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CAOS PENTECOSTAL
Passei a minha infância em uma igreja pentecostal, eu vi muita coisa estranha acontecendo, ouvi ensinos dos mais bizarros e afirmações que a Bíblia não faz. Por isso, ao escrever este texto eu falo um pouco de mim, do que eu passei e das coisas que tive que aprender a superar. Não quero denegrir a imagem do pentecostal, conheço inúmeras igrejas e homens sérios, que realmente ensinam o que a palavra diz, o objetivo do texto é expor alguns exageros de alguns pastores que fazem afirmações sem base Bíblica alguma.
Confissão positiva: Isso foi uma das coisas que eu mais ouvi dentro da igreja pentecostal: “A nossa palavra tem poder”. Por isso, para se alcançar algo temos que declarar coisas boas. Se tudo fosse tão fácil assim o mundo já estaria mudado, não acha? Declarar que já estamos curados, que conseguiremos um carro novo, e que desfrutaremos do melhor desta terra não é algo que a Bíblia afirma, não desta forma, lembre-se:
“A alegação de que algum novo ensinamento vem de Deus é absolutamente essencial para o sucesso da agenda de qualquer herege” (MACARTHUR, 2015, p. 56).
Nem sempre pedimos o que é certo, por isso que muitas vezes não recebemos o que pedimos como bem afirma Tiago 4:3. Não se esqueça de que não é a nossa palavra que tem poder e sim o nome de Jesus, nós não temos poder algum. Isso sem contar que o nosso pedido é sempre condicionado a vontade de Deus (1 João 5:14-15). Outra coisa, ser cristão não é “ter”, nem ser rico e sim seguir a Deus tendo a plena consciência de que sem Ele não somos nada. Crer em Deus, colocar aos seus pés nossos problemas e sonhos é uma atitude certa, sem esquecer que tudo vai depender da vontade d’Ele. Ele não é um gênio da lâmpada que nos dá tudo o que pedimos, Ele é um pai que cuida de nós e nos dá o que é melhor, e nem sempre o que nós queremos é o melhor.
Histeria coletiva: Alguns cultos pentecostais são verdadeiras badernas, falações, gente caindo e rodopiando, práticas que não encontramos na Bíblia. Ao contrário, a Bíblia fala que o culto deve ser ordeiro, leia com calma 1 Coríntios 14:26-40, está tudo lá bem explicado. Isso sem contar que o falar em línguas não dever ser com todos ao mesmo tempo e deve haver intérprete caso contrário, todos devem ficar calados, entre tantos outros conselhos que o texto dá (1 Coríntios 14:26-27):
“Como o Novo Testamento deixa claro, ser um cristão “cheio do Espírito” não tem nada a ver com proferir coisas sem sentido, cair no tapete em um transe hipnótico, ou ter qualquer outro encontro místico de suposto poder estático. Pelo contrário, tem tudo a ver com submeter nossos corações e nossas mentes à palavra de Cristo, andar no Espírito e não na carne e, diariamente, crescer em amor e afeição pelo senhor Jesus e no serviço de todo o seu corpo, a igreja” (MACARTHUR, 2015, p. 235).
O centro do culto é Deus, não nossas vontades, desejos e sentimentos. É Deus que deve ser adorado e não o homem. Quando fazemos um culto voltado a nós e nossas vontades, com certeza veremos todo o tipo de bizarrices acontecendo, atitude que demonstra que o culto não está sendo feito com a intenção certa.
Segunda unção: Em muitas igrejas o batismo no Espírito Santo é algo que acontece depois da conversão, e tem como evidência o falar em línguas. Outro ensino complicado, primeiro porque o falar em línguas é um dom e nem todos têm, por ser um dom. Sobre o pentecostes, descrito lá em Atos 2, aquilo não foi uma segunda unção, o dom de línguas foi uma manifestação milagrosa que tinha como propósito a pregação da palavra, pois todos ouviam a mensagem em sua própria língua conforme o texto de Atos 2, ele é bem claro, leia ele inteiro. O pentecostes foi um milagre da pregação, e não uma unção especial. Dividir a igreja em crentes batizados com o Espírito Santo e crentes não batizados é um erro. Quando aceitamos a Cristo somos batizados, nossa vida é transformada, temos nova vida. O falar em línguas é apenas um dom e um dos menores, e não uma evidência de sermos batizados com o Espírito Santo, como muitas igrejas erroneamente ensinam. A mudança de vida sim é uma evidência, conforme Gálatas 5:22 otimamente nos diz.
Tudo é o demônio: Esta é uma prática comum entre pentecostais, por a culpa dos nossos problemas no demônio. Se eu vou mal financeiramente é culpa do demônio devorador, e não da minha má administração. Se eu estou mal de saúde é culpa do demônio, e não da minha negligência em me cuidar. Se meu casamento está mal, é culpa do capeta e não minha da falta de diálogo com meu conjugue. É fácil culpar o capeta em tudo, é fácil terceirizar a culpa, pois assim nos isentamos de olhar para os nossos erros e mudar. Não estou afirmando que o mal não tenha culpa alguma, algumas vezes ele até tem sim, mas na maioria das vezes estamos com problemas por conta de nossa própria cabeça dura.
Somos o povo da Bíblia, por isso que se não está na Bíblia, não devemos aceitar. Por a prova todo o ensino é básico para que construamos uma fé fundamentada em Cristo e não em falácias.
“Desde o principio, a batalha entre o bem e o mal tem sido uma batalha pela verdade. A serpente, no jardim do Éden, começou a sua tentação questionando a veracidade de instrução anterior de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 244).
Não mudou muito desde o episódio descrito no Gênesis, continuamos com a missão de estudar e entender a palavra, para que assim não caiamos em enganos do inimigo. O problema é que muitas vezes não vemos como instrumentos do diabo estes pastores que ensinam coisas que não estão na Bíblia, e é esta uma das afirmações que o próprio Lutero faz:
“Seja o que for que não tiver sua origem na escrituras é certamente do próprio diabo” (MACARTHUR, 2015, p. 244).
Por isso estude, questione e leia, não só a Bíblia, mas livros e artigos de autores relevantes que estudam a Bíblia já algum tempo. E atenção, se a comunidade cristã no qual você é membro não permite questionar e estudar desconfie. Uma igreja séria dialoga, permite questionamentos e o estudo, se este não é o seu caso repense a sua permanência nesta comunidade.
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um olhar questionador sobre a operação de Espírito Santo no mundo de hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2015.
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QUEM É VOCÊ?
Constantemente eu paro para refletir e tentar perceber quem eu estou sendo, quais tem sido as minhas dificuldades e o quanto preciso melhorar. Dia a dia tenho analisado as minhas qualidades, o quanto tenho melhorado em meus defeitos ou não. Tem sido uma prática diária a busca pelo autoconhecimento, desenvolver uma autoconsciência, saber o que me motiva e o que me derruba é uma das minhas metas de vida. Penso que muitas vezes temos vivido sem saber quem somos e isso é um erro dos mais infelizes. David Walton resume bem o que é esta autoconsciência:
“A autoconsciência tem a ver com entender a si mesmo e saber o que motiva você e por quê” (WALTON, 2014, p. 35)
Quem é você? Você se conhece o suficiente para responder a está pergunta? Se não, penso que uma de suas prioridades deve ser esta, como foi e tem sido a minha. Por isso, segue algumas dicas, de quem há um tempo tem tentado se conhecer.
Não viva no automático: Acordar cedo, trabalhar e ir para casa, esta é a vida que a maioria das pessoas têm, mas viver para pagar contas ou comprar coisas é ter uma vida muito pequena. Constantemente eu pergunto para meus amigos e colegas de trabalho quais são seus sonhos, quais são seus propósitos de vida. Você vai se impressionar quando souber o quanto muitos se batem para responder a esta pergunta.
Muitos têm ligado o piloto automático de suas vidas e têm vivido uma vida de forma inconsciente, sem sonhos, propósito de vida ou objetivos. Muitos por estar no piloto automático não têm prestado atenção no próximo, em seus amigos, cônjuge ou em si mesmo e seus pensamentos, medos ou em hábitos de comportamentos nocivos, no qual precisa mudar. Por isso reflita, busque algo novo para sair da rotina, pense sobre como você age ante as diversas situações e o que te motiva. Desligue o piloto automático e viva, pois a vida é única e curta.
Preste atenção no que te motiva: Este é um ponto importante para quem quer procurar algo no qual se dedicar, seja como hobby, trabalho ou diversão. Prestar atenção no que nos motiva é o primeiro passo para darmos sentido a nossa vida. Não que eu ache que nascemos com um propósito, não creio nisso, não acredito que tudo está escrito nas estrelas, ou que temos uma tarefa a cumprir aqui na terra, mas eu acredito que podemos dar um sentido para a nossa vida, arranjar um propósito para o qual nos dedicarmos ou quem sabe apenas fazermos algo no qual nós gostamos e nos dá alegria. Saber o que nos motiva é um bom começo para começar algo, não perca esta oportunidade.
Reflita se os seus medos têm fundamento: O medo é uma ferramenta importante para a nossa sobrevivência. É o medo que nos faz sermos cautelosos, a tomarmos mais cuidados e nos precaver. Contudo o medo em excesso nos paralisa, nos deixa imóveis sem sairmos do lugar. Pensar sobre nossos medos e temores é fundamental, tentar entender se alguns deles têm sentido ou não é uma das saídas para não nos estagnarmos.
Trabalhe a sua autoestima: Pessoas com autoestima baixa tendem a deixar de realizar coisas por se achar incapazes. Já ouvi muitos que tinham ótimos sonhos ou projetos, mas que deixaram de realizar estas coisas por não se acharem capazes.
“Autoestima e confiança baixas apresentam uma relação íntima com o humor e a autoimagem, por isso é importante perceber que as crenças são somente opiniões, e não fatos. Elas podem ser tendenciosas ou inexatas, e há medidas que você pode adotar para mudá-las” (WALTON, 2014, p. 49)
Não se deixe dominar pela baixa autoestima, não jogue fora seus sonhos e realizações por achar que não é competente, tentar é sempre a melhor opção, errar tentando é sempre mais vantajosos do que não tentar e viver com o sentimento de que poderia ter feito algo. E acima de tudo, conheça seus pontos fortes e fracos e trabalhe para que você consiga mudar.
Preste atenção se as suas crenças são embasadas: Muito do modo como agimos vem de nossas crenças, como vemos o mundo ou como acreditamos que ele funciona, porém, nem sempre estas crenças estão certas ou bem fundamentadas, é por isso que precisamos estar sempre lendo, nos informando e duvidando de ensinos sem fundamentos:
“Conhecer os seus pontos fortes e fracos pode ser um grande passo rumo à confiança pessoal e a comunicação eficaz. Saber a sua posição e ter um conjunto claro de valores e crenças também são pré-requisitos para a confiança e o impacto” (WALTON, 2014, p. 52)
Você não imagina a quantidade de pessoas com potenciais que eu já conheci nesta minha caminhada acadêmica, alguns, com certeza, são mais inteligentes e capazes do que eu, porém estão estagnados, por não se conhecerem e se entregaram as suas crenças simplistas. Por isso reflita sobre o que você acredita e tente descobrir se o que você crê tem fundamento. E quando eu falo isso, não digo só sobre a sua teologia, mas também política, pontos de avista e por aí vai. São muitas explicações tendenciosas, são muitos ensinos que têm como propósito alienar e não libertar e ensinar. Não seja um repetidor de ideias, seja alguém que pensa, reflete sobre o assunto e duvida de teorias sem sentido
Quem é você? Às vezes conhecemos tanta coisa, mas não nos conhecemos, não entendemos nossos medos e sentimentos. Não viva no automático, aprenda a ter uma autoconsciência e cresça ao descobrir quem você é. Ao enfrentarmos nossos medos, pontuarmos nossos sonhos e gerenciarmos nossos defeitos, evoluímos.
Estes são alguns caminhos no qual tomei, não sou especialista, muito menos tenho um profundo conhecimento de causa, mas com algumas pesquisas, leituras e conselhos fui chegando a este denominador, preciso evoluir muito, eu sei, mas já estou melhor que ontem, acredito que a caminhada é lenta mesmo, mas o que importa é ser constante.
Leia este livro citado na bibliografia, procure mais materiais e ferramentas, pois existem muitas, mas não deixe de se conhecer.
BIBLIOGRAFIA
WALTON, David, Inteligência Emocional, Um guia prático, Editora L & PM Editores, Porto Alegre, 2016
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OLHOS ALTIVOS
Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos… (Provérbios 6:16,17) (NVI).
Há muitos anos trabalhei com um chefe que era o poço da arrogância, tratava a todos com estupidez, talvez por ter estudado fora do país ou por possuir alguns diplomas. O engraçado era que ele gostava de ser malvisto, de ser odiado, parecia que o seu prazer vinha de saber que todos não gostavam dele. O grande problema era que este chefe era muito competente, sabia realmente o que estava fazendo.
Nestes versículos de provérbios, o texto nos informa sobre seis coisas que Deus detesta e uma que Ele abomina. E a primeira da lista é “olhos altivos” ou arrogância, que segundo o dicionário significa:
“Prepotência; atitude de quem se sente superior aos demais ou da pessoa que assume um comportamento prepotente, desprezando os outros” (Dicio).
O arrogante atribui a si superioridade, se considera único, superior e acima de todos os outros. É por isso que ele não demora em humilhar, pisar e desprezar o seu próximo, pois ele não o considera igual. Em toda a comunidade cristã, bem sabemos que só há um superior, perfeito e poderoso, que é Deus, todos os outros são seres finitos, pequenos e dependentes Dele.
Gosto da história de José, escrita lá em Gênesis 37:3, por ele ter passado muitas dificuldades e superado tudo. Veja bem, ele foi vendido por seus irmãos, acusado de estupro, esquecido na cadeia após ajudar uma pessoa e pedir ajuda, onde por fim, interpretou um sonho que o levou a ter tanto poder no Egito que ele ficava abaixo apenas do faraó. O curioso é que o poder não subiu para a sua cabeça. Ele não ficou arrogante e continuou atribuindo suas bênçãos a Deus.
Conheço alguns que uma promoção no trabalho já os deixa altivos, ou um diploma na parede é o bastante para se sentirem acima de todos. Não estou falando que você deve caminhar por aí se sentindo um coitado, sem reconhecer seus talentos e o que sabe fazer bem. Estou falando do orgulho, em olhar o próximo de cima, desprezando a todos. É possível você ter um diploma e não se achar um “Deus” só porque possui um pedaço de papel. É possível você ter a consciência de ser inteligente, sem humilhar o próximo. Provérbios 16:18-19 diz:
“O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. Melhor é ter espírito humilde entre os oprimidos do que partilhar despojos com os orgulhosos” (NVI).
A vida cristã é feita de equilíbrio, você tem que ter em mente que, ao mesmo tempo que estas conquistas são boas, elas nos tiram do foco e nos derrubam. Por isso, abrir os olhos e observar nossas atitudes é o mínimo para não sermos um dos que Deus abomina.
Viver uma vida humilde é o cerne da mensagem cristã, o próprio Jesus nos deu o exemplo disso. Quando não praticamos a humildade, passamos longe do exemplo que Cristo nos deixou. Diante disso, temos que nos perguntar se realmente seguimos a Ele ou o nosso ponto de vista.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2005.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
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DEBATE E DISCUSSÃO
Eu gosto muito de um bom debate, a troca de ideias e de pontos de vista é fundamental para o nosso desenvolvimento. Crescemos muito defendendo o nosso ponto de vista, afinal, o debate faz com que possamos expor nossos argumentos e verificarmos se eles realmente são concisos. É em um debate que você vai perceber se está certo, ou se o seu argumento é incoerente, é defendendo o seu ponto de vista de forma honesta que você reafirmará sua crença, ou abandonará por perceber que seus argumentos são fracos. Porém, apesar de eu gostar de debates, eu raramente o faço, por perceber que a motivação da maioria dos debates não é a verdade e sim, defender um ponto de vista a qualquer custo. Na filosofia existem dois termos que nomeia quem quer fazer um debate em nome de se chegar à verdade, e quem quer apenas vencer uma discussão, os termos são erística e dialética:
“É importante distinguir a erística da dialética. Os que praticam a primeira só querem vencer, enquanto aos dialéticos tentam descobrir a verdade. Na realidade, trata-se da distinção entre debate e discussão” (RUSSEL, 2017, p.61).
Conheci muitos que sabiam ganhar uma discussão, eu mesmo já perdi alguns debates para quem dominava tal arte, mesmo eu tendo bons argumentos. Nem sempre quem ganha a discussão é alguém que tem razão, às vezes o indivíduo sabe apenas falar. Os sofistas eram os indivíduos que dominavam esta prática, eles acreditavam que a verdade era relativa e não eram amantes da investigação, enquanto os filósofos eram quem seguiam em busca da verdade:
“Embora os sofistas tenham desempenhado valioso papel no campo da educação, a sua visão filosófica foi hostil à investigação. Pois o seu ceticismo foi de desesperanças, uma atitude negativa frente ao problema do conhecimento. O resumo dessa posição é a famosa frase de Protágoras: ”O homem é a medida de todas as coisas, do ser daquilo que é, do não ser daquilo que não é”. Assim, a opinião de cada homem é verdadeira para ele, e as desavenças entre os homens não podem ser resolvidas com base na verdade. Portanto, não admira que o sofista Trasímaco defina a justiça como a vantagem do mais forte” (RUSSEL, 2017, p.61).
Concordo que a pesquisa e a investigação dá trabalho, não é fácil estudar, é mais fácil ficar vendo filmes o dia inteiro. Concordo também que algumas desavenças são difíceis e até impossíveis de se resolver. Somando isso ao fato que queremos sempre ter razão, a missão se torna quase impossível, contudo, o debate é importante, a busca por diálogo é fundamental para chegarmos à verdade, a leitura e o estudo é crucial para uma vida centrada.
São muitos erros por conta da falta de conhecimento, a ignorância e o orgulho têm fabricado discursos de ódio, segregação e exageros dos mais diversos, por isso, temos que reaprender a dialogar. Gosto de uma citação de Hesíodo que resume bem a importância de estar aberto a aprender, tirado do livro de Aristóteles: Ética a Nicômaco:
“Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas; Bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos. Mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse é em verdade, um homem inteiramente inútil” (2013, p. 12).
Se conhecer, saber quem somos de verdade, escutar o sensato, o justo em seus julgamentos e saber colher a sabedoria alheia, saber aprender, é o caminho para não sermos inúteis. Eu gosto da definição que o dicionário dá para inútil:
Desnecessário; sem utilidade; desprovido de serventia; que não serve para nada (Dicio)
E isso ninguém quer ser, apesar da preguiça que muitos têm de estudar. Por isso não seja como os sofistas, aprenda a ser humilde e reconhecer os pontos falhos em seus argumentos. O conhecimento vem de busca, a relevância vem quando encontramos nossas incoerências e nos dirigimos em busca da verdade, seja ela qual for.
Não tenha como prioridade ganhar uma discussão e sim, a de chegar à verdade. Ouça, preste atenção e pesquise. Esteja sempre aberto a duvidar e reavaliar seus pontos de vista. Nem sempre estaremos certos, ganha mais quem está aberto para o conhecimento.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora Martin Claret, 2013.
INÚTIL. In: DICIO, Dicionário online de português. Porto: 7 Graus, 2024. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/inutil>. Acesso em: 20/06/2018.
RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.
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NOVO TESTAMENTO: CORÍNTIOS
Poderíamos chamar a primeira epístola de Paulo aos Coríntios de “carta problema”, pois ela foi escrita com a finalidade de tratar uma infinidade de transtornos que aquela igreja passava. Muitos dos incômodos não são nada diferentes dos nossos, por isso que, é importante ler e estudá-la, pois ela contém algumas respostas e ensinos fundamentais para quem faz parte de uma comunidade cristã (RICHARDS, 2013, p. 969).
A carta foi provavelmente escrita por volta do ano 49 d. C. sendo que uma das provas disto é o texto de Atos 18:2 que conta como os colaboradores de Paulo, Priscila e Áquila, chegaram a esta cidade por conta da expulsão dos judeus de Roma através de um decreto do Imperador Cláudio. Fato este mencionado por Suetônio em seu escrito Vida do divinizado Cláudio (CHAMPLIN, 2014, p. 4).
Paulo foi o primeiro cristão a pregar em Corinto, na época colônia de Roma, sendo que antes era uma cidade da Grécia. Está cidade grega possuía uma história magnífica, mas havia sido destruída por Múmio em 146 a. C. por conta de um conflito com Roma. Sua reconstrução foi toda feita nos moldes das cidades romanas. A cidade era uma das mais importantes no quesito cultura e comércio, tinha muitas famílias abastadas sendo que a sua população com o tempo ficou maior que a de Atenas (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1746). Enfim, era uma verdadeira metrópole, com templos, conhecimento, cultura e muitos deuses:
“Era uma cidade de nível cultural elevado e os seus cidadão, como os de Atenas, adoravam muitos deuses. Entre eles, Afrodite é a mais conhecida” (CARSON; FRANCE; MOTYER; WENHAM, 2012, p. 1747).
Este povo tinha tudo, menos Deus, até que o evangelho chegou naquele local. Sobre Afrodite, Champlin pontua que:
“Estrabão (historiador, geógrafo e filósofo grego) revela-nos que havia mil prostitutas religiosas oficiais associadas aos cultos religiosos daquela cidade, que tinham por principais divindades a Mãe Suprema, Melcarte, Serápis, Ísis e Afrodite” (CHAMPLIN, 2013, p.907).
Por conta disso, inúmeros turistas visitavam a cidade a fim de “cultuar” com estas prostitutas religiosas. Não é interessante perceber como o evangelho não só nos aproxima de Deus, mas também traz dignidade as pessoas? As vezes me perguntam como podemos resumir o que é ser cristão? E eu respondo: é ser gente da maneira certa.
Sobre o conteúdo da carta a ênfase maior não é tanto a doutrina e sim a ética cristã. Nesta epístola, encontramos inúmeros problemas enfrentados por estes cristão e soluções para estes problemas.
Já a segunda carta é um pouco mais diferente do que a primeira. Pois nela, temos uma abordagem extremamente pessoal onde o apóstolo compartilha princípios e sentimentos no qual o autor acredita que a igreja deve estar fundamentada.
Como vimos na carta anterior, Paulo trabalhou muitas questões éticas, estas questões trouxeram a tona inúmeras reações. Alguns mudaram seus comportamentos, outros discordaram do ensino desafiando Paulo e a sua autoridade, acusaram-no de orgulho, excesso de confiança e de ser contraditório.
O objetivo principal da Epístola, entre outros ensinos, era tranquilizar aquela igreja e deixar claro que apesar de todas as acusações, ele confiava naquela igreja mesmo sendo imatura (RICHARDS, 2013, p. 1012-1013). Considero 2 Coríntios 2:1-11 lindo, é um trecho onde Paulo abre o coração, vale a pena ler.
A igreja de Corinto tinha inúmeros problemas, era imatura, dividida, com várias questões em aberto, mas Paulo se preocupava e não desistia daquela comunidade. Uma lição que os líderes das igrejas de nossos dias devem aprender.
Quando lemos estas duas epístolas vemos problemas semelhantes nas igrejas de hoje, o que evidencia o quanto o ser humano é previsível. O legal é que Paulo já dá respostas e saídas para estes problemas. Por isso que é importante lermos e conhecermos, pois ela é mais do que uma ferramenta, é um manual importante para a igreja cristã de nossos dias, dos dias antigos ou para as igrejas de qualquer tempo.
BIBLIOGRAFIA
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia Bíblica de Teologia e Filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
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E A CULPA É DE QUEM?
Li estes dias no Facebook a frase: Mesmo se Deus existisse, eu não o amaria, por conta das guerras, pedofilia e todo o caos no mundo. Na verdade eu me canso de ler isso, muitos atribuem o fato do mal existir, a Deus. Porque Ele não faz nada, porque a fome existe? Porque, porque?
É fácil culpar a Deus. É fácil olhar para o próximo passando fome e falar que é culpa de Deus. Para estas perguntas a minha resposta é sempre a mesma, por que Deus devia ajudar? Por que só lembramos de Deus quando não estamos bem?
Vivemos em um sociedade injusta, sociedade esta que o homem construiu, muitos têm pouco e poucos têm muito. O pobre passa necessidades nas filas de hospitais, enquanto ricos, fazem festas milionárias para seus cães. E a culpa é de Deus? Não sou contra o rico e nem acredito que todos deviam ficar pobres, mas nós (não só os ricos) devíamos aprender a olhar mais para o pobre e tentar brigar por justiça. Pois cabe a nós arregaçarmos a manga e sermos diferentes. E eu ainda vou mais longe, acredito que um dia vamos ser cobrados por isso.
Certo dia um amigo, depois de ouvir a notícia de alguns atentados terroristas no oriente médio, me perguntou: Onde estava Deus, enquanto este monte de gente inocente morria? Eu respondi. Levantando voluntários, missionários, para trabalhar nestes lugares, onde a injustiça e pobreza reinam. Pois esta é a nossa missão, Deus não vai fazer algo que cabe a nós fazer. O grande problema é que queremos colocar a culpa em Deus das guerras da sociedade injusta e dos conflitos que nós mesmos construímos, mas não queremos arregaçar a manga para mudar a situação.
O mundo é injusto porque é um reflexo do ser humano, o mundo é pobre porque o homem é egoísta, as pessoas sofrem porque poucos querem ajudar os muitos e muitos culpam Deus pelas injustiças dos homens. Aí você me pergunta, porque Deus não faz nada para mudar tudo? Ele já fez, Deus enviou seu filho para morrer por nós, para que nos arrependamos de nossas atitudes destrutivas e olhemos para Ele. Este caos é o resultado de quem somos, estas injustiças todas são apenas reflexos da humanidade falha. Por isso nós fomos chamados para divulgar a paz, para que Cristo reine em nossa vida e tudo mude. John Stott fala algo interessante sobre o sofrimento:
O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, pg. 67)
Servimos um Deus que nos compreende, adoramos a um Deus que também sofreu e nos chama ao arrependimento, para que a sua paz reine em nossa vida no lugar do caos. Lewis falou algo interessante sobre este nosso caos:
Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele. (LEWIS, 1986, pg. 70)
Só existe um único ser realmente bom e este é Deus, só existe uma explicação para todo este caos, “é uma falta de Deus”. Por isso que a presença d’Ele é fundamental para a esperança no mundo e para que através d’Ele tudo mude.
BIBLIOGRAFIA
LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Uma viagem Fantástica do Inferno Para as Proximidades do Céu, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 1986
STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004
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CONFORMISMO: O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA: AUGUSTO CURY
Augusto Cury no livro: O código da inteligência discorre sobre “quatro armadilhas da mente”, acho interessante entendermos estas armadilhas para que possamos seguir crescendo como pessoa. E o conformismo é a primeira armadilha.
“O conformismo é a arte de se acomodar, de não reagir e de aceitar passivamente as dificuldades psíquicas, os eventos sociais e as barreiras físicas” (CURY, 2008, p. 43).
O conformismo deixa o homem estagnado, conformado com os seus problemas e fracassos. Nem tudo dá certo na primeira hora, às vezes batalhar e procurar se superar é importante para que consigamos realizar algo que queremos muito.
“O conformista é inerte e mentalmente preguiçoso, pelo menos na área em que se considera incapaz, inábil. Não exerce suas escolhas por medo de assumir riscos. Não expande seu espaço por medo da crítica. Prefere ser vítima a agente modificador da sua história” (CURY, 2008, p. 45).
O que me faz lembrar da história de Kyle Tomlinson, um jovem cantor inglês que não se conformou, após ser reprovado em um concurso de calouros e ouvir até que precisava de um professor. Voltou ao mesmo concurso, após se preparar, pegar aulas, evoluir, e mostrou que conseguia cantar. Ele se superou e chegou nas semifinais do concurso.
O capítulo deste livro é realmente muito emocionante, me faz lembrar de todas as minhas dificuldades, o quanto tive que me superar, tentar e tentar até conseguir o que queria. Gosto de como Augusto Cury termina o capítulo deste livro:
“Os conformistas são os reis das desculpas. Sempre têm justificativas para não atuar, não terminar, não exercitar seu intelecto. Raramente duvidam daquilo que os controla e proclamam: “Não concordo comigo mesmo! Não aceito este destino!”Claro que há fatalidades que não dependem de nós e sobre as quais não temos controle. Devemos aceitá-las com humildade e serenidade, mas no que depender de nós, jamais deveríamos nos isentar de agir” (CURY, 2008, p. 47).
Eu sei o quanto é difícil ouvir um não, ou ver as coisas darem errado, mas não podemos nos entregar. Lute, tente, aprenda com os erros e se levante. Se entregar não é a saída. Não se conforme com a primeira derrocada o inconformado é o que chega lá.
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto, O Código da Inteligência, A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2008.
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O SERMÃO DO MONTE PT 20: NÃO JULGUEIS
“Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Referência: Mateus 7:1-5) (NVI).
Este versículo é constantemente mal interpretado. Eu tenho ouvido muitas pessoas falarem que não podemos julgar, o que é um erro, pois não é o que o texto diz. E para que você entenda bem, aconselho a ler a perícope (assunto) inteira, que vai do versículo 1 ao 5.
O texto começa falando não julguem, mas ele não para por aí. E o texto não faz alusão a todos os tipos de julgamentos e sim, a pessoa que julga de modo repreensivo e injusto. Mais uma vez o texto faz uma referência ao modo hipócrita e sem amor de julgar dos fariseus (CHAMPLIN, 2013, p. 334). Rienecker explica que:
“A que se refere o Senhor com o “julgar” que é condenável? Ele se refere à atitude condenável de julgar sem amor, a qual ocorre com especial facilidade pelas costas do próximo. E qual é em geral o motivo do julgamento frio e da condenação pelas costas? É a nossa satisfação malévola secreta com a desgraça do próximo” (RIENECKER, 2012, p.114-115).
Jesus julgou os fariseus várias vezes, a Bíblia nos manda examinar, julgar e precaver-nos. No evangelho de João, Cristo diz algo importante enquanto alguns judeus procuravam uma brecha para matá-lo:
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24) (ACF).
Inúmeras passagem da Bíblia nos convida a julgar (Lc 7:43, 12:57, 1Co 10:15), mas o que ela nos proíbe é fazer isso sem amor, de maneira hipócrita, tal qual os fariseus. E sobre esta passagem, Eugene Peterson na Bíblia A Mensagem, parafraseia este texto de forma genial:
“Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue. É fácil ver uma mancha no rosto do próximo e esquecer-se do feio riso de escárnio no próprio rosto. Vocês têm o cinismo de dizer: ‘Deixe-me limpar o seu rosto’, quando o rosto de vocês está distorcido pelo desprezo? Isso também é teatro, é fazer o jogo do ‘sou mais santo que você’, em vez de simplesmente viver a vida. Tire o cinismo do rosto e, então, você poderá oferecer uma toalha ao seu próximo, para que ele também limpe o rosto” (2012, p. 1386).
A falta de amor com o próximo, à hipocrisia crônica que muitas vezes gruda em nossa vida faz-nos ver o próximo sem amor e julgarmos suas atitudes como se estivéssemos isentos de cair no mesmo erro.
Eu gosto de um filme chamado: Galera do Mal. O filme relata a hipocrisia que às vezes vemos em igrejas e escolas. Uma das garotas, que era vista como santinha, era uma baita hipócrita, condenava os outros, mas fazia tudo apenas para aparecer e pagar de santinha. No fim do filme, a sua máscara cai e todos veem quem ela realmente era e é este o destino dos hipócritas.
Somos farinha do mesmo saco, sujeito a erros e derrapadas, quando nos esquecemos disso acabamos nos fazendo de perversos. Julgue, medite, pondere, não engula qualquer coisa. Temos que ter censo crítico, pé no chão e olhos bem abertos. Porém, quando ver o próximo cair, seja como o bom samaritano (Lucas 10:25-37), demore em julgar, procure mais agir. E acima de tudo, quando for exortar alguém, corrigir algum erro, que o amor se faça presente, não faça nada visando vangloria e sim, o apoio e ajuda ao próximo.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012.
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OS DESAFIOS DE UMA MENTE CRIATIVA
Me identifiquei com o Augusto Cury quando ele contou, no livro Inteligência emocional, como ele era na escola, visto que, eu tive um problema parecido com o dele que desde novo me perseguiu. Eu não conseguia prestar atenção por muito tempo em um professor e dependendo do assunto, eu custava a conseguir focar mesmo se o professor fosse bom. Quando novo isso me prejudicou, fui chamado de relaxado e muitas coisas mais. Minha autoestima ficava lá no chão, não me sentia capaz de fazer coisa alguma além de ser o exemplo negativo na sala de aula. Resumindo, eu era o imprestável e a professora me lembrava disso quase todos os dias, afirmando que eu não servia para nada. O desafio foi aprender a lidar com tudo o que eu ouvi quando cheguei na idade adulta, pois certas palavras nos acompanham, pode ter certeza disso.
O pior (ou o melhor) era que eu sempre tive uma mente criativa, eu viajava em sonhos e planos em uma sala de aula que nos fazia apenas repetir e decorar ideias. Não que eu ache que decorar seja uma coisa totalmente má, mas ensinar não é só isso, é fazer a criança pensar, desenvolver sua criatividade e descobrir seu talento. O que me faz lembrar de uma passagem do livro do Roger Scruton onde ele fala justamente deste assunto:
“Uma dose de realismo teria relembrado as pessoas de que os seres humanos são diferentes, e que uma criança pode fracassar em uma coisa e ter êxito em outra. Somente um sistema educacional diverso, com exames bem concebidos e rigorosos, fará com que as crianças encontrem o conhecimento, a experiência ou a vocação que sirvam às suas habilidades” (SCRUTON, 2015, p. 89).
Entender como toda a criança aprende e compreender seus dons, inspirações e dificuldades é o principio para gerarmos adultos confiantes, seguros de suas capacidades e do que precisam melhorar. Cada um tem o seu dom, cada ser humano tem suas facilidades e dificuldades, o papel da escola é justamente descobrir isso na criança, e incentivar para que ela cresça. Eu sei que a inteligência não é algo distribuído de forma igualitária, alguns são mais inteligentes do que os outros, normal, mas eu também sei que cada um tem um dom ou uma facilidade, basta descobrir e investir nesta determinada área.
Basicamente existem 7 tipos de inteligência, segundo o psicólogo Howard Gardner, a inteligência linguística, lógica, motora, espacial, musical, interpessoal e a intrapessoal. Eu não sou psicólogo e muito menos pretendo abordar de forma detalhada este assunto, mas sim, ao longo do tempo percebi como alguns têm a inteligência para aprender certas coisas e são péssimos em outros assuntos, e nem por isso são indivíduos que não possuem inteligência.
Hoje eu sou músico, descobri o meu dom quando com 13 anos de idade aprendi a tocar bateria vendo o meu irmão tocar, já gravei alguns CDs e EPs e fiz muitos shows. Em contra partida eu também escrevo muito, uma facilidade que eu não possuía, mas que eu consegui desenvolver quando adulto com muitas tentativas, estudos e erros. O erro é um ótimo professor, o fracasso ensina muitas coisas, o segredo é persistir e continuar firme. Eu acredito que com dedicação conseguimos aprender qualquer coisa, mas sim, alguns têm mais facilidade para certas áreas, basta você descobrir a sua.
Eu também consegui, depois de adulto, controlar a minha atenção, eu sei bem que perco o foco rápido e fico enfastiado numa velocidade impressionante. Como estou sempre pensando, sempre tendo ideias e divagações, preciso constantemente me manter alerta para não perder a aula ou um conteúdo de algum curso.
Creio que tive algumas dificuldades para lidar com estes fantasmas, mas não é impossível vencê-los. Não importa o que fizeram com você, como a frase atribuída a Sartre diz, e sim, o que você faz com aquilo que fizeram com você. Está em suas mãos se entregar, cair no coitadismo e se lamentar ou talvez, arregaçar as mangas e tentar. Descubra quem você é, qual é o seu dom ou inteligência, mas também tente algo novo, algo que seja desafiador e diferente. É assim que nos desenvolvemos e crescemos, é desta forma que sem querer acabamos por desenvolver áreas que antes achávamos impossível desenvolver.
BIBLIOGRAFIA
CURY, Augusto. O código da inteligência: A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson Brasil, 2008.
SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo: e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações, 2015.
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APRENDENDO A PENSAR
Engana-se quem acha que o estudo e o conhecimento muda o mundo. Penso ser um erro tremendo achar que um diploma produz seres pensantes, que raciocinam e têm uma vida relevante. É claro que fazer uma faculdade ajuda, abre a nossa cabeça, é evidente que uma pessoa com um diploma tem muitas portas abertas, mais do que quem não tem. Mas isso não quer dizer que quem tem um canudo sabe pensar, sabe sair do comum e enxergar as contradições da vida.
Tenho conhecido muita gente doutrinada nesta minha caminhada acadêmica, pessoas que não raciocinam, não enxergam o contraditório, que aceitam qualquer coisa sem questionar quando preciso, e o pior, tenho conhecido muitos professores que o seu intuito é doutrinar, e não ensinar pessoas a pensar. Bertrand Russell resume bem qual é o verdadeiro papel do professor:
“O papel do professor é de orientador, de levar o aluno a ver por si mesmo” (RUSSELL, 2017,p. 84).
O professor não é aquele que empurra ideias, que ensina conceitos apenas, mas que ensina a pensar.
Eu tive um professor de filosofia que sempre que nos perguntava o porquê acreditamos na coisa que acreditamos quando esboçávamos nossa opinião, fazia com que resumíssemos de onde tínhamos tirado tal conceito e o porquê. Tal atitude tinha o propósito de nos mostrar como muitas coisas no qual acreditávamos vinha de teorias furadas, de ideias sem conceito e coesão. Duvidar, rever nossas crenças, ter fundamento no que acreditamos é o caminho para ser um pensador. Em contrapartida, o doutrinado não questiona, não vê os erros e incoerências nas crenças e ideias no qual ele acredita. Bertrand Russell acrescenta de forma perfeita quem sabe pensar independentemente:
“Mas aprender a pensar independentemente não é habilidade que venha de uma só vez. Precisa ser adquirida à custa de esforço pessoal e com a ajuda de um mentor que possa dirigir esses esforços. Esse é o método de pesquisa sob supervisão, tal como o conhecemos hoje nas nossas universidades. Pode-se afirmar que uma instituição acadêmica cumpre a sua função própria à medida que inculca hábitos mentais independentes e um espírito de investigação isento das tendências e dos preconceitos do momento. Quando a universidade falha nessa tarefa, desce para o nível da doutrinação” (RUSSELL, 2017,p. 84).
Eu tenho conversado com muitos doutrinados, tenho vistos muitos com a mente calcificada que não conseguem ouvir, nem pensar fora da caixinha no qual ele foi condicionado.
Sou muito grato por ter conhecido em minha jornada acadêmica inúmeros professores que me ensinaram a pensar. Sou grato por todos os que me questionaram e me ensinaram a ver minhas inconsistências. Se sou o que sou é por conta deles e do extremo zelo pelo ensino e pelo pensar.
Penso que tudo começa na humildade, entender que não sabemos de tudo é um dos segredos da caminhada para a relevância. A humildade também nos faz aprender em qualquer situação, nos ensina que todos têm um pouco para nos ensinar, aprende quem está aberto para o conhecimento. Mas não é só isso, para que consigamos aprender a pensar temos que ter conteúdo, buscar informação e leitura. Enxerga pouco quem pouco lê, opina de modo simplista quem não tem conhecimento e repertório. Conhecer bons autores ou ter lido alguns dos principais livros é o caminho básico para aprendermos a pensar.
A terceira coisa que um pensador tem é a dúvida, é importante duvidarmos de tudo e tentar enxergar as questões por todos os ângulos. Existe sempre o outro lado, a opinião oposta, a tese e a antítese, opina melhor quem conhece os dois lados.
A última coisa é a dedicação, afinal, conhecimento não surge do nada, um pensador não é forjado com preguiça e desleixo. É importante estudar, separar tempo e arregaçaras mangas para que consigamos crescer como pessoa. Aprender a pensar é tarefa árdua, ter uma vida relevante vem apenas com muito esforço e tempo gasto com livros e estudos.
BIBLIOGRAFIA
RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.
