-
LIÇÕES QUE A VIDA ME ENSINOU
Não tenha dúvidas que o tempo é um ótimo professor, felizmente, nem tudo o que aprendemos vem da sala de aula ou dos conselhos dos mais velhos. Aliás, quando somos novos, muitas das vezes insistimos em não seguir conselhos e perdemos de adquirir lições valiosíssimas. O desafio é saber quais são os bons conselhos e os conselhos ruins.
A lista que se segue é de lições adquiridas com o tempo, alguns pontos aprendi batendo a cabeça, outros aprendi vendo outros baterem. Espero que este texto o ajude ou lhe traga pelo menos uma reflexão.
Todos têm problemas: Não ache que a vida seja fácil para todos. Mesmo o rico passa por problemas. Principalmente quando o dólar cai, a bolsa oscila ou a possibilidade de perder o que possuem é iminente, eles só tem problemas diferentes. O pobre não compra tudo o que tem o rico sim, mas possuem outros medos. Todos têm suas dificuldades, mesmo que para você a dificuldade do próximo pareça pequena. E cuidado ao o julgar, pois a sua para ele também pode parecer pequena, por isso, o respeito é básico para podermos ter uma vida mais tranquila.
A sua decepção será do tamanho de sua expectativa: Eu sei que as vezes é impossível não criarmos expectativas, ainda mais quando o que estamos esperando é o que mais sonhamos. Porém, quem cria muitas expectativas se decepciona mais quando tudo dá errado, exercitar uma baixa expectativa é importante para ter poucas frustrações.
Você será subestimado a todo o tempo, viva com isso: Constantemente estamos sendo avaliados, não tenha dúvidas, seja em casa, na igreja trabalho, onde for. Aprender a lidar com opiniões negativas é fundamental para não desanimarmos e abandonarmos bons projetos. Aprenda a usar a crítica para uma autoavaliação e quem sabe, melhorar e evoluir, sem esquecer que nem toda a crítica é coerente, o seu desafio será separar as boas das más críticas. No texto resiliência, eu conto como eu faço, sugiro que dê uma lida, segue o link: Resiliência
Quem você mais ama vai te ofender: Esta é a principal lição que aprendi, muitos vão nos magoar e entre estes muitos, estão aqueles que nos amam. Mas lembre-se que todos nós erramos e a qualquer momento, poderemos estar na mesma situação. Por isso que perdoar é também reconhecer quem nós somos.
Geralmente o que vale a pena não vem fácil: Não acredite em um mundo fácil, isso não existe, são poucos os que conseguem as coisas em um passe de mágica, a grande maioria tem que ralar para conseguir algo. Não existe atalho para um bom empreendimento, procure o caminho mais seguro e siga para o alvo. Pare de se comparar e corra atrás, afinal, reclamar e ficar parado não traz resultado. Se o rico chegou lá mais rápido o problema é dele, se concentre em entender como você pode chegar.
Nem tudo é dinheiro: A vida é muito mais que ganhar dinheiro. Aproveitar o que possuímos, olhar para o simples e se contentar com o que temos é um bom começo para uma jornada mais tranquila. Ninguém é tão pobre que não possa aproveitar um parque, um piquenique em família ou ir a um museu. Talvez a sua única riqueza seja a sua família, então aproveite, use a sua imaginação e crie momentos, pois o tempo passa, mas bons momentos ficam na lembrança.
Eu poderia listar muito mais coisas, mas acredito que estas lições já valem uma boa reflexão. Viver em sociedade é ter a certeza que teremos problemas, porém as dificuldades são oportunidades ótimas para um momento de aprendizado.
Então viva, aprenda e tire uma lição de tudo, pois viver tem os seus obstáculos, mas tem suas alegrias também, por isso, valorize o que vale a pena e tente superar o que te atrapalha.
-
ESPERANÇA
Esperança, segundo o dicionário significa: ter a capacidade e a disposição de esperar algo, e convenhamos que esperar não é algo tão legal assim. Ainda mais quando você está no caos, passando necessidade, ou tentando uma cura quase impossível. Quando tudo desaba em nossa vida, esperar é a última coisa que queremos fazer. O desespero, perder a esperança, é a atitude mais natural de se ter diante das catástrofes. E é nestas horas que acabamos por perguntar: onde está Deus? Eu fiz isso quando no momento mais importante da minha vida perdi o emprego, foi um caos, pois eu contava com aquele salário. O que já não era muito se tornou inexistente.
Talvez um dos problemas que temos, a começar por mim, é que muitas vezes vemos Deus como aquele pai que faz tudo por nós. Um Deus que nos mima e nos impede de sofrer. Uma tremenda contradição, já que Cristo sofreu aqui na terra, com certeza muito mais que nós.
O evangelho infantil prega que aqui na terra você não vai ter problemas, vai desfrutar do bom e do melhor, ser um rei no mundo. Já evangelho adulto prega que Cristo está conosco em todas as situações. Ele não nos impede de sofrermos, passarmos dificuldades e desafios, ao contrário, Ele diz que teremos sim problemas, mas que estaria conosco. Tiago 1:2-3 fala que temos que nos alegrar nas provações, pois são elas que produzirão em nós perseverança. São as provações que nos ensinam, nos dão experiência e crescimento.
Não ache que você vai crescer tendo tudo na mão, o que nos faz crescer são as provações e dificuldades. O que nos faz evoluir é o caos e quando no meio do caos você confia em Deus. Gosto de como Chesterton termina um dos capítulos do livro Hereges:
“O homem tem o controle de muitas coisas na vida; tem o controle sobre um número suficiente de coisas para ser o herói de um romance. Todavia, caso tivesse controle sobre todas as coisas, seria tão herói que não haveria romance. E a razão por que a vida dos ricos é no fundo tão enfadonha e monótona é simplesmente por poderem escolher os acontecimentos. É tediosa porque são onipotentes. Não percebem as aventuras porque as fabricam” (CHESTERTON, 2014, p. 193-194).
Viver é enfrentar desafios, é impossível existir sem qualquer tipo de dificuldades e só crescemos quando aprendemos a lidar com os empecilhos da estrada. Ter esperança é saber esperar, ter esperança é enfrentar medos e procurar solução.
É só assim que crescemos, é só na dificuldade que entendemos quem realmente somos, é na provação que a nossa fé é testada e é através deste teste que adquiriremos a armadura, a resiliência que nos ensinará como enfrentar a vida.
BIBLIOGRAFIA
CHESTERTON, G. K, Hereges. São Paulo: Editora Ecclesiae, 2014.
PRIBERAM, Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Esperança. Lisboa: Priberam, 2008-2023. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/ esperança. Acesso em: 06/09/2017.
-
HIPOCRISIA: ILUSÕES DA FÉ: PHILIP YANCEY: VERNE BECKER: TIM STAFFORD
“O que é um hipócrita? Hipócrita é aquele que tenta ganhar respeito de qualquer grupo de que faça parte. Com os cristãos, os hipócritas enfatizam o aspecto espiritual, porque isso é o que imaginam que os fará admirados. […] São como camaleões, coloridos pelo ambiente e como não têm personalidade própria, são forçados a tentar viver de acordo com uma série de padrões contraditórios […].
Assim, quando reconheço um hipócrita, fico triste. Estou vendo ali uma pessoa que não sabe quem é na realidade, que é muito fraca para ser coerente e, provavelmente, é muito infeliz” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 88).
Eu creio que ninguém gosta de hipócritas, gente falsa nos causa repulsa, não é mesmo? Porém eu sempre tive a curiosidade de tentar entender o porquê alguns vivem uma vida assim.
Uma coisa é verdade, nunca assumimos que em algum período de nossa vida certamente já fomos hipócritas. Seja para conseguir algo, ou para fugir de algum castigo. Eu sei que você pode não ser um hipócrita, mas certamente já foi alguma vez, e esta é a ênfase que o autor nos dá um pouco mais para frente:
“Os hipócritas dizem que acreditam numa coisa, mas vivem outra diferente. Partindo desse princípio, você e eu somos hipócritas” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 89).
Constantemente estamos infringindo os ensinos deixados por Cristo, muitas vezes temos como periodicidade tudo, menos as coisas de Deus. Isso é ser hipócrita também, é falar que é algo (cristão) e não viver conforme um cristão deveria viver. Quase no final do capítulo o autor pontua algo muito interessante:
“Cada um de nós procura Jesus como um faminto procura o pão. O que dirão a meu respeito se eu olhar com desprezo outro faminto que ainda não sabe onde está o pão? (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 91).
Eu fico triste quando vejo alguém vivendo um vida falsa, certamente esta pessoa vive um vazio muito grande e nem sabe mais quem ela é, como muito bem coloca o autor. Porém eu também fico triste quando não nos colocamos como agentes de cura e de salvação as pessoas. Não estou falando que nós temos que deixar o hipócrita seguir sendo quem não é, muito menos concordar com suas mentiras e sim, tentarmos ser compreensivos e ajudar mais que criticar.
Uma das coisas que eu aprendo com este livro é: Todos somos hipócritas ou vamos acabar sendo mais dia ou menos dia, ou, todos tem suas dificuldades e antes de julgar é melhor oferecer a mão. Eu quero terminar esta reflexão com as últimas palavras deste capítulo:
“Um hipócrita é alguém que está escondendo problemas no seu íntimo, fingindo que eles não existem. Um cristão é alguém livre o bastante para liberar seus problemas e entregá-los a Deus, a cada dia” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 93).
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, BECKER, Verne STAFFORD, Tim, Ilusões da Fé, O Que Não Disseram Quando Me Converti, Rio de Janeiro, 2010.
-
POR QUE NÃO SIGO A LEI?
No texto de hoje quero trabalhar um pouco a questão da lei. Alguns não entendem a lei e tem até quem pratica como se a Bíblia assim aconselhasse, diante disso quero responder algumas questões. Por que não sigo a lei? Por que Deus estabeleceu a lei?
A lei do Antigo Testamento era uma aliança entre Deus e o povo que ele escolheu:
“Nos tempos do Antigo Testamento, alianças eram. Com frequência, outorgadas por um suserano com todos os poderes (o chefe supremo) a um vassalo (servo) mais fraco e dependente” (FEE, STUART, 2016, p. 198).
E foi nos moldes conhecidos da época que Israel seguia a Deus e Ele os protegia e abençoava, além dos sacrifícios apontar para o Messias, que iria redimir de uma vez por todas os pecadores.
Por que não mais seguimos a lei? Simples, por que não seguimos o Antigo Testamento (antiga aliança) e sim o Novo Testamento (nova aliança). E esta nossa nova aliança manda não mais seguirmos a lei:
“Ou seja, a menos que uma lei do Antigo Testamento seja de alguma forma reformulada ou reforçada no Novo Testamento, já não é diretamente obrigatória para o povo de Deus (cf. Rm 6:14,15)” (FEE, STUART, 2016, p. 199).
Constantemente eu enfatizo aos amigos ou nos textos do blog que devemos olhar para o Velho Testamento sempre com o Novo Testamento a tiracolo. Não extraímos ensinos do velho que não tenha no novo, com isso vamos ver o que o Novo testamento diz sobre a lei. Gálatas 2:19-20 diz:
“Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.
Adolf Pohl otimamente completa:
“Paulo diz que morreu para a lei, a fim de viver para Deus. Atrás do fim do domínio da lei surge, como sentido da questão, imediatamente uma troca de senhorio. Cristo troca de lugar com a lei” (POHL, 1999, p. 90).
Não estamos mais debaixo da lei e sim, debaixo do senhorio do Cristo. Seguimos Cristo e não a lei. Romanos 10:4 diz:
“Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê”.
Telos é a palavra grega para fim, e pode ser traduzido como objetivo ou alvo. Ou seja o alvo da lei é Cristo, a lei aponta para o Cristo (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1724). Nos mostra nossas incapacidades, nos mostra o quanto precisamos da graça, a lei aponta para Cristo e o seu sacrifício por nós e também pontua o que é pecado. Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1603), para este versículo:
“A revelação anterior tinha a intenção de nos deixar preparados para o Messias, apenas isso”.
Acredito ser uma tradução totalmente autoexplicativa, a lei apontava para o Messias, sua expiação e para a nossa incapacidade de cumprir a lei, dependendo de forma plena da graça. Romanos 7:7-8 diz:
“Que diremos então? A Lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Lei não dissesse: “Não cobiçarás”. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a Lei, o pecado está morto”.
Romanos 5:20-21 também diz:
“A Lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”.
A lei é o nosso norte, nos mostra quem somos e aponta para Jesus. Mas aí você me fala que Cristo não veio destruir a lei, mas cumpri-la, citando Mateus 5:17. Além de afirmar, como já ouvi de muitos, que Cristo era judeu, praticava a lei, por isso eu também devo praticar. Afinal, o que significa este cumprir e praticar? Simples, Cristo veio cumprir a lei, pois era o único capaz de fazer:
“Jesus não disse que nós ainda estamos sob a lei, uma vez que de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da lei, até que tudo se cumpra. A resposta é: não; ele não disse isso. O que ele disse (ver Lc 16.16,17) era que a lei não pode ser mudada. Jesus veio para estabelecer uma nova aliança (ver Lc 22,20; cf Hb 8-10), e assim fazer com que o propósito da antiga fosse “cumprido”, e o tempo da antiga aliança chegasse ao fim” (FEE, STUART, 2016, p. 201).
Somos filhos da nova aliança, seguimos o único que cumpriu por inteiro a lei. A lei revela quem nós somos e do quanto precisamos de Jesus. A lei pontua o que é o pecado e aponta para a graça de Deus.
Resumindo: E lei era uma aliança entre Deus e Israel, ela também apontava para Cristo e o seu sacrifício. Não mais seguimos a lei, seguimos a Cristo, conforme otimamente pontua a nova aliança (Novo testamento), e a lei serve para mostrar a nossa incapacidade e o quanto precisamos de Jesus, além de pontuar o que é pecado.
É por este motivo que eu não sigo a lei, pois o propósito dela findou-se com a vinda do Messias. Agora seguimos a Cristo, em vez da lei e somos alcançados não pela prática da lei, mas pela graça, pelo favor que Deus nos fez.
BIBLIOGRAFIA
F, Gordon D. STUART, Douglas, Entendes o que lês? Editora Vida Nova, São Paulo, 2016.
POHL, Adolf, Carta aos Gálatas Comentário Esperança, Editora Esprança, Curitiba, 1999.
CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.
PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013.
-
ATRASO DE VIDA
Saí de casa ainda novo, antes dos 18 anos, por conta disso, fui morar em um pensionato, convivi com inúmeras pessoas, sendo que a maioria delas eram pessimistas.
Eu ainda lembro como se fosse hoje de todos os planos, sonhos e desejos que moviam a minha vida, só que eu também recordo as inúmeras opiniões contrárias, as críticas e desincentivos que sofria. Tive que aprender a lidar com isso antes de concretizar algum sonho. Mas perdi muito tempo, afinal, eu era um adolescente, sem ajuda e direção na vida, mas com muitos sonhos, graças a Deus que achei o meu caminho.
Pessimistas são complicados, pois sempre esperam o pior, suas palavras e atitudes são sempre negativas, conseguem de forma extraordinária transformar uma bela ideia em um erro imenso. É claro que temos que ser críticos, analisar as questões sobre todos os pontos de vistas antes de tentar, mas não é preciso para isso enterrar uma boa ideia ou desanimar alguém que está motivado a mudar o seu futuro. Eu dou graças a Deus que com o tempo aprendi a não ligar para estes, conheci gente realista, mas incentivadora e segui tentando mudar e crescer sempre. Quem corre atrás do que é bom encontra vida, quem não corre obviamente não encontra. Tudo vai depender de para onde você corre.
Eu perdi um bom tempo ouvindo quem não corria para lugar algum, quem era desmotivado e vivia para por defeitos nos planos dos outros, mas esta minha situação me ensinou a preferir errar tentando a cometer o erro de não tentar.
Nem todos tem empatia, nem todos enxergam a questão com os seus olhos ou entendem a sua capacidade, é por isso que certos conselhos devem ser ponderados, refletir antes de ouvir e acatar. O segredo é buscar o equilíbrio, tentar ter um bom senso em tudo em um misto de crítico e otimista. Eu gosto de um provérbio chinês que considero fundamental para quem quer começar algo.
“Uma jornada de duzentos quilômetros começa com um simples passo”.
Nada na vida cai do céu, para tudo há um começo, por isso planeje, pesquise e tente. Cuidado com os atrasos de vida, esteja sempre com um pé atrás com conselhos ácidos e pessimistas. Ouça pessoas, ouça quem já tentou e não deu certo, porém em alguns casos eu diria para você tentar mesmo assim, é melhor errar tentando do que não tentar. Eu tenho uma máxima pessoal que carrego comigo desde sempre:
“A convicção é um dos combustíveis da boa empreitada”.
Se você tiver convicção, aliado ao estudo, pesquisa e dedicação, você chega longe. É claro que nem sempre onde sonhamos estar, mais muito mais longe do que em nosso período inicial.
-
SALMO 6: SÚPLICA NA PROVAÇÃO
“Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados” (V6).
Já se sentiu sem saída, abandonado, passando por um período tão ruim que você não consegue entender o que esta acontecendo? E você já se sentiu doente, sem forças e saúde? O Salmo 6 é este grito de lamento, é um desabafo em meio a tormenta.
Não sabemos o motivo deste lamento todo, quem sabe este Salmo seja a continuação da fuga, que Salmos 3 narra. Quem sabe ele tenha se lembrado de atos pecaminosos passados, ou de sua omissão como pai, e existe a possibilidade do salmista estar doente, sofrendo de uma grave enfermidade, nós não sabemos, mas conseguimos sentir um pouquinho do gosto do fel que ele está sentindo.
Ele tem a sua alma perturbada (V3) de tanta angústia. Ele se sente cansado (V6), seus olhos se consomem pela mágoa (V7). Enfim o cenário é de um derrotado.
Quem nunca sentiu derrotas em sua vida? Quem nunca passou por angústias e momentos negros? Isso acompanha o nosso existir, e aprender a lidar com tudo isso é importante para que não fiquemos loucos.
Este importante Salmo não é um lamento gratuito, é um desabafo, é uma busca furiosa por consolo e ajuda. Pois o que o sofrimento tem que fazer em nossa vida é nos colocar de joelhos.
Não há outra forma de passar por problemas, não existe saída para o nosso caos, apenas a busca incessante por Deus e por sua ajuda.
O interessante é que a oração angustiada termina com uma luz de esperança. O versículo 9 em diante, nos mostra o quanto Davi confiava em Deus, e já acreditava na solução do caos que ele passava.
O sofrimento não é eterno, o caos que nos persegue e nos machuca não dura para sempre e se tem uma coisa que estes problemas podem trazer para a nossa vida é alguns calos no joelho. Pois é assim, a melhor maneira de passarmos pelas dificuldades.
-
O APLAUSO DO CEU – MAX LUCADO
Confesso a vocês que um livro com o título: “O aplauso do céu”, não me apetece, não é um título que faz com que eu tenha vontade de correr para ir comprar. Tanto que este eu ganhei este livro e nem sei explicar o porquê acabei lendo, mas o livro é ótimo.
O livro tem como base as Bem-aventuranças, lá de Mateus 5:1-10, sendo que o livro é muito mais reflexivo e prático, que teológico.
Gostei bastante das contextualizações que o autor deu para as bem-aventuranças, o tipo da escrita, da maneira como compartilhou seus problemas e dificuldades tornando o livro íntimo, prático sincero.
É um ótimo livro para quem procura uma leitura mais prática e que vá direto ao ponto.
Editora United Press, 192 páginas.
-
O SERMÃO DO MONTE PT 12: AUTOPROMOÇÃO
“Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” (MT 6: 1-4) (NVI).
Talvez uma das coisas que mais me dá asco é conviver com quem vive de aparência. Quem faz as coisas para se autopromover, e pagar de santo.
Há algum tempo eu li um livro chamado: Feridos em nome de Deus da autora Marília de Camargo César. E o que mais me impressiona no livro é o fato de muitos pastores serem vistos como santos e piedosos pelos membros de suas igrejas, porém, quando alguém começava a andar junto com aquele pastor, ele se mostrava um verdadeiro tirano.
Isso é comum hoje em dia, conheci muitos que possuíam carros do último modelo, mas não tinham dinheiro sequer para a gasolina, viviam de aparência. E conheci outros que faziam caridade ou ajudavam o próximo a fim de mostrarem o que eles não eram as pessoas e é destes que este texto fala.
Cristo neste texto tece uma crítica ácida aos judeus que davam esmolas, afim de mostrarem o quanto eram espirituais, o quanto eram bons e justos:
“Após o culto na sinagoga cada um levantava e dizia qual era a quantia que queria ofertar. Quando havia uma doação muito vultuosa, o doador era chamado até o bemá (tribuna) e recebia a honra de poder sentar ao lado do rabino. O servidor da comunidade tocava, então, uma trombeta, a fim de chamar a atenção dos seres celestiais, porque ali se havia realizado uma beneficência especial” (RIENECKER, 1998, p. 100-101).
Jesus deve ter visto esta cena muitas vezes e reparado o tamanho da hipocrisia que este tipo de doação gerava. A virtude é silenciosa, como muito bem aponta Luiz Felipe Pondé, em uma entrevista onde ele falava de Jesus. O fazer o bem deve ser praticado em nome do bem, de uma causa ou necessidade e não em nome da autopromoção.
John Stott (1982) no livro: Contracultura Cristã faz uma reflexão interessante sobre esta passagem. Ele diz que se na passagem de Mateus 5:20 em diante, Cristo afirmou para tomarmos cuidado com os pensamentos que nos fazem pecar, como eu bem coloquei no texto passado. O mesmo se aplica a motivação de dar esmolas ou de ajudar ao próximo. No fim, tudo depende do nosso interior e o que nos motiva a fazer, é isso que devemos controlar.
E o texto é claro, se você faz o bem em nome de se autopromover, já teve a sua recompensa. Se você quer mostrar que é bom, quando doa alguma grande quantia a igreja, ou obra e caridade, já obteve a sua recompensa, não espere mais nada de Deus.
BIBLIOGRAFIA
STOTT, John. Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: Editora ABU, 1982.
RIENCKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1998.
-
TODO MUNDO MENTE
No seriado Dr. House a frase que ele mais fala é: “Todo mundo mente”. E para complicar mais ele quase sempre está certo. Durante as histórias ele acaba provando que muitos escondem segredos ou acontecimentos que atrapalham o diagnóstico da doença.
Não me considero tão pessimista assim, não sei se todo mundo mente, mas sei que muitos ou a maioria esconde algo. Vestem uma máscara para disfarçar quem realmente são e alguns conseguem.
Acho interessante nos evangelhos, quando Cristo fala que alguém dos doze iria traí-lo, ninguém olhou para Judas (Mateus 26:21-22). O traidor Judas era um homem acima de qualquer suspeita. Parecia se preocupar com os outros e ser uma boa pessoa mas no fim traiu Jesus.
A verdade é que em algum momento todos nós mentimos ou vamos mentir, às vezes é difícil deixar de vestir a máscara de santo, principalmente quando o outro é quem cai, faz algo errado, inadmissível para um cristão. É irresistível deixar de pagar de crente, santo intocável, ou deixar de agradecer a Deus que aquilo não aconteceu conosco.
Todo mundo mente quando afirma que não está sujeito aos mesmos pecados, se não mentimos para os outros, mentimos pelo menos para nós, esquecemo-nos de onde viemos e o quanto somos falhos.
Todo mundo mente quando acusa o próximo se colocando como intocável, acima de qualquer pecado. Paulo em 1 Coríntios 10:12, depois de falar do povo de Israel e suas constantes desobediências, enfatizando que o que aconteceu com eles nos serve de exemplo, fala:
Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!
Afinal, se o povo de Israel que viu as maravilhas de Deus caiu, quem dirá nós.
Por isso que devemos ser humildes, cultivando sempre a compreensão, ajudando o próximo sem legalismos. Todos nós temos dificuldades, todo o cristão tem as suas falhas e pecados no qual luta e com a graça de Deus tenta vencer todos os dias. Gosto da citação de Helmut Thielicke, no livro de Philip Yancey:
“O odor sulfuroso do inferno não é nada comparado com o cheiro ruim emitido pela graça divina putrefata” (YANCEY, 2012, p. 29).
Quando somos tocados pela graça e reconhecemos nossa condição, sabemos quem somos sem Deus e retribuir isso ao próximo é básico. Mais uma vez enfatizo como sempre faço em outros textos, eu não estou justificando cristãos que vivem na libertinagem e sim, falando de pessoas que tropeçam em suas caminhadas. Estes precisam de ajuda e não acusação.
Quando vejo alguém falar mal de um irmão que caiu, sua atitude diz mais sobre ele que sobre a pessoa. Pois nas entrelinhas de sua atitude percebemos que ele não conhece a graça de Cristo e está cego.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 2012.
-
OITO HÁBITOS PARA UM BOM VIVER
Há muito tempo atrás li um artigo, não lembro onde (o que é uma pena), que listava alguns hábitos de uma pessoa feliz. Muitos dos pontos propostos no artigo eram realmente interessantes, outros tenho minhas dúvidas, mas no geral gostei de ler. E foi pensando neste artigo antigo que resolvi listar alguns hábitos que me ajudaram a ter uma vida melhor.
Perdoe sempre
Perdoar é uma das mais importantes práticas para o bom viver. Quem não perdoa adoece, vive para baixo, segue a vida carregando um peso. Perdoar é justamente jogar fora o peso e ter em mente que quando não perdoamos, fechamos a porta para nós, afinal, todo mundo erra e em algum momento também teremos que pedir perdão, não tenha dúvidas.
Não se preocupe com o que não tem solução
Vivemos dias incertos, crise, desemprego, dias obscuros é o que mais vemos ultimamente, por isso se preocupar é inevitável. Porém, aprendi que o que não tem solução, o que não está em nosso controle não vale a pena nos preocupar. Foque nas coisas que você pode fazer e siga em frente, esquentar a cabeça com o que não está em seu controle é perder tempo.
Ouça outros pontos de vista
Ouvir outros pontos de vista não é concordar, muito menos abandonar o nosso e sim, aprender todas as variantes de um conceito. Costumamos nos agarrar aos nossos pontos de vista com unhas e dentes, o problema é que nem sempre estamos certos. Ouvir outros pontos de vista é uma boa oportunidade para reafirmar o que acreditamos, ou quem sabe concluirmos que estamos errados. O segredo é duvidar sempre, mesmo quando temos certeza, relaxe que a verdade sempre permanece.
Seja grato com o que você já tem
Neste mundo louco sonhamos tanto, planejamos tanto ou corremos tanto atrás das coisas que queremos que algumas vezes esquecemo-nos de aproveitar o hoje, o que já temos, as coisas simples da vida. Eu gosto de uma frase atribuída a William Shakespeare:
“Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”.
Não sei o quanto você possuí, mas sei que pode aproveitar o que tem. Não cometa o erro de idealizar o futuro e esquecer-se de viver o presente, a vida é curta e única, aproveite da melhor maneira que puder.
Não se justifique tanto
Muitas vezes adquirimos o péssimo hábito de nos justificar em tudo, seja uma atitude errada, uma má avaliação ou qualquer crítica recebida, é inevitável nos justificar. O problema é que na ânsia de nos justificar, acabamos perdendo uma boa oportunidade de mudar. Nem sempre vemos nossos erros, nem sempre achamos que a nossa atitude é errada, por isso que ouvir críticas e refletir é importante. É claro que às vezes é necessário uma justificação, é claro também que nem todas as críticas são justas e fundamentadas, porém tente se justificar menos e refletir mais, ou demore em fazer suas justificativas.
Ore sempre
Quando lemos os evangelhos vemos Cristo, o próprio Deus, orar a todo o momento e não era à toa. A oração é o que nos mantêm em contato com o Pai, que nos sustenta e nos ajuda. Orar é fundamental, aprender a separar um tempo em secreto é um dos segredos para nos manter lúcido neste mundo doido.
Leia sempre
Ler é fundamental, seja a Bíblia ou livros. Quem não lê não se aprofunda, tem opiniões rasas e superficiais. E quem não lê a Bíblia piorou ainda mais, pois não existe outra forma de entender a vontade de Deus se não lermos e estudarmos a sua palavra.
Pratique o autoconhecimento
Você vai se admirar como muitos nem se conhecem. Acham que tem ideia de quem são, mas não sabem. Procure alguns livros que abordem este tema, marque uma consulta com um psicólogo, coloque o preconceito de lado que você vai ver o quão legal é ter um auxílio de um profissional.
Estes são alguns dos meus hábitos e espero que algum ponto abordado ajude ou incentive você a formular os seus. Procurar por bons hábitos nos ajudam a crescer e sermos melhores. Neste mundo doido, quem tem boas práticas vive mais tranquilo, se incomoda menos e cresce mais.

