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  • AROMA DE CRISTO

    “Para estes somos cheiro de morte; para aqueles fragrância de vida. Mas, quem está capacitado para tanto?” (Referência: 2 Coríntios 2:14-17).

     Eu gosto muito de cozinhar e acredito que a característica de uma boa comida não é só um bom sabor, mas também um bom aroma, aliás, tudo começa pelo aroma, não é?

    Nesta passagem, Paulo também fala de aromas, mais especificamente do aroma de Cristo, só que ele fala uma coisa curiosa sobre este aroma. Que para alguns o aroma leva a morte, para outros leva a vida. Se você ficou confuso e não entendeu, deixa eu lhe explicar o contexto histórico do texto, que você entenderá.

    Paulo começa dando graças a Deus que em Cristo ele foi conduzido em triunfo (v. 14), sabemos o quanto Paulo sofreu, por isso, entendemos que a sua mensagem não é triunfalista, mas de superação, de vitória em meio a dificuldades. Logo depois ele fala do aroma de Cristo, Champlin otimamente explica o que é:

    “Estas palavras dão prosseguimento à figura simbólica dos conquistadores romanos, em suas marchas triunfais, quando traziam consigo os seus cativos, cuja humilhação grandemente aumentava a glória dos conquistadores. Algumas vezes essa exibição era cruel, no caso de inimigos especialmente difíceis. […] As rotas seguidas por essas paradas eram geralmente assinaladas por piras de incenso, que deixavam escapar nuvens de fumaça fragrante ao longo do caminho a ser percorrido. Nessas oportunidades os templos tinham suas portas escancaradas, grinaldas de flores decoravam todo o nicho, e o incenso subia de todos os altares. Essas coisas “proclamavam” o triunfo, de modo a tornar-se conhecido de todos” (CHAMPLIN, 2014, p. 391).

    Para quem estava comemorando a vitória, aquele cheiro de incenso era bom, tinha sabor de vitória. Mas para quem era prisioneiro e estava sendo humilhado diante da nação vitoriosa o cheiro de incenso, apesar de ser bom, tinha odor de morte, de sofrimento.

    Quem segue a Cristo sente o aroma da graça, da restauração, quem não segue, sente o aroma de morte. Eu gosto como Eugene H. Peterson parafraseia a passagem de 2 Coríntios 2:14-16:

    “No Messias, em Cristo, Deus nos leva de lugar em lugar num desfile de vitória perpétua. Por meio de nós, ele traz o conhecimento de Cristo. Aonde quer que vamos, o povo aspira o excelente perfume desse conhecimento. Por causa de Cristo, exalamos uma doce fragrância que sobe até Deus e é reconhecida pelos que trilham o caminho da salvação – um aroma com agradável cheiro de vida. Mas aqueles que estão no caminho da destruição nos tratam mais como se exalássemos o cheiro desagradável de um cadáver” (2012, p. 1641).

    Não é a toa que muitas vezes incomodamos, não é a toa que ouvimos falar de muitos cristãos que sofrem e são mortos por amor a Cristo. Pois estes tem cheiro de morte, de condenação, para muitos que se opõe ao evangelho, mas para quem segue a Cristo, tem cheiro de vida. Esta é a sensação que um cristão verdadeiro, que não modifica a palavra, como bem evidencia o versículo 17, causa nas pessoas, ou seja, incômodo. Paulo não modificava o evangelho nem tirava a parte ofensiva, ele pregava a verdade, sem maquiagens.

    Se o evangelho não incomodar, temo que este não seja o evangelho. Se a palavra não causar sensação de querer mudar, de vomitar a sua velha vida e seguir para uma nova vida, estamos no caminho errado.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

  • POR QUE NÃO SOU CALVINISTA

    Conheci o calvinismo da pior forma que você pode imaginar, através de discussões de teólogos que não demoravam em humilhar e rebaixar quem pensava diferente. Já vi cenas realmente tristes, que tinham como principal objetivo denegrir e aviltar a posição contrária a sua.

    Quando eu tive contato com o calvinismo eu discordava, por conta do discurso de ódio extremo que eu via, eu nunca acreditei em um cristianismo assim. Porém com o tempo comecei a estudar e tentar entender estas duas visões (calvinismo e o arminianismo).

    Eu não sou calvinista porque não acredito que Cristo tenha morrido por alguns (expiação limitada). Seria incoerente o pecado alcançar toda a raça humana, mas a graça de Deus não. Aliás, nem Calvino acreditava nisto, ele acreditava que Deus tinha morrido por todos, mas o seu sacrifício só fazia efeito em alguns, os eleitos. Penso que este ensino fica muito longe do Deus de amor que se revelou na Bíblia. Não é que Deus não possa, ao contrário, Ele faz o que quer, mas certas atitudes não condizem com o que a Bíblia fala d’Ele.

    Não consigo crer também, conforme alguns teólogos, que Deus predestinou alguns da raça humana caída e deixou outros de fora (eleição incondicional).  E por mais que você diga que Deus não predestina para a condenação só para a salvação, por exclusão, este Deus deixa muitos de fora, sem dar qualquer chance e oportunidade aos outros. Vamos ser julgados segundo as nossas obras, ou o que tivermos feito (Apocalipse 20:12), isso denota ação e responsabilidade moral, seria até loucura concluir que seremos julgados por erros que não conseguimos parar de praticar, que está fora de nosso controle. Além de deixar transparecer, entre linhas, que não temos responsabilidade em nossos atos, pecados e erros, por não termos controle, não sermos livres. Acredito que somos responsáveis sim, é por isso que seremos julgados. Apesar de também não acreditar que por nós mesmos conseguimos escolher e buscar a Deus. É por isso que acredito na graça preveniente ou capacitadora, que nos dá a capacidade de escolher o evangelho ou não. Tem um texto no blog que explica bem esta teologia segue o link: Graça Preveniente

    Mas existe um ponto principal, que me faz não ser calvinista, a divisão que esta teologia causa na igreja, John Wesley em seu livro: O Sermão do Monte tem uma conclusão genial sobre o problema das divisões na igreja:

    Satanás, o sutil deus de seu mundo, empenha-se em destruir os filhos de Deus e impedi-los de alcançar a santidade que está diante deles. Ele tenta embaraçar, atrapalhar e atormentar todos que não consegue destruir. Um de seus inúmeros planos é dividir o evangelho e, com parte dele, contradizer e golpear a outra (WESLEY, 2015, PG 51).

    Nesta minha caminhada eu já vi muitos abandonarem a igreja, a ter conflitos em sua fé e nunca mais conseguir se recuperar de certas humilhações. Não queira saber o que eu já vi e o quanto muitos sofreram por conta de extremismos.

    Eu aconselho você a tentar deixar de lado o calvinismo ou arminianismo, para estudar a palavra de forma mais profunda. Você vai ver como uma visão imparcial da palavra revelará versículos que hora define o calvinismo hora o arminianismo. Isso se dá não porque a Bíblia se contradiz e sim porque certos mistérios são incompreensíveis para o homem.

    Deus predestina (Efésios 1:5), mas arranca fora um ramo que estando n’Ele não dá frutos (Mateus 7:19). Deus não faz acepção de pessoas (Tiago 2:1-9), mas escolheu alguns (Romanos 8:29). Enfim, é um mistério a responsabilidade humana, é um mistério como a salvação se dá. A trindade é um mistério (três em um?), Deus é um mistério, por mais que estudemos, nunca, nós seres finitos, entenderemos um Deus infinito.

    Penso que muito mais que divisão nós cristãos temos muitas coisas que nos unem. A própria mensagem da cruz é unânime, e ter equilíbrio é fundamental para que a igreja continue unida, ao invés de divida. Afinal, eu não sou calvinista, pois eu sou cristão, é a Cristo que eu sigo e não a Calvino ou Armínio.

    BIBLIOGRAFIA

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

  • OLHAR NEGATIVO: APRENDENDO A AMAR: JOSH MCDOWELL

    “Durante uma série de conferências de três dias na Universidade do Tennesse participei de uma reunião com a equipe da cruzada e alguns estudantes ativos na organização. Uma das estudantes disse:

    “Não vou mais distribuir folhetos; Todo o mudo está mostrando uma atitude negativa em relação às reuniões e só ouvi comentários desagradáveis esta manhã”.

    Na mesma hora perguntei: – Quantas pessoas lhe causaram problemas? Vinte e cinco?

    – Não!

    – Dez?

    – Não!

    – Cinco?

    – Não!

    Descobrimos que apenas duas pessoas haviam reagido de maneira negativa aos 200 ou 300 folhetos que foram entregues. Todos os que estavam na sala, ela inclusive, perceberam que o lado negativo fora superdimensionado (MCDOWELL, 2001, p. 65, 66)

    Eu quis expor este trecho do livro para exemplificar como muitas vezes somos traídos por nossos olhares negativos. Alguns se perguntam por que tudo tem dado errado, mas não enxergam que muitas vezes só estão sendo vítimas de sua forma de ver a situação.

    Há quem diga, eu mesmo não tenho certeza, que a Coca-Cola era um remédio que deu errado e acabou virando um dos refrigerantes mais consumidos no mundo. Ou que Thomas Edison, o inventor da lâmpada, tentou milhares de vezes, para no fim conseguir produzir a lâmpada que conhecemos. E que o livro da escritora Agatha Christie foi recusado por cinco editoras, para no fim ser publicado, sendo consagrada como uma das maiores escritoras de livros policiais do mundo. Os exemplos de persistência são muitos, a importância de conseguirmos combater nosso olhar negativo ante as frustrações é fundamental para o sucesso de nossa empreitada.

    Temos que tomar cuidado para não transformarmos um probleminha em uma catástrofe, ou uma chuvinha fina em um temporal. Talvez por supervalorizarmos problemas é que nos encontramos ainda na mesma situação. E ao aprendermos a olhar o caso com outros olhos, talvez vejamos a saída que muitas vezes é mais óbvia do que imaginamos.

    Eu costumo usar, (ou tentar), uma regra em minha vida quando tenho um problema para resolver. Se o problema tem solução, tento resolver, se não tem, tento lidar com as consequências daquele problema.

    Um olhar positivo refresca a mente e nos deixa menos pilhado. Tentar acalmar a mente ante as situações nos faz ver as saídas que com o olhar negativo não nos é óbvio.

     

    BIBLIOGRAFIA

    MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001

    http://www.cocacolaportugal.pt/informacao/curiosidades

  • SOBRE O SOFRER

    Você já se perguntou por que sofre? Você já parou para pontuar o que te magoa ou te machuca tanto? Sofrimento segundo o dicionário é:

    “Dor física ou moral; padecimento, amargura. Desgraça, desastre” (Dicio)

    É evidente que o sofrimento físico não controlamos, se não formos medicados, certamente sofreremos. Mas e as outras situações? Por que sofremos tanto com a amargura, a perda de dinheiro, trabalho, ou o rompimento de um relacionamento?

    O sofrimento está muitas vezes ligado ao fato de não aceitarmos o que aconteceu conosco. O sofrer é um constante olhar ao passado. É não aceitar e não seguir em frente, é uma prisão que nos deixa estagnados. Seiiti Arata vai dizer uma coisa interessante em um de seus vídeos (Como parar de sofrer em cinco minutos), que o sofrer é uma desconexão da expectativa com a realidade. É o não aceitar mudanças ou as situações adversas que não controlamos.

    Entenda, não temos o controle da vida, entenda que o sofrer é inevitável, ter problemas, faltas ou mortes faz parte do cotidiano, sofre menos quem aprende a superar as adversidades de forma mais rápida:

    “A dor não é uma ilusão, é sintoma da vida. Onde quer que haja vida, haverá dor; onde quer que haja vida, será possível desmascarar o desespero” (BONDER, 2005, p.13)

    Se o sofrer é inevitável, faz parte da vida, lidar com o sofrimento é fundamental para seguirmos bem. Não estou falando para aceitar calado, em se estagnar ou se conformar, mas de agir, superar, aprender a crescer com o sofrimento.

    Encare seus problemas de frente, aprenda a superar suas adversidades, entenda que todos sofrem e ganha quem sabe lidar com o sofrimento, quem busca soluções, quem aceita que a dor existe e todos têm.

    Se lamentar, se entregar, ficar reclamando como coitado não ajuda. Entender o problema, aceitar e procurar uma maneira de seguir, sim.

     

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, A arte de se salvar, ensinamentos judaicos sobre o limite do fim e da tristeza, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2015.

    https://www.dicio.com.br/sofrimento/

  • O SERMÃO DO MONTE PT 14: O PAI NOSSO

    “E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Referência: Mateus 6:7-14) (NVI). 

    Enfim, chegamos ao ponto crucial do “Sermão do Monte” que é a hora no qual Cristo nos ensina a orar. Sugiro que antes leia com cuidado Mateus 6:7-14, para que você entenda esta importante passagem bíblica. 

    O texto começa falando de vãs repetições, que diz respeito ao culto pagão, que tinha como base a crença que a repetição cansaria os deuses a ponto de convencer eles a atenderem seus pedidos (CHAMPLIN, 2014, p. 323). O texto não fala do muito orar, nem sobre insistir em seus pedidos e sim, na oração sem sentido, da tagarelice com palavras vazias:

    “O ensino aqui não é simplesmente contra o tamanho das nossas orações, seja longo, seja curto. Jesus ensina contra a oração sem sentido. Combate o uso da repetição vazia” (WESLEY, 2015, p. 147).

    Temos que entender o que estamos pedindo, nossa oração deve ser consciente tendo em mente que Deus tudo sabe, muito antes de pedirmos (v. 8) e ele conhece a nosso coração. E acima de tudo, a oração é um momento de entrega, rendição e intimidade, é só orando que teremos intimidade com Deus, e não é só um momento de pedir, afinal ele sabe de tudo não é?

    Cristo não nos ensinou apenas uma oração para repetirmos, mas nos deu um esboço de como deveria ser nossa oração.

    A oração que Cristo nos ensinou começa com adoração a Deus (v. 9). Deus é o nosso Pai, e como um Pai, Ele é amor, e é isso que as primeira palavras destacam. Venha o teu reino (v. 10), enfatiza a importância de seu reinado em nossa vida, onde nós somos submissos a Ele e a quem devemos nossa gratidão, onde a vontade d’Ele é feita, assim na terra como no céu.

    A oração continua com o pedido de provisão (v. 11), sem esquecermos de algo curioso, o texto fala do pão nosso e não do meu pão. Dando-nos a entender que o pedido é comunitário, não é só o meu pão, mas é o do meu irmão, do próximo, o pedido não é egoísta, mas é em conjunto. Perdoa as nossa dívidas (v. 12) é um apelo que temos que fazer a Deus todos os dias, por nossa mazelas, pecados e erros. Mas o texto continua e faz um apontamento importante. Assim como nós perdoamos nossos devedores, o nosso perdão é um resultado de termos sido perdoados por Deus. Ele nos perdoa, assim como nós perdoamos. Com isso, se não perdoamos o próximo temos um problema, afinal Deus nos perdoa, não é? Diante disso, temos que perdoar, o texto fala de pureza, de busca e do resultado prático que deve ser visto em nossa vida. E a oração termina com uma suplica a proteção divina. Só Ele pode nos proteger, só Deus tem o poder de nos livrar do mal, da tentação e das ciladas do maligno (v. 13).

    A oração é muito completa: Adoração, o reinado d’Ele em nossa vida, que a vontade d’Ele seja feita sempre, provisão, perdão e proteção. Sobre oração, Hallesby tem uma definição muito profunda:

    “Orar é permitir que Jesus entre em nosso coração” (2011, p. 9).

    Orar é buscar intimidade com o Pai, é o fôlego da alma, é o clamor diante do caos, focando sempre em um momento de comunhão com Deus. Stott complementa:

    “Jesus quer que nossas mentes e corações se envolvam no que estamos dizendo. Então, a oração é vista como deve ser, não como uma repetição de palavras sem significado, nem como um meio de autoglorificação, mas como uma verdadeira comunhão com o nosso Pai celeste” (STOTT, 1982, p. 148, 149).

    Não há outra forma de seguir a Deus que não seja orando e lendo a Bíblia. Não tem como fazer a Sua vontade e muito menos termos comunhão com Ele, se não oramos.

    Orar é essencial, se você não sabe, comece pelo “Pai Nosso”, mas entenda todas as palavras, assimile sua mensagem que aos poucos você fará a sua oração e terá a sua comunhão com o Pai.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    HALLESBY, O. Oração, O segredo de abrir o coração, Encontro Publicações, Curitiba, 2011.

     

  • LIDERANÇA CENTRALIZADORA

    Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto uma porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito, porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia (2 Coríntios 2:12-13).

    Confesso que esta passagem me impressiona, vim de algumas igrejas onde a liderança era centralizadora. Com pastores que achavam que a igreja era de sua propriedade e por isso não levantavam auxiliares, transformando a comunidade em um grande feudo, onde só ele mandava.

    Isso é mais comum do que imaginamos e quem perde é a igreja, que deixa de crescer saudável, com uma boa equipe de líderes tomando a frente, tendo a certeza de que se aquele pastor morrer ou se ausentar, a obra continuará. E sobre líderes centralizadores, Paulo definitivamente não era um deles, pois a Bíblia narra que o seu ministério era feito de parceiros e colaboradores, ele não fazia nada sozinho e esta passagem atesta muito bem isso.

    Não sabemos muito de Tito antes de sua chegada a Corinto, mas sabemos que em Corinto ele teve um papel fundamental sendo um dos representantes de Paulo naquela cidade, solucionando um problema que havia na igreja e é provavelmente por isso que Paulo esperava ver Tito.

    Tito provavelmente teria sido o portador da chamada “epístola severa” (2 Coríntios 10 a 13) que foi uma das peças chaves para solucionar o problema daquela comunidade cristã e Paulo aguardava ansioso por notícias. (CHAMPLIN, 2014, p. 390, 391).

    Ninguém consegue fazer a obra sozinho, é impossível entrarmos em uma empreitada dessa sem ajuda, parcerias e apoios. Uma Igreja saudável é constituída de parceiros e vários líderes auxiliando.

    Eu não sei o que leva líderes a serem centralizadores, talvez um dos motivos seja um medo de perder seu cargo ou ser passado para trás, quem sabe seja um sentimento de que só eles têm a capacidade de fazer o que eles fazem, enfim, os motivos podem ser muitos, mas uma coisa é certa, líderes centralizadores desmotivam a todos em sua volta. Além de deixar a igreja estagnada, sem crescer e se desenvolver.

    Moisés passou por algo parecido enquanto liderava o povo de Israel, ele julgava sozinho as questões do povo e provavelmente se esgotava muito por conta disso, era o dia inteiro atendendo o povo, imagine a sua canseira. Contudo alguém mais experiente observava Moisés:

    Quando o seu sogro viu tudo o que ele estava fazendo pelo povo, disse: “Que é que você está fazendo? Por que só você se assenta para julgar, e todo este povo o espera de pé, desde a manhã até o cair da tarde? ” (Êxodo 18:14).

    E foi através de um conselho de seu sogro Jetro e a sua experiência que Moisés estabeleceu um sistema de liderança. A ajuda daquele sogro foi fundamental para que Moisés não se esgotasse, sugiro que leia Êxodo 18 inteiro e veja com seus próprios olhos.

    Eu sei que não é fácil liderar, também sei do medo que dá em sermos traídos, perdermos nosso lugar ou do próprio erro que algum líder possa cometer em nossa ausência, mas liderar sozinho é uma loucura.

    É importante delegarmos funções, é também importante treinarmos pessoas, ninguém nasce sabendo e provavelmente em seu ministério existem pessoas capazes, que com um bom treinamento podem ser peças fundamentais em sua igreja.

    Não seja louco de fazer tudo sozinho, não cometa a bobagem de achar que só você dá conta, pois um dia você pode se ausentar ou ter problemas sérios de saúde e o seu ministério correr risco de continuidade.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

  • O VÍCIO DA LEITURA

    Comecei lendo gibi em doses fracas e esporádicas, apenas para passar as horas em um dia livre. Mas com o tempo a vontade de ler aumentou e aos poucos comecei a ler alguns livros, pois os gibis não me satisfaziam mais, e algo que era para ser esporádico foi ganhando mais força e tomando conta de minha vida, quando vi, já estava lendo Agatha Cristie, Edgar Allan Poe, Daniel Defoe.Tentei parar, mas dia a dia o desejo aumentava e foi ele que me levou a frequentar ambientes perigosos como sebos (loja de livros usados), livrarias e bibliotecas, e neste estágio eu já não conseguia mais parar de ler. Aos poucos eu fui me transformando em outro enquanto o meu vocabulário aumentava, meu senso crítico vinha ganhando força e minha vida ia mudando, eram dias perigosos. Mas tudo piorou quando conheci a teologia e a filosofia, autores como Agostinho, Pondé, Chesterton e até a Bíblia, vinham tomando conta do meu cotidiano, direcionava a minha vida e moldava o meu pensar, e foi aí que a coisa descambou.

    Eu já não engolia mais qualquer coisa, argumentos sem pesquisas embasadas e boas bibliografias eram descartados, pastores que não liam e estudavam eram detectados rapidamente e colocados de lado, teólogos de facebook massacrados e desacreditados.

    Hoje eu mantenho este vício perigoso, tento seguir sendo um eterno aprendiz, buscando no estudo, seja de livros ou da Bíblia, e na oração, viver uma vida centrada em Deus, entendendo que sem leitura e oração não somos nada. E para terminar o texto, nada melhor que uma frase de Tomás de Aquino:

    “Temo o homem de um só livro” (PILETTI C, PILETTI N, 2011, p. 61).

    A vida de quem não lê é perigosa, cultivar este hábito é importante para viver melhor e com um senso crítico mais acurado. Porém para o cristão esta prática é fundamental.

    É impossível ser cristão sem conhecer a Bíblia, é impossível sermos um imitador de Cristo se não lemos e conhecemos seus ensinos. Abrir a Bíblia só no dia em que você vai a igreja é um erro, conhecer a palavra é fundamental para sermos cristãos práticos no qual ninguém engana.

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, Claudino, PILETTI, Nelson, História da Educação, De Confúcio a Paulo Freire, Editora Contexto, São Paulo, 2011.

  • SALMO 13: ABANDONO

    Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto? (Salmos 13:1).

    Quem nunca se sentiu sozinho, como se Deus  houvesse te abandonado? Quem nunca achou que a sua oração era uma perca de tempo, que Deus não estava ouvindo? Se Davi se sentiu assim, imagine nós, não é?

    Não sabemos ao certo o porquê do salmista proferir tais palavras. Tudo nos leva a crer que ele estava assim por conta da perseguição do rei Saul. Deus havia prometido a Davi que ele seria rei, mas até aquele momento nada acontecia (CONNELLY, RICHARDS, 2016, p. 49).

    Já se sentiu abandonado? Já teve a impressão que Deus tem demorado em responder a sua oração?

    Bem vindo à vida cristã amigo, pois muitas vezes esquecemos que o tempo de Deus não é o nosso tempo. Que a forma dele agir não é a nossa forma. Deus é Deus, e confiar é largar o controle deixando Ele guiar. Fazemos o que cabe a nós, o resto é com Ele.

    Um tempo atrás uma amiga me contou que quando o seu filho recém nascido percebe que ela está por perto, ele dorme tranquilo. Isso é confiar, é entender que Deus está conosco em qualquer situação, e cabe a nós apenas confiar, mesmo sendo difícil.

    Davi confiava em Deus e isso fica muito explícito no versículo 6. E a história nos conta que apesar das suas dificuldades e perrengues no caminho, Deus cumpriu a sua palavra.

    Este rei não tinha medo de levar seus problemas diante de Deus, ele se queixava, lamentava, mas continuava confiando em Deus e buscando. Sabendo que mais dia ou menos dia a sua situação iria mudar.

     

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012.

    CONNELY, Douglas, RICHARDS, Larry, Guia Fácil Para Entender Salmos, Tudo Sobre os Salmos, Reunido e Organizado de Maneira Completa e Acessível, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2017.

  • DEUS E A DOR: ILUSÕES DA FÉ: PHILIP YANCEY: VERNE BECKER: TIM STAFFORD

    “Confesso que já interpretei a dor como um grande engano de Deus. Por que motivo teria Ele que macular um mundo tão magnífico, ao incluir nele a dor? Sem dor e sofrimento, seria muito mais fácil respeitar Deus e confiar n’Ele. Por que, então, Ele simplesmente não criou somente as coisas belas deste mundo, excluindo a dor?”.

    Acabei com as minhas dúvidas sobre a competência de Deus em um lugar muito inusitado. Para minha surpresa, descobri que existe um mundo sem dor por trás dos muros de um hospital para leprosos. Andando pelos corredores de um leprosário em Louisiana, e tendo conhecido vítimas da doença, minhas dúvidas desapareceram.

    “As pessoas portadoras de lepra não sentem dores físicas; na realidade, esta é a característica mais trágica dessa doença” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 111).

    Eu não quero com este texto filosofar sobre a dor, nem escrever algum artigo justificando o mal e o sofrimento, mostrando que isso não é compatível com o nosso Deus, já escrevi muitos textos sobre este tema no blog. Apenas quero enfatizar que o sofrimento nem sempre  é o vilão.

    “Sem dor, nossa vida estaria em constante perigo de extinção. As raras pessoas que são insensíveis à dor não recebem o alerta de um apêndice supurado, de um ataque cardíaco ou de um tumor no cérebro. A maioria delas morre cedo por causa de algum problema que deixou de ser detectado devido à falta de sensibilidade à dor” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 113).

    Aprendi depois de tanto bater a cabeça que a dor é um ótimo professor, ela sinaliza um problema e nos faz buscar a cura. A dor e o sofrimento muitas vezes são necessários, e quem não sente dor tem um grande problema. Não é uma punição de Deus, muito menos uma maldição, faz parte da vida, temos que conviver e aprender com ela.

    Neste capítulo, depois de muito discorrer, Philip Yancey (que escreveu este capítulo), nos lembra que servimos a um Deus que também sofreu. Não é um Deus alheio a dor, escondido em seu trono sem fazer a ideia do que nós estamos passando aqui na terra, ao contrário, é um Deus que sofreu, se humilhou, morreu e ressuscitou por nós, e prometeu nunca nos abandonar.

    O que eu aprendi com este livro é que por mais que não entendamos o motivo da dor, ela é necessária para que tenhamos vida e não nos deformemos por viver neste mundo que não sente mais nada.

    BÍBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, BECKER, Verne STAFFORD, Tim, Ilusões da Fé, O Que Não Disseram Quando Me Converti, Rio de Janeiro, 2010.

  • ANALFABETO FUNCIONAL

    No momento em que escrevi este texto eu estava lendo a ata de audiência do caso injustamente denominado de “cura gay”, parei só para escrever esta reflexão. Não acreditei quando vi vários noticiários distorcerem a verdade, afirmando que o juiz autorizou a “cura gay” por achar que a homossexualidade é uma doença, coisa que não foi falada, por isso resolvi pesquisar melhor, antes de emitir uma opinião.

    A liminar é simples e dá o direito ao cidadão de procurar um psicólogo se este estiver incomodado com a sua sexualidade e quiser, por sua própria conta, uma ajuda profissional. Não existe o termo cura gay, e em nenhum momento a ata do caso afirma isso, ao contrário, ela reforça que homossexualidade não é doença, e não é mesmo, dando uma opção para quem necessita de auxílio. E acredito que se uma pessoa precisa desta ajuda, este deve procurar quando quiser.

    Tenho visto o analfabetismo funcional ganhar cada vez mais força, nunca em nossa história a interpretação de texto básica tem feito falta, já que hoje qualquer um pode expressar sua opinião e normalmente o faz sem reflexão. Para quem não sabe, analfabeto funcional é:

    “Pessoa alfabetizada apenas para entender na área na qual trabalha, a sua função, sendo completamente despreparada para entender textos e problemas de outras áreas do saber, o que configura uma espécie de tecnicização do conhecimento” (Dicionário informal).

    Enfim, é uma pessoa rasa, que pode até ter um diploma de terceiro grau, mas não sabe interpretar textos e nem fazer reflexões profundas sobre outros assuntos, seguindo qualquer onda ou notícia sem o mínimo de coerência.

     Estamos em um período difícil, seja por conta da economia ou por toda a corrupção que vemos por aí. Somado ao fato que a grande mídia não demora em manipular as massas, ficamos reféns destes que só querem controlar pessoas, para usá-los em seus próprios objetivos.

    Precisamos cada vez mais de vozes que façam a diferença, de pessoas que ensinem o caminho da relevância ao povo, de professores que ensinem que ler não é chato, o chato é ser feito de idiota, é viver uma vida rasa sem opinião própria.

    Cuidado com seus pontos de vista, cuidado quando for expressar uma opinião sem saber o mínimo sobre o assunto. Eu constantemente vejo pessoas chamando cristão de alienados, gente que não sabe o que fala, porém tenho me cansado de ver não cristãos na mesma situação. A burrice não tem credo religioso, a alienação não possui partido político, o relevante lê sobre tudo, se informa, o irrelevante segue a maré sem se informar e adquirir conhecimento. Gosto de uma frase do Olavo de Carvalho que descreve muito bem estas pessoas:

    “O idiota presunçoso, isto é, o tipo mais representativo de qualquer profissão hoje em dia, incluindo letras, o ensino e o jornalismo, forma opinião de maneira imediata e espontânea, com base numa quantidade ínfima ou nula de conhecimentos, e se apega a seu julgamento com a tenacidade de quem defende um tesouro maior que a vida” (CARVALHO, 2013, p. 453).

    Não sabemos de tudo, isto é uma verdade que sempre tento enfatizar em meus textos, por isso que para sermos relevantes temos que pesquisar antes de “achar” algo, ou formar alguma opinião crítica.

    Cuidado com notícias falsas, cuidado com quem acha que sabe de tudo, tenha sempre um pé atrás e procure por você mesmo as corretas informações.  E acima de tudo, leia e se informe, este é o único remédio para a ignorância. Buscar conteúdo e informações sólidas antes de formar uma opinião é a única forma de termos opiniões equilibradas.

    BIBLIOGRAFIA

    http://www.dicionarioinformal.com.br/analfabeto+funcional/

    CARVALHO, Olavo, O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser um Idiota, Editora Record, Rio de Janeiro, 2013.