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O CAMINHO DA RELEVÂNCIA
Constantemente eu me fecho em casa, em silêncio e dedico algumas horas da minha vida para ler e estudar, geralmente é de manhã. Muitas vezes eu tiro o sábado ou o domingo e aos poucos vou construindo o conhecimento e é nestas horas que algumas vezes eu me pergunto o porquê desta dedicação toda, se vale a pena tanto esforço, tanto tempo gasto nesta prática tão odiada por tantos.
Desde 2014 estabeleci metas de leitura e me foquei em alguns temas que provavelmente virarão livros ou artigos para o blog. Não acredito que um estudioso consiga dominar de forma plena tudo, por isso foco no que eu mais gosto e tenho afinidade.
Acredito ser este o caminho da relevância, presumo que o conhecimento se constrói com tempo, dedicação e muito tempo de solitude, que é como eu estudo. Não é a toa que o blog se chama Teologia na Solitude, pois descreve de forma clara como eu escrevo e componho o conteúdo do blog, livros e aulas. Resolvi ao invés de usar o meu nome, usar um nome que definisse como eu construo o meu conhecimento.
A história nos conta que Calvino estudava em uma casa barulhenta e agitada, contudo todos estes percalços não atrapalhavam seus estudos. A história também nos conta que John Wesley orava e estudava horas por dia. Como resultado, podemos conferir seu legado em livros, dicionários, compêndios, além de ter sido muito usado por Deus.
Com o tempo aprendi que só ir a faculdade não era o bastante. Leituras, estudos e muito tempo dedicado são necessários para se construir conhecimento. Também aprendi com o tempo a não confiar em apenas algumas pesquisas e entendi que muitas vezes a resposta não está ao alcance de nossas mãos, aliás, quase sempre não está. Por isso, temos que nos demorar em termos conclusões e duvidar sempre, mesmo quando achamos que estamos certos. Duvidar é importante, é o motor que move o estudioso, quem não duvida não tem combustível para buscar a verdade, não tem força para ler de forma relevante e estudar.
Não confio na conclusão de quem não lê, fujo de pessoas que creditam que já sabem de tudo e quanto mais eu estudo, mais tenho a percepção de que não sei de nada. Afinal, o conhecimento é infinito, inesgotável e muito bom. Quem diz já ter alcançado, provavelmente nem começou a estudar. Não que eu ignore as experiências que a vida nos traz, eu também as acho importante, mas quem estuda é muito mais profundo.
Aí você me pergunta: Por que estudar tanto? Será que você não está perdendo tempo? Para que ser relevante? Eu às vezes tinha esta mesma percepção, como mencionei no começo do texto, até eu encontrar uma boa conclusão.
O caminho da relevância começa em sermos relevantes a nós mesmos, o resto é consequência!
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SALMO 4: UM DEUS QUE PODEMOS CONFIAR
Responde-me quando clamo, ó Deus que me faz justiça! Dá-me alívio da minha angústia; Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração. Até quando vocês, ó poderosos, ultrajarão a minha honra? Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras? Pausa.
Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar. Quando vocês ficarem irados, não pequem; ao deitar-se reflitam nisso, e aquietem-se. Pausa.
Ofereçam sacrifícios como Deus exige e confiem no Senhor. Muitos perguntam: “Quem nos fará desfrutar o bem?” Faze, ó Senhor, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!
Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho. Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança (Salmo 4)
Não é coincidência este salmo ter vindo logo após o salmo 3, na fatídica noite em que Davi teve que fugir de seu filho Absalão, o filho que tentou roubar seu trono (Carson, 2012, p. 742). Se você não leu o texto Salmo 3: Um rei em fuga, segue o link (Um Rei em Fuga) ou leia toda a história em 2 Samuel 15. Pois é muito provável, não sabemos ao certo, que Davi tenha escrito o salmo neste seu difícil período.
Tem horas que a única coisa que nos resta é confiar em Deus, certas situações nos colocam caídos no chão. Davi teve que fugir de seu filho e de uma traição, provavelmente enquanto escrevia estas palavras ele não mais estava no conforto do seu lar. Devia estar se sentindo rebaixado e derrotado.
Este salmo é uma oração em meio à angústia, são palavras vindas de um rei, que se encontrava naquele momento quase derrotado, no caos, na lama. Mas em nenhum momento o salmo exala qualquer desconfiança a Deus. Ao contrário, suas palavras de confiança em Deus nos traz uma incrível lição:
“Não confiamos em Deus apenas quando tudo está bem”.
É muito fácil falar que confiamos em Deus quando a conta no banco está cheia, com um carro zero na garagem e saúde de sobra, o desafio é quando não temos nada, estamos na lama, no caos, tal qual Davi.
Confiar é largar o controle e entender que no fim a vontade de Deus é sempre a melhor, mesmo que não pareça. Aí você me pergunta: Quer dizer que diante dos problemas eu não devo fazer nada? É evidente que não, mas vou responder esta pergunta com uma frase de um autor que eu não sei bem quem é:
“Ore como se tudo dependesse de Deus, trabalhe como se tudo dependesse de você”.
É assim que você deve agir, afinal amigo, temos que fazer a nossa parte. Davi venceu, ele confiava em Deus mas arregaçou as mangas e foi a luta, o segredo diante da adversidade é justamente esse, confiar e trabalhar. Não é fácil eu sei, mas não estamos sozinhos é por isso que não devemos desistir.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
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GRAÇA E MUDANÇA DE VIDA
Como vimos no texto passado, “Salvos pela graça”, nós fomos salvos pela graça de Deus, mesmo sem merecermos. Não tem ato, promessa ou atitude que compre a nossa salvação, (segue o link do texto se você desejar lê-lo: SALVOS PELA GRAÇA). E neste texto, o que quero enfatizar é sobre a graça e a mudança que ela causa em nossa vida. Gálatas 5:22-23 diz:
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Este texto é interessante, pois uns três versículos antes o autor lista uma série de obras da carne e aqui o autor lista uma série de resultados visíveis na vida de quem segue a Deus. É o resultado de quem foi tocado pelo Espírito Santo. Como sempre, quero postar a tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1661) para este versículo, ela sempre é muito autoexplicativa:
“Mas vamos falar de vida com Deus. O que acontece quando vivemos no caminho de Deus? Deus faz surgir em nós, como frutas que nascem num pomar: afeição pelos outros, uma vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, um senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo sagrado em toda a criação e nas pessoas. Nós nos entregamos de coração a compromissos que importam, sem precisar forçar a barra, e nos tornamos capazes de organizar e direcionar sabiamente nossas habilidades”.
Este é o fruto de quem é tocado pelo Espírito Santo, é impossível não mudarmos, quando temos um encontro real com o nosso Pai, Lawrence Richards completa:
“Da mesma forma como o pecado produz seus frutos na vida de um indivíduo, assim o Espírito Santo também gera seus frutos. Esse fruto, amor, alegria, paz, – todas as coisas pelas quais anelamos – estão em forte contraste com aquele produzido pela natureza pecaminosa. Portanto ele aparece quando andamos no espírito e somos guiados pelo Espírito de Deus” (RICHARDS, 2013. P. 1054, 1055).
Tito 2:11-13 diz:
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens
Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
Resumindo, uma pessoa que foi tocada pela graça certamente teve sua vida transformada. A graça traz mudança de vida, não tenha dúvidas, caso contrário, certamente o que você está vivendo não é graça.
Graça que não afeta o comportamento de uma pessoa não é a graça de Deus […]. O que é o evangelho, afinal de contas, senão um chamado ao arrependimento (At 2.38; 3.19; 17.30;)? Em outras palavras, ele demanda que pecadores façam uma mudança – parem de seguir por um caminho e voltem-se para outro caminho (1Ts 1.9) (MACARTHUR, 2013, p. 40).
Eu tenho uma grande dificuldade de entender um convertido que não mudou de vida. Quando Cristo entra em nossa vida a coisa muda. Nós não somos salvos pelas obras, mas as obras demonstram quem nós somos, as obras são os frutos, o resultado de sermos tocado por Cristo, fruto do real arrependimento:
“A palavra grega para arrependimento é metanoia, […]. Significa, literalmente, “reflexão posterior”, ou “mudança de mente”; todavia, o seu sentido Bíblico não se restringe a isso. Como é usada no Novo Testamento, metanoia fala sempre de mudança de propósito e, especificamente, de abandono do pecado” (MACHARTHUR, 2015, p. 213).
Eu gosto muito de uma outra frase do John Macarthur:
“É impossível supor que alguém possa encontrar o Deus Santo das escrituras, e ser salvo, sem que também venha a reconhecer a hediondez do seu próprio pecado, e, consequentemente, deseje muito abandoná-lo” (MACARTHUR, 2015, p. 79).
Uma nova vida, é isto que Cristo nos traz, é este o chamado para o arrependimento. E eu não quero com isso trazer uma mensagem legalista e sim, que você reveja como esta vivendo sua vida.
Eu creio que o evangelho nos traz mudanças, nos faz santos que lutam contra o pecado, pessoas que Deus produz frutos visíveis por todos. Não somos perfeitos, eu sei, mas se a mudança não é vista ou se a nossa luta contra o pecado não é constante, temos problemas.
Afinal, ou temos uma nova vida, ou não!
BIBLIOGRAFIA
MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo os Apóstolos, Editora Fiel, São Paulo, 2013.
MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo Jesus, Editora Fiel, São Paulo, 2015.
PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013.
RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013.
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DÚVIDAS: ILUSÕES DA FÉ: PHILIP YANCEY: VERNE BECKER: TIM STAFFORD
“Quando você duvidar da existência de Deus, defina com precisão o que é exatamente a dúvida que pode ajudá-lo, ou seja, analise o seu problema; antes de procurar soluções, você deve procurar bem as respostas, pois as paredes da fé cristã não são tão finas assim para se abrirem, de par em par, tão logo sejam empurradas com força. Se fizer perguntas sérias, você encontrará as respostas – embora nem sempre sejam as que você gostaria de ouvir” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 161).
Tenho conversado com muitos decepcionados com Deus e com várias pessoas que deixaram a sua fé esfriar por não terem conseguido achar respostas para suas dúvidas a respeito de Deus.
A verdade é que algumas perguntas são complicadas, assim como a ciência não explica tudo, a Bíblia também não explica. Se nem o pensamento é cientificamente comprovado, quem dirá Deus. A minha decepção quanto a estes é que muitos se agarram a teorias tão pobres, a respostas tão rasas que eu custo a acreditar que estas pessoas se contentaram com as certas explicações e o livro enfatiza justo isso:
“O Mais triste para mim é que aqueles que fazem perguntas intelectuais normalmente decidem a respeito das respostas – e de toda a sua vida – com base em poucas e vagas ideias sobre alguma coisa dita com segurança por um professor no colégio; sobre a informação obtida em bibliotecas ou livrarias; e, eu acrescentaria, em um gabinete qualquer de um pastor” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 164).
Eu tenho dúvidas genuínas mesmo sendo cristão, a dúvida faz parte do ser humano, o que vai nos definir tudo é o que eu faço com a dúvida, e como eu encontro a resposta certa. O livro é ótimo, dá alguns excelentes caminhos para esta questão da dúvida, porém não quero expor neste texto os caminhos. Penso que por sermos humanos, cada um com suas particularidades, não temos uma resposta única, mas é possível achar respostas. O cristianismo não foi construído sem bases, estudos ou reflexões, ao contrário, muitos pensadores dedicaram suas vidas para procurar respostas e combater heresias.
Porém quero ressaltar a conclusão que o autor deu para este capítulo.
“Suas dúvidas podem frequentemente levá-lo a um entendimento mais profundo de Deus, já que suas respostas raramente serão do tipo que você estava esperando. Se suas crenças não são profundas, então terão que ser sedimentadas mais profundamente. Se o esqueleto de sua fé arqueou-se, talvez haja necessidade de fraturar alguns ossos para que ele seja recuperado. Certamente será doloroso.
Mas não tema, ossos partidos ficam mais fortes depois de calcificados” (YANCEY, BECKER, STAFFORD, 2010, p. 164).
O que eu aprendi com este livro é: O que vai fazer a diferença quando você tiver dúvidas é justo a profundidade de suas raízes. Do quanto busca, do quanto não se contenta com qualquer coisa.
Entender um ser infinito como Deus é um desafio impossível para quem é finito como nós. Porém a falta de respostas não significa que Deus não existe e sim apenas, que nós não o entendemos.
As minhas dúvidas me fizeram ler mais a Bíblia, buscar mais a Deus e ler mais livros, resta saber se a sua dúvida o deixará mais estagnado, ou em movimento, em busca do Eterno.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, BECKER, Verne STAFFORD, Tim, Ilusões da Fé, O Que Não Disseram Quando Me Converti, Rio de Janeiro, 2010.
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APRENDENDO A AMAR – JOSH MCDOWELL
Por conta de eu ser recém-casado, me acho na obrigação de ler livros sobre casamento, a fim de buscar ferramentas para o meu relacionamento e este é mais um livro sobre o assunto que eu gostei bastante.
Aprendendo a amar é mais que apenas um livro sobre relacionamentos, é um material que fala como convivermos, como buscarmos um autoconhecimento e respeitar as diferenças.
“Pode-se descrever o casamento como uma relação de amor, união e sexo. Esta seria a ordem no processo de um relacionamento satisfatório que se desenvolve entre um homem e uma mulher. Neste livro, salientaremos os valores e qualidade essenciais para um relacionamento e casamento duradouros, e não proezas sexuais” (MCDOWELL, 2001, p. 14,15).
Quem disse que conviver é fácil? Quem disse que a vida a dois é tranquila? Nunca foi, diante disso é importantíssimo nos aprofundarmos e buscarmos ferramentas e é isso que o livro nos dá.
Considero um material prático, com linguagem acessível, com muitas boas histórias e muita profundidade. Vale a leitura.
Editora Candeia, 279 páginas.
BIBLIOGRAFIA
MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001.
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3 ANOS DE TEOLOGIA NA SOLITUDE
Parece que foi ontem que comecei a escrever para o blog, mas já fazem 3 anos. Já foram publicados mais de 307 textos, entre estudos e reflexões, com um total de 13.300 visualizações, tendo uma média de 25 a 50 acessos diários, sendo que em alguns dias chegam a 60 ou 80, dependendo apenas do tema.
Continuo a todo o vapor estudando, escrevendo e me aprofundando, tentando todo ano propor temas novos. Tenho tentado melhorar a cada dia, não pensem que eu não conheço minhas limitações, porém, não vou deixar de escrever por conta delas.
Agradeço a todos que têm acessado, opinado e dado sugestões de temas, aguardem mais novidades!
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VERDADE OU EQUÍVOCO?
Tenho pensado muito sobre pontos de vista, sobre como cada um tem o seu e o quanto isso é a verdade ou não. Afinal, podemos achar que estamos certos, termos encontrado a verdade em nosso ponto de vista, porém algumas vezes estarmos deveras distante dela. Considero curioso como que para cada evento temos muitas interpretações e isso me faz ser um pouco mais cuidadoso ao expor as minhas crenças.
Eu creio que a verdade é única, não consigo aceitar a verdade como relativa, como já deixei claro em muitos textos do blog. Prefiro pensar que os pontos de vista são relativos, diante disso, cabe a nós termos cuidado e procurar sempre ir de encontro à verdade. Tentando sempre ouvir todos os pontos de vista de um acontecimento antes de tomarmos uma conclusão. Ou tentar ter empatia, a fim de enxergar a situação com os olhos do próximo e não se esquecer de ouvir os outros, tendo sempre em mente que podemos estar errados, só se encontra a verdade com humildade. Jesus disse algo, lá em João 14:6 que considero belíssimo:
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.
E não é por menos que é um desafio encontrar a verdade, pois se Jesus, um Deus, é a verdade, fica difícil nós seres finitos acessar um Deus infinito.
A respeito da verdade, tenho a minha própria teoria. A verdade existe, ela é única, seja a verdade do que aconteceu no passado com você, com um amigo ou até sobre as verdades espirituais e éticas. Mas o que acreditamos ser a verdade pode ser apenas um ponto de vista, que somado as nossas emoções, características pessoais, visão de mundo e o calor do acontecimento pode gerar uma conclusão equivocada. Distante da verdade, por não olharmos os fatos com cuidado, com mais informação e imparcialidade. Só o fato de sermos humanos, passíveis de erro e enganos, já devia nos fazer tomarmos mais cuidado quanto nossas conclusões.
A verdade é um cubo, se olhado de frente concluiríamos ser um quadrado, só perceberemos ser um cubo se tentarmos olhar de todas as direções.
Eu aplico esta reflexão a própria interpretação Bíblica que alguns fazem. Muitos estudam e proferem ensinos deturpados por falta de estudar a Bíblia, analisar o texto todo não só o versículo e entender o contexto social da época. Como resultado vemos pessoas proferirem ensinos que nem de perto Jesus ensinou, por não tentarem enxergar o cubo, todos os lados, todas as possibilidades. É interessante um conselho que Nilton Bonder dá aos que querem sempre ter razão e por isso acabam deturpando a verdade.
O benefício da dúvida (julguem sempre os indivíduos como se fossem inocentes, até provado o contrário) e a desconfiança constante quanto à interferência de questões pessoais são protetores indispensáveis para quem está lidando com a sensação de “ter razão”. (BONDER, 2010, p. 115).
Desconfie sempre de si mesmo, seja humilde, tenha em mente que podemos estar vendo apenas o quadrado e não o cubo como um todo, e esteja sempre pronto para confessar quando estiver errado.
Cuidado para não transformar seu ponto de vista em uma “verdade”, nem sempre estamos certos, nem sempre nossa forma de ver a situação é correta, ter equilíbrio é importante para se chegar a uma boa conclusão.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A Cabala da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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O SERMÃO DO MONTE PT 9: SAL E LUZ
“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (MT 5:13 ao 16) (NVI).
De todas as grandes invenções humanas, a luz elétrica figura entre as mais importantes. Ficar sem luz a noite não é algo legal, o escuro não é algo agradável.
Considero esta passagem uma das mais profundas da Bíblia, ela traz a lume a nossa missão e como devemos proceder aqui na terra. O texto fala que somos “sal e luz”, diante disto, entender as características do sal e da luz é fundamental, antes de prosseguirmos com a mensagem.
O sal desde as épocas antigas era usado não só para temperar o alimento, mas também para conservar a carne e pagar o salário dos trabalhadores de tão valioso que era. É da palavra sal que deriva a palavra salário. Champlin acrescenta um ponto importante sobre o sal:
“Na Palestina, o sal vinha principalmente de Jabel-Usdum, das costas do Mar Morto, e era conhecido como sal-sodoma. Vários viajantes, passando pelo local, confirmam que esse sal, sob certas condições, pode perder o seu sabor” (CHAMPLIN, 2014, p. 307).
Dependendo do modo como o sal era cuidado, tornava-se impuro, sem refinação, contendo em sua composição vários minerais que faziam o sal se deteriorar. Álvaro César Pestana também acrescenta que:
“Além de tudo isto, devemos lembrar que sempre algum comerciante sem escrúpulos poderia adulterar o produto pela adição de substâncias que não tinham verdadeiro valor para “salgar”” (PESTANA, 2002, p. 65).
Além do sal poder se tornar impuro, havia a probabilidade de comerciantes desonestos adulterarem o sal. E sobre a luz, não tem nem o que acrescentar pois é fundamental para a nossa vida, não é? Ninguém vive sem luz e até naquela época era importantíssimo, seja vindo de tochas ou lamparinas.
Mas existe uma característica importante que estes dois elementos têm em comum. Eles não apontam para si mesmos e sim para outra coisa.
Afinal, ninguém fica olhando para a luz, a não ser que ela tenha algum efeito especial, e ninguém pega um pote de sal e come. O sal serve para realçar o sabor de alimentos e também para conservá-lo. E a luz, serve para enxergarmos o ambiente ao nosso redor e é justamente este o nosso chamado.
Ser sal não é salgar a sua vida, mas apontar para a Cruz, para a mensagem de Cristo. Ser luz, não é para iluminarmos nossa vida, para estarmos no centro do espetáculo, mas para sermos holofotes da mensagem de Cristo.
É por isso que devemos manter o sabor do evangelho em nossa vida e a mensagem deve estar visível, para que as pessoas entendam a palavra do Criador. Afinal, uma lâmpada em baixo da cama não serve para nada, muito menos o sal sem sabor algum. Eugene Peterson traduz o versículo 13 de forma genial:
“Permitam-me dizer por que vocês estão aqui. Vocês estão aqui para ser o sal que traz o sabor divino à terra. Se perderem a capacidade de salgar, como as pessoas poderão sentir o tempero de vida dedicada Deus? Vocês não terão mais utilidade e acabarão no lixo” (2012, p. 1382).
No fim, a mensagem acaba sendo um pouco parecida com o que Jesus disse nas últimas bem-aventuranças e fala de relevância, sobre ter postura e ser realmente quem nós fomos chamados a ser, ou seja, referências do evangelho.
Quem realmente é luz não direciona a luz para si e sim para Cristo. Quem é realmente sal, só se preocupa em mostrar aos outros o sabor do evangelho.
A essência da mensagem de Cristo é se arrepender, é viver a vida para Ele. Quem vive para ele aponta o caminho da cruz e não o seu próprio caminho.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo: Volume 1. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
PESTANA, Álvaro César. Provérbios do Homem-Deus: Frases Poderosas de Jesus de Nazaré. São Paulo, Editora Vida Cristã, 2002.
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A MISSÃO DE PAULO
Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (Referencia: Atos 9:1-6).
Há tempos que eu ouço muitos pastores calvinistas afirmarem que Paulo não teve escolha quando recebeu a missão do próprio Cristo de levar à mensagem as nações pagãs (V15). Penso ser esta uma conclusão deveras equivocada, veremos por que.
Primeiro porque Paulo já servia a Deus, ele era perseguidor dos seguidores de Jesus, que eram vistos pelos judeus como hereges (Atos 8:3). Ele esteve inclusive no martírio de Estevão (Atos 7:58-60). Além de ter sido fariseu (Atos 23:6) e aluno de Gamaliel um dos maiores sábios da época (Atos 22:3). Enfim, Paulo não era pouca coisa mas já servia a Deus, ou achava que servia, quando perseguia a igreja com o aval do Sumo Sacerdote (Atos 9:1), onde depois de ter uma experiência com o Cristo ressurreto, se converteu a Jesus e começou a pregar a sua palavra.
“Muitos crimes hediondos têm sido praticados em nome de Deus. Com Paulo, não foi diferente. Ele foi um perseguidor implacável (Gl 1.13). Ele usou sua influência e força para esmagar os discípulos de Cristo. Perseguiu Cristo (At 26.9), a religião de Cristo (At 22.4) e os seguidores de Cristo (At 26.11)” (LOPES, 2015, p. 17).
Lembremos que Cristo foi o Messias que o Velho Testamento profetizou que viria, mas que pela dureza de coração os judeus acabaram rejeitando.
Segundo, Paulo teve uma experiência com Deus e é impossível virar as costas para esta afirmativa quando lemos o texto. Veja bem, ele se levantou e cumpriu com o que Cristo havia dito(V8). Se ele tivesse coração duro e virasse as costas para aquele milagre, tal qual os fariseus fizeram na época de Jesus, ele poderia ter desobedecido. E não só isso, ele orou a Deus tendo após sua oração duas visões de Deus lhe mostrando o que aconteceria (V11-12).
Só uma pessoa convertida, com o seu coração aberto a cumprir a vontade de Deus ora. Ninguém que é coagido ora, ninguém que é obrigado a fazer a vontade de Deus busca a Ele uma resposta, mas Paulo buscou e recebeu a resposta.
Não confundamos Deus ter escolhido alguém, com coação. Afinal, Ele conhece o coração do homem, seus desejos e anseios, sabendo muito bem quem escolher por saber quem responde melhor a sua missão.
Terceiro, é um erro usarmos eventos isolados para fundamentarmos nossas teorias. A Bíblia nos mostra exemplos tanto de pessoas que Deus parece não dar escolha para cumprir o seu chamado, quanto pessoas que Ele parece dar escolha, tal qual Judas, que foi escolhido por Cristo, mas ele decidiu traí-lo e fazer o que melhor lhe aprazia. E é diante disso que temos que ter cuidado ao afirmar que Deus não respeita nossas escolhas na hora de nos dar uma missão.
Paulo teve escolha, escolheu ressignificar a sua missão e de um defensor do judaísmo, o ensino que ele acreditava ser correto, escolheu continuar, porém agora servindo a Cristo o Messias prometido que veio aos seus. Ele não mudou de missão, apenas ressignificou a sua e reconheceu que Jesus era o Cristo esperado por tanto tempo. O nosso salvador e senhor para todo o sempre, amém!
BIBLIOGRAFIA
LOPES, Hernandes Dias, Paulo O Maior Líder do Cristianismo, Editora Hagnos, São Paulo, 2015.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
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CONSELHOS AOS ESTUDANTES
Faz alguns anos que tive a graça de me formar em teologia, sou grato a Deus por todo o ensino que recebi na faculdade de professores comprometidos com a palavra e com Deus. É sempre muito legal aprender, conhecer coisas novas e se aprofundar, mas nem sempre é fácil. Principalmente se você é um daqueles indivíduos que tem que trabalhar e estudar, aí a coisa complica, as poucas horas de sono e a falta de dinheiro podem ser companheiras fiéis, mas persistir sempre vale a pena.
Resolvi com este texto dar alguns conselhos, de quem já fez uma faculdade teológica e ainda continua estudando, baseado nas coisas que eu vi e vivi durante a minha caminhada acadêmica.
1 – Ouça outros pontos de vista. O que eu mais encontrei na faculdade foi gente tentando defender seus pontos de vista, arranjando brigas e discussões com professores e estudantes, calcados em opiniões pobres e simplistas. Eu sei que cada um tem a sua forma de pensar, porém, eu penso ser bom antes de arranjar briga, ouvir e entender o ponto de vista de um professor que se preparou antes de emitir qualquer crítica. Ouvir, ler e se aprofundar é básico para crescer como pessoa, pastor ou teólogo e muitas vezes perdemos a oportunidade de usufruir do conhecimento de um docente que está ali justamente para nos ensinar.
2 – Não deixe os trabalhos e as leituras para fazer em cima da hora. Existe um propósito nas leituras e trabalhos acadêmicos, mas ao fazemos relaxadamente, ou em cima da hora, só para cumprir o protocolo, acabamos deixando de crescer e aprender, que é a intenção principal destes trabalhos. Tente separar um horário todos os dias, para que aos poucos você conclua e consiga fazer suas tarefas. Se todos os dias você fizer um pouco, no fim, tudo estará concluído e você não precisará fazer nada as pressas.
3 – Revise o conteúdo da aula todos os dias. Achamos, erroneamente, que estudar é ir para a aula, infelizmente não é. Estudar é um processo solitário, feito em casa, revisando a aula, lendo e nos aprofundando ainda mais. Assistir a aula é apenas uma parte do processo e se você não anotar e revisar tudo em casa, certamente, esquecerá o que foi ensinado. Por isso, é fundamental revisar o conteúdo, ler os livros indicados e se aprofundar.
4 – Foque em determinados assuntos. Uma coisa que eu aprendi é que na faculdade aprendemos muita coisa, por conta disso, temos que priorizar áreas para que possamos nos aprofundar ainda mais. Não ache que você conseguirá ser o mestre em todos os assuntos abordados, isso é muito difícil, por isso, eu aconselho você a seguir algumas áreas para que se aprofunde a aprenda ainda mais. O conteúdo de uma faculdade é vasto, então, encontre alguns assuntos e mergulhe neles.
5 – Leia. Ler é fundamental para o crescimento e se você deixa de aproveitar as sugestões de livros que os professores dão, vai perder de crescer ainda mais. Quanto mais lemos mais nos desenvolvemos, quanto mais conteúdo, mais você terá repertório para oferecer em seu ministério.
7 – Seja humilde. A humildade é uma atitude importante durante a nossa busca por conhecimento. Ninguém nasce sabendo, ninguém sabe de tudo e a humildade abre portas para que acresçamos e tenhamos a habilidade de aprender com tudo, até com os erros.
Foi um desafio fazer faculdade, eu dormia tarde a acordava muito cedo, sem contar das frequentes falta de dinheiro, mas valeu o aprendizado. Muito do que eu aprendi ainda carrego comigo, outras coisas serviram apenas como norte para que eu chegasse a outras conclusões.
Nem sempre concordei com meus professores, mas sempre os respeitei. Principalmente por trilharem o caminho acadêmico muito antes do que eu, por terem lido mais e se preparado ainda mais. E se o ponto de vista que eles davam era algo contrário ao que eu acreditava eu aproveitava para me aprofundar ainda mais sobre o tema, sanar as minhas dúvidas e questionar respeitosamente o professor.
Muitas de suas respostas fizeram com que eu mudasse de ideia, outras serviram para que eu afirmasse ainda mais o meu ponto de vista, mas acima de tudo, eu não me fechava para o conhecimento, penso que se aprendermos apenas coisas no qual concordamos, perdemos de crescer, entender outros pontos de vistas e não crescemos como pessoa.
