Início

  • OS DEZ LEPROSOS

    Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz… (Referência: Lucas 17:11-19).

    Fui criado em um contexto religioso onde buscar por milagres era um dos propósitos de ser cristão. Eu tinha um parente que dividia as igrejas em frias e quentes, ou seja, igrejas que tinha milagres e outras que não tinham. Hoje, já adulto, eu questiono muitos dos “milagres” que eu vi, pois eu nunca enxerguei algo realmente milagroso. Veja bem, não estou afirmando que Deus não tem o poder de fazer milagres, como por exemplo: ressuscitar mortos ou curar pessoas. Eu só estou afirmando que nunca evidenciei isso, ao contrário, o que vi foram curas totalmente subjetivas e questionáveis. E é bom deixar claro que eu não preciso de um milagre para crer em Deus, não vivo com este propósito.

    Em toda a Bíblia vemos Cristo fazendo milagres, um dos motivos é que os milagres autenticam que Jesus é o Messias prometido. Champlin explica que: 

    “Os milagres podem autenticar uma reivindicação, como se deu no caso de Jesus. Suas obras poderosas são postas em realce principalmente por autenticarem sua missão messiânica” (CHAMPLIN, 2013, p. 274).

    Este é um dos motivos que Jesus fazia milagres e a Bíblia também enfatiza como os apóstolos também faziam milagres (Atos 5:12, 5:15), autenticado a mensagem profética,  dando continuidade a missão de Cristo. Mas não é sobre milagres o tema deste texto e sim, uma questão um pouco mais profunda, o fato de que nem todos os que Cristo curou foram salvos.

    A Bíblia diz que dez leprosos foram ao encontro de Jesus e pediram sua ajuda (v. 13).  E não é por menos, os leprosos eram vistos como escória naquela época. Um leproso vivia separado do convívio dos familiares e era considerado impuro conforme a regra descrita em Levítico 13 e 14. O grande problema era que provavelmente algumas outras doenças de pele eram também consideradas lepra e com isso, estas pessoas também acabavam sendo excluídas. Estes homens deviam viver longe da sociedade e se reuniam em bandos, a fim de se protegerem e quando se aproximavam de alguém, deviam manter a distância de cem passos (CHAMPLIN, 2014, p. 215-216).

    Estes homens sofriam muito, imagine você ter que viver longe do convívio dos seus familiares, amigos e de sua igreja. Ter que manter distância das pessoas e ser considerado impuro. A cura proporcionada por Cristo não só trazia uma bênção física, mas também a inserção destes na sociedade. É por isso que Jesus ordenou que aqueles leprosos fossem ver os sacerdotes (V14). Pois eram eles que verificariam se eles estavam ou não curados e os considerariam novamente aptos para viverem em sociedade ou não. O curioso é que o texto nos mostra que todos foram curados, mas só um voltou para agradecer, só este que era samaritano (v. 19). 

    O milagre não nos traz conversão, Deus cura, por conta de sua misericordiosa graça, mas isso não significa que o curado é salvo. Fritz explica esta passagem: 

    “Os nove judeus que consideraram sua cura como algo natural prosseguiram a caminhada até o sacerdote. O décimo, um samaritano, profundamente tomado pelo sentimento de ser indigno, entendeu sua cura como dádiva, por causa da qual se sentiu impelido a agradecer de coração” (FRITZ, 2005, p. 356).

    Milagres não nos trazem salvação, a salvação só vem quando entregamos a nossa vida a Deus. A busca por milagres e moveres não muda nosso caráter, não nos faz sedentos por Deus, ao contrário, pode ser, tal quais os nove leprosos, que no fim você nem veja a bênção como uma dádiva, mas como uma obrigação de Deus.

    O milagre maior que podemos celebrar aconteceu em uma cruz, quando um Deus se doou por nós, o resto é consequência. Se não somos gratos a Cristo por tudo o que Ele nos fez na cruz, porque você acha que seremos gratos só porque recebemos algo d’Ele? Nove leprosos não foram, ao contrário, foram curados, mas apenas um agradeceu, apenas ele se entregou e glorificou ao Pai pela cura, apenas um homem consciente de sua condição e grato a Deus recebe a salvação por completo.

    O milagre não nos aproxima mais de Deus, um coração grato, consciente de quem realmente é, sim, este com certeza é quem vai ser salvo. O resto continuará com o corpo curado e a alma doente.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    RIENACKER, Fritz.  Comentário Esperança: Evangelho de Lucas. Curitiba: Editora Esperança, 2005.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. São Paulo: Hagnos, 2011.

  • PARA UM BOM ENTENDEDOR…

    Para um bom entendedor meia palavra basta, não é isso que falamos para alguém que não entende muito bem o que estamos falando? Contudo, eu não concordo com esta frase, primeiro porque ela é simplista, serve apenas como desculpa para calar a boca de quem pede um pouco mais de explicação ou de quem não entendeu o enunciado. Segundo, porque não sabemos se quem comunicou o fez da forma correta.

    Acredito que um bom comunicador explica algo de uma forma que todos entendam. Ele se preocupa se está sendo entendido, e tenta sempre mudar a sua forma de falar quando as pessoas ou o público no qual ele está comunicando assim exigem. Um erudito ou um sábio, ao meu ver, é alguém que consegue transitar em todas as esferas da sociedade. Não é aquele cara que fala difícil no qual ninguém entende e acha que está abafando por falar difícil e sim quem sabe falar. Para falar de forma rebuscada basta decorar algumas palavras do dicionário, contudo para termos conteúdo é só com muito estudo, leitura e humildade.

    Vale lembrar que nem sempre comunicamos, seja falando ou escrevendo, de uma forma que todos entendam. Isso acontece por sabermos o que queremos comunicar, para nós a mensagem é sempre clara, contudo, nem sempre é para o ouvinte, que não sabe o assunto no qual você quer abordar.

    Nós temos responsabilidade com a comunicação, parte de nós sermos entendidos e não do próximo. Eu mudaria está conhecida frase e diria: Para um bom entendedor, um bom comunicador basta. Afinal, é responsabilidade de quem comunica ser entendido e não de quem está ouvindo, e tudo dependerá de como estamos comunicando. Provérbios 17:27, 28 diz:

    Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno.

    Quem tem conhecimento é ponderado no falar, fala pouco e de forma certeira, o muito falar não prova nada, o conteúdo é o que conta. Falar até papagaio fala agora conteúdo, nem todos têm.

    Nem sempre comunicaremos de forma assertiva, muitas vezes passaremos uma ou outra ideia de uma forma confusa e incompleta. Nem sempre os outros nos entendem e conhecem o assunto de forma completa para nos entender, isso sem contar com as pessoas que demoram a entender, normal, contudo, um bom comunicador quebra estas barreiras e comunica bem (ou tenta).

    Queremos ser ouvidos, muitas vezes a nossa meta é fazer com que o nosso ponto de vista seja aceito, porém não comunicamos direito. Comunicar é uma arte, é um aprendizado diário e constante. Tirar da cabeça uma ideia e apresentar aos outros é uma missão árdua, que requer tempo e humildade, e isso não se consegue da noite para o dia

  • A PALAVRA DA VIDA

    O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida (Referência 1 João 1:1- 4).

    Gosto de como João começa a sua carta, uma carta recheada de importantes ensinos, passados pelo próprio Cristo, fundamentais para a vida cristã, validados por uma afirmação contundente: “Jesus, a palavra da vida, realmente existiu”. Coisa que muitos historiadores já comprovaram, mas que alguns ainda insistem em afirmar que não. Eu acho interessante como Bart D. Ehrman, um teólogo ateu, termina a introdução do seu livro: “Jesus Existiu ou não?”, livro este que tem como principal propósito provar que Jesus não foi um mito:

    “Jesus existiu, e as pessoas que negam abertamente esse fato o fazem não porque analisaram as evidências com o olhar desapaixonado de um historiador, mas porque essa negação está a serviço de alguma causa própria. Do ponto de vista imparcial, houve um Jesus de Nazaré” (EHRMAN, 2014, p. 14).

    É claro que ele não acredita que Jesus foi Deus, mas que ele existiu sim, afinal as provas são muitas, como o próprio livro deixa claro.

    O texto introdutório da primeira carta de João é importantíssimo, pois ele deixa evidente que Cristo existiu, eles tocaram e viram este Deus, ouviram e aprenderam  do próprio Cristo em pessoa. Não foi algo tirado de suas cabeças, não foi uma historinha, algo inventado para manipular pessoas e sim uma experiência com o próprio Jesus.

    Penso que umas das principais provas de sua existência, além do livro de Flávio Josefo, são as fontes não cristãs como: Celso, filósofo romano, Tácito, historiador romano e o próprio Talmude judaico. E por que são fontes importantes? Porque eles não estavam de acordo com Cristo e nem com seus discípulos, seus escritos criticavam aqueles homens, se Jesus fosse uma mentira, por serem contra, certamente revelariam isso em seus textos. (GEISLER, TUREK, 2012, p. 226, 227, 228, 229).

    Há muito tempo atrás, logo no começo da minha caminhada cristã, eu tive algumas conversas com vários colegas que eram ateus. Estes homens, na época mais esclarecidos do que eu, resolveram me convencer de que a Bíblia era uma farsa, e que Cristo não havia existido. Naquele dia eu fiquei em xeque, e resolvi me aprofundar mais para saber quais dos dois lados tinha razão e eu obtive a minha resposta. Cristo realmente existiu e assim como João, muitos outros seguidores de Cristo morreram afirmando esta verdade. Seria uma loucura inúmeros homens escolherem morrer em arenas, devorado por leões, em nome de alguém que não existia, só por capricho ou para criar uma religião, como alguns afirmam. É claro que existe a fé nisso tudo, muita coisa não podemos provar, mas temos também boas provas e uma delas é a própria Bíblia e a arqueologia que tem encontrado evidências que comprovam as narrativas Bíblicas.

    Mas o texto continua, e afirma: “nós falamos daquilo que vemos”, ou seja, os ensinos da carta de 1 João não foram algo que eles ouviram falar, não; foram lições do próprio Cristo. Experiências que eles tinham vivido e que agora passavam aos seus discípulos através de suas cartas. João foi testemunha ocular, e o que ele estava por ensinar eram coisas que ele viu e ouviu do próprio Deus encarnado.

    Por conta de heresias que iam de encontro com a mensagem de Cristo, os cristãos da época estavam confusos e nem sabiam mais quem seguir, quem eram os falsos e os verdadeiros mestres. Por isso que João, nesta sua primeira carta, sintetiza a mensagem de Cristo, nos lembrando de verdades simples e básicas que moldam a vida de um seguidor de Jesus. (RICHARDS, 2013, p. 1223, 1224, 1225).

    Não seguimos fábulas, não seguimos historinhas criadas para manipular pessoas, Seguimos o próprio Cristo, a palavra viva em pessoa, que existe desde a criação do mundo.

    A carta de primeira João, uma das últimas a ser escrita, apesar de não ser tão didática assim, resume bem as verdades do evangelho, ela é simples e fundamental para a vida cristã. Fala de um Deus que existiu, encarnou e ensinou o que o autor da carta escreveu, como vamos ver nos próximos textos.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

    EHRMAN, Bart D, Jesus Existiu ou Não?, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2014.

    GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não tenho fé suficiente para ser ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.

  • COITADISMO: O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA: AUGUSTO CURY

    “O coitadismo é a arte de ter compaixão de si mesmo. O coitadismo é o conformismo potencializado, capaz de aprisionar o eu para que ele não utilize ferramentas para transformar sua história” (CURY, 2008, p. 48).

    Continuando a discorrer sobre: As quatro armadilhas da mente, abordadas no livro: O código da inteligência, do Augusto Cury, o coitadismo é a segunda armadilha.

    Coitadistas são aquelas pessoas dramáticas, autopunitivas, que jogam no lixo o seu potencial se posicionando como fracassado.

    No texto passado eu falei sobre o jovem Kyle Tomlinson. Sua história é de superação, pois ele não se deu por vencido. Ele fracassou, mas ao invés de tomar um posicionamento de coitadista, ele foi à luta, estudou, se aperfeiçoou e tentou de novo. Coisa que um coitadista nunca faria e Augusto Cury nos dá uma possível dica do porquê:

    “Nem todo conformista é coitadista, mas todo coitadista é um conformista. Por que o coitadista demonstra seu complexo de inferioridade e suas miserabilidades? Porque usa sutilmente e, às vezes inconscientemente, a sua miséria para que os outros gravitem na sua órbita. Portanto, têm ganhos secundários com sua propaganda” (CURY, 2008, p. 48).

    Ter pena de nós mesmos em troca de alguma atenção não ajuda.  Ter um posicionamento de coitado, nos deixará sempre na mesma, não evoluímos nem conseguimos aprender para recomeçar da forma certa.

    “Os coitadistas não sabem que a autopiedade é uma masmorra psíquica que asfixia o prazer, amordaça e desenvolvimento das funções mais importantes de inteligência e bloqueia a excelência intelectual e emocional” (CURY, 2008, p. 50).

    Portanto enfrente os problemas, vá em busca de ajuda, mas não fique parado tendo pena de si mesmo. A vida não é fácil, nem tudo vem assim em um passe de mágica, correr atrás, aprender com o erro é básico para termos uma vida melhor.

    Nem tudo o que eu consegui fazer foi assim fácil, muitas vezes levei um tempo, tive que praticar muito e estudar para conseguir por os meus planos em prática.

    Portanto pare de ter pena de si mesmo e tente, aprenda com os erros e evolua. Pois ficar parado, se contentando com as migalhas que o coitadismo produz não te tirará do lugar.

    BIBLIOGRAFIA

    CURY, Augusto, O Código da Inteligência, A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2008.

  • CAOS PENTECOSTAL

    Passei a minha infância em uma igreja pentecostal, eu vi muita coisa estranha acontecendo, ouvi ensinos dos mais bizarros e afirmações que a Bíblia não faz. Por isso, ao escrever este texto eu falo um pouco de mim, do que eu passei e das coisas que tive que aprender a superar. Não quero denegrir a imagem do pentecostal, conheço inúmeras igrejas e homens sérios, que realmente ensinam o que a palavra diz, o objetivo do texto é expor alguns exageros de alguns pastores que fazem afirmações sem base Bíblica alguma.

    Confissão positiva: Isso foi uma das coisas que eu mais ouvi dentro da igreja pentecostal: “A nossa palavra tem poder”. Por isso, para se alcançar algo temos que declarar coisas boas. Se tudo fosse tão fácil assim o mundo já estaria mudado, não acha? Declarar que já estamos curados, que conseguiremos um carro novo, e que desfrutaremos do melhor desta terra não é algo que a Bíblia afirma, não desta forma, lembre-se:

    “A alegação de que algum novo ensinamento vem de Deus é absolutamente essencial para o sucesso da agenda de qualquer herege” (MACARTHUR, 2015, p. 56).

    Nem sempre pedimos o que é certo, por isso que muitas vezes não recebemos o que pedimos como bem afirma Tiago 4:3. Não se esqueça de que não é a nossa palavra que tem poder e sim o nome de Jesus, nós não temos poder algum. Isso sem contar que o nosso pedido é sempre condicionado a vontade de Deus (1 João 5:14-15). Outra coisa, ser cristão não é “ter”, nem ser rico e sim seguir a Deus tendo a plena consciência de que sem Ele não somos nada. Crer em Deus, colocar aos seus pés nossos problemas e sonhos é uma atitude certa, sem esquecer que tudo vai depender da vontade d’Ele. Ele não é um gênio da lâmpada que nos dá tudo o que pedimos, Ele é um pai que cuida de nós e nos dá o que é melhor, e nem sempre o que nós queremos é o melhor.

    Histeria coletiva: Alguns cultos pentecostais são verdadeiras badernas, falações, gente caindo e rodopiando, práticas que não encontramos na Bíblia. Ao contrário, a Bíblia fala que o culto deve ser ordeiro, leia com calma 1 Coríntios 14:26-40, está tudo lá bem explicado. Isso sem contar que o falar em línguas não dever ser com todos ao mesmo tempo e deve haver intérprete caso contrário, todos devem ficar calados, entre tantos outros conselhos que o texto dá (1 Coríntios 14:26-27):

    “Como o Novo Testamento deixa claro, ser um cristão “cheio do Espírito” não tem nada a ver com proferir coisas sem sentido, cair no tapete em um transe hipnótico, ou ter qualquer outro encontro místico de suposto poder estático. Pelo contrário, tem tudo a ver com submeter nossos corações e nossas mentes à palavra de Cristo, andar no Espírito e não na carne e, diariamente, crescer em amor e afeição pelo senhor Jesus e no serviço de todo o seu corpo, a igreja” (MACARTHUR, 2015, p. 235).

    O centro do culto é Deus, não nossas vontades, desejos e sentimentos. É Deus que deve ser adorado e não o homem. Quando fazemos um culto voltado a nós e nossas vontades, com certeza veremos todo o tipo de bizarrices acontecendo, atitude que demonstra que o culto não está sendo feito com a intenção certa.

    Segunda unção: Em muitas igrejas o batismo no Espírito Santo é algo que acontece depois da conversão, e tem como evidência o falar em línguas. Outro ensino complicado, primeiro porque o falar em línguas é um dom e nem todos têm, por ser um dom. Sobre o pentecostes, descrito lá em Atos 2, aquilo não foi uma segunda unção, o dom de línguas foi uma manifestação milagrosa que tinha como propósito a pregação da palavra, pois todos ouviam a mensagem em sua própria língua conforme o texto de Atos 2, ele é bem claro, leia ele inteiro. O pentecostes foi um milagre da pregação, e não uma unção especial.  Dividir a igreja em crentes batizados com o Espírito Santo e crentes não batizados é um erro. Quando aceitamos a Cristo somos batizados, nossa vida é transformada, temos nova vida. O falar em línguas é apenas um dom e um dos menores, e não uma evidência de sermos batizados com o Espírito Santo, como muitas igrejas erroneamente ensinam. A mudança de vida sim é uma evidência, conforme Gálatas 5:22 otimamente nos diz.

    Tudo é o demônio: Esta é uma prática comum entre pentecostais, por a culpa dos nossos problemas no demônio. Se eu vou mal financeiramente é culpa do demônio devorador, e não da minha má administração. Se eu estou mal de saúde é culpa do demônio, e não da minha negligência em me cuidar. Se meu casamento está mal, é culpa do capeta e não minha da falta de diálogo com meu conjugue. É fácil culpar o capeta em tudo, é fácil terceirizar a culpa, pois assim nos isentamos de olhar para os nossos erros e mudar. Não estou afirmando que o mal não tenha culpa alguma, algumas vezes ele até tem sim, mas na maioria das vezes estamos com problemas por conta de nossa própria cabeça dura.

    Somos o povo da Bíblia, por isso que se não está na Bíblia, não devemos aceitar. Por a prova todo o ensino é básico para que construamos uma fé fundamentada em Cristo e não em falácias.

    “Desde o principio, a batalha entre o bem e o mal tem sido uma batalha pela verdade. A serpente, no jardim do Éden, começou a sua tentação questionando a veracidade de instrução anterior de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 244).

    Não mudou muito desde o episódio descrito no Gênesis, continuamos com a missão de estudar e entender a palavra, para que assim não caiamos em enganos do inimigo. O problema é que muitas vezes não vemos como instrumentos do diabo estes pastores que ensinam coisas que não estão na Bíblia, e é esta uma das afirmações que o próprio Lutero faz:

    “Seja o que for que não tiver sua origem na escrituras é certamente do próprio diabo” (MACARTHUR, 2015, p. 244).

    Por isso estude, questione e leia, não só a Bíblia, mas livros e artigos de autores relevantes que estudam a Bíblia já algum tempo.  E atenção, se a comunidade cristã no qual você é membro não permite questionar e estudar desconfie.  Uma igreja séria dialoga, permite questionamentos e o estudo, se este não é o seu caso repense a sua permanência nesta comunidade.

    BIBLIOGRAFIA

    MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um olhar questionador sobre a operação de Espírito Santo no mundo de hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2015.

  • QUEM É VOCÊ?

    Constantemente eu paro para refletir e tentar perceber quem eu estou sendo, quais tem sido as minhas dificuldades e o quanto preciso melhorar. Dia a dia tenho analisado as minhas qualidades, o quanto tenho melhorado em meus defeitos ou não. Tem sido uma prática diária a busca pelo autoconhecimento, desenvolver uma autoconsciência, saber o que me motiva e o que me derruba é uma das minhas metas de vida. Penso que muitas vezes temos vivido sem saber quem somos e isso é um erro dos mais infelizes. David Walton resume bem o que é esta autoconsciência:

    “A autoconsciência tem a ver com entender a si mesmo e saber o que motiva você e por quê” (WALTON, 2014, p. 35)

    Quem é você? Você se conhece o suficiente para responder a está pergunta? Se não, penso que uma de suas prioridades deve ser esta, como foi e tem sido a minha. Por isso, segue algumas dicas, de quem há um tempo tem tentado se conhecer.

    Não viva no automático: Acordar cedo, trabalhar e ir para casa, esta é a vida que a maioria das pessoas têm, mas viver para pagar contas ou comprar coisas é ter uma vida muito pequena. Constantemente eu pergunto para meus amigos e colegas de trabalho quais são seus sonhos, quais são seus propósitos de vida. Você vai se impressionar quando souber o quanto muitos se batem para responder a esta pergunta.

    Muitos têm ligado o piloto automático de suas vidas e têm vivido uma vida de forma inconsciente, sem sonhos, propósito de vida ou objetivos. Muitos por estar no piloto automático não têm prestado atenção no próximo, em seus amigos, cônjuge ou em si mesmo e seus pensamentos, medos ou em hábitos de comportamentos nocivos, no qual precisa mudar. Por isso reflita, busque algo novo para sair da rotina, pense sobre como você age ante as diversas situações e o que te motiva. Desligue o piloto automático e viva, pois a vida é única e curta.

    Preste atenção no que te motiva: Este é um ponto importante para quem quer procurar algo no qual se dedicar, seja como hobby, trabalho ou diversão. Prestar atenção no que nos motiva é o primeiro passo para darmos sentido a nossa vida. Não que eu ache que nascemos com um propósito, não creio nisso, não acredito que tudo está escrito nas estrelas, ou que temos uma tarefa a cumprir aqui na terra, mas eu acredito que podemos dar um sentido para a nossa vida, arranjar um propósito para o qual nos dedicarmos ou quem sabe apenas fazermos algo no qual nós gostamos e nos dá alegria. Saber o que nos motiva é um bom começo para começar algo, não perca esta oportunidade.

    Reflita se os seus medos têm fundamento: O medo é uma ferramenta importante para a nossa sobrevivência. É o medo que nos faz sermos cautelosos, a tomarmos mais cuidados e nos precaver. Contudo o medo em excesso nos paralisa, nos deixa imóveis sem sairmos do lugar. Pensar sobre nossos medos e temores é fundamental, tentar entender se alguns deles têm sentido ou não é uma das saídas para não nos estagnarmos.

    Trabalhe a sua autoestima: Pessoas com autoestima baixa tendem a deixar de realizar coisas por se achar incapazes. Já ouvi muitos que tinham ótimos sonhos ou projetos, mas que deixaram de realizar estas coisas por não se acharem capazes.

    “Autoestima e confiança baixas apresentam uma relação íntima com o humor e a autoimagem, por isso é importante perceber que as crenças são somente opiniões, e não fatos. Elas podem ser tendenciosas ou inexatas, e há medidas que você pode adotar para mudá-las” (WALTON, 2014, p. 49)

    Não se deixe dominar pela baixa autoestima, não jogue fora seus sonhos e realizações por achar que não é competente, tentar é sempre a melhor opção, errar tentando é sempre mais vantajosos do que não tentar e viver com o sentimento de que poderia ter feito algo. E acima de tudo, conheça seus pontos fortes e fracos e trabalhe para que você consiga mudar.

    Preste atenção se as suas crenças são embasadas: Muito do modo como agimos vem de nossas crenças, como vemos o mundo ou como acreditamos que ele funciona, porém, nem sempre estas crenças estão certas ou bem fundamentadas, é por isso que precisamos estar sempre lendo, nos informando e duvidando de ensinos sem fundamentos:

    “Conhecer os seus pontos fortes e fracos pode ser um grande passo rumo à confiança pessoal e a comunicação eficaz. Saber a sua posição e ter um conjunto claro de valores e crenças também são pré-requisitos para a confiança e o impacto” (WALTON, 2014, p. 52)

    Você não imagina a quantidade de pessoas com potenciais que eu já conheci nesta minha caminhada acadêmica, alguns, com certeza, são mais inteligentes e capazes do que eu, porém estão estagnados, por não se conhecerem e se entregaram as suas crenças simplistas. Por isso reflita sobre o que você acredita e tente descobrir se o que você crê tem fundamento. E quando eu falo isso, não digo só sobre a sua teologia, mas também política, pontos de avista e por aí vai. São muitas explicações tendenciosas, são muitos ensinos que têm como propósito alienar e não libertar e ensinar. Não seja um repetidor de ideias, seja alguém que pensa, reflete sobre o assunto e duvida de teorias sem sentido

    Quem é você? Às vezes conhecemos tanta coisa, mas não nos conhecemos,  não entendemos nossos medos e sentimentos. Não viva no automático, aprenda a ter uma autoconsciência e cresça ao descobrir quem você é. Ao enfrentarmos nossos medos, pontuarmos nossos sonhos e gerenciarmos nossos defeitos, evoluímos.

    Estes são alguns caminhos no qual tomei, não sou especialista, muito menos tenho um profundo conhecimento de causa, mas com algumas pesquisas, leituras e conselhos fui chegando a este denominador, preciso evoluir muito, eu sei, mas já estou melhor que ontem, acredito que a caminhada é lenta mesmo, mas o que importa é ser constante.

    Leia este livro citado na bibliografia, procure mais materiais e ferramentas, pois existem muitas, mas não deixe de se conhecer.

     

    BIBLIOGRAFIA

    WALTON, David, Inteligência Emocional, Um guia prático, Editora L & PM Editores, Porto Alegre, 2016

  • OLHOS ALTIVOS

    Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos… (Provérbios 6:16,17) (NVI). 

    Há muitos anos trabalhei com um chefe que era o poço da arrogância, tratava a todos com estupidez, talvez por ter estudado fora do país ou por possuir alguns diplomas. O engraçado era que ele gostava de ser malvisto, de ser odiado, parecia que o seu prazer vinha de saber que todos não gostavam dele. O grande problema era que este chefe era muito competente, sabia realmente o que estava fazendo.

    Nestes versículos de provérbios, o texto nos informa sobre seis coisas que Deus detesta e uma que Ele abomina. E a primeira da lista é “olhos altivos” ou arrogância, que segundo o dicionário significa:

    “Prepotência; atitude de quem se sente superior aos demais ou da pessoa que assume um comportamento prepotente, desprezando os outros” (Dicio).

    O arrogante atribui a si superioridade, se considera único, superior e acima de todos os outros. É por isso que ele não demora em humilhar, pisar e desprezar o seu próximo, pois ele não o considera igual. Em toda a comunidade cristã, bem sabemos que só há um superior, perfeito e poderoso, que é Deus, todos os outros são seres finitos, pequenos e dependentes Dele.

    Gosto da história de José, escrita lá em Gênesis 37:3, por ele ter passado muitas dificuldades e superado tudo. Veja bem, ele foi vendido por seus irmãos, acusado de estupro, esquecido na cadeia após ajudar uma pessoa e pedir ajuda, onde por fim, interpretou um sonho que o levou a ter tanto poder no Egito que ele ficava abaixo apenas do faraó. O curioso é que o poder não subiu para a sua cabeça. Ele não ficou arrogante e continuou atribuindo suas bênçãos a Deus.

    Conheço alguns que uma promoção no trabalho já os deixa altivos, ou um diploma na parede é o bastante para se sentirem acima de todos. Não estou falando que você deve caminhar por aí se sentindo um coitado, sem reconhecer seus talentos e o que sabe fazer bem. Estou falando do orgulho, em olhar o próximo de cima, desprezando a todos. É possível você ter um diploma e não se achar um “Deus” só porque possui um pedaço de papel. É possível você ter a consciência de ser inteligente, sem humilhar o próximo. Provérbios 16:18-19 diz:

    “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. Melhor é ter espírito humilde entre os oprimidos do que partilhar despojos com os orgulhosos” (NVI). 

    A vida cristã é feita de equilíbrio, você tem que ter em mente que, ao mesmo tempo que estas conquistas são boas, elas nos tiram do foco e nos derrubam. Por isso, abrir os olhos e observar nossas atitudes é o mínimo para não sermos um dos que Deus abomina.

    Viver uma vida humilde é o cerne da mensagem cristã, o próprio Jesus nos deu o exemplo disso. Quando não praticamos a humildade, passamos longe do exemplo que Cristo nos deixou. Diante disso, temos que nos perguntar se realmente seguimos a Ele ou o nosso ponto de vista.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    https://www.dicio.com.br/arrogancia

  • DEBATE E DISCUSSÃO

    Eu gosto muito de um bom debate, a troca de ideias e de pontos de vista é fundamental para o nosso desenvolvimento. Crescemos muito defendendo o nosso ponto de vista, afinal, o debate faz com que possamos expor nossos argumentos e verificarmos se eles realmente são concisos. É em um debate que você vai perceber se está certo, ou se o seu argumento é incoerente, é defendendo o seu ponto de vista de forma honesta que você reafirmará sua crença, ou abandonará por perceber que seus argumentos são fracos. Porém, apesar de eu gostar de debates, eu raramente o faço, por perceber que a motivação da maioria dos debates não é a verdade e sim, defender um ponto de vista a qualquer custo. Na filosofia existem dois termos que nomeia quem quer fazer um debate em nome de se chegar à verdade, e quem quer apenas vencer uma discussão, os termos são erística e dialética:

    “É importante distinguir a erística da dialética. Os que praticam a primeira só querem vencer, enquanto aos dialéticos tentam descobrir a verdade. Na realidade, trata-se da distinção entre debate e discussão” (RUSSEL, 2017, p.61).

    Conheci muitos que sabiam ganhar uma discussão, eu mesmo já perdi alguns debates para quem dominava tal arte, mesmo eu tendo bons argumentos. Nem sempre quem ganha a discussão é alguém que tem razão, às vezes o indivíduo sabe apenas falar. Os sofistas eram os indivíduos que dominavam esta prática, eles acreditavam que a verdade era relativa e não eram amantes da investigação, enquanto os filósofos eram quem seguiam em busca da verdade:

    “Embora os sofistas tenham desempenhado valioso papel no campo da educação, a sua visão filosófica foi hostil à investigação. Pois o seu ceticismo foi de desesperanças, uma atitude negativa frente ao problema do conhecimento. O resumo dessa posição é a famosa frase de Protágoras: ”O homem é a medida de todas as coisas, do ser daquilo que é, do não ser daquilo que não é”. Assim, a opinião de cada homem é verdadeira para ele, e as desavenças entre os homens não podem ser resolvidas com base na verdade. Portanto, não admira que o sofista Trasímaco defina a justiça como a vantagem do mais forte” (RUSSEL, 2017, p.61).

    Concordo que a pesquisa e a investigação dá trabalho, não é fácil estudar, é mais fácil ficar vendo filmes o dia inteiro. Concordo também que algumas desavenças são difíceis e até impossíveis de se resolver. Somando isso ao fato que queremos sempre ter razão, a missão se torna quase impossível, contudo, o debate é importante, a busca por diálogo é fundamental para chegarmos à verdade, a leitura e o estudo é crucial para uma vida centrada.

    São muitos erros por conta da falta de conhecimento, a ignorância e o orgulho têm fabricado discursos de ódio, segregação e exageros dos mais diversos, por isso, temos que reaprender a dialogar. Gosto de uma citação de Hesíodo que resume bem a importância de estar aberto a aprender, tirado do livro de Aristóteles: Ética a Nicômaco:

    “Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas; Bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos. Mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse é em verdade, um homem inteiramente inútil” (2013, p. 12).

    Se conhecer, saber quem somos de verdade, escutar o sensato, o justo em seus julgamentos e saber colher a sabedoria alheia, saber aprender, é o caminho para não sermos inúteis.  Eu gosto da definição que o dicionário dá para inútil:

    Desnecessário; sem utilidade; desprovido de serventia; que não serve para nada (Dicio)

    E isso ninguém quer ser, apesar da preguiça que muitos têm de estudar. Por isso não seja como os sofistas, aprenda a ser humilde e reconhecer os pontos falhos em seus argumentos. O conhecimento vem de busca, a relevância vem quando encontramos nossas incoerências e nos dirigimos em busca da verdade, seja ela qual for.

    Não tenha como prioridade ganhar uma discussão e sim, a de chegar à verdade. Ouça, preste atenção e pesquise. Esteja sempre aberto a duvidar e reavaliar seus pontos de vista. Nem sempre estaremos certos, ganha mais quem está aberto para o conhecimento.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora Martin Claret, 2013.

    INÚTIL. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/inutil&gt;. Acesso em: 20/06/2018.

    RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.

     

     

     

  • NOVO TESTAMENTO: CORÍNTIOS

    Poderíamos chamar a primeira epístola de Paulo aos Coríntios de “carta problema”, pois ela foi escrita com a finalidade de tratar uma infinidade de transtornos que aquela igreja passava. Muitos dos incômodos não são nada diferentes dos nossos, por isso que, é importante ler e estudá-la, pois ela contém algumas respostas e ensinos fundamentais para quem faz parte de uma comunidade cristã (RICHARDS, 2013, p. 969).

    A carta foi provavelmente escrita por volta do ano 49 d. C. sendo que uma das provas disto é o texto de Atos 18:2 que conta como os colaboradores de Paulo, Priscila e Áquila, chegaram a esta cidade por conta da expulsão dos judeus de Roma através de um decreto do Imperador Cláudio. Fato este mencionado por Suetônio em seu escrito Vida do divinizado Cláudio (CHAMPLIN, 2014, p. 4).

    Paulo foi o primeiro cristão a pregar em Corinto, na época colônia de Roma, sendo que antes era uma cidade da Grécia. Está cidade grega possuía uma história magnífica, mas havia sido destruída por Múmio em 146 a. C. por conta de um conflito com Roma. Sua reconstrução foi toda feita nos moldes das cidades romanas. A cidade era uma das mais importantes no quesito cultura e comércio, tinha muitas famílias abastadas sendo que a sua população com o tempo ficou maior que a de Atenas (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1746). Enfim, era uma verdadeira metrópole, com templos, conhecimento, cultura e muitos deuses:

    “Era uma cidade de nível cultural elevado e os seus cidadão, como os de Atenas, adoravam muitos deuses. Entre eles, Afrodite é a mais conhecida” (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1747).

    Este povo tinha tudo, menos Deus, até que o evangelho chegou naquele local. Sobre Afrodite, Champlin pontua que:

    “Estrabão (historiador, geógrafo e filósofo grego) revela-nos que havia mil prostitutas religiosas oficiais associadas aos cultos religiosos daquela cidade, que tinham por principais divindades a Mãe Suprema, Melcarte, Serápis, Ísis e Afrodite” (CHAMPLIN, 2013, p.907).

    Por conta disso, inúmeros turistas visitavam a cidade a fim de “cultuar” com estas prostitutas religiosas. Não é interessante perceber como o evangelho não só nos aproxima de Deus, mas também traz dignidade as pessoas? As vezes me perguntam como podemos resumir o que é ser cristão? E eu respondo: é ser gente da maneira certa.

    Sobre o conteúdo da carta a ênfase maior não é tanto a doutrina e sim a ética cristã. Nesta epístola, encontramos inúmeros problemas enfrentados por estes cristão e soluções para estes problemas.

    Já a segunda carta é um pouco mais diferente do que a primeira. Pois nela, temos uma abordagem extremamente pessoal onde o apóstolo compartilha princípios e sentimentos no qual o autor acredita que a igreja deve estar fundamentada.

    Como vimos na carta anterior, Paulo trabalhou muitas questões éticas, estas questões trouxeram a tona inúmeras reações. Alguns mudaram seus comportamentos, outros discordaram do ensino desafiando Paulo e a sua autoridade, acusaram-no de orgulho, excesso de confiança e de ser contraditório.

    O objetivo principal da Epístola, entre outros ensinos, era tranquilizar aquela igreja e deixar claro que apesar de todas as acusações, ele confiava naquela igreja mesmo sendo imatura (RICHARDS, 2013, p. 1012-1013). Considero 2 Coríntios 2:1-11 lindo, é um trecho onde Paulo abre o coração, vale a pena ler.

    A igreja de Corinto tinha inúmeros problemas, era imatura, dividida, com várias questões em aberto, mas Paulo se preocupava e não desistia daquela comunidade.  Uma lição que os líderes das igrejas de nossos dias devem aprender.

    Quando lemos estas duas epístolas vemos problemas semelhantes nas igrejas de hoje, o que evidencia o quanto o ser humano é previsível. O legal é que Paulo já dá respostas e saídas para estes problemas. Por isso que é importante lermos e conhecermos, pois ela é mais do que uma ferramenta, é um manual importante para a igreja cristã de nossos dias, dos dias antigos ou para as igrejas de qualquer tempo.

    BIBLIOGRAFIA

     CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia Bíblica de Teologia e Filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.

    RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.

  • E A CULPA É DE QUEM?

    Li estes dias no Facebook a frase: Mesmo se Deus existisse, eu não o amaria, por conta das guerras, pedofilia e  todo o caos no mundo. Na verdade eu  me canso de ler isso, muitos atribuem o fato do mal existir, a Deus. Porque Ele não faz nada, porque a fome existe? Porque, porque?

    É fácil culpar a Deus. É fácil olhar para o próximo passando fome e falar que é culpa de Deus. Para estas perguntas a minha resposta é sempre a mesma, por que Deus devia ajudar? Por que só lembramos de Deus quando não estamos bem?

    Vivemos em um sociedade injusta, sociedade esta que o homem construiu, muitos têm pouco e poucos têm muito. O pobre passa necessidades nas filas de hospitais, enquanto ricos, fazem festas milionárias para seus cães. E a culpa é de Deus?  Não sou contra o rico e nem acredito que todos deviam ficar pobres, mas nós (não só os ricos) devíamos aprender a olhar mais para o pobre e tentar brigar por justiça. Pois cabe a nós arregaçarmos a manga e sermos diferentes. E eu ainda vou mais longe, acredito que um dia vamos ser cobrados por isso.

    Certo dia um amigo, depois de ouvir a notícia de alguns atentados terroristas no oriente médio, me perguntou: Onde estava Deus, enquanto este monte de gente inocente morria? Eu respondi. Levantando voluntários, missionários, para trabalhar nestes lugares, onde a injustiça e pobreza reinam. Pois esta é a nossa missão, Deus não vai fazer algo que cabe a nós fazer. O grande problema é que queremos colocar a culpa em Deus das guerras da sociedade injusta e dos conflitos que nós mesmos construímos, mas não queremos arregaçar a manga para mudar a situação.

    O mundo é injusto porque é um reflexo do ser humano, o mundo é pobre porque o homem é egoísta, as pessoas sofrem porque poucos querem ajudar os muitos e muitos culpam Deus pelas injustiças dos homens. Aí você me pergunta, porque Deus não faz nada para mudar tudo? Ele já fez, Deus enviou seu filho para morrer por nós, para que nos arrependamos de nossas atitudes destrutivas e olhemos para Ele. Este caos é o resultado de quem somos, estas injustiças todas são apenas reflexos da humanidade falha. Por isso nós fomos chamados para divulgar a paz, para que Cristo reine em nossa vida e tudo mude. John Stott fala algo interessante sobre o sofrimento:

    O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, pg. 67)

    Servimos um Deus que nos compreende, adoramos a um Deus que também sofreu e nos chama ao arrependimento, para que a sua paz reine em nossa vida no lugar do caos. Lewis falou algo interessante sobre este nosso caos:

    Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele. (LEWIS, 1986, pg. 70)

    Só existe um único ser realmente bom e este é Deus, só existe uma explicação para todo este caos, “é uma falta de Deus”. Por isso que a presença d’Ele é fundamental para a esperança no mundo e para que através d’Ele tudo mude.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Uma viagem Fantástica do Inferno Para as Proximidades do Céu, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 1986

    STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004