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CONTRA O RELATIVISMO
Tem sido interessante a experiência de fazer uma segunda graduação, ainda mais que o meu curso não tem qualquer relação com teologia. Diante disso, tenho trocado experiências com diversas pessoas, de diversas religiões ou credos, e tenho crescido muito com isso. É sempre bom ouvir o outro lado, é importante sairmos de nossa zona de conforto e conviver com quem não pensa igual a nós. Não que eu não convivia antes, não estou isolado do mundo, tenho amigos não cristãos de diversas religiões e formas de pensar. Mas é em um ambiente acadêmico, onde todos tem uma segunda graduação, experiências profissionais e acadêmicas bem opostas as nossas que aprendemos outros pontos de vista, de quem já viveu, trabalhou e estudou muito. E é justamente nestas conversas que eu mais tenho ouvido sobre o relativismo, um conceito que considero um dos mais contraditórios que existe, quero mais uma vez mostrar a vocês por que.
Para começar, afirmar que a verdade é relativa é de uma contradição tremenda, pois a afirmação é absoluta, você usa um conceito absoluto para afirmar que a verdade é relativa. Se a verdade é relativa, o relativismo também é, quando você afirma que cada um tem a sua verdade, você faz uma afirmação contraditória que desconstrói o seu próprio argumento.
“Em outras palavras, se alguém defende a teoria de que toda a verdade é limitada ao ponto de vista de um indivíduo – que toda a verdade depende da perspectiva – essa teoria também deve ser limitada ao ponto de vista de quem fala e, portanto, não é relevante ou obrigatória para o resto de nós” (MITTELBERG, 2011, p.32).
A verdade é tão absoluta que até na afirmação: “verdade é relativa”, o absoluto está presente, segundo a lei da não contradição, que esclarece justamente isso, afirmações contraditórias não podem estar certas ao mesmo tempo:
“A lei da não contradição é um princípio fundamental de pensamento autoevidente que diz que afirmações contraditórias não podem ser verdade ao mesmo tempo e no mesmo sentido” (GEISLER, TUREK, 2012, p. 56).
Vivemos o puro absoluto, pontuamos as injustiças, os problemas, nossos gostos e preferências. Usamos o absoluto para amar, afinal o amor é amor em qualquer lugar. Vemos expressões de gratidão, raiva, egoísmo, bondade e cuidado em qualquer parte do mundo e ficamos tocados ou chocados por todas estas atitudes, contudo alguns continuam a insistir que a verdade é relativa, mesmo diante destas inúmeras provas. Verdade segundo o dicionário é:
Exatidão; que está em conformidade com os fatos e/ou com a realidade: a verdade de uma questão; verdade musical (DICIO).
A verdade não é algo que criamos e sim algo que é descoberto. A verdade não muda e é transcultural. Uma opinião é diferente de uma verdade, pois afinal nossas opiniões podem muitas vezes estar equivocadas.
“Em resumo, é possível haver crenças contrárias, mas verdades contrárias é uma coisa impossível de existir. Podemos acreditar que uma coisa é verdade, mas não podemos fazer tudo ser verdade” (GEISLER, TUREK, 2012, p. 38).
A verdade é única, ela existe por si só, pontos de vista não. Opiniões muitas vezes são contraditórias e a verdade nem sempre é fácil de encontrar, mas isso não significa que ela não exista.
Para te auxiliar a entender o conceito de verdade e ponto de vista vou propor um exemplo. Uma galinha vive a sua vida em um ambiente totalmente limitado, ao contrário da águia, que vive em uma esfera muito mais ampla e vê muito mais coisas que a galinha. Assim somos nós, que nem sempre vemos a verdade por nos faltar uma visão mais ampla do todo. Quanto mais se estuda, se lê e se informa, mais temos a possibilidade de enxergar a vida de forma mais ampla, e mesmo assim, nem todos acabam conseguindo este feito, mas isso não significa que a verdade não exista. Leonardo Boff no livro: “A Águia e a Galinha”, fala algo interessante sobre pontos de vista:
“Todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo” (BOFF, 2005, p. 9).
Penso que o grande problema do homem é a informação, é a falta de vontade de entender o todo, ou pelo menos buscar entender. Cada um tem a sua opinião por conta de suas experiências e formas de ver o mundo, mas isso não significa que a verdade não exista. A verdade existe apesar de termos cada um a sua opinião e crença, cabe a nós termos humildade para confessar que é difícil se chegar à verdade. É aí que o relativismo deveria entrar cumprindo um papel essencial, penso que a sua única utilidade é nos dar uma consciência mais humilde (ou pelo menos deveria ser).
“Mas o que é “relativismo?” Relativismo é suspeitar que não sabemos ao certo o que seja certo e errado, e, portanto, tenhamos dificuldade em dizer com certeza se estamos “indo na direção certa” (PONDÉ, 2016, p. 50).
Sim a verdade existe, mas sim, podemos estar enganados. Eu acredito em Deus, creio na palavra Dele, a Bíblia, sigo seus ensinos e vivo feliz assim, mas sei que algumas das minhas conclusões podem estar erradas. São tantas formas de pensar, tantos tipos de teologias, que eu não posso me colocar como único e superior.
A verdade é absoluta, ela existe sim, pontos de vistas são relativos, porém é aí que entra a humildade, o ouvir e buscar fundamentos para que assim nos aproximemos mais da verdade.
Afirmar que não existe verdade é de uma incoerência enorme, é se contradizer e não estar aberto a estudar, ouvir outros pontos de vista e confessar que é complicado se chegar a verdade. A verdade existe, o relativismo é um conceito incoerente, tão fraco que precisa da ideia de verdade para sobreviver, apesar de ter uma parcela de utilidade quando bem aplicada.
BIBLIOGRAFIA
MITTELBERG, Mark, Escolhendo sua fé, Em um mundo de opções espirituais, Editora Esperança, Curitiba, 2011.
GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não tenho fé suficiente para ser ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.
PONDÉ, Luiz, Felipe, Filosofia para corajosos, Pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.
BOFF, Leonardo, A águia e a Galinha, Uma metáfora da condição humana, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2005.
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A LÓGICA DO REINO
Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos (Referência: Marcos 9:33 – 37).
Todas as vezes que eu leio sobre Jesus nos evangelhos, eu não me canso de me impressionar. Ele veio para abalar as estruturas, para confundir os sábios e nos mostrar o quanto a nossa compreensão é pequena.
Gosto muito desta passagem e o texto começa mostrando que os apóstolos discutiam quem dentre eles era o melhor. Eles sabiam que a discussão era tola, pois o silêncio e a possível vergonha deles os denunciaram. Naquela época os apóstolos ainda não tinham entendido que o reino que Cristo veio estabelecer não era terreno, por isso que discutir quem era o melhor, quem deveria ter mais destaque neste reino era importante. Tudo por puro status, nada diferente de hoje. O que eles esqueceram era que Jesus conhecia o coração deles e ensinou a eles algo que constantemente esquecemos: “Que a lógica do reino é outra”.
No mundo o líder manda em todos, ele é o destacado o superior, no reino de Deus é o contrário, o primeiro é o servo:
“Os Doze ainda precisavam aprender que parte do custo do Reino de Deus estava em deixar de procurar posições elevadas para si mesmos. Serviço e humildade são os únicos caminhos para a verdadeira grandeza cristã, razão pela qual Jesus tomou, aqui, uma criança como um exemplo (36) (CARSON, FRANCE , MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1452).
Neste texto a mensagem é clara, liderar é servir, o objetivo de ser cristão ou de trabalhar para Deus não é para ter alto cargo, mas para servir como Cristo serviu:
“A grandeza não se encontra na autoexaltação, e sim na humilhação pessoal. Não se alcança relevância espiritual por meio da preocupação consigo mesmo, e sim pelo cuidado para com os outros” (RICHARDS, 2013, p. 717).
Jesus serviu, veio para este mundo podre morrer por nós, se doou e mandou que o imitássemos. Então por qual motivo não entendemos que devemos buscar servir uns aos outros, e não sermos superiores e buscar os melhores lugares?
Cristo termina seu ensino falando de crianças que naquela época eram colocadas de lado. Uma criança fora da idade de estudar a Torá não tinha muito valor, era perder tempo e uma falta de educação brincar e dar atenção a elas (POHL, 1998, 281, 282):
“Quando Jesus disse aos discípulos para receberem as crianças em nome dele, estava ilustrando a natureza do serviço. No mundo romano, a criança – ou “pequenino” – era colocada sob a autoridade de escravos. Podia até ser amada, mas era pouco considerada até que alcançasse a maturidade. Para Jesus, todavia, o de menor importância para a sociedade era precioso para ele” (RICHARDS, 2013,p. 717).
No reino não existe hierarquia, devemos servir a todos por igual, não existe maior ou menor, somos todos irmãos, é isso que o texto quer passar.
Pare de se preocupar em ser o maior, sirva a todos de coração aberto como se todos fossem importantes, até os menores, os pequeninos, está é a lógica do reino que deve estar viva em nossa vida.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2013.
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
POHL, Adolf, Evangelho de Marcos, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 1998.
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NOVO TESTAMENTO: TESSALONICENSES
Antes de começar a falar sobre uma das primeiras Epístolas Paulinas, quero dar um pano de fundo geral do que seria uma epístola e qual seria a diferença entre epístola e carta.
Epístola no grego significa carta, despacho ou algum tipo de documento escrito. É importante fazer uma distinção entre carta e epístola, entendendo que a epístola é um pouco mais literária, com um conteúdo mais importante e formal. Mesmo que a raiz da palavra no grego seja epistello que também pode significar enviar, ou enviar uma carta. Entendemos que uma epístola tem uma natureza mais formal, com tratados, ordens, tratados filosóficos e coisas do tipo, e a carta não, pois ela fala mais do cotidiano, da vida diária (CHAMPLIN, 2013, p.406). Champlin acrescenta:
“Uma epístola é uma obra de arte; uma carta é um pedaço da vida diária. A primeira é como uma pintura feita com arte. A segunda assemelha-se a uma fotografia feita apressadamente, sem qualquer cuidado” (CHAMPLIN, 2013, p. 406).
Entretanto, não me limitarei a defender ferrenhamente algum lado desta questão, visto que, o objeto do nosso estudo é o texto sagrado, a Bíblia. Penso que a característica e o que a palavra já é em seu cerne, já valida à importância da epístola (ou carta).
Vale lembrar que quase ninguém sabia ler e escrever nos dias de Paulo, sendo que os que sabiam ler muitas vezes não sabiam escrever. Escrever era função apenas de alguns, feita por homens especializados. É importante lembrar também que o papel era muito caro, por isso, nem todos escreviam, sendo que a maioria (ou todas) as cartas paulinas foram ditadas, Romanos 16:22 é uma boa prova disso.
As cartas aos Tessalonicenses são consideradas por muitos estudiosos como as primeiras a serem escritas, apesar do pouco tempo que o apóstolo esteve entre eles, segundo o texto de Atos 17, por conta de distúrbios que forçaram os missionários a saírem do local. Sendo que Paulo tentou voltar algumas vezes, mas foi impedido, como deixa claro o texto de 1 Tessalonicenses 2:17-18 (RICHARDS, 2013, p. 1102).
Sobre a cidade de Tessalônica, sabemos que foi fundada pelo rei macedônio Cassandro e era uma cidade portuária e comercial bem desenvolvida, por estar localizada em um lugar estratégico junto ao mar e por ser rota da estrada imperial romana chamada Via Egnatia. No local também havia uma comunidade judaica muito influente, que dispunha até de uma sinagoga para seus cultos. É desta comunidade judaica que vem Aristarco, um dos colaboradores de Paulo (Atos 19:29; 20:4; 27:2) (BÜRKI, 2007, p. 19).
A carta pode ser considerada uma espécie de carta manutenção, escrita pouco tempo depois dos membros daquela comunidade cristã ouvirem o evangelho. Trata-se portanto de uma igreja nova, que dava os seus primeiros passos e que não poderia estar sendo instruída por conta do episódio que forçou Paulo a ir embora (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1920).
A segunda carta tem o mesmo contexto da primeira no qual já vimos. Ela foi escrita por volta de quatro meses depois, com o intuito de esclarecer muitas dúvidas a respeito do futuro que causava confusão naquela igreja. (RICHARDS, 2013, p. 1110). Um dos pontos principais da carta é justo este, novamente Paulo trabalha a questão da vinda do senhor, pois eles acreditavam que o dia tinha chegado, pois o dia para eles era uma extensão de tempo que terminaria com a vinda do senhor. E a perseguição que a igreja sofria, era um dos últimos estágios deste dia. A resposta que Paulo dá é que Cristo não poderia voltar sem antes acontecer muitos outros eventos.
Estas epístolas são muito importantes, pois demonstra de forma bem clara como é fundamental termos líderes que conhecem o evangelho, que estão prontos a ensinar e tirar as dúvidas da igreja. A epístola mostra também como teorias equivocadas dividem e atrapalham o cristão e o quanto a presença de um líder sábio e instruído é fundamental para que a igreja não caia em ensinos equivocados.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia Bíblica de Teologia e Filosofia, Editora Hagnos, São Paulo, 2013.
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
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O SERMÃO DO MONTE PT 17: OLHOS
“Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (MT 6:22-23) (NVI).
Eu gosto do filme click, o ensinamento que o filme passa é muito importante. A história gira em torno de uma pessoa que após se ver cansado de trabalhar e buscar o seu sucesso profissional, ganha um controle capaz de fazer com que ele consiga pular alguns momentos tediosos de sua vida. Porém, ao longo do filme, vemos ele perdendo momentos importantes, e ele percebe que com o tempo perdeu muita coisa valiosa.
Conheço alguns que vivem neste automático, que vivem suas vidas para o trabalho e deixam as pequenas e principais coisas passarem despercebidas. No fim do filme Click, o protagonista, já muito tarde, conclui que a família deve ser uma das prioridades, porém na vida real, muitas vezes esta conclusão chega de maneira tardia.
Os olhos são a candeia do corpo, ou como Eugene Peterson coloca em sua Bíblia A mensagem:
“Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com os olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados” (2012, p. 1385).
O olho é o órgão que nos guia, tudo começa pela nossa forma de olhar as coisas. É através do olho que lemos, conhecemos e aprendemos.
“O olho é o órgão por meio do qual nossa personalidade é guiada (v. 22, 23). Se concentrarmos nossa visão no que o mundo considera sucesso, nossa percepção será distorcida, e a luz da revelação de Deus a respeito da realidade será bloqueada” (RICHARDS, 2013,p. 631-632).
Eu gosto daquele ditado popular que diz: “O pior cego é aquele que não quer ver”, afinal, a frase tem a sua razão.
Muitas vezes ficamos cegos buscando coisas e esquecemo-nos de Deus. Ou o que é pior, corremos atrás de coisas que nos destroem, achando que aquilo é o que Deus quer que façamos. Nesta metáfora, Cristo não esta falando de cegos literais, mas daqueles cujo coração é guiado por outras coisas. Olhos e corações têm significados semelhantes na Bíblia.
“Tudo é uma questão de visão. Se temos visão física, podemos ver o que estamos fazendo e para onde vamos. Da mesma forma, se temos visão espiritual, se nossa perspectiva espiritual está devidamente ajustada, então nossa vida fica cheia de propósito e de incentivo” (STOTT, 1982, p. 163).
Habitualmente deixamos a vida passar em nome de pouca coisa, ou seguimos por caminhos difíceis pensando ser esta a vontade de Deus. Seus olhos são o seu guia, sua forma de olhar as coisas vai definir quem você é e como vive o evangelho. Por isso, pense bem em como você vê as coisas e busque a melhor forma de ver. Olhe para a cruz e fundamente sua vida na palavra de Deus para que você não siga cego e contaminado pelas influências deste mundo.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
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ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS
Eu sei o quanto trabalhar é importante, não tenha dúvidas. Custa muito dinheiro viver em sociedade, realizar nossos sonhos e comprar nossas coisas. Mas eu também sei o quanto o tempo em família é fundamental e tem diminuído por conta do nosso trabalho.
Nestes dias, onde crianças matam seus colegas de classe em um dia comum, tal qual aconteceu recentemente em Goiânia, eu me pergunto sobre o quanto estes filhos estão sendo ouvidos e acompanhados.
Uma criança hoje em dia passa muito mais tempo em redes sociais ou jogos do que com os pais. Tem passado muito mais tempo sozinha, jogada de lado, do que sendo ouvida ou orientada. Segundo uma pesquisa feita pela TIC Kids Online Brasil, por volta de oito em cada dez crianças de 9 a 17 anos são usuárias da internet. Com isso, o acesso à informação é grande, mas a riscos online também, o que nos deixa a questão: Quem está cuidando destas crianças?
Nossa geração tem criado órfãos de pais vivos, filhos cujos pais têm como prioridade suas carreiras, seu desenvolvimento pessoal e financeiro. Muitos têm esquecido que não adianta cuidar só da parte financeira, se a parte afetiva da criança fica de lado. Pouco importa se um filho frequenta uma boa escola, se a parte principal da educação como os valores e o respeito não são ensinados. Vale muito pouco ter uma grande casa, bem localizada e mobiliada, se a criança não tem um lar, um abrigo onde ela pode correr. A escola não faz milagres, e nem tem obrigação de educar seu filho, ela escolariza, ensina e acompanha no que pode, mas o principal quem tem que fazer é você. Não adianta terceirizar o trabalho, achar que os outros que devem fazer a sua obrigação, pois no fim, a consequência de qualquer atitude ruim será sua, não tenha dúvidas.
Eu imagino o quão difícil seja chegar de um dia de trabalho, cansado, pensando apenas em desabar no sofá e ainda ter que dar atenção para uma criança. Eu também sei que um pai tem seus sonhos, suas realizações e que a responsabilidade de cuidar de um filho não pode acabar com estes sonhos pessoais. Mas é preciso buscar um equilíbrio, um meio termo a fim de suprir ambas as partes.
Lembre-se de que o adulto é você, não se esqueça de que o filho não entende o que é trabalhar o dia inteiro e ter a responsabilidade de manter uma casa. Muito menos entende seus sonhos, conflitos e a sua responsabilidade ante as obrigações da vida
Eu não sou pai, mas eu sei qual é o gostinho de não ter um pai presente. Meu pai era doente, fui criado por avós, mas os perdi cedo. Sei bem o que é viver sem uma orientação, sem ter alguém que se preocupasse comigo e me educasse.
O papel dos pais é fundamental para a criação de um filho, os valores que você deixará para os seus filhos vão ser seus companheiros por toda a vida. Mesclar o trabalho, sonhos pessoais com seus filhos é a sua obrigação. Pois nem tudo é dinheiro, a coisa que o seu filho mais precisa é de você, e isso só custa o seu tempo.
BIBLIOGRAFIA
TIC KIDS ONLINE BRASIL. Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil 2016. ICT Kids Online Brazil. São Paulo, 2017. Disponível em: http://cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-tic-kids-online-brasil-2016. Acesso em: 21 abr. 2018.
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SOBRE TER RAZÃO
“Uma das ilusões mais fortes quando estamos aprisionados à dimensão da briga é a sensação de que “temos razão”. É como se criássemos uma consciência circular da situação em que nos encontramos, toda ela amarrada em si mesma. Por mais que tentemos, não conseguimos transpor os limites desta subconsciência. Buscamos muitas vezes a opinião de terceiros para que confirmem aquilo que nos parece inconcebível como sendo uma posição defensável do outro. Quando obtemos esta certeza por meio de nosso próprio discernimento e com o apoio de outros a quem consultamos, ficamos diante de uma realidade assustadora. Se a posição do outro é insustentável e se ainda assim ele a mantém, concluímos então que o outro é em si ruim. O outro faz parte do mundo que vê as coisas às avessas. Pensamos “por causa de sujeitos assim é que o mundo é como é!” E prosseguimos em nossas conjecturas: “Se temos razão, então não há outra solução para o conflito senão a renúncia do outro à sua posição” (BONDER, 2010, p. 112).
Quando li este livro, que inclusive foi escrito há alguns anos, não pude deixar de perceber como o tema ainda é atual, ainda mais com estas discussões políticas que temos visto. Eu sei que é um desafio deixar de ver o mundo através de nossas óticas ou crenças, e eu sei também que é um grande desafio deixar de opinar e dizer o que pensamos. Mas o que este capítulo otimamente enfatiza é que nem sempre estamos certos no que afirmamos:
“A sensação de se estar ao lado da justiça, de estar com razão, pode ser legítima apenas enquanto uma opinião, porém nunca como uma certeza. Tanto a confiança total em nosso julgamento quanto a busca obsessiva por provar que o outro está errado têm duas consequências malignas: a acusação e a autojustificação” (BONDER, 2010, p. 112).
O autor continua fazendo alguns bons apontamentos, ele diz usando uma explicação dos rabinos que quando julgamos o outro, acabamos a julgar a nós mesmos. As vezes ao apontarmos os erros do próximo, acabamos por cometer um erro pior ainda.
Nunca mais me esqueci daquele pastor que chutou a santa uns anos atrás, pois por mais que eu não acredite em santos, não creio que chutar seja a solução. No fim, aquele pastor acreditava que aqueles religiosos estavam errados em adorar a santa, mas teve uma atitude pior de falta de amor e intolerância:
“O alerta é claro: nas questões de julgamento, estamos sempre submetidos a uma agenda interna, a interesses que nos justificam, antes mesmo de qualquer imparcialidade. Ou seja, toda a sensação de “ter razão” em uma determinada questão envolve a tentativa de legitimar nossa própria maneira de ser” (BONDER, 2010, p. 113).
Ou seja, este ter razão é mais uma autoafirmação do que a busca real pela verdade. Mas não é fácil eu sei, pois as vezes falamos do que temos certeza, ou não fazemos por mal. O autor continua dando alguns segredos de como ser imparcial, como tentarmos ser justos e desenvolvermos um diálogo assertivo, mas quero terminar com as últimas palavras do capítulo do livro que ressalta o perigo e o desafio de se ter razão:
“Estar com razão é a tênue fronteira entre a devoção e a idolatria. Por um lado, é um sentimento a ser evitado, pois possibilita desvios e perversões, fortificando falsas percepções de si mesmo e dificultando toda a sorte de diálogo. Por outro, é a postura do sábio e do justo, pois saber posicionar-se verdadeiramente em nome do que se acredita ser correto, sem se permitir corromper por interesses e necessidades pessoais, está entre os feitos de mais difícil realização para os seres humanos. Poderíamos dizer, portanto, que existe uma forma construtiva de conflito, no qual o fato de se crer assertivamente “estar com a razão” não apenas promove o diálogo, mas define a própria tarefa do justo” (BONDER, 2010, p. 113).
No fim tudo vai depender do que move você a fazer o que faz, em nome do que você quer ter razão. Buscar o diálogo é importante e se conhecer é fundamental para que não sejamos traídos por nossas falsas percepções deixando de promover o crescimento e o diálogo ao invés de acusações.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A Cabala da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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TER OU NÃO TER?
Muitos já devem ter percebido que a minha crítica é ácida quanto à teologia da prosperidade. A Bíblia nos mostra que ser rico, buscar ouro e prestígio não é uma das pautas do evangelho. Ao contrário, uma lida rápida em algumas passagens do velho testamento você vai ver Deus abençoando o seu povo e estes muitas vezes “agradecendo” a Ele virando as costas. Leia a história de Davi e suas mancadas por conta do dinheiro e poder, ou Salomão e suas extravagâncias e muitos outros personagens.
Por conta deste raciocínio você me pergunta: Devemos então viver na pobreza? Eu prontamente lhe respondo: de maneira alguma, o que eu penso que devemos buscar está lá em Provérbios 30:7-9:
“Duas coisas peço que me dês antes que eu morra:
Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário.
Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor? ’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.
Este importante texto nos traz uma lição que às vezes esquecemos que é a moderação. Costumo falar que dinheiro e poder corrompem e ao estudarmos os ensinos de Cristo vamos perceber o quanto a busca por moderação está no centro de sua mensagem e é justo isso que provérbios enfatiza
Conheço muitos que por causa de sua prosperidade viraram as costas para Deus. A vida nos dá o exemplo de tantos que quando ficaram famosos seguiram seus próprios umbigos e não olharam mais para o Pai Eterno. Eu gosto muito da definição que o dicionário online Dicio nos dá para a palavra moderação:
“Atitude de continuar na medida exata. Comportamento ou característica de quem evita excessos; comedimento. Que demonstra prudência”.
Ser cristão é ser equilibrado, é ter as coisas, mas não ser escravo delas. O cristão já tem um senhor e tudo o que substitui o nosso senhor deve ser descartado. Rob Bell dá um exemplo interessante sobre o perigo do dinheiro ser o nosso senhor:
Uma mansão e um carro de luxo são bens. Não há nada de errado com bens; o problema é o que eles representam para nós quando os usamos e de que forma os desfrutarmos. Bens e posses são substantivos que só significam alguma coisa ao lado de verbos.
Eis por que a riqueza é tão perigosa: se não tivermos cuidado, podemos facilmente ficar com uma garagem repleta de substantivos (BELL, 2012, p. 44).
É sempre bom conquistar as coisas, realizar sonhos, progredir desde que você coloque estas coisas em seu devido lugar. Bens são bons, mas não significam nada se não os usarmos com sabedoria ou colocarmos ele no lugar de Deus.
O segredo é ser sempre grato a Deus, entender a oportunidade que Ele nos dá quando nos presenteia e usar este presente de forma sábia.
BIBLIOGRAFIA
BELL, Rob, O amor vence, Um livro sobre o céu, o inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2012.
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SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS
Vou confessar uma coisa, eu não gosto muito de fazer evangelismo de rua. Esta história de abordar os outros na rua para falar de Deus, não me apetece. Eu gosto de falar de Deus, de pregar, mas não na rua abordando as pessoas e acredito que muitos são assim. Por conta disso deixamos de evangelizar, largamos a missão na mão dos missionários e evangelistas.
Penso que temos uma ideia errada do que é ser missionário, a começar pelo significado da palavra que segundo o dicionário é:
“Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio)
Missionário não é aquele que viaja para outro estado ou país, ou se dedica apenas a esta missão. Missionário é todo o cristão, todo aquele que recebeu Cristo em sua vida, afinal, foi a nós cristãos que ele nos deu a missão de pregar, o ide de Marcos 16:15 foi para todo o discípulo de Cristo.
Você não precisa viajar para ser um missionário, e muito menos ir às ruas para evangelizar. Sua escola, seu trabalho e seu círculo de amigos pode ser um ótimo campo de evangelização. Se você estiver aberto para propagar o evangelho, sua vida pode ser uma vida de missão.
É vidente que alguns receberam a missão de ir para fora, deixar a sua cidade para levar Deus a povos que ainda não o conhecem, mas quem não tem este chamado, seu campo missionário pode ser círculo de amigos e trabalho.
Com bons exemplos podemos ser diferença na vida de amigos, o começo da boa evangelização é prestar atenção no próximo e deixar a sua vida falar. Com certeza o exemplo vem antes das palavras, quando vivemos o evangelho a mensagem começa com a nossa vida, e termina com a pregação
BIBLIOGRAFIA
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CRÔNICAS DE UM DESEMPREGADO
Durante a crise de 2017 fiquei desempregado, normal, mais ou menos 14 milhões de pessoas também ficaram, algo comum durante uma crise, porém, algo um tanto quanto difícil de passar.
Sempre me recoloquei rápido no mercado de trabalho, mas desta vez a coisa não foi fácil, cheguei a gastar todo o meu dinheiro e ainda precisei vender alguns equipamentos extras de bateria para conseguir pagar as minhas contas, porém no fim consegui um trabalho, apesar das perdas.
O maior problema em estar desempregado sem qualquer perspectiva de trabalho é o sentimento de impotência, de não poder fazer nada. O desamparo e a falta de condições de pagar nossas contas nos faz ver o mundo de outra forma. É inevitável esmorecer, olhar para o céu azul e só ver escuridão.
O lado bom de estar sem um emprego é que prestamos mais atenção no próximo. Acabamos por ter mais empatia com quem não tem nada e acabamos até ajudando mais. Eu sou um cara que sempre tenta ver o mundo com os olhos da empatia, tento sempre me colocar no lugar dos outros antes de emitir uma opinião, mas às vezes as facilidades da vida nos cegam, tapam nossa visão quanto ao sofrimento alheio
Neste momento de desemprego eu vi muita gente sorrindo, mesmo que sem esperança. E mesmo que muitos me julgavam por estar sem trabalho já há tempos, pude ver como outros se preocupavam comigo. Foi realmente animador ouvir as palavras de apoio da minha esposa, foi gratificante ver amigos se preocupando, não tem preço saber que não estamos sozinhos.
É claro que eu já fiquei desempregado antes, não estou fazendo tempestade em um copo de água, mas há um tempo eu era solteiro, não tinha tantas responsabilidades e compromissos, por isso, o sentimento era diferente, o que eu tenho passado é algo totalmente novo para mim.
O maior problema de um desempregado é o sentimento de não poder fazer nada, de depender de algo externo para seguir. É claro que podemos sair vendendo coisas na rua, podemos correr atrás das coisas com nosso próprio esforço, mas a segurança do salário mensal não tem preço, sem contar que nem sempre temos o desprendimento de sair na rua para vender coisas.
Foi durante o meu desemprego que pontuei melhor o que iria fazer do meu futuro, foi neste período de falta que entendi o que queria para a minha vida daqui para frente. É no caos que construímos, é ante os problemas que prestamos mais atenção nas possibilidades, é quando estamos sem saída que achamos uma solução.
A falta de segurança nos faz sair do cômodo, a incerteza nos faz termos ideias e progredir, por isso, agradeço a Deus pelos períodos incertos, a escola do deserto é sempre a melhor, sem dúvida alguma, a dificuldade sempre nos traz uma lição, principalmente quando estamos abertos a ela.
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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – DAVID WALTON
Trabalhar com pessoas ou conviver em uma igreja com os mais diferentes cidadãos e as suas dificuldades não é fácil. Não adianta, onde há pessoas há conflitos, o que torna este livro fundamental. Afinal, ser cristão é viver em comunidade e aprender a viver em comunidade é básico para a comunhão.
O autor tem como propósito oferecer ao leitor um guia prático para adquirir inteligência emocional, como o subtítulo otimamente diz. É muito interessante como David Walton trata o tema no livro, os exercícios para que possamos entender como é a nossa Inteligência emocional e todas as dicas que o autor dá.
É um livro fundamental para quem quer aprimorar suas relações pessoais, profissionais, familiares e aprender como lidar com seus sentimentos ou como agir ante as várias situações.
Publicado pela L&PM Editores, com 181 páginas

