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  • O SERMÃO DO MONTE PT 14: O PAI NOSSO

    “E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Referência: Mateus 6:7-14) (NVI). 

    Enfim, chegamos ao ponto crucial do “Sermão do Monte” que é a hora no qual Cristo nos ensina a orar. Sugiro que antes leia com cuidado Mateus 6:7-14, para que você entenda esta importante passagem bíblica. 

    O texto começa falando de vãs repetições, que diz respeito ao culto pagão, que tinha como base a crença que a repetição cansaria os deuses a ponto de convencer eles a atenderem seus pedidos (CHAMPLIN, 2014, p. 323). O texto não fala do muito orar, nem sobre insistir em seus pedidos e sim, na oração sem sentido, da tagarelice com palavras vazias:

    “O ensino aqui não é simplesmente contra o tamanho das nossas orações, seja longo, seja curto. Jesus ensina contra a oração sem sentido. Combate o uso da repetição vazia” (WESLEY, 2015, p. 147).

    Temos que entender o que estamos pedindo, nossa oração deve ser consciente tendo em mente que Deus tudo sabe, muito antes de pedirmos (v. 8) e ele conhece a nosso coração. E acima de tudo, a oração é um momento de entrega, rendição e intimidade, é só orando que teremos intimidade com Deus, e não é só um momento de pedir, afinal ele sabe de tudo não é?

    Cristo não nos ensinou apenas uma oração para repetirmos, mas nos deu um esboço de como deveria ser nossa oração.

    A oração que Cristo nos ensinou começa com adoração a Deus (v. 9). Deus é o nosso Pai, e como um Pai, Ele é amor, e é isso que as primeira palavras destacam. Venha o teu reino (v. 10), enfatiza a importância de seu reinado em nossa vida, onde nós somos submissos a Ele e a quem devemos nossa gratidão, onde a vontade d’Ele é feita, assim na terra como no céu.

    A oração continua com o pedido de provisão (v. 11), sem esquecermos de algo curioso, o texto fala do pão nosso e não do meu pão. Dando-nos a entender que o pedido é comunitário, não é só o meu pão, mas é o do meu irmão, do próximo, o pedido não é egoísta, mas é em conjunto. Perdoa as nossa dívidas (v. 12) é um apelo que temos que fazer a Deus todos os dias, por nossa mazelas, pecados e erros. Mas o texto continua e faz um apontamento importante. Assim como nós perdoamos nossos devedores, o nosso perdão é um resultado de termos sido perdoados por Deus. Ele nos perdoa, assim como nós perdoamos. Com isso, se não perdoamos o próximo temos um problema, afinal Deus nos perdoa, não é? Diante disso, temos que perdoar, o texto fala de pureza, de busca e do resultado prático que deve ser visto em nossa vida. E a oração termina com uma suplica a proteção divina. Só Ele pode nos proteger, só Deus tem o poder de nos livrar do mal, da tentação e das ciladas do maligno (v. 13).

    A oração é muito completa: Adoração, o reinado d’Ele em nossa vida, que a vontade d’Ele seja feita sempre, provisão, perdão e proteção. Sobre oração, Hallesby tem uma definição muito profunda:

    “Orar é permitir que Jesus entre em nosso coração” (2011, p. 9).

    Orar é buscar intimidade com o Pai, é o fôlego da alma, é o clamor diante do caos, focando sempre em um momento de comunhão com Deus. Stott complementa:

    “Jesus quer que nossas mentes e corações se envolvam no que estamos dizendo. Então, a oração é vista como deve ser, não como uma repetição de palavras sem significado, nem como um meio de autoglorificação, mas como uma verdadeira comunhão com o nosso Pai celeste” (STOTT, 1982, p. 148, 149).

    Não há outra forma de seguir a Deus que não seja orando e lendo a Bíblia. Não tem como fazer a Sua vontade e muito menos termos comunhão com Ele, se não oramos.

    Orar é essencial, se você não sabe, comece pelo “Pai Nosso”, mas entenda todas as palavras, assimile sua mensagem que aos poucos você fará a sua oração e terá a sua comunhão com o Pai.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    STOTT, John, Contracultura Cristã, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU, São Paulo, 1982.

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    HALLESBY, O. Oração, O segredo de abrir o coração, Encontro Publicações, Curitiba, 2011.

     

  • LIDERANÇA CENTRALIZADORA

    Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto uma porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito, porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia (2 Coríntios 2:12-13).

    Confesso que esta passagem me impressiona, vim de algumas igrejas onde a liderança era centralizadora. Com pastores que achavam que a igreja era de sua propriedade e por isso não levantavam auxiliares, transformando a comunidade em um grande feudo, onde só ele mandava.

    Isso é mais comum do que imaginamos e quem perde é a igreja, que deixa de crescer saudável, com uma boa equipe de líderes tomando a frente, tendo a certeza de que se aquele pastor morrer ou se ausentar, a obra continuará. E sobre líderes centralizadores, Paulo definitivamente não era um deles, pois a Bíblia narra que o seu ministério era feito de parceiros e colaboradores, ele não fazia nada sozinho e esta passagem atesta muito bem isso.

    Não sabemos muito de Tito antes de sua chegada a Corinto, mas sabemos que em Corinto ele teve um papel fundamental sendo um dos representantes de Paulo naquela cidade, solucionando um problema que havia na igreja e é provavelmente por isso que Paulo esperava ver Tito.

    Tito provavelmente teria sido o portador da chamada “epístola severa” (2 Coríntios 10 a 13) que foi uma das peças chaves para solucionar o problema daquela comunidade cristã e Paulo aguardava ansioso por notícias. (CHAMPLIN, 2014, p. 390, 391).

    Ninguém consegue fazer a obra sozinho, é impossível entrarmos em uma empreitada dessa sem ajuda, parcerias e apoios. Uma Igreja saudável é constituída de parceiros e vários líderes auxiliando.

    Eu não sei o que leva líderes a serem centralizadores, talvez um dos motivos seja um medo de perder seu cargo ou ser passado para trás, quem sabe seja um sentimento de que só eles têm a capacidade de fazer o que eles fazem, enfim, os motivos podem ser muitos, mas uma coisa é certa, líderes centralizadores desmotivam a todos em sua volta. Além de deixar a igreja estagnada, sem crescer e se desenvolver.

    Moisés passou por algo parecido enquanto liderava o povo de Israel, ele julgava sozinho as questões do povo e provavelmente se esgotava muito por conta disso, era o dia inteiro atendendo o povo, imagine a sua canseira. Contudo alguém mais experiente observava Moisés:

    Quando o seu sogro viu tudo o que ele estava fazendo pelo povo, disse: “Que é que você está fazendo? Por que só você se assenta para julgar, e todo este povo o espera de pé, desde a manhã até o cair da tarde? ” (Êxodo 18:14).

    E foi através de um conselho de seu sogro Jetro e a sua experiência que Moisés estabeleceu um sistema de liderança. A ajuda daquele sogro foi fundamental para que Moisés não se esgotasse, sugiro que leia Êxodo 18 inteiro e veja com seus próprios olhos.

    Eu sei que não é fácil liderar, também sei do medo que dá em sermos traídos, perdermos nosso lugar ou do próprio erro que algum líder possa cometer em nossa ausência, mas liderar sozinho é uma loucura.

    É importante delegarmos funções, é também importante treinarmos pessoas, ninguém nasce sabendo e provavelmente em seu ministério existem pessoas capazes, que com um bom treinamento podem ser peças fundamentais em sua igreja.

    Não seja louco de fazer tudo sozinho, não cometa a bobagem de achar que só você dá conta, pois um dia você pode se ausentar ou ter problemas sérios de saúde e o seu ministério correr risco de continuidade.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

  • O VÍCIO DA LEITURA

    Comecei lendo gibi em doses fracas e esporádicas, apenas para passar as horas em um dia livre. Mas com o tempo a vontade de ler aumentou e aos poucos comecei a ler alguns livros, pois os gibis não me satisfaziam mais, e algo que era para ser esporádico foi ganhando mais força e tomando conta de minha vida, quando vi, já estava lendo Agatha Cristie, Edgar Allan Poe, Daniel Defoe.Tentei parar, mas dia a dia o desejo aumentava e foi ele que me levou a frequentar ambientes perigosos como sebos (loja de livros usados), livrarias e bibliotecas, e neste estágio eu já não conseguia mais parar de ler. Aos poucos eu fui me transformando em outro enquanto o meu vocabulário aumentava, meu senso crítico vinha ganhando força e minha vida ia mudando, eram dias perigosos. Mas tudo piorou quando conheci a teologia e a filosofia, autores como Agostinho, Pondé, Chesterton e até a Bíblia, vinham tomando conta do meu cotidiano, direcionava a minha vida e moldava o meu pensar, e foi aí que a coisa descambou.

    Eu já não engolia mais qualquer coisa, argumentos sem pesquisas embasadas e boas bibliografias eram descartados, pastores que não liam e estudavam eram detectados rapidamente e colocados de lado, teólogos de facebook massacrados e desacreditados.

    Hoje eu mantenho este vício perigoso, tento seguir sendo um eterno aprendiz, buscando no estudo, seja de livros ou da Bíblia, e na oração, viver uma vida centrada em Deus, entendendo que sem leitura e oração não somos nada. E para terminar o texto, nada melhor que uma frase de Tomás de Aquino:

    “Temo o homem de um só livro” (PILETTI C, PILETTI N, 2011, p. 61).

    A vida de quem não lê é perigosa, cultivar este hábito é importante para viver melhor e com um senso crítico mais acurado. Porém para o cristão esta prática é fundamental.

    É impossível ser cristão sem conhecer a Bíblia, é impossível sermos um imitador de Cristo se não lemos e conhecemos seus ensinos. Abrir a Bíblia só no dia em que você vai a igreja é um erro, conhecer a palavra é fundamental para sermos cristãos práticos no qual ninguém engana.

    BIBLIOGRAFIA

    PILETTI, Claudino, PILETTI, Nelson, História da Educação, De Confúcio a Paulo Freire, Editora Contexto, São Paulo, 2011.

  • SALMO 13: ABANDONO

    Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto? (Salmos 13:1).

    Quem nunca se sentiu sozinho, como se Deus  houvesse te abandonado? Quem nunca achou que a sua oração era uma perca de tempo, que Deus não estava ouvindo? Se Davi se sentiu assim, imagine nós, não é?

    Não sabemos ao certo o porquê do salmista proferir tais palavras. Tudo nos leva a crer que ele estava assim por conta da perseguição do rei Saul. Deus havia prometido a Davi que ele seria rei, mas até aquele momento nada acontecia (CONNELLY, RICHARDS, 2016, p. 49).

    Já se sentiu abandonado? Já teve a impressão que Deus tem demorado em responder a sua oração?

    Bem vindo à vida cristã amigo, pois muitas vezes esquecemos que o tempo de Deus não é o nosso tempo. Que a forma dele agir não é a nossa forma. Deus é Deus, e confiar é largar o controle deixando Ele guiar. Fazemos o que cabe a nós, o resto é com Ele.

    Um tempo atrás uma amiga me contou que quando o seu filho recém nascido percebe que ela está por perto, ele dorme tranquilo. Isso é confiar, é entender que Deus está conosco em qualquer situação, e cabe a nós apenas confiar, mesmo sendo difícil.

    Davi confiava em Deus e isso fica muito explícito no versículo 6. E a história nos conta que apesar das suas dificuldades e perrengues no caminho, Deus cumpriu a sua palavra.

    Este rei não tinha medo de levar seus problemas diante de Deus, ele se queixava, lamentava, mas continuava confiando em Deus e buscando. Sabendo que mais dia ou menos dia a sua situação iria mudar.

     

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013.

    PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012.

    CONNELY, Douglas, RICHARDS, Larry, Guia Fácil Para Entender Salmos, Tudo Sobre os Salmos, Reunido e Organizado de Maneira Completa e Acessível, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2017.

  • DEUS E A DOR: ILUSÕES DA FÉ: PHILIP YANCEY: VERNE BECKER: TIM STAFFORD

    “Confesso que já interpretei a dor como um grande engano de Deus. Por que motivo teria Ele que macular um mundo tão magnífico, ao incluir nele a dor? Sem dor e sofrimento, seria muito mais fácil respeitar Deus e confiar n’Ele. Por que, então, Ele simplesmente não criou somente as coisas belas deste mundo, excluindo a dor?”.

    Acabei com as minhas dúvidas sobre a competência de Deus em um lugar muito inusitado. Para minha surpresa, descobri que existe um mundo sem dor por trás dos muros de um hospital para leprosos. Andando pelos corredores de um leprosário em Louisiana, e tendo conhecido vítimas da doença, minhas dúvidas desapareceram.

    “As pessoas portadoras de lepra não sentem dores físicas; na realidade, esta é a característica mais trágica dessa doença” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 111).

    Eu não quero com este texto filosofar sobre a dor, nem escrever algum artigo justificando o mal e o sofrimento, mostrando que isso não é compatível com o nosso Deus, já escrevi muitos textos sobre este tema no blog. Apenas quero enfatizar que o sofrimento nem sempre  é o vilão.

    “Sem dor, nossa vida estaria em constante perigo de extinção. As raras pessoas que são insensíveis à dor não recebem o alerta de um apêndice supurado, de um ataque cardíaco ou de um tumor no cérebro. A maioria delas morre cedo por causa de algum problema que deixou de ser detectado devido à falta de sensibilidade à dor” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 113).

    Aprendi depois de tanto bater a cabeça que a dor é um ótimo professor, ela sinaliza um problema e nos faz buscar a cura. A dor e o sofrimento muitas vezes são necessários, e quem não sente dor tem um grande problema. Não é uma punição de Deus, muito menos uma maldição, faz parte da vida, temos que conviver e aprender com ela.

    Neste capítulo, depois de muito discorrer, Philip Yancey (que escreveu este capítulo), nos lembra que servimos a um Deus que também sofreu. Não é um Deus alheio a dor, escondido em seu trono sem fazer a ideia do que nós estamos passando aqui na terra, ao contrário, é um Deus que sofreu, se humilhou, morreu e ressuscitou por nós, e prometeu nunca nos abandonar.

    O que eu aprendi com este livro é que por mais que não entendamos o motivo da dor, ela é necessária para que tenhamos vida e não nos deformemos por viver neste mundo que não sente mais nada.

    BÍBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, BECKER, Verne STAFFORD, Tim, Ilusões da Fé, O Que Não Disseram Quando Me Converti, Rio de Janeiro, 2010.

  • ANALFABETO FUNCIONAL

    No momento em que escrevi este texto eu estava lendo a ata de audiência do caso injustamente denominado de “cura gay”, parei só para escrever esta reflexão. Não acreditei quando vi vários noticiários distorcerem a verdade, afirmando que o juiz autorizou a “cura gay” por achar que a homossexualidade é uma doença, coisa que não foi falada, por isso resolvi pesquisar melhor, antes de emitir uma opinião.

    A liminar é simples e dá o direito ao cidadão de procurar um psicólogo se este estiver incomodado com a sua sexualidade e quiser, por sua própria conta, uma ajuda profissional. Não existe o termo cura gay, e em nenhum momento a ata do caso afirma isso, ao contrário, ela reforça que homossexualidade não é doença, e não é mesmo, dando uma opção para quem necessita de auxílio. E acredito que se uma pessoa precisa desta ajuda, este deve procurar quando quiser.

    Tenho visto o analfabetismo funcional ganhar cada vez mais força, nunca em nossa história a interpretação de texto básica tem feito falta, já que hoje qualquer um pode expressar sua opinião e normalmente o faz sem reflexão. Para quem não sabe, analfabeto funcional é:

    “Pessoa alfabetizada apenas para entender na área na qual trabalha, a sua função, sendo completamente despreparada para entender textos e problemas de outras áreas do saber, o que configura uma espécie de tecnicização do conhecimento” (Dicionário informal).

    Enfim, é uma pessoa rasa, que pode até ter um diploma de terceiro grau, mas não sabe interpretar textos e nem fazer reflexões profundas sobre outros assuntos, seguindo qualquer onda ou notícia sem o mínimo de coerência.

     Estamos em um período difícil, seja por conta da economia ou por toda a corrupção que vemos por aí. Somado ao fato que a grande mídia não demora em manipular as massas, ficamos reféns destes que só querem controlar pessoas, para usá-los em seus próprios objetivos.

    Precisamos cada vez mais de vozes que façam a diferença, de pessoas que ensinem o caminho da relevância ao povo, de professores que ensinem que ler não é chato, o chato é ser feito de idiota, é viver uma vida rasa sem opinião própria.

    Cuidado com seus pontos de vista, cuidado quando for expressar uma opinião sem saber o mínimo sobre o assunto. Eu constantemente vejo pessoas chamando cristão de alienados, gente que não sabe o que fala, porém tenho me cansado de ver não cristãos na mesma situação. A burrice não tem credo religioso, a alienação não possui partido político, o relevante lê sobre tudo, se informa, o irrelevante segue a maré sem se informar e adquirir conhecimento. Gosto de uma frase do Olavo de Carvalho que descreve muito bem estas pessoas:

    “O idiota presunçoso, isto é, o tipo mais representativo de qualquer profissão hoje em dia, incluindo letras, o ensino e o jornalismo, forma opinião de maneira imediata e espontânea, com base numa quantidade ínfima ou nula de conhecimentos, e se apega a seu julgamento com a tenacidade de quem defende um tesouro maior que a vida” (CARVALHO, 2013, p. 453).

    Não sabemos de tudo, isto é uma verdade que sempre tento enfatizar em meus textos, por isso que para sermos relevantes temos que pesquisar antes de “achar” algo, ou formar alguma opinião crítica.

    Cuidado com notícias falsas, cuidado com quem acha que sabe de tudo, tenha sempre um pé atrás e procure por você mesmo as corretas informações.  E acima de tudo, leia e se informe, este é o único remédio para a ignorância. Buscar conteúdo e informações sólidas antes de formar uma opinião é a única forma de termos opiniões equilibradas.

    BIBLIOGRAFIA

    http://www.dicionarioinformal.com.br/analfabeto+funcional/

    CARVALHO, Olavo, O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser um Idiota, Editora Record, Rio de Janeiro, 2013.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 13: ORAÇÃO

    “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” (MT 6:5-6) (NVI). 

     Este texto antecede a oração que Cristo nos ensinou, o “Pai Nosso”. E ele dá uma boa dica de como devemos orar. Porém, mais uma vez, ele critica atitudes hipócritas que eram feitas naqueles dias. E tal qual o texto passado, Cristo denuncia práticas que Ele devia estar cansado de ver a sua volta.

    Naquela época era comum um judeu fazer as suas orações da manhã, meio dia e de noite em público ou na sinagoga (RIENECKER, 1998, p. 102): Richards explica que: 

    “A oração fazia parte de outro ardil religioso. Quando alguém queria orar, dirigia-se à esquina de uma rua movimentada ou uma sinagoga repleta de pessoas e colocava-se em pé para orar em voz alta. Muitas vezes a oração era longa, com frases bem enunciadas, dando a impressão de elevada piedade” (RICHARDS, 2013,p. 630).

    Uma vez mais o texto enfatiza a intenção do nosso coração, Cristo não está condenando quem ora em voz alta e sim, quem faz isso em troca de mostrar uma falsa santidade. Contudo, Cristo continua e aconselha a buscá-lo em secreto, em um lugar particular, que Deus também responderia em particular.

    Jesus conhece o nosso coração e as motivações por trás de nossas atitudes. Sinto lhe dizer mas não dá para enganar a Deus. Se a tua intenção é vanglória, ou usar o nome d’Ele para fingir de santo, ele vai saber, e o texto já lhe avisa, se você faz isso para se autopromover, já teve a sua recompensa.

    A motivação de nossa oração deve ser pura e simplesmente buscar a Deus, ter intimidade e adorá-lo.  Tudo o que passar disso é vangloria ou autopromoção.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 1998.

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

  • CONCEITOS E PRECONCEITOS

    Vivemos em um mundo de preconceitos, todos opinam sobre tudo, porém, sem ter a certeza de nada. O cara não concorda com o capitalismo apesar de nunca ter lido algo de “Adam Smith”, mete o pau no comunismo sem ter lido pelo menos “O Capital de Karl Marx”. Isso tem contar com os ateus que nunca folhearam a Bíblia, apesar de criticarem ela e os cristãos que mal a leem, quem dirá autores que tragam relevância a suas vidas.

    As redes sociais nos trouxeram isso, oportunidade de nos expressar, porém, muitas vezes sem conteúdo ou base. Há quem diga que o nosso século será conhecido como a nova idade das trevas, apesar de eu acreditar que o homem sempre foi assim, poucos são relevantes e falam do que conhecem. Preconceito segundo o dicionário é:

    “Prejulgamento; juízo de valor preconcebido sobre; opinião ou pensamento acerca de algo ou de alguém cujo teor é construído a partir de análises sem fundamentos, sendo preconcebidas sem conhecimento e/ou reflexão” (DICIO).

    Todos nós temos os nossos preconceitos, em algum momento de nossa vida vamos acabar fazendo algum julgamento apressado, é claro que não confessamos, mas julgamos pode ter certeza, porém, o que vai definir tudo é como externamos este preconceito ou qual será a nossa visão de mundo como diria Theodore Dalrymple:

    “Para quem acredita na injustiça da sociedade, será sempre possível apontar casos de méritos que não foram recompensados; da mesma forma, sempre será possível, àqueles que creem no valor do esforço pessoal, apontar casos de triunfo mesmo diante das mais severas circunstâncias. É a visão de mundo que determina a escolha das evidências, não o oposto” (DALRYMPLE, 2015, p. 111).

    Talvez o problema que o preconceito traga seja a falta de conceitos, na verdade, como disse Edson Barbosa em uma de suas palestras que tive a alegria de assistir: “todo o preconceito é a prova da ausência do conceito”.

    Penso que o mundo tem carecido de conceitos, tem tido falta de percepções e conhecimento e os cristãos, mais ainda. Creio que tudo vai depender de nossa visão de mundo, de como enxergamos o próximo e qual é o nosso guia. Gosto de uma citação de Brennan Manning que contextualiza isso:

    “Os conceitos humanos limitados a respeito de Deus e do evangelho podem nos privar de viver os dois” (MANNING, 2007, p. 77).

    A igreja tem tido carência de conceitos bem definidos da palavra, muitos tem levado uma vida de costumes e emoções, sem conhecer de fato quem é Deus. Tudo vai depender do significado da palavra “ser cristão”, de como você entende o que é ser um seguidor de Cristo.

    Quanto mais eu vejo injustiça, mais eu me pergunto onde está a igreja, a cada episódio de ódio, preconceito ou fome, eu penso onde nós cristãos estamos colaborando e fazendo diferença. A forma como tratamos o próximo, vai evidenciar o quanto de conceitos calcados na palavra tem em nosso coração. A seriedade com que buscamos a Deus evidenciará como tratamos e vemos o semelhante.

    É a falta de conceitos que constrói o preconceito, é a falta de compromisso com a palavra e com Deus que gera cristãos egoístas, preconceituosos e julgadores. Eu gosto de como Brennan Manning termina um dos capítulos de seu livro:

    “Venha o teu reino.” O que faz que o reino venha é a compaixão sincera: um caminho de ternura que não conhece fronteiras, rótulos, separações em categorias ou divisões sectárias (MANNING, 2007, p. 85).

    O preconceito é uma falta de conceito, é ler a Bíblia com os olhos fechados e achar que estamos imitando Cristo. Quando olhamos o próximo com amor e o respeitamos, entendemos quem somos e o que Deus fez por nós, que foi dar o seu filho ao invés de nos destruir.

    Quando viramos o rosto e externamos o nosso preconceito, fazemos algo que Deus não fez e talvez esta seja a melhor hora para olharmos para a nossa vida e avaliarmos nossos conceitos, acho possível que nós não os tenha.

    BIBLIOGRAFIA

    MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2007.

    DALRYMPLE, Theodore. Em Defesa do Preconceito: A necessidade de se ter ideias preconcebidas. São Paulo, É Realizações, 2015.

    https://www.dicio.com.br/preconceito

    https://www.dicio.com.br/conceito

  • MAIS UM ANO

    Mais um ano começou, mais ideias nos vem a mente, mais uma época para refletir, fazer alguns balanços e tentar progredir. Ainda mais neste período de crise, onde texto de 1Samuel 7:12: “Até aqui nos ajudou o Senhor…”, acaba ganhando ainda mais vida para mim, afinal, foi um ano complicado. Comecei o ano desempregado, nas vésperas de me casar, mas tudo Deu certo graças a Deus.

    Gosto muito do ano novo, eu gosto de recomeçar, planejar e pensar no que eu poderia fazer de melhor para o ano que começa. Terminei o ano com muitos planos de estudo, textos para o blog e aulas, e neste começo de ano tenho pensado em uma maneira de concretizar tudo. É por isso que gosto de anos novos, este fim de ciclo e começo de outro nos dá a oportunidade de refletir em cima do que fizemos e seguir buscando melhorias.

    Eu não tenho ideia do que significa (ou não) o ano novo para você, talvez seja como todos os dias, um dia qualquer, mas eu sei no significado que podemos dar  aos nossos dias. E é aí que planejamentos, recomeços, anos novos entram. Eu gosto de uma frase tirada e adaptada do filme: “Alice no país das maravilhas”:

    “Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”.

    Sem uma meta, planos e sonhos, continuamos na mesma. Só sai do lugar quem segue em uma direção. É por isso que eu de vez em quando penso em como estou vivendo, e em como poderia viver melhor, planejar e agir de uma forma ainda mais assertiva.

    Não é fácil manter um blog, demanda muito tempo, ainda mais sendo de teologia, que é algo pouco procurado hoje em dia, mas por conta da persistência e dos vários planos, estamos aí com um pouco mais de três anos e muitas visualizações. Uma empreitada nem sempre é fácil, mas é gratificante, além de nos proporcionar crescimento.

    Sugiro que dedique seu ano novo para firmar metas, planejar e fazer algo para o seu crescimento. Água parada estraga, mente que não se exercita atrofia. Reveja suas ideias, ressuscite seus sonhos, olhe para frente e busque mudanças e aproveite o novo ano para planejar e por seus planos em prática.

    Estamos em um ano de eleição, ano decisivo para que o nosso país mude ou piore de vez, então, por que não fazer o mesmo com sua vida? Estude mais, leia mais, planeje mais e coloque seus sonhos em prática. Penso que devemos errar tentando do que cometer o erro de errar por não ter feito nada.

  • SALMO 12: CONTRA A FALSIDADE

    “Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel; já não se confia em ninguém entre os homens. Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções” (Salmos 12:1-2) (NVI).

    Há muito tempo, assisti a um vídeo onde uma pessoa ensina o segredo de como descobrir se uma nota é falsa. O truque é simples, a pessoa passa um tempo tendo contato com o dinheiro, aprendendo e sentindo todos os detalhes da nota, para quando ela pegar uma nota falsa, perceber por conhecer muito bem uma nota verdadeira.

    Este texto de Salmos começa falando de falsidades, é um pedido de socorro de Davi a Deus por conta de falsidades, bajuladores e interesseiros, nos mostrando que esta prática não é nova, existe desde a época de Davi:

    “Davi olhou à sua volta para aqueles que dirigiam o governo e os negócios, e mesmo aqueles à frente das igrejas e das agências que deveriam servir para ajudar os outros — e tudo o que viu foram pessoas enganosas e manipuladoras, que apunhalavam os outros pelas costas” (CONNELLY; RICHARDS, 2016, p. 48).

    Já me decepcionei com pessoas que achei que eram meus amigos, já quebrei a cara com gente que só estava interessada em algo que eu tinha e não em uma amizade verdadeira. Este Salmo é um grito de socorro. Não sabemos com quem Davi estava indignado. Talvez com alguém do seu próprio lar, ou no reino que ele governava, porém, não importa, sabemos como é ruim ser feito de idiota. Por isso, Davi tem uma mensagem dura aos falsos e hipócritas e, com a paráfrase de Eugene Peterson, o texto fica ainda melhor:

     “Corta os lábios deles! Arranca. Aquelas línguas arrogantes! Cansei de ouvir: “Podemos convencer qualquer um de qualquer coisa. Nossos lábios controlam o mundo”” (Salmos 12:3-4) (2012, p. 704–705).

    Ninguém gosta de falsidade e corrupção, esta oração é um desabafo para quem já foi traído ou já se cansou de ouvir falar de roubalheiras. Contudo, Davi, neste Salmo, nos faz um convite, clamar a Deus por ajuda e entregar a Ele nossos problemas.

    Este Salmo não é só um clamor, um pedido de ajuda. Ele também é uma declaração: só há verdade em Deus, só há palavra pura Nele, é só Ele que pode trazer esperança para este mundo mentiroso e hipócrita.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

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