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  • O SERMÃO DO MONTE PT 22: A EFICÁCIA DA ORAÇÃO

    “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta”. (Referência: MT 7:7-11) (NVI). 

    Orar é uma das práticas pouco compreendidas hoje em dia. Alguns reclamam que pedem e não recebem, outros falam que a oração move a mão de Deus e por aí vai. O segredo, antes de entendermos esta passagem, é entendermos o que é oração.

    Orar é buscar uma intimidade, é derramar nossos problemas nos pés de Deus, é entregar nosso coração crendo que Deus fará a sua vontade, que Ele nos atenderá como bem apraz.

    “Orar não envolve mais nada do que permitir que Jesus tenha livre acesso às nossas necessidades. Orar é dar a Jesus a permissão de empregar seus poderes para conceder alívio em meio às nossas angústias. Orar é deixar Jesus glorificar seu nome nas necessidades que nos cercam” (HALLESBY, 2011, p. 10).

    Ao orarmos temos que ter em mente que a vontade de Deus sempre será feita, temos que entender que é mais fácil Deus mudar nossa mente ou a nossa visão diante do problema, do que mudar o problema, contudo, no fim a saída sempre virá, quem sabe de um modo diferente da saída que temos em mente, mas virá.  É com estas premissas que eu sugiro que leia esta passagem do Sermão do Monte.

    O curioso é que Jesus já falou sobre oração, mais curioso ainda é a pergunta: por que orar, já que Deus já sabe de tudo? A primeira “curiosidade” eu complementaria pontuando que o texto não fala apenas sobre oração, mas também sobre a bondade divina como fica claro no versículo 9 ao 11. Onde Jesus contrapõe a bondade humana com a divina. Se o homem é bom para os seus filhos, quando mais Deus (v. 11).

    Contudo o texto não é uma receita secreta para que consigamos ter tudo o que queremos e sim, um chamado para que busquemos a Deus e creiamos em sua providência.

    O texto não só fala para pedirmos, buscarmos e batermos, mas fala que Deus é o nosso pai. Com isso, temos uma boa base para entendermos o que o texto diz. Afinal, o pai não é um indivíduo que dá de tudo ao seu filho, mas que supre tudo o que ele precisa. O pai sabe o que é bom ou não, o que vale ou não a pena dar, assim é Deus. Ele nos convida a pedir, mas também a confiar que como um bom pai, ele nos dará o melhor.

    No entanto temos outra pergunta para responder antes de acabarmos o texto: Por que orar já que ele sabe de tudo? A resposta é simples: Para que tenhamos intimidade com Ele, sendo que, esta deveria ser uma das prioridades do Cristão.  E era uma das prioridades de Cristo enquanto ele estava na terra como você pode muito bem ver nos evangelhos. Ele sempre orava, sempre buscava intimidade com Deus e não deixava de fazer a sua vontade.

    Está passagem do Sermão do Monte não nos ensina apenas como orar, mas é um chamado para que não sejamos incrédulos, para que busquemos a Ele sem duvidar. Peçam, busquem e batam, não desistam, pois assim como nossos pais são bons conosco, Deus sem dúvida também é. Sem esquecer que a vontade de Deus é sempre a prioridade máxima, e que às vezes não recebemos por não sabermos orar (Tiago 4:3).

    BIBLIOGRAFIA

    HALLESBY, O. Oração, O segredo de abrir o coração, Encontro Publicações, Curitiba, 2011.

  • PODER E AUTORIDADE: O MONGE E O EXECUTIVO: JAMES C. HUNTER

    Eu gosto muito do livro: O monge e o executivo, poderia ressaltar inúmeras lições que tirei a fim de ser um líder melhor, mas neste texto quero enfatizar apenas algo que considero o cerne do livro, a concepção de poder e autoridade.

    “Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer” (HUNTER, 2004, p. 26).

    Conheci muitos em posição de poder, líderes que obrigavam pessoas a fazer tudo o que ele queria fundamentado em suas ameaças. Isso é liderança através do poder.

    “Autoridade: A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal” (HUNTER, 2004, p. 26).

    Quem lidera através de sua autoridade influencia, quem lidera através do poder, pode até conseguir o que quer por um tempo, mais depois, as pessoas acabarão se rebelando e este líder terminará tendo muitos problemas.

    “A autoridade não pode ser comprada nem vendida, nem dada ou tomada. A autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, a seu caráter e à influência que estabelece sobre as pessoas” (HUNTER, 2004, p. 27).

    É claro que em algum momento de sua vida, ou por conta de algum problema que pode estar ocorrendo no setor em que você lidera, você tenha que agir com poder. Às vezes é necessário, mas no geral você usa apenas em último caso.

    Considero o livro: O monge e o executivo fundamental, para aprender as técnicas da liderança servidora, liderança esta que Cristo usou muito.

    Trabalhar com pessoas não é fácil, liderar seres humanos com seus costumes, histórias e problemas é um desafio, porém tudo fica muito melhor quando você aprender a liderar da forma certa e aprender o conceito de autoridade é fundamental para acertar.

    O livro é muito mais profundo que isso, ele ensina algumas outras importantes técnicas, vale a pena ler. Contudo o objetivo deste texto é apontar que existe uma forma muito mais profunda de liderar, que nos traz mais desafios é claro, mas também nos traz muito mais resultados.

    Vale a pena entender e gravar na mente o conceito de poder e autoridade, vale a pena aplicar o modo de liderança que Jesus Cristo usou, principalmente por ser comprovadamente o melhor método. Afinal, foi com autoridade que Ele liderou e ensinou 12 pessoas e lhes deu uma missão que dois mil anos depois ainda dão muitos frutos.

    BIBLIOGRAFIA

    HUNTER, James C. O monge e o executivo, uma história sobre a essência da liderança, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2004.

  • O DEUS QUE CHORA

    “Jesus chorou…” (Referência: João 11:1-44).

    O capítulo começa introduzindo um acontecimento que fez parte da vida de uma família muito fora do padrão. A família em questão era a de Lázaro, irmão de Marta e Maria. Uma família de irmão solteiros que moravam juntos, algo fora do padrão para a época e até para os nossos dias. Normalmente depois de uma certa idade casamos e constituímos família, coisa que o texto dá a entender que eles não fizeram.

    O texto diz que Lázaro estava doente (V1), sendo estes irmãos amigos de Cristo, nada mais óbvio que mandar chamá-lo, mas este, ao invés de ir, resolveu demorar-se, pois tinha um propósito com aquele acontecimento, Cristo queria ressuscitar Lázaro (V. 4). Sendo assim por ter-se demorado, Lázaro morreu (V. 13).

    É importante ressaltar que segundo a Bíblia Jesus estava sempre na casa destes irmãos (Lucas 10:38-42, Mateus 26:6-13, Marcos 14:3-9, João 11:1-12, 12), a família em questão é uma das mais citadas no Novo Testamento, sendo que ela aparece nos quatro evangelhos, dando-nos a entender que eles estavam sempre com Jesus e que o conheciam muito bem.

    Porém o texto diz que quando Cristo chegou à casa deles, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. E quando Jesus diz que iria ressuscitá-lo, estes irmãos não acreditaram (V. 23). Eles conheciam Jesus, sabiam que era o Messias que deveria vir ao mundo. Já deviam ter o visto fazer milagres, ou pelo menos ouvido falar, mas diante da adversidade, haviam se esquecido de todas estas informações.

    O curioso é que nós somos um pouquinho perecidos com estas irmãs, pois diante da adversidade, mesmo que nós sejamos amigos de Jesus, ou saibamos quem Ele é, focamos a nossa atenção muito mais nos problemas do que n’Ele. É muito mais fácil olhar para as adversidades e tentarmos controlar tudo de nossa maneira, terminando por nos desesperarmos quando perdemos o controle. É normal nos sentirmos sozinhos e abandonados, sem perceber que ele sempre está conosco, é comum, diante do caos, esquecermo-nos de quem somos amigos. Com eles foi assim e conosco também é. Precisamos tomar cuidado para que os problemas não nos afastem de Deus ou nos façam esquecer que Ele sempre está conosco.

    Contudo, a meu ver, o ponto alto do texto é justamente o que serve de epígrafe para esta reflexão: Jesus chorou (V. 35). O texto em questão é o menor versículo da Bíblia e o mais curioso. Pois ao vermos Cristo próximo a ressuscitar Lázaro não achamos o seu choro uma atitude lógica. E é por conta desta “contradição” que teorias e mais teorias são construídas para explicar o motivo de Jesus chorar.

    Uma delas diz que Cristo chorou porque estava fazendo um teatro para causar um efeito, uma certa empatia com os visitantes, porém tal afirmação não combina com o Jesus que lemos nos evangelhos. Outros afirmarão que ele chorou de alegria, contudo, devido o cenário de luto no qual ele se encontrava, não é muito lógico afirmar isso. Tem quem afirme quem o seu choro foi de indignação por conta da incredulidade, o que pode até ter o seu fundo de verdade. Porém a última argumentação diz que Jesus chorou como qualquer ser humano choraria, e é esta interpretação que eu acho mais coerente, afinal, não podemos esquecer que Ele era 100% homem e 100% Deus, com isso, a atitude de empatia ao ver seu amigo morto e seus familiares sofrendo foi algo totalmente natural (CHAMPLIN, 2014, p. 613).

    E a nossa reflexão em cima desta passagem se torna ainda mais profunda quando analisamos a palavra em grego, que segundo o dicionário significa:

    “Chorar de forma audível” (VINCENT, 2013, p. 168).

    Não foi apenas um choro silencioso, uma tristeza qualquer que a dor do luto traz, foi um choro audível, uma tristeza sincera onde todos podiam ver e constatar. O que me faz lembrar de uma passagem do livro “Porque sou cristão” de John Stott:

    “O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela?” (STOTT, 2004, Pg. 67).

    Servimos a um Deus que sente o que nós sentimos, pois Ele também foi homem. Adoramos a um Deus que entende quando estamos sofrendo preconceito, passando por dores e agonias que uma doença traz ou passando por perseguições e injustiças. Deus nos entende e cuida de nós, Ele não é aquele Deus caricaturado por muitos, sentado em um trono alheio a tudo e a todos. Ele é um Deus que sente, sofre, e não nos abandona.

    Quando eu leio este versículo 35 eu fico bem aliviado, não me sinto sozinho em minha dor. Apesar de não entender a profundidade deste Deus, tenho certeza de que Ele nos entende.

    Jesus chorou e ainda chora, ele caminha conosco e cuida de nós, sabendo muito bem qual é o timbre de nossa dor. Pois Ele sofreu, morreu e ressuscitou em uma cruz para nos salvar.

    Pode ter certeza que mais ninguém entende o timbre da sua dor, pois ela é única, cada um sente de uma maneira. Mas Deus entende e oferece a sua mão, chora com você e te ajuda. Confie neste Deus que chora que te entende e anda com você, Ele não te deixa só, apesar de muitas vezes não o entendermos, e focarmos nossos olhos mais nos problemas do que na solução.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    VINCENT, Marvin R. Vincent, Estudo do Vocábulo Grego do Novo Testamento, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2013.

    STOTT, John. Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004.

  • BEM-ESTAR ESPIRITUAL – JOHN MACARTHUR

    Este é o terceiro livro fruto de algumas parcerias com editoras, sendo que este veio da Editora Pórtico e o autor dispensa apresentações.

    O livro tem como principal objetivo falar da terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo. Sendo que a obra é muito mais que um simples livro, é um verdadeiro manual para entender quem ele é e o que faz, e falando em Espírito Santo, gosto de como John Macarthur começa o livro:

    “Se entendermos mal o papel do Espírito Santo, ou se o ignorarmos por completo, como poderemos compreender o que é estar no espírito?” (MACHARTHUR, 2018, p. 8).

    Uma verdade bem importante que confirma ainda mais a importância do material. O destaque do livro são as explicações da obra do Espírito Santo no Velho Testamento e no Novo, tudo muito bem fundamentado e coerente. Sem esquecer que nos últimos capítulos o autor trabalha de uma forma mais prática a ação e a importância do Espírito Santo em nossa vida, deixando o livro ainda mais dinâmico e prático. O interessante é que o livro termina com um guia de estudos, ideal para se aplicar em um estudo pessoal, grupo caseiro ou escola dominical.

    Enfim, um livro de fundamental importância, afinal, conhecer o Espírito Santo, como ele agia e age hoje é importante para termos uma vida espiritual saudável e centrada. Com certeza vale a leitura, o livro já nasceu clássico, pode ter certeza!

    O livro foi lançado pela Editora Pórtico, com 187 páginas.

  • PÓS-VERDADES

    O que tem me decepcionado muito ultimamente, nesta era de opiniões fáceis, é a falta de compromisso com a verdade. O uso constante de argumentos falaciosos e a falta de certezas e bibliografias que muitas opiniões carecem. São as pós-verdades, opiniões que tem como base apelos emocionais, mentiras e opiniões sem o mínimo de coerência e verdade, como bem define o dicionário Infopédia, segundo ele pós-verdade é:

    “Circunstância ou contexto, geralmente de ordem cultural ou política, em que a opinião pública e o modo como esta se comporta, se fundamentam mais em apelos emocionais falaciosos e na afirmação de convicções pessoais avulsas do que em fatos objetivos e observáveis”

     Para piorar tudo, este fenômeno não está só fora da igreja, mas também dentro dela. O que torna o papel de pastores, teólogos e pensadores importantes no meio cristão. Afinal, a verdade Bíblica se tornou relativa, a interpretação da palavra se dá conforme um ponto de vista, a salvação não mais vem acompanhada de mudança de vida e a Bíblia segue sendo aviltada pela falta de boas interpretações. Rubem Amorese tem uma crítica ácida sobre estes em seu livro Icabode:

    “A crise intelectual traz como alma gêmea a crise de caráter. Caráter significa negação de si mesmo; significa dizer não a si mesmo. Mas isso não se dá no vazio. Não se trata de masoquismo nem autoflagelação gratuita. Caráter implica princípios, valores e axiomas não discutíveis, não negociáveis” (AMORESE, 1998, p. 133)

    Falta-nos valores, o Brasil anda carente de caráter, da busca da verdade pela verdade, em negar a nossa vontade e fazer o que é certo. O que mais me decepciona é que a nossa verdade está toda escrita em um livro sagrado, basta estudá-lo, mas muitas vezes não é o que fazemos por nos custar muito, estudar dá trabalho e nos toma tempo, não é?

    Eu penso que o nosso grande problema é a necessidade de termos sempre razão, aliado ao fato de possuímos ferramentas de comunicação ao alcance das mãos, aí o caos está instalado.

    A pós-verdade evidencia um comportamento cada vez mais comum em nossos dias, as pessoas querem acreditar em coisas sem fundamento, mesmo sendo mentiras. Seja na igreja ou no mundo, para massagear o ego ou justificar as suas vontades, mesmo que estas verdades não tenham tanta coesão assim.  E pior, muitos seguem seus gurus sem ao menos conferir seu posicionamento, verificar se existem bases e coerências em suas afirmações

    Penso que uma de nossas faltas é a falta de leitura e base para o que cremos. Não basta só acharmos certas opiniões interessantes, temos que ler mais sobre elas, temos que duvidar, pesquisar e ler também as opiniões contrárias. Assim, sem dúvida, teremos uma visão mais ampla dos assuntos. Devemos também, a meu ver, fugir de discursos prontos que não possuem base alguma, apenas emoções e reflexões fracas

    Mas acredito que o fundamental, para que não sejamos um adepto da pós-verdade, é duvidar sempre. A começar de nossos pontos de vistas e conceitos, duvidar nos faz sempre ter as nossas crenças em aberto, prontas para a crítica e a revisão, afinal, podemos estar errados e estar pronto para assumir isso é ser sábio.  Não estou falando para você ser aquele chato, que discute com todos e sim, ser uma pessoa que não engole qualquer coisa e está sempre pronto a refletir sobre tudo o que você ouve.

    Eu não discuto com todos, às vezes escolho discordar em silêncio, pois nem todos estão prontos para ouvir, não gosto de perder meu tempo. Mas eu avalio tudo o que ouço, reflito e pesquiso, antes de comprar algo como verdade.

    Cuidado com a pós-verdade, ela é sutil e muitas vezes tem a forma de um discurso bonitinho. Cuidado com as teorias de quem não lê, não se aprofunda e não se informa, pois provavelmente o ponto de vista deste é fraco e sem argumentos sólidos.  

    E o principal, quando você tiver uma opinião formada, com bons argumentos e boas bibliografias, não coloque um ponto final e sim, uma vírgula. Ouvir outros pontos de vista reforça o que nós cremos além de nos trazer mais conhecimento, mais repertório, ou, quem sabe, serve apenas para concluirmos que estamos errados.  

    BIBLIOGRAFIA

    AMORESE, Rubem. Icabode: Da mente de Cristo à consciência moderna. Minas Gerais: Editora Ultimato, 1998

    Pós-verdade. Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Porto: Porto Editora. [consulta. 2024-03-28]. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/pós-verdade      

  • O SERMÃO DO MONTE PT 21: PÉROLAS AOS PORCOS

    “Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão” (MT 7:6) (NVI). 

    Eu tinha uma mania muito complicada quando era mais novo e recém seguidor do evangelho, em vez de pregar a palavra eu acabava por  tentar convencer as pessoas na hora do evangelismo. Aliás, já vi muitos agirem assim, tal qual eu quando novo. Muitas vezes esquecemos que quem convence é o Espírito Santo (João 16:8), e a nossa missão é apenas pregar e orar pela pessoa, convencer já não é a nossa missão.

    Por que estou falando isso? Simples, porque o significado desta passagem tem muito a ver com pregação. Em insistir em pregar o evangelho às pessoas que escarnecem da palavra, ou zombam da mensagem de Cristo.

    “Assim, não dar aos cães o que é santo significa que os cristãos não devem continuar pregando às pessoas que rejeitaram o evangelho com zombarias e escárnio” (NEVES, 2012, p. 72).

    É perder tempo pregar para quem de forma perversa agride e afronta o evangelho. Com um pesar no coração eu digo, a estes devemos nos calar.

    “Silenciar ou reter a mensagem sagrada das pessoas acima caracterizadas não constitui covardia, falta de fervor pelo senhor, ou falha no dever de testemunhar. Inegavelmente são verdadeiras as palavras: “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus […] (Mateus 10:32). Contudo, existem momentos em que simplesmente temos de nos calar!”(RIENECKER, 2012, p.117).

    Infelizmente em alguns momentos temos que nos calar, porém, nestas horas, não estamos sendo covardes e sim sábios, pois se a pessoa escarnece da palavra ela não vai nos ouvir ou prestar atenção. John Macarthur faz um acréscimo interessante a esta passagem:

    “Não tome os princípios do reino e tente força-los sobre uma sociedade que vive fora do reino. Não compete os crentes condenar o mundo ou forçar uma reforma externa sobre ele, embora devamos pregar contra seus pecados. É-nos ordenado ensinar o evangelho (cf. Mt 28.19,20) e viver como exemplos de retidão. Mas não somos os executores de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 175).

    Ninguém é obrigado a aceitar a nossa mensagem, mas a respeitar sim, e dar pérolas aos porcos é justamente perder tempo com quem não quer saber da verdade. Não divida o que é santo com pessoas que não querem saber deste tesouro e ainda ridicularizam quem crê. Felizmente nossa missão é apenas pregar, e deixar de lado quem não quer saber da palavra.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012.

    NEVES, Itamir, Comentário Bíblico de Mateus, Através da Bíblia, RTM Publicações, São Paulo, 2012.

    MACARTHUR, John. O evangelho segundo Jesus. São José dos Campos, Fiel, 2015. 

  • OS DEZ LEPROSOS

    Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz… (Referência: Lucas 17:11-19).

    Fui criado em um contexto religioso onde buscar por milagres era um dos propósitos de ser cristão. Eu tinha um parente que dividia as igrejas em frias e quentes, ou seja, igrejas que tinha milagres e outras que não tinham. Hoje, já adulto, eu questiono muitos dos “milagres” que eu vi, pois eu nunca enxerguei algo realmente milagroso. Veja bem, não estou afirmando que Deus não tem o poder de fazer milagres, como por exemplo: ressuscitar mortos ou curar pessoas. Eu só estou afirmando que nunca evidenciei isso, ao contrário, o que vi foram curas totalmente subjetivas e questionáveis. E é bom deixar claro que eu não preciso de um milagre para crer em Deus, não vivo com este propósito.

    Em toda a Bíblia vemos Cristo fazendo milagres, um dos motivos é que os milagres autenticam que Jesus é o Messias prometido. Champlin explica que: 

    “Os milagres podem autenticar uma reivindicação, como se deu no caso de Jesus. Suas obras poderosas são postas em realce principalmente por autenticarem sua missão messiânica” (CHAMPLIN, 2013, p. 274).

    Este é um dos motivos que Jesus fazia milagres e a Bíblia também enfatiza como os apóstolos também faziam milagres (Atos 5:12, 5:15), autenticado a mensagem profética,  dando continuidade a missão de Cristo. Mas não é sobre milagres o tema deste texto e sim, uma questão um pouco mais profunda, o fato de que nem todos os que Cristo curou foram salvos.

    A Bíblia diz que dez leprosos foram ao encontro de Jesus e pediram sua ajuda (v. 13).  E não é por menos, os leprosos eram vistos como escória naquela época. Um leproso vivia separado do convívio dos familiares e era considerado impuro conforme a regra descrita em Levítico 13 e 14. O grande problema era que provavelmente algumas outras doenças de pele eram também consideradas lepra e com isso, estas pessoas também acabavam sendo excluídas. Estes homens deviam viver longe da sociedade e se reuniam em bandos, a fim de se protegerem e quando se aproximavam de alguém, deviam manter a distância de cem passos (CHAMPLIN, 2014, p. 215-216).

    Estes homens sofriam muito, imagine você ter que viver longe do convívio dos seus familiares, amigos e de sua igreja. Ter que manter distância das pessoas e ser considerado impuro. A cura proporcionada por Cristo não só trazia uma bênção física, mas também a inserção destes na sociedade. É por isso que Jesus ordenou que aqueles leprosos fossem ver os sacerdotes (V14). Pois eram eles que verificariam se eles estavam ou não curados e os considerariam novamente aptos para viverem em sociedade ou não. O curioso é que o texto nos mostra que todos foram curados, mas só um voltou para agradecer, só este que era samaritano (v. 19). 

    O milagre não nos traz conversão, Deus cura, por conta de sua misericordiosa graça, mas isso não significa que o curado é salvo. Fritz explica esta passagem: 

    “Os nove judeus que consideraram sua cura como algo natural prosseguiram a caminhada até o sacerdote. O décimo, um samaritano, profundamente tomado pelo sentimento de ser indigno, entendeu sua cura como dádiva, por causa da qual se sentiu impelido a agradecer de coração” (FRITZ, 2005, p. 356).

    Milagres não nos trazem salvação, a salvação só vem quando entregamos a nossa vida a Deus. A busca por milagres e moveres não muda nosso caráter, não nos faz sedentos por Deus, ao contrário, pode ser, tal quais os nove leprosos, que no fim você nem veja a bênção como uma dádiva, mas como uma obrigação de Deus.

    O milagre maior que podemos celebrar aconteceu em uma cruz, quando um Deus se doou por nós, o resto é consequência. Se não somos gratos a Cristo por tudo o que Ele nos fez na cruz, porque você acha que seremos gratos só porque recebemos algo d’Ele? Nove leprosos não foram, ao contrário, foram curados, mas apenas um agradeceu, apenas ele se entregou e glorificou ao Pai pela cura, apenas um homem consciente de sua condição e grato a Deus recebe a salvação por completo.

    O milagre não nos aproxima mais de Deus, um coração grato, consciente de quem realmente é, sim, este com certeza é quem vai ser salvo. O resto continuará com o corpo curado e a alma doente.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    RIENACKER, Fritz.  Comentário Esperança: Evangelho de Lucas. Curitiba: Editora Esperança, 2005.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. São Paulo: Hagnos, 2011.

  • PARA UM BOM ENTENDEDOR…

    Para um bom entendedor meia palavra basta, não é isso que falamos para alguém que não entende muito bem o que estamos falando? Contudo, eu não concordo com esta frase, primeiro porque ela é simplista, serve apenas como desculpa para calar a boca de quem pede um pouco mais de explicação ou de quem não entendeu o enunciado. Segundo, porque não sabemos se quem comunicou o fez da forma correta.

    Acredito que um bom comunicador explica algo de uma forma que todos entendam. Ele se preocupa se está sendo entendido, e tenta sempre mudar a sua forma de falar quando as pessoas ou o público no qual ele está comunicando assim exigem. Um erudito ou um sábio, ao meu ver, é alguém que consegue transitar em todas as esferas da sociedade. Não é aquele cara que fala difícil no qual ninguém entende e acha que está abafando por falar difícil e sim quem sabe falar. Para falar de forma rebuscada basta decorar algumas palavras do dicionário, contudo para termos conteúdo é só com muito estudo, leitura e humildade.

    Vale lembrar que nem sempre comunicamos, seja falando ou escrevendo, de uma forma que todos entendam. Isso acontece por sabermos o que queremos comunicar, para nós a mensagem é sempre clara, contudo, nem sempre é para o ouvinte, que não sabe o assunto no qual você quer abordar.

    Nós temos responsabilidade com a comunicação, parte de nós sermos entendidos e não do próximo. Eu mudaria está conhecida frase e diria: Para um bom entendedor, um bom comunicador basta. Afinal, é responsabilidade de quem comunica ser entendido e não de quem está ouvindo, e tudo dependerá de como estamos comunicando. Provérbios 17:27, 28 diz:

    Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno.

    Quem tem conhecimento é ponderado no falar, fala pouco e de forma certeira, o muito falar não prova nada, o conteúdo é o que conta. Falar até papagaio fala agora conteúdo, nem todos têm.

    Nem sempre comunicaremos de forma assertiva, muitas vezes passaremos uma ou outra ideia de uma forma confusa e incompleta. Nem sempre os outros nos entendem e conhecem o assunto de forma completa para nos entender, isso sem contar com as pessoas que demoram a entender, normal, contudo, um bom comunicador quebra estas barreiras e comunica bem (ou tenta).

    Queremos ser ouvidos, muitas vezes a nossa meta é fazer com que o nosso ponto de vista seja aceito, porém não comunicamos direito. Comunicar é uma arte, é um aprendizado diário e constante. Tirar da cabeça uma ideia e apresentar aos outros é uma missão árdua, que requer tempo e humildade, e isso não se consegue da noite para o dia

  • A PALAVRA DA VIDA

    O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida (Referência 1 João 1:1- 4).

    Gosto de como João começa a sua carta, uma carta recheada de importantes ensinos, passados pelo próprio Cristo, fundamentais para a vida cristã, validados por uma afirmação contundente: “Jesus, a palavra da vida, realmente existiu”. Coisa que muitos historiadores já comprovaram, mas que alguns ainda insistem em afirmar que não. Eu acho interessante como Bart D. Ehrman, um teólogo ateu, termina a introdução do seu livro: “Jesus Existiu ou não?”, livro este que tem como principal propósito provar que Jesus não foi um mito:

    “Jesus existiu, e as pessoas que negam abertamente esse fato o fazem não porque analisaram as evidências com o olhar desapaixonado de um historiador, mas porque essa negação está a serviço de alguma causa própria. Do ponto de vista imparcial, houve um Jesus de Nazaré” (EHRMAN, 2014, p. 14).

    É claro que ele não acredita que Jesus foi Deus, mas que ele existiu sim, afinal as provas são muitas, como o próprio livro deixa claro.

    O texto introdutório da primeira carta de João é importantíssimo, pois ele deixa evidente que Cristo existiu, eles tocaram e viram este Deus, ouviram e aprenderam  do próprio Cristo em pessoa. Não foi algo tirado de suas cabeças, não foi uma historinha, algo inventado para manipular pessoas e sim uma experiência com o próprio Jesus.

    Penso que umas das principais provas de sua existência, além do livro de Flávio Josefo, são as fontes não cristãs como: Celso, filósofo romano, Tácito, historiador romano e o próprio Talmude judaico. E por que são fontes importantes? Porque eles não estavam de acordo com Cristo e nem com seus discípulos, seus escritos criticavam aqueles homens, se Jesus fosse uma mentira, por serem contra, certamente revelariam isso em seus textos. (GEISLER, TUREK, 2012, p. 226, 227, 228, 229).

    Há muito tempo atrás, logo no começo da minha caminhada cristã, eu tive algumas conversas com vários colegas que eram ateus. Estes homens, na época mais esclarecidos do que eu, resolveram me convencer de que a Bíblia era uma farsa, e que Cristo não havia existido. Naquele dia eu fiquei em xeque, e resolvi me aprofundar mais para saber quais dos dois lados tinha razão e eu obtive a minha resposta. Cristo realmente existiu e assim como João, muitos outros seguidores de Cristo morreram afirmando esta verdade. Seria uma loucura inúmeros homens escolherem morrer em arenas, devorado por leões, em nome de alguém que não existia, só por capricho ou para criar uma religião, como alguns afirmam. É claro que existe a fé nisso tudo, muita coisa não podemos provar, mas temos também boas provas e uma delas é a própria Bíblia e a arqueologia que tem encontrado evidências que comprovam as narrativas Bíblicas.

    Mas o texto continua, e afirma: “nós falamos daquilo que vemos”, ou seja, os ensinos da carta de 1 João não foram algo que eles ouviram falar, não; foram lições do próprio Cristo. Experiências que eles tinham vivido e que agora passavam aos seus discípulos através de suas cartas. João foi testemunha ocular, e o que ele estava por ensinar eram coisas que ele viu e ouviu do próprio Deus encarnado.

    Por conta de heresias que iam de encontro com a mensagem de Cristo, os cristãos da época estavam confusos e nem sabiam mais quem seguir, quem eram os falsos e os verdadeiros mestres. Por isso que João, nesta sua primeira carta, sintetiza a mensagem de Cristo, nos lembrando de verdades simples e básicas que moldam a vida de um seguidor de Jesus. (RICHARDS, 2013, p. 1223, 1224, 1225).

    Não seguimos fábulas, não seguimos historinhas criadas para manipular pessoas, Seguimos o próprio Cristo, a palavra viva em pessoa, que existe desde a criação do mundo.

    A carta de primeira João, uma das últimas a ser escrita, apesar de não ser tão didática assim, resume bem as verdades do evangelho, ela é simples e fundamental para a vida cristã. Fala de um Deus que existiu, encarnou e ensinou o que o autor da carta escreveu, como vamos ver nos próximos textos.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

    EHRMAN, Bart D, Jesus Existiu ou Não?, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2014.

    GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não tenho fé suficiente para ser ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.

  • COITADISMO: O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA: AUGUSTO CURY

    “O coitadismo é a arte de ter compaixão de si mesmo. O coitadismo é o conformismo potencializado, capaz de aprisionar o eu para que ele não utilize ferramentas para transformar sua história” (CURY, 2008, p. 48).

    Continuando a discorrer sobre: As quatro armadilhas da mente, abordadas no livro: O código da inteligência, do Augusto Cury, o coitadismo é a segunda armadilha.

    Coitadistas são aquelas pessoas dramáticas, autopunitivas, que jogam no lixo o seu potencial se posicionando como fracassado.

    No texto passado eu falei sobre o jovem Kyle Tomlinson. Sua história é de superação, pois ele não se deu por vencido. Ele fracassou, mas ao invés de tomar um posicionamento de coitadista, ele foi à luta, estudou, se aperfeiçoou e tentou de novo. Coisa que um coitadista nunca faria e Augusto Cury nos dá uma possível dica do porquê:

    “Nem todo conformista é coitadista, mas todo coitadista é um conformista. Por que o coitadista demonstra seu complexo de inferioridade e suas miserabilidades? Porque usa sutilmente e, às vezes inconscientemente, a sua miséria para que os outros gravitem na sua órbita. Portanto, têm ganhos secundários com sua propaganda” (CURY, 2008, p. 48).

    Ter pena de nós mesmos em troca de alguma atenção não ajuda.  Ter um posicionamento de coitado, nos deixará sempre na mesma, não evoluímos nem conseguimos aprender para recomeçar da forma certa.

    “Os coitadistas não sabem que a autopiedade é uma masmorra psíquica que asfixia o prazer, amordaça e desenvolvimento das funções mais importantes de inteligência e bloqueia a excelência intelectual e emocional” (CURY, 2008, p. 50).

    Portanto enfrente os problemas, vá em busca de ajuda, mas não fique parado tendo pena de si mesmo. A vida não é fácil, nem tudo vem assim em um passe de mágica, correr atrás, aprender com o erro é básico para termos uma vida melhor.

    Nem tudo o que eu consegui fazer foi assim fácil, muitas vezes levei um tempo, tive que praticar muito e estudar para conseguir por os meus planos em prática.

    Portanto pare de ter pena de si mesmo e tente, aprenda com os erros e evolua. Pois ficar parado, se contentando com as migalhas que o coitadismo produz não te tirará do lugar.

    BIBLIOGRAFIA

    CURY, Augusto, O Código da Inteligência, A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2008.