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IRA
A raiva é um sentimento avassalador que atrapalha a nossa vida, desequilibra a nossa caminhada, nos faz agir de forma insensata e tomar decisões sem pensar. A raiva é um veneno sutil que quando está descontrolado, te consome aos poucos, minando a sua energia e a sua alegria.
Quem está sempre com raiva não mais vive, lamenta. Quem está sempre com raiva, não produz, destrói, mesmo que seja a sua própria vida. Efésios 4:26 diz:
“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”.
Um conselho difícil, não é? Sim, irar-se sem pecar é um grande desafio.
Ainda mais quando temos a nossa vida aviltada pelo preconceito, a injustiça ou problemas dos mais diversos. Sem contar os arrogantes, que de forma “genial” te rebaixam ao zero. Afirmando que as suas dificuldades são frescuras ou o seu problema é pequeno demais, fácil de resolver se realmente você quiser. Gosto muito de uma frase que diz:
“O problema dos outros é sempre fácil resolver”.
Quando não nos colocamos no lugar dos outros, não demoramos a julgar, afinal, muitas vezes nos vemos melhor que o próximo. Mas não é bem assim e devemos entender que cada um tem a sua dificuldade.
Mas se acalme, ou pelo menos tente, pois o ônus da raiva é muito alto, não vale a pena pagar, os problemas de se lidar com este sentimento é grande, o que torna fundamental a aplicação do texto de Efésios em nossa vida.
O primeiro grande problema que a raiva nos traz é o fato que podemos ferir ou ofender pessoas inocentes durante a nossa fúria. E isso é um transtorno, uma dificuldade que você terá, além do grande trabalho para resolver depois que os seus ânimos acalmarem. Isso sem contar que em meio a raiva, transformamos pequenos problemas em gigantes, complicando mais ainda a situação em vez de resolver. A raiva sempre nos deixa cegos, a fúria nos deixa na maioria das vezes desorientados. E uma coisa aprendi ao longo de minha vida: “Tomar decisões quando se está com raiva, feliz ou apressado, sempre se resulta em confusão”. O resultado é sempre ruim, é por isso que só as decisões importantes se eu puder ter tempo para pensar, do contrário, a resposta é sempre não.
O segundo grande problema que a raiva nos traz é a falta de saúde. Sabemos dos malefícios de quem vive em ambientes de extremo estresse, isso raramente acaba bem. Sejam problemas gástricos, emocionais, ou seja lá o que for. A raiva estraga nossa saúde e nos enfraquece. Portanto, manter a calma e tentar por a cabeça no lugar é imprescindível para conseguirmos seguir com saúde.
A raiva por mais autêntica que seja pode nos consumir e nos leva a alguns patamares difíceis de sair. Excesso de raiva nos consome e nos faz enxergar a vida cinza. Não é a toa que Efésios nos aconselha a irarmos, mas não pecarmos, para não sairmos por aí ofendendo quem não tem culpa, e também não é a toa que a Bíblia diz para não deixarmos o sol se por sobre a nossa ira. Porque remoer coisas ruins nos faz mal e nos consome e a mágoa é um veneno, por isso, se acalme e jogue fora este veneno. Viver com raiva não é viver, é morrer aos poucos.
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REFORMA JÁ
Dia 31 de outubro comemoramos o dia da reforma protestante, marco histórico de quando Lutero pregou as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Mas, apesar da bravura deste pensador, houve outros corajosos que pavimentaram o caminho que Lutero percorreu tempos depois. Dois deles foram Wycliffe e Huss, que denunciaram sacerdotes ladrões e revelaram os malefícios que a igreja estava fazendo até aquele momento. Usavam os conceitos da predestinação, para por fim na corrupção e deixar como padrão absoluto as escrituras (GEORGE, 2010, p. 38-39).
Entre os vários problemas que a igreja da época tinha estavam: A corrupção em todos os setores da igreja Católica Romana. Clérigos que compravam e vendiam cargos, muitos possuíam sinecuras, que eram cargos assalariados onde muitos recebiam sem prestar serviço religioso. A justiça era comprada e vendida nas cortes eclesiásticas. Os fiéis eram abandonados sem ter ajuda dos bispos. O costume de colecionar relíquias como pedaços de cruz, ossos de santos, venda de indulgências, entre muitas outras coisas (CAIRNS, 2008, p. 254-255).
A Bíblia na época não era o padrão absoluto, pois a palavra do Papa valia tanto quanto, mesmo indo de encontro com as escrituras. E enquanto naquele período pensadores tentavam reformar o movimento cristão. Nos dias atuais a coisa não está tão diferente assim.
Há quem diga que a Bíblia é a mãe de todas as heresias e isso fica claro quando vemos pastores distorcendo o evangelho, pregando como se a sua palavra fosse a verdade absoluta. Se antes o acesso a Bíblia era limitado, por conta do analfabetismo, o controle da igreja ou o alto preço do livro. Hoje, a Bíblia não é estudada por pura preguiça e falta de vontade, enquanto mestres despreparados ensinam besteiras que nem de perto a Bíblia proclama.
Conheci um cristão que não estudava a Bíblia e falava que confiava no que o pastor dizia. Afinal, segundo ele, o indivíduo que se diz ser pastor deve saber o que está dizendo.
Precisamos imediatamente de uma nova reforma, mas acredito que antes, temos que reformar a nossa preguiça. Não adianta nos unirmos para construir um movimento baseado na palavra e no ensino, se continuarmos sem estudar e entender a palavra e assim, permanecer nas mãos de alguns “estudiosos”, como era a realidade antigamente. 2Timóteo 2:15 diz:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.
Sem dúvida alguma, a reforma deve acontecer primeiro em nossas vidas para mudarmos a nossa maneira de ser cristão, fazendo com que a igreja leia mais, estude mais e saiba em quem acredita. Se entendermos a importância do estudo e valorizarmos os pastores e professores que conhecem e ensinam de maneira séria e coesa, a igreja vai mudar.
Que possamos seguir sabendo manejar a palavra sem nos envergonhar, aptos a fazer a obra que Deus nos manda, com zelo, sabedoria e conhecimento, sem esquecer que o nosso norte é a Bíblia, tal qual diz a tese de número 62ª de Lutero:
“O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”.
BIBLIOGRAFIA
CAIRNS, E. Earle. O cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.
GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Editora Vida Nova, 2010.
MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.
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VIDA SIMPLES
Tenho uma grande meta em minha vida: “viver todos os meus dias com simplicidade”. Acredito que o ônus que as pessoas que têm dinheiro e posses pagam é muito alto.
Primeiro, porque quem tem grana ou se dedica apenas a ganhar este vil metal, vive apreensivo e acaba mantendo todo o seu foco neste objetivo. Preocupado em como o seu dinheiro está aplicado, ou como está a sua casa ou carro, etc.
Segundo, não vejo propósito em se dedicar a apenas juntar riquezas, acho muito pouco ter esta motivação. Não que eu queira viver na pobreza e muito menos ache o dinheiro inútil. Só acredito que o dinheiro existe para nos ajudar e não para nos escravizar ou ser o principal motivo de nossa existência.
É incrível o que uma cabeça despreocupada pode fazer. A Bíblia dá muitos ótimos exemplos de despreocupação. Ela nos manda observar e aprender com os pássaros, que não plantam nem colhem e não passam fome, pois é Deus quem os sustenta (Mateus 6:26). Ou olhar os lírios do campo, que ninguém por mais rico que seja, se iguala a sua beleza (Mateus 6:28).
Não estou defendendo que você não deve trabalhar, muito menos ter uma vida sem ocupação alguma, apenas afirmo a importância de seguir confiando em Deus, revendo todas as suas prioridades. E não viver para coisas que não tem importância, que acabam com o tempo. Pois é isso que o texto de Mateus deixa claro, como Deus cuida dos seus e nunca deixa faltar e ele ainda acrescenta um aviso no versículo 31, afirmando que não devemos ficar preocupados com o que comer ou beber.
Acredito que hoje em dia a busca por riquezas não tem a ver apenas com o ter dinheiro, mas ter condição social, mostrar que pode ser tudo, que é melhor que o outro e por aí vai. É por isso que para muitos consumir é importante. Gosto de um ditado que diz:
“Alguns buscam ganhar dinheiro para comprar o que não precisam para assim agradar a quem não conhecem”.
Isso é característico do homem. Manter a aparência e mostrar que é superior ao outro. Mas depois, no fim das suas vidas, percebem o valor de cuidar de sua saúde ou viver uma vida tranquila, valorizando o tempo com a família e filhos, ou valorizar a natureza e o convívio com os amigos. O homem constantemente esquece-se das pequenas coisas, dos momentos simples que move todo o seu mundo. E constantemente, só vê a importância destes momentos quando não mais o tem, mas aí, quase sempre é tarde demais.
Quando não cultivamos relacionamentos, amizades, intimidades com os filhos ou uma vida saudável, corrermos o risco de descobrir a importância destas coisas tarde demais.
O tempo passa e não volta mais, por isso, fazer boas escolhas é importante para viver bem. Muitas vezes você pode perder uma oportunidade financeira, mas ganhar mais tempo com os filhos. Ou recusar o trabalho em uma grande empresa e viver uma vida mais tranquila, sem muito estresse. Vai depender do que você quer para a sua vida.
O dinheiro é muito importante para viver e dar uma vida boa para nossos familiares, mas a saúde, para nos mantermos bem durante a nossa caminhada, é mais essencial do que tudo isso. Portanto, reflita, pense e faça boas escolhas. Pois são elas que determinarão o ritmo de sua existência e acima de tudo, siga sempre colocando as suas escolhas nas mãos de Deus, pois Ele tem o melhor, o seu caminho é o mais perfeito.
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TODOS NÓS MORREMOS JOVENS
Quem me conhece sabe o quanto gosto de música. Sou eclético, mas o que está na veia é o bom e velho rock´n roll. Na década de 80 foi lançado um filme do qual gostei muito. Tornou-se um clássico e perdi a conta das vezes que o assisti. Para quem gosta de rock, aí vai uma dica: Rock Star. Estrelado por Mark Wahlberg e Jennifer Aniston, tem uma trilha sonora maravilhosa com grandes nomes da musica internacional. O filme trata do sonho de um jovem que quer ser um astro do rock, objetivo esse alcançado. Depois do sucesso estrondoso ele percebe que isso não trouxe o que buscava. As músicas foram compostas exclusivamente para o filme e uma delas chamou minha atenção. O título da música é “We all die young” (nós todos morremos jovens) e nos pode levar a uma reflexão.
TODOS NÓS MORREMOS JOVENS
Arrisco a minha alma, testo minha vida
Pelo meu pão
Passo meu tempo perdido no espaço
Estou morto?
Deixe o rio correr Através das minhas mãos calejadas
E leve-me de mim mesmo
Os olhos do condenado
Isso me deixa enjoado
E arranca minha carne dos ossos
Como nós fazemos com que nossos sonhos se tornem pedra
E nós todos morremos jovens
Diga-me eu sei
Eu vivi com tanto medo
E ainda nós choramos sozinhos
Com palavras que nós deixamos de falar
Isso me deixa enojado
E arranca minha carne dos ossos
Como nós fazemos com que nossos sonhos se tornem pedra
E nós todos morremos jovens
Nós todos morremos jovens;
A letra expressa certa decepção com a vida, onde alguém luta testando a vida e arriscando a própria alma para conseguir ganhar seu pão, seu sustento. As mãos já estão calejadas de tanto lutar, mas a vida escorre entre os dedos como a água de um rio. Parece que a frustração é tão grande que ele pede para ser levado de si mesmo e nem ao menos sabe se está vivo. A agonia é tão grande que tem a sensação que a carne é arrancada dos ossos. Até mesmo os sonhos morrem, pois a forma que a vida é vivida os tornou inertes como se fossem de pedra; são frios e sem vida. Essa parece ser a vida desse alguém e é dessa forma que ele vê as outras pessoas. Todos nós morremos jovens, talvez por morremos antes de realmente viver.
O que parece ser apenas a letra de mais uma de tantas músicas, talvez reflita a vida como ela está sendo vivida pelo homem. Investimos nossos esforços para conquistar o pão de cada dia. Mas temos outras necessidades além do pão. Somos convencidos que necessitamos de inúmeras coisas para sobreviver. Muitos bens supérfluos tornam-se essenciais para alcançar a felicidade e quando os conquistamos a sensação de vazio permanece e continuamos correndo, procurando ser feliz. Alcançamos nossos sonhos, mas a felicidade escorre entre os dedos como quando tentamos segurar um rio em nossas mãos. É bom alcançar sonhos e objetivos, mas não é isso que no realiza como pessoa. As conquistas são necessárias, porém não devemos gastar a vida e arriscar a alma nisso sob o risco de morrermos jovens; morrer sem ter realmente vivido.
As coisas valem cada vez mais e as pessoas cada vez menos. Poucos investem seus esforços em relacionamentos, sejam eles de que natureza for. Perseveramos muito mais com coisas do que com pessoas. Elas são trocadas ou descartadas nos primeiros instantes quando se percebe que não trarão o retorno desejado. As próprias relações humanas são egoístas e interesseiras. E o pior de tudo é que o homem vive essa vida de frustração, sem ao menos dar conta que esteja no caminho errado.
Mas qual a razão que leva a grande maioria das pessoas a trilharem esse caminho? Provavelmente haja várias razões; uma delas é que seus olhos desviaram-se daquilo que é a essência da vida. O homem sente-se infeliz, mas parece que não consegue encontrar seu caminho. Segundo a Bíblia, seus olhos estão cobertos com escamas que não lhe permitem ver a realidade. Particularmente acredito nisso, pois a queda do homem trouxe muito mais do que a morte. O homem perdeu grande parte da glória de Deus o que também refletiu na imagem e semelhança do seu criador que também foi arranhada. A partir do momento em que o pecado entrou no mundo, vivemos, vemos o universo e a vida com os olhos e a mente contaminada pelo pecado. O homem tornou-se caído e encontra-se em uma condição para a qual não foi criado. Por nossa imperfeição somos incapacitados de ver o Reino de Deus como ele realmente é. Vemos apenas sombras que nos dão idéia de como seja a verdade ao nosso redor.
Mas, em seu amor, Deus resolveu nosso problema. Em João 9:5, vemos uma revelação de Cristo, que nos traz a possibilidade de uma outra vida. Ele diz: “Enquanto estou no mundo, sou luz do mundo”. Isso não é novidade e praticamente todos já sabem isso. Mas será que percebemos a profundidade das palavras ditas por Jesus? Estando em um ambiente escuro, não conseguimos ver nada. Não sabemos o que tem ao nosso redor, ou seja, não conseguimos ver a realidade do ambiente onde estamos. Também não sabemos para onde andar e se andarmos, corremos o risco de esbarrar em algo ou até mesmo em tropeçar e cair. Mas se conseguirmos ascender uma lâmpada tudo muda. Passamos a ver o que está ao nosso redor e temos a percepção mais clara da realidade do ambiente. Quando enxergamos com clareza vemos os obstáculos que nos cercam e encontramos o caminho que nos leva até a porta da saída. A luz revela a verdade que está em nossa volta. Isso também acontece em nossa vida, quando buscamos uma vida de intimidade com Deus. Vivendo sob sua vontade, ele retira as escamas que nos cegam, ilumina nossa vida e passamos a entender o que é a vida a partir do ponto de vista de Deus. Olhamos a realidade não mais através dos olhos imperfeitos, mas sim com os olhos perfeitos de Deus. Nossos princípios mudam e passamos a ver e viver a vida de oura forma e com outras prioridades. Isso não significa que tudo que fazíamos anteriormente seja errado, mas ocorre um ajuste na escala de valores e a vida passa a fazer sentido e nos sentimos mais realizados, pois trata-se da verdade e não de um modo de vida mentiroso.
Uma vida longe de Deus é como a letra da música citada. Busca-se a felicidade através da sensação do bem estar e do prazer. O prazer de ter aquilo que se quer e de fazer algo que satisfaça os instintos e vontades. Mas parece que é como correr atrás do vento, pois a cada bem conquistado ou prazer experimentado, surgem novas necessidades. É uma busca sem fim, pois a felicidade está sendo buscada no caminho errado; o caminho da frustração. Mas quando se busca a felicidade naquele que é a luz do mundo, aí encontramos a verdade e ela nos liberta da escuridão. Nem todos os problemas são resolvidos, nem todos os bens conquistados, mas o principal de todos com certeza teremos. A satisfação de ter encontrado a felicidade. E assim morremos jovens não porque não vivemos, mas sim porque descobriremos que não fomos criados para morrer e sim para viver.
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O MITO DA RELIGIOSIDADE (ADAPTAÇÃO DO MITO DA CAVERNA DE PLATÃO)
A primeira vez que li o texto de Platão, não consegui deixar de fazer uma ponte com inúmeras pessoas que vivem a vida calcada em sua religiosidade e hipocrisia. É por este motivo que resolvi fazer a minha própria versão do Mito da caverna, como uma crítica a estes homens, que passam muito mais tempo julgando que ajudando. Terminei o texto com uma breve reflexão, então, boa leitura.
Imagine algumas pessoas, que passaram uma vida inteira dentro da igreja e são prisioneiros da religiosidade. Por causa disso, foram ensinados de uma forma que eles não conseguiam olhar para o mundo sem as suas lentes legalistas, por acharem o mundo pecaminoso é um lugar que não vale à pena se misturar. E estas pessoas acreditam que tudo o que tem no mundo é mau e demoníaco, afinal, como muitos cristãos afirmam: o mundo jaz o maligno.
A suas costas existe uma cidade e entre a porta da igreja deles e a rua há um caminho, onde diversas pessoas passam com suas vidas, seus costumes, suas coisas. E cada pessoa que passa tem a sua história, sua vivência e suas decepções, cada um com a sua bagagem.
E tudo o que estes prisioneiros religiosos veem é através da sombra de sua religiosidade, é só desta forma que eles veem o mundo e enxergam as pessoas. Mundanos estes que merecem morrer, ir para o inferno, segundo falam estes religiosos prisioneiros.
Mas imagine agora que um dos prisioneiros é libertado destas quatro paredes e é solto no mundo. E após se adaptar a forte luz fora das suas quatro paredes, enxerga um lugar que é diferente de tudo o que ele viu, que não se parece com nada que a religiosidade mostrava a ele, onde este mundo afinal, não era tão feio assim.
Possui uma natureza exuberante, digna de ser cuidada e pessoas cada uma com as suas histórias. Este homem percebe também que algumas delas pensam diferentes e não é porque são endemoniadas, como ele pensava. Mas apenas decepcionadas com algo ou pensam assim por causa de suas diferenças, vivencias e experiências.
Imagine que este homem descobre que quando você fala de Deus e a pessoa escuta, ela também vai querer dar a sua opinião ou falar de sua crença e você também vai ter que ouvir e respeitar. E respeitar a opinião alheia não é aceitar o seu ponto de vista e sim, entender a individualidade que cada ser humano tem e deixar cada um seguir pensando como acha melhor. Imagine que este homem descobre que a missão dele é pregar e não convencer as pessoas, e também que quem ganha almas para Deus é o Espírito Santo, por isso, ele não precisa ficar decepcionado se a pessoa vai ou não aceitar a sua palavra.
Só que este homem, após ter esta percepção do mundo, deseja voltar e compartilhar tudo o que viu com seus amigos, mas estes prisioneiros religiosos não conseguem reconhecer o seu próprio amigo e começam a achar que ele está desviado, contaminado com o pensamento “mundano”. Suas palavras não são “religiosas” e a sua conduta de se misturar no mundo é pecaminosa e demoníaca. Para estes homens a história do homem liberto não existe e é absurda, e a conduta daquele homem não se encaixa dentro da religiosidade. Mas isso não torna o mundo fora da religiosidade irreal e inexistente, e muito menos não merecedora do amor de Deus.
Muitos vivem a vida sem olhar para o mundo, seguem por este caminho sem olhar para pessoas e compreendê-las e o pior, ofendem a muitos em nome de “pregar a palavra”.
O reino de Deus começa aqui e a igreja tem que estar presente no mundo e não deve se fechar em si mesma. O evangelho nunca chegará às pessoas se nos fecharmos em nós mesmos, e a nossa pregação nunca será eficaz se não respeitarmos as diversas formas de pensar que existem.
Não estou falando para concordar com todas as opiniões, ou enfeitar o evangelho para ser mais digerível. Estou falando para pregarmos a palavra e respeitarmos uns aos outros como seres humanos pensantes e individuais. E acima de tudo, estou afirmando que devemos pregar a palavra e não convencer pessoas, nossa função não é esta, pois como a Bíblia nos avisa, quem converse é o Espírito Santo (João 16:7-11), nós somente pregamos e damos o exemplo.
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DESENHANDO OS PRÓPRIOS CAMINHOS
Praticamente todos os anos ouvimos casos de pessoas que se perdem em trilhas. Muitos desses casos são em serras. Em busca de lazer e contato com a natureza, pessoas se aventuram em matas e trilhas desconhecidas e algumas vezes se perdem. Trata-se de uma situação difícil, pois como é algo inesperado, elas não levam suprimentos tais como água e comida para passar um tempo além do previsto. Quando ocorrem casos como esse, geralmente o corpo de bombeiros é acionado e com preparo e conhecendo bem a região, seus integrantes acabam conseguindo resgatar aqueles que se perderam. Da mesma forma muitas vezes nos perdemos na vida. Nos aventuramos nos caminhos da vida, e algumas vezes não sabemos mais onde estamos e pior; não sabemos o que fazer. Mas por que isso acontece?
Em boa parte das vezes a escolha de um caminho errado deve-se a autossuficiência. Trata-se de uma característica do homem, que facilmente o coloca em situações difíceis. A autossuficiência é uma característica necessária para que tenhamos atitudes e não morramos de inanição, mas se não soubermos dosá-la podemos nos colocar em risco. Não existe ninguém que seja totalmente autossuficiente, pois em pelo menos algumas ocasiões dependemos de algo ou de alguém. Mas há outros motivos pelos quais pegamos os caminhos errados da vida. Por aceitar opiniões erradas, por não fazer uma clara leitura de uma situação entre outros. Mas acredito que a principal seja o sentimento de independência que temos. Sempre queremos fazer tudo da nossa forma, ter razão naquilo que fazemos e da forma que fazemos.
O homem tem essa propensão a agir conforme sua própria vontade. Alguns mais enquanto que outros menos, mas todos os homens tem essa essência. Mas quando o assunto é cristianismo, tudo muda. Ou pelo menos, deveria mudar. Continuamos com nossa natureza de independência, mas quando aceitamos o desafio de viver uma vida segundo os ensinamentos de Cristo, nossa atitude deve mudar. Nossa vontade fica em segundo plano, pois viver o cristianismo é deixar que Deus guie nossa vida. É ele que indicará os caminhos a seguir. Mas, parece que a todo momento queremos seguir os nossos próprios passos. A Bíblia está repleta de exemplos onde pessoas fizeram sua própria vontade deixando Deus em segundo plano.
Um dos melhores exemplo é a história do povo de Israel no Antigo Testamento. Trata-se de um ciclo quase interminável onde o povo se afastava de Deus, pecava, colhia as consequências do pecado, sofrendo muito, arrependiam-se e finalmente voltavam-se para Deus. Depois de um tempo, afastavam-se novamente de Deus e tudo começava de novo. O livro do profeta Ageu contém um desses exemplos. A palavra que Deus deu a Ageu foi em 520 a.C. Para quem conhece um pouco da Bíblia, sabe que isso foi logo após o cativeiro do povo hebreu na Babilônia. Parte dos que foram levados cativos para a Babilônia, voltaram para Jerusalém. Foram 70 anos fora da cidade e ela estava em ruínas. O templo, que era de suma importância para o povo, estava destruído. Uma das ordens de Deus foi sua reconstrução. Com a volta do povo, a primeira providência foi construir o muro que protegia a cidade. Logo a reconstrução do templo começou, e depois de aproximadamente 7 meses o alicerce estava pronto. Mas foi aí que o povo começou a andar em seu próprio caminho e deixou Deus de lado. A reconstrução do templo foi deixada de lado e cada um foi cuidar da sua vida. O primeiro capítulo de Ageu trata disso e vemos Deus chamando a atenção do povo. No versículo 2, ele fala ao povo que a construção do templo foi deixada de lado. Na sequência mostra a atitude desse povo que, ao invés de construir o templo, investiu seus esforços na construção de belas casas. Os judeus deixaram a vontade de Deus de lado e foram viver a vida conforme sua própria vontade. Como sempre, o castigo veio.
No restante desse capítulo, vemos que a situação não era boa. Os judeus já colhiam os frutos de andar em seus caminhos. Chovia muito pouco e a produção de alimentos era escassa. O dinheiro não rendia nada, e Deus é claro em afirmar que tudo isso eram consequências por lhe terem deixado de lado. Temos que lembrar que no momento da profecia de Ageu já haviam se passado 16 anos desde o início da construção do tempo. Ou seja, o povo começou de forma entusiasmada, trabalharam por um tempo e deixaram a obra (vontade de Deus) de lado por 16 anos.
Um fato desse e tão diferente da tua e da minha realidade pode parecer não ter muito em comum com nossa vida. Pode parecer ser apenas uma historinha bíblica mas na realidade tem tudo a ver, pois é comum repetirmos essa atitude do povo judeu. Nos declaramos cristãos autênticos, vestimos camisetas com dizeres bíblicos, participamos ativamente na vida da igreja local, mas a questão é: quem manda na nossa vida? Será que é Deus ou a nossa vontade? É muito difícil sabermos o que Deus quer dos outros e por isso mesmo não podemos julgar. Mas tenho certeza que se a vontade de Deus estivesse sendo vivida por pelo menos a metade dos mais de 40 milhões de evangélicos que o último senso brasileiro apontou, a realidade da nossa sociedade seria outra. Olhando para o que muitas igrejas fazem, aquilo que pregam fica difícil imaginar que seja um mover de Deus. Mas a questão que quero abordar é se as tuas e as minhas atitudes e decisões são aquelas que Deus nos mostra. Pode parecer um assunto pouco interessante e muito pregado, mas acredito que seja muito pregado justamente por ser uma área extremamente crítica e onde geralmente falhamos.
No texto citado a questão era a construção do templo. Era a época da antiga aliança e o templo era a casa de Deus. Era lá que Deus habitava e o povo simplesmente relaxou com a casa de Deus. Na realidade da nova aliança, Deus não habita mais em um prédio chamado templo, mas esse templo é a vida de cada um de nós. Será que estamos construindo nosso templo, nossa vida, para aquilo que Deus quer, para aquilo que ele nos criou ou simplesmente estamos passando pela terra levando uma vida certinha, buscando fazer o bem para as pessoas, sendo bonzinho sem prejudicar ninguém? E dentro disso, ter um emprego bom que nos dê condições de sustentar dignamente a família. É só isso que Deus quer de nós? Esse é o cristianismo que vivemos? Infelizmente a minoria sabe aquilo que é o mais básico de tudo, que é a vontade de Deus para sua vida. Você sabe o que Deus quer de você? Como queremos andar nos caminhos dele se, muitas vezes, nem sabemos sua vontade?
Em minha opinião viver o cristianismo autêntico é viver para cumprir aquilo que Deus planejou para cada um de nós quando ele nos formou. Ele nos criou para algo muito maior do que ser uma pessoa boa e ter uma vida legal aqui na terra e depois no céu. Nosso templo só estará reconstruído quando estivermos vivendo aquilo que Deus sonhou para nossa vida. Vivemos em função da busca da felicidade. Um bom emprego, uma família e muitas outras coisas podem fazer parte disso, mas o que quero enfatizar é que precisamos, de forma urgente, voltar nossa atenção para aquilo que Deus quer de nós. Na maioria das vezes em que seguimos nossos planos, acabamos frustrados. O problema é que nem nos damos conta que as coisas não saíram conforme o que esperávamos pelo fato de estarmos fora da vontade de Deus. No versículo 5 do primeiro capítulo de Ageu, Deus fala ao povo: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram….”. Nossos caminhos, nossas vontades são enganosos assim como nosso coração. A felicidade tão sonhada por todos os homens está na vontade de Deus para cada um. Muito mais que um chavão igrejeiro, isso é a mais simples das verdades, pois a vontade de Deus para mim e para você é a melhor coisa que pode nos acontecer; ela é perfeita e fomos criados para viver o que ele planejou para nós.
Diz um ditado popular que errar é humano mas persistir no erro é burrice. Não precisamos necessariamente errar para aprendermos. Podemos aprender observando os outros. A Bíblia está cheia de exemplos daquilo que deu e do que não deu certo. Acredito que tomar a Bíblia como exemplo e como princípio para nossa vida é um passo simples e ao mesmo tempo gigante para que consigamos saber a vontade de Deus para nossa vida e também para que façamos dessa vontade divina a essência do nosso viver. Não se perca pelas trilhas da vida. Deixe Deus ser teu guia e aproveite tua caminhada.
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MAMOM
Gosto muito de ler e quem me conhece sabe que eu leio muito e vários temas. De livros teológicos a livros de história, e a pouco tempo terminei um livro do Bernard Cornwell chamado: Crônicas Saxônicas. Que conta a história de um guerreiro saxão chamado Uhtred, que quando novo, havia sido raptado e criado em meio aos vikings. Onde depois de grande, percorre a Europa em busca de tesouros e riquezas e durante a sua busca, ele fica hora do lado do povo saxão, hora ao lado do povo viking que invadia a Europa. Este guerreiro era dividido e fazia qualquer coisa pelo vil metal, até trair a sua pátria. Em Mateus 6:24 a Bíblia diz:
“Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou será leal a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.
Quando a Bíblia diz Mamom, ela se refere a riqueza. Falando em riqueza, um tempo atrás, li uma postagem de uma pastora que dizia:
“Prefiro pregar o evangelho da prosperidade, do que o da pobreza”.
É uma frase complicada e por este motivo, concluo que muitos não entendem o quão prejudicial é a teologia da prosperidade e o quanto ela está fora da Bíblia. Isso sem contar que Cristo priorizou a pregação da palavra aos pobres e excluídos (Tiago 2:5) e ainda deixou claro como é difícil encontrar um rico no reino dos céus, na famosa passagem do jovem rico (Lucas 18:24).
Por conta disso, farei uma breve análise de alguns de seus pontos a luz da palavra, ressaltando que não creio que devemos viver na pobreza e na miséria, e muito menos devemos deixar de ir atrás de nossos sonhos. O que eu quero com este texto é mostrar como a fórmula de prosperidade pregada por esta teologia é totalmente antibíblico, e como o dinheiro corrompe e modifica nossos valores e prioridades.
1 – A Bíblia não nos ensina a determinar a Deus
Tenho grande dificuldade com a frase: Determine a sua benção. Porque determinar, segundo o dicionário é: Decretar, promulgar alguma coisa. Eles usam João 14:13 e distorcem o texto, pois o texto não ensina a determinar, e sim pedir, suplicar, rogar.
“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.
Dar ordens a Deus não é nem de perto uma atitude cristã, a verdadeira atitude é rogar, e esperar que a vontade dele seja feita. Tiago 4:3 diz que devemos pedir, mas não coisas que sirvam para nossos próprios prazeres. A Bíblia não dá lugar a uma vida egoísta e avarenta, ao contrário, seguir a Cristo é uma vida de amor e serviço ao próximo. Sem contar que servir a Deus é fazer a sua vontade é entregar nossa vida, sonhos e expectativas e deixar que Ele faça o que bem entende. Isso é ser cristão e determinar não combina com os ensinos Bíblicos. A palavra nos chama a servir e não sermos servidos, a doar e não a ostentar.
2 – A Bíblia não nos incentiva a prosperar
O palavra não dá ênfase na prosperidade, e se neste momento, você lembrou de todos os homens prósperos da Bíblia, não esqueça de uma coisa, não existiam só homens prósperos na Bíblia. Ela também fala de muitos outros servos que não viviam para riquezas e que recusaram dinheiro ao longo de suas jornadas. Como por exemplo: Daniel, Elias, Eliseu, João Batista, os Apóstolos, etc…
Temos que ter cuidado com as narrativas e histórias Bíblicas, pois alguns textos do Velho Testamento não são normas ou padrões a serem seguidos, e sim experiências de pessoas que serviram a Deus. A ênfase da palavra é dedicar a sua vida a Deus, Salmos 37:5 diz:
“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”.
Ou seja, entrega o teu caminho ao Senhor e deixe o resto com Deus. A ênfase do Salmo é entregar a sua vida, e deixar que Ele guie e dirija, e não a parte que ele fará algo, como muitos pregadores enfatizam.
3 – A Bíblia não ensina que quem tem Deus não sofre
É interessante a afirmação de muitos adeptos desta teologia, eles afirmam que quem tem Cristo não sofre, mas com uma conferida rápida na palavra, constataremos o quão equivocado é esta afirmação. Afinal, João Batista foi decapitado (Mateus 14:1-11), Tiago morto a fio de espada (Atos 12:2). Paulo escreveu muitas de suas cartas preso e João escreveu o apocalipse também preso (Apocalipse 1:9). A fé cristã foi marcada por muitos sofrimentos e enquanto hoje, a nossa grande dificuldade é manter a fé, por conta de inúmeras tentações, naquela época, ser cristão era morrer em arenas, torturado e esquartejado. Cristo avisou que passaríamos por dificuldades e não estaríamos imunes as intempéries, contudo, também falou para não ficarmos preocupados, pois Ele tinha vencido o mundo (João 16:33).
Eu poderia enumerar muitas outras coisas que a teologia da prosperidade ensina e que não está na palavra, como vender toalhinhas abençoadas, sal de não sei o que, travesseiro milagroso e por aí vai. Eu não acredito nesta prosperidade, o que eu acredito se resume em uma frase de Epicuro:
“A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades”.
Sonhe, trabalhe, faça projetos, mas acima de tudo, faça a vontade de Deus. Quando buscamos a vontade D’ele, realmente prosperamos, mas não uma prosperidade somente financeira e sim uma vida completa e feliz, seja com dinheiro ou sem ele. Sabendo que em qualquer situação, na derrota ou na vitória, na abundância ou na fartura, Deus esta conosco (Filipenses 4:12-13).
Esta é a verdadeira prosperidade, confiar e crer na provisão divina, o resto é distração!
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CRISTIANISMO SEM CRISTO
Lembro que 1986 foi marcado por um evento que chamou muito atenção do mundo inteiro. Não foi tão drástico como as inúmeras vezes em que foi declarado que o mundo iria acabar, mas lançou os olhares de bilhões de pessoas para o céu. No mês de fevereiro daquele ano o cometa Halley era facilmente visto a olho nu. Trata-se de um cometa que tem uma órbita elíptica no nosso sistema solar e só passa perto da terra a cada 75 ou 76 anos. A próxima aparição será em 2061. Lembro que nessa ocasião um grupo religioso subiu em uma montanha, todos vestidos de branco, onde esperavam serem levados pelo cometa até um planeta distante onde seria o paraíso. Quem me conhece sabe que respeito a crença pessoal das pessoas. Posso não concordar com algumas crenças, mas da mesma forma que professo minha fé nos ensinamentos de Cristo, respeito as pessoas que vivem sua espiritualidade de outra forma. Mas mesmo para mim, que respeito a opinião alheia, às vezes é difícil ficar sério diante de algumas crenças como a que relatei.
A mente humana é muito criativa e a cada dia surgem novas idéias e pensamentos, das mais simples opiniões às mais mirabolantes fantasias, que mais parecem enredo de filmes infanto-juvenis. O mais incrível é que muitas delas tem uma grande aceitação mesmo em mentes de pessoas consideradas intelectualizadas. Acredito que isso aconteça pelo fato de serem crenças e, como tal, não são passíveis de comprovações científicas ou práticas; são crenças. A própria vivência da espiritualidade é baseada em crenças. Ninguém pode explicar cientificamente sua fé. Para toda a religião ou crença, parte-se de um pressuposto de algum conceito que deve ser aceito através da fé ou da crença. Mas praticamente todas as religiões e credos têm sua lógica e normas. No Brasil, onde a diversidade cultural proporcionou uma mescla de crenças, muitos conceitos religiosos são deturpados. Pessoas que dizem seguir uma determinada religião também crêem em vários elementos de outra, que nada tem a ver com a fé professada. Esse é o famoso sincretismo religioso. Um ditado popular que tem algo a ver com isso é o que afirma que se ascende uma vela para o santo e outra para o diabo. Geralmente os cristãos protestantes brasileiros criticam de forma veemente os católicos que também participam de ritos da umbanda, candomblé e outras religiões de origem geralmente africana. Mas em que os protestantes, ou evangélicos, realmente crêem? No que eles deveriam crer?
Talvez os protestantes não crêem que um cometa os levará ao paraíso, ou que extra terrestres os abduzirão para levá-los na presença de Deus, mas é muito comum a crença em vários elementos que não fazem parte dos ensinamentos de Cristo. Parece que há algum tipo de necessidade de se pensar em algo que complete o sacrifício de Jesus na cruz; parece que o que ele fez não é suficiente. Muitas igrejas (pastores e líderes) não têm coragem de expressar isso em palavras, pois vai contra os ensinamentos bíblicos, mas acaba embutindo várias regras e crenças como princípios da fé. Isso é algo extremamente perigoso pois afasta as pessoas do verdadeiro evangelho. As cartas bíblicas, principalmente as paulinas, estão recheadas de advertências contra falsos ensinos, falsas crenças e até mesmo faltos profetas. Se isso não fosse uma realidade na igreja, não seria um dos problemas da igreja mais abordados pelo Novo Testamento. Uma das passagens bíblicas que adverte a igreja a essa realidade é 2ª Timóteo 4,3, onde lemos:
“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.
Olhando para a prática de várias igrejas, parece que em poucas épocas isso faz tanto sentido como na atualidade. Se alguns crêem em cometas redentores, fadas ou gnomos, outros acreditam que uma toalha com suor do apóstolo, um copo de água em frente da TV ou do rádio, um cajado ungido, um tapete de sal grosso, ou até uma cusparada ungida do pastor, promovam um olhar mais atencioso de Deus ao fiel. Se for para crer em lendas, sinceramente prefiro a do cometa Halley.
O apóstolo Paulo escreveu uma carta à igreja de Colossos. Assim como em outras, ali o evangelho também estava sendo contaminado por ensinamentos contrários ao evangelho de Cristo. Eram ensinos gnósticos, judaizantes, animistas, legalistas e talvez outros tipos de heresias. No capítulo 2 versículos 3 e 4, Paulo diz:
“Nele (em Jesus) estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Eu lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos que só parecem convincentes”.
Um pouco adiante o autor afirma que devemos enraizar e edificar nossa fé em Cristo e que não devemos ser enganados por vãs filosofias que são fundamentadas em tradições humanas e nos princípios desse mundo e não nos ensinamentos do Messias. Essa passagem bíblica é clara que Cristo nos basta. Nele estão todos, todos os tesouros dos quais precisamos. Se vivermos conforme os ensinamentos dele, nada mais é necessário para que herdemos a vida eterna e que vivamos na plenitude do Espírito. Um detalhe que chamou minha atenção, é que Paulo afirma que os falsos ensinamentos podem parecer convincentes. Mas só parecem, pois não passam de pó. Dificilmente os falsos profetas ensinam algo muito diferente do que Cristo nos ensina. Geralmente acrescentam um detalhe aqui, outro acolá e lá vai a igreja se deleitando com heresias que lhe são atrativas. Os falsos profetas pregam e ensinam aquilo que as pessoas querem ouvir. Parece que a maioria dos cristãos prefere Cristo e algo a mais do que “simplesmente” Cristo. Em outra carta, a segunda aos Coríntios, Paulo adverte as pessoas que vivem algo que ultrapasse aquilo que está escrito, mas parece que simplesmente não nos contentamos com o que Deus fez por nós.
Acredito que um dos motivos que proporciona esse fenômeno, é que muitas vezes se vive mais em função do pastor, ou seja lá de que forma a pessoa se denomine, do que do próprio Deus. É certo que precisamos de referências, de pessoas que nos inspirem e nos orientem mas isso é diferente do que seguir cegamente os ensinamentos dessas pessoas. Devemos tomar muito cuidado com pessoas que lançam os holofotes mais em si mesmo, seus ensinos ou sua teologia do que em Deus. Também cuide com pastores que não toleram ser questionados. Geralmente os falsos profetas se blindam dos questionamentos fazendo ameaças e citando supostas maldições da parte de Deus. Devemos ser cautelosos com argumentações que se baseiam em versículos isolados de seu contexto e daquelas baseadas em tradições e culturas ou experiências pessoais. Uma das características dos falsos ensinos é que geralmente se baseiam em um desses casos. Quando a figura do pastor é demasiadamente valorizada dentro da comunidade é bom que se fique de olhos abertos. O verdadeiro pastor é aquele que aponta para Cristo e seus ensinamentos. A falsa doutrina chega a um ponto tal, que, recentemente ouvi uma pregação transmitida pela rádio, onde o sujeito que diz ser pastor, chegou a afirmar que quem lê muito a Bíblia perde sua fé. Eu simplesmente não quis acreditar no que ouvi. Mas faz sentido, pois se os fiéis dessa igreja começarem a ler a Bíblica buscando Deus, logo verão a verdade e dificilmente permanecerão nessa igreja.
Um colega do autor desse blog, Guilherme, estava, juntamente com sua igreja, em uma campanha para que Deus revelasse os falsos profetas. Sabiamente o Guilherme sugeriu a forma mais segura e eficaz para se precaver dos falsos profetas e seus ensinos. Basta estudar a Bíblia. Alguns dizem que ela é “a mãe de todas as heresias”, mas com certeza ela também é a morte de todas elas. Há uma característica interessante no homem que, ao que parece, prefere ouvir ensinamentos de outras pessoas do que da própria Bíblia. Ouvir outras pessoas pode nos ajudar, mas também há o risco do ensino vir distorcido ou de não nos aprofundarmos tanto como se nós mesmos estudássemos a Bíblia. A Palavra fala mais do que pessoas. Da mesma forma que nosso aprendizado, por exemplo, em uma faculdade, será proporcional ao tempo e esforço investidos, nosso conhecimento bíblico também vai depender do nosso interesse em saber mais sobre Deus e dos estudo que realizamos na Bíblia. Mas, como falei, é muito mais cômodo construir a fé baseado simplesmente naquilo que o pastor prega do púlpito, mas o risco de sairmos do culto com uma mochila cheia de bugigangas “abençoadoras” ou até com uma cusparada na cara aumenta.
Que tipo de cristão você quer ser: um repetidor de opiniões alheias, ou aquele que tem propriedade no que pensa e que maneja bem a palavra de Deus? Nossa vida é algo muito sério para que a coloquemos nas mãos de pessoas que nem conhecemos direito. Acho que as mãos de Deus são mais seguras. Não há problema algum se uma igreja tenha seus ritos, costumes e tradições, desde que isso não passe de costumes. Precisamos de tradições e marcos na vida para que tenhamos referências. Mas Deus nos deu sua palavra justamente para que possamos construir nossa fé. A vida com Deus pode ser muito sólida e recompensadora. Ele mesmo nos promete isso. Mas se deixarmos que falsas doutrinas nos influenciem, viveremos uma fé frustrada, aquém do que Deus quer para nós e ainda corremos um sério risco de nos perdermos do caminho mesmo sem perceber. Estude tua Bíblia, tenha vida com Deus e ele te mostrará a verdade. Que a paz de Cristo seja o árbitro de teu coração.
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FORTE
Sempre ouvi dizer que a pessoa forte é centrada, não perde o controle e nem age por impulso. O problema é que muitas vezes é impossível ser assim. Principalmente quando tudo dá errado, você é ignorado e esquecido. Mas temos que ser fortes e ainda ficarmos calados, para não corrermos o risco de desabafar e magoarmos a pessoa errada ou acabar piorando ainda mais a situação. Porém, tem uma coisa que me mantém forte e disposto a seguir e passar por todos os problemas; o exemplo de Cristo.
Ele foi o Deus encarnado, o verbo que se esvaziou e se entregou por amor a nós. Este verbo serviu, este Deus se doou e aguentou o escárnio, este Deus todo poderoso viveu a vida para fazer a vontade do Pai e isso me da certo conforto. Pois o que eu faço é para a glória D’ele e é somente isso que me mantém tranquilo nestas situações. Paulo em 2Coríntios 12: 10 diz:
“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.
Paulo dispensa apresentações, este homem foi o pensador mais relevante e uma pessoa tremendamente usada por Deus. E neste texto em questão, ele conta que três vezes pediu uma cura ao senhor, por causa de um espinho na carne, mas Deus não quis curar e ainda falou que aquele espinho era para manter a sua pessoa humilde (2Coríntios 12:7-10).
Ninguém gosta de passar por decepções, muito menos gosta de ser esquecido e jogado de lado. Mas certas situações têm que produzir em nós mudança e amadurecimento. Vivemos em um mundo onde o sofrimento é comum, está inserido em nosso cardápio da vida. Habitamos em um lugar onde ser esquecido é uma rotina. Pois temos os nossos sonhos, temos a nossa falta de tempo e nossos objetivos e muita das vezes o nosso amigo ao lado não esta incluído nestes projetos todos, ou nos esquecemos deles, por pura distração, acontece.
Só quem passou por estas dores pode realmente sentir o sofrimento do próximo e entender a sua situação. Só quem foi esquecido ou desvalorizado consegue se colocar no lugar do outro e ajudar. Pois o sofrimento tem que nos causar sensibilidade, deve mover a nossa vida para olhar o próximo e ser humildes. Não é fácil, eu sei, não é mesmo, mas quem disse que tudo na vida seria fácil?
No entanto o sofrimento tem outra função, nos fazer enxergar quem realmente esta ao nosso lado. As vezes não valorizamos certas pessoas, mas acaba sendo elas, mesmo sendo poucas, que nos prestam auxílio e nos acompanham nas piores horas. Mário Sergio Cortella em uma palestra diz algo curioso: O amigo em um período difícil, nem sempre nos consola, mas sempre conforta. Provérbios 17:17 diz:
“Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão”.
Gosto deste versículo, porque ele deixa claro que é em nosso período mais difícil que enxergamos quem realmente se preocupa conosco.
Contudo, mesmo com estas palavras sinceras, de quem já passou por maus bocados, se viu esquecido por muitos e decepcionado, você não se convença do sofrimento e de seus períodos difíceis. Nada mais natural, há tempos em nossa vida que nenhuma resposta é resposta e acabamos seguindo na caminhada com mágoas, tristezas e decepções. Só não gosto de pensar que você, que esta passando por um período ruim e está inconsolável, é um perdedor, um Zé ninguém. Penso que na vida tudo colabora para o nosso crescimento e encarar o sofrimento por este prisma, nos faz evoluir mais.
Afinal, uma verdade é certa, não ganhamos sempre, não estamos sempre felizes e nem toda a realização frutifica, mas quando você segue entendendo que tudo nos traz crescimento, até as decepções e derrotas, ai você acaba ficando cada vez mais forte.
Gosto da letra de uma música do Los Hermanos, que descreve bem como deveríamos seguir a vida:
“Olha lá, quem acha que perder.
É ser menor na vida.
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar.Eu que já não quero mais ser um vencedor.
Levo a vida devagar pra não faltar amor”.Nem sempre venceremos, nem sempre estaremos felizes e seremos lembrados. Mas sempre podemos aprender com os problemas!
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A DINÂMICA DO PECADO
Um dos maiores problemas do homem é o pecado. Algumas questões referentes ao pecado são extremamente complexas. Ele geralmente é relacionado ao mal e uma das perguntas de difícil resolução é: qual a origem desse mal? Esse é apenas um dos exemplos de temas que podem render uma discussão interminável. Porém, não é esse meu objetivo. Não quero refletir sobre a origem do mal, mas sim seu mecanismo. Por que algo que sabemos que não nos faz bem, nos influencia tanto? Como, muitas vezes até gostamos de pecar, mesmo sabemos que isso nos trará problemas?
Há diversas definições sobre o que seja o pecado. Existe aquela clássica que afirma que o pecado é errar o alvo. Concordo com isso, mas prefiro um pensamento mais amplo, como aquele que entende que pecado é qualquer ação, ou falta dela, que prejudica o relacionamento do homem com Deus. Em outras palavras, é tudo aquilo que não é da vontade de Deus. Quando tiramos os olhos da vontade de Deus e olhamos para nossa própria vontade é quando começamos a regar a semente do mal. Geralmente quando se fala em diabo imaginamos aquele ser bizarro, meio monstro, avermelhado, com tridente, chifres um rabo, falando com voz gutural. Mas ele é muito esperto para se apresentar assim. Da mesma forma, quando pensamos em pecado, logo imaginamos coisas horríveis como assassinato, roubo, vida promíscua, corrupção, bebedeiras, consumo de drogas, mentiras entre outras obras más. Contudo, nem sempre o pecado vem dessa forma e é justamente aí que acabamos caindo. Em boa parte das ocasiões, o pecado nos parece ser bom. Se não fosse assim, não o cometeríamos tantas vezes. A Bíblia relata vários exemplos de pessoas que caem e eu gostaria de refletir um pouco sobre o primeiro pecado praticado pelo homem, que foi a queda no jardim do Éden. Vejamos os primeiros seis versículos de Gênesis 3:
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? “. Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão”. Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
Nesses poucos versículos está descrita a queda do homem. Foi a maior desgraça que pôde ter acontecido à humanidade e jamais haverá outra maior. Esse acontecimento impactou de forma drástica não só o homem, mas a toda criação. Até hoje, todo o planeta sofre consequências da opção que Eva e Adão, fizeram. Para o homem, a maior consequência foi a morte, que é a separação de Deus. Adão e Eva viviam uma realidade talvez inimaginável para nós. Mas mesmo assim sucumbiram ao pecado.Quando se trata de um texto Bíblico, logo vem várias interpretações. Será que se tratava realmente de uma árvore e Adão e Eva comeram um fruto dessa árvore ou foi no sentido literal? Será que a serpente realmente falou com eles ou é somente algo no sentido figurado? Aqui abre-se um leque de possibilidades, mas não é esse o foco da nossa reflexão. A questão curiosa, é que o ser humano pecou quando o mundo ainda era perfeito. Costumamos responsabilizar o diabo por nossos pecados, mas somos nós que tomamos a decisão. Ele nos dá a ideia, oferece a situação e o resto é conosco. Na carta de Tiago 1:14, lemos que cada um de nós é tentado pelos próprios desejos, sendo por eles arrastado e seduzido. Foi isso que aconteceu com Eva e depois com Adão. Como citado anteriormente, o pecado não se apresentou de forma feia ou de maldade. Esse é o triunfo dele.
Já no início do capítulo 3 de Gênesis, há dois aspectos interessantes. A maioria das traduções da Bíblia para o português, optaram pela palavra serpente. Mas uma tradução mais específica do hebraico é áspide. Áspide é uma determinada espécie de víbora. Sabemos que as víboras são venenosas e a grande maioria são muito bonitas, tendo cores vivas e chamativas. O mesmo versículo também diz que trata-se do animal mais astuto. Beleza e esperteza é uma combinação perigosa. A serpente tirou os olhos de Eva que estavam em Deus e os atraiu para si, e ela caiu na armadilha. A esperteza da serpente é percebida do transcorrer do diálogo. Ela não desmente a Deus, mas faz uma pergunta induzindo dúvida na mente de Eva. Podemos afirmar que a serpente fez uma pergunta que continha uma meia verdade, se é que seja possível haver meias verdades. Ela aguçou o desejo do ser humano e foi essa a porta de entrada para o pecado no coração do homem. O coração de Eva estava sendo preparado para o pecado como o lavrador prepara a terra para o plantio. A semente só é lançada na terra quando as condições são propícias para a germinação. Depois da semente lançada, se a terra for boa, a natureza se encarregará do resto. Assim também é com o coração do homem. A serpente preparou o terreno com perguntas a respeito do que Deus ordenara, semeando a dúvida. O grande final veio com uma mentira, que Adão e Eva não morreriam ao comer do fruto, a qual a serpente completou aguçando o desejo humano. Pronto; o terreno para o pecado entrar na humanidade estava pronto.
Não é a toa que a Bíblia afirma que a serpente era o animal mais astuto. Ela trabalhou muito bem, usando parte do que Deus havia dito e induzindo Eva à dúvida. Tudo isso fazia parte apenas de sua estratégia. A grande tacada foi aguçar o desejo de Eva. Apresentou a árvore do conhecimento do bem e do mal como algo bom, através da qual viriam a conhecer, assim como Deus, o bem e o mal. E nisso o inimigo tinha razão, pois eles conheciam o bem, mas ainda não o mal. O desejo de Eva em conhecer mais do que já conhecia cresceu, tomou conta de seu coração e enfim ela pecou. Ela foi enganada mas acho que Adão foi pior, pois não há relato que Eva o tenha enganado. Somente ofereceu e ele aceitou. Provavelmente também já pensava à respeito. O desejo do homem é muito intenso. Atente para o fato de o texto destacar que Eva achava a árvore, ou seu fruto, agradável ao paladar, atraente aos olhos e principalmente desejável para dela obter o discernimento. Ela colocou seu desejo, sua vontade acima da vontade de Deus e o resultado foi o pecado. Isso pode parecer somente uma historia que ocorreu a milhares de anos atrás e que isso seria diferente se ocorresse nos dias atuais, afinal o ser humano evoluiu e é detentor de muito mais conhecimento. Acredito que isso seja o mais inocente dos sonhos, pois a essência do homem é a mesma em todos os lugares e em todos os tempos. Diariamente experimentamos do fruto do conhecimento do bem e do mal quando colocamos nossa vontade acima da vontade de Deus. Teoricamente não havia nada de errado no fato de Adão e Eva serem conhecedores do bem e do mal, já que o próprio Deus o era. Mas era algo ilegítimo para a raça humana. A queda do homem corrompeu-o, e perdemos a plenitude da glória de Deus e agora nossa mente não é mais como a mente dele. Como já citado, dificilmente o pecado se apresenta como sendo algo mal. Muitos pecados são cometidos quando não sabemos administrar situações que até são boas. Por exemplo: uma pessoa que tem um senso de justiça mais aguçado, tem a tendência de julgar. Não sabendo tratar a questão do senso de justiça, que é um dos atributos de Deus, o homem acaba pecando. O próprio amor pode nos levar a paixões desenfreadas, ciúme e sentimento de posse. Compaixão pode se transformar em um sentimento de pena, uma pessoa chamada para pastorear vidas pode achar que é dono delas e transformar-se em um ditador “dono” da igreja. A própria vontade é algo bom, algo que Deus colocou no nosso ser, mas ela pode tornar-se um ardente e incontrolável desejo. Veja que justiça, amor, compaixão, liderança, vontades entre muitas outras virtudes podem levar o homem ao pecado. Essa é a armadilha do nosso ego. Somos uma raça falida que não tem a capacidade de gerenciar a própria vida. Simplesmente não sabemos viver e a maior prova é a situação em que a humanidade se encontra. Quando o homem olha para si está dando o primeiro passo em direção ao pecado.
O reformador protestante Martim Lutero deixou um legado de pensamentos e frases muito interessantes. Das frases que conheço, uma que é marcante para mim é a seguinte:
“Você não pode evitar que um passarinho voe por sobre tua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho nela”.
Passarinhos voam sobre nós, mas se um deles quiser fazer um ninho na nossa cabeça, temos que ter atitude para não permitir isso. Da mesma forma, a idéia do pecado vem à nossa mente, mas cabe a cada um de nós dominar o mal. Eva deu ouvidos à serpente e foi seduzida. Se ela tivesse simplesmente virado as costas e ignorado a voz que a seduzia, não teria cedido ao pecado. A dinâmica do pecado é ver a oportunidade, dar atenção a ela, olhá-la com outros olhos, desejá-la e finalmente tomá-la para si. Acredito que Tiago foi muito feliz ao afirmar que somos tentados pelos próprios desejos. Essa palavra deixa claro que cabe a nós resistir aos impulsos do nosso coração. Talvez nunca venhamos a descobrir a origem do mal, mas a origem do pecado é nosso coração corrompido. Cada vez que eu e você tiramos nossos olhos de Deus e fazemos nossa vontade, estamos pecando. Pode até mesmo parecer exagero, mas mesmo que sejamos ativos em um ministério na igreja sendo que não foi Deus que nos colocou ali, estamos pecando, pois estamos ali por nossa própria iniciativa e não pela vontade divina. O pecado pode e geralmente é muito sutil.
O coração do homem é enganoso e é essencial pedirmos para que Deus sonde esse coração corrompido e nos mostre o que há nele. A partir do momento que nos conhecermos pela perspectiva de Deus, e nos colocarmos sob o seu senhorio teremos uma chance muito maior de acertar. É inocente de nossa parte acreditarmos que nessa vida conseguiremos não pecar, mas cabe a nós sermos cada vez mais parecidos com Cristo e desenvolvermos o seu caráter em nossa vida. E a partir disso teremos sua mente e buscaremos a sua vontade. Esse é o caminho para sermos homens e mulheres que pecam por acidente e não por desleixo, por falta de conhecimento ou até de caráter.
BIBLIOGRAFIA
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