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  • O SERMÃO DO MONTE PT 16: TESOUROS

    “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (MT 6:19-21) (NVI). 

    Eu tinha uma amiga que costumeiramente falava que a minha igreja pregava uma vida de pobreza. Ela não concordava com textos como este e constantemente falava que ser Cristão não era ser pobre, eu normalmente respondia, eu concordo com você, mas não sei se também é ser milionário.

    Quem me conhece já deve estar cansado de me ouvir falar que “ser cristão é ser equilibrado”. É buscar um meio termo e ter em mente que não precisamos de tudo. Eu gosto muito de uma frase de Epicuro que resume bem este assunto:

    “A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades”.

    Penso que a frase resume bem como é uma vida equilibrada.

    O texto bíblico começa falando “não acumulem”, não tenham como prioridade ajuntar dinheiro. Richards explica a passagem, nos ensinando que: 

    Naquela época, até mesmo os discípulos acreditavam que a riqueza era sinal da bênção de Deus. Assim, o rico era visto como alguém próximo de Deus, enquanto o pobre era tido como alguém sob julgamento divino. Jesus, no entanto coloca as posses materiais em uma moldura totalmente diferente (RICHARDS, 2013,p. 630).

    Como fica claro nos evangelhos, a riqueza não estava entre as prioridades de Cristo, são várias as passagem onde Ele adverte o homem quanto ao perigo das riquezas. A premissa é simples, o texto fala de prioridades deixando uma pergunta entre linhas:  “Qual é a sua prioridade, as coisas de Deus ou as do mundo?” O texto não nos manda sermos pobres e andarmos esfarrapados e sim, nos aconselha a termos como prioridade as coisas de Deus. Afinal, as coisas do mundo são finitas, acabam com o tempo as de Deus não.

    “Aqui, o ponto para onde Jesus dirige a nossa atenção é a durabilidade comparativa dos dois tesouros. Deveria ser fácil decidir qual dos dois ajuntar, Ele dá a entender, porque tesouros sobre a terra são corruptíveis e, portanto, inseguros, enquanto que tesouros no céu são incorruptíveis e, consequentemente, seguros” (STOTT, 1982, p. 159).

    Eu sempre digo e talvez morra dizendo que o poder e o dinheiro corrompem, ele tem a força de nos colocar como privilegiados. Tem o poder de nos fazer olhar o próximo de cima, fazendo-nos acreditar que todos deveriam nos servir. O texto faz uma afirmação importante: “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”, diante disso, a pergunta é simples; Onde esta o seu tesouro? Nas coisas de Deus, no servir ao próximo, em fazer a obra, ou nas coisas do mundo?

    Mais uma vez, não quero enfatizar que devemos viver uma vida de pobreza, mas o texto tem como ênfase prioridades, a pergunta é simples: para o que você quer viver? Esta é a pergunta que cabe apenas a você responder.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

  • JOIO E TRIGO

    “Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi” (Referência: Mateus 13:25-30; 13:36-43) (NVI). 

    Esta é uma parábola muito importante que vem logo depois da explicação da parábola do semeador (Mateus 13:18-23), e nos dá um aviso fundamental: só Deus sabe quem realmente é cristão e quem não é.

    O Joio é uma plantinha semelhante ao trigo, tão igual que pode ser tranquilamente confundida com um:

    “O joio, também traduzido por “erva ruim” (NTLH), se parece muito com o trigo nos primeiros estágios de crescimento e, depois disso, as duas plantas ficam tão emaranhadas que não se pode remover uma sem danificar a outra” (CARSON, 2012, p. 1384).

    Nesta parábola, Jesus nos dá um ensino importante: “Não somos nós que arrancamos o joio do trigo” (Mateus 13:28-30). Não cabe ao homem julgar quem é cristão ou não, quem é que vai ser salvo ou não, isso fica a cargo apenas de Deus. No último dia o justo juiz julgará e separará quem é joio e quem é trigo.

    A título de explicação, é interessante frisar que alguns teólogos afirmarão que Cristo não está falando de falsos cristãos e verdadeiros cristãos e sim, de religiões com cara de cristãs (falsas igrejas) e igrejas verdadeiras. Eles tiram esta conclusão por conta de Cristo ter dito na interpretação da parábola (v. 36) que o campo é o mundo e não a igreja. A meu ver, esta interpretação é equivocada, pois a parábola fala do joio e do trigo, ou seja, do falso cristão e do verdadeiro cristão, ou conforme o texto explica: a boa semente (v. 38) que são os filhos do reino e a má semente, que são os filhos do maligno. O mundo aqui, diz respeito ao local onde os cristãos atuam. Outra coisa que eu quero frisar é que alguns intérpretes afirmarão que o texto fala de cristãos e não cristãos, o que considero outro equívoco, pois o texto fala do joio, algo que se parece muito com o trigo, e não de de pessoas não cristãs. E ainda o texto alerta para o fato que foi o inimigo que semeou este joio, este falso trigo (falso cristão).

    “Assim, o campo é o mundo inteiro, mas, do ponto de vista que contempla o mundo como a esfera onde a igreja exerce sua influência; […]. O “joio” é a imitação do trigo. Essa ideia requer interpretação, porquanto o “joio” não é somente qualquer pessoa irreligiosa ou incrédula, mas aqueles que fingem ser parte do “reino”, postando-se entre os cristãos” (CHAMPLIN, 2014, p. 439).

    O texto não fala da igreja, mas de cristãos verdadeiros e de falsos cristãos. Não adianta amigos, o mundo é composto de joio e trigo, de cristãos verdadeiros e falsos. É claro que temos que sempre tomar cuidado com as heresias e aplicar a palavra em todo ou qualquer falso ensino, não devemos nos calar. Porém, quem vai arrancar, quem vai dar fim de verdade ao joio é somente Deus.

    Eu já vi gente que em nome de separar os “falsos cristãos” dos “verdadeiros” acabaram condenando o diferente, as coisas que não entendiam, a música que era barulhenta demais ou o cara que tinha um cabelo muito comprido. Eu sei que Jesus disse que pelos frutos conhecerei (Mateus 7:16), são os frutos que revelam quem é realmente cristão, porém, nem sempre acertamos, nem sempre o homem sabe enxergar este fruto.

    Eu tive um amigo em minha antiga igreja que sempre caía no alcoolismo e nas drogas. Foram tantas as vezes que ele parou o voltou a usar que alguns colegas me falaram que o pastor deveria expulsar aquele cidadão da igreja. Graças a Deus que o pastor não fez isso, pois no fim, aquele cara mudou de vida e hoje é um missionário usado por Deus.

    Devemos vigiar sim, não tenha dúvida e através da palavra confrontar tudo o que não é Bíblico, mas não podemos condenar ninguém. E acima de tudo, nem sempre o diferente é pecaminoso ou do demônio, às vezes ele é apenas diferente.

    Só Deus conhece quem é o cristão verdadeiro e quem não é. No mundo existe joio e trigo, porém, não somos nós que faremos a separação, apenas Deus no dia do juízo.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    RIENCKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2012.

  • CONFISSÕES DE UM LEITOR

    Quem me conhece um pouquinho que seja já percebe o meu profundo gosto pela leitura. Eu gosto muito de ler e já fazem quase três anos que eu tenho me dedicado ao máximo a leitura e ao estudo. Para coroar esta minha dedicação terminei 2017 com 74 livros lidos, dois a mais do que 2016, e pretendo continuar com este propósito por muitos anos, a meta é chegar em 100 livros ao ano.

    Sempre que eu converso com um amigo sobre o hábito da leitura os mesmos que não têm este costume falam: É fácil você ler muito, você gosta de ler e tem tempo. O texto é a resposta que eu dou a estes quando ouço estas desculpas.

    Para começar, vamos concordar com uma coisa, uma pessoa com um ótimo hábito de leitura lê em média de 12 a 20 livros por ano, que vai depender é claro dos números de páginas, tema e o estilo da escrita. Não se lê 74 livros por ano apenas por gostar de leitura. Quem lê uma quantidade desta provavelmente se planejou, teve uma meta e a seguiu a fim de chegar a um propósito (eu tenho um acredite).

    Sobre o tempo, eu faço apenas uma pergunta, quem tem tempo hoje em dia? Eu curso uma segunda faculdade, tenho esposa, trabalho e tenho um blog que me consome algumas boas horas do meu dia, além dos livros que eu estou escrevendo, você acha que eu tenho tempo? Se eu leio muito, é porque eu me planejo, acordo cedo, separo horários para a leitura e otimizo o meu tempo. Eu gosto de uma frase na qual eu não sei quem é o autor:

    “Quem quer faz, quem não quer arranja desculpas”.

    Leitura é um hábito, e hábito se cultiva, por isso, jogue fora as desculpas, pense sobre todas as coisas inúteis que consome o seu tempo e separe um pouquinho de tempo para ler. 

    Confesso que, por mais que eu gostasse de ler, quando resolvi ler mais, tive algumas dificuldades para deixar meus maus hábitos, mas tudo dependeu do meu esforço e da minha perseverança. Contudo sim, é preciso gostar de ler, caso contrário tudo ficará difícil. Eu não sei o que é não gostar de ler, por isso, fica difícil de opinar. Penso que muitas vezes o que temos é preguiça. Conheço muitos que não gostavam de ler, mas que por tentarem, acabaram por desenvolver tal hábito, basta não ter preguiça e tentar, por termos hoje muitos temas de livros acho difícil que alguém não consiga encontrar um tema que se adapte ao seu gosto pessoal.

    Eu sei muito bem que é um desafio ler, separar tempo para estudar e ainda ter inúmeras outras coisas para fazer, mas isso não faz com que eu não leia, e sim que eu esteja constantemente me preparando, separando tempo e horário conforme a vida muda ou os compromissos vão chegando.

    Gosto sempre de frisar que somos sempre propensos a fazer o que é mais fácil, todos os dias somos levados a fazer coisas que não agregam nada a nossa vida e com isso deixamos de crescer um pouco mais. Não é que eu só estude e não “perca tempo” com outras coisas, é claro que eu me divirto, relaxo, vejo um filme ou séries, mas eu não faço só isso. Todos os dias eu separo um tempo para o estudo e a leitura, tento viver a minha vida com equilíbrio, lembrando sempre que o que vale a pena é sempre mais o difícil e nos tira do comodismo.

  • COMO ESTUDAR A BÍBLIA –JOHN MACARTHUR

     

    A grande verdade é que eu comprei este livro pelo autor, não pelo título, pois tenho inúmeros materiais que me auxiliam a estudar a Bíblia e não achei que este seria um livro relevante. Mas no fim, após ler muito tempo depois de ter comprado, tenho este material como uma importante obra.

    Como o título já nos indica, o livro é uma ferramenta que nos ajuda a estudar a Bíblia. O livro é bom por ser um material completo, ele fala da diferença que a Bíblia faz na vida do cristão, dá um bom panorama do que é a Bíblia, fala sobre a autenticidade e nos dá boas dicas de estudo. Todos os capítulos terminam com perguntas para revisão e textos Bíblicos para a reflexão.

    É um ótimo material para estudo pessoal ou em grupo.

    Editora Thomas Nelson, com 141 páginas

  • SOBRE A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA

    Já ouvi de alguns que a teologia nos afasta de Deus e enfraquece nossa fé, que o bom mesmo é se entregar, sentir ou deixar que Deus nos dê a interpretação da palavra, um conceito um tanto quanto ilógico e incoerente, que abre pressupostos para inúmeras teorias furadas e falsos ensinos.

    É muito certo que o homem tem um grande medo do desconhecido, é certo também que a Bíblia é um livro complicado para se entender. Há quem diga que a Bíblia é a mãe de todas as heresias. E isso é uma verdade comprovada, principalmente quando nos lembrarmos das muitas barbáries que líderes cristãos causaram por interpretarem mal a palavra de Deus.

    Por outro lado, quem não estuda tem os mesmos problemas de quem interpreta a palavra equivocadamente. A história nos mostra como o emocionalismo criou ensinos que a Bíblia nem de longe defende ou moveres que a palavra, nem de perto ensina. Isso sem contar das inúmeras igrejas que saqueiam as economias de muitos ou que prometem curas em nomes de votos de fé que a Bíblia também não nos ensina fazer e por aí vai. São tantas histórias complicadas com pouco embasamento bíblico. Diante destas problemáticas, a pergunta que surge é: afinal, qual é a importância da teologia para um Cristão?

    A teologia nos auxilia a entender melhor a palavra, ela nos ajuda a pontuar melhor o ensino de Cristo para podermos fazer sua vontade, e como Wayne Grudem já disse em sua teologia sistemática:

    “Estudar teologia nos ajuda a vencer nossas ideias erradas” (GRUDEM, 2010, p. 7)”.

    É um erro afirmar que a teologia nos separa de Deus se o papel dela é justamente interpretar a palavra, nos ajudar a entender melhor os textos bíblicos para não seguirmos ensinando besteiras às pessoas e também para sabermos nos defender dos falsos ensinos. Acho interessante o que Elben M. Lenz César fala na introdução do seu livro:

    “A verdadeira espiritualidade precisa tanto de conhecimento quanto de calor […]. A teologia certinha, na ponta da língua, sem emoções, faz pouco. O fogo espiritual que depende só de emoções e não dos fundamentos que deveriam produzi-lo faz mal.” (CÉSAR, 2014, p. 8).

    Conhecimento e calor, busca por Deus, oração, mas também leitura e estudo da palavra para que não caiamos em enganos. Equilíbrio é isso que a teologia nos proporciona. Afinal, devemos ter em mente a parte espiritual, o agir misterioso de Deus, mas também temos que ter fundamentos.

    “Encontrar o equilíbrio entre crer e sentir parece ser difícil demais para muitos cristãos pós-modernos, e pouca ajuda procede de seus púlpitos e dos sermões” (OLSON, 2004, p. 25).

    Equilíbrio, ferramentas para entender a palavra e coesão para a nossa fé. Isso são algumas das coisas que a teologia nos proporciona.

    Quem tem uma boa teologia com certeza tem uma vida centrada, quem tem conhecimento e busca a Deus é certamente um cristão relevante. É impossível seguir a Deus sem conhecer a sua palavra, é impossível viver só de emoções, por isso que buscar a Deus e estudar são atitudes básicas de um bom cristão e é por isso que a teologia é importante.

    BIBLIOGRAFIA

    GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida Nova, 1999.

    CÉSAR, Elben. M. Lenz. Teologia para o Cotidiano: A Sabedoria Bíblica para a Vida Diária. Viçosa: Editora Ultimato, 2014.

    OLSON, Roger. História das Controvérsias na Teologia Cristã: 2000 Anos de Unidade e Diversidade. São Paulo: Editora Vida, 2004.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 15: JEJUM

    “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”. (MT 6:16-18) (NVI). 

     Quando eu era novo, frequentava uma igreja onde frequência em culto, o falar em línguas ou a quantidade de vezes que você visitasse a uma vigília, determinava a sua espiritualidade. Porém a espiritualidade não é medida desta forma. Neves explica que: 

    “Jejuar também é uma disciplina espiritual que perde o seu valor se estivermos apenas procurando ser vistos como devotos e piedosos, quando na realidade não o somos” (NEVES, 2012, p. 68).

    Novamente o texto enfatiza a motivação do nosso coração. Porque você jejua? Por qual motivo você ora ou trabalha na igreja? Você procura status, ser o mais santo? É sobre isso que o texto fala.

    O jejum era uma prática comum entre os judeus do tempo de Jesus, haviam até datas predeterminadas para se fazer o jejum. Porém, nestes dias, alguns judeus hipócritas apareciam mal vestidos, sujos e com olhares melancólicos, a fim de parecerem que eram espirituais (CHAMPLIN, 2014, p. 328). Esta não é a verdadeira motivação para o jejum. E sim, termos disciplina, nos mostrando humildes diante de Deus. (STOTT, 1982, p. 143). John Wesley faz uma pontuação importante:

    “Desde o princípio do mundo, satanás se empenha em separar o que Deus juntou. Seu propósito é separar a religião interior da exterior. Ele decidiu fazer uma parecer contrária à outra” (WESLEY, 2015, p. 159).

    Não podemos ter a motivação de parecermos algo e sim, de sermos, tudo começa dentro de nós, em quem nós realmente somos e o porquê fazemos o que fazemos. Quem vive de aparência como o texto diz, já obteve a sua recompensa (v. 16). Porém quem é Cristão, não vive procurando aprovações humanas, e sim, tem como motivação agradar a Deus acima de qualquer coisa.

    Busque a Deus para agradar a Ele, jejue por alguma causa ou para ter mais disciplina em sua vida espiritual. Mas acima de tudo, quando jejuardes, não jejue para homens e sim para Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    NEVES, Itamir, Comentário Bíblico de Mateus, Através da Bíblia, RTM Publicações, São Paulo, 2012.

  • OS SUICIDAS VÃO PARA O CÉU?

    Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas falecem por suicídio no mundo, e a cada indivíduo que se suicida outros 20 já tentaram. É o mal do século, responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (BRASIL, 2017). Mas o problema não acaba por aqui, pois desde novo ouço notícias de pastores ou cristãos se matando, fazendo com que eu me pergunte onde está a família ou a igreja nesta hora? Uma vida interrompida é sempre lamentável, ainda mais quando esta pessoa está em nosso convívio, pois nos deixa a sensação de que poderíamos ter feito algo, mas não fizemos. 

    Um tempo atrás, me perguntaram se o suicida poderia ir ou não para o céu. A resposta que dou comumente a esta pergunta é: “depende”, pois em se tratando de questões sobre uma vida interrompida, a resposta nunca é tão simples assim. Tenho medo de cristãos que insistem em simplificar a questão oferecendo a esta pergunta uma resposta pronta: “A Bíblia diz que os suicidas não herdarão o reino dos céus”.

    Lamento informar, mas este versículo não existe, é uma passagem bíblica inventada, falada como se ela existisse. Aliás, a Bíblia não tem passagem alguma que fala sobre suicídio e para onde estes suicidas vão. E um dos textos que alguns teólogos e pastores usam é Êxodo 20:13: “não matarás”, passagem que faz parte dos 10 mandamentos. Segundo estes teólogos, o suicídio é uma forma de homicídio, além de que a vida é um dom de Deus, por isso temos que zelar por este dom. E sobre o texto, com certeza acredito nele, porém não creio que todo o suicida vá para o inferno, direi por quê.

    Nem sempre o problema do suicida é espiritual, ou mesmo físico ligado a alterações químicas do cérebro, ou psíquicos ligados a transtornos mentais e psicológicos, nem sempre é por conta de problemas econômicos ou mesmo é sentimentalismo, praticado por pessoas que querem atenção, porém todos os casos existem. Contudo, eu acredito que se o suicida fazia tratamento para uma depressão profunda, a qual é uma doença, eu não acredito que este doente vá para o inferno. Pois assim como um paciente de uma doença terminal, falece. Alguém que tem um problema de saúde como este está sujeito aos sintomas de sua doença, que seria “a falta de vontade de viver”.

    Muitos veem o suicídio como a fuga covarde da vida, porém não entendem que muitas vezes o suicídio para um suicida é justamente a resposta para seus problemas. Para eles, nem sempre é fuga, mas a solução.

    O suicídio é algo sério, as estatísticas estão aí para comprovar isso, tratar esta doença de forma leviana não é a saída. Temos que entender que compreensão, companheirismo e acompanhamento médico é importante para que este problema seja evitado. A maioria dos psicólogos afirma que um suicida dá sinais antes de se matar, cabe a nós decifrarmos os sinais e oferecer ajuda.

    Não trate o problema de forma simplista, não jogue peso nas costas de familiares falando bobagens que não estão na Bíblia. Pois cada caso é um caso, e em se tratando de salvação, é Deus quem cuida. Nossa missão é ajudar o próximo, principalmente quando este próximo acabou de perder alguém.

     

    BIBLIOGRAFIA

    BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Boletim Epidemiológico, Brasília, DF, ano 48, n. 30, 2017. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/apresentacoes/2017/2017-025-perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-brasil-e-a-rede-de-aten-ao-a-sa-de-pdf>. Acesso em: 4 ago. 2025.

  • O PECADO DO DESPREZO

    “Os pobres são evitados até por seus vizinhos, mas os amigos dos ricos são muitos”. Quem despreza o próximo comete pecado, mas como é feliz quem trata com bondade os necessitados!” (Provérbios 14:20,21) (NVI). 

    No período em que trabalhei na rua vendendo artesanato, éramos vistos como párias por alguns. Como preguiçosos sem ocupação, frase que ouvi de muitos. Graças a Deus que eu nunca liguei para o que pensam de mim.

    O lamento nisso tudo é que, por trás das pessoas que desprezamos, existem histórias, vivências e experiências que colocamos de lado com a pessoa. O que não entendemos é que nem todos estão na rua porque querem. Alguns foram levados pelas circunstâncias e, gradualmente, de sua maneira, tentaram sair de seus infortúnios, outros optam por estar nas ruas devido a diversos motivos.

    Desprezar o próximo é pecado, como bem pontua a passagem bíblica. E diante desta verdade, faço uma reflexão quanto ao nosso papel de cristãos, em como estamos tratando o próximo, aquele que precisa de ajuda e ignoramos. O quanto estamos praticando o pecado do desprezo.

    Um dia fui com um amigo a um evangelismo de rua e entre as pessoas que assistiam estava um mendigo. No fim do evangelismo, aquele mendigo veio falar conosco, contou suas dificuldades, sua batalha contra o álcool e sobre o que tinha levado ele a viver naquela situação. Lá pelas tantas, o evangelista fala para o mendigo: “Vou comprar algo para você comer”, porém o mendigo responde prontamente: “Eu não quero comida, quero só ser ouvido, ser abraçado, sentir que existo”.

    Muitos neste mundão vivem como se não existissem, são negligenciados sem ao menos serem ouvidos. Ao lermos os evangelhos, vamos ver que foi aos negligenciados pela religião da época que Cristo dava mais atenção. Atitude que muitas vezes nós, que o imitamos, não fazemos.

    Quem despreza o pobre, ou aquele que não tem condições de dar retorno algum, mostra realmente que cristão é: “Um cristão interesseiro. Aquele que busca apenas holofotes ou estar entre os grandes, este já mostrou a que veio.

    Na rua, aprendi que cada um tem a sua história, conheci nos becos esquecidos da vida pessoas com sonhos, frustrações e dificuldades e descobri que não é só o frio ou a fome que castigam estas vidas, mas o fato de serem esquecidas e invisíveis na sociedade. É fácil uma pessoa que tem tudo julgar uma que não tem, sem conhecer a sua história ou seus fantasmas, o difícil é ajudar.

    Olhar os necessitados e esquecidos é mais do que fazer um assistencialismo. É retribuir ao próximo o amor incondicional com que Deus nos amou. Ou entender realmente quem somos. E se não fosse pela graça de Deus, já estaríamos no esgoto.

    É entender que, se pela graça fomos salvos, é com o olhar da graça que temos que perceber o próximo.

  • A FALÊNCIA DO HOMEM – BRUNO WEDEL

    Cazuza foi um dos artistas mais influentes das últimas décadas no cenário nacional. Qualquer pessoa que seja um pouco antenada no mundo, conhece ao menos uma de suas obras. Um de seus hits é a música intitulada “Ideologia”, e ela tem muito a nos ensinar.

    Cazuza foi um homem muito bem sucedido aos olhos da sociedade, alcançando tudo o que alguém possa querer. Sucesso, fama e dinheiro fizeram parte de sua vida. Ele foi um exemplo de sucesso para milhões de pessoas. Poucos meses antes de sua morte ele fez um balanço da vida, o que o inspirou a escrever essa música. Ele seguiu à risca o modelo de vida proposto pela sociedade e o resultado ele expressou nessa letra. Quero destacar algumas frases dessa musica: “e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos…”; Meus heróis morreram de overdose”; “Meus inimigos estão no poder”. Talvez a frase mais marcante seja o refrão: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”.

    Vemos aqui uma pessoa amargurada para quem a vida deu errado. Teve tudo o que alguém possa querer, mas fracassou. Meses antes de se despedir da vida, reconhece que tudo o que conquistou foi insuficiente para lhe proporcionar a felicidade. Ele precisava de algo a mais, e clamou por uma ideologia para viver. Ele pediu por algo que fizesse sua vida valer a pena de ser vivida. Cazuza chegou à mesma conclusão que o Rei Salomão, quando  afirmou: “Tudo é vaidade”. Cazuza e Salomão não são exceções quando chegam a essa conclusão. O modelo de vida proposto pelo homem construiu o mundo que conhecemos; uma sociedade falida.

    Para sairmos desse círculo vicioso temos que aplicar o que Paulo escreveu:

    Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12,2).

    Nossa vida só valerá a pena se não vivermos o que a sociedade nos propõe, e reconfigurarmos nossos princípios de vida conforme a vontade de Deus. Essa renovação da mente é a ideologia que Cazuza tanto buscou. Qualquer fórmula diferente dessa é uma simples ilusão. Pode parecer algo muito “igrejeiro”, mas não deixa de ser verdade. Cazuza apostou suas fichas no homem e perdeu. Resta a pergunta. Onde vou apostar minhas fichas? Onde você vai apostar as tuas?

  • UMA FÉ PÚBLICA – MIROSLAV VOLF

     

    Está é a primeira resenha que eu faço de um livro fruto de uma parceria com a Editora Mundo Cristão. É uma honra poder divulgar um material de uma editora tão relevante, que publica tantas obras de qualidade.

    Confesso que eu não conhecia este teólogo, quando eu acho que já conheci os principais esbarro em mais um tanto de autores relevantes. Miroslav Volf é um teólogo croata, diretor do Centro de Fé e Cultura da Universidade de Yale, sendo autor e editor de mais de 20 obras.

    Neste livro, Miroslav tem como principal objetivo falar sobre as implicações da tolerância e da liberdade religiosa. Ele discorre sobre a importância da religião em nosso cenário polarizado, enfatizando a necessidade do diálogo e de como podemos nos manifestar com uma fé coesa, que traga resultados.

    O livro é muito bem escrito, as análises e reflexões sobre algumas outras religiões muito bem feitas. O autor não se concentra apenas em criticar a religião ou a sociedade, mas também em apontar um caminho e dar ferramentas para uma vida relevante. Gostei muito da exposição que Miroslav fez dos tipos de fé e do perigo da fé superficial e de como ele terminou o livro, falando sobre fé e pluralismo.

    Enfim, leitura obrigatória, material importante para quem quer entender e exercer de forma centrada uma fé que realmente traga resultados.

    Editora Mundo Cristão, 203 páginas.