauteloso já pensa antes de falar e tenta controlar a emoção antes de dar uma resposta.
Não viva a vida como se estivesse no automático, como o impetuoso vive, aprenda a olhar em volta, aprenda a analisar a sua vida e descubra o que você tem feito dela. A reflexão faz parte de uma vida relevante, pense, reflita e busque conhecer antes de tomar alguma atitude. Sócrates já nos avisou que:
“Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” (apud KLEINNMAN, 2014, 12).
Sendo que viver no automático é viver sem reflexão, é compartilhar notícias sem verificar os fatos, é usar argumentos sem o mínimo de lógica, verdade e bibliografia, como temos visto neste nosso infeliz cenário político polarizado. Gosto de uma citação de Heráclito que resume bem o que temos visto por aí:
“Os tolos, quando de fato ouvem, são como os surdos; a eles se aplica o ditado de que estão ausentes quando presentes” (RUSSEL, 2017, p. 29).
O tolo é aquele que ouve e não faz uma reflexão, nem pensa no que está sendo falando, ou deixa de ouvir uma boa argumentação. Um indivíduo assim é orgulhoso, se considera suficientemente sábio demais para ouvir alguém, o problema é que normalmente um indivíduo assim não é sábio.
Eu falei no começo do texto sobre o medo e como em pequenas doses ele nos traz cautela. Eu não dei o exemplo à toa, só por ser uma boa história, eu falei do medo por justamente estar em falta em nossa sociedade ultimamente.
Tenha medo de falar opiniões sem o mínimo de reflexão, busque a relevância, cultive o hábito de ler e estudar. Tenha medo de ser uma pessoa vazia, que segue a opinião da maioria, que não reflete e nem enxerga as contradições. Tenha medo de ser o dono da verdade, mas, quando achar a verdade e tiver uma opinião embasada, aprenda a argumentar de forma construtiva. Tenha medo de falar muito, só por falar, pois o ouvir é igualmente importante. Tenha medo também de querer estar sempre certo, pois nem sempre estamos, às vezes achamos que estamos vendo a verdade, mas no fim pode ser apenas um ponto de vista simplista e egoísta. Não sabemos de tudo, entenda isso, e tenha a humildade de pontuar bem suas limitações, só cresce e se desenvolve quem cultiva tais práticas.
Boas opiniões vêm de boas reflexões, mas para termos boas reflexões precisamos de boas bases, boas informações, leituras e estudos. Práticas difíceis, ainda mais em nossos corridos dias, mas não impossíveis, basta cultivarmos.
BIBLIOGRAFIA
CAUTELA. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2024. Disponível em: https://www.dicio.com.br/cautela. Acesso em: 25/08/2018.
KLEINMAN, Paul. Tudo o que você precisa saber sobre filosofia. São Paulo: Gente Editora, 2014.
RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.
BONDER, Nilton. A Cabala da Inveja. Rio de janeiro, Editora Rocco, 2010.
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HERMENÊUTICA – E. LUND & P. C. NELSON
Hermenêutica segundo o dicionário é a arte de interpretar textos, em nosso caso, que somos cristãos, seria a arte de interpretar a Bíblia. Uma ferramenta importante, usada por pastores, missionários e todos que querem entender e buscar o real significado da mensagem que o texto bíblico quer nos passar. Contudo, apesar de sua importância, não é usada por todos, o que abre um leque de más interpretações e equívocos no qual vemos por aí. Teologias equivocadas, mensagens mal interpretadas e ensinos errados é o que mais vemos nesse nosso Brasil.
O propósito do livro é falar de todas as ferramentas da hermenêutica, sendo que a maneira no qual os autores discorrem sobre estas ferramentas é prática, de fácil entendimento e explicação. Eles trabalham desde como deve ser a nossa disposição de interpretar a Bíblia, fala sobre a linguagem Bíblica, e termina dando muitas regras de interpretação como: A importância de entender a palavra no sentido que o contexto quer dar, a importância de consultar passagens paralelas, paralelos de ideias, paralelos de ensinos gerais, figuras de retóricas, hebraísmos e por aí vai.
São muitas as ferramentas para interpretar um texto Bíblico, e o autor discorre sobre as principais e dá algumas ótimas explicações para a compreensão e interpretação Bíblica. Vale à leitura, o texto é bem escrito, com uma linguagem de fácil interpretação.
Editora Vida, com 167 páginas.
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IRA DIVINA
Muitos não conseguem conceber como um Deus de amor pode ser irar. Há quem diga que o Deus do Velho Testamento não é o mesmo que o Deus do Novo. Como se a Bíblia narrasse a história de dois Deuses distintos e totalmente opostos. Penso que a resposta para esta questão é dupla, Deus se ira porque é santo e porque nos ama.
Primeiro, entenda que Deus é santo, e por ser santo, odeia o pecado:
“Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus” (GRUDEM, 2010, p.151)
Deus é santo, e sua ira é profundamente ligada a sua santidade e justiça, um Deus santo não coaduna com o pecado.
Segundo, Deus se ira porque nos ama. Ninguém fica feliz quando vê um filho ou um amigo se afundar, seja em drogas ou bebida. Pior ainda, ninguém fica alegre quando este alcoólatra ou drogado afirma que seus vícios não o prejudicam, ainda mais quando você vê sua saúde e dinheiro indo para o ralo. Normalmente nos enfurecemos, e com certeza tentaremos, mesmo que furiosos, fazer quem nós estimamos enxergar seu erro. Com Deus não é diferente:
“O mal enfurece a Deus, porque destrói os seus filhos” (LUCADO, 2007, p. 29)
O mal e o pecado enfurece a Deus porque ele é santo, e porque o mal e o pecado destrói a sua criação.
“Deus não fica zangado por não havermos feito como ele quis. Ele se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição” (LUCADO, 2007, p. 30)
Não fica difícil constatar o caos que o homem faz, basta olhar para o mundo e ver em que pé ele está. É claro que a ira de Deus não é igual a nossa, Ele é santo e perfeito, porém não existe contradição alguma em este Deus santo e perfeito se irar, nada mais comum quando amamos alguém, ainda mais quando este alguém não se cansa de se autodestruir.
Falando em autodestruição eu me lembro de um acontecimento que vivenciei há muitos anos. Conheci um garoto muito desobediente, vivia aprontando e arrumando das suas. Uma vez ele, que era menor de idade, pegou o carro de sua mãe escondido e bateu o carro em alta velocidade. A batida foi tão forte que a perna dele quase se prendeu as ferragens, por sorte não aconteceu nada. Aquela mãe ficou furiosa, afinal, ela o amava e não queria perdê-lo daquela maneira.
João 3:16 diz que Deus amou o mundo tanto, que deu o seu Filho para morrer em nosso lugar, para que não fôssemos consumidos por conta de nosso pecado, basta crermos n’Ele e o seguirmos. Caso contrário já estamos condenados, o que não é tão difícil assim, pois o homem é um ser autodestrutivo, mestre em seguir pelo caminho errado
Deus abomina o pecado por isso se ira, mas também nos ama. Por isso que Ele deseja que nós o sigamos, pois só pode haver vida n’Ele, fora d’Ele só encontramos caos e destruição. É claro que o pecado o enfurece, afinal Ele é santo, porém ao invés de nos destruir, consumir a raça humana com a sua ira, Ele preferiu nos dar uma chance e se doar para nos salvar.
BIBLIOGRAFIA
LUCADO, Max, Nas garras da graça, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2007
GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010
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LÍNGUA MENTIROSA
“olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente”(Provérbios 6:17) (NVI).
A meu ver, um dos grandes problemas da mentira não é só enganar o próximo, mas também fazer com que o mentiroso seja outra pessoa.
A mentira faz o mentiroso ter uma aparência que não é dele, vender atitudes que ele não pratica e, algumas vezes, dá a oportunidade dele fugir de responsabilidades que ele precisa assumir, fazendo com que a sua existência seja falsa e sem vida.
No fim, o maior prejudicado é o próprio mentiroso e não quem ele engana. Pois é ele que vai viver uma vida que não existe, é o mentiroso que vai construir um caminho que nunca trilhou, perdendo a oportunidade de ter suas próprias experiências e aprendizados.
Quando eu morava em uma outra cidade, conheci uma pessoa muito mentirosa, cada dia a sua vida era narrada de uma forma, de tempos em tempos ele tinha uma profissão, um passatempo e um costume diferente. Este cidadão devia ser um homem muito infeliz, pois descrevia experiências nunca vividas, coisas que nunca havia feito, além de ser uma pessoa desacreditada, a chacota do grupo. Provérbios 12:22 diz:
“O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade” (NVI).
Ser genuíno é uma das marcas do cristão, por isso a verdade deve ser um dos nossos cartões de visita.
A vida do mentiroso é ser quem ele não é, e o seu castigo é falar do que nunca vivenciou. Por isso, não engane o próximo, mas também não se engane idealizando uma vida que não é sua. Não se esqueça, uma mentira leva a outra, até que um dia você também estará acreditando nelas.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
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A ERA DOS EXTREMOS
Em cada período da história um tipo de pensamento move as pessoas e culturas, de tempos em tempos estes mesmos pensamentos se vão, dando lugar a outras formas de pensar em uma espécie de círculo normativo, que acaba determinando como todos devem seguir.
Tivemos a Idade Média onde a igreja era um refúgio e que posteriormente virou vilã, impondo seus ensinos, perseguindo e oprimindo quem discordasse dela. Depois tivemos a Idade Moderna, suas explorações e expedições a fim de desvendar mares nunca navegados marcou o período onde também culminou em dois grandes movimentos. O Renascimento nos séculos XV e XVI, como tendência cultural, e o iluminismo no século XVIII. Sem esquecer também da revolução industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII, que conduziu o homem a crer nos avanços científicos, fazendo com que as crenças religiosas ficassem em segundo plano. Após isso, tivemos no mundo duas guerras mundiais e algumas crises econômicas. Conceitos científicos surgindo e outros acabando, revelando como a ciência muitas vezes tem se mostrado equivocada e falível. E muito caos, mostrando que onde tem um ser humano, tem problema.
No momento passamos pela era dos extremos, a fácil comunicação fez com que todos “fossem sinceros”, pelo menos diante da tela do computador, com uma sinceridade que não demora em ofender, dividir e magoar. O pensamento raso e sem boas bibliografias tem sido à base deste movimento, exageros em nome da política, sexualidade e opinião, tem levado as pessoas a situações contraditórias e com isso, entregamos para a próxima geração uma sociedade ainda mais bagunçada, poluída e deficiente.
Perceba como propagandas, produtos, TV ou mídias sociais, são movidos pela crença da época. Note como suas reflexões e posicionamentos mudam conforme o mundo muda ou “evolui” segundo alguns, que de evolução parece não ter nada.
A era dos extremos tem como marca principal o reivindicar direitos sem olhar para o próximo, sem equacionar o impacto que sua ação ou proposta causará na sociedade, e acima de tudo, sem respeitar o pensamento, crença e gosto pessoal do indivíduo oposto. Outra marca é o seu extremismo, seguido de falta de reflexão, leitura e informação. São tantas teorias ou problemas que eles inventam a fim de justificar suas ações extremas, que fica difícil sentar e ter um diálogo justo com qualquer um destes. Boas soluções não vêm com fórmulas pré-fabricadas ou com discursos de dez minutos e sim com muita reflexão, trocas de informação e união.
É fácil organizar uma revolução, basta ter quem nos ouça e acredite em nossas ideias, não é tão complicado formular uma receita mágica para solucionar os problemas do mundo, o desafio é conseguir enxergar o problema de forma ampla, para não seguir complicando ainda mais uma situação ou passando por cima das pessoas erradas. Ofendendo quem não tem culpa, condenando indivíduos no qual não conhecemos. Para quem não tem conteúdo e o mínimo de pensamento crítico, ideias são perigosas e o ignorante com iniciativa é um perigo mortal.
Respeito pelo espaço alheio, é isso que está faltando hoje em dia, diálogo sem imposição, isso também está em falta. Crer que um bom argumento é a base de uma boa conversa seria uma das fórmulas do bom diálogo e para isso temos que ler, pesquisar e estudar. Levando em conta que nem sempre vamos convencer as pessoas e nem sempre estaremos certos.
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NOVO TESTAMENTO: ROMANOS
Imagine agora se existisse um livro da Bíblia que resumisse toda a teologia cristã, um livro que fosse um norte, onde só com ele você já conseguisse entender e praticar os ensinos de Cristo. Imagine que este livro fosse completo e bem explicado, um verdadeiro manual para você entender a Bíblia e a fé. Então não imagine mais, pois este livro é a Epístola de Romanos. É claro que esta Epístola não é um manual de teologia sistemática, mas ele resume de forma bem acurada os principais pontos da fé cristã.
Falar de Romanos é discorrer sobre um verdadeiro tratado teológico que explica de forma perfeita a justiça de Deus, como ele quer que o ser humano seja e como ele concede a sua graça salvadora. E sobre a justiça de Deus, Richards explica que:
“A justiça do tipo “pela fé”, que Paulo explica em Romanos, é radicalmente diferente da justiça que os judeus pensavam que iriam encontrar ao cumprir a lei” (RICHARDS, 2013, p. 924).
É fundamental para a nossa fé compreendermos e assimilarmos seus ensinos. Não podemos esquecer que os Reformadores Lutero e Wesley, se converteram enquanto estudavam esta epístola (RICHARDS, 2013, p. 924).
A cidade de Roma foi fundada no ano de 753 a. C. e está localizada entre sete montes a 25 Km do mar mediterrâneo. Esta cidade era o centro legislativo, judiciário, militar e financeiro do império romano. A carta de Romanos foi escrita provavelmente em Corinto, no final da terceira viagem missionária de Paulo.
Podemos dividir o conteúdo da carta da seguinte forma. Primeiro: Todos precisam de salvação (1:18-3:20). Segundo: como Deus salva as pessoas (3:21 – 4:25). Terceiro: a nova vida em união com Cristo (5:1 – 8:39). Quarto: o povo de Israel no plano de Deus (9:1 – 11:36). Quinto: Vida cristã (12:1 – 15:13). E por último: conclusão 15:14-33 (Bíblia NTLH).
A epístola é um tratado sobre a fé, um verdadeiro manual para a nossa vida, é fundamental lermos e estudarmos para entendermos a dinâmica da salvação, a vida cristã e muitos outros temas. Na carta temos inúmeras respostas e ensinos importantes para serem lidos, estudados e entendidos.
A epístola é muito completa, ela é a base para um cristianismo sadio e coerente.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

