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  • O APLAUSO DO CEU – MAX LUCADO

    Confesso a vocês que um livro com o título: “O aplauso do céu”, não me apetece, não é um título que faz com que eu tenha vontade de correr para ir comprar. Tanto que este eu ganhei este livro e nem sei explicar o porquê acabei lendo, mas o livro é ótimo.

    O livro tem como base as Bem-aventuranças, lá de Mateus 5:1-10, sendo que o livro é muito mais reflexivo e prático, que teológico.

    Gostei bastante das contextualizações que o autor deu para as bem-aventuranças, o tipo da escrita, da maneira como compartilhou seus problemas e dificuldades tornando o livro íntimo, prático sincero.

    É um ótimo livro para quem procura uma leitura mais prática e que vá direto ao ponto.

    Editora United Press, 192 páginas.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 12: AUTOPROMOÇÃO

    “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”  (MT 6: 1-4) (NVI). 

     Talvez uma das coisas que mais me dá asco é conviver com quem vive de aparência. Quem faz as coisas para se autopromover, e pagar de santo.

    Há algum tempo eu li um livro chamado: Feridos em nome de Deus da autora Marília de Camargo César. E o que mais me impressiona no livro é o fato de muitos pastores serem vistos como santos e piedosos pelos membros de suas igrejas, porém, quando alguém começava a andar junto com aquele pastor, ele se mostrava um verdadeiro tirano.

    Isso é comum hoje em dia, conheci muitos que possuíam carros do último modelo, mas não tinham dinheiro sequer para a gasolina, viviam de aparência. E conheci outros que faziam caridade ou ajudavam o próximo a fim de mostrarem o que eles não eram as pessoas e é destes que este texto fala.

    Cristo neste texto tece uma crítica ácida aos judeus que davam esmolas, afim de mostrarem o quanto eram espirituais, o quanto eram bons e justos:

    “Após o culto na sinagoga cada um levantava e dizia qual era a quantia que queria ofertar. Quando havia uma doação muito vultuosa, o doador era chamado até o bemá (tribuna) e recebia a honra de poder sentar ao lado do rabino. O servidor da comunidade tocava, então, uma trombeta, a fim de chamar a atenção dos seres celestiais, porque ali se havia realizado uma beneficência especial” (RIENECKER, 1998, p. 100-101).

    Jesus deve ter visto esta cena muitas vezes e reparado o tamanho da  hipocrisia que este tipo de doação gerava. A virtude é silenciosa, como muito bem aponta Luiz Felipe Pondé, em uma entrevista onde ele falava de Jesus. O fazer o bem deve ser praticado em nome do bem, de uma causa ou necessidade e não em nome da autopromoção.

    John Stott (1982) no livro: Contracultura Cristã faz uma reflexão interessante sobre esta passagem. Ele diz que se na passagem de Mateus 5:20 em diante, Cristo afirmou para tomarmos cuidado com os pensamentos que nos fazem pecar, como eu bem coloquei no texto passado. O mesmo se aplica a motivação de dar esmolas ou de ajudar ao próximo. No fim, tudo depende do nosso interior e o que nos motiva a fazer, é isso que devemos controlar.

    E o texto é claro, se você faz o bem em nome de se autopromover, já teve a sua recompensa. Se você quer mostrar que é bom, quando doa alguma grande quantia a igreja, ou obra e caridade, já obteve a sua recompensa, não espere mais nada de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.

    RIENCKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1998.

  • TODO MUNDO MENTE

    No seriado Dr. House a frase que ele mais fala é: “Todo mundo mente”. E para complicar mais ele quase sempre está certo. Durante as histórias ele acaba provando que muitos escondem segredos ou acontecimentos que atrapalham o diagnóstico da doença.

    Não me considero tão pessimista assim, não sei se todo mundo mente, mas sei que muitos ou a maioria esconde algo. Vestem uma máscara para disfarçar quem realmente são e alguns conseguem.

    Acho interessante nos evangelhos, quando Cristo fala que alguém dos doze iria traí-lo, ninguém olhou para Judas (Mateus 26:21-22). O traidor Judas era um homem acima de qualquer suspeita. Parecia se preocupar com os outros e ser uma boa pessoa mas no fim traiu Jesus.

    A verdade é que em algum momento todos nós mentimos ou vamos mentir, às vezes é difícil deixar de vestir a máscara de santo, principalmente quando o outro é quem cai, faz algo errado, inadmissível para um cristão. É irresistível deixar de pagar de crente, santo intocável, ou deixar de agradecer a Deus que aquilo não aconteceu conosco.

     Todo mundo mente quando afirma que não está sujeito aos mesmos pecados, se não mentimos para os outros, mentimos pelo menos para nós, esquecemo-nos de onde viemos e o quanto somos falhos.

    Todo mundo mente quando acusa o próximo se colocando como intocável, acima de qualquer pecado. Paulo em 1 Coríntios 10:12, depois de falar do povo de Israel  e suas constantes desobediências, enfatizando que o que aconteceu com eles nos serve de exemplo, fala:

    Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!

    Afinal, se o povo de Israel que viu as maravilhas de Deus caiu, quem dirá nós.

    Por isso que devemos ser humildes, cultivando sempre a compreensão, ajudando o próximo sem legalismos. Todos nós temos dificuldades, todo o cristão tem as suas falhas e pecados no qual luta e com a graça de Deus tenta vencer todos os dias. Gosto da citação de Helmut Thielicke, no livro de Philip Yancey:

    “O odor sulfuroso do inferno não é nada comparado com o cheiro ruim emitido pela graça divina putrefata” (YANCEY, 2012, p. 29).

    Quando somos tocados pela graça e reconhecemos nossa condição, sabemos quem somos sem Deus e retribuir isso ao próximo é básico. Mais uma vez enfatizo como sempre faço em outros textos, eu não estou justificando cristãos que vivem na libertinagem e sim, falando de pessoas que tropeçam em suas caminhadas. Estes precisam de ajuda e não acusação.

    Quando vejo alguém falar mal de um irmão que caiu, sua atitude diz mais sobre ele que sobre a pessoa. Pois nas entrelinhas de sua atitude percebemos que ele não conhece a graça de Cristo e está cego.

                        

    BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 2012.

  • OITO HÁBITOS PARA UM BOM VIVER

    Há muito tempo atrás li um artigo, não lembro onde (o que é uma pena), que listava alguns hábitos de uma pessoa feliz. Muitos dos pontos propostos no artigo eram realmente interessantes, outros tenho minhas dúvidas, mas no geral gostei de ler. E foi pensando neste artigo antigo que resolvi listar alguns hábitos que me ajudaram a ter uma vida melhor.

    Perdoe sempre

    Perdoar é uma das mais importantes práticas para o bom viver. Quem não perdoa adoece, vive para baixo, segue a vida carregando um peso. Perdoar é justamente jogar fora o peso e ter em mente que quando não perdoamos, fechamos a porta para nós, afinal, todo mundo erra e em algum momento também teremos que pedir perdão, não tenha dúvidas.

    Não se preocupe com o que não tem solução

    Vivemos dias incertos, crise, desemprego, dias obscuros é o que mais vemos ultimamente, por isso se preocupar é inevitável. Porém, aprendi que o que não tem solução, o que não está em nosso controle não vale a pena nos preocupar. Foque nas coisas que você pode fazer e siga em frente, esquentar a cabeça com o que não está em seu controle é perder tempo.

    Ouça outros pontos de vista

    Ouvir outros pontos de vista não é concordar, muito menos abandonar o nosso e sim, aprender todas as variantes de um conceito. Costumamos nos agarrar aos nossos pontos de vista com unhas e dentes, o problema é que nem sempre estamos certos. Ouvir outros pontos de vista é uma boa oportunidade para reafirmar o que acreditamos, ou quem sabe concluirmos que estamos errados. O segredo é duvidar sempre, mesmo quando temos certeza, relaxe que a verdade sempre permanece.

    Seja grato com o que você já tem

    Neste mundo louco sonhamos tanto, planejamos tanto ou corremos tanto atrás das coisas que queremos que algumas vezes esquecemo-nos de aproveitar o hoje, o que já temos, as coisas simples da vida. Eu gosto de uma frase atribuída a William Shakespeare:

    “Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”.

    Não sei o quanto você possuí, mas sei que pode aproveitar o que tem. Não cometa o erro de idealizar o futuro e esquecer-se de viver o presente, a vida é curta e única, aproveite da melhor maneira que puder.

    Não se justifique tanto

    Muitas vezes adquirimos o péssimo hábito de nos justificar em tudo, seja uma atitude errada, uma má avaliação ou qualquer crítica recebida, é inevitável nos justificar. O problema é que na ânsia de nos justificar, acabamos perdendo uma boa oportunidade de mudar. Nem sempre vemos nossos erros, nem sempre achamos que a nossa atitude é errada, por isso que ouvir críticas e refletir é importante. É claro que às vezes é necessário uma justificação, é claro também que nem todas as críticas são justas e fundamentadas, porém tente se justificar menos e refletir mais, ou demore em fazer suas justificativas.

    Ore sempre

    Quando lemos os evangelhos vemos Cristo, o próprio Deus, orar a todo o momento e não era à toa. A oração é o que nos mantêm em contato com o Pai, que nos sustenta e nos ajuda. Orar é fundamental, aprender a separar um tempo em secreto é um dos segredos para nos manter lúcido neste mundo doido.

    Leia sempre

    Ler é fundamental, seja a Bíblia ou livros. Quem não lê não se aprofunda, tem opiniões rasas e superficiais. E quem não lê a Bíblia piorou ainda mais, pois não existe outra forma de entender a vontade de Deus se não lermos e estudarmos a sua palavra.

    Pratique o autoconhecimento

    Você vai se admirar como muitos nem se conhecem. Acham que tem ideia de quem são, mas não sabem. Procure alguns livros que abordem este tema, marque uma consulta com um psicólogo, coloque o preconceito de lado que você vai ver o quão legal é ter um auxílio de um profissional.
    Estes são alguns dos meus hábitos e espero que algum ponto abordado ajude ou incentive você a formular os seus. Procurar por bons hábitos nos ajudam a crescer e sermos melhores. Neste mundo doido, quem tem boas práticas vive mais tranquilo, se incomoda menos e cresce mais.

  • DIVISÕES

    Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. (Referência 1 Coríntios 1:10-16).

    Quando vemos as infinitas brigas e divisões entre calvinistas, arminianos ou afins, achamos ser isso algo novo, um problema que veio com a reforma. O que alguns não sabem é que estas divisões já têm pelo menos uns dois mil anos. O homem é mestre em se dividir, em seguir cada um o seu guru sem respeitar uns aos outros.

    A igreja de Corinto estava se dividindo, já não se entendiam mais. Cada um seguia o seu mestre, esquecendo que o nosso verdadeiro mestre é Jesus:

    “Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” (1Coríntios 1:13).

    É evidente que temos que abrir os olhos quanto ao falso ensino, não podemos concordar com ensinamentos que não estão na Bíblia. Porém, nós também não podemos esquecer que nós não seguimos a homens, mas a Deus. Não foi Calvino nem Armínio que morreu por nós na cruz, foi Cristo.

    Ou a teologia que seguimos, seja calvinista, arminianos ou sei lá qual mais, nos aproxima de Deus, nos faz orar mais, ser mais humildes, ler mais a Bíblia ou largamos tudo. Austin Fischer tem uma conclusão interessante sobre isso em seu livro:

    “O problema com a teologia é que são humanos que a estão fazendo. Criaturas finitas, frágeis e caídas estão tentando entender o Criador. Tal ação, está propensa a resultar em erros e hilaridade” (FISCHER, 2015, p.19).

    Eu tenho visto muitos irmãos se dividem por causa de teologia e placas de igreja. Eu já vi alguns cristãos batendo no peito rindo dos que não seguem a sua forma de pensar, já ouvi pastores chamarem arminianos de burros. A igreja não tem crescido com alguns destes ensinos e quem perde com a divisão é a igreja.

    Nós somos um só corpo (1 Coríntios 12:14), sendo Cristo o cabeça,  a teologia que temos deve nos fazer crescer e não nos dividirmos. Temos um só Deus, uma só palavra que nos guia que é a Bíblia, será que é tão difícil resolver algumas questões teológicas com um bom debate, sem guerra? Caso contrário morreremos ao nos dividir, pois se somos um só corpo como a Bíblia diz, um membro separado do corpo morre.

    BIBLIOGRAFIA

    FISCHER, Austin, Jovem Incansável Não Mais Reformado, Editora Sal Cultural, Maceió, 2015.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 11: A VERDADEIRA JUSTIÇA

     “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus” (MT5: 5: 20 ao 48) (NVI). 

    Esta passagem é uma espécie de introdução que marca a forma como Jesus interpretava a lei. A forma que Cristo interpretava vários pontos da lei era bem diferente da forma que os intérpretes da época explicavam. É por isso que, antes, vamos entender quem eles eram e como interpretavam a lei.

    Os escribas eram sábios e autoridades na interpretação da lei. E os fariseus também eram sábios na interpretação, porém, vinham do povo comum, não eram aristocratas como os saduceus. Eram vistos também como uma espécie de reformadores que no fim acabam incluindo uma porção de atitudes legalistas na interpretação da lei (CHAMPLIN, 2013, p. 462-689). John Wesley resume de forma coesa quem eles eram:

    “Os escribas, mencionados com tanta frequência no Novo Testamento, eram alguns dos opositores mais constantes e veementes aos ensinos de Jesus. Não eram secretários ou homens empregados apenas para escrever. […] Eles eram homens instruídos nas leis de Deus, não nas leis humanas […]. Os fariseus formavam um grupo muito antigo entre os judeus. […] Eles só se distinguiam dos outros pela vida mais rigorosa. Exibiam um comportamento mais religioso. Eram zelosos na lei nos detalhes”. (2015, p. 135).

    Muitos escribas também eram da seita dos fariseus, que eram vistos pelo povo como zelosos e mais santos, enquanto os escribas eram vistos como mais sábios (2015, p. 135-136). Eles só tinham um problema, eram legalistas e isso está registrado Mateus 23: 13 em diante, nos famosos sete ais de Jesus:

    “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (NVI). 

    Estes religiosos tinham em suas mãos o conhecimento e guardavam para si. No fim, em vez de proclamar o evangelho, fundaram um grupo fechado, deixando o próximo de fora, deixando de praticar o amor e a compaixão. A igreja ao longo dos anos, acabou fazendo isso. Cobravam indultos e se colocavam como únicas donas da verdade, nada tão diferente dos fariseus.

    Mas o texto diz que devemos ter a justiça maior que a justiça dos fariseus. O texto não está afirmando que devemos praticar a lei, guardar cada traço da lei e sim, que devemos observar todos os pontos sutis da lei e tomar cuidado com tudo o que nos leva fazer aquele ato pecaminoso:

    “Por exemplo, cumprir o mandamento “não matarás” já é suficiente para qualquer cidadão se sentir tranquilo. Entretanto, na ótica de Jesus, o ato de odiar, irar-se contra o outro, considerá-lo tolo desprezível, já é em si um crime contra a vida (QUEIROZ, 2006, p. 119).

    Esta passagem toda, que vai do 20 ao 48, é um incentivo para tratarmos o mal na raiz, o assassinato começa com uma pontinha de ódio ou raiva. O adultério começa com um simples olhar e por aí vai. Não nos esqueçamos da importância de nos relacionarmos, ser igreja é conviver e para se conviver, existem regras, diante disso, a nossa justiça deve ser superior a dos fariseus. Deve ser mais do que apenas não matar, ou não cobiçar a mulher do próximo e sim, devemos tomar cuidado com tudo o que nos leva a isso. A justiça dos fariseus era exterior, a nossa deve ser interior. Começa por controlarmos o caos dentro de nós e deixarmos que Cristo limpe a sujeira dentro do nosso coração.

    Bem que ser cristão poderia ser apenas não fazer mal as pessoas. Bem que servir a Deus poderia ser apenas não olhar para a mulher do próximo, amar e decorar alguns versículos Bíblicos. Mas infelizmente não é, ser cristão é mais profundo que isso, é lutar contra a prática do pecado, é clamar todos os dias pela misericórdia de Deus.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

    WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015.

    QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais.

  • TEOLOGIA PARA O COTIDIANO – ELBEN M. LENZ CÉSAR

    Eu sempre acreditei que a teologia pode estar ao alcance de todos, acredito ser possível mesclar a reflexão com a profundidade teológica e é este o propósito deste livro.

    “Teologia para o Cotidiano tem esse título exatamente porque pretende unir o zelo doutrinário com o zelo espiritual, a mente com a alma, a fé com as obras, a ortodoxia com a ortopraxia, o estático com o dinâmico, a bagagem doutrinária com a bagagem da vivência espiritual” (CÉSAR, 2014, p. 8).

    É um ótimo material para quem quer começar a ter um contato com a teologia, conhecer os principais pontos e aplicar de forma prática em sua vida.

    Editora Ultimato, 117 páginas.

    BIBLIOGRAFIA

    CÉSAR, Elben M. Lenz, Teologia Para o Cotidiano, A Sabedoria Bíblica Para a Vida Diária, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2014.

  • AMAR O PRÓXIMO

    Eu não tenho dúvida de que o amor seja a peça chave da vida crista. O termômetro de uma vida tocada pelo Espírito Santo. 1 João 4:7 diz:

    “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”.

    Quem é nascido de Deus ama, quem foi tocado pelo Deus de amor ama, não tem lógica você servir a um Deus de amor e não amar.  Em Marcos 12:30-31 Cristo nos mandou amar a Deus acima de tudo e ao próximo como amamos a nós mesmo. A pergunta que fica é: Será que eu me amo suficientemente bem para amar o próximo? Será que é certo amar o próximo como eu me amo?

    Esta foi uma das dúvidas que permeou minha vida por um bom tempo. Eu sempre achei que se formos tratar o próximo como nós nos tratamos acabaríamos repetindo alguns erros como: Sermos teimosos e orgulhosos por não confessarmos nossos erros, negligentes por não ligamos para a nossa saúde ou até tiranos quando não perdoamos e esquecemos que Deus nos perdoa independente de nosso pecado. O problema, que talvez seja o motivo deste nosso equívoco, é que o texto não começa falando de nós e sim de Deus.

     “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças” (V30).

    Tudo começa em Deus, é impossível amarmos sem Ele, um Deus de amor, nos amar primeiro. O nosso amor ao próximo é um resultado do amor divino, Carson acrescenta:

    “Jesus colocou o amor a Deus no centro da lei; o amor ao próximo deveria fluir e fluiria naturalmente como uma consequência do amor a Deus. Se tentarmos colocar o amor ao próximo em primeiro lugar ou, pior ainda, deixar de fora o amor a Deus, arruinaremos a nossa vida e deixaremos, inclusive, de amar o nosso próximo como deveríamos” (CARSON, FRANCE , MOTYER, WENHAM,  2012, p. 1458).

    Lembrando que este amor não é um sentir apenas, não é um ver coraçõezinhos é uma ação, uma atitude. É fazer, é uma ação e não esperar termos vontade de fazer algo ao próximo.

    Quem ama a Deus, ama o próximo, quem serve ao Deus de amor ama, se doa afinal como muito bem diz 1João 4: 8:

    “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”.

    É impossível servirmos a um Deus de amor e não amar!

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

  • COMPREENSÃO: A CABALA DA INVEJA: NILTON BONDER

    “Quando alguém lhe recusar algo, antes de enfurecer-se avaliando a situação de seu ponto de vista, repetindo para si mesmo “O que custava?… Que grande valor tem este objeto?”, entenda que você não tem condições de responder a estas perguntas. Sua sensação é de que as respostas a estas perguntas são óbvias, porém não são. Não sabemos o que custa nem o valor que algo tem para alguém. Perceba que o impulso de definir o outro como egocêntrico pode ser uma grande ironia, já que você mesmo pode ser egoísta, incapaz de reconhecer os custos ou incômodos que algo pode acarretar ao outro. A certeza da facilidade com que o favor lhe poderia ter sido prestado atesta, na verdade, sua incapacidade de fugir a seus próprios padrões e reconhecer os direitos do outro. Tal procedimento demonstraria, no fundo, uma atitude egoísta de sua parte” (BONDER, 2010, p. 147).

    Em meus textos e em minhas aulas, tento sempre enfatizar a importância de enxergarmos as situações não só com nosso ponto de vista, mas também com o do próximo e é este um dos ensinos que quero ressaltar deste livro do Nilton Bonder.

    Viva entendendo que conclusões precipitadas, sem ser analisadas como um todo faz-nos ter atitudes equivocadas e o pior. As vezes nos leva a termos atitudes hipócritas, as mesmas atitudes que comumente enxergamos em outros. E no fim do capítulo Nilton Bonder ressalta justo isso:

    “Devemos reconhecer que é muito complexo trabalhar com a frase “Ama a teu próximo como a ti mesmo”, ao mesmo tempo que reconhecemos que nós também somos o próximo” (BONDER, 2010, p. 148).

    Pois a verdade é uma só, quando julgamos atitudes alheias temos que entender que a nossa atitude também vai ser julgada. É sábio concluirmos que nós, uma hora ou outra estaremos do outro lado da questão. Por isso que ponderar e tentar se colocar no lugar do próximo é importante para que não vivamos neste mundo achando que tudo gira em torno do nosso querer.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, A Cabala da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.

  • ENTRE LEGALISMOS

    Eu tenho um pé atrás com cristãos legalistas, com gente que não demora a acusar e se sentir o mais santo da terra. Acredito que uma boa parte destes, no fundo, estão querendo esconder algum problema pessoal. Brennan Manning tem uma teoria parecida com a minha, sobre estes:

    “A violência com a qual alguns cristãos expõem suas convicções me faz pensar que eles estão tentando convencer a si mesmos. O espectro de sua incredulidade oculta com habilidade me assusta à medida que eles se tornam mais militantes e barulhentos. Quando esse mesmo medo passa a controlar as igrejas, elas se desintegram, tornando-se propagadoras de rituais formais ou agentes intolerantes de repressão. Sem um conhecimento íntimo e sincero de Jesus, os pregadores que lideram essas igrejas se assemelham a agentes de viagem distribuindo panfletos de lugares que nunca visitaram” (MANNING, 2007, p. 180).

    Há muitos anos, um pai de um amigo não cansava de apontar meus erros, julgar minhas tatuagens e cabelos compridos. Este mesmo fugiu com a mulher de um irmão da igreja um tempo depois. Conheci uma pessoa que vivia apontando o erro do próximo, mas que vivia uma vida ainda mais errada. É por estas e outras experiências que concluo que uma boa parte dos que acusam, ou queriam estar lá, ou tem problemas com aquele pecado no qual condenam ou talvez quem sabe não percebam suas próprias atitudes erradas. Porém eu não posso esquecer algo que li em um livro de Philip Yancey:

    “O legalismo é um perigo sutil porque ninguém se considera legalista. Minhas próprias regras parecem necessárias; as regras de outras pessoas parecem excessivamente severas” (YANCEY, 2012, p. 189).

    Muitas vezes, devido a nossa posição de liderança, acabamos nos tornando legalistas. Sabe aquela coisa de se achar melhor do que o outro? Então, isso é muito mais comum do que imaginamos e é o começo de tudo.

    Eu quando novo fui legalista, me achava o santarrão, quando no fundo o que eu sentia era inveja, queria estar no lugar das pessoas que eu acusava. Quando conheci a graça, descobri o quão podre era e o quanto precisava de Cristo.

    Não quero com este texto compactuar com o pecado, muito menos vou listar o que é ou não pecado. E sim enfatizar o quão complicado é a liberdade cristã:

    “À primeira vista, o legalismo parece duro, mas na realidade a liberdade em Cristo é o caminho mais difícil. É relativamente fácil deixar de matar, mais é difícil amar; é relativamente fácil evitar a cama do vizinho, mas é difícil manter um casamento vivo; é fácil pagar impostos, mas é difícil servir pobres” (YANCEY, 2012, p. 199).

    As vezes olhamos para a Bíblia e ficamos felizes quando vemos Cristo repreendendo os fariseus, nos escandalizamos com as suas friezas e falta de amor, porém não vemos quando fazemos o mesmo.

    Nem sempre é legal ajudar o outro, sair de nossa zona de conforto é um desafio, mas é preciso. O mundo precisa que preguemos a palavra, só não podemos esquecer que pregar não é só falar, é também demonstrar, fazer e estender a mão.

    O cristão declara guerra a tantos pecados e heresias hoje em dia, que não vê o quanto tem errado. O mesmo erro dos fariseus, que se fechavam em seus legalismos, sua falta de amor, sua “religião”

    Nietzsche tem uma frase que é genial, perfeita para terminar este texto :

    “Tenha cuidado para que ao lutar contra o dragão, você não se transforme em um” (YANCEY, 2012, p. 199).

    Cuidado com o legalismo, ele é sutil e muitas vezes entra sem percebermos. Contudo, no afã de combatê-lo, podemos sem querer nos tornarmos iguais.

    Não podemos esquecer quem somos, da graça que nos alcançou mesmo sem merecermos e do quando temos que replicar estas atitudes.

    Não se trata de compactuar com o pecado e sim de ser compreensivo, entender que todos falham e que todos tem seus defeitos.

    Fomos alcançados pela graça, é por isso, por Deus ter sido gracioso conosco, que temos que reproduzir a sua atitude para com o nosso irmão. Oferecendo sempre a mão e não um soco na cara.

     BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    MANNING, Brennan, A Sabedoria Da Ternura, O Que Acontece Quando Compreendemos E Aceitamos O Amor Poderoso De Deus Que Transforma Nossas Vidas, Editora Palavra, Brasília, 2007.