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  • O SERMÃO DO MONTE PT 13: ORAÇÃO

    “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” (MT 6:5-6) (NVI). 

     Este texto antecede a oração que Cristo nos ensinou, o “Pai Nosso”. E ele dá uma boa dica de como devemos orar. Porém, mais uma vez, ele critica atitudes hipócritas que eram feitas naqueles dias. E tal qual o texto passado, Cristo denuncia práticas que Ele devia estar cansado de ver a sua volta.

    Naquela época era comum um judeu fazer as suas orações da manhã, meio dia e de noite em público ou na sinagoga (RIENECKER, 1998, p. 102): Richards explica que: 

    “A oração fazia parte de outro ardil religioso. Quando alguém queria orar, dirigia-se à esquina de uma rua movimentada ou uma sinagoga repleta de pessoas e colocava-se em pé para orar em voz alta. Muitas vezes a oração era longa, com frases bem enunciadas, dando a impressão de elevada piedade” (RICHARDS, 2013,p. 630).

    Uma vez mais o texto enfatiza a intenção do nosso coração, Cristo não está condenando quem ora em voz alta e sim, quem faz isso em troca de mostrar uma falsa santidade. Contudo, Cristo continua e aconselha a buscá-lo em secreto, em um lugar particular, que Deus também responderia em particular.

    Jesus conhece o nosso coração e as motivações por trás de nossas atitudes. Sinto lhe dizer mas não dá para enganar a Deus. Se a tua intenção é vanglória, ou usar o nome d’Ele para fingir de santo, ele vai saber, e o texto já lhe avisa, se você faz isso para se autopromover, já teve a sua recompensa.

    A motivação de nossa oração deve ser pura e simplesmente buscar a Deus, ter intimidade e adorá-lo.  Tudo o que passar disso é vangloria ou autopromoção.

    BIBLIOGRAFIA

    RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 1998.

    RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.

  • CONCEITOS E PRECONCEITOS

    Vivemos em um mundo de preconceitos, todos opinam sobre tudo, porém, sem ter a certeza de nada. O cara não concorda com o capitalismo apesar de nunca ter lido algo de “Adam Smith”, mete o pau no comunismo sem ter lido pelo menos “O Capital de Karl Marx”. Isso tem contar com os ateus que nunca folhearam a Bíblia, apesar de criticarem ela e os cristãos que mal a leem, quem dirá autores que tragam relevância a suas vidas.

    As redes sociais nos trouxeram isso, oportunidade de nos expressar, porém, muitas vezes sem conteúdo ou base. Há quem diga que o nosso século será conhecido como a nova idade das trevas, apesar de eu acreditar que o homem sempre foi assim, poucos são relevantes e falam do que conhecem. Preconceito segundo o dicionário é:

    “Prejulgamento; juízo de valor preconcebido sobre; opinião ou pensamento acerca de algo ou de alguém cujo teor é construído a partir de análises sem fundamentos, sendo preconcebidas sem conhecimento e/ou reflexão” (DICIO).

    Todos nós temos os nossos preconceitos, em algum momento de nossa vida vamos acabar fazendo algum julgamento apressado, é claro que não confessamos, mas julgamos pode ter certeza, porém, o que vai definir tudo é como externamos este preconceito ou qual será a nossa visão de mundo como diria Theodore Dalrymple:

    “Para quem acredita na injustiça da sociedade, será sempre possível apontar casos de méritos que não foram recompensados; da mesma forma, sempre será possível, àqueles que creem no valor do esforço pessoal, apontar casos de triunfo mesmo diante das mais severas circunstâncias. É a visão de mundo que determina a escolha das evidências, não o oposto” (DALRYMPLE, 2015, p. 111).

    Talvez o problema que o preconceito traga seja a falta de conceitos, na verdade, como disse Edson Barbosa em uma de suas palestras que tive a alegria de assistir: “todo o preconceito é a prova da ausência do conceito”.

    Penso que o mundo tem carecido de conceitos, tem tido falta de percepções e conhecimento e os cristãos, mais ainda. Creio que tudo vai depender de nossa visão de mundo, de como enxergamos o próximo e qual é o nosso guia. Gosto de uma citação de Brennan Manning que contextualiza isso:

    “Os conceitos humanos limitados a respeito de Deus e do evangelho podem nos privar de viver os dois” (MANNING, 2007, p. 77).

    A igreja tem tido carência de conceitos bem definidos da palavra, muitos tem levado uma vida de costumes e emoções, sem conhecer de fato quem é Deus. Tudo vai depender do significado da palavra “ser cristão”, de como você entende o que é ser um seguidor de Cristo.

    Quanto mais eu vejo injustiça, mais eu me pergunto onde está a igreja, a cada episódio de ódio, preconceito ou fome, eu penso onde nós cristãos estamos colaborando e fazendo diferença. A forma como tratamos o próximo, vai evidenciar o quanto de conceitos calcados na palavra tem em nosso coração. A seriedade com que buscamos a Deus evidenciará como tratamos e vemos o semelhante.

    É a falta de conceitos que constrói o preconceito, é a falta de compromisso com a palavra e com Deus que gera cristãos egoístas, preconceituosos e julgadores. Eu gosto de como Brennan Manning termina um dos capítulos de seu livro:

    “Venha o teu reino.” O que faz que o reino venha é a compaixão sincera: um caminho de ternura que não conhece fronteiras, rótulos, separações em categorias ou divisões sectárias (MANNING, 2007, p. 85).

    O preconceito é uma falta de conceito, é ler a Bíblia com os olhos fechados e achar que estamos imitando Cristo. Quando olhamos o próximo com amor e o respeitamos, entendemos quem somos e o que Deus fez por nós, que foi dar o seu filho ao invés de nos destruir.

    Quando viramos o rosto e externamos o nosso preconceito, fazemos algo que Deus não fez e talvez esta seja a melhor hora para olharmos para a nossa vida e avaliarmos nossos conceitos, acho possível que nós não os tenha.

    BIBLIOGRAFIA

    MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2007.

    DALRYMPLE, Theodore. Em Defesa do Preconceito: A necessidade de se ter ideias preconcebidas. São Paulo, É Realizações, 2015.

    https://www.dicio.com.br/preconceito

    https://www.dicio.com.br/conceito

  • MAIS UM ANO

    Mais um ano começou, mais ideias nos vem a mente, mais uma época para refletir, fazer alguns balanços e tentar progredir. Ainda mais neste período de crise, onde texto de 1Samuel 7:12: “Até aqui nos ajudou o Senhor…”, acaba ganhando ainda mais vida para mim, afinal, foi um ano complicado. Comecei o ano desempregado, nas vésperas de me casar, mas tudo Deu certo graças a Deus.

    Gosto muito do ano novo, eu gosto de recomeçar, planejar e pensar no que eu poderia fazer de melhor para o ano que começa. Terminei o ano com muitos planos de estudo, textos para o blog e aulas, e neste começo de ano tenho pensado em uma maneira de concretizar tudo. É por isso que gosto de anos novos, este fim de ciclo e começo de outro nos dá a oportunidade de refletir em cima do que fizemos e seguir buscando melhorias.

    Eu não tenho ideia do que significa (ou não) o ano novo para você, talvez seja como todos os dias, um dia qualquer, mas eu sei no significado que podemos dar  aos nossos dias. E é aí que planejamentos, recomeços, anos novos entram. Eu gosto de uma frase tirada e adaptada do filme: “Alice no país das maravilhas”:

    “Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”.

    Sem uma meta, planos e sonhos, continuamos na mesma. Só sai do lugar quem segue em uma direção. É por isso que eu de vez em quando penso em como estou vivendo, e em como poderia viver melhor, planejar e agir de uma forma ainda mais assertiva.

    Não é fácil manter um blog, demanda muito tempo, ainda mais sendo de teologia, que é algo pouco procurado hoje em dia, mas por conta da persistência e dos vários planos, estamos aí com um pouco mais de três anos e muitas visualizações. Uma empreitada nem sempre é fácil, mas é gratificante, além de nos proporcionar crescimento.

    Sugiro que dedique seu ano novo para firmar metas, planejar e fazer algo para o seu crescimento. Água parada estraga, mente que não se exercita atrofia. Reveja suas ideias, ressuscite seus sonhos, olhe para frente e busque mudanças e aproveite o novo ano para planejar e por seus planos em prática.

    Estamos em um ano de eleição, ano decisivo para que o nosso país mude ou piore de vez, então, por que não fazer o mesmo com sua vida? Estude mais, leia mais, planeje mais e coloque seus sonhos em prática. Penso que devemos errar tentando do que cometer o erro de errar por não ter feito nada.

  • SALMO 12: CONTRA A FALSIDADE

    “Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel; já não se confia em ninguém entre os homens. Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções” (Salmos 12:1-2) (NVI).

    Há muito tempo, assisti a um vídeo onde uma pessoa ensina o segredo de como descobrir se uma nota é falsa. O truque é simples, a pessoa passa um tempo tendo contato com o dinheiro, aprendendo e sentindo todos os detalhes da nota, para quando ela pegar uma nota falsa, perceber por conhecer muito bem uma nota verdadeira.

    Este texto de Salmos começa falando de falsidades, é um pedido de socorro de Davi a Deus por conta de falsidades, bajuladores e interesseiros, nos mostrando que esta prática não é nova, existe desde a época de Davi:

    “Davi olhou à sua volta para aqueles que dirigiam o governo e os negócios, e mesmo aqueles à frente das igrejas e das agências que deveriam servir para ajudar os outros — e tudo o que viu foram pessoas enganosas e manipuladoras, que apunhalavam os outros pelas costas” (CONNELLY; RICHARDS, 2016, p. 48).

    Já me decepcionei com pessoas que achei que eram meus amigos, já quebrei a cara com gente que só estava interessada em algo que eu tinha e não em uma amizade verdadeira. Este Salmo é um grito de socorro. Não sabemos com quem Davi estava indignado. Talvez com alguém do seu próprio lar, ou no reino que ele governava, porém, não importa, sabemos como é ruim ser feito de idiota. Por isso, Davi tem uma mensagem dura aos falsos e hipócritas e, com a paráfrase de Eugene Peterson, o texto fica ainda melhor:

     “Corta os lábios deles! Arranca. Aquelas línguas arrogantes! Cansei de ouvir: “Podemos convencer qualquer um de qualquer coisa. Nossos lábios controlam o mundo”” (Salmos 12:3-4) (2012, p. 704–705).

    Ninguém gosta de falsidade e corrupção, esta oração é um desabafo para quem já foi traído ou já se cansou de ouvir falar de roubalheiras. Contudo, Davi, neste Salmo, nos faz um convite, clamar a Deus por ajuda e entregar a Ele nossos problemas.

    Este Salmo não é só um clamor, um pedido de ajuda. Ele também é uma declaração: só há verdade em Deus, só há palavra pura Nele, é só Ele que pode trazer esperança para este mundo mentiroso e hipócrita.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    CONNELY, Douglas.; RICHARDS, Larry. Guia Fácil Para Entender Salmos: Tudo Sobre os Salmos, Reunido e Organizado de Maneira Completa e Acessível. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2017.

  • LIÇÕES QUE A VIDA ME ENSINOU

    Não tenha dúvidas que o tempo é um ótimo professor, felizmente, nem tudo o que aprendemos vem da sala de aula ou dos conselhos dos mais velhos. Aliás, quando somos novos, muitas das vezes insistimos em não seguir conselhos e perdemos de adquirir lições valiosíssimas. O desafio é saber quais são os bons conselhos e os conselhos ruins.

    A lista que se segue é de lições adquiridas com o tempo, alguns pontos aprendi batendo a cabeça, outros aprendi vendo outros baterem. Espero que este texto o ajude ou lhe traga pelo menos uma reflexão.

    Todos têm problemas: Não ache que a vida seja fácil para todos. Mesmo o rico passa por problemas. Principalmente quando o dólar cai, a bolsa oscila ou a possibilidade de perder o que possuem é iminente, eles só tem problemas diferentes. O pobre não compra tudo o que tem o rico sim, mas possuem outros medos. Todos têm suas dificuldades, mesmo que para você a dificuldade do próximo pareça pequena. E cuidado ao o julgar, pois a sua para ele também pode parecer pequena, por isso, o respeito é básico para podermos ter uma vida mais tranquila.

     A sua decepção será do tamanho de sua expectativa: Eu sei que as vezes é impossível não criarmos expectativas, ainda mais quando o que estamos esperando é o que mais sonhamos. Porém, quem cria muitas expectativas se decepciona mais quando tudo dá errado, exercitar uma baixa expectativa é importante para ter poucas frustrações.

    Você será subestimado a todo o tempo, viva com isso: Constantemente estamos sendo avaliados, não tenha dúvidas, seja em casa, na igreja trabalho, onde for.  Aprender a lidar com opiniões negativas é fundamental para não desanimarmos e abandonarmos bons projetos. Aprenda a usar a crítica para uma autoavaliação e quem sabe, melhorar e evoluir, sem esquecer que nem toda a crítica é coerente, o seu desafio será separar as boas das más críticas. No texto resiliência, eu conto como eu faço, sugiro que  dê uma lida, segue o link: Resiliência

    Quem você mais ama vai te ofender: Esta é a principal lição que aprendi, muitos vão nos magoar e entre estes muitos, estão aqueles que nos amam. Mas lembre-se que todos nós erramos e a qualquer momento, poderemos estar na mesma situação. Por isso que perdoar é também reconhecer quem nós somos.

    Geralmente o que vale a pena não vem fácil: Não acredite em um mundo fácil, isso não existe, são poucos os que conseguem as coisas em um passe de mágica, a grande maioria tem que ralar para conseguir algo. Não existe atalho para um bom empreendimento, procure o caminho mais seguro e siga para o alvo. Pare de se comparar e corra atrás, afinal, reclamar e ficar parado não traz resultado. Se o rico chegou lá mais rápido o problema é dele, se concentre em entender como você pode chegar.

    Nem tudo é dinheiro: A vida é muito mais que ganhar dinheiro. Aproveitar o que possuímos, olhar para o simples e se contentar com o que temos é um bom começo para uma jornada mais tranquila. Ninguém é tão pobre que não possa aproveitar um parque, um piquenique em família ou ir a um museu. Talvez a sua única riqueza seja a sua família, então aproveite, use a sua imaginação e crie momentos, pois o tempo passa, mas bons momentos ficam na lembrança.

    Eu poderia listar muito mais coisas, mas acredito que estas lições já valem uma boa reflexão. Viver em sociedade é ter a certeza que teremos problemas, porém as dificuldades são oportunidades ótimas para um momento de aprendizado.

    Então viva, aprenda e tire uma lição de tudo, pois viver tem os seus obstáculos, mas tem suas alegrias também, por isso, valorize o que vale a pena e tente superar o que te atrapalha.

  • ESPERANÇA

    Esperança, segundo o dicionário significa: ter a capacidade e a disposição de esperar algo, e convenhamos que esperar não é algo tão legal assim. Ainda mais quando você está no caos, passando necessidade, ou tentando uma cura quase impossível. Quando tudo desaba em nossa vida, esperar é a última coisa que queremos fazer. O desespero, perder a esperança, é a atitude mais natural de se ter diante das catástrofes. E é nestas horas que acabamos por perguntar: onde está Deus? Eu fiz isso quando no momento mais importante da minha vida perdi o emprego, foi um caos, pois eu contava com aquele salário. O que já não era muito se tornou inexistente.

    Talvez um dos problemas que temos, a começar por mim, é que muitas vezes vemos Deus como aquele pai que faz tudo por nós. Um Deus que nos mima e nos impede de sofrer. Uma tremenda contradição, já que Cristo sofreu aqui na terra, com certeza muito mais que nós.

    O evangelho infantil prega que aqui na terra você não vai ter problemas, vai desfrutar do bom e do melhor, ser um rei no mundo. Já evangelho adulto prega que Cristo está conosco em todas as situações. Ele não nos impede de sofrermos, passarmos dificuldades e desafios, ao contrário, Ele diz que teremos sim problemas, mas que estaria conosco. Tiago 1:2-3 fala que temos que nos alegrar nas provações, pois são elas que produzirão em nós perseverança. São as provações que nos ensinam, nos dão experiência e crescimento.

    Não ache que você vai crescer tendo tudo na mão, o que nos faz crescer são as provações e dificuldades. O que nos faz evoluir é o caos e quando no meio do caos você confia em Deus. Gosto de como Chesterton termina um dos capítulos do livro Hereges:

    “O homem tem o controle de muitas coisas na vida; tem o controle sobre um número suficiente de coisas para ser o herói de um romance. Todavia, caso tivesse controle sobre todas as coisas, seria tão herói que não haveria romance. E a razão por que a vida dos ricos é no fundo tão enfadonha e monótona é simplesmente por poderem escolher os acontecimentos. É tediosa porque são onipotentes. Não percebem as aventuras porque as fabricam” (CHESTERTON, 2014, p. 193-194).

    Viver é enfrentar desafios, é impossível existir sem qualquer tipo de dificuldades e só crescemos quando aprendemos a lidar com os empecilhos da estrada. Ter esperança é saber esperar, ter esperança é enfrentar medos e procurar solução.

    É só assim que crescemos, é só na dificuldade que entendemos quem realmente somos, é na provação que a nossa fé é testada e é através deste teste que adquiriremos a armadura, a resiliência que nos ensinará como enfrentar a vida.

    BIBLIOGRAFIA

    CHESTERTON, G. K, Hereges. São Paulo: Editora Ecclesiae, 2014.

    PRIBERAM, Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Esperança. Lisboa: Priberam, 2008-2023. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/ esperança. Acesso em: 06/09/2017.

  • HIPOCRISIA: ILUSÕES DA FÉ: PHILIP YANCEY: VERNE BECKER: TIM STAFFORD

    “O que é um hipócrita? Hipócrita é aquele que tenta ganhar respeito de qualquer grupo de que faça parte. Com os cristãos, os hipócritas enfatizam o aspecto espiritual, porque isso é o que imaginam que os fará admirados. […] São como camaleões, coloridos pelo ambiente e como não têm personalidade própria, são forçados a tentar viver de acordo com uma série de padrões contraditórios […].

    Assim, quando reconheço um hipócrita, fico triste. Estou vendo ali uma pessoa que não sabe quem é na realidade, que é muito fraca para ser coerente e, provavelmente, é muito infeliz” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 88).

    Eu creio que ninguém gosta de hipócritas, gente falsa nos causa repulsa, não é mesmo? Porém eu sempre tive a curiosidade de tentar entender o porquê alguns vivem uma vida assim.

    Uma coisa é verdade, nunca assumimos que em algum período de nossa vida certamente já fomos hipócritas. Seja para conseguir algo, ou para fugir de algum castigo. Eu sei que você pode não ser um hipócrita, mas certamente já foi alguma vez, e esta é a ênfase que o autor nos dá um pouco mais para frente:

    “Os hipócritas dizem que acreditam numa coisa, mas vivem outra diferente. Partindo desse princípio, você e eu somos hipócritas” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 89).

    Constantemente estamos infringindo os ensinos deixados por Cristo, muitas vezes temos como periodicidade tudo, menos as coisas de Deus. Isso é ser hipócrita também, é falar que é algo (cristão) e não viver conforme um cristão deveria viver. Quase no final do capítulo o autor pontua algo muito interessante:

    “Cada um de nós procura Jesus como um faminto procura o pão. O que dirão a meu respeito se eu olhar com desprezo outro faminto que ainda não sabe onde está o pão? (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 91).

    Eu fico triste quando vejo alguém vivendo um vida falsa, certamente esta pessoa vive um vazio muito grande e nem sabe mais quem ela é, como muito bem coloca o autor. Porém eu também fico triste quando não nos colocamos como agentes de cura e de salvação as pessoas. Não estou falando que nós temos que deixar o hipócrita seguir sendo quem não é, muito menos concordar com suas mentiras e sim, tentarmos ser compreensivos e ajudar mais que criticar.

    Uma das coisas que eu aprendo com este livro é: Todos somos hipócritas ou vamos acabar sendo mais dia ou menos dia, ou, todos tem suas dificuldades e antes de julgar é melhor oferecer a mão. Eu quero terminar esta reflexão com as últimas palavras deste capítulo:

    “Um hipócrita é alguém que está escondendo problemas no seu íntimo, fingindo que eles não existem. Um cristão é alguém livre o bastante para liberar seus problemas e entregá-los a Deus, a cada dia” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 93).

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, BECKER, Verne STAFFORD, Tim, Ilusões da Fé, O Que Não Disseram Quando Me Converti, Rio de Janeiro, 2010.

  • POR QUE NÃO SIGO A LEI?

    No texto de hoje quero trabalhar um pouco a questão da lei. Alguns não entendem a lei e tem até quem pratica como se a Bíblia assim aconselhasse, diante disso quero responder algumas questões. Por que não sigo a lei? Por que Deus estabeleceu a lei?

    A lei do Antigo Testamento era uma aliança entre Deus e o povo que ele escolheu:

    “Nos tempos do Antigo Testamento, alianças eram. Com frequência, outorgadas por um suserano com todos os poderes (o chefe supremo) a um vassalo (servo) mais fraco e dependente” (FEE, STUART, 2016, p. 198).

    E foi nos moldes conhecidos da época que Israel seguia a Deus e Ele os protegia e abençoava, além dos sacrifícios apontar para o Messias, que iria redimir de uma vez por todas os pecadores.

    Por que não mais seguimos a lei? Simples, por que não seguimos o Antigo Testamento (antiga aliança) e sim o Novo Testamento (nova aliança).  E esta nossa nova aliança manda não mais seguirmos a lei:

    “Ou seja, a menos que uma lei do Antigo Testamento seja de alguma forma reformulada ou reforçada no Novo Testamento, já não é diretamente obrigatória para o povo de Deus (cf. Rm 6:14,15)” (FEE, STUART, 2016, p. 199).

    Constantemente eu enfatizo aos amigos ou nos textos do blog que devemos olhar para o Velho Testamento sempre com o Novo Testamento a tiracolo. Não extraímos ensinos do velho que não tenha no novo, com  isso vamos ver o que o Novo testamento diz sobre a lei. Gálatas 2:19-20 diz:

    “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

    Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

    Adolf Pohl otimamente completa:

    “Paulo diz que morreu para a lei, a fim de viver para Deus. Atrás do fim do domínio da lei surge, como sentido da questão, imediatamente uma troca de senhorio. Cristo troca de lugar com a lei” (POHL, 1999, p. 90).

    Não estamos mais debaixo da lei e sim, debaixo do senhorio do Cristo. Seguimos Cristo e não a lei. Romanos 10:4 diz:

     “Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê”.

    Telos é a palavra grega para fim, e pode ser traduzido como objetivo ou alvo. Ou seja o alvo da lei é Cristo, a lei aponta para o Cristo (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1724). Nos mostra nossas incapacidades, nos mostra o quanto precisamos da graça, a lei aponta para Cristo e o seu sacrifício por nós e também pontua o que é pecado. Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1603), para este versículo:

    “A revelação anterior tinha a intenção de nos deixar preparados para o Messias, apenas isso”.

    Acredito ser uma tradução totalmente autoexplicativa, a lei apontava para o Messias, sua expiação e para a nossa incapacidade de cumprir a lei, dependendo de forma plena da graça. Romanos 7:7-8 diz:

    “Que diremos então? A Lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Lei não dissesse: “Não cobiçarás”. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a Lei, o pecado está morto”.

    Romanos 5:20-21 também diz:

    “A Lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”.

    A lei é o nosso norte, nos mostra quem somos e aponta para Jesus. Mas aí você me fala que Cristo não veio destruir a lei, mas cumpri-la, citando Mateus 5:17. Além de afirmar, como já ouvi de muitos, que Cristo era judeu, praticava a lei, por isso eu também devo praticar. Afinal, o que significa este cumprir e praticar? Simples, Cristo veio cumprir a lei, pois era o único capaz de fazer:

    “Jesus não disse que nós ainda estamos sob a lei, uma vez que de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da lei, até que tudo se cumpra. A resposta é: não; ele não disse isso. O que ele disse (ver Lc 16.16,17) era que a lei não pode ser mudada. Jesus veio para estabelecer uma nova aliança (ver Lc 22,20; cf Hb 8-10), e assim fazer com que o propósito da antiga fosse “cumprido”, e o tempo da antiga aliança chegasse ao fim” (FEE, STUART, 2016, p. 201).

    Somos filhos da nova aliança, seguimos o único que cumpriu por inteiro a lei. A lei revela quem nós somos e do quanto precisamos de Jesus. A lei pontua o que é o pecado e aponta para a graça de Deus.

    Resumindo: E lei era uma aliança entre Deus e Israel, ela também apontava para Cristo e o seu sacrifício. Não mais seguimos a lei, seguimos a Cristo, conforme otimamente pontua a nova aliança (Novo testamento), e a lei serve para mostrar a nossa incapacidade e o quanto precisamos de Jesus, além de pontuar o que é pecado.

    É por este motivo que eu não sigo a lei, pois o propósito dela findou-se com a vinda do Messias. Agora seguimos a Cristo, em vez da lei e somos alcançados não pela prática da lei, mas pela graça, pelo favor que Deus nos fez.

    BIBLIOGRAFIA

    F, Gordon D. STUART, Douglas, Entendes o que lês? Editora Vida Nova, São Paulo, 2016.

    POHL, Adolf, Carta aos Gálatas Comentário Esperança, Editora Esprança, Curitiba, 1999.

    CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

    PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013.

     

  • ATRASO DE VIDA

    Saí de casa ainda novo, antes dos 18 anos, por conta disso, fui morar em um pensionato, convivi com inúmeras pessoas, sendo que a maioria delas eram pessimistas.

    Eu ainda lembro como se fosse hoje de todos os planos, sonhos e desejos que moviam a minha vida, só que eu também recordo as inúmeras opiniões contrárias, as críticas e desincentivos que sofria. Tive que aprender a lidar com isso antes de concretizar algum sonho. Mas perdi muito tempo, afinal, eu era um adolescente, sem ajuda e direção na vida, mas com muitos sonhos, graças a Deus que achei o meu caminho.

    Pessimistas são complicados, pois sempre esperam o pior, suas palavras e atitudes são sempre negativas, conseguem de forma extraordinária transformar uma bela ideia em um erro imenso. É claro que temos que ser críticos, analisar as questões sobre todos os pontos de vistas antes de tentar, mas não é preciso para isso enterrar uma boa ideia ou desanimar alguém que está motivado a mudar o seu futuro. Eu dou graças a Deus que com o tempo aprendi a não ligar para estes, conheci gente realista, mas incentivadora e segui tentando mudar e crescer sempre. Quem corre atrás do que é bom encontra vida, quem não corre obviamente não encontra. Tudo vai depender de para onde você corre. 

    Eu perdi um bom tempo ouvindo quem não corria para lugar algum, quem era desmotivado e vivia para por defeitos nos planos dos outros, mas esta minha situação me ensinou a preferir errar tentando a cometer o erro de não tentar.

    Nem todos tem empatia, nem todos enxergam a questão com os seus olhos ou entendem a sua capacidade, é por isso que certos conselhos devem ser ponderados, refletir antes de ouvir e acatar. O segredo é buscar o equilíbrio, tentar ter um bom senso em tudo em um misto de crítico e otimista. Eu gosto de um provérbio chinês que considero fundamental para quem quer começar algo.

    “Uma jornada de duzentos quilômetros começa com um simples passo”.

    Nada na vida cai do céu, para tudo há um começo, por isso planeje, pesquise e tente. Cuidado com os atrasos de vida, esteja sempre com um pé atrás com conselhos ácidos e pessimistas. Ouça pessoas, ouça quem já tentou e não deu certo, porém em alguns casos eu diria para você tentar mesmo assim, é melhor errar tentando do que não tentar. Eu tenho uma máxima pessoal que carrego comigo desde sempre:

    “A convicção é um dos combustíveis da boa empreitada”.

    Se você tiver convicção, aliado ao estudo, pesquisa e dedicação, você chega longe. É claro que nem sempre onde sonhamos estar, mais muito mais longe do que em nosso período inicial.

  • SALMO 6: SÚPLICA NA PROVAÇÃO

     “Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados” (V6).

    Já se sentiu sem saída, abandonado, passando por um período tão ruim que você não consegue entender o que esta acontecendo? E você já se sentiu doente, sem forças e saúde? O Salmo 6 é este grito de lamento, é um desabafo em meio a tormenta.

    Não sabemos o motivo deste lamento todo, quem sabe este Salmo seja a continuação da fuga, que Salmos 3 narra. Quem sabe ele tenha se lembrado de atos pecaminosos passados, ou de sua omissão como pai, e existe a possibilidade do salmista estar doente, sofrendo de uma grave enfermidade, nós não sabemos, mas conseguimos sentir um pouquinho do gosto do fel que ele está sentindo.

    Ele tem a sua alma perturbada (V3) de tanta angústia. Ele se sente cansado (V6), seus olhos se consomem pela mágoa (V7). Enfim o cenário é de um derrotado.

    Quem nunca sentiu derrotas em sua vida? Quem nunca passou por angústias e momentos negros? Isso acompanha o nosso existir, e aprender a lidar com tudo isso é importante para que não fiquemos loucos.

    Este importante Salmo não é um lamento gratuito, é um desabafo, é uma busca furiosa por consolo e ajuda. Pois o que o sofrimento tem que fazer em nossa vida é nos colocar de joelhos.

    Não há outra forma de passar por problemas, não existe saída para o nosso caos, apenas a busca incessante por Deus e por sua ajuda.

    O interessante é que a oração angustiada termina com uma luz de esperança. O versículo 9 em diante, nos mostra o quanto Davi confiava em Deus, e já acreditava na solução do caos que ele passava.

    O sofrimento não é eterno, o caos que nos persegue e  nos machuca não dura para sempre e se tem uma coisa que estes problemas podem trazer para a nossa vida é alguns calos no joelho. Pois é assim, a melhor maneira de passarmos pelas dificuldades.