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  • SOBRE A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA

    Já ouvi de alguns que a teologia nos afasta de Deus e enfraquece nossa fé, que o bom mesmo é se entregar, sentir ou deixar que Deus nos dê a interpretação da palavra, um conceito um tanto quanto ilógico e incoerente, que abre pressupostos para inúmeras teorias furadas e falsos ensinos.

    É muito certo que o homem tem um grande medo do desconhecido, é certo também que a Bíblia é um livro complicado para se entender. Há quem diga que a Bíblia é a mãe de todas as heresias. E isso é uma verdade comprovada, principalmente quando nos lembrarmos das muitas barbáries que líderes cristãos causaram por interpretarem mal a palavra de Deus.

    Por outro lado, quem não estuda tem os mesmos problemas de quem interpreta a palavra equivocadamente. A história nos mostra como o emocionalismo criou ensinos que a Bíblia nem de longe defende ou moveres que a palavra, nem de perto ensina. Isso sem contar das inúmeras igrejas que saqueiam as economias de muitos ou que prometem curas em nomes de votos de fé que a Bíblia também não nos ensina fazer e por aí vai. São tantas histórias complicadas com pouco embasamento bíblico. Diante destas problemáticas, a pergunta que surge é: afinal, qual é a importância da teologia para um Cristão?

    A teologia nos auxilia a entender melhor a palavra, ela nos ajuda a pontuar melhor o ensino de Cristo para podermos fazer sua vontade, e como Wayne Grudem já disse em sua teologia sistemática:

    “Estudar teologia nos ajuda a vencer nossas ideias erradas” (GRUDEM, 2010, p. 7)”.

    É um erro afirmar que a teologia nos separa de Deus se o papel dela é justamente interpretar a palavra, nos ajudar a entender melhor os textos bíblicos para não seguirmos ensinando besteiras às pessoas e também para sabermos nos defender dos falsos ensinos. Acho interessante o que Elben M. Lenz César fala na introdução do seu livro:

    “A verdadeira espiritualidade precisa tanto de conhecimento quanto de calor […]. A teologia certinha, na ponta da língua, sem emoções, faz pouco. O fogo espiritual que depende só de emoções e não dos fundamentos que deveriam produzi-lo faz mal.” (CÉSAR, 2014, p. 8).

    Conhecimento e calor, busca por Deus, oração, mas também leitura e estudo da palavra para que não caiamos em enganos. Equilíbrio é isso que a teologia nos proporciona. Afinal, devemos ter em mente a parte espiritual, o agir misterioso de Deus, mas também temos que ter fundamentos.

    “Encontrar o equilíbrio entre crer e sentir parece ser difícil demais para muitos cristãos pós-modernos, e pouca ajuda procede de seus púlpitos e dos sermões” (OLSON, 2004, p. 25).

    Equilíbrio, ferramentas para entender a palavra e coesão para a nossa fé. Isso são algumas das coisas que a teologia nos proporciona.

    Quem tem uma boa teologia com certeza tem uma vida centrada, quem tem conhecimento e busca a Deus é certamente um cristão relevante. É impossível seguir a Deus sem conhecer a sua palavra, é impossível viver só de emoções, por isso que buscar a Deus e estudar são atitudes básicas de um bom cristão e é por isso que a teologia é importante.

    BIBLIOGRAFIA

    GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo: Editora Vida Nova, 1999.

    CÉSAR, Elben. M. Lenz. Teologia para o Cotidiano: A Sabedoria Bíblica para a Vida Diária. Viçosa: Editora Ultimato, 2014.

    OLSON, Roger. História das Controvérsias na Teologia Cristã: 2000 Anos de Unidade e Diversidade. São Paulo: Editora Vida, 2004.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 15: JEJUM

    “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”. (MT 6:16-18) (NVI). 

     Quando eu era novo, frequentava uma igreja onde frequência em culto, o falar em línguas ou a quantidade de vezes que você visitasse a uma vigília, determinava a sua espiritualidade. Porém a espiritualidade não é medida desta forma. Neves explica que: 

    “Jejuar também é uma disciplina espiritual que perde o seu valor se estivermos apenas procurando ser vistos como devotos e piedosos, quando na realidade não o somos” (NEVES, 2012, p. 68).

    Novamente o texto enfatiza a motivação do nosso coração. Porque você jejua? Por qual motivo você ora ou trabalha na igreja? Você procura status, ser o mais santo? É sobre isso que o texto fala.

    O jejum era uma prática comum entre os judeus do tempo de Jesus, haviam até datas predeterminadas para se fazer o jejum. Porém, nestes dias, alguns judeus hipócritas apareciam mal vestidos, sujos e com olhares melancólicos, a fim de parecerem que eram espirituais (CHAMPLIN, 2014, p. 328). Esta não é a verdadeira motivação para o jejum. E sim, termos disciplina, nos mostrando humildes diante de Deus. (STOTT, 1982, p. 143). John Wesley faz uma pontuação importante:

    “Desde o princípio do mundo, satanás se empenha em separar o que Deus juntou. Seu propósito é separar a religião interior da exterior. Ele decidiu fazer uma parecer contrária à outra” (WESLEY, 2015, p. 159).

    Não podemos ter a motivação de parecermos algo e sim, de sermos, tudo começa dentro de nós, em quem nós realmente somos e o porquê fazemos o que fazemos. Quem vive de aparência como o texto diz, já obteve a sua recompensa (v. 16). Porém quem é Cristão, não vive procurando aprovações humanas, e sim, tem como motivação agradar a Deus acima de qualquer coisa.

    Busque a Deus para agradar a Ele, jejue por alguma causa ou para ter mais disciplina em sua vida espiritual. Mas acima de tudo, quando jejuardes, não jejue para homens e sim para Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    NEVES, Itamir, Comentário Bíblico de Mateus, Através da Bíblia, RTM Publicações, São Paulo, 2012.

  • OS SUICIDAS VÃO PARA O CÉU?

    Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas falecem por suicídio no mundo, e a cada indivíduo que se suicida outros 20 já tentaram. É o mal do século, responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (BRASIL, 2017). Mas o problema não acaba por aqui, pois desde novo ouço notícias de pastores ou cristãos se matando, fazendo com que eu me pergunte onde está a família ou a igreja nesta hora? Uma vida interrompida é sempre lamentável, ainda mais quando esta pessoa está em nosso convívio, pois nos deixa a sensação de que poderíamos ter feito algo, mas não fizemos. 

    Um tempo atrás, me perguntaram se o suicida poderia ir ou não para o céu. A resposta que dou comumente a esta pergunta é: “depende”, pois em se tratando de questões sobre uma vida interrompida, a resposta nunca é tão simples assim. Tenho medo de cristãos que insistem em simplificar a questão oferecendo a esta pergunta uma resposta pronta: “A Bíblia diz que os suicidas não herdarão o reino dos céus”.

    Lamento informar, mas este versículo não existe, é uma passagem bíblica inventada, falada como se ela existisse. Aliás, a Bíblia não tem passagem alguma que fala sobre suicídio e para onde estes suicidas vão. E um dos textos que alguns teólogos e pastores usam é Êxodo 20:13: “não matarás”, passagem que faz parte dos 10 mandamentos. Segundo estes teólogos, o suicídio é uma forma de homicídio, além de que a vida é um dom de Deus, por isso temos que zelar por este dom. E sobre o texto, com certeza acredito nele, porém não creio que todo o suicida vá para o inferno, direi por quê.

    Nem sempre o problema do suicida é espiritual, ou mesmo físico ligado a alterações químicas do cérebro, ou psíquicos ligados a transtornos mentais e psicológicos, nem sempre é por conta de problemas econômicos ou mesmo é sentimentalismo, praticado por pessoas que querem atenção, porém todos os casos existem. Contudo, eu acredito que se o suicida fazia tratamento para uma depressão profunda, a qual é uma doença, eu não acredito que este doente vá para o inferno. Pois assim como um paciente de uma doença terminal, falece. Alguém que tem um problema de saúde como este está sujeito aos sintomas de sua doença, que seria “a falta de vontade de viver”.

    Muitos veem o suicídio como a fuga covarde da vida, porém não entendem que muitas vezes o suicídio para um suicida é justamente a resposta para seus problemas. Para eles, nem sempre é fuga, mas a solução.

    O suicídio é algo sério, as estatísticas estão aí para comprovar isso, tratar esta doença de forma leviana não é a saída. Temos que entender que compreensão, companheirismo e acompanhamento médico é importante para que este problema seja evitado. A maioria dos psicólogos afirma que um suicida dá sinais antes de se matar, cabe a nós decifrarmos os sinais e oferecer ajuda.

    Não trate o problema de forma simplista, não jogue peso nas costas de familiares falando bobagens que não estão na Bíblia. Pois cada caso é um caso, e em se tratando de salvação, é Deus quem cuida. Nossa missão é ajudar o próximo, principalmente quando este próximo acabou de perder alguém.

     

    BIBLIOGRAFIA

    BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Boletim Epidemiológico, Brasília, DF, ano 48, n. 30, 2017. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/apresentacoes/2017/2017-025-perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-brasil-e-a-rede-de-aten-ao-a-sa-de-pdf>. Acesso em: 4 ago. 2025.

  • O PECADO DO DESPREZO

    “Os pobres são evitados até por seus vizinhos, mas os amigos dos ricos são muitos”. Quem despreza o próximo comete pecado, mas como é feliz quem trata com bondade os necessitados!” (Provérbios 14:20,21) (NVI). 

    No período em que trabalhei na rua vendendo artesanato, éramos vistos como párias por alguns. Como preguiçosos sem ocupação, frase que ouvi de muitos. Graças a Deus que eu nunca liguei para o que pensam de mim.

    O lamento nisso tudo é que, por trás das pessoas que desprezamos, existem histórias, vivências e experiências que colocamos de lado com a pessoa. O que não entendemos é que nem todos estão na rua porque querem. Alguns foram levados pelas circunstâncias e, gradualmente, de sua maneira, tentaram sair de seus infortúnios, outros optam por estar nas ruas devido a diversos motivos.

    Desprezar o próximo é pecado, como bem pontua a passagem bíblica. E diante desta verdade, faço uma reflexão quanto ao nosso papel de cristãos, em como estamos tratando o próximo, aquele que precisa de ajuda e ignoramos. O quanto estamos praticando o pecado do desprezo.

    Um dia fui com um amigo a um evangelismo de rua e entre as pessoas que assistiam estava um mendigo. No fim do evangelismo, aquele mendigo veio falar conosco, contou suas dificuldades, sua batalha contra o álcool e sobre o que tinha levado ele a viver naquela situação. Lá pelas tantas, o evangelista fala para o mendigo: “Vou comprar algo para você comer”, porém o mendigo responde prontamente: “Eu não quero comida, quero só ser ouvido, ser abraçado, sentir que existo”.

    Muitos neste mundão vivem como se não existissem, são negligenciados sem ao menos serem ouvidos. Ao lermos os evangelhos, vamos ver que foi aos negligenciados pela religião da época que Cristo dava mais atenção. Atitude que muitas vezes nós, que o imitamos, não fazemos.

    Quem despreza o pobre, ou aquele que não tem condições de dar retorno algum, mostra realmente que cristão é: “Um cristão interesseiro. Aquele que busca apenas holofotes ou estar entre os grandes, este já mostrou a que veio.

    Na rua, aprendi que cada um tem a sua história, conheci nos becos esquecidos da vida pessoas com sonhos, frustrações e dificuldades e descobri que não é só o frio ou a fome que castigam estas vidas, mas o fato de serem esquecidas e invisíveis na sociedade. É fácil uma pessoa que tem tudo julgar uma que não tem, sem conhecer a sua história ou seus fantasmas, o difícil é ajudar.

    Olhar os necessitados e esquecidos é mais do que fazer um assistencialismo. É retribuir ao próximo o amor incondicional com que Deus nos amou. Ou entender realmente quem somos. E se não fosse pela graça de Deus, já estaríamos no esgoto.

    É entender que, se pela graça fomos salvos, é com o olhar da graça que temos que perceber o próximo.

  • A FALÊNCIA DO HOMEM – BRUNO WEDEL

    Cazuza foi um dos artistas mais influentes das últimas décadas no cenário nacional. Qualquer pessoa que seja um pouco antenada no mundo, conhece ao menos uma de suas obras. Um de seus hits é a música intitulada “Ideologia”, e ela tem muito a nos ensinar.

    Cazuza foi um homem muito bem sucedido aos olhos da sociedade, alcançando tudo o que alguém possa querer. Sucesso, fama e dinheiro fizeram parte de sua vida. Ele foi um exemplo de sucesso para milhões de pessoas. Poucos meses antes de sua morte ele fez um balanço da vida, o que o inspirou a escrever essa música. Ele seguiu à risca o modelo de vida proposto pela sociedade e o resultado ele expressou nessa letra. Quero destacar algumas frases dessa musica: “e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos…”; Meus heróis morreram de overdose”; “Meus inimigos estão no poder”. Talvez a frase mais marcante seja o refrão: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”.

    Vemos aqui uma pessoa amargurada para quem a vida deu errado. Teve tudo o que alguém possa querer, mas fracassou. Meses antes de se despedir da vida, reconhece que tudo o que conquistou foi insuficiente para lhe proporcionar a felicidade. Ele precisava de algo a mais, e clamou por uma ideologia para viver. Ele pediu por algo que fizesse sua vida valer a pena de ser vivida. Cazuza chegou à mesma conclusão que o Rei Salomão, quando  afirmou: “Tudo é vaidade”. Cazuza e Salomão não são exceções quando chegam a essa conclusão. O modelo de vida proposto pelo homem construiu o mundo que conhecemos; uma sociedade falida.

    Para sairmos desse círculo vicioso temos que aplicar o que Paulo escreveu:

    Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12,2).

    Nossa vida só valerá a pena se não vivermos o que a sociedade nos propõe, e reconfigurarmos nossos princípios de vida conforme a vontade de Deus. Essa renovação da mente é a ideologia que Cazuza tanto buscou. Qualquer fórmula diferente dessa é uma simples ilusão. Pode parecer algo muito “igrejeiro”, mas não deixa de ser verdade. Cazuza apostou suas fichas no homem e perdeu. Resta a pergunta. Onde vou apostar minhas fichas? Onde você vai apostar as tuas?

  • UMA FÉ PÚBLICA – MIROSLAV VOLF

     

    Está é a primeira resenha que eu faço de um livro fruto de uma parceria com a Editora Mundo Cristão. É uma honra poder divulgar um material de uma editora tão relevante, que publica tantas obras de qualidade.

    Confesso que eu não conhecia este teólogo, quando eu acho que já conheci os principais esbarro em mais um tanto de autores relevantes. Miroslav Volf é um teólogo croata, diretor do Centro de Fé e Cultura da Universidade de Yale, sendo autor e editor de mais de 20 obras.

    Neste livro, Miroslav tem como principal objetivo falar sobre as implicações da tolerância e da liberdade religiosa. Ele discorre sobre a importância da religião em nosso cenário polarizado, enfatizando a necessidade do diálogo e de como podemos nos manifestar com uma fé coesa, que traga resultados.

    O livro é muito bem escrito, as análises e reflexões sobre algumas outras religiões muito bem feitas. O autor não se concentra apenas em criticar a religião ou a sociedade, mas também em apontar um caminho e dar ferramentas para uma vida relevante. Gostei muito da exposição que Miroslav fez dos tipos de fé e do perigo da fé superficial e de como ele terminou o livro, falando sobre fé e pluralismo.

    Enfim, leitura obrigatória, material importante para quem quer entender e exercer de forma centrada uma fé que realmente traga resultados.

    Editora Mundo Cristão, 203 páginas.

  • AROMA DE CRISTO

    “Para estes somos cheiro de morte; para aqueles fragrância de vida. Mas, quem está capacitado para tanto?” (Referência: 2 Coríntios 2:14-17).

     Eu gosto muito de cozinhar e acredito que a característica de uma boa comida não é só um bom sabor, mas também um bom aroma, aliás, tudo começa pelo aroma, não é?

    Nesta passagem, Paulo também fala de aromas, mais especificamente do aroma de Cristo, só que ele fala uma coisa curiosa sobre este aroma. Que para alguns o aroma leva a morte, para outros leva a vida. Se você ficou confuso e não entendeu, deixa eu lhe explicar o contexto histórico do texto, que você entenderá.

    Paulo começa dando graças a Deus que em Cristo ele foi conduzido em triunfo (v. 14), sabemos o quanto Paulo sofreu, por isso, entendemos que a sua mensagem não é triunfalista, mas de superação, de vitória em meio a dificuldades. Logo depois ele fala do aroma de Cristo, Champlin otimamente explica o que é:

    “Estas palavras dão prosseguimento à figura simbólica dos conquistadores romanos, em suas marchas triunfais, quando traziam consigo os seus cativos, cuja humilhação grandemente aumentava a glória dos conquistadores. Algumas vezes essa exibição era cruel, no caso de inimigos especialmente difíceis. […] As rotas seguidas por essas paradas eram geralmente assinaladas por piras de incenso, que deixavam escapar nuvens de fumaça fragrante ao longo do caminho a ser percorrido. Nessas oportunidades os templos tinham suas portas escancaradas, grinaldas de flores decoravam todo o nicho, e o incenso subia de todos os altares. Essas coisas “proclamavam” o triunfo, de modo a tornar-se conhecido de todos” (CHAMPLIN, 2014, p. 391).

    Para quem estava comemorando a vitória, aquele cheiro de incenso era bom, tinha sabor de vitória. Mas para quem era prisioneiro e estava sendo humilhado diante da nação vitoriosa o cheiro de incenso, apesar de ser bom, tinha odor de morte, de sofrimento.

    Quem segue a Cristo sente o aroma da graça, da restauração, quem não segue, sente o aroma de morte. Eu gosto como Eugene H. Peterson parafraseia a passagem de 2 Coríntios 2:14-16:

    “No Messias, em Cristo, Deus nos leva de lugar em lugar num desfile de vitória perpétua. Por meio de nós, ele traz o conhecimento de Cristo. Aonde quer que vamos, o povo aspira o excelente perfume desse conhecimento. Por causa de Cristo, exalamos uma doce fragrância que sobe até Deus e é reconhecida pelos que trilham o caminho da salvação – um aroma com agradável cheiro de vida. Mas aqueles que estão no caminho da destruição nos tratam mais como se exalássemos o cheiro desagradável de um cadáver” (2012, p. 1641).

    Não é a toa que muitas vezes incomodamos, não é a toa que ouvimos falar de muitos cristãos que sofrem e são mortos por amor a Cristo. Pois estes tem cheiro de morte, de condenação, para muitos que se opõe ao evangelho, mas para quem segue a Cristo, tem cheiro de vida. Esta é a sensação que um cristão verdadeiro, que não modifica a palavra, como bem evidencia o versículo 17, causa nas pessoas, ou seja, incômodo. Paulo não modificava o evangelho nem tirava a parte ofensiva, ele pregava a verdade, sem maquiagens.

    Se o evangelho não incomodar, temo que este não seja o evangelho. Se a palavra não causar sensação de querer mudar, de vomitar a sua velha vida e seguir para uma nova vida, estamos no caminho errado.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

  • POR QUE NÃO SOU CALVINISTA

    Conheci o calvinismo da pior forma que você pode imaginar, por meio de discussões de teólogos que não demoravam em humilhar e rebaixar quem pensava diferente. Já vi cenas realmente tristes, que tinham como principal objetivo rebaixar e aviltar a posição contrária à sua.

    Quando tive contato com o calvinismo, eu discordava, por conta do discurso de ódio extremo que via, nunca acreditei em um cristianismo assim. Porém, com o tempo, comecei a estudar e tentar entender estas duas visões (calvinismo e arminianismo).

    Não sou calvinista porque não acredito que Cristo tenha morrido por alguns (expiação limitada). Seria incoerente o pecado alcançar toda a raça humana, mas a graça de Deus não. Aliás, nem Calvino acreditava nisto, ele acreditava que Deus tinha morrido por todos, mas o seu sacrifício só fazia efeito em alguns, os eleitos. Penso que este ensino fica muito longe do Deus de amor que se revelou na Bíblia. Não é que Deus não possa, ao contrário, Ele faz o que quer, mas certas atitudes não condizem com o que a Bíblia fala d’Ele.

    Não consigo crer também, conforme alguns teólogos, que Deus predestinou alguns da raça humana caída e deixou outros de fora (eleição incondicional). E, por mais que você diga que Deus não predestina para a condenação, só para a salvação, por exclusão, este Deus deixa muitos de fora, sem dar nenhuma chance e oportunidade aos outros. Vamos ser julgados segundo as nossas obras, ou o que tivermos feito (Apocalipse 20:12), isso denota ação e responsabilidade moral, seria até loucura concluir que seremos julgados por erros que não conseguimos parar de praticar, que estão fora de nosso controle. Além de deixar transparecer, entre linhas, que não temos responsabilidade em nossos atos, pecados e erros, por não termos controle, não sermos livres. Acredito que somos responsáveis sim, é por isso que seremos julgados. Apesar de também não acreditar que por nós mesmos conseguimos escolher e buscar a Deus. É por isso que acredito na graça preveniente ou capacitadora, que nos dá a capacidade de escolher o evangelho ou não. Tem um texto no site que explica bem esta teologia. Segue o link: Graça Preveniente.

    Mas existe um ponto principal que me faz não ser calvinista, a divisão que esta teologia causa na igreja. John Wesley, em seu livro O Sermão do Monte, tem uma conclusão genial sobre o problema das divisões na igreja:

    Satanás, o sutil deus de seu mundo, empenha-se em destruir os filhos de Deus e impedi-los de alcançar a santidade que está diante deles. Ele tenta embaraçar, atrapalhar e atormentar todos que não consegue destruir. Um de seus inúmeros planos é dividir o evangelho e, com parte dele, contradizer e golpear a outra (WESLEY, 2015, p. 51).

    Nesta minha caminhada,  já vi muitos abandonarem a igreja, ter conflitos em sua fé e nunca mais conseguir se recuperar de certas humilhações. Não queira saber o que eu já vi e o quanto muitos sofreram por conta de extremismos.

    Aconselho você a tentar deixar de lado o calvinismo ou arminianismo, para estudar a palavra de forma mais profunda. Você vai ver como uma visão imparcial da palavra revelará versículos que em alguns momentos definem o calvinismo, em outros o arminianismo. Isso se dá não porque a Bíblia se contradiz, e sim porque certos mistérios são incompreensíveis para o homem.

    Deus predestina (Efésios 1:5), mas arranca um ramo que, estando Nele, não dá frutos (Mateus 7:19). Deus não faz acepção de pessoas (Tiago 2:1-9), mas escolheu alguns (Romanos 8:29). Enfim, é um mistério a responsabilidade humana, é um mistério como a salvação se dá. A trindade é um mistério (três em um?), Deus é um mistério, por mais que estudemos, nunca, nós seres finitos, entenderemos um Deus infinito.

    Penso que, muito mais que divisão, nós cristãos temos muitas coisas que nos unem. A própria mensagem da cruz é unânime, e ter equilíbrio é fundamental para a igreja continuar unida, ao invés de dividida. Afinal, eu não sou calvinista, pois sou cristão, é a Cristo que sigo e não a Calvino ou Armínio.

    BIBLIOGRAFIA

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

  • OLHAR NEGATIVO: APRENDENDO A AMAR: JOSH MCDOWELL

    “Durante uma série de conferências de três dias na Universidade do Tennesse participei de uma reunião com a equipe da cruzada e alguns estudantes ativos na organização. Uma das estudantes disse:

    “Não vou mais distribuir folhetos; Todo o mudo está mostrando uma atitude negativa em relação às reuniões e só ouvi comentários desagradáveis esta manhã”.

    Na mesma hora perguntei: – Quantas pessoas lhe causaram problemas? Vinte e cinco?

    – Não!

    – Dez?

    – Não!

    – Cinco?

    – Não!

    Descobrimos que apenas duas pessoas haviam reagido de maneira negativa aos 200 ou 300 folhetos que foram entregues. Todos os que estavam na sala, ela inclusive, perceberam que o lado negativo fora superdimensionado (MCDOWELL, 2001, p. 65, 66)

    Eu quis expor este trecho do livro para exemplificar como muitas vezes somos traídos por nossos olhares negativos. Alguns se perguntam por que tudo tem dado errado, mas não enxergam que muitas vezes só estão sendo vítimas de sua forma de ver a situação.

    Há quem diga, eu mesmo não tenho certeza, que a Coca-Cola era um remédio que deu errado e acabou virando um dos refrigerantes mais consumidos no mundo. Ou que Thomas Edison, o inventor da lâmpada, tentou milhares de vezes, para no fim conseguir produzir a lâmpada que conhecemos. E que o livro da escritora Agatha Christie foi recusado por cinco editoras, para no fim ser publicado, sendo consagrada como uma das maiores escritoras de livros policiais do mundo. Os exemplos de persistência são muitos, a importância de conseguirmos combater nosso olhar negativo ante as frustrações é fundamental para o sucesso de nossa empreitada.

    Temos que tomar cuidado para não transformarmos um probleminha em uma catástrofe, ou uma chuvinha fina em um temporal. Talvez por supervalorizarmos problemas é que nos encontramos ainda na mesma situação. E ao aprendermos a olhar o caso com outros olhos, talvez vejamos a saída que muitas vezes é mais óbvia do que imaginamos.

    Eu costumo usar, (ou tentar), uma regra em minha vida quando tenho um problema para resolver. Se o problema tem solução, tento resolver, se não tem, tento lidar com as consequências daquele problema.

    Um olhar positivo refresca a mente e nos deixa menos pilhado. Tentar acalmar a mente ante as situações nos faz ver as saídas que com o olhar negativo não nos é óbvio.

     

    BIBLIOGRAFIA

    MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001

    http://www.cocacolaportugal.pt/informacao/curiosidades

  • SOBRE O SOFRER

    Você já se perguntou por que sofre? Você já parou para pontuar o que te magoa ou te machuca tanto? Sofrimento segundo o dicionário é:

    “Dor física ou moral; padecimento, amargura. Desgraça, desastre” (Dicio)

    É evidente que o sofrimento físico não controlamos, se não formos medicados, certamente sofreremos. Mas e as outras situações? Por que sofremos tanto com a amargura, a perda de dinheiro, trabalho, ou o rompimento de um relacionamento?

    O sofrimento está muitas vezes ligado ao fato de não aceitarmos o que aconteceu conosco. O sofrer é um constante olhar ao passado. É não aceitar e não seguir em frente, é uma prisão que nos deixa estagnados. Seiiti Arata vai dizer uma coisa interessante em um de seus vídeos (Como parar de sofrer em cinco minutos), que o sofrer é uma desconexão da expectativa com a realidade. É o não aceitar mudanças ou as situações adversas que não controlamos.

    Entenda, não temos o controle da vida, entenda que o sofrer é inevitável, ter problemas, faltas ou mortes faz parte do cotidiano, sofre menos quem aprende a superar as adversidades de forma mais rápida:

    “A dor não é uma ilusão, é sintoma da vida. Onde quer que haja vida, haverá dor; onde quer que haja vida, será possível desmascarar o desespero” (BONDER, 2005, p.13)

    Se o sofrer é inevitável, faz parte da vida, lidar com o sofrimento é fundamental para seguirmos bem. Não estou falando para aceitar calado, em se estagnar ou se conformar, mas de agir, superar, aprender a crescer com o sofrimento.

    Encare seus problemas de frente, aprenda a superar suas adversidades, entenda que todos sofrem e ganha quem sabe lidar com o sofrimento, quem busca soluções, quem aceita que a dor existe e todos têm.

    Se lamentar, se entregar, ficar reclamando como coitado não ajuda. Entender o problema, aceitar e procurar uma maneira de seguir, sim.

     

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, A arte de se salvar, ensinamentos judaicos sobre o limite do fim e da tristeza, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2015.

    https://www.dicio.com.br/sofrimento/