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  • JESUS REVOGOU A LEI? – 2ª parte

         Na primeira parte desse texto vimos alguns aspectos da lei de Deus que nos trouxeram alguns elementos que nos auxiliam na compreensão da questão proposta. Conforme citado, a lei mosaica era a aliança que Deus estabeleceu com a humanidade, e com a vinda do Cristo foi estabelecida uma nova aliança, invalidando a anterior.

         Em alguns aspectos há uma aparente contradição no discurso de Jesus e de Paulo acerca da lei. Em momento algum vemos Cristo menosprezando a lei. Como já citado, ele mesmo afirmou que veio para cumprir a lei; ele legitimou a lei de Moisés. Não poderia ser diferente, pois ele veio como homem e sendo judeu deveria submeter-se à lei de Deus. Mas as epístolas de Paulo são permeadas de mensagens que colocam a lei em segundo plano, e até mesmo a tratam como algo praticamente obsoleto.

         Em diversas oportunidades Jesus exaltou a importância da lei. Em seus discursos ele sempre fazia referência à lei. Ele mostrava que seu discurso estava de acordo com a lei de Moisés e há inúmeras passagens bíblicas onde  Jesus se refere à lei, e em todas elas ensinou a guarda da mesma. Uma delas é no sermão da montanha, que é considerado como sendo a essência da mensagem de Cristo. Em Mateus 7,12 ele disse:

     “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas”.

     O que ele pregava no sermão do monte não era textualmente o que os profetas ensinavam, mas estava de acordo com a mensagem da lei que eles trouxeram. Dessa forma Jesus está validando a lei dos profetas. A grande diferença entre a atitude dos fariseus, que foram duramente criticados, e de Jesus, era a forma que ambos se relacionavam com a lei e com os homens. Em sua maioria, os líderes religiosos da época, lançavam seus esforços em prol da lei, enquanto que Jesus amava os homens, mas sem desprezar a lei.

         Em outra ocasião, quando interpelado por um jovem rico que queria saber o que haveria de fazer para herdar o reino dos céus, Jesus respondeu que deveria guardar a lei. Com a resposta do jovem, que ele já a guardava, Jesus complementou a resposta acrescentando a atitude necessária para que o jovem chegasse a Deus. Ele deveria colocar Deus acima de tudo em sua vida.  Ele deveria priorizar Deus, e depois viver na vontade de Deus, que não deixa de ser a guarda da lei. Ou seja, Jesus trouxe algo a mais que o discurso farisaico, mas em momento algum afirmou que a lei era desnecessária. Esse texto é de suma importância, pois trata da relação entre a salvação e a lei.  A entrega total da vida a Deus é a reinterpretação da lei mosaica. É isso que Cristo disse ao jovem. Mas isso não quer dizer que Cristo o tenha liberado da guarda da lei. Em Lucas 10:25 vemos uma ideia que complementa esse texto. Aquele que guarda o maior dos mandamentos, amar a Deus acima de tudo, também considera a lei como a vontade de Deus para sua vida. Esses dois textos estão intimamente ligados. É difícil conceber a ideia de uma pessoa que realmente vive para Deus, e que simplesmente despreze sua lei.  Essa ideia também é compartilhada pelo apóstolo João. Cristo reinterpretou a lei, trazendo um novo mandamento; o amor a Deus sobre todas as coisas e o amor ao próximo como a si mesmo.

         Mas há um detalhe importante que devemos considerar. Podemos dizer que nos aproximadamente três anos do mistério de Cristo, a humanidade passava por um período de transição. O Messias estava sendo revelado, mas sua obra ainda não havia sido concluída. Ele iniciou um processo de mudanças revelando de forma mais palpável o Reino de Deus. A nova aliança foi sendo consolidada durante três anos, e foi um processo gradativo. O ministério de Jesus só foi consumado na sua ressurreição. Durante seu ministério as leis sacerdotais e morais, ainda eram válidas. O fato do véu do templo só ter sido rasgado no momento da sua morte, evidencia o fato que só a partir daquele momento ele passou a ser o único sacerdote que nos representa diante do Pai. Entendendo isso, fica mais fácil compreender porque Jesus nunca falou contra a lei mosaica, pois naquele momento ela ainda era legítima. A partir do momento em que a obra messiânica foi consumada, a lei sacerdotal não tem mais sentido, perdendo sua legalidade. Agora a questão passa a ser a situação da lei moral, que são os dez mandamentos.

         Com um discurso que aparentemente diverge de Jesus, o apóstolo Paulo parece ser um crítico da lei. Podemos achar que seu discurso é incompatível com o do Messias. Na realidade ambos falam a mesma coisa mas de formas diferentes. Cada um deles aborda um aspecto da lei. Temos que lembrar que a maioria dos Judeus não reconheceu Jesus como sendo o Messias, e dessa forma permaneceu sob a aliança mosaica mesmo depois da vinda do aguardado redentor. Foi isso que moveu Paulo a abordar a questão da lei de forma diferente que Jesus. Em vários textos paulinos vemos que a lei não é capaz de justificar o homem. Talvez um dos textos mais explícitos seja Gálatas 3,11, onde lemos que somos justificados pela fé e não pela lei. Em outras palavras, a lei não pode nos salvar. Não o pode simplesmente pelo fato de não conseguirmos cumpri-la integralmente. A ideia de Paulo é que a lei apenas revela o pecado do homem. E quando ele se refere à lei, está se referindo também à lei moral. Isso fica claro quando atentamos para um detalhe que encontramos em Romanos 7,4-7. Paulo afirma que morremos para a lei e somos libertos dela. Ele continua afirmando que a lei não nos justifica, mas traz a consciência do pecado e exemplifica com a cobiça que é justamente um dos dez mandamentos. Fica claro que não adianta tentarmos seguir os mandamentos que não é isso que resolverá nosso problema. Foi exatamente isso que Jesus disse ao jovem rico. Como o homem não consegue guardar a lei em todos os seus aspectos, há a necessidade de algo mais, algo perfeito, para regatá-lo da quebra dessa lei. Imaginemos uma situação utópica. Vamos supor que a partir de certo momento, alguém consiga guardar toda a lei, ou seja, consegue não pecar mais. Mas isso não resolve seu problema pois essa guarda da lei não é suficiente para apagar os erros do tempo que ela não era guardada. Ou seja, a guarda da lei não produz salvação. Como podemos ler em Tiago 2:10, quem quebrar apenas um dos mandamentos quebra a lei como um todo. Na realidade os dez mandamentos não são dez leis, mas apenas uma. O que Paulo ensina pode parecer como sendo uma anulação da lei, mas na realidade ele afirma que a guarda da lei foi revogada como aliança entre Deus e os homens.

         Isso fica mais claro quando compreendemos a mensagem de Romanos 10:4, onde lemos que o fim da lei é Cristo. A palavra grega “télos” que é traduzida como “fim”, tem os mesmos significados que em português. Pode ser final ou término de algo, mas também pode significar objetivo ou finalidade. Como na língua mãe do texto essa palavra pode ter dois significados, simplesmente não podemos ter certeza absoluta o que o autor quis dizer. O interessante é que os dois significados se encaixam perfeitamente no contexto, e expressam uma verdade divina. Talvez por isso mesmo o autor tenha escolhido esse termo. O objetivo da lei realmente foi revelar Cristo. Toda a mensagem bíblica converge para o Messias e a lei foi preparando o povo de Deus para que reconhecessem o Messias e compreendessem sua obra redentora. Mas Jesus também pode ser visto como o final da lei, pois ele estabeleceu uma nova realidade. Agora a aliança não é mais pela lei, mas pela graça. Jesus Cristo realmente é o fim da lei.

         Em momento algum meu objetivo foi escrever um texto que resultasse de um estudo profundo sobre o tema. Trata-se apenas de uma breve reflexão após estudar um pouco mais a palavra de Deus. Pessoalmente acredito que podemos responder sim e não à pergunta se Jesus revogou ou não a lei. Sim, pois ele a revogou como uma obrigação de cumprirmos os mandamentos para expressarmos nossa aliança com o criador. A lei é incapaz de mudar nosso caráter e nos levar a Deus.  Não devemos cumprir a lei da forma que os judeus a entendiam e talvez entendam até os dias de hoje. E não, porque se não cumprimos os mandamentos para sermos salvos, mas os guardamos pois entendemos que isso é a vontade de Deus para nossa vida e que essa lei nos protege de muitas mazelas que podemos colher se fizermos algo fora da vontade da lei. A guarda dos mandamentos não é a causa da salvação, mas sua consequência.  Quem realmente conhece a Cristo sabe que a lei não muda seu caráter, mas também sabe que todo aquele que tem seu caráter transformado pelo sangue de Cristo guarda lei de Deus pois é um prazer andar em seus caminhos.  

     

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Biblica do Brasil: 2005;São Paulo.

    BRUCE, F.F. – Comentário Bíblico NVI; Vida; 2009; São Paulo.

    CHAMPIN, R.N. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia; Hagnos: 2011; São Paulo.

    GINGRICH, Wilbur; DANKER, Frederick – Léxico do Novo Testamento; grego / português; Vida Nova: 2007; São Paulo.

    HAHN, Eberhard; BOOR, Werner de – Cartas aos Efésios, Filipenses e

    Colossenses; Comentários Esperança;  Esperança; Curitiba; 2006.

    KAISER, Walter C. – Teologia do Antigo Testamento; Vida Nova; 2007 São Paulo.

  •  JESUS REVOGOU A LEI? 1ª PARTE

                      Talvez uma das questões mais intrigantes da Bíblia seja a seguinte pergunta: Jesus revogou a lei? Se há algo que aprendi nos 5 anos que me dediquei ao estudo acadêmico de teologia, é que não devemos dar respostas apressadamente. É claro que algumas perguntas propostas não requerem muita reflexão; em contrapartida há outras sobre as quais mentes brilhantes têm refletido por séculos, sem que se chegue a um consenso. Talvez a questão proposta não seja uma das mais profundas nesse sentido, mas é comum ouvirmos respostas divergentes. De um lado, a resposta mais óbvia, a mais “igrejeira” seja: “Ele não revogou a lei, pois em Mateus 5,17-18 ele mesmo disse que não veio revogá-la, mas sim cumpri-la”. Trata-se de uma resposta clássica, válida, da qual não estou necessariamente discordando. Mas do outro do lado há aqueles que, também baseados na Bíblia, entendem que Jesus revogou a lei, e se baseiam nos escritos de Paulo que desmistificam a lei, e também no próprio Cristo que trabalhou em um sábado, quando esse era um dos mandamentos mais importante de todos? Esses são apenas alguns dos argumentos nos quais esses entendimentos se fundamentam. Talvez essa questão possa parecer um tanto quanto periférica, mas acredito que seja de fundamental importância compreender essa questão, pois isso impacta no nosso relacionamento com Deus. Quando o assunto é lei, é necessário que se façamos uma análise um pouco mais ampla tentando compreender todos os aspectos que se relacionam com ela. Não sou nenhum especialista no assunto, mas por um bom tempo isso vem instigando minha mente, o que me levou a refletir um pouco.

    O relacionamento entre o homem e a lei sempre foi, e é muito tenso. Parece que nossa natureza tem dificuldade em seguir regras ou leis. Não podemos creditar isso à imperfeição humana após a queda, pois temos que lembrar que no paraíso antes da queda, Deus havia decretado somente uma proibição á raça humana. O homem ainda não estava corrompido pelo pecado, gozava de um relacionamento pleno com o criador, possuía a imagem e semelhança de Deus em sua forma mais completa e ainda era detentor da glória de Deus. Mas apesar de todos esses privilégios vivendo uma realidade perfeita, Adão e Eva optaram desobedecer a única regra que Deus lhes dera. Depois da queda a criação foi corrompida pelo pecado e a questão de se submeter à lei ficou muito mais crítica. Temos que ser sinceros em aceitar a ideia de que realmente não gostamos de seguir normas e leis. Em nosso íntimo há uma voz que nos faz viver uma máxima que diz: “desde que haja governo, eu sou contra”.

    Com a queda da raça humana, Deus, em sua infinita misericórdia, colocou em prática o plano para resgatar a humanidade. Para que compreendêssemos seu amor, Deus enviaria seu próprio filho para nascer como homem, mostrar o Reino de Deus de uma forma mais palpável, pagar o preço do pecado morrendo em nosso lugar, ressuscitando e assim vencendo a morte. Como Deus viria a encarnar como homem, era necessário que ele nascesse e Deus optou em criar um povo para revelar-se à humanidade. Passaram-se aproximadamente dois mil anos desde a criação, quando Deus chamou um homem de nome Abrão. Ele era natural de Ur e seu pai era um construtor de ídolos. Sabe-se muito pouco, ou nada, sobre a vida de Abrão antes do seu chamado, que ocorreu quando tinha aproximadamente 70 anos de idade. Considerando que seu pai construía ídolos, muito provavelmente, Abrão foi criado em uma cultura idólatra e pagã. Deus iniciou um relacionamento com Abrão, mudou seu nome para Abraão (que significa “pai de uma multidão”), e deu início ao povo que viria a revelar Jeová. Como a humanidade havia perdido seu vínculo com o criador e seguia o paganismo, Deus achou por bem começar a história, criando um povo com uma nova cultura, para revelar-se ao mundo.

    Abraão deixou sua terra, seus parentes para iniciar sua missão. Ele e seus filhos são os patriarcas da fé judaica e da cristã. Como Deus estava criando uma nação com uma cultura própria, era necessário que houvesse leis e regras, pois uma nova sociedade estava surgindo. E é aqui que começa a importância da lei. Uma das questões que temos que ter em mente, é que Deus foi se revelando progressivamente ao homem, à medida que este tinha capacidade de compreendê-lo. Da mesma forma que não é produtivo ensinarmos matemática científica para crianças que estão sendo alfabetizadas, o povo da época não compreenderia o plano de redenção se, de forma anacrônica, lessem os escritos paulinos, principalmente a carta aos Romanos. As leis que Deus institui no inicio da história do povo hebreu, tinham como função a regulamentação da sociedade, da vida religiosa e da vida moral.  O fato de algumas leis que Deus instituiu terem mudado, não indicam que ele tenha mudado seus princípios, mas sim, que em determinado momento, uma ou outra lei tornaram-se sem propósito. O apóstolo Paulo aborda essa questão na carta que escreveu aos Colossenses, no capítulo 2, versículo 22.

    Deus estabeleceu diversas leis, que foram compreendidas como regra de fé para o povo da época. Mas fazendo estudos mais aprofundados, chegamos à conclusão que a lei do Antigo Testamento pode ser classificada em relação a sua função. Como já foi citado, algumas leis eram civis, como a que temos hoje. Por exemplo: “olho por olho, dente por dente”, a questão das cidades refúgios, a responsabilidade de um irmão para com a viúva de seu falecido irmão, entre outras. Em outras palavras, tratava-se da constituição do povo judeu.  Havia também a lei sacerdotal, que normatizava a forma com a qual o povo vivia sua religiosidade. Era uma infinidade de normas que ditavam as regras de como sua fé e culto a Jeová deveria ser vividas. Essas leis que determinavam os sacrifícios, os dízimos, a questão do sacerdócio entre outras questões. Muitas delas já preparavam o povo para a revelação do messias. Como exemplo, temos a questão do sacerdote. Deus determinou que houvesse uma pessoa que seria o intermediário entre o povo e Deus. A figura do sacerdote preparava o povo para que ele compreendesse de forma mais efetiva o significado redentor de Cristo. Havia também as leis morais, os 10 mandamentos, que Deus deu para Moisés. Trata-se da vontade de Deus para a vida de todos os homens.  As leis civis e sacerdotais têm sua aplicação temporal, mas as morais têm outra aplicabilidade. Com raras exceções, talvez uma única, a guarda de um determinado dia a lei moral continua sendo a vontade de Deus para o homem até os dias de hoje. Como já foi abordado, parece que somos avessos à lei, mas temos que pensar que ela não foi desenvolvida para Deus mostrar sua soberania, mas sim para proteger-nos.

    Hoje compreendemos que toda a lei que Deus entregou ao seu povo tinha essas três funções distintas, mas na época o povo entendia essas leis como um todo, e que ela regulamentava a espiritualidade dos homens. Como exemplo, podemos citar a questão da proibição de comer carne de porco e de animais aquáticos que não tem escamas. Tratava-se de uma questão sanitária, uma vez que havia um risco grande do surgimento de doenças relacionadas a contaminação desses animais. Mas os judeus entendiam que se ingerissem esses alimentos sua vida espiritual seria prejudicada. Deus estaria rompendo relacionamento com todo aquele que ingerisse alimentos proibidos. Fazendo uma analogia para nossa realidade, seria algo como perdermos nossa salvação por beber água de um rio e não água tratada da companhia de saneamento. Olhando para a lei, ou melhor, para as leis, considerando sua função, abre-se um horizonte mais amplo na compreensão da questão de Deus e sua lei.

    No transcorrer da história, Deus fez várias alianças com o homem. Como o homem é falho, não conseguiu cumprir sua parte em nenhuma delas. Mas todas essas alianças foram uma preparação para a aliança definitiva, que é a consumada em Cristo. A aliança que Deus estabeleceu com seu povo através do profeta Moisés, tinha como elemento marcante a obediência à lei, que incluía os 10 mandamentos. Mas a salvação do homem não estava condicionada ao cumprimento da lei. Se fosse assim, ninguém se salvaria. A salvação sempre foi, e ainda é, pelo reconhecimento da nossa dependência de Deus, o arrependimento e confissão dos nossos pecados e de uma vida nos caminhos de Deus. Mas os judeus lançaram seus olhos sobre a lei. O cumprimento dela passou a ser mais importante do que o relacionamento que tinham com Deus. Ou seja, a aliança foi deturpada pelo homem e isso influencia a vivência da fé cristã até nos dias de hoje. Ainda existem cristãos, e até mesmo igrejas, que direta ou indiretamente, vinculam a questão da guarda da lei à salvação, mesmo em tempos nos quais usufruímos da graça da Nova Aliança.  Jesus morreu para restabelecer nosso relacionamento com Deus, e conforme textos do Novo Testamento, a lei não tem mais poder sobre nós. Mas será que isso significa que não precisamos mais considerá-la?

    Continua quarta!

  • SANTO OU PROFANO

    Gosto muito de frases reflexivas, posto sempre em meu Facebook, independente se o autor da frase é cristão ou não. Em uma de minhas postagens um tempo atrás, uma amigo me falou para eu tomar vergonha na cara e parar de postar frases e começar a postar versículos bíblicos.

    Achei curioso o comentário e respondi que a verdade é verdade, independente se está na Bíblia ou não, ou de quem falou. Para quem lê o meu blog, já notou que em meus textos, além de usar a Bíblia eu uso também frases de diversos autores que esboce de forma clara uma boa opinião sobre o assunto no qual estou abordando. Penso que a verdade é uma só, e seja quem falou, se é uma verdade, ela não vira algo incorreto só porque o indivíduo não é cristão. Afinal, como entender o que é santo e o que é profano? Ou o que é de Deus e o que é do diabo, como alguns dizem?

    Paulo no Areópago, usou autores pagãos quando estava pregando (Atos 17:11). Isso sem contar Jesus, que conviveu com prostitutas, cobradores de impostos e não se preocupava em andar neste meio, o que ele se preocupava era com as vidas que precisavam de sua ajuda.

    Um dia um colega me confrontou, por eu ter “um estilo diferente”. A forma que eu me vestia não era a forma que um cristão deveria se vestir. Aí eu perguntei: amigo, onde está na Bíblia o estilo de roupa que devo andar?

    Não existe roupa evangélica, existe caráter cristão isso sim.  Penso que muitos se preocupam que roupa usar, que livro cristão ler, com que amigos cristãos andar e se esquecem de que ser cristãos não é usar, ler e ter, ser cristão é imitar Cristo, ser pequenos cristos, como a palavra significa. E a diferença entre o santo e o profano não é a aparência e sim o conteúdo.

     Afinal, se a música que você ouve não tem letras absurdas e anticristãs, porque não ouvir? Se o livro que você lê, te proporciona bons momentos de leitura, ou te leva a crescer em conhecimento, por que não ler? Se você tem amizades verdadeiras, por que não continuar cultivando, mesmo não sendo da igreja?

    Rotulamos muito o que é santo e profano, segregamos diversas pessoas, enquanto o mundo precisa que façamos diferença. E para fazer diferença no mundo temos que estar lá, conviver com pessoas, entendê-las, ajudá-las, acompanhá-las.

     Um dia uma pessoa me falou que não ouve musica secular porque a música secular é consagrada ao Diabo, e a música cristã é consagrada a Deus. Como se o rótulo cristão já seria um selo para saber o que é consagrado ou não.

    Não conhecemos o coração das pessoas, seja um cristão fervoroso, um pastor ou sei lá quem. E se o rótulo gospel denomina algo de Deus, aí temos um grande problema. Pois tenho ouvido inúmeras musicas cristãs exaltando o ser humano, ou os seus desejos e prazeres. E muitas músicas não cristãs falando sobre a vida, experiências, ou ensinamentos.

    Não ouço uma música ou leio um livro por seu rótulo e sim pelo conteúdo e pelo ensinamento que aquele material pode me oferecer. Respeito quem não gosta de ouvir música secular, respeito também quem só lê livros cristãos, se você prefere seguir este tipo de posicionamento, ótimo. Só não julgue quem não age assim.

    Pois ser cristão é levar a vida imitando Cristo, seguindo os seus mandamentos e fazendo a sua vontade (João 14:21) e não usar roupa com versículos Bíblicos, ou só ouvir música Cristã.

    Ser cristão não é ter um rótulo e sim um posicionamento, um estilo de vida, onde Cristo é o centro de tudo.

  • IRA

    A raiva é um sentimento avassalador que atrapalha a nossa vida, desequilibra a nossa caminhada, nos faz agir de forma insensata e tomar decisões sem pensar. A raiva é um veneno sutil que quando está descontrolado, te consome aos poucos, minando a sua energia e a sua alegria.

     Quem está sempre com raiva não mais vive, lamenta. Quem está sempre com raiva, não produz, destrói, mesmo que seja a sua própria vida.  Efésios 4:26 diz:

    “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”.

    Um conselho difícil, não é? Sim, irar-se sem pecar é um grande desafio.

    Ainda mais quando temos a nossa vida aviltada pelo preconceito, a injustiça ou problemas dos mais diversos. Sem contar os arrogantes, que de forma “genial” te rebaixam ao zero. Afirmando que as suas dificuldades são frescuras ou o seu problema é pequeno demais, fácil de resolver se realmente você quiser. Gosto muito de uma frase que diz:

    “O problema dos outros é sempre fácil resolver”.

    Quando não nos colocamos no lugar dos outros, não demoramos a julgar, afinal, muitas vezes nos vemos melhor que o próximo. Mas não é bem assim e devemos entender que cada um tem a sua dificuldade.

    Mas se acalme, ou pelo menos tente, pois o ônus da raiva é muito alto, não vale a pena pagar, os problemas de se lidar com este sentimento é grande, o que torna fundamental a aplicação do texto de Efésios em nossa vida.

    O primeiro grande problema que a raiva nos traz é o fato que podemos ferir ou ofender pessoas inocentes durante a nossa fúria. E isso é um transtorno, uma dificuldade que você terá, além do grande trabalho para resolver depois que os seus ânimos acalmarem. Isso sem contar que em meio a raiva, transformamos pequenos problemas em gigantes, complicando mais ainda a situação em vez de resolver. A raiva sempre nos deixa cegos, a fúria nos deixa na maioria das vezes desorientados. E uma coisa aprendi ao longo de minha vida: “Tomar decisões quando se está com raiva, feliz ou apressado, sempre se resulta em confusão”. O resultado é sempre ruim, é por isso que  só as decisões importantes se eu puder ter tempo para pensar, do contrário, a resposta é sempre não.

    O segundo grande problema que a raiva nos traz é a falta de saúde. Sabemos dos malefícios de quem vive em ambientes de extremo estresse, isso raramente acaba bem. Sejam problemas gástricos, emocionais, ou seja lá o que for. A raiva estraga nossa saúde e nos enfraquece. Portanto, manter a calma e tentar por a cabeça no lugar é imprescindível para conseguirmos seguir com saúde.

    A raiva por mais autêntica que seja pode nos consumir e nos leva a alguns patamares difíceis de sair. Excesso de raiva nos consome e nos faz enxergar a vida cinza. Não é a toa que Efésios nos aconselha a irarmos, mas não pecarmos, para não sairmos por aí ofendendo quem não tem culpa, e também não é a toa que a Bíblia diz para não deixarmos o sol se por sobre a nossa ira. Porque remoer coisas ruins nos faz mal e nos consome e a mágoa é um veneno, por isso, se acalme e jogue fora este veneno. Viver com raiva não é viver, é morrer aos poucos.

  • REFORMA JÁ

    Dia 31 de outubro comemoramos o dia da reforma protestante, marco histórico de quando Lutero pregou as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Mas, apesar da bravura deste pensador, houve outros corajosos que pavimentaram o caminho que Lutero percorreu tempos depois. Dois deles foram Wycliffe e Huss, que denunciaram sacerdotes ladrões e revelaram os malefícios que a igreja estava fazendo até aquele momento. Usavam os conceitos da predestinação, para por fim na corrupção e deixar como padrão absoluto as escrituras (GEORGE, 2010, p. 38-39).

    Entre os vários problemas que a igreja da época tinha estavam: A corrupção em todos os setores da igreja Católica Romana. Clérigos que compravam e vendiam cargos, muitos possuíam sinecuras, que eram cargos assalariados onde muitos recebiam sem prestar serviço religioso.  A justiça era comprada e vendida nas cortes eclesiásticas. Os fiéis eram abandonados sem ter ajuda dos bispos. O costume de colecionar relíquias como pedaços de cruz, ossos de santos, venda de indulgências, entre muitas outras coisas (CAIRNS, 2008, p. 254-255).

    A Bíblia na época não era o padrão absoluto, pois a palavra do Papa valia tanto quanto, mesmo indo de encontro com as escrituras. E enquanto naquele período pensadores tentavam reformar o movimento cristão. Nos dias atuais a coisa não está tão diferente assim.

    Há quem diga que a Bíblia é a mãe de todas as heresias e isso fica claro quando vemos pastores distorcendo o evangelho, pregando como se a sua palavra fosse a verdade absoluta. Se antes o acesso a Bíblia era limitado, por conta do analfabetismo, o controle da igreja ou o alto preço do livro. Hoje, a Bíblia não é estudada por pura preguiça e falta de vontade, enquanto mestres despreparados ensinam besteiras que nem de perto a Bíblia proclama.

    Conheci um cristão que não estudava a Bíblia e falava que confiava no que o pastor dizia. Afinal, segundo ele, o indivíduo que se diz ser pastor deve saber o que está dizendo.

    Precisamos imediatamente de uma nova reforma, mas acredito que antes, temos que reformar a nossa preguiça. Não adianta nos unirmos para construir um movimento baseado na palavra e no ensino, se continuarmos sem estudar e entender a palavra e assim, permanecer nas mãos de alguns “estudiosos”, como era a realidade antigamente. 2Timóteo 2:15 diz:

     “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.

    Sem dúvida alguma, a reforma deve acontecer primeiro em nossas vidas para mudarmos a nossa maneira de ser cristão, fazendo com que a igreja leia mais, estude mais e saiba em quem acredita. Se entendermos a importância do estudo e valorizarmos os pastores e professores que conhecem e ensinam de maneira séria e coesa, a igreja vai mudar.

    Que possamos seguir sabendo manejar a palavra sem nos envergonhar, aptos a fazer a obra que Deus nos manda, com zelo, sabedoria e conhecimento, sem esquecer que o nosso norte é a Bíblia, tal qual diz a tese de número 62ª de Lutero:

    “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”.

    BIBLIOGRAFIA

    CAIRNS, E. Earle. O cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.

    GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Editora Vida Nova, 2010.

    MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.

  • VIDA SIMPLES

    Tenho uma grande meta em minha vida: “viver todos os meus dias com simplicidade”. Acredito que o ônus que as pessoas que têm dinheiro e posses pagam é muito alto.

    Primeiro, porque quem tem grana ou se dedica apenas a ganhar este vil metal, vive apreensivo e acaba mantendo todo o seu foco neste objetivo. Preocupado em como o seu dinheiro está aplicado, ou como está a sua casa ou carro, etc.

    Segundo, não vejo propósito em se dedicar a apenas juntar riquezas, acho muito pouco ter esta motivação. Não que eu queira viver na pobreza e muito menos ache o dinheiro inútil. Só acredito que o dinheiro existe para nos ajudar e não para nos escravizar ou ser o principal motivo de nossa existência.

    É incrível o que uma cabeça despreocupada pode fazer. A Bíblia dá muitos ótimos exemplos de despreocupação. Ela nos manda observar e aprender com os pássaros, que não plantam nem colhem e não passam fome, pois é Deus quem os sustenta (Mateus 6:26). Ou olhar os lírios do campo, que ninguém por mais rico que seja, se iguala a sua beleza (Mateus 6:28).

    Não estou defendendo que você não deve trabalhar, muito menos ter uma vida sem ocupação alguma, apenas afirmo a importância de seguir confiando em Deus, revendo todas as suas prioridades. E não viver para coisas que não tem importância, que acabam com o tempo. Pois é isso que o texto de Mateus deixa claro, como Deus cuida dos seus e nunca deixa faltar e ele ainda acrescenta um aviso no versículo 31, afirmando que não devemos ficar preocupados com o que comer ou beber.

    Acredito que hoje em dia a busca por riquezas não tem a ver apenas com o ter dinheiro, mas ter condição social, mostrar que pode ser tudo, que é melhor que o outro e por aí vai. É por isso que para muitos consumir é importante. Gosto de um ditado que diz:

    “Alguns buscam ganhar dinheiro para comprar o que não precisam para assim agradar a quem não conhecem”.

    Isso é característico do homem. Manter a aparência e mostrar que é superior ao outro. Mas depois, no fim das suas vidas, percebem o valor de cuidar de sua saúde ou viver uma vida tranquila, valorizando o tempo com a família e filhos, ou valorizar a natureza e o convívio com os amigos. O homem constantemente esquece-se das pequenas coisas, dos momentos simples que move todo o seu mundo. E constantemente, só vê a importância destes momentos quando não mais o tem, mas aí, quase sempre é tarde demais.

    Quando não cultivamos relacionamentos, amizades, intimidades com os filhos ou uma vida saudável, corrermos o risco de descobrir a importância destas coisas tarde demais.

    O tempo passa e não volta mais, por isso, fazer boas escolhas é importante para viver bem. Muitas vezes você pode perder uma oportunidade financeira, mas ganhar mais tempo com os filhos. Ou recusar o trabalho em uma grande empresa e viver uma vida mais tranquila, sem muito estresse. Vai depender do que você quer para a sua vida.

    O dinheiro é muito importante para viver e dar uma vida boa para nossos familiares, mas a saúde, para nos mantermos bem durante a nossa caminhada, é mais essencial do que tudo isso. Portanto, reflita, pense e faça boas escolhas. Pois são elas que determinarão o ritmo de sua existência e acima de tudo, siga sempre colocando as suas escolhas nas mãos de Deus, pois Ele tem o melhor, o seu caminho é o mais perfeito.

  • TODOS NÓS MORREMOS JOVENS

         Quem me conhece sabe o quanto gosto de música. Sou eclético, mas o que está na veia é o bom e velho rock´n roll. Na década de 80 foi lançado um filme do qual gostei muito. Tornou-se um clássico e perdi a conta das vezes que o assisti. Para quem gosta de rock, aí vai uma dica: Rock Star. Estrelado por Mark Wahlberg e Jennifer Aniston, tem uma trilha sonora maravilhosa com grandes nomes da musica internacional. O filme trata do sonho de um jovem que quer ser um astro do rock, objetivo esse alcançado. Depois do sucesso estrondoso ele percebe que isso não trouxe o que buscava. As músicas foram compostas exclusivamente para o filme e uma delas chamou minha atenção. O título da música é “We all die young” (nós todos morremos jovens) e nos pode levar a uma reflexão.  

     

    TODOS NÓS MORREMOS JOVENS

     

    Arrisco a minha alma, testo minha vida

    Pelo meu pão

    Passo meu tempo perdido no espaço

    Estou morto?

    Deixe o rio correr Através das minhas mãos calejadas

    E leve-me de mim mesmo

    Os olhos do condenado

    Isso me deixa enjoado

    E arranca minha carne dos ossos

    Como nós fazemos com que nossos sonhos se tornem pedra

    E nós todos morremos jovens

    Diga-me eu sei

    Eu vivi com tanto medo

    E ainda nós choramos sozinhos

    Com palavras que nós deixamos de falar

    Isso me deixa enojado

    E arranca minha carne dos ossos

    Como nós fazemos com que nossos sonhos se tornem pedra

    E nós todos morremos jovens

    Nós todos morremos jovens;

          A letra expressa certa decepção com a vida, onde alguém luta testando a vida e arriscando a própria alma para conseguir ganhar seu pão, seu sustento.  As mãos já estão calejadas de tanto lutar, mas a vida escorre entre os dedos como a água de um rio. Parece que a frustração é tão grande que ele pede para ser levado de si mesmo e nem ao menos sabe se está vivo. A agonia é tão grande que tem a sensação que a carne é arrancada dos ossos. Até mesmo os sonhos morrem, pois a forma que a vida é vivida os tornou inertes como se fossem de pedra; são frios e sem vida. Essa parece ser a vida desse alguém e é dessa forma que ele vê as outras pessoas. Todos nós morremos jovens, talvez por morremos antes de realmente viver.

         O que parece ser apenas a letra de mais uma de tantas músicas, talvez reflita a vida como ela está sendo vivida pelo homem. Investimos nossos esforços para conquistar o pão de cada dia. Mas temos outras necessidades além do pão. Somos convencidos que necessitamos de inúmeras coisas para sobreviver. Muitos bens supérfluos tornam-se essenciais para alcançar a felicidade e quando os conquistamos a sensação de vazio permanece e continuamos correndo, procurando ser feliz. Alcançamos nossos sonhos, mas a felicidade escorre entre os dedos como quando tentamos segurar um rio em nossas mãos. É bom alcançar sonhos e objetivos, mas não é isso que no realiza como pessoa. As conquistas são necessárias, porém não devemos gastar a vida e arriscar a alma nisso sob o risco de morrermos jovens; morrer sem ter realmente vivido.

         As coisas valem cada vez mais e as pessoas cada vez menos. Poucos investem seus esforços em relacionamentos, sejam eles de que natureza for. Perseveramos muito mais com coisas do que com pessoas. Elas são trocadas ou descartadas nos primeiros instantes quando se percebe que não trarão o retorno desejado. As próprias relações humanas são egoístas e interesseiras. E o pior de tudo é que o homem vive essa vida de frustração, sem ao menos dar conta que esteja no caminho errado.

         Mas qual a razão que leva a grande maioria das pessoas a trilharem esse caminho? Provavelmente haja várias razões; uma delas é que seus olhos desviaram-se daquilo que é a essência da vida. O homem sente-se infeliz, mas parece que não consegue encontrar seu caminho. Segundo a Bíblia, seus olhos estão cobertos com escamas que não lhe permitem ver a realidade. Particularmente acredito nisso, pois a queda do homem trouxe muito mais do que a morte. O homem perdeu grande parte da glória de Deus o que também refletiu na imagem e semelhança do seu criador que também foi arranhada. A partir do momento em que o pecado entrou no mundo, vivemos, vemos o universo e a vida com os olhos e a mente contaminada pelo pecado. O homem tornou-se caído e encontra-se em uma condição para a qual não foi criado. Por nossa imperfeição somos incapacitados de ver o Reino de Deus como ele realmente é. Vemos apenas sombras que nos dão idéia de como seja a verdade ao nosso redor.

          Mas, em seu amor, Deus resolveu nosso problema.  Em João 9:5, vemos uma revelação de Cristo, que nos traz a possibilidade de uma outra vida. Ele diz: “Enquanto estou no mundo, sou luz do mundo”. Isso não é novidade e praticamente todos já sabem isso. Mas será que percebemos a profundidade das palavras ditas por Jesus? Estando em um ambiente escuro, não conseguimos ver nada. Não sabemos o que tem ao nosso redor, ou seja, não conseguimos ver a realidade do ambiente onde estamos. Também não sabemos para onde andar e se andarmos, corremos o risco de esbarrar em algo ou até mesmo em tropeçar e cair.  Mas se conseguirmos ascender uma lâmpada tudo muda. Passamos a ver o que está ao nosso redor e temos a percepção mais clara da realidade do ambiente. Quando enxergamos com clareza vemos os obstáculos que nos cercam e encontramos o caminho que nos leva até a porta da saída. A luz revela a verdade que está em nossa volta. Isso também acontece em nossa vida, quando buscamos uma vida de intimidade com Deus. Vivendo sob sua vontade, ele retira as escamas que nos cegam, ilumina nossa vida e passamos a entender o que é a vida a partir do ponto de vista de Deus. Olhamos a realidade não mais através dos olhos imperfeitos, mas sim com os olhos perfeitos de Deus. Nossos princípios mudam e passamos a ver e viver a vida de oura forma e com outras prioridades. Isso não significa que tudo que fazíamos anteriormente seja errado, mas ocorre um ajuste na escala de valores e a vida passa a fazer sentido e nos sentimos mais realizados, pois trata-se da verdade e não de um modo de vida mentiroso.

         Uma vida longe de Deus é como a letra da música citada. Busca-se a felicidade através da sensação do bem estar e do prazer. O prazer de ter aquilo que se quer e de fazer algo que satisfaça os instintos e vontades. Mas parece que é como correr atrás do vento, pois a cada bem conquistado ou prazer experimentado, surgem novas necessidades. É uma busca sem fim, pois a felicidade está sendo buscada no caminho errado; o caminho da frustração. Mas quando se busca a felicidade naquele que é a luz do mundo, aí encontramos a verdade e ela nos liberta da escuridão. Nem todos os problemas são resolvidos, nem todos os bens conquistados, mas o principal de todos com certeza teremos. A satisfação de ter encontrado a felicidade. E assim morremos jovens não porque não vivemos, mas sim porque descobriremos que não fomos criados para morrer e sim para viver.

  • O MITO DA RELIGIOSIDADE (ADAPTAÇÃO DO MITO DA CAVERNA DE PLATÃO)

    A primeira vez que li o texto de Platão, não consegui deixar de fazer uma ponte com inúmeras pessoas que vivem a vida calcada em sua religiosidade e hipocrisia. É por este motivo que resolvi fazer a minha própria versão do Mito da caverna, como uma crítica a estes homens, que passam muito mais tempo julgando que ajudando. Terminei o texto com uma breve reflexão, então, boa leitura.

    Imagine algumas pessoas, que passaram uma vida inteira dentro da igreja e são prisioneiros da religiosidade. Por causa disso, foram ensinados de uma forma que eles não conseguiam olhar para o mundo sem as suas lentes legalistas, por acharem o mundo pecaminoso é um lugar que não vale à pena se misturar. E estas pessoas acreditam que tudo o que tem no mundo é mau e demoníaco, afinal, como muitos cristãos afirmam: o mundo jaz o maligno.

    A suas costas existe uma cidade e entre a porta da igreja deles e a rua há um caminho, onde diversas pessoas passam com suas vidas, seus costumes, suas coisas. E cada pessoa que passa tem a sua história, sua vivência e suas decepções, cada um com a sua bagagem.

    E tudo o que estes prisioneiros religiosos veem é através da sombra de sua religiosidade, é só desta forma que eles veem o mundo e enxergam as pessoas. Mundanos estes que merecem morrer, ir para o inferno, segundo falam estes religiosos prisioneiros.

    Mas imagine agora que um dos prisioneiros é libertado destas quatro paredes e é solto no mundo. E após se adaptar a forte luz fora das suas quatro paredes, enxerga um lugar que é diferente de tudo o que ele viu, que não se parece com nada que a religiosidade mostrava a ele, onde este mundo afinal, não era tão feio assim.

    Possui uma natureza exuberante, digna de ser cuidada e pessoas cada uma com as suas histórias. Este homem percebe também que algumas delas pensam diferentes e não é porque são endemoniadas, como ele pensava. Mas apenas decepcionadas com algo ou pensam assim por causa de suas diferenças, vivencias e experiências.

    Imagine que este homem descobre que quando você fala de Deus e a pessoa escuta, ela também vai querer dar a sua opinião ou falar de sua crença e você também vai ter que ouvir e respeitar. E respeitar a opinião alheia não é aceitar o seu ponto de vista e sim, entender a individualidade que cada ser humano tem e deixar cada um seguir pensando como acha melhor. Imagine que este homem descobre que a missão dele é pregar e não convencer as pessoas, e também que quem ganha almas para Deus é o Espírito Santo, por isso, ele não precisa ficar decepcionado se a pessoa vai ou não aceitar a sua palavra.

    Só que este homem, após ter esta percepção do mundo, deseja voltar e compartilhar tudo o que viu com seus amigos, mas estes prisioneiros religiosos não conseguem reconhecer o seu próprio amigo e começam a achar que ele está desviado, contaminado com o pensamento “mundano”. Suas palavras não são “religiosas” e a sua conduta de se misturar no mundo é pecaminosa e demoníaca. Para estes homens a história do homem liberto não existe e é absurda, e a conduta daquele homem não se encaixa dentro da religiosidade. Mas isso não torna o mundo fora da religiosidade irreal e inexistente, e muito menos não merecedora do amor de Deus.

    Muitos vivem a vida sem olhar para o mundo, seguem por este caminho sem olhar para pessoas e compreendê-las e o pior, ofendem a muitos em nome de “pregar a palavra”.

    O reino de Deus começa aqui e a igreja tem que estar presente no mundo e não deve se fechar em si mesma. O evangelho nunca chegará às pessoas se nos fecharmos em nós mesmos, e a nossa pregação nunca será eficaz se não respeitarmos as diversas formas de pensar que existem.

    Não estou falando para concordar com todas as opiniões, ou enfeitar o evangelho para ser mais digerível. Estou falando para pregarmos a palavra e respeitarmos uns aos outros como seres humanos pensantes e individuais. E acima de tudo, estou afirmando que devemos pregar a palavra e não convencer pessoas, nossa função não é esta, pois como a Bíblia nos avisa, quem converse é o Espírito Santo (João 16:7-11), nós somente pregamos e damos o exemplo.

  • DESENHANDO OS PRÓPRIOS CAMINHOS

         Praticamente todos os anos ouvimos casos de pessoas que se perdem em trilhas. Muitos desses casos são em serras. Em busca de lazer e contato com a natureza, pessoas se aventuram em matas e trilhas desconhecidas e algumas vezes se perdem. Trata-se de uma situação difícil, pois como é algo inesperado, elas não levam suprimentos tais como água e comida para passar um tempo além do previsto. Quando ocorrem casos como esse, geralmente o corpo de bombeiros é acionado e com preparo e conhecendo bem a região, seus integrantes acabam conseguindo resgatar aqueles que se perderam. Da mesma forma muitas vezes nos perdemos na vida. Nos aventuramos nos caminhos da vida, e algumas vezes não sabemos mais onde estamos e pior; não sabemos o que fazer. Mas por que isso acontece?

         Em boa parte das vezes a escolha de um caminho errado deve-se a autossuficiência. Trata-se de uma característica do homem, que facilmente o coloca em situações difíceis. A autossuficiência é uma característica necessária para que tenhamos atitudes e não morramos de inanição, mas se não soubermos dosá-la podemos nos colocar em risco. Não existe ninguém que seja totalmente autossuficiente, pois em pelo menos algumas ocasiões dependemos de algo ou de alguém. Mas há outros motivos pelos quais pegamos os caminhos errados da vida. Por aceitar opiniões erradas, por não fazer uma clara leitura de uma situação entre outros. Mas acredito que a principal seja o sentimento de independência que temos. Sempre queremos fazer tudo da nossa forma, ter razão naquilo que fazemos e da forma que fazemos.

         O homem tem essa propensão a agir conforme sua própria vontade. Alguns mais enquanto que outros menos, mas todos os homens tem essa essência. Mas quando o assunto é cristianismo, tudo muda. Ou pelo menos, deveria mudar. Continuamos com nossa natureza de independência, mas quando aceitamos o desafio de viver uma vida segundo os ensinamentos de Cristo, nossa atitude deve mudar. Nossa vontade fica em segundo plano, pois viver o cristianismo é deixar que Deus guie nossa vida. É ele que indicará os caminhos a seguir. Mas, parece que a todo momento queremos seguir os nossos próprios passos. A Bíblia está repleta de exemplos onde pessoas fizeram sua própria vontade deixando Deus em segundo plano.

         Um dos melhores exemplo é a história do povo de Israel no Antigo Testamento. Trata-se de um ciclo quase interminável onde o povo se afastava de Deus, pecava, colhia as consequências do pecado, sofrendo muito, arrependiam-se e finalmente voltavam-se para Deus. Depois de um tempo, afastavam-se novamente de Deus e tudo começava de novo. O livro do profeta Ageu contém um desses exemplos. A palavra que Deus deu a Ageu foi em 520 a.C. Para quem conhece um pouco da Bíblia, sabe que isso foi logo após o cativeiro do povo hebreu na Babilônia. Parte dos que foram levados cativos para a Babilônia, voltaram para Jerusalém. Foram 70 anos fora da cidade e ela estava em ruínas. O templo, que era de suma importância para o povo, estava destruído. Uma das ordens de Deus foi sua reconstrução. Com a volta do povo, a primeira providência foi construir o muro que protegia a cidade. Logo a reconstrução do templo começou, e depois de aproximadamente 7 meses o alicerce  estava pronto. Mas foi aí que o povo começou a andar em seu próprio caminho e deixou Deus de lado. A reconstrução do templo foi deixada de lado e cada um foi cuidar da sua vida. O primeiro capítulo de Ageu trata disso e vemos Deus chamando a atenção do povo. No versículo 2, ele fala ao povo que a construção do templo foi deixada de lado. Na sequência mostra a atitude desse povo que, ao invés de construir o templo, investiu seus esforços na construção de belas casas. Os judeus deixaram a vontade de Deus de lado e foram viver a vida conforme sua própria vontade. Como sempre, o castigo veio.

         No restante desse capítulo, vemos que a situação não era boa. Os judeus já colhiam os frutos de andar em seus caminhos. Chovia muito pouco e a produção de alimentos era escassa. O dinheiro não rendia nada, e Deus é claro em afirmar que tudo isso eram consequências por lhe terem  deixado de lado. Temos que lembrar que no momento da profecia de Ageu já haviam se passado 16 anos desde o início da construção do tempo. Ou seja, o povo começou de forma entusiasmada, trabalharam por um tempo e deixaram a obra (vontade de Deus) de lado por 16 anos.

         Um fato desse e tão diferente da tua e da minha realidade pode parecer não ter muito em comum com nossa vida. Pode parecer ser apenas uma historinha bíblica mas na realidade tem tudo a ver, pois é comum repetirmos essa atitude do povo judeu. Nos declaramos cristãos autênticos, vestimos camisetas com dizeres bíblicos, participamos ativamente na vida da igreja local, mas a questão é: quem manda na nossa vida? Será que é Deus ou a nossa vontade? É muito difícil sabermos o que Deus quer dos outros e por isso mesmo não podemos julgar. Mas tenho certeza que se a vontade de Deus estivesse sendo vivida por pelo menos a metade dos mais de 40 milhões de evangélicos que o último senso brasileiro apontou, a realidade da nossa sociedade seria outra. Olhando para o que muitas igrejas fazem, aquilo que pregam fica difícil imaginar que seja um mover de Deus. Mas a questão que quero abordar é se as tuas e as minhas atitudes e decisões são aquelas que Deus nos mostra. Pode parecer um assunto pouco interessante e muito pregado, mas acredito que seja muito pregado justamente por ser uma área extremamente crítica e onde geralmente falhamos.

         No texto citado a questão era a construção do templo. Era a época da antiga aliança e o templo era a casa de Deus. Era lá que Deus habitava e o povo simplesmente relaxou com a casa de Deus. Na realidade da nova aliança, Deus não habita mais em um prédio chamado templo, mas esse templo é a vida de cada um de nós. Será que estamos construindo nosso templo, nossa vida, para aquilo que Deus quer, para aquilo que ele nos criou ou simplesmente estamos passando pela terra levando uma vida certinha, buscando fazer o bem para as pessoas, sendo bonzinho sem prejudicar ninguém? E dentro disso, ter um emprego bom que nos dê condições de sustentar dignamente a família. É só isso que Deus quer de nós? Esse é o cristianismo que vivemos? Infelizmente a minoria sabe aquilo que é o mais básico de tudo, que é a vontade de Deus para sua vida. Você sabe o que Deus quer de você? Como queremos andar nos caminhos dele se, muitas vezes, nem sabemos sua vontade?

         Em minha opinião viver o cristianismo autêntico é viver para cumprir aquilo que Deus planejou para cada um de nós quando ele nos formou. Ele nos criou para algo muito maior do que ser uma pessoa boa e ter uma vida legal aqui na terra e depois no céu. Nosso templo só estará reconstruído quando estivermos vivendo aquilo que Deus sonhou para nossa vida. Vivemos em função da busca da felicidade. Um bom emprego, uma família e muitas outras coisas podem fazer parte disso, mas o que quero enfatizar é que precisamos, de forma urgente, voltar nossa atenção para aquilo que Deus quer de nós. Na maioria das vezes em que seguimos nossos planos, acabamos frustrados. O problema é que nem nos damos conta que as coisas não saíram conforme o que esperávamos pelo fato de estarmos fora da vontade de Deus. No versículo 5 do primeiro capítulo de Ageu, Deus fala ao povo: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram….”. Nossos caminhos, nossas vontades são enganosos assim como nosso coração.  A felicidade tão sonhada por todos os homens está na vontade de Deus para cada um. Muito mais que um chavão igrejeiro, isso é a mais simples das verdades, pois a vontade de Deus para mim e para você é a melhor coisa que pode nos acontecer; ela é perfeita e fomos criados para viver o que ele planejou para nós.

         Diz um ditado popular que errar é humano mas persistir no erro é burrice. Não precisamos necessariamente errar para aprendermos. Podemos aprender observando os outros. A Bíblia está cheia de exemplos daquilo que deu e do que não deu certo. Acredito que tomar a Bíblia como exemplo e como princípio para nossa vida é um passo simples e ao mesmo tempo gigante para que consigamos saber a vontade de Deus para nossa vida e também para que façamos dessa vontade divina a essência do nosso viver. Não se perca pelas trilhas da vida. Deixe Deus ser teu guia e aproveite tua caminhada.

  • MAMOM

    Gosto muito de ler e quem me conhece sabe que eu leio muito e vários temas. De livros teológicos a livros de história, e a pouco tempo terminei um livro do Bernard Cornwell chamado: Crônicas Saxônicas. Que conta a história de um guerreiro saxão chamado Uhtred, que quando novo, havia sido raptado e criado em meio aos vikings. Onde depois de grande, percorre a Europa em busca de tesouros e riquezas e durante a sua busca, ele fica hora do lado do povo saxão, hora ao lado do povo viking que invadia a Europa. Este guerreiro era dividido e fazia qualquer coisa pelo vil metal, até trair a sua pátria. Em Mateus 6:24 a Bíblia diz:

    “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou será leal a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.

    Quando a Bíblia diz Mamom, ela se refere a riqueza. Falando em riqueza, um tempo atrás, li uma postagem de uma pastora que dizia:

    “Prefiro pregar o evangelho da prosperidade, do que o da pobreza”.

    É uma frase complicada e por este motivo, concluo que muitos não entendem o quão prejudicial é a teologia da prosperidade e o quanto ela está fora da Bíblia. Isso sem contar que Cristo priorizou a pregação da palavra aos pobres e excluídos (Tiago 2:5) e ainda deixou claro como é difícil encontrar um rico no reino dos céus, na famosa passagem do jovem rico (Lucas 18:24).

    Por conta disso, farei uma breve análise de alguns de seus pontos a luz da palavra, ressaltando que não creio que devemos viver na pobreza e na miséria, e muito menos devemos deixar de ir atrás de nossos sonhos. O que eu quero com este texto é mostrar como a fórmula de prosperidade pregada por esta teologia é totalmente antibíblico, e como o dinheiro corrompe e modifica nossos valores e prioridades.

    1 – A Bíblia não nos ensina a determinar a Deus

    Tenho grande dificuldade com a frase: Determine a sua benção. Porque determinar, segundo o dicionário é: Decretar, promulgar alguma coisa. Eles usam João 14:13 e distorcem o texto, pois o texto não ensina a determinar, e sim pedir, suplicar, rogar.

     “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.

    Dar ordens a Deus não é nem de perto uma atitude cristã, a verdadeira atitude é rogar, e esperar que a vontade dele seja feita. Tiago 4:3 diz que devemos pedir, mas não coisas que sirvam para nossos próprios prazeres. A Bíblia não dá lugar a uma vida egoísta e avarenta, ao contrário, seguir a Cristo é uma vida de amor e serviço ao próximo. Sem contar que servir a Deus é fazer a sua vontade é entregar nossa vida, sonhos e expectativas e deixar que Ele faça o que bem entende. Isso é ser cristão e determinar não combina com os ensinos Bíblicos. A palavra nos chama a servir e não sermos servidos, a doar e não a ostentar.

    2 – A Bíblia não nos incentiva a prosperar

    O palavra não dá ênfase na prosperidade, e se neste momento, você lembrou de todos os homens prósperos da Bíblia, não esqueça de uma coisa, não existiam só homens prósperos na Bíblia. Ela também fala de muitos outros servos que não viviam para riquezas e que recusaram dinheiro ao longo de suas jornadas. Como por exemplo: Daniel, Elias, Eliseu, João Batista, os Apóstolos, etc…

    Temos que ter cuidado com as narrativas e histórias Bíblicas, pois alguns textos do Velho Testamento não são normas ou padrões a serem seguidos, e sim experiências de pessoas que serviram a Deus. A ênfase da palavra é dedicar a sua vida a Deus, Salmos 37:5 diz:

    “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”.

    Ou seja, entrega o teu caminho ao Senhor e deixe o resto com Deus. A ênfase do Salmo é entregar a sua vida, e deixar que Ele guie e dirija, e não a parte que ele fará algo, como muitos pregadores enfatizam.

    3 – A Bíblia não ensina que quem tem Deus não sofre

    É interessante a afirmação de muitos adeptos desta teologia, eles afirmam que quem tem Cristo não sofre, mas com uma conferida rápida na palavra, constataremos o quão equivocado é esta afirmação. Afinal, João Batista foi decapitado (Mateus 14:1-11), Tiago morto a fio de espada (Atos 12:2). Paulo escreveu muitas de suas cartas preso e João escreveu o apocalipse também preso (Apocalipse 1:9). A fé cristã foi marcada por muitos sofrimentos e enquanto hoje, a nossa grande dificuldade é manter a fé, por conta de inúmeras tentações, naquela época, ser cristão era morrer em arenas, torturado e esquartejado. Cristo avisou que passaríamos por dificuldades e não estaríamos imunes as intempéries, contudo, também falou para não ficarmos preocupados, pois Ele tinha vencido o mundo (João 16:33).

    Eu poderia enumerar muitas outras coisas que a teologia da prosperidade ensina e que não está na palavra, como vender toalhinhas abençoadas, sal de não sei o que, travesseiro milagroso e por aí vai. Eu não acredito nesta prosperidade, o que eu acredito se resume em uma frase de Epicuro:

    “A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades”.

     Sonhe, trabalhe, faça projetos, mas acima de tudo, faça a vontade de Deus. Quando buscamos a vontade D’ele, realmente prosperamos, mas não uma prosperidade somente financeira e sim uma vida completa e feliz, seja com dinheiro ou sem ele. Sabendo que em qualquer situação, na derrota ou na vitória, na abundância ou na fartura, Deus esta conosco (Filipenses 4:12-13).

    Esta é a verdadeira prosperidade, confiar e crer na provisão divina, o resto é distração!