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OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS
“Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lucas 18:14) (NVI).
É comum vermos a Bíblia sendo mal interpretada, já dei inúmeras amostras do quanto alguns fazem interpretações equivocadas e esta, por sinal, é uma delas, passei a minha infância toda ouvindo. Segundo pastores, quem é “humilhado” pelas pessoas, um dia Deus o “exaltará” diante dos homens. É um mantra repetido em algumas igrejas, dando a entender que um dia sua humilhação será revidada por Deus e você sairá por cima. O problema é que o texto não diz isso!
O texto em questão é uma parábola contada por Jesus. Para entendermos, temos que ler Lucas 18 do versículo 9 ao 14. E logo no versículo 9 temos o motivo do porquê Cristo contou a parábola:
“A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola” (Lucas 18:9) (NVI).
O texto não fala de pessoas que foram humilhadas, nas quais depois Deus as exaltou. A parábola narra a história de dois homens, um o fariseu, que se achava santo, digno, o bonzão, e um publicano, que tinha a consciência de quem era e do quanto precisava do perdão de Deus. O publicano se humilhou, ele não foi humilhado, aí que está o erro de muitos intérpretes bíblicos. Ele se humilhou diante de Deus, enquanto o outro foi arrogante. Gosto da versão de Eugene H. Peterson para este versículo 14, ele é um pouco mais claro:
Jesus comentou: “Quem voltou para a casa justificado diante de Deus foi o cobrador de impostos, não o outro. Se você andar por aí de nariz empinado, vai acabar de cara no chão, mas, se com humildade enxergar quem você é, acabará se tornando uma pessoa melhor” (2011, p. 1489).
O texto fala sobre a oração, uma humilde de um homem que se considerava o único pecador, mais que todos os outros, e outra autossuficiente de um fariseu que se achava o único santo, mais que todos os outros.
Os publicanos eram cobradores de impostos que o império romano escolhia entre o próprio povo judeu. Geralmente eram mal vistos pelas pessoas, tidos como traidores, além de algumas vezes praticarem cobranças abusivas, como Lucas 19:8 nos informa. Já os fariseus eram os religiosos da época, que em sua maioria (pelo menos uma parte) eram legalistas e é sobre isso que o texto fala, de quem realmente foi perdoado.
“O veredito de Jesus foi que ele foi para casa justificado, isto é, aceito por Deus, mas o fariseu não. A ênfase gerada pelo contraste este […] e não aquele está correta. A parábola é, assim, mais uma manifestação de preocupação para com os “excluídos”. Deus está sempre pronto para receber os injustos quando estes apelam a ele, mas fecha seus ouvidos àqueles cujo orgulho por suas práticas religiosas e boas obras fazem com que se sintam autossuficientes” (CARSON, 2012, p. 1518).
Cuidado com o orgulho, com a comparação, não somos melhores uns dos outros, todos somos pecadores e necessitamos da graça de Deus. Gosto de como Lawrence Richards resume esta passagem:
“O fariseu (v. 11,12) orou de verdade. E ele veio à presença de Deus. Mas só enxergava a si mesmo. Sua visão estava obscurecida pelas aparências, com as coisas que fazia e deixava de fazer. Convencido e autojustificado, não conseguia ver a Deus de forma clara — nem o próprio coração. Também estava no Templo um cobrador de impostos envergonhado demais para levantar os olhos ao céu. Humilhando-se diante de Deus, esse homem encontrou o perdão” (RICHARDS, 2013, p. 799).
O texto não fala sobre ser exaltado diante dos homens e sim, sobre o perdão de Deus, quem realmente foi perdoado. Humilhe-se diante de Deus, é sobre isso que o texto fala e não se dirige a quem foi humilhado por outra pessoa.
Aliás, sinto muito informar, mas nem sempre quando formos humilhados pelo mundo seremos exaltados. Leia as histórias dos apóstolos, dos mártires que morreram pregando a palavra. Isso sem contar que Cristo nos mandou amar os inimigos, diante disso, ser exaltado aqui no mundo é a última coisa que vai acontecer conosco.
Só há um digno de ser exaltado, Cristo, o resto tem que se humilhar diante d’Ele e confiar em sua bondade!
BIBLIOGRAFIA
RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança De Lucas. Curitiba: Editora Esperança, 2005.
CARSON. D.A.; FRANCE , R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
PETERSON, Eugene H. A mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2011.
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ÚLTIMA IMPRESSÃO
Eu sei muito bem qual é a importância de causarmos uma boa primeira impressão em uma entrevista de emprego, para conseguirmos um trabalho ou fecharmos um negócio. As vezes só temos uma chance de mostrar quem nós somos e assim, não perdermos uma boa oportunidade.
Contudo, na vida em meio ao relacionamento com nosso conjugue, amigos ou irmãos, o que vai contar realmente é a nossa última impressão, como nós somos e como nos comportamos diante de diferentes tipos de situações ou conflitos. Seja no sucesso, cultivando humildade, em momentos de briga, cultivando paz e conciliação ou diante de cidadãos com diferentes crenças ou costumes, entre tantas coisas. São nestes momentos que quem somos de verdade, vai aparecer de forma clara e sem máscaras. Um dia ouvi uma frase de um professor que nunca mais esqueci:
“Quer conhecer uma pessoa chame-a para jogar futebol. É no calor do jogo que você conhece quem a pessoa realmente é”.
Você pode se esconder, usar máscaras, posar de bom moço, mas são nos momentos de conflito que o que somos vem a tona de forma verdadeira. No seriado Dr. House, o protagonista fala algo muito interessante:
“Porque palavras não importam, ações importam. Se suas ações contradizem suas palavras, eu nunca vou acreditar em você”.
Não adianta muito causarmos uma boa impressão se ela não permanece e se desfaz com o tempo. Antes de pensarmos em causar boa impressão, devemos aprender a causar uma última, em sermos verdadeiros revelando quem realmente somos. Provérbios 11:3 diz:
“A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói”.
Ninguém é perfeito e esta imperfeição deixa entre linhas uma oportunidade de buscarmos mudanças e evoluirmos sempre. Mudança que conseguiremos apenas vivendo uma vida sem máscaras e com humildade. Caso contrário, viveremos sempre presos a quem nós não somos até sermos esmagados pelo peso da nossa própria falsidade. Brennan Mannig tem uma frase genial, que resume bem a questão:
“Ser íntegro é reconhecer a debilidade e ser curado dela” (MANNING, 2002, p. 82).
A cura vem quando tiramos as máscaras, quando buscamos ser nós mesmos, quando assumimos nossos erros e evoluímos. É muito bom causar uma boa primeira impressão, mas quem convive conosco se lembrará apenas da última, em como nós fomos de verdade.
A primeira impressão é a que fica, pelo menos, para quem não convive conosco, caso contrário, é a última que permanecerá.
BIBLIOGRAFIA
MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2002.
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O SERMÃO DO MONTE PT 8: OS PERSEGUIDOS
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (MT 5:10-12) (NVI).
Estas são as últimas passagens do que nós chamamos de “As Bem-aventuranças”. O Sermão do monte não acaba, mas as Bem-aventuranças sim. E o texto não podia ter um fechamento diferente, pois Cristo neste ponto, vai falar sobre perseguições.
O Novo Testamento nos mostra como as perseguições por causa da mensagem de Jesus Cristo, foram muitas, cumprindo com o que o próprio Jesus havia dito neste mesmo versículo. Paulo foi preso, João escreveu o apocalipse preso na ilha de Patmos (Apocalipse 1:9). Pedro morreu crucificado (João 21:18), e a tradição nos diz que ele não aceitou sofrer como o seu mestre e acabou crucificado de cabeça para baixo. Tiago foi morto à espada (Atos 12:1, 2). Seguidores de Cristo eram jogados em arenas com leões, enfim, muitos sofreram por levar o evangelho, estas pessoas aguentaram poucas e boas.
Esta última bem-aventurança é uma espécie de consolo para os discípulos que iriam passar por aflições. Afinal, o sofrimento iria ser grande, mas a recompensa também seria.
Existe uma verdade implícita nesta mensagem, a perseguição é um sinal de que a religião não é falsa (CHAMPLIN, 2014, p. 306). João (1 João 3:13) diz:
“Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia” (NVI).
Ser cristão é estar na contramão, é constantemente sermos colocados na parede, sermos alvos de chacotas ou perseguições por tentarmos viver uma vida com Cristo, normal. Só resta saber se você entende esta dura missão. John Wesley acrescenta:
“Nessas escrituras fica claro quem são os perseguidos. Os justos são perseguidos. Aquele que é nascido do espírito é perseguido. Todos os que tentam viver piedosamente de acordo com Jesus serão perseguidos” (WESLEY, 2015, p. 103).
É fundamental saber se você está preparado, se você busca a Deus e estuda a sua palavra, se você é relevante e tenta fazer a diferença, pois se você assim o é, certamente sofrerá perseguições. Carlos Queiroz também acrescenta algo interessante sobre esta passagem:
“Desse modo, o sofrimento do discípulo é uma consequência de sua firme decisão de viver do bem contra o mal, de lutar pela justiça contra toda espécie de injustiça, de amar a despeito do ódio de muitos, de ser pacificador em meio a um cenário de guerra” (QUEIROZ, 2006, p. 107, 108).
E estes que fazem o bem, que são relevantes e verdadeiros, certamente são perseguidos. Quem não faz a diferença não incomoda, quem fica assistindo a injustiça encolhido no canto nem é notado.
Mas o texto diz felizes, bem-aventurados são os perseguidos. Pois são estes que são os relevantes, que estão fazendo diferença no mundo, levando a palavra e uma mão amiga às pessoas.
O reino de Deus não é de quem se encolhe, de quem tem medo e vira as costas para o seu chamado e sim, de quem a qualquer custo busca fazer a vontade do Pai.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo: Volume 1. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante: Felicidade à Luz do Sermão do Monte. Curitiba: Editora Encontro; Minas Gerais: Editora Ultimato, 2006.
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.
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SALMO 3: UM REI EM FUGA
Senhor, muitos são os meus adversários! Muitos se rebelam contra mim! São muitos os que dizem a meu respeito: “Deus nunca o salvará! ” Pausa
Mas tu, Senhor, és o escudo que me protege; és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida. Ao Senhor clamo em alta voz, e do seu santo monte ele me responde. Pausa
Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém. Não me assustam os milhares que me cercam.
Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu! Quebra o queixo de todos os meus inimigos; arrebenta os dentes dos ímpios. Do Senhor vem o livramento. A tua bênção está sobre o teu povo (Salmo 3) (NVI).
Para entendermos este salmo primeiro temos que entender seu contexto e para isso, temos que ir lá para 2 Samuel 15, onde o texto mostra Davi fugindo de seu filho Absalão. A história é muito interessante e eu lhe convido a ler ela inteira, mas basicamente o que aconteceu foi o seguinte.
Absalão faz a cabeça do povo para que assim pudesse tomar o trono de seu pai. E Davi (seu pai) acaba tendo que sair fugido do palácio. Este salmo foi escrito em um momento de estrema angústia e sentimento de fracasso. Imagine que seu filho tente aplicar um golpe e você tenha que sair fugido, foi o que aconteceu. Carson faz uma observação importante sobre este acontecimento:
“Não há dúvida de que Absalão era um líder natural, com muito jeito e habilidade […]. É notável que tenha conseguido persuadir tanta gente em Israel a apoiá-lo e a se voltar contra Davi. […] Absalão também foi habilidoso em conseguir tramar uma conspiração tão ampla sem que os rumores a esse respeito chegassem à corte do rei” (Carson, 2012, p. 502).
Enfim, este gênio do crime quase esmagou seu pai, porém com a ajuda de Deus, Davi conseguiu organizar um exército, derrotar as forças de seu filho e reaver o trono e este salmo foi escrito no calor destes acontecimentos.
Porém, apesar de toda a reclamação e desânimo inicial do salmo, nada mais comum para quem levou um golpe como o dele. Davi continua e exprime sua grande confiança em Deus, que no fim acabou o protegendo desta e de muitas outras situações difíceis.
A vida de Davi não foi fácil, seus problemas familiares, alguns de seus erros e vistas grossas lhe trouxeram algumas graves consequências, mas ele confiava em Deus. Este homem tinha em sua vida um coração aberto para o arrependimento e o recomeço.
O mais curioso quando você lê a história lá em 2 Samuel, é que mesmo que muita gente tenha virado as costas para Davi, ele ainda tinha gente dedicada que não o abandonou. Nós nunca estamos sozinhos quando seguimos sendo justos e bondosos, muitos reconhecem isso e continuam a nos acompanhar.
Não é fácil enfrentar as reviravoltas da vida, mas o que este salmo nos mostra é que mesmo que nosso filho nos abandone, Deus não abandona. Eu nunca vou dizer para você não confiar em homens, afinal, é importante ter amigos de confiança, porém sabemos que se o homem falhar e nos abandonar, Deus não nos abandonará.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
CARSON. DA. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
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DESERTO: O CAMINHO DO PEREGRINO: N. T. WRIGHT
“O deserto se apresenta de muitas formas e tamanhos, assim como os desertos da Judeia e do Sinai não são de forma alguma uniformes.” […].
“O deserto da jornada espiritual é bem assim. Para alguns, ele é simplesmente uma sensação de que tudo se ressecou. Não há qualquer prazer na oração ou na leitura das Escrituras. Ir á igreja se tornou algo tedioso e fútil. Os sacramentos parecem um ritual sem propósito. Onde antes havia um sentimento da presença de Deus como pai amoroso, cuidando e guiando delicadamente, ou do estímulo sábio do Espírito Santo, agora parece haver um grande vazio. A história de Jesus, antes tão cheia de interesses e entusiasmo, o caderno de recortes de jornal sobre a vida de um novo amigo que se tornou melhor, parecem maçantes, e mesmo a história da cruz e da ressurreição aparentemente perdeu seu poder de lavar o coração. Esta é a experiência comum de muitos, muitos irmãos, em determinado estágio de sua peregrinação” (WRIGHT, 2011, p. 46, 47).
Eu quis ressaltar este capítulo do livro justo porque é inevitável passarmos por momentos desérticos em nossa vida. Quando oramos e temos a impressão de que Deus não está nem aí. Ou quando o desânimo é tão grande, que não temos vontade de fazer nada, nem orar, quanto mais ir na igreja e gastar algum tempo no local.
Neste livro, N. T. Wringht dá algumas boas ações para quando estivermos no deserto, quero ressaltar duas e a primeira é fundamental:
“O caminho da maturidade cristã, no entanto, é reconhecer o caminho do deserto pelo que ele é – outro quilômetro na estrada chamada “fidelidade” – e pisar nele com obediência e paciência” (WRIGHT, 2011, p. 47).
O deserto é inevitável amigo, momentos de sequidão são constantes neste mundo que não se cansa em oferecer-nos propostas para nos afastar de Deus, por isso que obedecer é o básico, para que consigamos nos manter firmes no caminho de nosso Pai. É fácil obedecer quando está tudo bem o difícil é obedecer quando achamos que estamos sozinhos. O deserto parece um lugar sem propósitos mas não é, serve principalmente de escola para que confiemos mais em Deus do que em nossas próprias convicções. Mas o autor oferece mais uma explicação que considero tão boa quanto à primeira:
“Igualmente importante, se não mais, a experiência do deserto pode abrir nossos ouvidos para ouvirmos a dor do mundo. Quando estamos levando a nossa vida, bem contentes com o nosso destino, é fácil ignorar os gritos de ajuda que vêm do resto do mundo: de nossos companheiros cristãos que ainda hoje sofrem grandes e sistemáticas perseguições; de órfãos, refugiados, viúvas e sem-teto de todas as crenças ou de nenhuma…” (WRIGHT, 2011, p. 52).
O deserto é uma escola que nos humaniza mais, é um período onde aprendemos a ser mais obedientes e confiantes em Deus. O deserto faz-nos sair da zona de conforto e percebermos a dor do próximo. Eu quis ressaltar apenas estes dois pontos do livro, mas o capítulo que fala sobre o deserto é grande e vale a pena ser lido.
Eu acho este assunto fascinante e o tenho bem resolvido em minha vida. Aos poucos aprendi a lidar com a sequidão e percebi o quão bom é se encontrar no deserto. Eu sei que nem todos pensam assim e muitos se revoltam e se desviam do caminho quando se encontram nesta situação.
Para estes aconselho buscar, chorar e se derramar em Deus, porém sem esquecer que Deus é Deus e nem sempre, ou quase nunca, Ele age da forma que nós esperamos, por isso que confiar é inevitável para que façamos com que a nossa alma não fique agitada.
BIBLIOGRAFIA
WRIGHT, O Caminho Do Peregrino, A Vida cristã é uma Jornada Espiritual, Editora Palavra, Brasília, 2011.
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O DEUS QUE SE REVELA
Faz algum tempo que quero escrever e pontuar de maneira didática em que eu acredito. Creio que, se você já leu meu site, vai perceber que, obviamente, escrevo tudo segundo minha ótica, a minha teologia, porém às vezes tenho o pressentimento de que, por mais que o texto passe o que penso, é necessário pontuar de forma mais clara em que acredito. E esta é a finalidade deste tópico no site (teologia). Explicar, dar base bíblica e teológica do que eu creio.
“O Deus que se revela” é um dos pontos principais da minha teologia. Eu não acredito que o homem tenha capacidade de “achar” a Deus. Seria até cômico imaginar uma criatura finita e pecadora, achar um Deus, infinito e poderoso. Soa como se tropeçássemos em algo e achássemos uma coisa muito valiosa, não foi assim, a Bíblia narra algo totalmente oposto.
O livro de Gênesis, logo nos primeiros capítulos, fala que Deus criou tudo e depois fala que o homem desobedeceu e virou as costas para Deus. Com isso, o homem perdeu o controle e começou a praticar o mal. Só que no versículo 12:1-2, depois do dilúvio e de muitos outros acontecimentos, Deus se revela a Abraão:
“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção”(ACF).
Não sabemos muito sobre Abraão, só sabemos que, através dele, Deus se deixa ser conhecido. Hansjörg Bräumer acrescenta:
“Ao mesmo tempo, a história dos patriarcas esclarece o mundo religioso em que viviam os antepassados de Israel. O único Deus, o Deus do céu e da terra, revelou-se a Abraão. Ele chamou Abraão para fora de seu ambiente pagão. Abraão seguiu o chamado de Deus e passou a adorá-lo. O Deus que se revelou a Abraão mais tarde é chamado pelo povo de Israel de “o Deus de Abraão” (BRÄUMER, 2016, p. 194).
Apesar de termos Noé, um homem a quem Deus se revelou e lhe deu uma missão (Gênesis 6:5,12). E que, após anunciar a justiça e não ser ouvido (2 Pedro 2:5), foi o único salvo, juntamente com sua família. Também temos outros homens que andaram com Deus. Entretanto, foi a Abraão que Deus se revelou, dando a ênfase de que, através dele, viria um povo e que era deste povo que o Messias Redentor viria. Norman Geisler acrescenta algo importante falando dos dois tipos de revelação:
“Outro pressuposto fundamental da Teologia evangélica é a revelação. Se Deus não se mostrou, como poderia ser conhecido por nós? Mas Deus escolheu se apresentar-se a nós, e a este ato de descobrir-se a si mesmo chamamos de revelação. De acordo com a Teologia evangélica, Deus revelou-se a si mesmo de duas formas: a revelação geral (na natureza) e a revelação especial (nas Sagradas Escrituras) (GEISLER, 2015, p. 59).
E sobre a revelação geral, Romanos 1:20 nos dá uma ótima base:
“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (NVI).
Não teremos desculpas, é possível conhecer a Deus por meio de sua criação, do impressionante e complexo corpo humano, das estrelas e dos animais. Tudo aponta para um Deus, um arquiteto responsável por criar tudo. E a Bíblia é clara e também enfatiza isso, narra a história de um Deus que se revelou, teve compaixão de nós, seres humanos pecadores e desobedientes, mandando seu Filho para morrer por nós. 2 Timóteo 3:16-17 diz:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (ARA).
Enfim, Deus escolheu se revelar e salvar seres humanos pecadores. Não o seguimos a Deus por termos achado um Deus interessante e sim, por Ele ter se revelado e escolhido morrer por nós.
Este é um dos pontos principais da minha teologia, eu estudo a Bíblia e busco um Deus que se revelou, que se mostrou ao homem por amá-lo e ter tido misericórdia. Ninguém pode pegar para si este mérito, e ninguém conseguirá, por ser um ser finito, estudar e achar um Deus que é infinito e poderoso. Se Ele não se revelasse, permaneceríamos na ignorância, tateando no escuro, nos consumindo em nosso próprio pecado.
BIBLIOGRAFIA
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.
BRÄUMER, Hansjörg. Comentário Esperança. Antigo Testamento. Curitiba: Editora Esperança, 2016.
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LEMBRA-TE DE MIM
“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lc 23:42).
Considero esta passagem Bíblica um grande tapa na cara de quem não entende a graça. Porém muito maior que a sua mensagem é o cenário onde tudo acontece.
O texto diz que Cristo estava crucificado ao lado de dois malfeitores (Lc 23:33), quando um deles começou a zombar dele (Lc 23:39). Veja bem, Jesus já tinha sido açoitado (Jo 19:1) e para piorar, carregava uma cruz que o condenaria, para o local da crucificação (Jo 19:17). Estava sendo alvo de zombaria da plateia que o assistia e dos soldados (Lc 23:35-37), quando aquele ladrão, também crucificado, começou a zombar dele. Levando em conta que Cristo devia estar sangrando, sujo e sofrendo com o castigo, aquele ladrão poderia até ter alguma razão em seu escárnio. Afinal, Jesus poderia parecer com tudo, menos com um Deus. Porém, algo inusitado acontece, o outro ladrão defende Cristo e repreende aquele criminoso zombador, suplicando salvação a Cristo.
Aos olhos humanos um Deus verdadeiro não pode sofrer, afinal, ele é superior, poderoso e intocável. E se dependesse de nossa forma de fazer justiça a coisa pioraria ainda mais. Se tivéssemos o poder que Cristo tem, o episódio da cruz viraria um apocalipse e não um momento de salvação. Mas Jesus sofreu, sangrou, se doou calado e mesmo crucificado, arranjou tempo para cuidar de um homem moribundo, criminoso, a beira da morte (Lc 23:40-43).
Mas não é só isso que me impressiona neste episódio todo, aquele ladrão crucificado me instiga a algumas boas reflexões. A principal delas é: Como ele chegou à conclusão de que aquele homem crucificado era o Messias e não um farsante como todos achavam? De que forma aquele condenado notou que ao seu lado pendia um homem inocente?
Será que ele conhecia a Bíblia e sabia as referências sobre o Messias? Será que ele teve uma revelação divina? Ou quem sabe uma mensagem misteriosa soprou em seus ouvidos revelando quem sofria ao seu lado? Talvez ele tenha lido o jornal descobrindo que um Deus morreria naquele dia. Pode ser que ao olhar aquele sangue inocente ele tivesse lembrado de seus crimes e do quanto era pecador. Quem sabe aquele sangue tivesse gritando e a mensagem que esbravejava era a de redenção. Não sei quem ou o que aquele homem viu, nem como ele sabia de Cristo e muito menos quem aquele homem era, mas sei que a inocência devia ser gritante e aquela morte visivelmente injusta. Sei também que um Deus morre, mas também ressuscita. E que a morte não o segura e sei que Ele também morreu por você quando naquela cruz pendia em brutal sofrimento.
Muitas vezes tento entender porque muitos ouvem a mensagem e não entendem, não sei porque muitos não o seguem e nem acreditam no seu sacrifício. Calvino afirmaria que estes não eram predestinados, o problema é como sabermos se somos predestinados já que o coração do homem é enganoso? Outros afirmarão que quem não crê é porque está cheio de conceitos do mundo, ou até, que estão possuídos pelo maligno enfim, elucubrações são muitas, mas nenhuma certeza, entretanto, eu imagino que o que aquele ladrão tinha como única certeza era a sua culpa.
A principal pregação de Cristo sempre foi: “Arrependa-se” e não tem como nos arrependermos sem termos a consciência de que somos culpados.
Eu não sei como aquele ladrão sabia que aquele Deus pendurado ao seu lado era inocente, mas ele sabia que era culpado e que precisava do perdão de Deus. Porém, assim como aquele malfeitor tinha consciência de quem era, pediu perdão a Cristo e ganhou a salvação. Nós também podemos ser alcançados por esta graça. Afinal, somos um pouquinho deles, temos uma grande culpa e mereceríamos estar crucificados no lugar de Jesus, que era puro e sem pecado. Porém, assim como um deles, temos que reconhecer quem somos e clamar a Cristo por ajuda, ou zombarmos d’Ele e viramos as costas.
Você escolhe, mas também arca com as consequências!
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GRAÇA PREVENIENTE
Falar sobre salvação é complicado hoje em dia, pois não temos unanimidade no meio cristão, por conta disso, calvinistas e arminianos travam verdadeiras guerras para definir seus pontos de vista, porém, como vou expor neste texto, a diferença entre os dois não é tão grande assim.
Um calvinista acredita que a graça é irresistível para quem é eleito e acredita também que o homem é depravado demais para conseguir fazer a escolha de seguir a Deus por si só. Sendo estes dois, pontos do acróstico chamado TULIP. O calvinista Sam Storms em seu ótimo livro chamado Escolhidos, define bem o conceito de depravação total:
“De acordo com doutrina da depravação total, o homem em sua condição atual, originária da queda, está de tal modo corrompido por uma semente maligna que todos os aspectos do seu ser e personalidade são afetados por ela” (STORMS, 2014, p. 56).
O ser humano, por meio dos seus esforços não consegue se salvar, somos inclinados para o mal, sem a capacidade de fazer escolhas boas. É bom salientar que nem todos concordam com o acróstico TULIP, calvinistas como Michael Horton afirmam não existir evidências de uso antes do século XX, preferindo usar o termo vocação eficaz, por ser um termo que não sugere coerção. Assim sendo, segundo estes, Deus não coage, as escolhas dos homens são livres, apesar da graça ser irresistível (HORTON, 2014, p. 142).
Já alguns arminianos clássicos ou não calvinistas, apesar de também acreditarem, tal qual os calvinistas, que o homem é corrompido e não consegue fazer escolhas boas pois é inclinado ao mal, acreditam na graça preveniente ou capacitadora, que seria: A graça que nos capacita a aceitar ou não a regeneração, sendo ela resistível. Segundo Armínio, esta graça vem através da ação do Espírito Santo, que ilumina o entendimento do homem depravado e escravo do pecado, para que possa escolher livremente o evangelho. Olson argumenta que:
“Mas a teologia arminiana supõe, pelo fato de a Bíblia em sua totalidade supor, que Deus, em razão do amor, se limita de maneira que sua graça iniciadora e capacitadora seja resistível. Ela é poderosa e persuasiva, mas não é compulsiva no sentido determinista. Ela deixa o pecador como uma pessoa e não um objeto” (OLSON, 2013, P. 264).
A Bíblia diz que vamos ser julgados, com isso, logicamente, devemos ser pessoas com escolhas morais livres. Em contrapartida, não conseguimos nos salvar, estamos mortos, cegos e não conseguimos escolher o evangelho por conta própria. A graça preveniente é justamente a ação de Deus para que nós possamos fazer nossas escolhas por conta própria. Gosto da citação de Robert E. Picirilli:
“O que Armínio quis dizer com “graça preveniente” é que é aquela graça que precede a real regeneração e que, exceto quando resistida em último estágio, inevitavelmente conduz à regeneração (apud OLSON, 2013, P. 264).
Não somos nós que nos salvamos, não temos mérito algum, apenas aceitamos ou não sermos regenerados, a graça nos prepara, é a força capacitadora que precede a conversão. O processo é simples e possui quatro aspectos: Chamada, convicção, iluminação e capacitação. E a única coisa que a pessoa deve fazer é não resistir ao Espírito Santo, para assim ser salvo (OLSON, 2013, P. 207).
Aí você me pergunta: É possível resistir ao Espírito Santo? Segundo a Bíblia sim, Atos 7:51 diz:
“Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!”.
Mateus 23:37 também é um ótimo versículo, entre tantos que existem para explicar como é possível resistir:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!”.
Possivelmente que diante destes versículos, um reformado afirme que é possível resistir porque um não eleito não tem em seu coração o chamado interior, só o exterior, por não ser predestinado. Em contra partida um arminiano clássico vai afirmar que é possível resistir, por sermos humanos, não máquinas, onde no fim seremos julgados pelas nossas ações e escolhas (Apocalipse 20:12).
É claro que não temos um versículo que explica de forma detalhada sobre a graça preveniente. Assim como também não temos um que explique sobre a Trindade Divina, jejum, graça comum e tantas outras teologias que conhecemos. Mas a Bíblia dá sinais de sua existência e um deles é a resistência do homem quanto à ação do Espírito Santo. Veja bem, a mesma Bíblia que diz que quem convence é o Espírito Santo (João 16:7-11), também fala que muitos resistem a ele (Atos 7:51). O mesmo Jesus que disse que ninguém pode ir até Ele se o pai não trouxer (João 6:44), disse que todo o ramo que estando n’Ele não der frutos, Ele vai arrancar e jogar fora (João 15:2). Estes versículos dão a entender uma ação humana, algo que temos que fazer para frutificar. Mais uma vez ressalto, nós não nos salvamos, toda a honra e glória é apenas de Deus, nós apenas aceitamos ou não.
Para finalizar, quero responder a importante pergunta: Por que arminianos não aceitam a graça irresistível? Roger Olson responde muito bem, usarei sua explicação:
“Por que os arminianos e outros não calvinistas rejeitam a graça irresistível? Porque eles amam o livre-arbítrio e não querem dar toda a glória a Deus, como sugerem alguns calvinistas? De jeito nenhum. Essa é uma calúnia indigna de qualquer um que tenha se dado o trabalho de estudar o assunto. Todo arminiano, de armínio até hoje, sempre deixou claro o verdadeiro motivo por trás da rejeição à doutrina da graça irresistível: A preservação do caráter bondoso e amoroso da Deus” (OLSON, 2013, p. 266).
Deus é amor e por amar o mundo, um dia deu o seu filho por amor a nós (João 3:16). Não é que Deus não possa salvar apenas alguns como bem queira e sim, que isso não condiz com o que Ele se deixou conhecer através da Bíblia.
Esta é a graça preveniente, que através da pregação e da ação do Espírito Santo, abre os olhos dos cegos e mortos em seus delitos e pecado e os capacita a aceitar ou não a Deus. Nós não temos mérito algum neste processo, tudo vem de Deus e sua poderosa mão, cabe ao homem aceitar ou não, abrir o seu coração ou não, para a ação do Espírito Santo.
BIBLIOGRAFIA
HORTON, Michael. A Favor do Calvinismo. São Paulo: Editora Reflexão, 2014.
STORMS, Sam. Escolhidos: Uma exposição da Doutrina da Eleição. Rio de Janeiro: Editora Anno Domini, 2014.
OLSON, Roger. Contra Calvinismo. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
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OS DEZ LIVROS QUE TODO O CRISTÃO DEVERIA LER EM 2017
Este é o terceiro ano que faço estas listas de livros, desde 2015 tenho listado uma série de livros que eu acredito que todo o cristão deveria ler e conhecer. Se você estiver curioso em ler, segue o link dos dois textos: OS DEZ LIVROS QUE TODO O CRISTÃO DEVERIA LER, MAIS DEZ LIVROS QUE TODO O CRISTÃO DEVERIA LER.
Contudo eu confesso que a minha primeira lista foi um desafio, custei a decidir quais livros deveriam entrar e quais não deveriam. Porém esta terceira lista surgiu tão automática, contendo livros que em sua maioria eu li há pouco tempo, que eu só tive o trabalho de comentar sobre eles. Espero que gostem e que alguns destes sejam úteis para a sua caminhada com Deus.
1 – CASAMENTO – CHARLES SWINDOLL.
Eu comprei este livro em uma feira de ponta de estoque, principalmente por estar na época prestes casar. Eu já conhecia o autor, tinha ganhado alguns livros dele, mas nunca me interessava em ler. São tantas coisas para ler que às vezes colocamos alguns autores de lado, o que foi um erro muito grande.
Eu me impressionei com tamanha coesão e lucidez que o autor aborda o casamento. Fugindo de ideias preconcebidas e formulas datadas.
Charles Swindoll fala de casamento de forma tão Bíblica e centrada, misturando as interpretações Bíblicas com suas experiências dos seus muitos anos de casado, dando conselhos sábios e fundamentados, que é um erro você deixar de ler este livro, seja você casado ou não.
2 – PARA ENTENDER A BÍBLIA – JOHN STOTT.
Eu sou muito fã de John Stott e fiquei mais fã ainda ao ler este livro.
Nesta obra o autor se concentra em dar um panorama geral sobre a Bíblia. Fala da sua história, como surgiu, autoridade, geografia, etc. Oferecendo ao leitor uma narrativa onde ele dá um apanhado geral da história bíblica começando em Gênesis e terminando em apocalipse, fazendo com que o leitor tenha uma ideia ampla deste sagrado livro.
3 –JOVEM INCANSÁVEL NÃO MAIS REFORMADO – AUSTIN FISCHER.
Eu não costumo ficar indicando livros sobre calvinismo e arminianismo, e apesar de escrever alguns textos onde eu discorro sobre alguns exageros de alguns destes lados, eu normalmente me mantenho fora deste debate.
Porém fechar os olhos para estas teologias é impossível, com isso, apresento este livro de um pastor que havia sido um defensor tremendo do calvinismo e acabou abandonando a corrente teológica.
Eu achei muito genial as analogias que o autor faz com buracos negros, estrelas e calvinismo. É muito profundo também suas experiências e dúvidas, nos trazendo algumas ótimas reflexões sobre este assunto tão controverso.
4 – PERDOANDO NOSSOS PAIS, PERDOANDO A NÓS MESMOS – DAVID STOOP.
Este livro trata do tema: “perdão” e mostra de maneira clara e concisa como a família influencia a nossa vida mesmo nós achando que não.
O autor dá muitos conselhos, nos explica como uma família nos molda e porque acabamos muitas vezes repetindo os erros de nossos pais. É um livro ótimo para quem busca perdão, para quem quer entender a família e conviver de uma forma mais consciente e amena.
5 – NOSSO SILÊNCIO CULPADO – JOHN STOTT.
Este livro trata do silêncio que muitas vezes a igreja tem feito no quesito pregação. O autor faz uma ótima leitura da igreja, o que falta para ela pregar e porque muitas vezes ela não tem pregado.
Considero o livro mais um alerta, um grito de aviso para que saiamos de nossos casulos para sem demora começarmos a pregar palavra de Deus, sendo luz e sal no mundo.
6 – ARMADILHA DO PODER – MARTINA E VOLKER KESSLER.
Nem sempre o ambiente cristão é um lugar de paz e tranquilidade. Nem todos que se prestam a trabalhar na igreja veem seus ministérios como uma oportunidade de fazer a obra de Deus. Alguns são tiranos, lobos querendo impor suas vontades e mostrar quem manda e é este o principal tema deste livro.
Ler sobre o tema é profundamente esclarecedor, principalmente porque os autores tem uma grande experiência e conseguem de uma forma magistral descrever quem são estes, como perceber se o seu líder é predisposto a ser tirano, e como se proteger. Leitura obrigatória para líderes e pastores.
7 – GÊNESIS 1 & 2 – ADAUTO LOURENÇO.
Eu já tinha visto muitos vídeos deste autor antes de ler um livro seu. E nenhum livro sobre este assunto me impressionou tanto quanto este.
Escrito por um homem que é teólogo e físico, o livro traz como tema principal os dois primeiros capítulos de Gênesis, explicado a luz da ciência e da teologia.
É muito esclarecedor, principalmente porque ele explica o criacionismo e o evolucionismo, nos mostrando o quanto ateus e cristãos se equivocam ao falar destas duas teorias.
8 – O SEGREDO JUDAICO DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS – NILTON BONDER.
Desde a lista passada eu estou indicando pensadores ou autores que não são propriamente ditos cristãos, mas que tem livros tão profundos, que valem a pena serem lidos e o Rabino Nilton Bonder é um deles.
Nesta obra, Nilton Bonder alia tradição com sabedoria, mostrando que não existe problema insolúvel, basta ter uma mente perspicaz e forte, é um livro muito bom, abre a cabeça e nos desafia a olharmos os problemas sobre outra ótica.
9 – A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO – JOHN MACARTHUR.
A parábola do filho pródigo é uma das mais conhecidas da Bíblia, porém às vezes não nos damos conta da quão profunda ela é por falta de um estudo e uma pesquisa mais acurada e é esta a proposta do autor.
Ele nos mostra o quão detalhado é esta parábola e o quanto podemos aprender com esta passagem Bíblica, além de deixar-nos por dentro de todo o contexto judeu, fazendo com que tenhamos uma visão mais nítida da parábola do filho pródigo.
10 – FILOSOFIA PARA CORAJOSOS – LUIZ FELIPE PONDÉ.
Terminando a lista de livros temos um do Pondé, um autor que há tempos tenho acompanhado. Acredito ter lido tudo (ou quase) que ele lançou e este livro, lançado no ano passado é um convite para sairmos da caixinha e pensarmos por nós mesmos.
O autor faz uso da história da filosofia, aliado com seu jeito ácido de escrever para nos dar uma base sólida afim de que consigamos dialogar com os vários temas do mundo contemporâneo. Leitura obrigatória para quem quer pensar com a sua própria cabeça e não com a dos outros.
Para este ano os livros são estes, é claro que ao longo do ano fico tentado a mudar algum, mas no geral estes foram os que eu gostei até agora. Tem sido cada vez mais fácil fazer estas listas devido a quantidade de livros que eu leio e estudo anualmente. Espero que estas obras sejam úteis e que sirvam para fundamentar ainda mais a sua caminhada com Deus e seu pensamento crítico.
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O SERMÃO DO MONTE PT 7: PACIFICADORES
“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” (MT 5:9) (NVI).
Quando alguém fala em pacificador, eu logo lembro de Martin Luther King. Um homem que morreu lutando pelos direitos civis dos negros. Ele confrontou uma realidade injusta do seu tempo, tudo e porque, ele não aceitou o que estava acontecendo.
Um pacificador é alguém que promove a paz, que estabelece uma harmonia neste mundo cheio de discórdia. Porém, a tradução de Eugene Peterson na Bíblia A mensagem, nos traz ainda mais luz para entendermos o versículo:
“Abençoados são vocês, que conseguem mostrar que cooperar é melhor que brigar ou competir. Desse modo, irão descobrir quem vocês realmente são e o lugar que ocupam na família de Deus” (2012, p. 1382).
Promover a paz é algo que não vemos tanto em nossa sociedade hoje em dia, neste mundo competitivo, brigar é a lei, mostrar sua força e superioridade, é algo corriqueiro. Afinal, a clemência é coisa para fracos, não é isso que muitos dizem por aí?
Mas ao contrário do que muitos creem, um pacificado é um agente do reino, é alguém que desfaz uma confusão e prega a paz. Ao contrário do que muitas vezes vemos na igreja, quando calvinistas discutem com arminianos, ou reformados discutem com pentecostais.
Quando promovemos a intriga, deixamos de ser um pacificador aqui na terra e fazemos o que o inimigo há tempos tem tentado fazer, que é dividir a igreja. Eu sei que podemos ter pontos nos quais discordamos, mas o evangelho nos une.
Por isso, quando for expor uma ideia, não exponha como se quisesse plantar discórdia ou causar divisão e sim, como uma forma de discutir um tema e promover reflexões. Um pacificador não divide, um pacificador não gera discórdia, um pacificador lança as sementes do reino tendo sempre em mente que não somos chamados para competir e sim para colaborar.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
