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  • VERDADE OU EQUÍVOCO?

    Tenho pensado muito sobre pontos de vista, sobre como cada um tem o seu e o quanto isso é a verdade ou não. Afinal, podemos achar que estamos certos, termos encontrado a verdade em nosso ponto de vista, porém algumas vezes estarmos deveras distante dela. Considero curioso como que para cada evento temos muitas interpretações e isso me faz ser um pouco mais cuidadoso ao expor as minhas crenças.

    Eu creio que a verdade é única, não consigo aceitar a verdade como relativa, como já deixei claro em muitos textos do blog. Prefiro pensar que os pontos de vista são relativos, diante disso, cabe a nós termos cuidado e procurar sempre ir de encontro à verdade. Tentando sempre ouvir todos os pontos de vista de um acontecimento antes de tomarmos uma conclusão. Ou tentar ter empatia, a fim de enxergar a situação com os olhos do próximo e não se esquecer de ouvir os outros, tendo sempre em mente que podemos estar errados, só se encontra a verdade com humildade. Jesus disse algo, lá em João 14:6 que considero belíssimo:

    “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

    E não é por menos que é um desafio encontrar a verdade, pois se Jesus, um Deus, é a verdade, fica difícil nós seres finitos acessar um Deus infinito.

    A respeito da verdade, tenho a minha própria teoria. A verdade existe, ela é única, seja a verdade do que aconteceu no passado com você, com um amigo ou até sobre as verdades espirituais e éticas. Mas o que acreditamos ser a verdade pode ser apenas um ponto de vista, que somado as nossas emoções, características pessoais, visão de mundo e o calor do acontecimento pode gerar uma conclusão equivocada. Distante da verdade, por não olharmos os fatos com cuidado, com mais informação e imparcialidade. Só o fato de sermos humanos, passíveis de erro e enganos, já devia nos fazer tomarmos mais cuidado quanto nossas conclusões.

    A verdade é um cubo, se olhado de frente concluiríamos ser um quadrado, só perceberemos ser um cubo se tentarmos olhar de todas as direções.

    Eu aplico esta reflexão a própria interpretação Bíblica que alguns fazem. Muitos estudam e proferem ensinos deturpados por falta de estudar a Bíblia, analisar o texto todo não só o versículo e entender o contexto social da época. Como resultado vemos pessoas proferirem ensinos que nem de perto Jesus ensinou, por não tentarem enxergar o cubo, todos os lados, todas as possibilidades. É interessante um conselho que Nilton Bonder dá aos que querem sempre ter razão e por isso acabam deturpando a verdade.

    O benefício da dúvida (julguem sempre os indivíduos como se fossem inocentes, até provado o contrário) e a desconfiança constante quanto à interferência de questões pessoais são protetores indispensáveis para quem está lidando com a sensação de “ter razão”. (BONDER, 2010, p. 115).

    Desconfie sempre de si mesmo, seja humilde, tenha em mente que podemos estar vendo apenas o quadrado e não o cubo como um todo, e esteja sempre pronto para confessar quando estiver errado.

    Cuidado para não transformar seu ponto de vista em uma “verdade”, nem sempre estamos certos, nem sempre nossa forma de ver a situação é correta, ter equilíbrio é importante para se chegar a uma boa conclusão.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, A Cabala da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.

  • O SERMÃO DO MONTE PT 9: SAL E LUZ

    “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída so­bre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (MT 5:13 ao 16) (NVI). 

     

    De todas as grandes invenções humanas, a luz elétrica figura entre as mais importantes. Ficar sem luz a noite não é algo legal, o escuro não é algo agradável.

    Considero esta passagem uma das mais profundas da Bíblia, ela traz a lume a nossa missão e como devemos proceder aqui na terra. O texto fala que somos “sal e luz”, diante disto, entender as características do sal e da luz é fundamental, antes de prosseguirmos com a mensagem.

    O sal desde as épocas antigas era usado não só para temperar o alimento, mas também para conservar a carne e pagar o salário dos trabalhadores de tão valioso que era. É da palavra sal que deriva a palavra salário. Champlin acrescenta um ponto importante sobre o sal:

    “Na Palestina, o sal vinha principalmente de Jabel-Usdum, das costas do Mar Morto, e era conhecido como sal-sodoma. Vários viajantes, passando pelo local, confirmam que esse sal, sob certas condições, pode perder o seu sabor” (CHAMPLIN, 2014, p. 307).

    Dependendo do modo como o sal era cuidado, tornava-se impuro, sem refinação, contendo em sua composição vários minerais que faziam o sal se deteriorar. Álvaro César Pestana também acrescenta que:

    “Além de tudo isto, devemos lembrar que sempre algum comerciante sem escrúpulos poderia adulterar o produto pela adição de substâncias que não tinham verdadeiro valor para “salgar”” (PESTANA, 2002, p. 65).

    Além do sal poder se tornar impuro, havia a probabilidade de comerciantes desonestos adulterarem o sal. E sobre a luz, não tem nem o que acrescentar pois é fundamental para a nossa vida, não é? Ninguém vive sem luz e até naquela época era importantíssimo, seja vindo de tochas ou lamparinas.

    Mas existe uma característica importante que estes dois elementos têm em comum. Eles não apontam para si mesmos e sim para outra coisa.

    Afinal, ninguém fica olhando para a luz, a não ser que ela tenha algum efeito especial, e ninguém pega um pote de sal e come. O sal serve para realçar o sabor de alimentos e também para conservá-lo. E a luz, serve para enxergarmos o ambiente ao nosso redor e é justamente este o nosso chamado.

    Ser sal não é salgar a sua vida, mas apontar para a Cruz, para a mensagem de Cristo. Ser luz, não é para iluminarmos nossa vida, para estarmos no centro do espetáculo, mas para sermos holofotes da mensagem de Cristo.

    É por isso que devemos manter o sabor do evangelho em nossa vida e a mensagem deve estar visível, para que as pessoas entendam a palavra do Criador. Afinal, uma lâmpada em baixo da cama não serve para nada, muito menos o sal sem sabor algum. Eugene Peterson traduz o versículo 13 de forma genial:

    “Permitam-me dizer por que vocês estão aqui. Vocês estão aqui para ser o sal que traz o sabor divino à terra. Se perderem a capacidade de salgar, como as pessoas poderão sentir o tempero de vida dedicada Deus? Vocês não terão mais utilidade e acabarão no lixo” (2012, p. 1382).

    No fim, a mensagem acaba sendo um pouco parecida com o que Jesus disse nas últimas bem-aventuranças e fala de relevância, sobre ter postura e ser realmente quem nós fomos chamados a ser, ou seja, referências do evangelho.

    Quem realmente é luz não direciona a luz para si e sim para Cristo. Quem é realmente sal, só se preocupa em mostrar aos outros o sabor do evangelho.

    A essência da mensagem de Cristo é se arrepender, é viver a vida para Ele. Quem vive para ele aponta o caminho da cruz e não o seu próprio caminho.

    BIBLIOGRAFIA

    CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo: Volume 1. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.

    PESTANA, Álvaro César. Provérbios do Homem-Deus: Frases Poderosas de Jesus de Nazaré. São Paulo, Editora Vida Cristã, 2002.

  • A MISSÃO DE PAULO

    Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (Referencia: Atos 9:1-6).

    Há tempos que eu ouço muitos pastores calvinistas afirmarem que Paulo não teve escolha quando recebeu a missão do próprio Cristo de levar à mensagem as nações pagãs (V15). Penso ser esta uma conclusão deveras equivocada, veremos por que.

    Primeiro porque Paulo já servia a Deus, ele era perseguidor dos seguidores de Jesus, que eram vistos pelos judeus como hereges (Atos 8:3). Ele esteve inclusive no martírio de Estevão (Atos 7:58-60). Além de ter sido fariseu (Atos 23:6) e aluno de Gamaliel um dos maiores sábios da época (Atos 22:3). Enfim, Paulo não era pouca coisa mas já servia a Deus, ou achava que servia, quando perseguia a igreja com o aval do Sumo Sacerdote (Atos 9:1), onde depois de ter uma experiência com o Cristo ressurreto, se converteu a Jesus e começou a pregar a sua palavra.

    “Muitos crimes hediondos têm sido praticados em nome de Deus. Com Paulo, não foi diferente. Ele foi um perseguidor implacável (Gl 1.13). Ele usou sua influência e força para esmagar os discípulos de Cristo. Perseguiu Cristo (At 26.9), a religião de Cristo (At 22.4) e os seguidores de Cristo (At 26.11)” (LOPES, 2015, p. 17).

    Lembremos que Cristo foi o Messias que o Velho Testamento profetizou que viria, mas que pela dureza de coração os judeus acabaram rejeitando.

    Segundo, Paulo teve uma experiência com Deus e é impossível virar as costas para esta afirmativa quando lemos o texto. Veja bem, ele se levantou e cumpriu com o que Cristo havia dito(V8). Se ele tivesse coração duro e virasse as costas para aquele milagre, tal qual os fariseus fizeram na época de Jesus, ele poderia ter desobedecido. E não só isso, ele orou a Deus tendo após sua oração duas visões de Deus lhe mostrando o que aconteceria (V11-12).

    Só uma pessoa convertida, com o seu coração aberto a cumprir a vontade de Deus ora. Ninguém que é coagido ora, ninguém que é obrigado a fazer a vontade de Deus busca a Ele uma resposta, mas Paulo buscou e recebeu a resposta.

    Não confundamos Deus ter escolhido alguém, com coação. Afinal, Ele conhece o coração do homem, seus desejos e anseios, sabendo muito bem quem escolher por saber quem responde melhor a sua missão.

    Terceiro, é um erro usarmos eventos isolados para fundamentarmos nossas teorias. A Bíblia nos mostra exemplos tanto de pessoas que Deus parece não dar escolha para cumprir o seu chamado, quanto pessoas que Ele parece dar escolha, tal qual Judas, que foi escolhido por Cristo, mas ele decidiu traí-lo e fazer o que melhor lhe aprazia. E é diante disso que temos que ter cuidado ao afirmar que Deus não respeita nossas escolhas na hora de nos dar uma missão.

    Paulo teve escolha, escolheu ressignificar a sua missão e de um defensor do judaísmo, o ensino que ele acreditava ser correto, escolheu continuar, porém agora servindo a Cristo o Messias prometido que veio aos seus. Ele não mudou de missão, apenas ressignificou a sua e reconheceu que Jesus era o Cristo esperado por tanto tempo. O nosso salvador e senhor para todo o sempre, amém!

    BIBLIOGRAFIA

    LOPES, Hernandes Dias, Paulo O Maior Líder do Cristianismo, Editora Hagnos, São Paulo, 2015.

    CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.

  • CONSELHOS AOS ESTUDANTES

    Faz alguns anos que tive a graça de me formar em teologia, sou grato a Deus por todo o ensino que recebi na faculdade de professores comprometidos com a palavra e com Deus. É sempre muito legal aprender, conhecer coisas novas e se aprofundar, mas nem sempre é fácil. Principalmente se você é um daqueles indivíduos que tem que trabalhar e estudar, aí a coisa complica, as poucas horas de sono e a falta de dinheiro podem ser companheiras fiéis, mas persistir sempre vale a pena.

    Resolvi com este texto dar alguns conselhos, de quem já fez uma faculdade teológica e ainda continua estudando, baseado nas coisas que eu vi e vivi durante a minha caminhada acadêmica.

    1 – Ouça outros pontos de vista. O que eu mais encontrei na faculdade foi gente tentando defender seus pontos de vista, arranjando brigas e discussões com professores e estudantes, calcados em opiniões pobres e simplistas. Eu sei que cada um tem a sua forma de pensar, porém, eu penso ser bom antes de arranjar briga, ouvir e entender o ponto de vista de um professor que se preparou antes de emitir qualquer crítica. Ouvir, ler e se aprofundar é básico para crescer como pessoa, pastor ou teólogo e muitas vezes perdemos a oportunidade de usufruir do conhecimento de um docente que está ali justamente para nos ensinar.

    2 – Não deixe os trabalhos e as leituras para fazer em cima da hora. Existe um propósito nas leituras e trabalhos acadêmicos, mas ao fazemos relaxadamente, ou em cima da hora, só para cumprir o protocolo, acabamos deixando de crescer e aprender, que é a intenção principal destes trabalhos. Tente separar um horário todos os dias, para que aos poucos você conclua e consiga fazer suas tarefas. Se todos os dias você fizer um pouco, no fim, tudo estará concluído e você não precisará fazer nada as pressas.

    3 – Revise o conteúdo da aula todos os dias. Achamos, erroneamente, que estudar é ir para a aula, infelizmente não é.  Estudar é um processo solitário, feito em casa, revisando a aula, lendo e nos aprofundando ainda mais. Assistir a aula é apenas uma parte do processo e se você não anotar e revisar tudo em casa, certamente, esquecerá o que foi ensinado. Por isso, é fundamental revisar o conteúdo, ler os livros indicados e se aprofundar.

    4 – Foque em determinados assuntos. Uma coisa que eu aprendi é que na faculdade aprendemos muita coisa, por conta disso, temos que priorizar áreas para que possamos nos aprofundar ainda mais. Não ache que você conseguirá ser o mestre em todos os assuntos abordados, isso é muito difícil, por isso, eu aconselho você a seguir algumas áreas para que se aprofunde a aprenda ainda mais. O conteúdo de uma faculdade é vasto, então, encontre alguns assuntos e mergulhe neles.

    5 – Leia. Ler é fundamental para o crescimento e se você deixa de aproveitar as sugestões de livros que os professores dão, vai perder de crescer ainda mais. Quanto mais lemos mais nos desenvolvemos, quanto mais conteúdo, mais você terá repertório para oferecer em seu ministério.

    7 – Seja humilde. A humildade é uma atitude importante durante a nossa busca por conhecimento. Ninguém nasce sabendo, ninguém sabe de tudo e a humildade abre portas para que acresçamos e tenhamos a habilidade de aprender com tudo, até com os erros.

    Foi um desafio fazer faculdade, eu dormia tarde a acordava muito cedo, sem contar das frequentes falta de dinheiro, mas valeu o aprendizado. Muito do que eu aprendi ainda carrego comigo, outras coisas serviram apenas como norte para que eu chegasse a outras conclusões.

    Nem sempre concordei com meus professores, mas sempre os respeitei. Principalmente por trilharem o caminho acadêmico muito antes do que eu, por terem lido mais e se preparado ainda mais. E se o ponto de vista que eles davam era algo contrário ao que eu acreditava eu aproveitava para me aprofundar ainda mais sobre o tema, sanar as minhas dúvidas e questionar respeitosamente o professor.

    Muitas de suas respostas fizeram com que eu mudasse de ideia, outras serviram para que eu afirmasse ainda mais o meu ponto de vista, mas acima de tudo, eu não me fechava para o conhecimento, penso que se aprendermos apenas coisas no qual concordamos, perdemos de crescer, entender outros pontos de vistas e não crescemos como pessoa.

  • DESINTELIGÊNCIA

    Tenho uma máxima em minha vida que tento seguir sempre que possível:

    “Eu não discuto com ignorantes”.

    Nem todos estão abertos a ouvir, a maioria quer ganhar a discussão e não raciocinar ou discutir ideias. Muitos vivem em profunda alienação e transformam o conversar em um verdadeiro campo de batalha. E quando falo de ignorantes ou alienados, não me refiro a pessoas sem estudo e sim dos que tem a cabeça fechada, só enxergam a vida com seus pontos de vista sem ter a capacidade de analisar e respeitar quem vê a vida com outros olhos. O próprio dicionário já dá uma ótima definição, pois segundo ele ignorante:

    “É uma pessoa que ignora a opinião alheia, que pensa que só ela está certa, e que só a opinião dela é válida. Também é por parte orgulhosa por não aceitar estar errada e não conseguir admitir que o outro esteja certo. Quando tem um certo tipo de poder, torna-se muitas vezes arrogante” (dicionário informal).

    Nilton Bonder no livro: A Cabala da Inveja, também fala destes ignorantes e de como devemos agir com eles:

    “É de grande importância em nosso “enxergar” compreendermos que existem critérios de responsabilidade nas interações agressivas e rancorosas. Um destes critérios é definido por um conceito rabínico conhecido por tinók she-nishbar – “um bebê que não sabe andar”. Segundo ele, somos tão responsáveis por uma criança que apenas engatinha pelo mundo como por aqueles que se encontram nesta categoria. Desta forma, se estamos envolvidos numa interação de briga, devemos sempre delimitar papéis de maneira a definir quem é o timók she-nishbar – o menor. Se o adversário está mergulhado numa rixa, sem capacidade de “enxergar”, aquele que vê torna-se instantaneamente responsável pelo destino da controvérsia” (BONDER, 2010, p. 125, 126).

    Nem todos enxergam todos os pontos em uma discussão, as vezes o outro lado não está raciocinando direito  quanto ao assunto discutido e se calar não é perder a discussão e sim, não mais se incomodar com alguém que não quer lhe ouvir.

    Eu costumava ver um programa de TV (não lembro mais o nome) que acompanhava policiais durante seus serviços. E quando eles eram chamados para apartar uma briga de vizinhos, ou qualquer briga na rua, o nome dado àquela situação era “desinteligência”. Um nome genial para uma situação tão complicada.

     Conheci muitos que passavam o dia inteiro discutindo na internet, se orgulhando por considerarem um ministério que Deus os tinha dado. Eu gosto do ditado popular que diz:

    “O pior cego é aquele que não quer ver”.

    Pois muitos discutem só para estar certos, passam por cima da verdade em nome de pontos de vista. Fecham portas para a boa conversa e usam da falta de respeito para afrontar. Muitas vezes não queremos ver o nosso erro, fechamos os olhos para a verdade em nome de ganhar uma conversa.

    Nunca mais esqueci de um conselho que recebi muitos anos atrás:

    “Guilherme, tome cuidado para que você não ganhe a conversa, e perca a pessoa”.

    Ganhar a conversa não é tudo, evangelizar não é empurrar um ideal a todo e a qualquer custo, mas falar da palavra da verdade para quem quer ouvir. Nós não convencemos, só pregamos, quem convence é o Espírito Santo e eu vou mais longe!

    Quando tentamos fazer com que o outro engula uma opinião a força, não mais estamos comprometidos com a verdade e sim com nosso ponto de vista. E diante disso, muitas vezes me dou o direito do silêncio, para não alimentar uma discussão que não vale a pena. Nem sempre quem cala consente. As vezes quem cala só tem a certeza de que aquela conversa não vai levar a lugar algum e em nome da paz, se isenta em expressar sua opinião. Lembre-se do ensinamento: “Quem enxerga tem mais responsabilidades do que quem não enxerga”. É um desafio, mas é também uma verdade que temos que praticar a todo o custo.

    O forte não é quem confronta, ou quem bate de frente. O forte é quem sabe onde pisa e entende quando deve ficar calado.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, A Cabala Da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.

    http://www.dicionarioinformal.com.br/ignorante/

  • PERDOANDO NOSSOS PAIS, PERDOANDO A NÓS MESMOS – DAVID STOOP

    Muitas vezes não nos damos conta do quanto a vida familiar influencia a nossa vida. Muitas vezes implicamos com os nossos pais, mas não percebemos o quanto carregamos deles em nós.

    Talvez até hoje eu não tenha lido um livro sobre família, perdão e convívio tão profundo como este, que me fez entender como o perdão (ou a falta dele) molda nosso ser de uma forma tão profunda:

    “O objetivo deste livro é explicar o que realmente é o perdão. Vamos ver que seu maior valor está no que ele faz dentro de nós, e que o perdão não precisa ter nada a ver com aqueles que nos feriram – na verdade, nem precisa envolvê-los. O perdão é para nós. Ele nos liberta” (STOOP, 2012, p. 15).

    Confesso que eu fiquei impressionado com algumas histórias e também impactado com a transformação que o perdão causou na vida de algumas pessoas. Sem dúvida, uma leitura muito profunda, vale a pena ler!

    Editora Esperança, 271 páginas.

    BIBLIOGRAFIA

    STOOP, David, Perdoando Nossos Pais, Perdoando A Nós Mesmos, Editora Esperança, Curitiba, 2014

  • SALVOS PELA GRAÇA

    As vezes eu sou indagado sobre a graça, pois muitos não conseguem entender de forma plena o que é a graça de Deus. Não entendem como Deus, sem cobrar absolutamente nada, salva as pessoas. A verdade é que é difícil entendermos, neste nosso mundo materialista a graça divina, porém, fomos alcançados por ela.

    Graça significa: “Favor imerecido”, é algo que Deus faz mesmo sem merecermos e para validar este conceito cito Efésios 2:8-9:

    “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”.

    Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson da Bíblia A mensagem (2012, p. 1667):

    “A salvação foi ideia e obra dele. Nossa parte em tudo isso é apenas confiar nele o bastante para permitir que ele aja em nossa vida. Se fosse o caso, andaríamos por aí nos vangloriando do que fizemos. Não!”.

    E Norman Geisler acrescenta uma explicação importante para entendermos a graça, que é um dom gratuito de Deus:

    A graça, portanto, é um favor imerecido. Aquilo pelo qual trabalhamos é considerado nossa conquista; mas aquilo pelo qual não trabalhamos, não é considerado nossa conquista. Como a salvação vem até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte, concluímos que não nos cabe qualquer mérito nela: a Salvação é “dom gratuito de Deus” (Rm 6:23). A graça salvífica de Deus é o favor imerecido que ele faz por nós” (GEISLER, 2015, p. 158).

    Ou seja, Deus, mesmo sem merecermos nos salvou. Por sermos corrompidos pelo pecado, sem capacidade de nos salvarmos, Deus nos salvou através da sua soberana graça. Alistes Mcgrath cita Agostinho de Hipona, para falar sobre o ser humano, deixado por conta própria e Deus, mostrando o quanto a ação divina foi fundamental. 

    “Para Agostinho de Hipona, a humanidade, se deixada por conta própria e apenas com seus recursos, jamais poderia se relacionar com Deus. Nada do que um homem ou uma mulher fosse capaz de fazer poderia quebrar a opressão do pecado” (MCGRATH, 2014, p. 60).

    Uma vez, um colega indignado me questionou justamente sobre isso, ele perguntou: “Quer dizer então que se um assassino se arrepender será salvo?” Eu disse: “Segundo a Bíblia sim, se o arrependimento for verdadeiro, é claro”. Aquele colega tinha muita dificuldade de entender a graça de Deus, visto que, ele avaliava o tema a partir do mérito humano. 

    A questão é mais simples do que imaginamos, não é que o ladrão ou assassino, não merece a salvação, a questão é que “ninguém merece”. Todos nós somos pecadores, todos são desobedientes, mas quem se arrepender e seguir a Cristo será salvo. Gosto da citação de Brennan Manning enfatizando a graça de Deus:

    Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, Ele não retém seu amor por haver maldade em nós (MANNING, 2002, p. 20).

    Esta é a graça divina em seu estado mais bruto, graça esta que muitas vezes não entendemos, mas que constantemente vemos Cristo praticar nas escrituras.

    Lembrando que, um assassino ou ladrão continua colhendo os frutos dos seus atos. O que estamos falando aqui é sobre salvação.

    BIBLIOGRAFIA

    GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.

    MCGRATH, Alister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução a Teologia Cristã. São Paulo: Shedd Publicação, 2014.

    MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2002.

    PETERSON, Eugene. Bíblia a Mensagem. São Paulo: Editora Vida, 2013.

  • SERVIR: FRONTEIRAS DA INTELIGÊNCIA: NILTON BONDER

    O próprio conceito de espiritualidade se mistura com a ideia de “servir”. “Qualquer noção de transcendência – ou seja, de que não nos encerramos apenas em nossa individualidade ou existência, é território da espiritualidade” […].

    “Servir representa uma intimidade com a vida, uma forma de refinamento. Quando servimos no sentido espiritual, servimos a todos. Em linguagem das tradições, quem serve a Deus, serve a todos. Quando servimos a falsos deuses, não servimos a todos” (BONDER, 2011, p.99).

    Costumeiramente falamos: Eu sirvo a Deus, porém com o passar do dia, mal pensamos no próximo, quanto mais ajudar. A pergunta que às vezes eu faço é: Como servir a Deus sem servir ao próximo? É impossível não é?

    Quando servimos a falsos deuses, ou a deuses a nossa imagem e semelhança, não servimos ao próximo, aliás, mal olhamos para o próximo. Afinal, ou olhamos para Deus, ou para nós mesmos. Logo, concluímos que se falamos que servimos a Deus mas não servimos o próximo, temos alguns problemas. O autor continua dando ótimos exemplos e histórias rabínicas sobre a importante arte de servir a Deus e ao próximo, e como este servir ao próximo é uma extensão de nosso servir a Deus sendo que de lambuja ainda dá um dos segredos para ser um bom servo:

    “O segredo de quem serve é estar na contramão do ego. Enquanto o ego faz de sua função maior ser amado, servir faz uso do ato de amar” (BONDER, 2011, p.101).

    Enquanto um busca ser o outro ama, é um verdadeiro desafio se você é orgulhoso.  É impossível servir se somos altivos, orgulhosos e temos reputação a zelar. Tirando o fato de que alguns servem em nome de mostrar que são santos ou bondosos, se você não se desvencilhar do orgulho, dificilmente servirá. Mas Nilton Bonder continua, e fecha o livro com chave de ouro:

    “Uma das evidências mais significativas de inteligência espiritual está na ênfase dada ao poder de “amar”, conseguindo fazer decrescer a importância de “ser amado”. Quanto mais se serve, em vez de ser servido, maior a inteligência envolvida.

    O modelo máximo desta inteligência, o criador, é descrito da seguinte maneira pelo rabino de Karlin: “Possa eu amar alguém que seja maravilhoso, da mesma forma que o criador ama um perverso” (BONDER, 2011, p.102).

    É um desafio amar, servir e ajudar o próximo, mas algo importante de buscarmos, já que imitamos um Deus que serviu.

    O que podemos aprender com este livro? Que devemos amar o próximo como Deus nos amou, se o seguimos, deve ser por completo, não acha?

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, Fronteiras Da Inteligência, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2011.

  • SAINDO DA MESMICE

    Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim. Eu viajava e  me encontrava diante de uma encruzilhada.  Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade? Ele respondeu: Este é o caminho curto e longo e este, o longo e curto. Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos intransponíveis de jardins e pomares.  Ao retornar, reclamei: Meu filho, você não me disse que era o caminho curto? O menino então respondeu: Porém lhe disse que era longo!

    Na trilha da sobrevivência,  a mesmice  muitas vezes é o caminho curto,  o mais simples, e que tem custos mais elevados (longos). (BONDER, 1998, página 57).

    Uma vez me falaram, enquanto eu planejava começar a faculdade, que entrar na faculdade era fácil, o difícil era sair. Só entendi esta frase de uma maneira plena quando comecei os estudos.

    Não foi fácil, era muita leitura, muitos trabalhos escritos e muita canseira, já que eu acordava as 4 horas da manhã para trabalhar e ia dormir por volta da  meia noite. Era pouco sono e muito estudo, mas sou grato a todos os professores por estes desafios. Não crescemos sem desafios, não evoluímos sem suar a camisa ou sem muita canseira e faltas de sono. O caminho da relevância é este, o processo de busca do conhecimento é longo e cansativo, ganha quem aprende a vencer os obstáculos da preguiça. Mesmice segundo o dicionário é:

    “Ausência de mudanças; monotonia, marasmo” (dicio).

    É interessante ver como os judeus são comprometidos com o estudo. Um menino judeu na época de Jesus, começava a estudar a Torá (os seis primeiros livros da Bíblia) aos 6 anos idade em um ciclo de estudos chamado Beit Sefer, onde até os 10 anos de idade eles  já deveriam ter decorado estes cinco livros. Após estes ciclos de estudos, os alunos voltavam para casa para aprender o ofício da família e os melhores dentre eles continuavam em um segundo estágio chamado Beit Talmud, estudando sob a orientação de um rabino que lhes conduziam aos estudos da lei e suas escolas de interpretação. Estes meninos, após estas séries de estudos, formavam a elite intelectual de Israel (KIVITZ, 2012, p. 7).

    A tradição e o ensino sempre foi algo levado a sério por um judeu. E quando falamos de sua cultura que perdura há séculos, falamos de ensinos levados de geração a geração, tamanho o comprometimento e o costume de ensinar. Prática esta que dá resultados visíveis até hoje como bem pontua Claudino Piletti e Nelson Piletti:  

    “Os judeus somam hoje 0,2% da população mundial e 20% dos vencedores do Premio Nobel e quase um terço dos matriculados na Universidade de Harvard. Atribui-se essa performance à importância que eles dão ao bom desempenho nos estudos” (PILETTI, PILETTI, 2011, p.27).

    A maioria dos brasileiros não se cansam de afirmar que ler é chato e que estudar não é legal. Quando ouço isso eu nem sei como responder. Eu sei que muitas destas afirmações vem por termos um sistema de estudo que não ajuda e um incentivo que a maioria das famílias não dão, mas não justifica.

    Eu tive a sorte de crescer em um lar que lia, desde novo aprendi sobre a importância da leitura e o quanto significante é a vida de quem lê. O Brasil não vai mudar enquanto os brasileiros não aprenderem a serem críticos, ao invés de manipulados. Ele nunca vai crescer se ele não aprender a ler sobre ambas posições entes de tomar um posicionamento. E isso ao meu ver é um dos frutos visíveis da falta de leitura e informação. Nunca mais vou esquecer da definição de insanidade segundo Albert Einstein:

    “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (significados).

    Por isso temos que aprender a arregaçar a manga e sair do mesmo, caso contrário, nunca teremos resultados diferentes. Somos movidos a tomar sempre o caminho mais curto, a lei do menor esforço é sempre usada, porém este é um dos obstáculos importantes a se vencer para sermos relevantes nesta vida. Pois para sair da mesmice é fundamental percorrermos estradas mais longas, porém com ganhos muito mais elevados, é este o ideal que devemos buscar caso contrário continuaremos na mesma.

    BIBLIOGRAFIA

    BONDER, Nilton, Alma Imoral, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1998.

    PILETTI, Claudino, Piletti, Nelson, História da Educação, De Confúcio a Paulo Freire, Editora Contexto, São Paulo, 2011.

    KIVITZ, Ed René, Talmidim, O Passo A Passo Der Jesus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2014.

    https://www.dicio.com.br/mesmice

    https://www.significados.com.br/insanidade

  • MARAVILHOSA GRAÇA – PHILIP YANCEY

    O mundo não tem precisado tanto da graça como hoje, e a igreja não tem falhado tanto em entender esta graça como atualmente.

    Como o título já diz, o livro fala sobre graça, o que é graça e o que ela faz na vida de um cristão:

    “A graça é o melhor presente do cristianismo ao mundo. Ela é uma boa nova espiritual em nosso meio, exercendo uma força maior do que a vingança, mais forte do que o racismo, mais forte do que o ódio” (YANCEY, 2012, p. 25).

    Longe de pregar a mensagem da hiper-graça, Philip Yancey se concentra em pontuar o que é, como é a vida de quem tem graça e o que não é graça.

    O destaque fica por conta das histórias e experiências que Philip compartilha, fazendo com que tenhamos contato com a graça de forma prática, entendendo através de inúmeras experiências qual é o impacto da graça na vida de muitas pessoas.

    Destaco aqui a genial frase de Helmut Thielicke:

    “O odor sulfuroso do inferno não é nada comparado com o cheiro ruim emitido pela graça divina putrefata” (YANCEY, 2012, p. 29).

    Leitura fundamental para quem quer entender mais sobre graça.

    Editora Vida, 277 páginas.

     BIBLIOGRAFIA

    YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 2012.