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ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS
Eu sei o quanto trabalhar é importante, não tenha dúvidas. Custa muito dinheiro viver em sociedade, realizar nossos sonhos e comprar nossas coisas. Mas eu também sei o quanto o tempo em família é fundamental e tem diminuído por conta do nosso trabalho.
Nestes dias, onde crianças matam seus colegas de classe em um dia comum, tal qual aconteceu recentemente em Goiânia, eu me pergunto sobre o quanto estes filhos estão sendo ouvidos e acompanhados.
Uma criança hoje em dia passa muito mais tempo em redes sociais ou jogos do que com os pais. Tem passado muito mais tempo sozinha, jogada de lado, do que sendo ouvida ou orientada. Segundo uma pesquisa feita pela TIC Kids Online Brasil, por volta de oito em cada dez crianças de 9 a 17 anos são usuárias da internet. Com isso, o acesso à informação é grande, mas a riscos online também, o que nos deixa a questão: Quem está cuidando destas crianças?
Nossa geração tem criado órfãos de pais vivos, filhos cujos pais têm como prioridade suas carreiras, seu desenvolvimento pessoal e financeiro. Muitos têm esquecido que não adianta cuidar só da parte financeira, se a parte afetiva da criança fica de lado. Pouco importa se um filho frequenta uma boa escola, se a parte principal da educação como os valores e o respeito não são ensinados. Vale muito pouco ter uma grande casa, bem localizada e mobiliada, se a criança não tem um lar, um abrigo onde ela pode correr. A escola não faz milagres, e nem tem obrigação de educar seu filho, ela escolariza, ensina e acompanha no que pode, mas o principal quem tem que fazer é você. Não adianta terceirizar o trabalho, achar que os outros que devem fazer a sua obrigação, pois no fim, a consequência de qualquer atitude ruim será sua, não tenha dúvidas.
Eu imagino o quão difícil seja chegar de um dia de trabalho, cansado, pensando apenas em desabar no sofá e ainda ter que dar atenção para uma criança. Eu também sei que um pai tem seus sonhos, suas realizações e que a responsabilidade de cuidar de um filho não pode acabar com estes sonhos pessoais. Mas é preciso buscar um equilíbrio, um meio termo a fim de suprir ambas as partes.
Lembre-se de que o adulto é você, não se esqueça de que o filho não entende o que é trabalhar o dia inteiro e ter a responsabilidade de manter uma casa. Muito menos entende seus sonhos, conflitos e a sua responsabilidade ante as obrigações da vida
Eu não sou pai, mas eu sei qual é o gostinho de não ter um pai presente. Meu pai era doente, fui criado por avós, mas os perdi cedo. Sei bem o que é viver sem uma orientação, sem ter alguém que se preocupasse comigo e me educasse.
O papel dos pais é fundamental para a criação de um filho, os valores que você deixará para os seus filhos vão ser seus companheiros por toda a vida. Mesclar o trabalho, sonhos pessoais com seus filhos é a sua obrigação. Pois nem tudo é dinheiro, a coisa que o seu filho mais precisa é de você, e isso só custa o seu tempo.
BIBLIOGRAFIA
TIC KIDS ONLINE BRASIL. Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil 2016. ICT Kids Online Brazil. São Paulo, 2017. Disponível em: http://cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-tic-kids-online-brasil-2016. Acesso em: 21 abr. 2018.
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SOBRE TER RAZÃO
“Uma das ilusões mais fortes quando estamos aprisionados à dimensão da briga é a sensação de que “temos razão”. É como se criássemos uma consciência circular da situação em que nos encontramos, toda ela amarrada em si mesma. Por mais que tentemos, não conseguimos transpor os limites desta subconsciência. Buscamos muitas vezes a opinião de terceiros para que confirmem aquilo que nos parece inconcebível como sendo uma posição defensável do outro. Quando obtemos esta certeza por meio de nosso próprio discernimento e com o apoio de outros a quem consultamos, ficamos diante de uma realidade assustadora. Se a posição do outro é insustentável e se ainda assim ele a mantém, concluímos então que o outro é em si ruim. O outro faz parte do mundo que vê as coisas às avessas. Pensamos “por causa de sujeitos assim é que o mundo é como é!” E prosseguimos em nossas conjecturas: “Se temos razão, então não há outra solução para o conflito senão a renúncia do outro à sua posição” (BONDER, 2010, p. 112).
Quando li este livro, que inclusive foi escrito há alguns anos, não pude deixar de perceber como o tema ainda é atual, ainda mais com estas discussões políticas que temos visto. Eu sei que é um desafio deixar de ver o mundo através de nossas óticas ou crenças, e eu sei também que é um grande desafio deixar de opinar e dizer o que pensamos. Mas o que este capítulo otimamente enfatiza é que nem sempre estamos certos no que afirmamos:
“A sensação de se estar ao lado da justiça, de estar com razão, pode ser legítima apenas enquanto uma opinião, porém nunca como uma certeza. Tanto a confiança total em nosso julgamento quanto a busca obsessiva por provar que o outro está errado têm duas consequências malignas: a acusação e a autojustificação” (BONDER, 2010, p. 112).
O autor continua fazendo alguns bons apontamentos, ele diz usando uma explicação dos rabinos que quando julgamos o outro, acabamos a julgar a nós mesmos. As vezes ao apontarmos os erros do próximo, acabamos por cometer um erro pior ainda.
Nunca mais me esqueci daquele pastor que chutou a santa uns anos atrás, pois por mais que eu não acredite em santos, não creio que chutar seja a solução. No fim, aquele pastor acreditava que aqueles religiosos estavam errados em adorar a santa, mas teve uma atitude pior de falta de amor e intolerância:
“O alerta é claro: nas questões de julgamento, estamos sempre submetidos a uma agenda interna, a interesses que nos justificam, antes mesmo de qualquer imparcialidade. Ou seja, toda a sensação de “ter razão” em uma determinada questão envolve a tentativa de legitimar nossa própria maneira de ser” (BONDER, 2010, p. 113).
Ou seja, este ter razão é mais uma autoafirmação do que a busca real pela verdade. Mas não é fácil eu sei, pois as vezes falamos do que temos certeza, ou não fazemos por mal. O autor continua dando alguns segredos de como ser imparcial, como tentarmos ser justos e desenvolvermos um diálogo assertivo, mas quero terminar com as últimas palavras do capítulo do livro que ressalta o perigo e o desafio de se ter razão:
“Estar com razão é a tênue fronteira entre a devoção e a idolatria. Por um lado, é um sentimento a ser evitado, pois possibilita desvios e perversões, fortificando falsas percepções de si mesmo e dificultando toda a sorte de diálogo. Por outro, é a postura do sábio e do justo, pois saber posicionar-se verdadeiramente em nome do que se acredita ser correto, sem se permitir corromper por interesses e necessidades pessoais, está entre os feitos de mais difícil realização para os seres humanos. Poderíamos dizer, portanto, que existe uma forma construtiva de conflito, no qual o fato de se crer assertivamente “estar com a razão” não apenas promove o diálogo, mas define a própria tarefa do justo” (BONDER, 2010, p. 113).
No fim tudo vai depender do que move você a fazer o que faz, em nome do que você quer ter razão. Buscar o diálogo é importante e se conhecer é fundamental para que não sejamos traídos por nossas falsas percepções deixando de promover o crescimento e o diálogo ao invés de acusações.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A Cabala da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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TER OU NÃO TER?
Muitos já devem ter percebido que a minha crítica é ácida quanto à teologia da prosperidade. A Bíblia nos mostra que ser rico, buscar ouro e prestígio não é uma das pautas do evangelho. Ao contrário, uma lida rápida em algumas passagens do velho testamento você vai ver Deus abençoando o seu povo e estes muitas vezes “agradecendo” a Ele virando as costas. Leia a história de Davi e suas mancadas por conta do dinheiro e poder, ou Salomão e suas extravagâncias e muitos outros personagens.
Por conta deste raciocínio você me pergunta: Devemos então viver na pobreza? Eu prontamente lhe respondo: de maneira alguma, o que eu penso que devemos buscar está lá em Provérbios 30:7-9:
“Duas coisas peço que me dês antes que eu morra:
Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário.
Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor? ’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.
Este importante texto nos traz uma lição que às vezes esquecemos que é a moderação. Costumo falar que dinheiro e poder corrompem e ao estudarmos os ensinos de Cristo vamos perceber o quanto a busca por moderação está no centro de sua mensagem e é justo isso que provérbios enfatiza
Conheço muitos que por causa de sua prosperidade viraram as costas para Deus. A vida nos dá o exemplo de tantos que quando ficaram famosos seguiram seus próprios umbigos e não olharam mais para o Pai Eterno. Eu gosto muito da definição que o dicionário online Dicio nos dá para a palavra moderação:
“Atitude de continuar na medida exata. Comportamento ou característica de quem evita excessos; comedimento. Que demonstra prudência”.
Ser cristão é ser equilibrado, é ter as coisas, mas não ser escravo delas. O cristão já tem um senhor e tudo o que substitui o nosso senhor deve ser descartado. Rob Bell dá um exemplo interessante sobre o perigo do dinheiro ser o nosso senhor:
Uma mansão e um carro de luxo são bens. Não há nada de errado com bens; o problema é o que eles representam para nós quando os usamos e de que forma os desfrutarmos. Bens e posses são substantivos que só significam alguma coisa ao lado de verbos.
Eis por que a riqueza é tão perigosa: se não tivermos cuidado, podemos facilmente ficar com uma garagem repleta de substantivos (BELL, 2012, p. 44).
É sempre bom conquistar as coisas, realizar sonhos, progredir desde que você coloque estas coisas em seu devido lugar. Bens são bons, mas não significam nada se não os usarmos com sabedoria ou colocarmos ele no lugar de Deus.
O segredo é ser sempre grato a Deus, entender a oportunidade que Ele nos dá quando nos presenteia e usar este presente de forma sábia.
BIBLIOGRAFIA
BELL, Rob, O amor vence, Um livro sobre o céu, o inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2012.
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SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS
Vou confessar uma coisa, eu não gosto muito de fazer evangelismo de rua. Esta história de abordar os outros na rua para falar de Deus, não me apetece. Eu gosto de falar de Deus, de pregar, mas não na rua abordando as pessoas e acredito que muitos são assim. Por conta disso deixamos de evangelizar, largamos a missão na mão dos missionários e evangelistas.
Penso que temos uma ideia errada do que é ser missionário, a começar pelo significado da palavra que segundo o dicionário é:
“Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio)
Missionário não é aquele que viaja para outro estado ou país, ou se dedica apenas a esta missão. Missionário é todo o cristão, todo aquele que recebeu Cristo em sua vida, afinal, foi a nós cristãos que ele nos deu a missão de pregar, o ide de Marcos 16:15 foi para todo o discípulo de Cristo.
Você não precisa viajar para ser um missionário, e muito menos ir às ruas para evangelizar. Sua escola, seu trabalho e seu círculo de amigos pode ser um ótimo campo de evangelização. Se você estiver aberto para propagar o evangelho, sua vida pode ser uma vida de missão.
É vidente que alguns receberam a missão de ir para fora, deixar a sua cidade para levar Deus a povos que ainda não o conhecem, mas quem não tem este chamado, seu campo missionário pode ser círculo de amigos e trabalho.
Com bons exemplos podemos ser diferença na vida de amigos, o começo da boa evangelização é prestar atenção no próximo e deixar a sua vida falar. Com certeza o exemplo vem antes das palavras, quando vivemos o evangelho a mensagem começa com a nossa vida, e termina com a pregação
BIBLIOGRAFIA
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CRÔNICAS DE UM DESEMPREGADO
Durante a crise de 2017 fiquei desempregado, normal, mais ou menos 14 milhões de pessoas também ficaram, algo comum durante uma crise, porém, algo um tanto quanto difícil de passar.
Sempre me recoloquei rápido no mercado de trabalho, mas desta vez a coisa não foi fácil, cheguei a gastar todo o meu dinheiro e ainda precisei vender alguns equipamentos extras de bateria para conseguir pagar as minhas contas, porém no fim consegui um trabalho, apesar das perdas.
O maior problema em estar desempregado sem qualquer perspectiva de trabalho é o sentimento de impotência, de não poder fazer nada. O desamparo e a falta de condições de pagar nossas contas nos faz ver o mundo de outra forma. É inevitável esmorecer, olhar para o céu azul e só ver escuridão.
O lado bom de estar sem um emprego é que prestamos mais atenção no próximo. Acabamos por ter mais empatia com quem não tem nada e acabamos até ajudando mais. Eu sou um cara que sempre tenta ver o mundo com os olhos da empatia, tento sempre me colocar no lugar dos outros antes de emitir uma opinião, mas às vezes as facilidades da vida nos cegam, tapam nossa visão quanto ao sofrimento alheio
Neste momento de desemprego eu vi muita gente sorrindo, mesmo que sem esperança. E mesmo que muitos me julgavam por estar sem trabalho já há tempos, pude ver como outros se preocupavam comigo. Foi realmente animador ouvir as palavras de apoio da minha esposa, foi gratificante ver amigos se preocupando, não tem preço saber que não estamos sozinhos.
É claro que eu já fiquei desempregado antes, não estou fazendo tempestade em um copo de água, mas há um tempo eu era solteiro, não tinha tantas responsabilidades e compromissos, por isso, o sentimento era diferente, o que eu tenho passado é algo totalmente novo para mim.
O maior problema de um desempregado é o sentimento de não poder fazer nada, de depender de algo externo para seguir. É claro que podemos sair vendendo coisas na rua, podemos correr atrás das coisas com nosso próprio esforço, mas a segurança do salário mensal não tem preço, sem contar que nem sempre temos o desprendimento de sair na rua para vender coisas.
Foi durante o meu desemprego que pontuei melhor o que iria fazer do meu futuro, foi neste período de falta que entendi o que queria para a minha vida daqui para frente. É no caos que construímos, é ante os problemas que prestamos mais atenção nas possibilidades, é quando estamos sem saída que achamos uma solução.
A falta de segurança nos faz sair do cômodo, a incerteza nos faz termos ideias e progredir, por isso, agradeço a Deus pelos períodos incertos, a escola do deserto é sempre a melhor, sem dúvida alguma, a dificuldade sempre nos traz uma lição, principalmente quando estamos abertos a ela.
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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – DAVID WALTON
Trabalhar com pessoas ou conviver em uma igreja com os mais diferentes cidadãos e as suas dificuldades não é fácil. Não adianta, onde há pessoas há conflitos, o que torna este livro fundamental. Afinal, ser cristão é viver em comunidade e aprender a viver em comunidade é básico para a comunhão.
O autor tem como propósito oferecer ao leitor um guia prático para adquirir inteligência emocional, como o subtítulo otimamente diz. É muito interessante como David Walton trata o tema no livro, os exercícios para que possamos entender como é a nossa Inteligência emocional e todas as dicas que o autor dá.
É um livro fundamental para quem quer aprimorar suas relações pessoais, profissionais, familiares e aprender como lidar com seus sentimentos ou como agir ante as várias situações.
Publicado pela L&PM Editores, com 181 páginas
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O SERMÃO DO MONTE PT 16: TESOUROS
“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (MT 6:19-21) (NVI).
Eu tinha uma amiga que costumeiramente falava que a minha igreja pregava uma vida de pobreza. Ela não concordava com textos como este e constantemente falava que ser Cristão não era ser pobre, eu normalmente respondia, eu concordo com você, mas não sei se também é ser milionário.
Quem me conhece já deve estar cansado de me ouvir falar que “ser cristão é ser equilibrado”. É buscar um meio termo e ter em mente que não precisamos de tudo. Eu gosto muito de uma frase de Epicuro que resume bem este assunto:
“A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades”.
Penso que a frase resume bem como é uma vida equilibrada.
O texto bíblico começa falando “não acumulem”, não tenham como prioridade ajuntar dinheiro. Richards explica a passagem, nos ensinando que:
Naquela época, até mesmo os discípulos acreditavam que a riqueza era sinal da bênção de Deus. Assim, o rico era visto como alguém próximo de Deus, enquanto o pobre era tido como alguém sob julgamento divino. Jesus, no entanto coloca as posses materiais em uma moldura totalmente diferente (RICHARDS, 2013,p. 630).
Como fica claro nos evangelhos, a riqueza não estava entre as prioridades de Cristo, são várias as passagem onde Ele adverte o homem quanto ao perigo das riquezas. A premissa é simples, o texto fala de prioridades deixando uma pergunta entre linhas: “Qual é a sua prioridade, as coisas de Deus ou as do mundo?” O texto não nos manda sermos pobres e andarmos esfarrapados e sim, nos aconselha a termos como prioridade as coisas de Deus. Afinal, as coisas do mundo são finitas, acabam com o tempo as de Deus não.
“Aqui, o ponto para onde Jesus dirige a nossa atenção é a durabilidade comparativa dos dois tesouros. Deveria ser fácil decidir qual dos dois ajuntar, Ele dá a entender, porque tesouros sobre a terra são corruptíveis e, portanto, inseguros, enquanto que tesouros no céu são incorruptíveis e, consequentemente, seguros” (STOTT, 1982, p. 159).
Eu sempre digo e talvez morra dizendo que o poder e o dinheiro corrompem, ele tem a força de nos colocar como privilegiados. Tem o poder de nos fazer olhar o próximo de cima, fazendo-nos acreditar que todos deveriam nos servir. O texto faz uma afirmação importante: “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”, diante disso, a pergunta é simples; Onde esta o seu tesouro? Nas coisas de Deus, no servir ao próximo, em fazer a obra, ou nas coisas do mundo?
Mais uma vez, não quero enfatizar que devemos viver uma vida de pobreza, mas o texto tem como ênfase prioridades, a pergunta é simples: para o que você quer viver? Esta é a pergunta que cabe apenas a você responder.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
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JOIO E TRIGO
“Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi” (Referência: Mateus 13:25-30; 13:36-43) (NVI).
Esta é uma parábola muito importante que vem logo depois da explicação da parábola do semeador (Mateus 13:18-23), e nos dá um aviso fundamental: só Deus sabe quem realmente é cristão e quem não é.
O Joio é uma plantinha semelhante ao trigo, tão igual que pode ser tranquilamente confundida com um:
“O joio, também traduzido por “erva ruim” (NTLH), se parece muito com o trigo nos primeiros estágios de crescimento e, depois disso, as duas plantas ficam tão emaranhadas que não se pode remover uma sem danificar a outra” (CARSON, 2012, p. 1384).
Nesta parábola, Jesus nos dá um ensino importante: “Não somos nós que arrancamos o joio do trigo” (Mateus 13:28-30). Não cabe ao homem julgar quem é cristão ou não, quem é que vai ser salvo ou não, isso fica a cargo apenas de Deus. No último dia o justo juiz julgará e separará quem é joio e quem é trigo.
A título de explicação, é interessante frisar que alguns teólogos afirmarão que Cristo não está falando de falsos cristãos e verdadeiros cristãos e sim, de religiões com cara de cristãs (falsas igrejas) e igrejas verdadeiras. Eles tiram esta conclusão por conta de Cristo ter dito na interpretação da parábola (v. 36) que o campo é o mundo e não a igreja. A meu ver, esta interpretação é equivocada, pois a parábola fala do joio e do trigo, ou seja, do falso cristão e do verdadeiro cristão, ou conforme o texto explica: a boa semente (v. 38) que são os filhos do reino e a má semente, que são os filhos do maligno. O mundo aqui, diz respeito ao local onde os cristãos atuam. Outra coisa que eu quero frisar é que alguns intérpretes afirmarão que o texto fala de cristãos e não cristãos, o que considero outro equívoco, pois o texto fala do joio, algo que se parece muito com o trigo, e não de de pessoas não cristãs. E ainda o texto alerta para o fato que foi o inimigo que semeou este joio, este falso trigo (falso cristão).
“Assim, o campo é o mundo inteiro, mas, do ponto de vista que contempla o mundo como a esfera onde a igreja exerce sua influência; […]. O “joio” é a imitação do trigo. Essa ideia requer interpretação, porquanto o “joio” não é somente qualquer pessoa irreligiosa ou incrédula, mas aqueles que fingem ser parte do “reino”, postando-se entre os cristãos” (CHAMPLIN, 2014, p. 439).
O texto não fala da igreja, mas de cristãos verdadeiros e de falsos cristãos. Não adianta amigos, o mundo é composto de joio e trigo, de cristãos verdadeiros e falsos. É claro que temos que sempre tomar cuidado com as heresias e aplicar a palavra em todo ou qualquer falso ensino, não devemos nos calar. Porém, quem vai arrancar, quem vai dar fim de verdade ao joio é somente Deus.
Eu já vi gente que em nome de separar os “falsos cristãos” dos “verdadeiros” acabaram condenando o diferente, as coisas que não entendiam, a música que era barulhenta demais ou o cara que tinha um cabelo muito comprido. Eu sei que Jesus disse que pelos frutos conhecerei (Mateus 7:16), são os frutos que revelam quem é realmente cristão, porém, nem sempre acertamos, nem sempre o homem sabe enxergar este fruto.
Eu tive um amigo em minha antiga igreja que sempre caía no alcoolismo e nas drogas. Foram tantas as vezes que ele parou o voltou a usar que alguns colegas me falaram que o pastor deveria expulsar aquele cidadão da igreja. Graças a Deus que o pastor não fez isso, pois no fim, aquele cara mudou de vida e hoje é um missionário usado por Deus.
Devemos vigiar sim, não tenha dúvida e através da palavra confrontar tudo o que não é Bíblico, mas não podemos condenar ninguém. E acima de tudo, nem sempre o diferente é pecaminoso ou do demônio, às vezes ele é apenas diferente.
Só Deus conhece quem é o cristão verdadeiro e quem não é. No mundo existe joio e trigo, porém, não somos nós que faremos a separação, apenas Deus no dia do juízo.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
CARSON. DA.; FRANCE , RT.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
RIENCKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2012.
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CONFISSÕES DE UM LEITOR
Quem me conhece um pouquinho que seja já percebe o meu profundo gosto pela leitura. Eu gosto muito de ler e já fazem quase três anos que eu tenho me dedicado ao máximo a leitura e ao estudo. Para coroar esta minha dedicação terminei 2017 com 74 livros lidos, dois a mais do que 2016, e pretendo continuar com este propósito por muitos anos, a meta é chegar em 100 livros ao ano.
Sempre que eu converso com um amigo sobre o hábito da leitura os mesmos que não têm este costume falam: É fácil você ler muito, você gosta de ler e tem tempo. O texto é a resposta que eu dou a estes quando ouço estas desculpas.
Para começar, vamos concordar com uma coisa, uma pessoa com um ótimo hábito de leitura lê em média de 12 a 20 livros por ano, que vai depender é claro dos números de páginas, tema e o estilo da escrita. Não se lê 74 livros por ano apenas por gostar de leitura. Quem lê uma quantidade desta provavelmente se planejou, teve uma meta e a seguiu a fim de chegar a um propósito (eu tenho um acredite).
Sobre o tempo, eu faço apenas uma pergunta, quem tem tempo hoje em dia? Eu curso uma segunda faculdade, tenho esposa, trabalho e tenho um blog que me consome algumas boas horas do meu dia, além dos livros que eu estou escrevendo, você acha que eu tenho tempo? Se eu leio muito, é porque eu me planejo, acordo cedo, separo horários para a leitura e otimizo o meu tempo. Eu gosto de uma frase na qual eu não sei quem é o autor:
“Quem quer faz, quem não quer arranja desculpas”.
Leitura é um hábito, e hábito se cultiva, por isso, jogue fora as desculpas, pense sobre todas as coisas inúteis que consome o seu tempo e separe um pouquinho de tempo para ler.
Confesso que, por mais que eu gostasse de ler, quando resolvi ler mais, tive algumas dificuldades para deixar meus maus hábitos, mas tudo dependeu do meu esforço e da minha perseverança. Contudo sim, é preciso gostar de ler, caso contrário tudo ficará difícil. Eu não sei o que é não gostar de ler, por isso, fica difícil de opinar. Penso que muitas vezes o que temos é preguiça. Conheço muitos que não gostavam de ler, mas que por tentarem, acabaram por desenvolver tal hábito, basta não ter preguiça e tentar, por termos hoje muitos temas de livros acho difícil que alguém não consiga encontrar um tema que se adapte ao seu gosto pessoal.
Eu sei muito bem que é um desafio ler, separar tempo para estudar e ainda ter inúmeras outras coisas para fazer, mas isso não faz com que eu não leia, e sim que eu esteja constantemente me preparando, separando tempo e horário conforme a vida muda ou os compromissos vão chegando.
Gosto sempre de frisar que somos sempre propensos a fazer o que é mais fácil, todos os dias somos levados a fazer coisas que não agregam nada a nossa vida e com isso deixamos de crescer um pouco mais. Não é que eu só estude e não “perca tempo” com outras coisas, é claro que eu me divirto, relaxo, vejo um filme ou séries, mas eu não faço só isso. Todos os dias eu separo um tempo para o estudo e a leitura, tento viver a minha vida com equilíbrio, lembrando sempre que o que vale a pena é sempre mais o difícil e nos tira do comodismo.
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COMO ESTUDAR A BÍBLIA –JOHN MACARTHUR
A grande verdade é que eu comprei este livro pelo autor, não pelo título, pois tenho inúmeros materiais que me auxiliam a estudar a Bíblia e não achei que este seria um livro relevante. Mas no fim, após ler muito tempo depois de ter comprado, tenho este material como uma importante obra.
Como o título já nos indica, o livro é uma ferramenta que nos ajuda a estudar a Bíblia. O livro é bom por ser um material completo, ele fala da diferença que a Bíblia faz na vida do cristão, dá um bom panorama do que é a Bíblia, fala sobre a autenticidade e nos dá boas dicas de estudo. Todos os capítulos terminam com perguntas para revisão e textos Bíblicos para a reflexão.
É um ótimo material para estudo pessoal ou em grupo.
Editora Thomas Nelson, com 141 páginas


