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DESINTELIGÊNCIA
Tenho uma máxima em minha vida que tento seguir sempre que possível:
“Eu não discuto com ignorantes”.
Nem todos estão abertos a ouvir, a maioria quer ganhar a discussão e não raciocinar ou discutir ideias. Muitos vivem em profunda alienação e transformam o conversar em um verdadeiro campo de batalha. E quando falo de ignorantes ou alienados, não me refiro a pessoas sem estudo e sim dos que tem a cabeça fechada, só enxergam a vida com seus pontos de vista sem ter a capacidade de analisar e respeitar quem vê a vida com outros olhos. O próprio dicionário já dá uma ótima definição, pois segundo ele ignorante:
“É uma pessoa que ignora a opinião alheia, que pensa que só ela está certa, e que só a opinião dela é válida. Também é por parte orgulhosa por não aceitar estar errada e não conseguir admitir que o outro esteja certo. Quando tem um certo tipo de poder, torna-se muitas vezes arrogante” (dicionário informal).
Nilton Bonder no livro: A Cabala da Inveja, também fala destes ignorantes e de como devemos agir com eles:
“É de grande importância em nosso “enxergar” compreendermos que existem critérios de responsabilidade nas interações agressivas e rancorosas. Um destes critérios é definido por um conceito rabínico conhecido por tinók she-nishbar – “um bebê que não sabe andar”. Segundo ele, somos tão responsáveis por uma criança que apenas engatinha pelo mundo como por aqueles que se encontram nesta categoria. Desta forma, se estamos envolvidos numa interação de briga, devemos sempre delimitar papéis de maneira a definir quem é o timók she-nishbar – o menor. Se o adversário está mergulhado numa rixa, sem capacidade de “enxergar”, aquele que vê torna-se instantaneamente responsável pelo destino da controvérsia” (BONDER, 2010, p. 125, 126).
Nem todos enxergam todos os pontos em uma discussão, as vezes o outro lado não está raciocinando direito quanto ao assunto discutido e se calar não é perder a discussão e sim, não mais se incomodar com alguém que não quer lhe ouvir.
Eu costumava ver um programa de TV (não lembro mais o nome) que acompanhava policiais durante seus serviços. E quando eles eram chamados para apartar uma briga de vizinhos, ou qualquer briga na rua, o nome dado àquela situação era “desinteligência”. Um nome genial para uma situação tão complicada.
Conheci muitos que passavam o dia inteiro discutindo na internet, se orgulhando por considerarem um ministério que Deus os tinha dado. Eu gosto do ditado popular que diz:
“O pior cego é aquele que não quer ver”.
Pois muitos discutem só para estar certos, passam por cima da verdade em nome de pontos de vista. Fecham portas para a boa conversa e usam da falta de respeito para afrontar. Muitas vezes não queremos ver o nosso erro, fechamos os olhos para a verdade em nome de ganhar uma conversa.
Nunca mais esqueci de um conselho que recebi muitos anos atrás:
“Guilherme, tome cuidado para que você não ganhe a conversa, e perca a pessoa”.
Ganhar a conversa não é tudo, evangelizar não é empurrar um ideal a todo e a qualquer custo, mas falar da palavra da verdade para quem quer ouvir. Nós não convencemos, só pregamos, quem convence é o Espírito Santo e eu vou mais longe!
Quando tentamos fazer com que o outro engula uma opinião a força, não mais estamos comprometidos com a verdade e sim com nosso ponto de vista. E diante disso, muitas vezes me dou o direito do silêncio, para não alimentar uma discussão que não vale a pena. Nem sempre quem cala consente. As vezes quem cala só tem a certeza de que aquela conversa não vai levar a lugar algum e em nome da paz, se isenta em expressar sua opinião. Lembre-se do ensinamento: “Quem enxerga tem mais responsabilidades do que quem não enxerga”. É um desafio, mas é também uma verdade que temos que praticar a todo o custo.
O forte não é quem confronta, ou quem bate de frente. O forte é quem sabe onde pisa e entende quando deve ficar calado.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, A Cabala Da Inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010.
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PERDOANDO NOSSOS PAIS, PERDOANDO A NÓS MESMOS – DAVID STOOP
Muitas vezes não nos damos conta do quanto a vida familiar influencia a nossa vida. Muitas vezes implicamos com os nossos pais, mas não percebemos o quanto carregamos deles em nós.
Talvez até hoje eu não tenha lido um livro sobre família, perdão e convívio tão profundo como este, que me fez entender como o perdão (ou a falta dele) molda nosso ser de uma forma tão profunda:
“O objetivo deste livro é explicar o que realmente é o perdão. Vamos ver que seu maior valor está no que ele faz dentro de nós, e que o perdão não precisa ter nada a ver com aqueles que nos feriram – na verdade, nem precisa envolvê-los. O perdão é para nós. Ele nos liberta” (STOOP, 2012, p. 15).
Confesso que eu fiquei impressionado com algumas histórias e também impactado com a transformação que o perdão causou na vida de algumas pessoas. Sem dúvida, uma leitura muito profunda, vale a pena ler!
Editora Esperança, 271 páginas.
BIBLIOGRAFIA
STOOP, David, Perdoando Nossos Pais, Perdoando A Nós Mesmos, Editora Esperança, Curitiba, 2014
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SALVOS PELA GRAÇA
As vezes eu sou indagado sobre a graça, pois muitos não conseguem entender de forma plena o que é a graça de Deus. Não entendem como Deus, sem cobrar absolutamente nada, salva as pessoas. A verdade é que é difícil entendermos, neste nosso mundo materialista a graça divina, porém, fomos alcançados por ela.
Graça significa: “Favor imerecido”, é algo que Deus faz mesmo sem merecermos e para validar este conceito cito Efésios 2:8-9:
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”.
Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson da Bíblia A mensagem (2012, p. 1667):
“A salvação foi ideia e obra dele. Nossa parte em tudo isso é apenas confiar nele o bastante para permitir que ele aja em nossa vida. Se fosse o caso, andaríamos por aí nos vangloriando do que fizemos. Não!”.
E Norman Geisler acrescenta uma explicação importante para entendermos a graça, que é um dom gratuito de Deus:
“A graça, portanto, é um favor imerecido. Aquilo pelo qual trabalhamos é considerado nossa conquista; mas aquilo pelo qual não trabalhamos, não é considerado nossa conquista. Como a salvação vem até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte, concluímos que não nos cabe qualquer mérito nela: a Salvação é “dom gratuito de Deus” (Rm 6:23). A graça salvífica de Deus é o favor imerecido que ele faz por nós” (GEISLER, 2015, p. 158).
Ou seja, Deus, mesmo sem merecermos nos salvou. Por sermos corrompidos pelo pecado, sem capacidade de nos salvarmos, Deus nos salvou através da sua soberana graça. Alistes Mcgrath cita Agostinho de Hipona, para falar sobre o ser humano, deixado por conta própria e Deus, mostrando o quanto a ação divina foi fundamental.
“Para Agostinho de Hipona, a humanidade, se deixada por conta própria e apenas com seus recursos, jamais poderia se relacionar com Deus. Nada do que um homem ou uma mulher fosse capaz de fazer poderia quebrar a opressão do pecado” (MCGRATH, 2014, p. 60).
Uma vez, um colega indignado me questionou justamente sobre isso, ele perguntou: “Quer dizer então que se um assassino se arrepender será salvo?” Eu disse: “Segundo a Bíblia sim, se o arrependimento for verdadeiro, é claro”. Aquele colega tinha muita dificuldade de entender a graça de Deus, visto que, ele avaliava o tema a partir do mérito humano.
A questão é mais simples do que imaginamos, não é que o ladrão ou assassino, não merece a salvação, a questão é que “ninguém merece”. Todos nós somos pecadores, todos são desobedientes, mas quem se arrepender e seguir a Cristo será salvo. Gosto da citação de Brennan Manning enfatizando a graça de Deus:
Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, Ele não retém seu amor por haver maldade em nós (MANNING, 2002, p. 20).
Esta é a graça divina em seu estado mais bruto, graça esta que muitas vezes não entendemos, mas que constantemente vemos Cristo praticar nas escrituras.
Lembrando que, um assassino ou ladrão continua colhendo os frutos dos seus atos. O que estamos falando aqui é sobre salvação.
BIBLIOGRAFIA
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2015.
MCGRATH, Alister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução a Teologia Cristã. São Paulo: Shedd Publicação, 2014.
MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2002.
PETERSON, Eugene. Bíblia a Mensagem. São Paulo: Editora Vida, 2013.
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SERVIR: FRONTEIRAS DA INTELIGÊNCIA: NILTON BONDER
O próprio conceito de espiritualidade se mistura com a ideia de “servir”. “Qualquer noção de transcendência – ou seja, de que não nos encerramos apenas em nossa individualidade ou existência, é território da espiritualidade” […].
“Servir representa uma intimidade com a vida, uma forma de refinamento. Quando servimos no sentido espiritual, servimos a todos. Em linguagem das tradições, quem serve a Deus, serve a todos. Quando servimos a falsos deuses, não servimos a todos” (BONDER, 2011, p.99).
Costumeiramente falamos: Eu sirvo a Deus, porém com o passar do dia, mal pensamos no próximo, quanto mais ajudar. A pergunta que às vezes eu faço é: Como servir a Deus sem servir ao próximo? É impossível não é?
Quando servimos a falsos deuses, ou a deuses a nossa imagem e semelhança, não servimos ao próximo, aliás, mal olhamos para o próximo. Afinal, ou olhamos para Deus, ou para nós mesmos. Logo, concluímos que se falamos que servimos a Deus mas não servimos o próximo, temos alguns problemas. O autor continua dando ótimos exemplos e histórias rabínicas sobre a importante arte de servir a Deus e ao próximo, e como este servir ao próximo é uma extensão de nosso servir a Deus sendo que de lambuja ainda dá um dos segredos para ser um bom servo:
“O segredo de quem serve é estar na contramão do ego. Enquanto o ego faz de sua função maior ser amado, servir faz uso do ato de amar” (BONDER, 2011, p.101).
Enquanto um busca ser o outro ama, é um verdadeiro desafio se você é orgulhoso. É impossível servir se somos altivos, orgulhosos e temos reputação a zelar. Tirando o fato de que alguns servem em nome de mostrar que são santos ou bondosos, se você não se desvencilhar do orgulho, dificilmente servirá. Mas Nilton Bonder continua, e fecha o livro com chave de ouro:
“Uma das evidências mais significativas de inteligência espiritual está na ênfase dada ao poder de “amar”, conseguindo fazer decrescer a importância de “ser amado”. Quanto mais se serve, em vez de ser servido, maior a inteligência envolvida.
O modelo máximo desta inteligência, o criador, é descrito da seguinte maneira pelo rabino de Karlin: “Possa eu amar alguém que seja maravilhoso, da mesma forma que o criador ama um perverso” (BONDER, 2011, p.102).
É um desafio amar, servir e ajudar o próximo, mas algo importante de buscarmos, já que imitamos um Deus que serviu.
O que podemos aprender com este livro? Que devemos amar o próximo como Deus nos amou, se o seguimos, deve ser por completo, não acha?
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, Fronteiras Da Inteligência, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2011.
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SAINDO DA MESMICE
Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim. Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada. Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade? Ele respondeu: Este é o caminho curto e longo e este, o longo e curto. Tomei o curto e longo e logo deparei com obstáculos intransponíveis de jardins e pomares. Ao retornar, reclamei: Meu filho, você não me disse que era o caminho curto? O menino então respondeu: Porém lhe disse que era longo!
Na trilha da sobrevivência, a mesmice muitas vezes é o caminho curto, o mais simples, e que tem custos mais elevados (longos). (BONDER, 1998, página 57).
Uma vez me falaram, enquanto eu planejava começar a faculdade, que entrar na faculdade era fácil, o difícil era sair. Só entendi esta frase de uma maneira plena quando comecei os estudos.
Não foi fácil, era muita leitura, muitos trabalhos escritos e muita canseira, já que eu acordava as 4 horas da manhã para trabalhar e ia dormir por volta da meia noite. Era pouco sono e muito estudo, mas sou grato a todos os professores por estes desafios. Não crescemos sem desafios, não evoluímos sem suar a camisa ou sem muita canseira e faltas de sono. O caminho da relevância é este, o processo de busca do conhecimento é longo e cansativo, ganha quem aprende a vencer os obstáculos da preguiça. Mesmice segundo o dicionário é:
“Ausência de mudanças; monotonia, marasmo” (dicio).
É interessante ver como os judeus são comprometidos com o estudo. Um menino judeu na época de Jesus, começava a estudar a Torá (os seis primeiros livros da Bíblia) aos 6 anos idade em um ciclo de estudos chamado Beit Sefer, onde até os 10 anos de idade eles já deveriam ter decorado estes cinco livros. Após estes ciclos de estudos, os alunos voltavam para casa para aprender o ofício da família e os melhores dentre eles continuavam em um segundo estágio chamado Beit Talmud, estudando sob a orientação de um rabino que lhes conduziam aos estudos da lei e suas escolas de interpretação. Estes meninos, após estas séries de estudos, formavam a elite intelectual de Israel (KIVITZ, 2012, p. 7).
A tradição e o ensino sempre foi algo levado a sério por um judeu. E quando falamos de sua cultura que perdura há séculos, falamos de ensinos levados de geração a geração, tamanho o comprometimento e o costume de ensinar. Prática esta que dá resultados visíveis até hoje como bem pontua Claudino Piletti e Nelson Piletti:
“Os judeus somam hoje 0,2% da população mundial e 20% dos vencedores do Premio Nobel e quase um terço dos matriculados na Universidade de Harvard. Atribui-se essa performance à importância que eles dão ao bom desempenho nos estudos” (PILETTI, PILETTI, 2011, p.27).
A maioria dos brasileiros não se cansam de afirmar que ler é chato e que estudar não é legal. Quando ouço isso eu nem sei como responder. Eu sei que muitas destas afirmações vem por termos um sistema de estudo que não ajuda e um incentivo que a maioria das famílias não dão, mas não justifica.
Eu tive a sorte de crescer em um lar que lia, desde novo aprendi sobre a importância da leitura e o quanto significante é a vida de quem lê. O Brasil não vai mudar enquanto os brasileiros não aprenderem a serem críticos, ao invés de manipulados. Ele nunca vai crescer se ele não aprender a ler sobre ambas posições entes de tomar um posicionamento. E isso ao meu ver é um dos frutos visíveis da falta de leitura e informação. Nunca mais vou esquecer da definição de insanidade segundo Albert Einstein:
“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (significados).
Por isso temos que aprender a arregaçar a manga e sair do mesmo, caso contrário, nunca teremos resultados diferentes. Somos movidos a tomar sempre o caminho mais curto, a lei do menor esforço é sempre usada, porém este é um dos obstáculos importantes a se vencer para sermos relevantes nesta vida. Pois para sair da mesmice é fundamental percorrermos estradas mais longas, porém com ganhos muito mais elevados, é este o ideal que devemos buscar caso contrário continuaremos na mesma.
BIBLIOGRAFIA
BONDER, Nilton, Alma Imoral, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1998.
PILETTI, Claudino, Piletti, Nelson, História da Educação, De Confúcio a Paulo Freire, Editora Contexto, São Paulo, 2011.
KIVITZ, Ed René, Talmidim, O Passo A Passo Der Jesus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2014.
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MARAVILHOSA GRAÇA – PHILIP YANCEY
O mundo não tem precisado tanto da graça como hoje, e a igreja não tem falhado tanto em entender esta graça como atualmente.
Como o título já diz, o livro fala sobre graça, o que é graça e o que ela faz na vida de um cristão:
“A graça é o melhor presente do cristianismo ao mundo. Ela é uma boa nova espiritual em nosso meio, exercendo uma força maior do que a vingança, mais forte do que o racismo, mais forte do que o ódio” (YANCEY, 2012, p. 25).
Longe de pregar a mensagem da hiper-graça, Philip Yancey se concentra em pontuar o que é, como é a vida de quem tem graça e o que não é graça.
O destaque fica por conta das histórias e experiências que Philip compartilha, fazendo com que tenhamos contato com a graça de forma prática, entendendo através de inúmeras experiências qual é o impacto da graça na vida de muitas pessoas.
Destaco aqui a genial frase de Helmut Thielicke:
“O odor sulfuroso do inferno não é nada comparado com o cheiro ruim emitido pela graça divina putrefata” (YANCEY, 2012, p. 29).
Leitura fundamental para quem quer entender mais sobre graça.
Editora Vida, 277 páginas.
BIBLIOGRAFIA
YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 2012.
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OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS
“Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lucas 18:14) (NVI).
É comum vermos a Bíblia sendo mal interpretada, já dei inúmeras amostras do quanto alguns fazem interpretações equivocadas e esta, por sinal, é uma delas, passei a minha infância toda ouvindo. Segundo pastores, quem é “humilhado” pelas pessoas, um dia Deus o “exaltará” diante dos homens. É um mantra repetido em algumas igrejas, dando a entender que um dia sua humilhação será revidada por Deus e você sairá por cima. O problema é que o texto não diz isso!
O texto em questão é uma parábola contada por Jesus. Para entendermos, temos que ler Lucas 18 do versículo 9 ao 14. E logo no versículo 9 temos o motivo do porquê Cristo contou a parábola:
“A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola” (Lucas 18:9) (NVI).
O texto não fala de pessoas que foram humilhadas, nas quais depois Deus as exaltou. A parábola narra a história de dois homens, um o fariseu, que se achava santo, digno, o bonzão, e um publicano, que tinha a consciência de quem era e do quanto precisava do perdão de Deus. O publicano se humilhou, ele não foi humilhado, aí que está o erro de muitos intérpretes bíblicos. Ele se humilhou diante de Deus, enquanto o outro foi arrogante. Gosto da versão de Eugene H. Peterson para este versículo 14, ele é um pouco mais claro:
Jesus comentou: “Quem voltou para a casa justificado diante de Deus foi o cobrador de impostos, não o outro. Se você andar por aí de nariz empinado, vai acabar de cara no chão, mas, se com humildade enxergar quem você é, acabará se tornando uma pessoa melhor” (2011, p. 1489).
O texto fala sobre a oração, uma humilde de um homem que se considerava o único pecador, mais que todos os outros, e outra autossuficiente de um fariseu que se achava o único santo, mais que todos os outros.
Os publicanos eram cobradores de impostos que o império romano escolhia entre o próprio povo judeu. Geralmente eram mal vistos pelas pessoas, tidos como traidores, além de algumas vezes praticarem cobranças abusivas, como Lucas 19:8 nos informa. Já os fariseus eram os religiosos da época, que em sua maioria (pelo menos uma parte) eram legalistas e é sobre isso que o texto fala, de quem realmente foi perdoado.
“O veredito de Jesus foi que ele foi para casa justificado, isto é, aceito por Deus, mas o fariseu não. A ênfase gerada pelo contraste este […] e não aquele está correta. A parábola é, assim, mais uma manifestação de preocupação para com os “excluídos”. Deus está sempre pronto para receber os injustos quando estes apelam a ele, mas fecha seus ouvidos àqueles cujo orgulho por suas práticas religiosas e boas obras fazem com que se sintam autossuficientes” (CARSON, 2012, p. 1518).
Cuidado com o orgulho, com a comparação, não somos melhores uns dos outros, todos somos pecadores e necessitamos da graça de Deus. Gosto de como Lawrence Richards resume esta passagem:
“O fariseu (v. 11,12) orou de verdade. E ele veio à presença de Deus. Mas só enxergava a si mesmo. Sua visão estava obscurecida pelas aparências, com as coisas que fazia e deixava de fazer. Convencido e autojustificado, não conseguia ver a Deus de forma clara — nem o próprio coração. Também estava no Templo um cobrador de impostos envergonhado demais para levantar os olhos ao céu. Humilhando-se diante de Deus, esse homem encontrou o perdão” (RICHARDS, 2013, p. 799).
O texto não fala sobre ser exaltado diante dos homens e sim, sobre o perdão de Deus, quem realmente foi perdoado. Humilhe-se diante de Deus, é sobre isso que o texto fala e não se dirige a quem foi humilhado por outra pessoa.
Aliás, sinto muito informar, mas nem sempre quando formos humilhados pelo mundo seremos exaltados. Leia as histórias dos apóstolos, dos mártires que morreram pregando a palavra. Isso sem contar que Cristo nos mandou amar os inimigos, diante disso, ser exaltado aqui no mundo é a última coisa que vai acontecer conosco.
Só há um digno de ser exaltado, Cristo, o resto tem que se humilhar diante d’Ele e confiar em sua bondade!
BIBLIOGRAFIA
RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança De Lucas. Curitiba: Editora Esperança, 2005.
CARSON. D.A.; FRANCE , R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova, São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Bíblico do Professor: Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. São Paulo: Editora Vida Acadêmica, 2013.
PETERSON, Eugene H. A mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2011.
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ÚLTIMA IMPRESSÃO
Eu sei muito bem qual é a importância de causarmos uma boa primeira impressão em uma entrevista de emprego, para conseguirmos um trabalho ou fecharmos um negócio. As vezes só temos uma chance de mostrar quem nós somos e assim, não perdermos uma boa oportunidade.
Contudo, na vida em meio ao relacionamento com nosso conjugue, amigos ou irmãos, o que vai contar realmente é a nossa última impressão, como nós somos e como nos comportamos diante de diferentes tipos de situações ou conflitos. Seja no sucesso, cultivando humildade, em momentos de briga, cultivando paz e conciliação ou diante de cidadãos com diferentes crenças ou costumes, entre tantas coisas. São nestes momentos que quem somos de verdade, vai aparecer de forma clara e sem máscaras. Um dia ouvi uma frase de um professor que nunca mais esqueci:
“Quer conhecer uma pessoa chame-a para jogar futebol. É no calor do jogo que você conhece quem a pessoa realmente é”.
Você pode se esconder, usar máscaras, posar de bom moço, mas são nos momentos de conflito que o que somos vem a tona de forma verdadeira. No seriado Dr. House, o protagonista fala algo muito interessante:
“Porque palavras não importam, ações importam. Se suas ações contradizem suas palavras, eu nunca vou acreditar em você”.
Não adianta muito causarmos uma boa impressão se ela não permanece e se desfaz com o tempo. Antes de pensarmos em causar boa impressão, devemos aprender a causar uma última, em sermos verdadeiros revelando quem realmente somos. Provérbios 11:3 diz:
“A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói”.
Ninguém é perfeito e esta imperfeição deixa entre linhas uma oportunidade de buscarmos mudanças e evoluirmos sempre. Mudança que conseguiremos apenas vivendo uma vida sem máscaras e com humildade. Caso contrário, viveremos sempre presos a quem nós não somos até sermos esmagados pelo peso da nossa própria falsidade. Brennan Mannig tem uma frase genial, que resume bem a questão:
“Ser íntegro é reconhecer a debilidade e ser curado dela” (MANNING, 2002, p. 82).
A cura vem quando tiramos as máscaras, quando buscamos ser nós mesmos, quando assumimos nossos erros e evoluímos. É muito bom causar uma boa primeira impressão, mas quem convive conosco se lembrará apenas da última, em como nós fomos de verdade.
A primeira impressão é a que fica, pelo menos, para quem não convive conosco, caso contrário, é a última que permanecerá.
BIBLIOGRAFIA
MANNING, Brennan. O Impostor que Vive em Mim. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2002.
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O SERMÃO DO MONTE PT 8: OS PERSEGUIDOS
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (MT 5:10-12) (NVI).
Estas são as últimas passagens do que nós chamamos de “As Bem-aventuranças”. O Sermão do monte não acaba, mas as Bem-aventuranças sim. E o texto não podia ter um fechamento diferente, pois Cristo neste ponto, vai falar sobre perseguições.
O Novo Testamento nos mostra como as perseguições por causa da mensagem de Jesus Cristo, foram muitas, cumprindo com o que o próprio Jesus havia dito neste mesmo versículo. Paulo foi preso, João escreveu o apocalipse preso na ilha de Patmos (Apocalipse 1:9). Pedro morreu crucificado (João 21:18), e a tradição nos diz que ele não aceitou sofrer como o seu mestre e acabou crucificado de cabeça para baixo. Tiago foi morto à espada (Atos 12:1, 2). Seguidores de Cristo eram jogados em arenas com leões, enfim, muitos sofreram por levar o evangelho, estas pessoas aguentaram poucas e boas.
Esta última bem-aventurança é uma espécie de consolo para os discípulos que iriam passar por aflições. Afinal, o sofrimento iria ser grande, mas a recompensa também seria.
Existe uma verdade implícita nesta mensagem, a perseguição é um sinal de que a religião não é falsa (CHAMPLIN, 2014, p. 306). João (1 João 3:13) diz:
“Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia” (NVI).
Ser cristão é estar na contramão, é constantemente sermos colocados na parede, sermos alvos de chacotas ou perseguições por tentarmos viver uma vida com Cristo, normal. Só resta saber se você entende esta dura missão. John Wesley acrescenta:
“Nessas escrituras fica claro quem são os perseguidos. Os justos são perseguidos. Aquele que é nascido do espírito é perseguido. Todos os que tentam viver piedosamente de acordo com Jesus serão perseguidos” (WESLEY, 2015, p. 103).
É fundamental saber se você está preparado, se você busca a Deus e estuda a sua palavra, se você é relevante e tenta fazer a diferença, pois se você assim o é, certamente sofrerá perseguições. Carlos Queiroz também acrescenta algo interessante sobre esta passagem:
“Desse modo, o sofrimento do discípulo é uma consequência de sua firme decisão de viver do bem contra o mal, de lutar pela justiça contra toda espécie de injustiça, de amar a despeito do ódio de muitos, de ser pacificador em meio a um cenário de guerra” (QUEIROZ, 2006, p. 107, 108).
E estes que fazem o bem, que são relevantes e verdadeiros, certamente são perseguidos. Quem não faz a diferença não incomoda, quem fica assistindo a injustiça encolhido no canto nem é notado.
Mas o texto diz felizes, bem-aventurados são os perseguidos. Pois são estes que são os relevantes, que estão fazendo diferença no mundo, levando a palavra e uma mão amiga às pessoas.
O reino de Deus não é de quem se encolhe, de quem tem medo e vira as costas para o seu chamado e sim, de quem a qualquer custo busca fazer a vontade do Pai.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo: Volume 1. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante: Felicidade à Luz do Sermão do Monte. Curitiba: Editora Encontro; Minas Gerais: Editora Ultimato, 2006.
WESLEY, John. O Sermão do Monte. São Paulo: Editora Vida, 2015.
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SALMO 3: UM REI EM FUGA
Senhor, muitos são os meus adversários! Muitos se rebelam contra mim! São muitos os que dizem a meu respeito: “Deus nunca o salvará! ” Pausa
Mas tu, Senhor, és o escudo que me protege; és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida. Ao Senhor clamo em alta voz, e do seu santo monte ele me responde. Pausa
Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém. Não me assustam os milhares que me cercam.
Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu! Quebra o queixo de todos os meus inimigos; arrebenta os dentes dos ímpios. Do Senhor vem o livramento. A tua bênção está sobre o teu povo (Salmo 3) (NVI).
Para entendermos este salmo primeiro temos que entender seu contexto e para isso, temos que ir lá para 2 Samuel 15, onde o texto mostra Davi fugindo de seu filho Absalão. A história é muito interessante e eu lhe convido a ler ela inteira, mas basicamente o que aconteceu foi o seguinte.
Absalão faz a cabeça do povo para que assim pudesse tomar o trono de seu pai. E Davi (seu pai) acaba tendo que sair fugido do palácio. Este salmo foi escrito em um momento de estrema angústia e sentimento de fracasso. Imagine que seu filho tente aplicar um golpe e você tenha que sair fugido, foi o que aconteceu. Carson faz uma observação importante sobre este acontecimento:
“Não há dúvida de que Absalão era um líder natural, com muito jeito e habilidade […]. É notável que tenha conseguido persuadir tanta gente em Israel a apoiá-lo e a se voltar contra Davi. […] Absalão também foi habilidoso em conseguir tramar uma conspiração tão ampla sem que os rumores a esse respeito chegassem à corte do rei” (Carson, 2012, p. 502).
Enfim, este gênio do crime quase esmagou seu pai, porém com a ajuda de Deus, Davi conseguiu organizar um exército, derrotar as forças de seu filho e reaver o trono e este salmo foi escrito no calor destes acontecimentos.
Porém, apesar de toda a reclamação e desânimo inicial do salmo, nada mais comum para quem levou um golpe como o dele. Davi continua e exprime sua grande confiança em Deus, que no fim acabou o protegendo desta e de muitas outras situações difíceis.
A vida de Davi não foi fácil, seus problemas familiares, alguns de seus erros e vistas grossas lhe trouxeram algumas graves consequências, mas ele confiava em Deus. Este homem tinha em sua vida um coração aberto para o arrependimento e o recomeço.
O mais curioso quando você lê a história lá em 2 Samuel, é que mesmo que muita gente tenha virado as costas para Davi, ele ainda tinha gente dedicada que não o abandonou. Nós nunca estamos sozinhos quando seguimos sendo justos e bondosos, muitos reconhecem isso e continuam a nos acompanhar.
Não é fácil enfrentar as reviravoltas da vida, mas o que este salmo nos mostra é que mesmo que nosso filho nos abandone, Deus não abandona. Eu nunca vou dizer para você não confiar em homens, afinal, é importante ter amigos de confiança, porém sabemos que se o homem falhar e nos abandonar, Deus não nos abandonará.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013.
PETERSON, Eugene H. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2012.
CARSON. DA. Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.


