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  • CONFORMISMO: O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA: AUGUSTO CURY

    Augusto Cury no livro: O código da inteligência discorre sobre “quatro armadilhas da mente”, acho interessante entendermos estas armadilhas para que possamos seguir crescendo como pessoa. E o conformismo é a primeira armadilha.

    “O conformismo é a arte de se acomodar, de não reagir e de aceitar passivamente as dificuldades psíquicas, os eventos sociais e as barreiras físicas” (CURY, 2008, p. 43).

    O conformismo deixa o homem estagnado, conformado com os seus problemas e fracassos. Nem tudo dá certo na primeira hora, às vezes batalhar e procurar se superar é importante para que consigamos realizar algo que queremos muito.

    “O conformista é inerte e mentalmente preguiçoso, pelo menos na área em que se considera incapaz, inábil. Não exerce suas escolhas por medo de assumir riscos. Não expande seu espaço por medo da crítica. Prefere ser vítima a agente modificador da sua história” (CURY, 2008, p. 45).

    O que me faz lembrar da história de Kyle Tomlinson, um jovem cantor inglês que não se conformou, após ser reprovado em um concurso de calouros e ouvir até que precisava de um professor. Voltou ao mesmo concurso, após se preparar, pegar aulas, evoluir, e mostrou que conseguia cantar. Ele se superou e chegou nas semifinais do concurso.

    O capítulo deste livro é realmente muito emocionante, me faz lembrar de todas as minhas dificuldades, o quanto tive que me superar, tentar e tentar até conseguir o que queria. Gosto de como Augusto Cury termina o capítulo deste livro:

    Os conformistas são os reis das desculpas. Sempre têm justificativas para não atuar, não terminar, não exercitar seu intelecto. Raramente duvidam daquilo que os controla e proclamam: “Não concordo comigo mesmo! Não aceito este destino!”Claro que há fatalidades que não dependem de nós e sobre as quais não temos controle. Devemos aceitá-las com humildade e serenidade, mas no que depender de nós, jamais deveríamos nos isentar de agir” (CURY, 2008, p. 47).

     Eu sei o quanto é difícil ouvir um não, ou ver as coisas darem errado, mas não podemos nos entregar. Lute, tente, aprenda com os erros e se levante. Se entregar não é a saída. Não se conforme com a primeira derrocada o inconformado é o que chega lá.

    BIBLIOGRAFIA

    CURY, Augusto, O Código da Inteligência, A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2008.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 20: NÃO JULGUEIS

    “Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Referência: Mateus 7:1-5) (NVI). 

    Este versículo é constantemente mal interpretado. Eu tenho ouvido muitas pessoas falarem que não podemos julgar, o que é um erro, pois não é o que o texto diz. E para que você entenda bem, aconselho a ler a perícope (assunto) inteira, que vai do versículo 1 ao 5.

    O texto começa falando não julguem, mas ele não para por aí. E o texto não faz alusão a todos os tipos de julgamentos e sim, a pessoa que julga de modo repreensivo e injusto. Mais uma vez o texto faz uma referência ao modo hipócrita e sem amor de julgar dos fariseus (CHAMPLIN, 2013, p. 334). Rienecker explica que:

    “A que se refere o Senhor com o “julgar” que é condenável? Ele se refere à atitude condenável de julgar sem amor, a qual ocorre com especial facilidade pelas costas do próximo. E qual é em geral o motivo do julgamento frio e da condenação pelas costas? É a nossa satisfação malévola secreta com a desgraça do próximo” (RIENECKER, 2012, p.114-115).

    Jesus julgou os fariseus várias vezes, a Bíblia nos manda examinar, julgar e precaver-nos. No evangelho de João, Cristo diz algo importante enquanto alguns judeus procuravam uma brecha para matá-lo:

     “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24) (ACF). 

    Inúmeras passagem da Bíblia nos convida a julgar (Lc 7:43, 12:57, 1Co 10:15), mas o que ela nos proíbe é fazer isso sem amor, de maneira hipócrita, tal qual os fariseus. E sobre esta passagem, Eugene Peterson na Bíblia A Mensagem, parafraseia este texto de forma genial:

    “Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue. É fácil ver uma mancha no rosto do próximo e esquecer-se do feio riso de escárnio no próprio rosto. Vocês têm o cinismo de dizer: ‘Deixe-me limpar o seu rosto’, quando o rosto de vocês está distorcido pelo desprezo? Isso também é teatro, é fazer o jogo do ‘sou mais santo que você’, em vez de simplesmente viver a vida. Tire o cinismo do rosto e, então, você poderá oferecer uma toalha ao seu próximo, para que ele também limpe o rosto” (2012, p. 1386).

    A falta de amor com o próximo, à hipocrisia crônica que muitas vezes gruda em nossa vida faz-nos ver o próximo sem amor e julgarmos suas atitudes como se estivéssemos isentos de cair no mesmo erro.

    Eu gosto de um filme chamado: Galera do Mal. O filme relata a hipocrisia que às vezes vemos em igrejas e escolas. Uma das garotas, que era vista como santinha, era uma baita hipócrita, condenava os outros, mas fazia tudo apenas para aparecer e pagar de santinha. No fim do filme, a sua máscara cai e todos veem quem ela realmente era e é este o destino dos hipócritas.

    Somos farinha do mesmo saco, sujeito a erros e derrapadas, quando nos esquecemos disso acabamos nos fazendo de perversos. Julgue, medite, pondere, não engula qualquer coisa. Temos que ter censo crítico, pé no chão e olhos bem abertos. Porém, quando ver o próximo cair, seja como o bom samaritano (Lucas 10:25-37), demore em julgar, procure mais agir. E acima de tudo, quando for exortar alguém, corrigir algum erro, que o amor se faça presente, não faça nada visando vangloria e sim, o apoio e ajuda ao próximo.

    BIBLIOGRAFIA

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012.

  • OS DESAFIOS DE UMA MENTE CRIATIVA

    Me identifiquei com o Augusto Cury quando ele contou, no livro Inteligência emocional, como ele era na escola, visto que, eu tive um problema parecido com o dele que desde novo me perseguiu. Eu não conseguia prestar atenção por muito tempo em um professor e dependendo do assunto, eu custava a conseguir focar mesmo se o professor fosse bom. Quando novo isso me prejudicou,  fui chamado de relaxado e muitas coisas mais. Minha autoestima ficava lá no chão, não me sentia capaz de fazer coisa alguma além de ser o exemplo negativo na sala de aula. Resumindo, eu era o imprestável e a professora me lembrava disso quase todos os dias, afirmando que eu não servia para nada. O desafio foi aprender a lidar com tudo o que eu ouvi quando cheguei na idade adulta, pois certas palavras nos acompanham, pode ter certeza disso.

    O pior (ou o melhor) era que eu sempre tive uma mente criativa, eu viajava em sonhos e planos em uma sala de aula que nos fazia apenas repetir e decorar ideias. Não que eu ache que decorar seja uma coisa totalmente má, mas ensinar não é só isso, é fazer a criança pensar, desenvolver sua criatividade e descobrir seu talento. O que me faz lembrar de uma passagem do livro do Roger Scruton onde ele fala justamente deste assunto:

    “Uma dose de realismo teria relembrado as pessoas de que os seres humanos são diferentes, e que uma criança pode fracassar em uma coisa e ter êxito em outra. Somente um sistema educacional diverso, com exames bem concebidos e rigorosos, fará com que as crianças encontrem o conhecimento, a experiência ou a vocação que sirvam às suas habilidades” (SCRUTON, 2015, p. 89).

    Entender como toda a criança aprende e compreender seus dons, inspirações e dificuldades é o principio para gerarmos adultos confiantes, seguros de suas capacidades e do que precisam melhorar. Cada um tem o seu dom, cada ser humano tem suas facilidades e dificuldades, o papel da escola é justamente descobrir isso na criança, e incentivar para que ela cresça. Eu sei que a inteligência não é algo distribuído de forma igualitária, alguns são mais inteligentes do que os outros, normal, mas eu também sei que cada um tem um dom ou uma facilidade, basta descobrir e investir nesta determinada área.

    Basicamente existem 7 tipos de inteligência, segundo o psicólogo Howard Gardner, a inteligência linguística, lógica, motora, espacial, musical, interpessoal e a intrapessoal. Eu não sou psicólogo e muito menos pretendo abordar de forma detalhada este assunto, mas sim, ao longo do tempo percebi como alguns têm a inteligência para aprender certas coisas e são péssimos em outros assuntos, e nem por isso são indivíduos que não possuem inteligência.

    Hoje eu sou músico, descobri o meu dom quando com 13 anos de idade aprendi a tocar bateria vendo o meu irmão tocar, já gravei alguns CDs e EPs e fiz muitos shows. Em contra partida eu também escrevo muito, uma facilidade que eu não possuía, mas que eu consegui desenvolver quando adulto com muitas tentativas, estudos e erros. O erro é um ótimo professor, o fracasso ensina muitas coisas, o segredo é persistir e continuar firme. Eu acredito que com dedicação conseguimos aprender qualquer coisa, mas sim, alguns têm mais facilidade para certas áreas, basta você descobrir a sua.

     Eu também consegui, depois de adulto, controlar a minha atenção, eu sei bem que perco o foco rápido e fico enfastiado numa velocidade impressionante. Como estou sempre pensando, sempre tendo ideias e divagações, preciso constantemente me manter alerta para não perder a aula ou um conteúdo de algum curso.

    Creio que tive algumas dificuldades para lidar com estes fantasmas, mas não é impossível vencê-los. Não importa o que fizeram com você, como a frase atribuída a Sartre diz, e sim, o que você faz com aquilo que fizeram com você. Está em suas mãos se entregar, cair no coitadismo e se lamentar ou talvez, arregaçar as mangas e tentar. Descubra quem você é, qual é o seu dom ou inteligência, mas também tente algo novo, algo que seja desafiador e diferente. É assim que nos desenvolvemos e crescemos, é desta forma que sem querer acabamos por desenvolver áreas que antes achávamos impossível desenvolver.

    BIBLIOGRAFIA

    CURY, Augusto. O código da inteligência: A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson Brasil, 2008.

    SCRUTON, Roger. As vantagens do pessimismo: e o perigo da falsa esperança. São Paulo: É Realizações, 2015.

  • APRENDENDO A PENSAR

    Engana-se quem acha que o estudo e o conhecimento muda o mundo. Penso ser um erro tremendo achar que um diploma produz seres pensantes, que raciocinam e têm uma vida relevante. É claro que fazer uma faculdade ajuda, abre a nossa cabeça, é evidente que uma pessoa com um diploma tem muitas portas abertas, mais do que quem não tem. Mas isso não quer dizer que quem tem um canudo sabe pensar, sabe sair do comum e enxergar as contradições da vida.

    Tenho conhecido muita gente doutrinada nesta minha caminhada acadêmica, pessoas que não raciocinam, não enxergam o contraditório, que aceitam qualquer coisa sem questionar quando preciso, e o pior, tenho conhecido muitos professores que o seu intuito é doutrinar, e não ensinar pessoas a pensar. Bertrand Russell resume bem qual é o verdadeiro papel do professor:

    “O papel do professor é de orientador, de levar o aluno a ver por si mesmo” (RUSSELL, 2017,p. 84).

    O professor não é aquele que empurra ideias, que ensina conceitos apenas, mas que ensina a pensar.

    Eu tive um professor de filosofia que sempre que nos perguntava o porquê acreditamos na coisa que acreditamos quando esboçávamos nossa opinião, fazia com que resumíssemos de onde tínhamos tirado tal conceito e o porquê. Tal atitude tinha o propósito de nos mostrar como muitas coisas no qual acreditávamos vinha de teorias furadas, de ideias sem conceito e coesão. Duvidar, rever nossas crenças, ter fundamento no que acreditamos é o caminho para ser um pensador. Em contrapartida, o doutrinado não questiona, não vê os erros e incoerências nas crenças e ideias no qual ele acredita. Bertrand Russell acrescenta de forma perfeita quem sabe pensar independentemente:

    “Mas aprender a pensar independentemente não é habilidade que venha de uma só vez. Precisa ser adquirida à custa de esforço pessoal e com a ajuda de um mentor que possa dirigir esses esforços. Esse é o método de pesquisa sob supervisão, tal como o conhecemos hoje nas nossas universidades. Pode-se afirmar que uma instituição acadêmica cumpre a sua função própria à medida que inculca hábitos mentais independentes e um espírito de investigação isento das tendências e dos preconceitos do momento. Quando a universidade falha nessa tarefa, desce para o nível da doutrinação” (RUSSELL, 2017,p. 84).

    Eu tenho conversado com muitos doutrinados, tenho vistos muitos com a mente calcificada que não conseguem ouvir, nem pensar fora da caixinha no qual ele foi condicionado.

    Sou muito grato por ter conhecido em minha jornada acadêmica inúmeros professores que me ensinaram a pensar. Sou grato por todos os que me questionaram e me ensinaram a ver minhas inconsistências. Se sou o que sou é por conta deles e do extremo zelo pelo ensino e pelo pensar.

    Penso que tudo começa na humildade, entender que não sabemos de tudo é um dos segredos da caminhada para a relevância. A humildade também nos faz aprender em qualquer situação, nos ensina que todos têm um pouco para nos ensinar, aprende quem está aberto para o conhecimento. Mas não é só isso, para que consigamos aprender a pensar temos que ter conteúdo, buscar informação e leitura. Enxerga pouco quem pouco lê, opina de modo simplista quem não tem conhecimento e repertório. Conhecer bons autores ou ter lido alguns dos principais livros é o caminho básico para aprendermos a pensar.

    A terceira coisa que um pensador tem é a dúvida, é importante duvidarmos de tudo e tentar enxergar as questões por todos os ângulos. Existe sempre o outro lado, a opinião oposta, a tese e a antítese, opina melhor quem conhece os dois lados.

    A última coisa é a dedicação, afinal, conhecimento não surge do nada, um pensador não é forjado com preguiça e desleixo. É importante estudar, separar tempo e arregaçaras mangas para que consigamos crescer como pessoa. Aprender a pensar é tarefa árdua, ter uma vida relevante vem apenas com muito esforço e tempo gasto com livros e estudos.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 19: ANSIEDADE

    “Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” (Referência: MT 6:25-34) (NVI). 

    Não é coincidência que este texto venha logo após o aviso de que é impossível ter dois senhores, Deus e o dinheiro. Pois este texto é a continuação ao aviso, e se estende a quem se preocupa demais com o vil metal.

     O texto que vai do versículo 25 ao 34, começa falando para não nos preocuparmos. O texto não fala não trabalhe, ou fique de braços cruzados, ele fala não se preocupe. Ou conforme algumas traduções como a Almeida Século 21: Não fiqueis ansiosos. Que vem de uma raiz grega e significa distrair (CHAMPLIN, 2013, p. 331).

    Confesso que quando eu escrevi este texto e estudei esta passagem estava desempregado e prestes a me casar. A frase não fiqueis ansiosos, não caía bem para quem tem contas e não tem um trabalho.  Estamos em um período econômico complicado, onde ficar desempregado não é algo tão legal assim. Mas o texto diz para não nos distrairmos com isso, as coisas do mundo são distrações que tiram o propósito da nossa vida, o real foco, nossa verdadeira missão.

    Afinal, quem é que alimenta as aves do céu? (v. 26) Quem é que consegue acrescentar algum tempo de vida, por conta de sua preocupação? (v. 27). Deus cuida de nós, é Deus que provê a todos, por isso que, se preocupar é uma bobagem. É claro que é muito normal, principalmente se somos pais de família, mas a Bíblia nos convida a confiar em Deus.

     “Viver o reino significa deixar nossa vida aos cuidados do Pai, a fim de que possamos nos concentrar no que realmente importa, buscando “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”” (RICHARDS, 2013, p. 632).

    O interessante é que o texto fecha com chave de ouro alguns importante assuntos abordados em versículos passados. Não junte tesouros terrenos (v. 19), aprenda a olhar para a luz (v. 22), ninguém pode servir a dois senhores (v. 24). Encerrando o tema falando quem realmente provê e a quem devemos ter como prioridade.

    No começo do texto eu falei que estava desempregado, em meio a este período de crise e prestes a casar. O que eu não falei é que eu não estava preocupado. Não porque eu me achava melhor do que os outros, mas porque nesta minha caminhada aprendi a confiar em Deus. É Ele que nos supre, é Ele que cuida de nós, e mesmo em meio a lutas, Ele sempre provê a saída e nunca nos deixa na mão, sendo que, no fim, deu tudo certo, consegui um emprego e estou seguindo bem, graças a Deus. Confiar é largar o controle e ter a certeza de que no fim dependemos apenas dele.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

  • BRASIL POLIFÔNICO – DAVI LAGO

     

    Estamos em ano de eleição e em meio a uma crise que afeta a todos os setores da sociedade. Diante deste cenário, nada mais lógico do que procurarmos ferramentas, livros e materiais com o propósito de fazer com que o nosso senso crítico se aprimore ainda mais. É importante termos uma visão ampla do assunto, entendendo os problemas e desafios sem deixar de olhar para a história, nos lembrando dos erros e acertos e aprendendo com eles, para que possamos mudar, sendo que é com este viés que o ótimo livro tem o seu início.

    O autor começa a sua obra olhando para o passado, nos mostrando como crises sempre fizeram parte da nossa vida. Ele também nos lembra como a tecnologia avançou com uma rapidez incrível, culminando em uma sociedade hipercomplexa e intensa. A contradição é que quanto mais temos informação, mais estamos perdidos e desinformados.

    O livro continua e fala dos evangélicos e a política, sobre direitos humanos, liberdade religiosa e laicidade. Tudo regado a bons argumentos e ótimas reflexões. Aproveito para destacar a ênfase que o autor dá sobre o tema “tolerância e razão” no capítulo 4, o argumento é ótimo e bem lúcido. E também o capítulo 5 que fala sobre liberdade religiosa e laicidade. O autor fez realmente a lição de casa e construiu um belo panorama histórico sobre o tema

    Brasil Polifônico é mais que um livro de críticas, é uma ferramenta que visa produzir um senso crítico, informação e insights com a finalidade de construirmos um Brasil melhor. Enfim, é uma bela obra, vale a leitura.

     

    Editora Mundo Cristão, 208 páginas

  • LIÇÕES QUE APRENDI COM A MINHA BANDA

    Fui líder e principal compositor de uma banda chamada Hawthorn. Foram mais de dez anos, dois CDs e dois EPs gravados e muitos shows pelos inúmeros cantos deste nosso Brasil. Todavia, não é fácil ter uma banda, investir dinheiro em um gênero que não dá retorno, não é para todos. Conviver nem sempre é fácil e onde tem pessoas têm conflitos, nunca se esqueça disso. Mas apesar dos problemas, existem sempre lições que levamos para a vida toda, seguem-se algumas que eu guardei para a minha caminhada.

    Nem sempre o que fazemos agrada o próximo: Esta é uma das verdades que eu nunca mais esqueci. Muitas vezes eu passava dias compondo, escrevendo, trabalhando em músicas, para depois ninguém gostar. Normal, ninguém é obrigado a gostar, cada um tem o seu gosto e muitas vezes é impossível compor algo que agrade a todos. Contudo, esta situação que na época não era fácil enfrentar, me fortaleceu, me obrigou a aprender a lidar com críticas, que na época eu não sabia lidar. Foram momentos no qual tive que me conhecer, lidar com meus defeitos e evoluir na marra. Hoje uma crítica negativa não me atinge da forma como atingia, eu sei muito bem como lidar com ela e usá-la para crescer e progredir.

    Cada um tem a sua velocidade: Esta foi à segunda lição que aprendi, uma das lições mais difíceis, pois eu sou um cara muito motivado, quando entro em uma empreitada costumo vestir a camisa de um projeto e dedicar todo o tempo que eu posso para ver ele acontecer. Mas nem todos são assim, alguns são mais lentos e não tem a mesma motivação. Penso que é aí que o papel do líder vai determinar o bom andamento. Pois além de respeitar a velocidade de cada pessoa envolvida, ele tem que cuidar para que os membros possam ter uma velocidade parecida. Pois algumas vezes a lentidão desanima os outros participantes do grupo. 

    Liderar é delegar: Esta foi uma das primeiras lições que aprendi. Quando montei a banda eu era um rapaz novo, sem muita experiência e com muitos medos. Eu demorava em delegar as coisas, algumas vezes por medo, receio de ser traído. Isso gerou um desgaste muito grande e uma época eu não mais quis saber da banda, estava cansado de tudo por fazer muita coisa. Foi aí que tive que aprender a delegar, para que o fardo ficasse dividido e um pouco mais leve. Quem não delega carrega tudo nas costas, se cansa e mais dia ou menos dia pode desanimar e querer abandonar tudo.

    Conviver é respeitar e não aceitar: Respeito, isso nós aprendemos ou nos obrigamos a aprender quando montamos uma banda. Pois afinal, são muitas pessoas, cada uma com sua forma de pensar e você tem que respeitar. Respeitar a opinião alheia não é aceitar, e sim entender o seu direito de ser e pensar como quer. Assim como você é livre, ele também é, então respeite, simples assim.

    Nem sempre todos têm a sua motivação: Em um projeto, alguns membros envolvidos não vestem a camisa como você ou os outros membros vestem. Isso não significa que aquela pessoa não gosta do que faz, e sim, que ela tem mais de um projeto ou motivação. Entender que algumas ótimas pessoas não têm as mesmas motivações que você é o segredo para não achar que aquela pessoa não quer mais estar envolvida naquele projeto. Respeite as motivações e trabalhe esta questão para que todos entendam. Contudo, se na sua empreitada todos estão animados, corre o risco de uma pessoa assim ficar para trás e acabar saindo da banda, por se sentir destoada do grupo.

    Aprenda a hora de parar: Quando eu montei o Hawthorn eu estava tentando realizar um sonho de muitos anos, além de tocar um estilo musical no qual eu gostava e ainda gosto muito. Foi um sonho gravar os CDs, tocar em vários cantos do país, abrir o show de algumas bandas importantes, e fazer muitos contatos. Todavia, as mudanças na formação me desanimaram, e eu tinha que lidar com esta questão sempre que um músico saía, principalmente quando o vocal, característica mais marcante de uma banda, abandonava o projeto. É sempre difícil substituir uma pessoa, ainda mais quando os antigos músicos eram pessoas competentes. Eu demorei em encerrar o projeto, com isso me desgastei muito. A força que eu tinha para encerrar a banda e montar uma nova eu usei para manter a banda viva e isso me cansou. Aprenda a hora de encerrar, ou dar um tempo. Assim você não se desgasta e se abre para novas oportunidades. É um desafio entender quando termos que persistir e quando temos que parar, não existe uma fórmula para saber, seja bem vindo ao mundo das decisões.

    Eu tenho um carinho muito grande por todos os músicos que fizeram parte da banda. Eu sei que errei muito como líder, em minha ânsia de acertar terminei por magoar alguns, mas eu sei que também tive muitos acertos.

    Guardo na lembrança muitas histórias, alguns importantes ensinamentos que recebi destes membros eu guardo com cuidado e sou grato por toda a ajuda e crítica que tive dos amigos de fora da banda. O Hawthorn foi um sonho, um momento que passou, mas que deixou suas marcas. Espero logo, quem sabe, começar um novo projeto, mas, enquanto isso não é possível, sigo as minhas outras motivações.

  • A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO: O IMPOSTOR QUE VIVE EM MIM: BRENNAN MANNING

    “O silêncio não é simplesmente a ausência de barulho nem a interrupção da comunicação com o mundo exterior, mas um processo para se alcançar a tranquilidade. A solidão silenciosa faz avançar para o discurso honesto. Não estou falando de isolamento físico; aqui, solidão significa estar a sós com o Único, conhecer o Outro transcendente e desenvolver a consciência de sua identidade como amado. É impossível conhecer outra pessoa intimamente sem dedicar tempo para ficar junto dela. O silêncio faz da solidão uma realidade” (MANNING, 2007, p. 62).

    Não consigo ler este trecho do livro do Brennan Maning, sem fazer uma ponte sobre o que Cristo disse sobre oração lá em Mateus 6:6:

    “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” (NVI).

    A grande verdade é que somos seres barulhentos, não conseguimos ficar em silêncio um minuto que seja, em contrapartida eu pergunto: Como ter um relacionamento verdadeiro com Deus se não ficamos a sós em oração com Ele? Como mudar nossa vida, guardar seus mandamentos se não buscamos a Ele? Sobre os benefícios de se gastar um tempo com Deus, quase no meio do capítulo deste ótimo livro, Brennan Manning conclui:

    “Gastar” tempo com Deus de forma consciente capacita-me a falar e agir com uma força maior, perdoar em vez de alimentar a última ofensa ao meu ego ferido, agir com generosidade nos momentos mais banais. Enche-me de poder para que eu seja capaz de abandonar o “eu”, pelo menos temporariamente, num contexto maior que o meu mundinho de medos e inseguranças, apenas me aquietar e saber que Deus é Deus” (MANNING, 2007, p. 64).

    O que podemos aprender com este livro? Uma das lições importantes é que a quietude, a busca silenciosa por Deus é fundamental para sobrevivermos espiritualmente.  Andar neste barulhento mundo sem um tempo de solitude com Deus é impossível.

    Não há mudança fora de Deus, não há vida sem Ele e sem constantemente buscarmos a Ele. Busque a solitude, ore a Deus em silêncio e entenda a necessidade desta prática para a vida cristã. Como vamos ouvir Deus se não paramos para ouvir o que ele tem a falar?

    BIBLIOGRAFIA

    MANNING, Brennan, O Impostor que Vive em Mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 18: DINHEIRO

     “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (MT 6:24) (NVI). 

    Eu constantemente ouvia de alguns amigos que a minha igreja pregava o evangelho da pobreza. Eles volta e meia afirmavam que eu acreditava em uma vida de miséria. Eu nunca acreditei que ser cristão é ser pobre, porém, eu acredito que para tudo há um limite, não precisamos de tanto assim para viver e nem tão pouco para não passar necessidade. O que faz lembrar-me de um texto de Provérbios que considero um importante guia, quando o assunto é este:

    “Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor?’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus” (Provérbios 30:8-9) (NVI).  

    Poderíamos resumir este texto em uma só palavra: “equilíbrio”. É disto que o texto fala. E quando falamos em equilíbrio, não discorremos apenas da vida financeira é em tudo. Segundo o dicionário, equilíbrio significa: “Controle emocional; onde a condição mental é estável; autocontrole”. Ou seja, é saber muito bem o que se quer, ter limites, ser comedido e não se deixar levar por emoções, afinal são elas que nos pegam.

    Mas o texto começa falando que é impossível servir a dois senhores. Lembrando que servir em grego significa servir como escravo. Em muitas Bíblias a palavra foi mudada, deixando o significado pobre. Mas o que o texto quis nos passar é: É impossível ser escravo de dois senhores. Seria até uma falta de lógica não é? Pois, por mais que naquele tempo um escravo poderia trabalhar para dois senhores, só um era o dono (CHAMPLIN, 2013, p. 330).

    Mamom aqui é a transcrição da palavra aramaica e significa riqueza (STOTT, 1982, p. 164). Mas também denominava um deus pagão.

    Nem todos concordam que a riqueza é um mal, nem todos aceitariam este versículo, onde provavelmente passariam de largo, ou achariam alguma outra forma de explicá-lo, porém não tem como fugir, o texto é claro. Ou você serve a Deus, ou o dinheiro, ou você se dedica ao Deus eterno, todo poderoso, ou dedica a sua vida a algo que o homem criou e é finito, as duas coisas não tem como:

    “Em seu livro Seu Dinheiro em Épocas de mudanças, o escritor Larry Burkett assinala que se encontram na Bíblia mais de 700 versículos mencionando dinheiro e bens, e que dois terços das parábolas de Jesus estão relacionadas com dinheiro e bem. Jesus sabia como os corações dos homens poderiam dividir-se entre Ele e o dinheiro, e deixou claro que precisamos escolher a quem servir, além de agir de modo responsável com o que temos” (MCDOWELL, 2001, p. 173).

    Equilíbrio, é este o segredo da vida cristã. É saber do que precisamos, é entender que o poder e a riqueza corrompem, por isso, manter sempre um pé atrás é importante. Millôr Fernandes tem uma frase que resume bem isso:

    “O importante é ter sem que o ter te tenha”.

    Pois as vezes o que existe para nos ajudar nos engole e nos afasta de Deus. O dinheiro que pode nos trazer um conforto, torna-nos escravos, o que vem para ajudar acaba atrapalhando.

    Temos apenas uma prioridade que é Deus, apenas um senhor eterno que é o nosso Pai, e não podemos dividir nossa vida com coisas que não tem valor algum. Só existe um senhor e quando nos afastamos d’Ele por riquezas, estamos servindo um reflexo de nós mesmos, e abandonando o único que é real e poderoso.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001.

  • CRISTÃO

    Quando fiz a pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso (TCC) da graduação em teologia, meu orientador deu a ideia, muito boa por sinal, de incluir uma pergunta ambígua, para tentar perceber a reação dos entrevistados ante a pergunta: “O que você acha dos evangélicos? E dos cristãos?”.

    Na teoria as duas nomenclaturas falam do mesmo tipo de pessoa, ou seja, daquele que segue a Cristo. Curiosamente e de forma unânime, as respostas afirmavam justamente o contrario. Quase todos que responderam o questionário afirmaram que o termo evangélico era dirigido as pessoas legalistas, falsas e bitoladas e o termo cristão era dirigido aos seguidores de Cristo. Eu costumo dizer que não gosto de nomenclaturas, mas as uso, pois prefiro deixar definido quem sou ao invés de deixar que me definam de forma equivocada. E o que eu costumo me definir é justamente de cristão, gosto desta expressão.

    Curiosamente a palavra cristão aparece três vezes na Bíblia, a primeira vez em Atos 11:26, depois em Atos 26:28 e por fim em 1Pedro 4:15-16. E eu considero a sentença perfeita para descrever um seguidor de Cristo, afinal, cristãos significa: Seguidores de Cristo, a palavra foi cunhada pelos gentios de Antioquia (CHAMPLIN, 2014, 288):

    “Lucas acrescenta o detalhe interessante de que foi em Antioquia que os que creram foram inicialmente chamados “cristãos”, provavelmente primeiro como uma forma de zombaria por gentios incrédulos. Os judeus incrédulos não acreditavam que Jesus fosse o Cristo, e os que criam jamais são retratados como se referindo com esse termo a si mesmos, preferindo “discípulos”, ”santos”, ou “irmãos”” (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1629)

    Com isso, o que a principio começou como zombaria no fim passa a designar aquele que segue a Cristo. Porém, apesar dos rótulos ou nomenclaturas que usamos para designar um discípulo de Jesus, a vida cristã é uma vida calcada na pratica, no saber, estudar e entender a palavra e no agir, praticar o que nos foi ensinado.

    Não adianta termos a nomenclatura mais elaborada (seja crente, evangélico, discípulo de Cristo, ou seja lá o que for)  se a nossa vida não reflete o que somos. Ser um discípulo de Cristo é ter a sua vida como exemplo principal a seguir, é refletir seus ensinos, é ser desafiado por seus mandamentos.

    Não adianta você se denominar algo, se você não vive este algo, não adianta representar, pois muitos, ou a maioria, verão que suas ações não refletem o que você fala. Ser cristão é viver como Ele viveu, é ser seu imitador. Uma missão difícil, eu sei, mas possível, é só tentar. E penso que se não formos hipócritas, não vendermos uma imagem de algo que não somos já é um bom começo.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014