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  • IRA DIVINA

    Muitos não conseguem conceber como um Deus de amor pode ser irar. Há quem diga que o Deus do Velho Testamento não é o mesmo que o Deus do Novo. Como se a Bíblia narrasse a história de dois Deuses distintos e totalmente opostos. Penso que a resposta para esta questão é dupla, Deus se ira porque é santo e porque nos ama.

    Primeiro, entenda que Deus é santo, e por ser santo, odeia o pecado:

    “Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está  portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus” (GRUDEM, 2010, p.151)

    Deus é santo, e sua ira é profundamente ligada a sua santidade e justiça, um Deus santo não coaduna com o pecado.

    Segundo, Deus se ira porque nos ama. Ninguém fica feliz quando vê um filho ou um amigo se afundar, seja em drogas ou bebida.  Pior ainda, ninguém fica alegre quando este alcoólatra ou drogado afirma que seus vícios não o prejudicam, ainda mais quando você vê sua saúde e dinheiro indo para o ralo. Normalmente nos enfurecemos, e com certeza tentaremos, mesmo que furiosos, fazer quem nós estimamos enxergar seu erro. Com Deus não é diferente:

    “O mal enfurece a Deus, porque destrói os seus filhos” (LUCADO, 2007, p. 29)

    O mal e o pecado enfurece a Deus porque ele é santo,  e porque o mal e o pecado destrói a sua criação.

    “Deus não fica zangado por não havermos feito como ele quis. Ele se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição” (LUCADO, 2007, p. 30)

      Não fica difícil constatar o caos que o homem faz, basta olhar para o mundo e ver em que pé ele está. É claro que a ira de Deus não é igual a nossa, Ele é santo e perfeito, porém não existe contradição alguma em este Deus santo e perfeito se irar, nada mais comum quando amamos alguém, ainda mais quando este alguém não se cansa de se autodestruir.

    Falando em autodestruição eu me lembro de um acontecimento que vivenciei há muitos anos. Conheci um garoto muito desobediente, vivia aprontando e arrumando das suas. Uma vez ele, que era menor de idade, pegou o carro de sua mãe escondido e bateu o carro em alta velocidade. A batida foi tão forte que a perna dele quase se prendeu as ferragens, por sorte não aconteceu nada. Aquela mãe ficou furiosa, afinal, ela o amava e não queria perdê-lo daquela maneira.

    João 3:16 diz que Deus amou o mundo tanto, que deu o seu Filho para morrer em nosso lugar, para que não fôssemos consumidos por conta de nosso pecado, basta crermos n’Ele e o seguirmos. Caso contrário já estamos condenados, o que não é tão difícil assim, pois o homem é um ser autodestrutivo, mestre em seguir pelo caminho errado

    Deus abomina o pecado por isso se ira, mas também nos ama. Por isso que Ele deseja que nós o sigamos, pois só pode haver vida n’Ele, fora d’Ele só encontramos caos e destruição. É claro que o pecado o enfurece, afinal Ele é santo, porém ao invés de nos destruir, consumir a raça humana com a sua ira, Ele preferiu nos dar uma chance e se doar para nos salvar.

     

    BIBLIOGRAFIA

    LUCADO, Max, Nas garras da graça, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2007

    GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010

  • LÍNGUA MENTIROSA

    “olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente”(Provérbios 6:17) (NVI).

    A meu ver, um dos grandes problemas da mentira não é só enganar o próximo, mas também fazer com que o mentiroso seja outra pessoa.

    A mentira faz o mentiroso ter uma aparência que não é dele, vender atitudes que ele não pratica e, algumas vezes, dá a oportunidade dele fugir de responsabilidades que ele precisa assumir, fazendo com que a sua existência seja falsa e sem vida.

    No fim, o maior prejudicado é o próprio mentiroso e não quem ele engana. Pois é ele que vai viver uma vida que não existe, é o mentiroso que vai construir um caminho que nunca trilhou, perdendo a oportunidade de ter suas próprias experiências e aprendizados.

    Quando eu morava em uma outra cidade, conheci uma pessoa muito mentirosa, cada dia a sua vida era narrada de uma forma, de tempos em tempos ele tinha uma profissão, um passatempo e um costume diferente. Este cidadão devia ser um homem muito infeliz, pois descrevia experiências nunca vividas, coisas que nunca havia feito, além de ser uma pessoa desacreditada, a chacota do grupo. Provérbios 12:22 diz:

    “O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade” (NVI). 

    Ser genuíno é uma das marcas do cristão, por isso a verdade deve ser um dos nossos cartões de visita.

    A vida do mentiroso é ser quem ele não é, e o seu castigo é falar do que nunca vivenciou. Por isso, não engane o próximo, mas também não se engane idealizando uma vida que não é sua. Não se esqueça, uma mentira leva a outra, até que um dia você também estará acreditando nelas.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013. 

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

  • A ERA DOS EXTREMOS

    Em cada período da história um tipo de pensamento move as pessoas e culturas, de tempos em tempos estes mesmos pensamentos se vão, dando lugar a outras formas de pensar em uma espécie de círculo normativo, que acaba determinando como todos devem seguir.

    Tivemos a Idade Média onde a igreja era um refúgio e que posteriormente virou vilã, impondo seus ensinos, perseguindo e oprimindo quem discordasse dela. Depois tivemos a Idade Moderna, suas explorações e expedições a fim de desvendar mares nunca navegados marcou o período onde também culminou em dois grandes movimentos. O Renascimento nos séculos XV e XVI, como tendência cultural, e o iluminismo no século XVIII. Sem esquecer também da revolução industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII, que conduziu o homem a crer nos avanços científicos, fazendo com que as crenças religiosas ficassem em segundo plano. Após isso, tivemos no mundo duas guerras mundiais e algumas crises econômicas. Conceitos científicos surgindo e outros acabando, revelando como a ciência muitas vezes tem se mostrado equivocada e falível. E muito caos, mostrando que onde tem um ser humano, tem problema.

    No momento passamos pela era dos extremos, a fácil comunicação fez com que todos “fossem sinceros”, pelo menos diante da tela do computador, com uma sinceridade que não demora em ofender, dividir e magoar. O pensamento raso e sem boas bibliografias tem sido à base deste movimento, exageros em nome da política, sexualidade e opinião, tem levado as pessoas a situações contraditórias e com isso, entregamos para a próxima geração uma sociedade ainda mais bagunçada, poluída e deficiente.

    Perceba como propagandas, produtos, TV ou mídias sociais, são movidos pela crença da época. Note como suas reflexões e posicionamentos mudam conforme o mundo muda ou “evolui” segundo alguns, que de evolução parece não ter nada.

    A era dos extremos tem como marca principal o reivindicar direitos sem olhar para o próximo, sem equacionar o impacto que sua ação ou proposta causará na sociedade, e acima de tudo, sem respeitar o pensamento, crença e gosto pessoal do indivíduo oposto. Outra marca é o seu extremismo, seguido de falta de reflexão, leitura e informação. São tantas teorias ou problemas que eles inventam a fim de justificar suas ações extremas, que fica difícil sentar e ter um diálogo justo com qualquer um destes. Boas soluções não vêm com fórmulas pré-fabricadas ou com discursos de dez minutos e sim com muita reflexão, trocas de informação e união.

    É fácil organizar uma revolução, basta ter quem nos ouça e acredite em nossas ideias, não é tão complicado formular uma receita mágica para solucionar os problemas do mundo, o desafio é conseguir enxergar o problema de forma ampla, para não seguir complicando ainda mais uma situação ou passando por cima das pessoas erradas. Ofendendo quem não tem culpa, condenando indivíduos no qual não conhecemos. Para quem não tem conteúdo e o mínimo de pensamento crítico, ideias são perigosas e o ignorante com iniciativa é um perigo mortal.

    Respeito pelo espaço alheio, é isso que está faltando hoje em dia, diálogo sem imposição, isso também está em falta. Crer que um bom argumento é a base de uma boa conversa seria uma das fórmulas do bom diálogo e para isso temos que ler, pesquisar e estudar. Levando em conta que nem sempre vamos convencer as pessoas e nem sempre estaremos certos.

  • NOVO TESTAMENTO: ROMANOS

    Imagine agora se existisse um livro da Bíblia que resumisse toda a teologia cristã, um livro que fosse um norte, onde só com ele você já conseguisse entender e praticar os ensinos de Cristo. Imagine que este livro fosse completo e bem explicado, um verdadeiro manual para você entender a Bíblia e a fé. Então não imagine mais, pois este livro é a Epístola de Romanos. É claro que esta Epístola não é um manual de teologia sistemática, mas ele resume de forma bem acurada os principais pontos da fé cristã.

    Falar de Romanos é discorrer sobre um verdadeiro tratado teológico que explica de forma perfeita a justiça de Deus, como ele quer que o ser humano seja e como ele concede a sua graça salvadora. E sobre a justiça de Deus, Richards explica que: 

    “A justiça do tipo “pela fé”, que Paulo explica em Romanos, é radicalmente diferente da justiça que os judeus pensavam que iriam encontrar ao cumprir a lei” (RICHARDS, 2013, p. 924).

    É fundamental para a nossa fé compreendermos e assimilarmos seus ensinos. Não podemos esquecer que os Reformadores Lutero e Wesley, se converteram enquanto estudavam esta epístola (RICHARDS, 2013, p. 924). 

    A cidade de Roma foi fundada no ano de 753 a. C. e está localizada entre sete montes a 25 Km do mar mediterrâneo. Esta cidade era o centro legislativo, judiciário, militar e financeiro do império romano. A carta de Romanos foi escrita provavelmente em Corinto, no final da terceira viagem missionária de Paulo.

    Podemos dividir o conteúdo da carta da seguinte forma. Primeiro: Todos precisam de salvação (1:18-3:20). Segundo: como Deus salva as pessoas (3:21 –  4:25). Terceiro: a nova vida em união com Cristo (5:1 – 8:39). Quarto: o povo de Israel no plano de Deus (9:1 – 11:36). Quinto: Vida cristã (12:1 – 15:13). E por último: conclusão 15:14-33 (Bíblia NTLH).

    A epístola é um tratado sobre a fé, um verdadeiro manual para a nossa vida, é fundamental lermos e estudarmos para entendermos a dinâmica da salvação, a vida cristã e muitos outros temas. Na carta temos inúmeras respostas e ensinos importantes para serem lidos, estudados e entendidos.

    A epístola é muito completa, ela é a base para um cristianismo sadio e coerente.

    BIBLIOGRAFIA

     Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.

    RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 22: A EFICÁCIA DA ORAÇÃO

    “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta”. (Referência: MT 7:7-11) (NVI). 

    Orar é uma das práticas pouco compreendidas hoje em dia. Alguns reclamam que pedem e não recebem, outros falam que a oração move a mão de Deus e por aí vai. O segredo, antes de entendermos esta passagem, é entendermos o que é oração.

    Orar é buscar uma intimidade, é derramar nossos problemas nos pés de Deus, é entregar nosso coração crendo que Deus fará a sua vontade, que Ele nos atenderá como bem apraz.

    “Orar não envolve mais nada do que permitir que Jesus tenha livre acesso às nossas necessidades. Orar é dar a Jesus a permissão de empregar seus poderes para conceder alívio em meio às nossas angústias. Orar é deixar Jesus glorificar seu nome nas necessidades que nos cercam” (HALLESBY, 2011, p. 10).

    Ao orarmos temos que ter em mente que a vontade de Deus sempre será feita, temos que entender que é mais fácil Deus mudar nossa mente ou a nossa visão diante do problema, do que mudar o problema, contudo, no fim a saída sempre virá, quem sabe de um modo diferente da saída que temos em mente, mas virá.  É com estas premissas que eu sugiro que leia esta passagem do Sermão do Monte.

    O curioso é que Jesus já falou sobre oração, mais curioso ainda é a pergunta: por que orar, já que Deus já sabe de tudo? A primeira “curiosidade” eu complementaria pontuando que o texto não fala apenas sobre oração, mas também sobre a bondade divina como fica claro no versículo 9 ao 11. Onde Jesus contrapõe a bondade humana com a divina. Se o homem é bom para os seus filhos, quando mais Deus (v. 11).

    Contudo o texto não é uma receita secreta para que consigamos ter tudo o que queremos e sim, um chamado para que busquemos a Deus e creiamos em sua providência.

    O texto não só fala para pedirmos, buscarmos e batermos, mas fala que Deus é o nosso pai. Com isso, temos uma boa base para entendermos o que o texto diz. Afinal, o pai não é um indivíduo que dá de tudo ao seu filho, mas que supre tudo o que ele precisa. O pai sabe o que é bom ou não, o que vale ou não a pena dar, assim é Deus. Ele nos convida a pedir, mas também a confiar que como um bom pai, ele nos dará o melhor.

    No entanto temos outra pergunta para responder antes de acabarmos o texto: Por que orar já que ele sabe de tudo? A resposta é simples: Para que tenhamos intimidade com Ele, sendo que, esta deveria ser uma das prioridades do Cristão.  E era uma das prioridades de Cristo enquanto ele estava na terra como você pode muito bem ver nos evangelhos. Ele sempre orava, sempre buscava intimidade com Deus e não deixava de fazer a sua vontade.

    Está passagem do Sermão do Monte não nos ensina apenas como orar, mas é um chamado para que não sejamos incrédulos, para que busquemos a Ele sem duvidar. Peçam, busquem e batam, não desistam, pois assim como nossos pais são bons conosco, Deus sem dúvida também é. Sem esquecer que a vontade de Deus é sempre a prioridade máxima, e que às vezes não recebemos por não sabermos orar (Tiago 4:3).

    BIBLIOGRAFIA

    HALLESBY, O. Oração, O segredo de abrir o coração, Encontro Publicações, Curitiba, 2011.

  • PODER E AUTORIDADE: O MONGE E O EXECUTIVO: JAMES C. HUNTER

    Eu gosto muito do livro: O monge e o executivo, poderia ressaltar inúmeras lições que tirei a fim de ser um líder melhor, mas neste texto quero enfatizar apenas algo que considero o cerne do livro, a concepção de poder e autoridade.

    “Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer” (HUNTER, 2004, p. 26).

    Conheci muitos em posição de poder, líderes que obrigavam pessoas a fazer tudo o que ele queria fundamentado em suas ameaças. Isso é liderança através do poder.

    “Autoridade: A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal” (HUNTER, 2004, p. 26).

    Quem lidera através de sua autoridade influencia, quem lidera através do poder, pode até conseguir o que quer por um tempo, mais depois, as pessoas acabarão se rebelando e este líder terminará tendo muitos problemas.

    “A autoridade não pode ser comprada nem vendida, nem dada ou tomada. A autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, a seu caráter e à influência que estabelece sobre as pessoas” (HUNTER, 2004, p. 27).

    É claro que em algum momento de sua vida, ou por conta de algum problema que pode estar ocorrendo no setor em que você lidera, você tenha que agir com poder. Às vezes é necessário, mas no geral você usa apenas em último caso.

    Considero o livro: O monge e o executivo fundamental, para aprender as técnicas da liderança servidora, liderança esta que Cristo usou muito.

    Trabalhar com pessoas não é fácil, liderar seres humanos com seus costumes, histórias e problemas é um desafio, porém tudo fica muito melhor quando você aprender a liderar da forma certa e aprender o conceito de autoridade é fundamental para acertar.

    O livro é muito mais profundo que isso, ele ensina algumas outras importantes técnicas, vale a pena ler. Contudo o objetivo deste texto é apontar que existe uma forma muito mais profunda de liderar, que nos traz mais desafios é claro, mas também nos traz muito mais resultados.

    Vale a pena entender e gravar na mente o conceito de poder e autoridade, vale a pena aplicar o modo de liderança que Jesus Cristo usou, principalmente por ser comprovadamente o melhor método. Afinal, foi com autoridade que Ele liderou e ensinou 12 pessoas e lhes deu uma missão que dois mil anos depois ainda dão muitos frutos.

    BIBLIOGRAFIA

    HUNTER, James C. O monge e o executivo, uma história sobre a essência da liderança, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2004.

  • O DEUS QUE CHORA

    “Jesus chorou…” (Referência: João 11:1-44).

    O capítulo começa introduzindo um acontecimento que fez parte da vida de uma família muito fora do padrão. A família em questão era a de Lázaro, irmão de Marta e Maria. Uma família de irmão solteiros que moravam juntos, algo fora do padrão para a época e até para os nossos dias. Normalmente depois de uma certa idade casamos e constituímos família, coisa que o texto dá a entender que eles não fizeram.

    O texto diz que Lázaro estava doente (V1), sendo estes irmãos amigos de Cristo, nada mais óbvio que mandar chamá-lo, mas este, ao invés de ir, resolveu demorar-se, pois tinha um propósito com aquele acontecimento, Cristo queria ressuscitar Lázaro (V. 4). Sendo assim por ter-se demorado, Lázaro morreu (V. 13).

    É importante ressaltar que segundo a Bíblia Jesus estava sempre na casa destes irmãos (Lucas 10:38-42, Mateus 26:6-13, Marcos 14:3-9, João 11:1-12, 12), a família em questão é uma das mais citadas no Novo Testamento, sendo que ela aparece nos quatro evangelhos, dando-nos a entender que eles estavam sempre com Jesus e que o conheciam muito bem.

    Porém o texto diz que quando Cristo chegou à casa deles, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. E quando Jesus diz que iria ressuscitá-lo, estes irmãos não acreditaram (V. 23). Eles conheciam Jesus, sabiam que era o Messias que deveria vir ao mundo. Já deviam ter o visto fazer milagres, ou pelo menos ouvido falar, mas diante da adversidade, haviam se esquecido de todas estas informações.

    O curioso é que nós somos um pouquinho perecidos com estas irmãs, pois diante da adversidade, mesmo que nós sejamos amigos de Jesus, ou saibamos quem Ele é, focamos a nossa atenção muito mais nos problemas do que n’Ele. É muito mais fácil olhar para as adversidades e tentarmos controlar tudo de nossa maneira, terminando por nos desesperarmos quando perdemos o controle. É normal nos sentirmos sozinhos e abandonados, sem perceber que ele sempre está conosco, é comum, diante do caos, esquecermo-nos de quem somos amigos. Com eles foi assim e conosco também é. Precisamos tomar cuidado para que os problemas não nos afastem de Deus ou nos façam esquecer que Ele sempre está conosco.

    Contudo, a meu ver, o ponto alto do texto é justamente o que serve de epígrafe para esta reflexão: Jesus chorou (V. 35). O texto em questão é o menor versículo da Bíblia e o mais curioso. Pois ao vermos Cristo próximo a ressuscitar Lázaro não achamos o seu choro uma atitude lógica. E é por conta desta “contradição” que teorias e mais teorias são construídas para explicar o motivo de Jesus chorar.

    Uma delas diz que Cristo chorou porque estava fazendo um teatro para causar um efeito, uma certa empatia com os visitantes, porém tal afirmação não combina com o Jesus que lemos nos evangelhos. Outros afirmarão que ele chorou de alegria, contudo, devido o cenário de luto no qual ele se encontrava, não é muito lógico afirmar isso. Tem quem afirme quem o seu choro foi de indignação por conta da incredulidade, o que pode até ter o seu fundo de verdade. Porém a última argumentação diz que Jesus chorou como qualquer ser humano choraria, e é esta interpretação que eu acho mais coerente, afinal, não podemos esquecer que Ele era 100% homem e 100% Deus, com isso, a atitude de empatia ao ver seu amigo morto e seus familiares sofrendo foi algo totalmente natural (CHAMPLIN, 2014, p. 613).

    E a nossa reflexão em cima desta passagem se torna ainda mais profunda quando analisamos a palavra em grego, que segundo o dicionário significa:

    “Chorar de forma audível” (VINCENT, 2013, p. 168).

    Não foi apenas um choro silencioso, uma tristeza qualquer que a dor do luto traz, foi um choro audível, uma tristeza sincera onde todos podiam ver e constatar. O que me faz lembrar de uma passagem do livro “Porque sou cristão” de John Stott:

    “O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela?” (STOTT, 2004, Pg. 67).

    Servimos a um Deus que sente o que nós sentimos, pois Ele também foi homem. Adoramos a um Deus que entende quando estamos sofrendo preconceito, passando por dores e agonias que uma doença traz ou passando por perseguições e injustiças. Deus nos entende e cuida de nós, Ele não é aquele Deus caricaturado por muitos, sentado em um trono alheio a tudo e a todos. Ele é um Deus que sente, sofre, e não nos abandona.

    Quando eu leio este versículo 35 eu fico bem aliviado, não me sinto sozinho em minha dor. Apesar de não entender a profundidade deste Deus, tenho certeza de que Ele nos entende.

    Jesus chorou e ainda chora, ele caminha conosco e cuida de nós, sabendo muito bem qual é o timbre de nossa dor. Pois Ele sofreu, morreu e ressuscitou em uma cruz para nos salvar.

    Pode ter certeza que mais ninguém entende o timbre da sua dor, pois ela é única, cada um sente de uma maneira. Mas Deus entende e oferece a sua mão, chora com você e te ajuda. Confie neste Deus que chora que te entende e anda com você, Ele não te deixa só, apesar de muitas vezes não o entendermos, e focarmos nossos olhos mais nos problemas do que na solução.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    VINCENT, Marvin R. Vincent, Estudo do Vocábulo Grego do Novo Testamento, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2013.

    STOTT, John. Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004.

  • BEM-ESTAR ESPIRITUAL – JOHN MACARTHUR

    Este é o terceiro livro fruto de algumas parcerias com editoras, sendo que este veio da Editora Pórtico e o autor dispensa apresentações.

    O livro tem como principal objetivo falar da terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo. Sendo que a obra é muito mais que um simples livro, é um verdadeiro manual para entender quem ele é e o que faz, e falando em Espírito Santo, gosto de como John Macarthur começa o livro:

    “Se entendermos mal o papel do Espírito Santo, ou se o ignorarmos por completo, como poderemos compreender o que é estar no espírito?” (MACHARTHUR, 2018, p. 8).

    Uma verdade bem importante que confirma ainda mais a importância do material. O destaque do livro são as explicações da obra do Espírito Santo no Velho Testamento e no Novo, tudo muito bem fundamentado e coerente. Sem esquecer que nos últimos capítulos o autor trabalha de uma forma mais prática a ação e a importância do Espírito Santo em nossa vida, deixando o livro ainda mais dinâmico e prático. O interessante é que o livro termina com um guia de estudos, ideal para se aplicar em um estudo pessoal, grupo caseiro ou escola dominical.

    Enfim, um livro de fundamental importância, afinal, conhecer o Espírito Santo, como ele agia e age hoje é importante para termos uma vida espiritual saudável e centrada. Com certeza vale a leitura, o livro já nasceu clássico, pode ter certeza!

    O livro foi lançado pela Editora Pórtico, com 187 páginas.

  • PÓS-VERDADES

    O que tem me decepcionado muito ultimamente, nesta era de opiniões fáceis, é a falta de compromisso com a verdade. O uso constante de argumentos falaciosos e a falta de certezas e bibliografias que muitas opiniões carecem. São as pós-verdades, opiniões que tem como base apelos emocionais, mentiras e opiniões sem o mínimo de coerência e verdade, como bem define o dicionário Infopédia, segundo ele pós-verdade é:

    “Circunstância ou contexto, geralmente de ordem cultural ou política, em que a opinião pública e o modo como esta se comporta, se fundamentam mais em apelos emocionais falaciosos e na afirmação de convicções pessoais avulsas do que em fatos objetivos e observáveis”

     Para piorar tudo, este fenômeno não está só fora da igreja, mas também dentro dela. O que torna o papel de pastores, teólogos e pensadores importantes no meio cristão. Afinal, a verdade Bíblica se tornou relativa, a interpretação da palavra se dá conforme um ponto de vista, a salvação não mais vem acompanhada de mudança de vida e a Bíblia segue sendo aviltada pela falta de boas interpretações. Rubem Amorese tem uma crítica ácida sobre estes em seu livro Icabode:

    “A crise intelectual traz como alma gêmea a crise de caráter. Caráter significa negação de si mesmo; significa dizer não a si mesmo. Mas isso não se dá no vazio. Não se trata de masoquismo nem autoflagelação gratuita. Caráter implica princípios, valores e axiomas não discutíveis, não negociáveis” (AMORESE, 1998, p. 133)

    Falta-nos valores, o Brasil anda carente de caráter, da busca da verdade pela verdade, em negar a nossa vontade e fazer o que é certo. O que mais me decepciona é que a nossa verdade está toda escrita em um livro sagrado, basta estudá-lo, mas muitas vezes não é o que fazemos por nos custar muito, estudar dá trabalho e nos toma tempo, não é?

    Eu penso que o nosso grande problema é a necessidade de termos sempre razão, aliado ao fato de possuímos ferramentas de comunicação ao alcance das mãos, aí o caos está instalado.

    A pós-verdade evidencia um comportamento cada vez mais comum em nossos dias, as pessoas querem acreditar em coisas sem fundamento, mesmo sendo mentiras. Seja na igreja ou no mundo, para massagear o ego ou justificar as suas vontades, mesmo que estas verdades não tenham tanta coesão assim.  E pior, muitos seguem seus gurus sem ao menos conferir seu posicionamento, verificar se existem bases e coerências em suas afirmações

    Penso que uma de nossas faltas é a falta de leitura e base para o que cremos. Não basta só acharmos certas opiniões interessantes, temos que ler mais sobre elas, temos que duvidar, pesquisar e ler também as opiniões contrárias. Assim, sem dúvida, teremos uma visão mais ampla dos assuntos. Devemos também, a meu ver, fugir de discursos prontos que não possuem base alguma, apenas emoções e reflexões fracas

    Mas acredito que o fundamental, para que não sejamos um adepto da pós-verdade, é duvidar sempre. A começar de nossos pontos de vistas e conceitos, duvidar nos faz sempre ter as nossas crenças em aberto, prontas para a crítica e a revisão, afinal, podemos estar errados e estar pronto para assumir isso é ser sábio.  Não estou falando para você ser aquele chato, que discute com todos e sim, ser uma pessoa que não engole qualquer coisa e está sempre pronto a refletir sobre tudo o que você ouve.

    Eu não discuto com todos, às vezes escolho discordar em silêncio, pois nem todos estão prontos para ouvir, não gosto de perder meu tempo. Mas eu avalio tudo o que ouço, reflito e pesquiso, antes de comprar algo como verdade.

    Cuidado com a pós-verdade, ela é sutil e muitas vezes tem a forma de um discurso bonitinho. Cuidado com as teorias de quem não lê, não se aprofunda e não se informa, pois provavelmente o ponto de vista deste é fraco e sem argumentos sólidos.  

    E o principal, quando você tiver uma opinião formada, com bons argumentos e boas bibliografias, não coloque um ponto final e sim, uma vírgula. Ouvir outros pontos de vista reforça o que nós cremos além de nos trazer mais conhecimento, mais repertório, ou, quem sabe, serve apenas para concluirmos que estamos errados.  

    BIBLIOGRAFIA

    AMORESE, Rubem. Icabode: Da mente de Cristo à consciência moderna. Minas Gerais: Editora Ultimato, 1998

    Pós-verdade. Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Porto: Porto Editora. [consulta. 2024-03-28]. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/pós-verdade      

  • O SERMÃO DO MONTE PT 21: PÉROLAS AOS PORCOS

    “Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão” (MT 7:6) (NVI). 

    Eu tinha uma mania muito complicada quando era mais novo e recém seguidor do evangelho, em vez de pregar a palavra eu acabava por  tentar convencer as pessoas na hora do evangelismo. Aliás, já vi muitos agirem assim, tal qual eu quando novo. Muitas vezes esquecemos que quem convence é o Espírito Santo (João 16:8), e a nossa missão é apenas pregar e orar pela pessoa, convencer já não é a nossa missão.

    Por que estou falando isso? Simples, porque o significado desta passagem tem muito a ver com pregação. Em insistir em pregar o evangelho às pessoas que escarnecem da palavra, ou zombam da mensagem de Cristo.

    “Assim, não dar aos cães o que é santo significa que os cristãos não devem continuar pregando às pessoas que rejeitaram o evangelho com zombarias e escárnio” (NEVES, 2012, p. 72).

    É perder tempo pregar para quem de forma perversa agride e afronta o evangelho. Com um pesar no coração eu digo, a estes devemos nos calar.

    “Silenciar ou reter a mensagem sagrada das pessoas acima caracterizadas não constitui covardia, falta de fervor pelo senhor, ou falha no dever de testemunhar. Inegavelmente são verdadeiras as palavras: “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus […] (Mateus 10:32). Contudo, existem momentos em que simplesmente temos de nos calar!”(RIENECKER, 2012, p.117).

    Infelizmente em alguns momentos temos que nos calar, porém, nestas horas, não estamos sendo covardes e sim sábios, pois se a pessoa escarnece da palavra ela não vai nos ouvir ou prestar atenção. John Macarthur faz um acréscimo interessante a esta passagem:

    “Não tome os princípios do reino e tente força-los sobre uma sociedade que vive fora do reino. Não compete os crentes condenar o mundo ou forçar uma reforma externa sobre ele, embora devamos pregar contra seus pecados. É-nos ordenado ensinar o evangelho (cf. Mt 28.19,20) e viver como exemplos de retidão. Mas não somos os executores de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 175).

    Ninguém é obrigado a aceitar a nossa mensagem, mas a respeitar sim, e dar pérolas aos porcos é justamente perder tempo com quem não quer saber da verdade. Não divida o que é santo com pessoas que não querem saber deste tesouro e ainda ridicularizam quem crê. Felizmente nossa missão é apenas pregar, e deixar de lado quem não quer saber da palavra.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012.

    NEVES, Itamir, Comentário Bíblico de Mateus, Através da Bíblia, RTM Publicações, São Paulo, 2012.

    MACARTHUR, John. O evangelho segundo Jesus. São José dos Campos, Fiel, 2015.