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PROFETAS DA PERDIÇÃO
Em um dos meus últimos textos, não lembro bem qual deles, fiz uma colocação: a essência do homem é a mesma em todos os lugares e em todas as épocas. Essa é uma opinião particular, mas estou cada vez mais convencido disso. Essa idéia novamente “saltou aos olhos”, quando li 2ªPedro 2. É simplesmente impressionante como esse capítulo descreve o momento que a igreja protestante está passando, pelo menos no Brasil. Vamos nos ater somente aos quatro primeiro versículos, que já nos dão um panorama da mensagem.
No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. Pois Deus não poupou os anjos que pecaram mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo.
Quando lemos esses poucos versículos, parece que olhamos para a igreja evangélica atual. Mas como o próprio texto afirma, isso não é novidade, pois já aconteciam coisas semelhantes naquela época. Achamos um absurdo quando aparecem pessoas, tais como o Inri Cristo, que afirmam ser o Messias, mas existem mais pessoas dessas. Na época de Cristo, e um pouco antes, também apareciam inúmeras pessoas que arrebanhavam seguidores, pois achavam tratar-se do Salvador. Ou seja, falsos profetas não são novidades. Nas igrejas não vemos pessoas que dize ser o Cristo, mas diariamente vemos “pastores”, “apóstolos”, “bispos” e sei lá mais o que, que pregam o caminho da perdição; eles são verdadeiros profetas da perdição. O Novo Testamento tem muitos textos que nos alertam para heresias. Na carta de Paulo aos Colossenses vemos que muitas das heresias dos falsos profetas são convincentes e parecem fazer sentido. É exatamente o que vemos atualmente.
Esses falsos ensinos são dos mais diversos tipos. Há o legalismo, o evangelho judaizado, a prosperidade, o triunfalismo, as mais diversas manifestações do suposto Espírito Santo e também há o universalismo e outras modinhas. Se por um lado o cristão deve saber conviver com visões teológicas diferentes da dele, por outro deve rejeitar heresias. Temos que conhecer o evangelho de forma tal, que sejamos capazes de diferenciar posicionamentos teológicos divergentes dos nossos, das heresias. Com estas não podemos compactuar. Algumas vezes temos a tendência de relevar muitos posicionamentos, argumentando que são apenas pensamentos e interpretações que divergem um pouco das nossas, mas temos que cuidar pois as heresias são destrutivas e não levam á salvação. Vivemos numa era do “politicamente correto”, da aceitação de tudo em função de sermos bem vistos, Cristo nunca relativizou seu discurso para agradar os ouvidos de ninguém. É claro que devemos dar o direito às pessoas de viverem da forma que queiram e crer naquilo que desejam, mas não podemos concordar com muitos ensinos que se vê nas igrejas.
Citei algumas heresias, mas várias delas são pouco vistas. Mas há duas, as teologias do triunfalismo e da prosperidade que varrem nosso país fazendo estragos irreparáveis à Igreja. Por mais que eu tente, não consigo entender uma pregação baseada nas palavras de Cristo, que ensina que nossa espiritualidade é “medida” pelas posses que temos. Não acho que os discípulos de Jesus devam fazer votos de pobreza, mas a busca por riqueza e ostentação são atitudes que vão contra as bases do cristianismo. Considerando isso, simplesmente não consigo conciliar o cristianismo com pastores e líderes que acumulam fortunas que somam centenas de milhões de reais.Que evangelho é esse? Por um acaso lemos isso na Bíblia? Até há exemplos de pessoas abençoadas financeiramente por Deus, como por exemplo Salomão, Jó, entre outros, mas temos que analisar pelo menos dois aspectos. São exemplos da Antiga Aliança, onde a revelação de Deus ainda não era completa, e principalmente que essas pessoas não buscavam a riqueza. Eram fiéis a Deus, e este os abençoou com riquezas. Mas com certeza, na Bíblia, encontraremos mais exemplos de pessoas pobres e fiéis a Deus do que ricas. Mas como citei, a idéia do trinfalismo e da prosperidade é interessante aos ouvidos dos homens, e para aqueles que conhecem Deus superficialmente esse discurso enganador faz sentido. Pode parecer um papinho legal, mas vejamos o que o texto afirma sobre os enganadores e os que os seguem: “Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram”. Ou seja, são caminhos vergonhosos, onde os “fiéis” são explorados. Não podemos deixar de considerar que os caminhos são vergonhosos tanto para os que os desenham, quanto aos que o seguem. Tenho certeza que Deus revela a verdade à todo aquele que o busca com sinceridade.
Mas será essas teologias são apenas uma forma diferente de interpretar um ou outro texto? Não! As conseqüências são dramáticas tanto para os envolvidos quanto para aqueles cristãos que não tem nada a ver com isso. Lemos que através dessa realidade, o caminho da verdade será difamado. Pergunto: como os evangélicos são vistos hoje em dia na sociedade? Quando alguém se identifica como pastor, qual a reação da maioria das pessoas? Os verdadeiros pastores são difamados, e sendo considerados enganadores, curandeiros e dinheiristas. Será que o que está acontecendo é uma simples coincidência com o que Pedro escreveu a quase dois mil anos? A própria Igreja de Cristo é difamada e muitos não querem saber de Deus pelos exemplos negativos dados pelos profetas da perdição. Isso pode gerar um sentimento de indignação, e até de injustiça em nosso coração, mas os olhos de Deus não estão fechados. O final dos versículos citados e o restante do capítulo de 2ª Pedro relata a ação de Deus diante dos hereges. O juízo de Deus é pesado para aqueles que enganam em nome de Deus. Mas o juízo cabe a Deus e não a nós. Não temos autoridade para julgar as pessoas. Podemos e até devemos avaliar e julgar atitudes, alertar, mas o juízo cabe a Deus, que é perfeito.
A minha e a tua responsabilidade é colocar tudo o que ouvimos à prova diante da Palavra, julgar as mensagens através do evangelho de Cristo e viver a verdadeira Palavra. O grande perigo de seguirmos ensinos contaminados é o que comentei em outro texto. Seremos coniventes, além de estar repetindo um discurso mentiroso, e dessa forma, mesmo que inconscientemente, também nos tornaremos profetas da perdição. Persevere na sã doutrina e seja uma luz da verdadeira esperança na vida dos que te cercam.
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O GRANDE ABISMO – C. S. LEWIS
“Por mais que andasse, só encontrei pensões mesquinhas, pequenas tabacarias, tapumes com cartazes rasgados e caindo aos pedaços, depósitos despidos de janelas, estações sem trens e livrarias do tipo onde se vende As Obras de Aristóteles”
Esta citação é apenas o começo do livro e quantificá-lo é um pouco difícil. O que falar dele, se não que é profundo, inteligente e envolvente, e trabalha com as palavras com uma destreza mil. A obra trata do tema céu e inferno, mas usa uma história como pano de fundo para uma profunda reflexão sobre estas questões. Longe de ser um livro sensacionalista, ou que viaja muito em seus argumentos, o autor, deixa o leitor preso e reflexivo o tempo todo.
Publicado pela editora Mundo Cristão, com 92 páginas.
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QUANDO DEUS NÃO BASTA
O homem tem uma característica interessante. Parece que dificilmente estamos satisfeitos com alguma coisa, e sempre, ou quase sempre achamos que está faltando algo em nossa vida. Se trabalharmos com essa característica da forma correta, podemos ser beneficiados pois buscaremos um constante crescimento. Mas não é o que acontece na maioria das vezes. Temos a tendência de transformar isso em ingratidão. Muitas vezes temos mais do que precisamos e até mesmo que sonhamos, mas na ânsia de conquistar ainda mais, esquecemos de ser gratos por tudo o que temos, e até mesmo de usufruir daquilo que temos. Há inúmeros exemplos de pessoas que tem literalmente milhões e até bilhões de reais, mas vivem ansiosos e preocupados em aumentar os lucros e simplesmente não conseguem aproveitar a vida. Se isso acontecesse somente na área material, dos males seria o menor. Nossa vida não é segmentada e geralmente agimos em todas as áreas com os mesmos critérios e com o mesmo pensamento. Quem nunca valoriza a vida que tem, dificilmente valorizará as pessoas que fazem parte de sua vida, e pior, nem Deus é suficiente.
Acredito que a maioria conhece a história do povo hebreu. Geralmente conhecemos ao menos os principais acontecimentos, tendo uma visão global da vida desse povo. Mas vamos lá; vamos recapitular alguns detalhes. Deus quis revelar-se ao homem, e tomou a decisão de criar um povo exclusivamente para isso. Ele queria uma nação que não apresentasse traços culturais religiosos dos que já existiam na terra. Ele chamou Abrão, que foi o início de tudo; ele teve alguns filhos, e entre eles, Isaque foi aquele escolhido para dar seqüência à genealogia do Messias. Isaque teve dois filhos, Esaú e Jacó, sendo que os 12 filhos deste eram origem das tribos do povo hebreu. Esse povo ficou cativo por 400 anos no Egito, e foi liberto por Moisés que preparou Josué para sucedê-lo na liderança do povo. E foi com Josué adiante do povo, que a terra prometida foi conquistada. Deus sempre se manifestava diretamente ao líder do povo e as promessas do Senhor foram se cumprindo. Depois de Josué, Israel foi liderada pelos juízes, que podemos dizer que eram os representantes de Deus para o povo. Quando o juiz Samuel estava velho e instituiu seus dois filhos como juízes, as coisas não foram bem. Eles não faziam a vontade de Deus e o povo de Israel pediu que Samuel levantasse um rei para Israel, já que todos os outros povos tinham um rei. Para eles, Deus não era suficiente. Queriam uma autoridade humana, alguém palpável e visível para os liderar. Esse relato encontra-se em 1ª Samuel 8. Apesar de ser algo que ia contra a vontade de Deus, ele permitiu que Samuel ungisse um Rei, mas ordenou que Samuel advertisse o povo dos direitos do rei e como o reinado iria funcionar. Nos versículos 18,19 e 20 vemos o final do discurso de Samuel e a resposta do povo: “Naquele dia, (quando o povo estiver vivendo no regime que escolheu) vocês clamarão por causa do rei que vocês mesmo escolheram, e o Senhor não os ouvirá. Todavia, o povo recusou-se a ouvir Samuel e disse: Não! Queremos ter um rei. Seremos como todas as nações, um rei nos governará, e sairá à nossa frente para combater em nossas batalhas”. A resposta de Deus foi mais ou menos a seguinte: Se é o que eles querem, então ok….que tenham. O restante da história todos conhecemos. Israel teve poucos reis que realmente se importavam com o povo; a grande maioria eram tiranos, opressores, corruptos e o povo sofreu muito. Não é à toa que os reinos do Norte e do Sul caíram.
Mas o que isso tem a ver com a minha e a tua vida? Acho que tem tudo a ver, pois muitas vezes repetimos a atitude do povo de Israel. Talvez não pedindo reis para nossa vida, mas somos iguais quando temos atitudes que evidenciam que Deus não é suficiente para nos guiar pela vida. É claro que um dos princípios básicos de uma vida saudável é o equilíbrio. Não estou me referindo a ter uma vida com Deus alienando-se do mundo como se vivêssemos 27 horas por dia no sobrenatural e se já estivéssemos na eternidade. Mas o fato é que, de uma forma geral, o cristão vive muito mais em função de si, no aqui e agora, do que em função de Deus. Dizemos que confiamos em Deus, mas temos uma imensa dificuldade de viver na sua dependência. Fazemos pedidos e quando Deus responde, queremos outra resposta. E assim como o povo que pediu um rei, buscamos algo a mais para ancorar nossa vida.
Talvez a área que mas evidencia isso sejam a financeira. É normal que nos preocupemos, afinal Deus não quer que sejamos irresponsáveis. Mas o que se percebe é que a grande maioria dos cristãos dão um valor demasiado ao que é material. O ciclo de vida do homem é mais ou menos esse: desde cedo estuda, estuda, para conseguir um bom emprego para conseguir um salário legal. O próximo passo é trabalhar muito para ter um carro, uma casa e conseguir se estabilizar. Quando consegue o seu objetivo é continuar estudando, se preparando para ganhar ainda mais, para que garanta o que já tem, com medo de perder. Com o passar do tempo a preocupação passa a ser a velhice, a aposentadoria e se investe o restante da vida nisso. Enquanto isso, a família, os amigos e até Deus ficam esperando sua vez chegar. É claro que é bom planejar a vida e investir na área profissional, mas, como falei no inicio tudo demanda equilíbrio. Parece que não confiamos em Deus e tentamos garantir que, caso Ele falhe, nosso plano nos salve. O que ocorre é que dessa forma nossa vida com Deus é que falha. Quando enfim se pára (se realmente se pára), percebe-se que a vida passou e não sobrou muita coisa. Só uma vida de trabalho e sonhos enterrados pois nunca se teve tempo para eles, e muito menos para Deus.
Outro aspecto interessante que ocorre nessa área, de Deus não nos bastar, é a questão pessoal. Somos relacionais e precisamos de outras pessoas. Deus nos fez para vivermos na coletividade, em comunhão com os outros, mas algo que é muito comum nas igrejas, é que as pessoas tentam substituir Deus pelo pastor ou outro líder. Precisamos dessas pessoas a nosso lado, mas são simples pessoas. Nosso relacionamento com Deus deve ser mais intenso do que com o pastor. Mas parece que é mais fácil confiar na figura do pastor do que em Deus, afinal conseguimos ver e até tocar no pastor. Qualquer probleminha que se tenha, e lá vai o povo correndo para o pastor. Até parece que são discípulos do pastor e não de Cristo. Quando falo pastor, entenda-se qualquer outra pessoa com ascensão espiritual. Uma situação que beira o ridículo, que não é rara de ser vista, é quando um irmão chega para o pastor ou para outra pessoa e pergunta: Deus me disse que devo fazer isso; o que você acha? Quanta estupidez!!! Se foi Deus que disse, porque perguntar a opinião de outra pessoa? Das duas uma: ou a pessoa não tem certeza que foi Deus que disse, ou não confia mais na resposta que a pessoa vai dar do que o que Deus falou.
Esses podem ser simples exemplos, mas por mais inocentes que possam parecer evidenciam que em boa parte dos casos a igreja cristã vive uma vida de superficialidade. O ensino de Cristo é que tenhamos uma comunhão íntima com Deus e que isso é suficiente para que sejamos felizes. A comunhão com outros irmãos, e as outras áreas que envolvem a vida da igreja são conseqüência da nossa vida com Deus. Quando Deus nos basta, as outras peças da vida se encaixam naturalmente, mas quando nossa vida com Deus é rasa, buscamos suprir nossa necessidade escolhendo reis para nossa vida. Escolher reis é afirmar que Deus não é suficiente. O meu e o teu chamado é sermos discípulos de Cristo, tendo uma vida aos pés da cruz. A partir do momento que realmente tivermos intimidade e conhecermos Deus, veremos que Ele é suficiente para suprir tudo o que necessitamos, pois Deus nos basta.
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QUANDO A TEOLOGIA CISMA
Se há uma capacidade que o homem tem, é de complicar as coisas. Muito do conhecimento que o homem adquiriu e da inteligência que desenvolveu, se esvaem pela falta de sabedoria em saber lidar com o que ele aprendeu. É mais ou menos o que diz aquele ditado: “Pra que simplificar se posso complicar?”. É exatamente isso que o homem gosta de fazer. Isso atrapalha muito a vida de todos nós e torna-se mais impactante quando essa atitude alcança o ambiente da igreja.
A teologia é uma ferramenta maravilhosa que nos auxilia na compreensão um pouco maior sobre Deus e seu reino. Nunca conseguiremos compreendê-lo em sua totalidade pelo simples fato de ele ser Deus e nós sua criação. Mesmo sabendo que nunca o entenderemos completamente, devemos conhecê-lo da forma mais profunda que conseguimos, e, como falei, a teologia pode nos auxiliar nesse objetivo. Mas aí é que começa a confusão; o que é uma ferramenta passou a ser regra de fé para muitos. Temos um exemplo que ocorreu em 1517, quando o padre católico Martin Lutero tomou a iniciativa de propor uma reforma na igreja católica romana, que, em seu entendimento, estava se desviando do caminho da verdade. Em momento algum Lutero tinha como objetivo romper com a igreja romana para fundar uma nova religião. Ele propôs uma reflexão e queria colaborar para que a igreja voltasse ao caminho de onde ela se perdeu. O resultado é conhecido por todos. Não estou afirmando que ele errou, mas chamando atenção para a incapacidade que o homem demonstra em refletir e até mesmo conviver com opiniões divergentes.
É óbvio que quando o assunto é Reino de Deus, há princípios inegociáveis aos quais não se pode ceder. Mas, olhando para a igreja protestante, vejo uma cisão tão grande, ou talvez até maior, do que a que ocorreu em 1517. Citei essa data somente como exemplo, mas há relatos que já no primeiro século da era cristã acontecia algo semelhante. Basta lermos um pouco da Bíblia para percebermos que o homem é o mesmo em todo lugar e em todas as épocas. Em 1ª Coríntios 1,10-13 vemos que acontecia exatamente isso naquele igreja. “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês, e, sim, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer. Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há
divisões entre vocês.Com isso quero dizer que cada um de vocês afirma: “Eu sou de Paulo”; “eu de Apolo”; “eu de Pedro”; e “eu de Cristo”. Acaso
Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” Não estou propondo uma igreja uniforme, mas uma igreja com unidade. É aquele chavão que conhecemos muito bem, mas que infelizmente não conseguimos viver: “Unidade na diversidade”.Paulo é muito claro em afirmar que em Cristo não pode haver divisão. Podemos perfeitamente conviver com opiniões teológicas diferentes e não é errado termos opiniões divergentes. Mas o problema começa quando o reino de Deus se divide por essas opiniões. Quando você e eu não conseguimos conviver com opiniões contrárias, fica comprovado que pelo menos um de nós está vivendo mais em função de uma linha teológica do que em função de Cristo. É comum vermos cristãos históricos não conseguindo relacionar-se com os pentecostais (e vice versa), calvinistas e arminianos em uma infindável batalha, pós-milenistas saindo no tapa com pré-milenistas e amilenistas, e por aí vai. Em outras palavras, as idéias de teólogos que propuseram, falam mais alto na vida das pessoas do que o evangelho que Deus pregou e viveu. Concordamos com Paulo nesse texto de 1ª Coríntios, mas no dia a dia agimos como se Lutero, Armínio, Calvino, Wycliffe, Tauler, Huss, Edir Macedo ou sei lá quem tivessem morrido crucificados para nos justificar. Podemos e até mesmo precisamos de opiniões e convicções teológicas, mas a partir do momento em que se passa a desrespeitar um irmão em Cristo, ou se afastar dele por esse motivo, defendendo outra bandeira, é porque se está no caminho errado e se deixou de olhar para a cruz. Se carregamos o nome de Cristo, que vivamos por ele, e não por teologias. Nenhuma teologia tem condições de transformar a vida de uma pessoa; é Cristo que transforma.
Quando a teologia é utilizada para discussões vãs, ela é uma ferramenta muito eficaz nas mãos do diabo para dividir a igreja, ao invés de ser uma ferramenta através da qual podemos conhecer mais a Deus. Você e eu temos que cuidar para não sermos enganados para tirarmos os olhos e o coração de Deus e vivermos nossa fé em função da teologia. Nos achamos sábios o suficiente para não cair nessa armadilha, mas o diabo é astuto, falando e até mesmo pregando em nome de Deus e assim consegue enganar muitos. Tome cuidado quando a pessoa que tem ascendência espiritual sobre tua vida dá uma ênfase exagerada em alguma teologia. Na grande maioria das pessoas esse é o primeiro passo para tirar teus olhos da cruz e lançá-los sobre homens. Se somos cristãos, que vivamos por Cristo e não por teologias.
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O HOMEM E SEU ORGULHO
Por muitos anos toquei bateria nos cultos da igreja onde eu estava. Nunca fui um grande baterista, mas eu me virava. Como digo, dava pra “enganar” bem. Em certa ocasião eu sabia que um amigo de quem eu gostava muito ia ao culto. Ele não era cristão e eu estava feliz que ele iria ter a oportunidade de ouvir a palavra de Deus naquela noite. O ensaio do ministério de louvor era no próprio domingo, algumas horas antes do culto e quando vi as músicas que iríamos tocar me animei. Eram músicas que eu gostava, e que eu tocava sem dificuldade; dava pra tocar com a mão esquerda e de olho fechado. Ao ver a lista das músicas, a primeira coisa que passou por minha cabeça foi: “Legal…hoje vou arrebentar; meu amigo vai ver o quanto eu toco”. O ensaio foi super tranqüilo, mandei ver e na hora do culto travei e errei tudo. Eu conseguia errar as músicas mais simples e as mais ridículas de serem tocadas. Acho que nunca fui tão mal como naquele dia. Saí super pra baixo, pois dei vexame, e ao sentar no meu lugar, como se fosse uma voz, ouvi em meu coração: “É… deixei você tocar e eu vi como você toca bem”. Esse episódio foi uma grande lição para minha vida.
Uma das características do ser humano é exatamente a que eu tive: a autonomia. Não queremos depender de nada e de ninguém e a idéia do “eu faço acontecer” é muito popular nos dias de hoje. É claro que precisamos de atitude e determinação em todas as áreas da vida, mas se não cuidarmos da questão da autonomia, ela nos leva a sermos soberbos. Em minha opinião a humildade é um dos pilares do cristianismo. A humildade em admitir a falência do ser humano e da própria incapacidade deste administrar sua vida; humildade em reconhecer quem somos neste vasto universo e principalmente diante de Deus. Não passamos de um grão de pó. Só com humildade reconhecemos que necessitamos de Deus para que tenhamos uma qualidade de vida para a qual fomos criados. É claro que humildade não é sinônimo de auto-estima baixa. Humildade é olhar para Deus, para nós mesmos e ter consciência de quem somos diante do Criador. Esses são apenas alguns dos argumentos pelos quais tenho certa dificuldade em entender que alguém que se considera um discípulo, um seguidor de Cristo e de suas atitudes, seja arrogante. Se o próprio Deus encarnado veio como servo, lavando os pés de seus discípulos, como é que nós temos a ousadia de nos julgar melhores que nosso próximo?
Conforme a definição encontrada em dicionários, soberba, ou arrogância, é a atitude de quem se acha superior aos outros. Por mais contraditório que possa parecer, essa é uma atitude relativamente comum de ser encontrada entre os cristãos e até mesmo nos discursos e pregações que vem dos púlpitos. Certa vez, durante uma pregação, vi um pastor bater no peito e em tom de desafio disse em alta voz: “Desafio qualquer pastor ou teólogo para discutir comigo. Aqui não tem pra ninguém”. Quando vi e ouvi isso, fiquei triste, pois se tratava de uma pessoa arrogante, que de púlpito estava pregando a arrogância. Voluntária ou involuntariamente estava ensinando sua igreja a ser arrogante, já que as atitudes falam mais que palavras. Em outra ocasião, eu estava conversando com um colega sobre as dificuldades da vida cristã. Ele compartilhou uma luta que teve naquela semana, a qual conseguiu superar, e também batendo no peito, disse: “O diabo pode vir pra cima de mim que não tem pra ele. Aqui tem café no bule”. Pensei… quanta arrogância!. Coincidência ou não, poucos meses depois disso ele caiu em um vicio que já tinha largado, e voltou a consumir entorpecentes. Infelizmente a minha atitude ao tocar bateria, ou pelo menos querer tocar bem, a do pastor e desse meu colega são comuns nas igrejas. Mas o maior problema não é termos atitudes arrogantes, afinal não somos perfeitos e isso pode acontecer vez ou outra. O grande problema é ter um coração arrogante e não admitir isso. Tenho um amigo que me confidenciou que ele se acha arrogante, mas que sabe que isso não é certo e que ele luta contra isso. Não sei se ele é arrogante, mas por mais paradoxal que possa parecer, ele teve humildade em admitir sua arrogância e luta contra isso. Acho que essa é a atitude que o cristão deve ter diante das dificuldades.
O evangelho que deve quebrantar e deixar o homem prostrado diante da cruz, muitas vezes é desculpa para que ele tenha postura arrogante. Quantos cristãos são prepotentes justamente pelo fato de serem cristãos. Por serem filhos de Deus, ou pelo menos acharem isso, se julgam melhores que os não cristãos. Também há aqueles que, seguindo uma linha teológica, se julgam mais espirituais que outros irmãos, por falarem em línguas dos anjos. E ainda tem a petulância de afirmar isso. Bem… particularmente acho que quem afirmar algo assim já dá sinais claros que não conhece muito bem as escrituras, e uma vez que não se conheça a Bíblia, a tendência é que realmente se fique arrogante. Quando lemos e estudamos a Palavra de Deus com mais atenção, nos deparamos com textos onde Deus deixa muito claro que ele tem muitas dificuldades com pessoas arrogantes. Eu poderia listar aqui dezenas, talvez até centenas de passagens bíblicas que falam da aversão que Deus tem pelas pessoas soberbas. Um dos versículos que mais me marca é Tiago 4:6, onde lemos que Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes. É uma palavra forte, onde Deus tem uma atitude voluntária de não querer relacionar-se com uma pessoa que não é humilde. Não sou Deus e não sei detalhadamente como ele age com pessoas soberbas mas esse versículo nos dá uma boa pista. Deus resiste, ou seja, ele não quer. Alguns dias depois que fiquei sabendo que aquele meu amigo que desafiou o diabo e que depois voltou a usar drogas, me deparo com Provérbios 16,18-19:
“O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. Melhor é ter espírito humilde entre os oprimidos do que partilhar despojos com os orgulhosos”.
Em outra tradução lemos que o orgulho precede a queda, e foi exatamente isso que aconteceu com esse colega. Não estou aqui julgando esse ou aquele, mas citando exemplos que podem acontecer com qualquer um de nós.
Quando olhamos para a Bíblia, vemos um Deus que se humilhou e veio em carne para servir ao homem. Ele chegou a lavar os pés dos discípulos, algo que era feito pelo mais simples dos servos de uma casa. Não existia função mais humilhante do que lavar os pés das pessoas, mas com aquela atitude Cristo mostrou quem ele era e quem devemos ser. Outro exemplo é o apóstolo Paulo. Se por um lado seu discurso inflamado algumas vezes pode parecer um tanto quanto prepotente, lendo 2ª Coríntios 12,7, vemos uma pessoa consciente ao afirmar que Deus não retirou o espinho de sua carne para que ele não se exaltasse por ter tido revelações da parte de Deus. Isso é de humildade. Paulo sabia que talvez tivesse a tendência de ser orgulhoso por tudo que estava acontecendo com ele, mas Deus permitiu essa situação para que ele lembrasse que era dependente de Deus. Por uma questão e tempo e espaço nessa coluna, é inviável citar e comentar muitos textos bíblicos que tratam desse tema, mas garanto que são muitos.
Como falei, tenho certa dificuldade em conciliar orgulho e arrogância com o evangelho que Cristo pregou e principalmente viveu. Acho contraditório uma pessoa ter uma postura de humildade perante Deus e menosprezar seu irmão. Se a Bíblia fala que é impossível amar a Deus sem amar seu próximo, talvez também não possamos ser humildes diante de Deus e orgulhosos com os que nos cercam. Como já citei, acho louvável quando alguém identifica esse problema em sua vida e luta, tentando mudar. Não quero e nem posso julgar esse ou aquele, pois isso cabe e a Deus. Só estou abordando um assunto que acho muito relevante. Basta lembrar que o diabo caiu por orgulho e a queda do homem também ocorreu por ele quer ser mais do que realmente era, queria ser como Deus. E infelizmente o assunto orgulho é pouco tratado nas igrejas. Fico triste e tenho dificuldades com pessoas que são arrogantes e fecham os olhos para isso, ou aqueles que até sabem, mas simplesmente acham que todos devem aceitá-los assim e acreditam que não precisam mudar. Talvez boa parte das pessoas até as aceitem e façam vistas grossas a esse tipo de atitude, mas resta saber a atitude de Deus, já que o orgulho precede a queda.
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RELIGIÃO x DEUS
Baseada no senso comum, a ideia de uma pessoa ser religiosa é positiva, e descrever alguém como sendo religioso soa como um elogio. Mas será que essa ideia é verdadeira ou se trata apenas de mais um conceito que tem o senso comum como fundamento?
Às vezes é difícil separar a ideia de Deus da religião,e é quase impossível conceber a existência de Deus sem lembrar da religião. A própria definição da palavra religião remete a isso, pois uma das definições de religião é:
“comportamento moral e intelectual que é resultado dessa crença.
Reunião dos princípios, crenças e/ou rituais particulares a um grupo social, determinado de acordo com certos parâmetros, concebidos a partir do pensamento de uma divindade e de sua relação com o indivíduo”.Considerando essa definição, realmente não há como dissociar religião e Deus. mas na prática isso pode ser possível. Em uma determinada ocasião, meu amigo e autor desse blog, Guilherme, disse algo que chamou minha atenção. Ele disse que, em sua opinião, o ativismo não é benéfico, pois na grande maioria dos casos, o foco passa a ser o movimento e não a causa. Achei isso muito interessante, refleti sobre isso e sou obrigado a concordar. É claro que não podemos generalizar, mas na maioria dos casos é exatamente isso que ocorre. É comum que o ativismo leva a um extremo, e o movimento que visa o bem de determinada causa acaba prejudicando a mesma. Como não podia deixar de ser, algo semelhando pode ocorrer com a religião, que, em alguns casos, passa a ser mais importante que seu foco que é religar o homem a Deus. Particularmente acho que é nesses casos que podemos afirmar que está ocorrendo a religiosidade. Não sei se essa é a definição técnica do termo, mas pessoalmente entendo assim, o que me leva a ter uma impressão negativa da palavra religiosidade.
Sempre falo que a essência do homem é a mesma em qualquer lugar do mundo e em qualquer época da história. Da mesma forma que, lendo a Bíblia, vemos o povo judeu vivendo mais em função da religião do que da vontade de Jeová, atualmente também vemos muitos cristãos defendendo com unhas e dentes a igreja ou a denominação a qual pertencem, e quando o assunto é Deus, sua conduta é mais “light”. Quando isso ocorre, acontece algo que pode parecer contraditório, que é o homem afastar-se de Deus através da religião. É contraditório, pode parecer incoerente, mas isso acontece. Vejamos um trecho da Bíblia. O profeta Malaquias teve seu ministério após o período do exílio babilônico. Parte do povo hebreu que foi levado cativo à Babilônia voltou para Jerusalém para reconstruir a cidade e a própria nação. A cidade estava em ruínas, e o próprio templo, o maior símbolo religioso dos judeus da época, havia sido derrubado, e depois de muita enrolação do povo judeu, ele foi novamente reedificado. A reconstrução do templo foi interrompida durante muitos anos, pois o povo passou a investir na sua própria vida deixando a casa de Deus de lado. Isso mostra que, além de deixar o templo em segundo plano, o próprio Deus também não era prioridade na vida do povo. Mas, paradoxalmente, os ritos do judaísmo eram realizados “religiosamente”. Ou seja, vivia-se a religião sem buscar a Deus. O que será que Deus achava disso? Vamos dar uma olhadinha em Malaquias 1,6-10. Lendo esse fragmento do livro podemos ter idéia de como Deus vê o homem que vive sua religião sem ter vida com ele.
“O filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem? “pergunta o Senhor dos Exércitos a vocês, sacerdotes.” São vocês que desprezam o meu nome!” Mas vocês perguntam: “De que maneira temos desprezado o teu nome?” Trazendo comida impura ao meu altar! “E mesmo assim ainda perguntam”: “De que maneira te desonramos”. Ao dizerem que a mesa do Senhor é desprezível. “Na hora de trazerem animais cegos para sacrificar, vocês não vêem mal algum. Na hora de trazerem animais aleijados e doentes como oferta, também não vêem mal algum. Tentem oferecê-los de presente ao governador! Será que ele se agradará de vocês? Será que os atenderá?” pergunta o Senhor dos Exércitos. “E agora, sacerdotes, tentem apaziguar a Deus para que tenha compaixão de nós! Será que com esse tipo de oferta ele os atenderá?”, pergunta o Senhor dos Exércitos.
“Ah, se um de vocês fechasse as portas do templo. Assim ao menos não acenderiam o fogo do meu altar inutilmente. Não tenho prazer em vocês”, diz o Senhor dos Exércitos, “e não aceitarei as suas ofertas”.Talvez esse texto seja um dos mais duros de toda a Bíblia. Deus formou o povo judeu para revelar-se aos demais povos do mundo, e diz para esse povo que não vai aceitar o sacrifício deles pois estão longe dele. E diz mais; seria melhor que fechassem as portas do templo, que nem entrassem lá para não trazer sacrifício inútil a Deus. São palavras muito duras da parte de Deus, mas que expressam o que ele acha da prática da religião quando o coração do homem está longe de Deus. Alguns podem argumentar afirmando que se trata de um texto do Antigo Testamento, e que estamos no tempo da graça e que as coisas são diferentes. Em alguns aspectos isso pode ser verdade, mas aqui não estamos diante de usos e costumes ou de questões cerimoniais que se aplicam a determinadas situações. O que está em jogo é a postura do homem diante do seu criador e isso é atemporal. Caso alguém ainda não se convença, é interessante que atente para o que encontramos em Apocalipse. Deus traz uma exortação à igreja de Éfeso. Tratava-se de uma igreja muito atuante a qual podemos dizer que era “séria”. Trabalhava de forma árdua, perseverava, não aceitava o mal, sabia distinguir os falsos profetas, que não tinham vez no seu meio, suportava sofrimento em nome de Jesus e não desfalecia. Ou seja, uma igreja “cheia de moral”; mas atente ao que vem a seguir: “Contra você, porém, tenho isto; você abandonou o seu primeiro amor”. Um pouco adiante Deus pede para que a igreja veja onde caiu, caso contrário tirará o seu candelabro da igreja. O amor, ou primeiro amor, é o principal mandamento de Deus. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo resume toda a lei, e quando isso não foi uma prática e quando os olhos não estavam mais totalmente em Deus, a igreja de Éfeso corria o risco de deixar de ser igreja. Temos que lembrar que trata-se de uma afirmação do próprio Deus.
Olhando para a igreja evangélica contemporânea, vemos templos lotados, com muita música, ministérios de louvor que dão verdadeiros shows, alguns até cobram muito para ”louvar” em outras igrejas. Vemos festa, alegria, pessoas chorando e se emocionando, mas será que o coração delas está em Deus? Será que o que as leva aos cultos é o desejo e até mesmo a necessidade de cultuar Deus, de ter um momento especial de entrega e ter uma verdadeira comunhão com a Igreja de Cristo, ou se vai aos cultos para receber alguma bênção ou ter um tempo legal com amigos? Muitas igrejas não passam de meros movimentos religiosos, que causam certa agitação na vida das pessoas, mas que são incapazes de impactar a sociedade, transformando-a através do evangelho. Marcam pela grandiosidade do trabalho, dos templos majestosos e da quantidade de pessoas que lá vão, mas o candelabro já foi jogado fora a muito tempo e eles nem percebem isso. Cuidado quando a vida de uma igreja é baseada na promoção de programações e eventos. Eventos são importantes, mas não podem ser a base da igreja.
Olhando para esse aspecto da igreja, nosso coração se enche de crítica, e muitas vezes com razão. Mas não podemos esquecer que você e eu somos parte dessa igreja, e sem perceber podemos estar repetindo essa atitude. Como sempre falo aqui, a correria e a dinâmica da vida nos engolem e muitas vezes não temos mais tempo para Deus. Será que você e eu investimos ao menos 1 hora por dia para um tempo de intimidade com Deus? 1 hora é muito? Será então que temos 30 minutos por dia para Deus? Que tipo de vida com Deus estamos tendo se não passamos 30 minutinhos com Deus? Sempre menciono a vida devocional, pois ela é o melhor termômetro para verificar como está nossa vida com Deus. Se a igreja está nessa situação, é porque boa parte de seus membros estão assim. Será que nós estamos nessa lista?
Ir a todos os cultos, nos grupos de estudo, nas vigílias, trabalhar em cinco ministérios e não ter intimidade com Deus é a mesma coisa que os judeus da época de Malaquias faziam. A palavra que Deus deu a Malaquias foi para chamar seu povo para uma real vida com ele, e acredito que estamos precisando de um profeta com o mesmo discurso. A Igreja só será atuante se os cristãos que a formam tiverem vida comprometida com o Reino de Deus. Acho que é bom darmos uma parada para refletir e avaliar como está nossa vida. Será que você e eu somos discípulos de Cristo ou somente pessoas religiosas?
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ALVO
O que define o ser humano das outras espécies é a sua capacidade de pensar e tomar decisões, diferente dos outros seres vivos que agem por instinto. O inevitável é que vivemos colhendo frutos destas nossas escolhas. Seja no âmbito profissional, familiar ou amoroso. É imprescindível tomar decisões, é irremediável também conviver com o resultado e isso constantemente esquecemos, sem contar que escolher é sempre um desafio, como diz uma frase que eu li outro dia, só não sei de quem é:
“Escolher é sempre perder”.
Concordo com esta frase, pois quando você escolhe uma coisa, fica sem a outra, de uma maneira ou outra você perde. É por isso que é imprescindível ter um alvo, um propósito, para não seguir colhendo frutos sem gosto algum. Martin Luther King disse:
“Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver”.
Martin dispensa apresentações. Viveu sua vida combatendo o racismo na América e acabou assassinado por isso. E a sua vida me traz uma grande inspiração, bem como a vida de muitas outras pessoas como: Madre Tereza, que viveu seus dias cuidando de doentes, ou os muitos missionários, que levam a vida cuidando de pessoas e levando a palavra de Deus a eles. O que me leva a seguinte reflexão:
Qual tem sido o meu propósito de vida? Pois estas pessoas sabiam o porquê viviam.
Vivemos neste mundo tão no automático, que esquecemos o verdadeiro motivo de viver, e qual o legado que deixaremos para amigos e familiares. A pergunta que temos que sempre nos lembrar é: Para o que nós nascemos?
Se for para ser apenas um Pai, ótimo, então se dedique, leia, cresça como pai, de atenção e exemplo ao seu filho, seja o melhor. Ou quem sabe o seu propósito de vida seja apenas trabalhar na igreja, ótimo também, a obra precisa de pessoas assim, mas seja o melhor, estude, leia, aprenda, seja relevante, não faça as coisas apenas por fazer. Muitas vezes não nos desenvolvemos por não saber o que queremos e não ter um alvo, uma direção a seguir. Afinal buscar apenas sucesso profissional, um bom salário ou uma boa empresa para trabalhar não é tudo, é um propósito pequeno demais para se ter, não temos tempo para isso e como o ditado diz:
“Quem não sabe quanto tempo tem, tem muito pouco tempo”.
Não podemos perder o nosso tempo, e para que isso não possa acontecer, não podemos viver apenas por viver. Se não tivermos um alvo, um propósito, estaremos apenas ocupando espaço. Paulo em filipenses 3:13-14, fala sobre alvo:
“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”.
Esta passagem fala claramente sobre ter propósitos e não desistir. E o autor da passagem deixa claro que o propósito da sua vida é fazer a vontade de Deus. E não é só isso, ele aprendeu a seguir em frente, superar obstáculos ou acontecimentos e não se desviar de sua missão, tudo porque ele sabia quem servia e o que devia fazer. Constantemente fazemos isso, focamos nos problemas ou nos bons momentos, e esquecemo-nos de seguir em frente. E só é possível seguimos realmente, se tivermos em mente, bem gravado em nossa vida o nosso propósito de viver. Quando descobrimos o porquê vivemos, seguimos bem. É por isso que deixo a pergunta que deve ecoar em nossa mente sem parar: Qual é o nosso propósito? Qual é o sentido da nossa vida? Sempre se lembrando que não podemos perder tempo, afinal não temos tempo para perder, como diz no livro de Mario Sergio Cortella: Não se Desespere, onde ele cita um trecho da obra de Monteiro Lobato: Memórias de Emília, que inclusive eu li quando era criança:
“A vida senhor Visconde, é um pisca-pisca. A Gente nasce, isto é começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim e morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos, viver é isso. É um dorme e acorda, até que dorme e não corda mais”.
Quando temos um propósito e quando buscamos em Cristo o real motivo de viver, este dorme e acorda ganha sentido, e fazer a vontade de Deus é o melhor caminho!
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AMOR INTOLERANTE
A sociedade está passando por uma transformação muito profunda. As transformações são cíclicas na história da humanidade, sendo que esses ciclos são cada vez mais curtos e as mudanças são rápidas. A cinqüenta anos atrás o ritmo do mundo era outro. Tínhamos as mesmas 24 horas no dia, mas parece que os ponteiros dos relógios eram mais lentos. As mudanças das quais estou falando são constantes e parece que nos últimos dez anos o homem, pelo menos o ocidental, mudou profundamente sua forma de pensar, e conseqüentemente de viver.
Em momento algum da história, o homem contou com tantos recursos, com tantas formas de se comunicar, como hoje. No Brasil, mesmo com uma população não muito privilegiada, quando o assunto é poder aquisitivo, há mais aparelhos de telefone celular que pessoas. Isso já é uma referência da facilidade que temos de nos comunicarmos com nosso próximo. Existem diversas redes sociais e outros recursos que nos permitem uma aproximação maior com outras pessoas. Porém, paradoxalmente, acredito que nunca o homem esteve tão distante de seu próximo como hoje. O consumismo, que começou a crescer a largos passos a partir dos anos 60, fez com que o homem deixasse de investir em pessoas para fazê-lo em coisas. Isso é facilmente verificado quando olhamos para os relacionamentos atuais. Verdadeiras amizades são raras, a relação pais e filhos é cada vez mais rasa, e até mesmo os casamentos não são mais levados a sério. A própria sociedade propõe um modelo que está minando as bases do relacionamento humano. E como já citei em outros textos, esses fenômenos chegam à igreja e em muitos casos ditam a conduta de seus fiéis.
Quando olho para a mensagem da Bíblia vejo um tema que me salta aos olhos: relacionamento. No paraíso o relacionamento homem-Deus era perfeito e com muita astúcia satanás conseguiu quebrar essa comunhão. Mas Deus não desistiu e continuou relacionando-se com o homem, deixando claro que o queria a seu lado. O ápice desse relacionamento foi o envio de Cristo para resgatar o homem das garras do pecado e restaurar seu relacionamento com ele. Essa foi a grande missão de Cristo. A prática do cristianismo envolve relacionamento. Quando os discípulos perguntaram a Jesus qual o maior dos mandamentos, ele foi logo citando os dois mais importantes, que são amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O amor está intimamente ligado a relacionamento, pois não podemos amar sem relacionar-nos com alguém. Não conseguimos fazer pare da igreja de Cristo se não nos envolvermos com pessoas. Os cristãos sempre vivem em uma tensão entre a cosmovisão do mundo no qual vivem, e os princípios estabelecidos por Deus. A vida acaba sendo como uma corda que está sendo usada em uma prova de cabo de guerra, onde dois princípios distintos puxam o cristão para lados opostos. Isso também ocorre na área do relacionamento. Se a sociedade nos ensina que o que importa é sermos felizes e que devemos fazer tudo para alcançar essa felicidade, o cristianismo nos chama para desistirmos de nós mesmos e vivermos em função da vontade de Deus, amando nosso próximo e vivendo em comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Uma das vontades divinas expressas na Bíblia é a vida em comunidade.
Mas uma fragmentação da sociedade também ocorre na igreja de Cristo. Em nome da igualdade e dos direitos, a sociedade é dividida em pequenos grupos onde cada um reivindica seus direitos. A própria legislação brasileira contribui para essa fragmentação quando cria leis onde pessoas são julgadas dependendo do grupo em que estejam. Como exemplo tempos um grupo seleto de pessoas que não são julgadas pelos seus crimes como outros cidadãos, pois tem imunidade parlamentar. Também há distinção de alguns direitos dependendo da etnia e até a tal da “orientação sexual” das pessoas. Ao invés de promover igualdade, esse conceito do “politicamente correto” tem separado as pessoas e esses pequenos grupos começam a apresentar dificuldade em conviver com os outros de forma madura. Como os cristãos vivem inseridos nesse modelo, passam a ser contaminados com a fragmentação social o que traz conseqüências cada vez mais visíveis na vida da igreja.
Se por um lado a sociedade promove a idéia para que as pessoas se dividam em grupos onde cada um vive em seu gueto, Deus nos chama para vivermos uma vida comum, afinal, a fé o que nos une é muito maior que os detalhes que tentam nos separar, afinal a fé provém de Deus e esses detalhes são picuinhas humanas. Mas infelizmente não é o que se vê, e em boa parte dos casos percebemos irmãos que professam a mesma fé, simplesmente não conseguem conviver com os outros de forma madura. A Bíblia está recheada de ensinos e exortações para que vivamos em comunhão, mas parece que teimamos em fazer o oposto. A própria fé é motivo para que não consigamos nos relacionar com nosso próximo. Cristãos de igrejas históricas não aceitam os pentecostais, que por sua vez também menosprezam os gélidos irmãos tradicionais. Evangélicos se acham no direito de determinar que nenhum católico herdará o reino de Deus, enquanto que estes também se referem ao protestantismo como sendo uma seita. A guarda de um determinado dia da semana, o tipo de alimentação, a cultura, a forma de se vestir e até mesmo o estilo musical que se ouve, são motivos para mandar pessoas para o céu ou para o inferno; e o pior de tudo é que tudo isso é feito em nome de Deus. Enquanto isso, assentado à direita de Deus pai, Jesus olha para tudo isso e deve pensar: “Eles não entenderam nada!”
Não estou propondo o universalismo da fé ou a união das religiões, mas apenas refletindo sobre como estamos vivendo diante dos maiores mandamentos que Deus nos ensinou. Como citei a pouco, a Bíblia, e principalmente o Novo Testamento, é permeada de mensagens e ensinos de vida em comum entre os cristãos. Em Romanos 14 vemos que devemos aceitar nosso irmão mesmo que ele pense diferente de mim. Em 1ª Coríntios 12, 12 em diante, Paulo aborda a questão da unidade na diversidade, e na mesma carta, capítulo 9, 19-23, vemos como é possível e até recomendável, que nos adaptemos a outras culturas a fim de pregar o evangelho. Na oração sacerdotal o próprio Cristo orou ao pai, pedindo que todos os cristãos fossem um (João 17,20-21), união esta que também foi citada ainda em Romanos 12,5. Podemos ainda olhar para textos tais como Efésios 4,3, Filipensens 2,1-2, Romanos 12,10, Salmos 133,1, 1ª Coríntios 1,10, só para citar alguns, que nos chamam a uma vida em unidade. Mas parece que nossa opinião, ou talvez má vontade, fala muito mais alto que o próprio Deus. Qual parte do evangelho será que os cristãos não entenderam, ou talvez não queiram entender?
Já presenciei uma conversa de pessoas que não eram evangélicas, abordando exatamente essa questão. Entre outras coisas, ouvi algo como: “Se eles, (os evangélicos) não se entendem entre si, como é que querem que a gente faça parte deles?”. Em situações como essas não há muito o que ser dito ou justificado, afinal nossas atitudes e nossa vida falam tão alto que nossa voz não é ouvida. Eu até poderia ter argumentado algo e deixado eles sem resposta, mas isso não mudaria o fato da afirmação dele estar certa. Se não fosse assim, o mundo já teria sido transformado pelo evangelho.
Acho que em um tempo de tantas turbulências na sociedade, nós, todos os que cremos em Cristo como o Messias, devemos repensar algumas posturas que temos, e talvez esse assunto seja um dos primeiros. Acredito que em pelo menos uma área, todos nós temos dificuldades em conviver com nosso irmão. Talvez você e eu não nos identificamos com nenhum dos exemplos citados, mas se deixarmos que Deus sonde nosso coração, e que Ele seja o espelho que nos mostra quem realmente somos, veremos que temos que crescer na área do amor ao próximo. Acho que Deus até fica enjoado quando, durante um culto, diante de uma ordem do pastor, olhamos para o irmão que está ao nosso lado e hipocritamente declaramos o mantra “eu te amo” para poucos minutos depois ignorarmos outra pessoa ou até mesmo aquela. Nem sempre é fácil amar o próximo e ás vezes até parece impossível, mas tenho certeza que Deus não nos daria o segundo mandamento mais importante de todos, se não pudéssemos cumpri-lo. Em algumas questões sou um tanto quanto radical e essa é uma delas: me pergunto, e à você também, como é possível uma pessoa que realmente foi transformada por Jesus, continuar tendo um amor intolerante. Não posso questionar a salvação de alguém assim, mas acredito que fica claro que uma pessoa assim ainda tem muito a aprender antes de dizer que conhece o amor de Deus. Acredito que o amor que temos para com nosso próximo é um termômetro do nosso amor a Deus. A partir do momento em que cada pessoa que tem essa dificuldade, reconhecer sua falha e realmente se empenhar para mudar sua atitude, a igreja de Cristo será melhor vista nessa sociedade tão carente da palavra de Deus.
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O QUE É SER CRISTÃO
Acho curioso como muitos insistem em manipular a Bíblia para justificar uma vida entregue a buscar prosperidade, sucesso financeiro, fama, prestígio e todas aquelas coisas, que só servem para inflar o ego. O fato mais bizarro é que a Bíblia esta ao dispor de todos, para desmascarar estes enganadores, mas poucos o fazem e preferem ceder as propostas e promessas, que nem de perto a Bíblia faz. Em vez de estudar e viver uma vida calcada na palavra.
É muito fácil pegar as promessas de Abraão, descontextualizar e usar para os dias de hoje (Gênesis 15, 17, 18), se nos esquecemos de também ler a história de Elias em 1Reis e constatar que, apesar de ele ser um homem muito usado por Deus, viveu pobre, fazendo somente a vontade do Pai. Ou pegar a história do rei Davi, mas se esquecer de Paulo, que apesar de ser usado maravilhosamente por Deus, teve que viver com o seu espinho na carne incomodando, foi preso e sofreu catástrofes inúmeras vezes. Ou usar a história de Salomão, ressaltar como ele foi sábio e rico e esquecer-se do profeta Oseias, que Deus o obrigou a se casar com uma mulher infiel, no qual era apaixonado, mesmo ela o traindo todos os dias. Tudo para ele entender como Deus se sentia, quando o seu povo virava as costas para ele e adorava outros deuses. A Bíblia não é um gibi, fácil de entender e que serve para passar o tempo e nos divertir, muito menos um manual de auto-ajuda, com dez passos para ser feliz. A Bíblia é a história de Deus e o seu povo, é a história de homens que não cansaram de virar as costas ao Criador e de um Deus que se compadeceu deste bando de desobedientes e morreu por todos.
A teologia da prosperidade é incoerente, “ser alguém” ou determinar para Deus e falar que somos filhos do rei, e nascemos para ser cabeça e não cauda, conforme Deuteronômio 28:13 é um engano muito grande. Primeiro, como já falei em outros textos, é complicado usar o antigo testamento como norma de fé, como base teológica. Temos que olhar para o velho testamento com o novo como base. Segundo o texto se refere a uma promessa ao povo judeu, para quem seguia as leis e cumpria todas as determinações impostas por Ele. E sabemos, conforme Gálatas que não vivemos mais na lei, vivemos no tempo da graça (Gálatas 3:24-25). Isso sem contar que, se conferirmos o texto inteiro, percebemos que o mesmo fala de benção e maldição, e como as maldições para quem desobedece eram maiores que as bênçãos. Portanto, se queres viver na lei, assuma a bronca toda e tenha a consciência das maldições para quem desobedece. E lembre-se o que Paulo falou quem vive pela lei, esta sujeito as maldições da lei (Gálatas 3:10).
Como eu sempre digo, somos cristãos, que significa: pequenos Cristos ou imitadores de Cristo. E se assim nos consideramos, temos que ter em nossa vida algumas de suas práticas, alguns exemplos que ele nos deixou para que imitássemos. E como as vezes eu desconfio que muitos não sabem o que é ser cristão. Irei listar alguns pontos que considero fundamentais para a fé, segundo a Bíblia.
1 – Ser Cristão é ter consciência dos nossos pecados.
Uma das principais mensagens que Jesus faz na Bíblia é: Arrependa-se (Lucas 13:3). Lemos inúmeros relatos, de Cristo pregando a salvação, e convidado o homem a se arrepender de seus maus caminhos, para não morrer. Em nenhum momento na palavra, Deus chama alguém para o evangelho sem pregar o arrependimento dos pecados.
Um dia, um colega que era pastor me falou que muitas igrejas, que pregam a prosperidade, assim o fazem, por ser a única forma de atrair pessoas. Ninguém iria para a igreja, motivado por mudar de vida. Eu confesso que fiquei sem palavras, afinal a Bíblia é clara, a prioridade da morte na cruz, foi para que tivéssemos restauração e uma nova vida. E não para que tivéssemos bens e status. Nãos somos chamados a angariar um número de pessoas e sim pregar a palavra da verdade.
2 – Ser Cristão é ser obediente.
E a segunda coisa, que fica clara na palavra é ser obediente a Deus. Cristo durante todo o seu ministério, nos mostrou este exemplo e pregou este mandamento (João 14:15, Mateus 7:21, Lucas 6:46), e se queremos ser um imitador dele, é imprescindível depender e obedecer a Deus. E obedecer a ele é ter plena consciência que temos que seguir as suas orientações, pois ele é Deus e soberano. John Macarthur diz:
“A fé que rejeita a sua autoridade soberana nada mais é que incredulidade”.
Não é fácil seguir quem nós não vemos. Mas a Bíblia diz, Bem-aventurado os que não viram e creram (João 20:29). E quem busca a Deus, procura ter intimidade e lê a Bíblia, certamente vai conseguir sentir esta intimidade, que afinal começa com a obediência tendo plena consciência que ele é senhor, e guia o nosso caminho.
3 – Ser Cristão é ser servo.
Quem em sã consciência gosta de servir os outros? Quem trabalha como voluntário um dia por semana ou uma vez por mês, em troca de nada? Muito pouca gente. Pois afinal, isso não é legal, o interessante é ser servido, é ficar na mesa e esperar o filé chegar, mas não foi este exemplo que Jesus nos deu. Ele, mesmo sendo Deus, não agiu como tal, mas preferiu servir e nos convidou a imitá-lo (João 13:4-5). Muitos dizem, que no cristianismo não existe o número um, mas eu discordo, pois a Bíblia diz: Quem quer ser o primeiro, sirva a todos (Marcos 9:35). E este é o nosso chamado, dado pelo próprio Deus que também serviu. Estes são os pontos que considero principais, apesar de terem mais alguns, todos acabam convergindo para estes.
A história de salvação tem haver com as nossas misérias, é saber que sem Deus, não somos nada. Seguir a Cristo, motivado em ser alguém, ou ter coisas, não condiz com a mensagem cristã. Como eu sempre falo, não prego a pobreza, a mendicância ou voto de abstinência de sonhos ou desejos. O que eu prego, e é este o desejo desta reflexão, é uma vida calcada em Cristo e em sua mensagem. É não se deixar iludir com pregações falsas e requentadas. Pois a nossa prioridade não deve ser as coisas deste mundo, mas servir a Deus, e fazer a sua vontade, e confiar, que ele tem o melhor, seja este melhor o que for. Não é fácil, eu sei, mas quem disse que seria fácil? (João 16:33).
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus ; 2013 ; São Paulo; SP.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP.
CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova, 2 ed., São Paulo SP, Editora Vida Nova,2012.
ZUCK, Roy, B, Teologia do Novo Testamento, Editora Cpad, Rio de Janeiro, 1994.
ZUCK, Roy, B, Teologia do Antigo Testamento, Editora Cpad, Rio de Janeiro, 1994.
MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo Jesus, Editora Fiel, Sãos Paulo, 2015.
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FAZENDO A PARTE DE DEUS
A algum tempo atrás escrevi um texto intitulado “Desenhando o próprio caminho”, onde abordei a questão da autonomia do homem, que muitas vezes o leva a viver longe do caminho de Deus. O texto de hoje relaciona-se com aquele, pois também trata da questão da autonomia do homem, mas sob outra perspectiva. Se naquele caso a questão era deixar de fazer a vontade de Deus para fazer a própria vontade, o que quero abordar hoje é quando tentamos fazer a vontade de Deus, mas da nossa forma e não da forma dele. Isso pode soar um tanto quanto contraditório, mas é algo muito comum.
Para ilustrar isso, quero citar um episódio da vida de Abraão. Um dos mais importantes personagens da história, patriarca de três das maiores religiões do mundo, Abraão recebeu uma promessa de Deus que teria um filho, e que sua descendência seria tão numerosa como as estrelas que vemos no céu. Tanto Abraão como sua esposa, Sarai, já eram de idade avançada e, a seus olhos, isso tornava a promessa de Deus mais improvável. Já haviam passado quase 11 anos desde o chamado de Abraão e a promessa de uma descendência e Sarai simplesmente não engravidava. Foi aí que ela resolveu fazer a parte de Deus. A promessa era de que Abraão teria descendentes e Sarai propôs que ele tivesse um filho com sua serva, a egípcia Hagar. Abraão concordou, eles tiveram um filho, Ismael, e isso provocou uma grande confusão. Ismael era filho de Abraão, mas não era o filho prometido por Deus. Não era o filho que traria a descendência prometida por Jeová. Mais tarde Sarai engravidou e deu luz a Isaque, o filho prometido de Deus e assim se dá início a história do povo hebreu, que mais tarde revelaria o messias. Hagar e seu filho Ismael foram expulsos e por compaixão e providência divina sobreviveram no deserto, e Ismael deu origem ao povo árabe. Ou seja, Abraão deu origem ao povo hebreu e árabe.
Para entender melhor toda essa questão, seria interessante que você lesse Gênesis capítulo 12 ao 21. Olhando apenas para o que escrevi, talvez não seja possível mensurar o impacto que a atitude imprudente de Sarai, com a concordância de Abraão, teve na história. Ela acreditava na promessa de Deus, mas como a seu ver Ele não estava cumprindo sua palavra, ela foi dar uma mãozinha ao criador, e providenciou um artifício para que Abraão tivesse sua descendência. Não é preciso estar informado diariamente para que saibamos dos constantes conflitos no oriente médio. Literalmente desde que me conheço por gente, há conflitos nessa região; é o mundo árabe contra Israel. As duas descendências de Abraão em constante conflito. Não sou determinista e não vou afirmar que isso seja uma maldição divina por causa da atitude de Sarai e Abraão. Mas com certeza é uma conseqüência do fato que agiram por conta própria, sem esperar a ação de Deus. Se Sarai não tivesse tentado fazer a parte de Deus, Ismael não teria nascido e não teríamos os conflitos no oriente médio. Talvez até tivéssemos outros, mas fica claro que esse, que é interminável, é conseqüência da história de Abraão e Sarai.
Da mesma forma que Sarai se intrometeu na ação de Deus, muitas vezes nós também o fazemos achando que estamos fazendo a vontade de Deus, ou até mesmo um favor a ele. Isso é muito comum na vida da igreja, onde vemos pessoas tendo atitudes impensadas principalmente nos ministérios. Sei que a vida em comunidade não é uma ciência exata, que existem dificuldades e que nem sempre acertamos. Mas tenho certeza absoluta que quando a vontade de Deus é feita, mesmo diante das dificuldades, o trabalho tem bom resultado. Quando seguidamente as coisas não funcionam, quando se luta, luta, luta desesperadamente e a coisa simplesmente não sai do lugar, é bom que se avalie a situação. Conheço igrejas que tentam, tentam, e a coisa simplesmente não vai. Parece que plantaram uma árvore de fracasso e diariamente comem de seu fruto. Também conheci bem duas que simplesmente fecharam as portas. Como isso é possível? Será que é da vontade de Deus que uma igreja feche suas portas? Em minha opinião isso só acontece quando a vontade de Deus não está sendo feita e quando esse grupo de pessoas se perdeu em algum momento de sua história. Vemos um exemplo disso em Apocalipse 2, quando a igreja de Éfeso é advertida, sob o risco de deixar de ser igreja. Quando fazemos a obra por nós mesmos, o risco de sairmos da vontade de Deus é muito grande. O mais complicado, é que muitas vezes as pessoas simplesmente vão fazendo as coisas de forma natural, por si mesmas, talvez por ativismo e nem percebem que estão fazendo conforme a sua vontade e não a de Deus. A intenção é boa, mas o resultado pode ser catastrófico, assim como foi para Abraão e Sarai.
Mas não é somente no trabalho ministerial que podemos tentar fazer o papel de Deus. Dependendo da situação, corremos o risco de não esperarmos a ação de Deus, e com nossa ansiedade achamos que nossos caminhos são os mesmos dele. Nossa emoções podem nos trair facilmente, e isso é ainda mais evidente nos povos latinos que são mais emotivos. Quantas vezes ouço pessoas dizerem “Deus me falou”, e depois dá tudo errado. Conheço muitos casos onde supostamente Deus falou algo para as pessoas, elas seguiram essa “voz” e deram com os burros na água. E aí, o que dizer? Sendo muito razoável, acho que é muito mais provável que a pessoa fez sua própria vontade do que Deus ter mudado de idéia. Mas afinal, por que isso acontece?
Acredito que o principal motivo seja que as pessoas não conseguem distinguir a voz de Deus. A Bíblia diz que a ovelha reconhece a voz do pastor, mas isso só acontece quando se tem intimidade com Deus. Há um ditado que diz que só se conhece uma pessoa quando se come um saco de sal com ela. Não conhecemos uma pessoa se não andamos junto com ela e com Deus não é diferente. Acho que a grande maioria dos problemas das pessoas tem como origem a falta de intimidade com Deus. É claro que somos propensos a errar, e nos enganarmos em algumas questões, mas com certeza, se tivermos vida com Deus, a vida se desenrola de forma natural. Não significa que não teremos mais problemas e que nunca mais erraremos, mas o risco de errar diminui significativamente. Quando temos um relacionamento raso com Deus e na realidade ele não é prioridade em nossa vida, temos a tendência de viver de aparências, e nossas decisões são mais influenciadas por nossa vontade do que pela de Deus. Nessas situações a vida com Deus talvez seja mais religiosidade do que intimidade com ele. E é justamente aí que tomamos decisões erradas, pois simplesmente estamos distantes de Deus e não ouvimos ou não reconhecemos sua voz. Para que a ovelha reconheça a voz do pastor, ela precisa conhecer a voz de seu pastor.
Como em quase todas as questões na vida, a solução do problema levantado é a intimidade com Deus. Acredito que a maioria dos cristãos que tomam decisões erradas, realmente acham que a decisão foi uma resposta de Deus. As pessoas vivem uma vida rasa com Deus, se acostumam e esse é o padrão de espiritualidade. Enquanto não vivermos uma vida integral para, e com Deus, estaremos vivendo nossa vida, achando que é a vida que Deus quer que vivamos. Nós é que estaremos dando as respostas às próprias perguntas, fazendo o papel que Deus deveria fazer. Olhando mais para Deus e menos para nós mesmos, não tentaremos fazer sua parte e o deixaremos ser quem ele realmente é.
