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CRISTIANISMO SEM CRISTO
Lembro que 1986 foi marcado por um evento que chamou muito atenção do mundo inteiro. Não foi tão drástico como as inúmeras vezes em que foi declarado que o mundo iria acabar, mas lançou os olhares de bilhões de pessoas para o céu. No mês de fevereiro daquele ano o cometa Halley era facilmente visto a olho nu. Trata-se de um cometa que tem uma órbita elíptica no nosso sistema solar e só passa perto da terra a cada 75 ou 76 anos. A próxima aparição será em 2061. Lembro que nessa ocasião um grupo religioso subiu em uma montanha, todos vestidos de branco, onde esperavam serem levados pelo cometa até um planeta distante onde seria o paraíso. Quem me conhece sabe que respeito a crença pessoal das pessoas. Posso não concordar com algumas crenças, mas da mesma forma que professo minha fé nos ensinamentos de Cristo, respeito as pessoas que vivem sua espiritualidade de outra forma. Mas mesmo para mim, que respeito a opinião alheia, às vezes é difícil ficar sério diante de algumas crenças como a que relatei.
A mente humana é muito criativa e a cada dia surgem novas idéias e pensamentos, das mais simples opiniões às mais mirabolantes fantasias, que mais parecem enredo de filmes infanto-juvenis. O mais incrível é que muitas delas tem uma grande aceitação mesmo em mentes de pessoas consideradas intelectualizadas. Acredito que isso aconteça pelo fato de serem crenças e, como tal, não são passíveis de comprovações científicas ou práticas; são crenças. A própria vivência da espiritualidade é baseada em crenças. Ninguém pode explicar cientificamente sua fé. Para toda a religião ou crença, parte-se de um pressuposto de algum conceito que deve ser aceito através da fé ou da crença. Mas praticamente todas as religiões e credos têm sua lógica e normas. No Brasil, onde a diversidade cultural proporcionou uma mescla de crenças, muitos conceitos religiosos são deturpados. Pessoas que dizem seguir uma determinada religião também crêem em vários elementos de outra, que nada tem a ver com a fé professada. Esse é o famoso sincretismo religioso. Um ditado popular que tem algo a ver com isso é o que afirma que se ascende uma vela para o santo e outra para o diabo. Geralmente os cristãos protestantes brasileiros criticam de forma veemente os católicos que também participam de ritos da umbanda, candomblé e outras religiões de origem geralmente africana. Mas em que os protestantes, ou evangélicos, realmente crêem? No que eles deveriam crer?
Talvez os protestantes não crêem que um cometa os levará ao paraíso, ou que extra terrestres os abduzirão para levá-los na presença de Deus, mas é muito comum a crença em vários elementos que não fazem parte dos ensinamentos de Cristo. Parece que há algum tipo de necessidade de se pensar em algo que complete o sacrifício de Jesus na cruz; parece que o que ele fez não é suficiente. Muitas igrejas (pastores e líderes) não têm coragem de expressar isso em palavras, pois vai contra os ensinamentos bíblicos, mas acaba embutindo várias regras e crenças como princípios da fé. Isso é algo extremamente perigoso pois afasta as pessoas do verdadeiro evangelho. As cartas bíblicas, principalmente as paulinas, estão recheadas de advertências contra falsos ensinos, falsas crenças e até mesmo faltos profetas. Se isso não fosse uma realidade na igreja, não seria um dos problemas da igreja mais abordados pelo Novo Testamento. Uma das passagens bíblicas que adverte a igreja a essa realidade é 2ª Timóteo 4,3, onde lemos:
“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.
Olhando para a prática de várias igrejas, parece que em poucas épocas isso faz tanto sentido como na atualidade. Se alguns crêem em cometas redentores, fadas ou gnomos, outros acreditam que uma toalha com suor do apóstolo, um copo de água em frente da TV ou do rádio, um cajado ungido, um tapete de sal grosso, ou até uma cusparada ungida do pastor, promovam um olhar mais atencioso de Deus ao fiel. Se for para crer em lendas, sinceramente prefiro a do cometa Halley.
O apóstolo Paulo escreveu uma carta à igreja de Colossos. Assim como em outras, ali o evangelho também estava sendo contaminado por ensinamentos contrários ao evangelho de Cristo. Eram ensinos gnósticos, judaizantes, animistas, legalistas e talvez outros tipos de heresias. No capítulo 2 versículos 3 e 4, Paulo diz:
“Nele (em Jesus) estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Eu lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos que só parecem convincentes”.
Um pouco adiante o autor afirma que devemos enraizar e edificar nossa fé em Cristo e que não devemos ser enganados por vãs filosofias que são fundamentadas em tradições humanas e nos princípios desse mundo e não nos ensinamentos do Messias. Essa passagem bíblica é clara que Cristo nos basta. Nele estão todos, todos os tesouros dos quais precisamos. Se vivermos conforme os ensinamentos dele, nada mais é necessário para que herdemos a vida eterna e que vivamos na plenitude do Espírito. Um detalhe que chamou minha atenção, é que Paulo afirma que os falsos ensinamentos podem parecer convincentes. Mas só parecem, pois não passam de pó. Dificilmente os falsos profetas ensinam algo muito diferente do que Cristo nos ensina. Geralmente acrescentam um detalhe aqui, outro acolá e lá vai a igreja se deleitando com heresias que lhe são atrativas. Os falsos profetas pregam e ensinam aquilo que as pessoas querem ouvir. Parece que a maioria dos cristãos prefere Cristo e algo a mais do que “simplesmente” Cristo. Em outra carta, a segunda aos Coríntios, Paulo adverte as pessoas que vivem algo que ultrapasse aquilo que está escrito, mas parece que simplesmente não nos contentamos com o que Deus fez por nós.
Acredito que um dos motivos que proporciona esse fenômeno, é que muitas vezes se vive mais em função do pastor, ou seja lá de que forma a pessoa se denomine, do que do próprio Deus. É certo que precisamos de referências, de pessoas que nos inspirem e nos orientem mas isso é diferente do que seguir cegamente os ensinamentos dessas pessoas. Devemos tomar muito cuidado com pessoas que lançam os holofotes mais em si mesmo, seus ensinos ou sua teologia do que em Deus. Também cuide com pastores que não toleram ser questionados. Geralmente os falsos profetas se blindam dos questionamentos fazendo ameaças e citando supostas maldições da parte de Deus. Devemos ser cautelosos com argumentações que se baseiam em versículos isolados de seu contexto e daquelas baseadas em tradições e culturas ou experiências pessoais. Uma das características dos falsos ensinos é que geralmente se baseiam em um desses casos. Quando a figura do pastor é demasiadamente valorizada dentro da comunidade é bom que se fique de olhos abertos. O verdadeiro pastor é aquele que aponta para Cristo e seus ensinamentos. A falsa doutrina chega a um ponto tal, que, recentemente ouvi uma pregação transmitida pela rádio, onde o sujeito que diz ser pastor, chegou a afirmar que quem lê muito a Bíblia perde sua fé. Eu simplesmente não quis acreditar no que ouvi. Mas faz sentido, pois se os fiéis dessa igreja começarem a ler a Bíblica buscando Deus, logo verão a verdade e dificilmente permanecerão nessa igreja.
Um colega do autor desse blog, Guilherme, estava, juntamente com sua igreja, em uma campanha para que Deus revelasse os falsos profetas. Sabiamente o Guilherme sugeriu a forma mais segura e eficaz para se precaver dos falsos profetas e seus ensinos. Basta estudar a Bíblia. Alguns dizem que ela é “a mãe de todas as heresias”, mas com certeza ela também é a morte de todas elas. Há uma característica interessante no homem que, ao que parece, prefere ouvir ensinamentos de outras pessoas do que da própria Bíblia. Ouvir outras pessoas pode nos ajudar, mas também há o risco do ensino vir distorcido ou de não nos aprofundarmos tanto como se nós mesmos estudássemos a Bíblia. A Palavra fala mais do que pessoas. Da mesma forma que nosso aprendizado, por exemplo, em uma faculdade, será proporcional ao tempo e esforço investidos, nosso conhecimento bíblico também vai depender do nosso interesse em saber mais sobre Deus e dos estudo que realizamos na Bíblia. Mas, como falei, é muito mais cômodo construir a fé baseado simplesmente naquilo que o pastor prega do púlpito, mas o risco de sairmos do culto com uma mochila cheia de bugigangas “abençoadoras” ou até com uma cusparada na cara aumenta.
Que tipo de cristão você quer ser: um repetidor de opiniões alheias, ou aquele que tem propriedade no que pensa e que maneja bem a palavra de Deus? Nossa vida é algo muito sério para que a coloquemos nas mãos de pessoas que nem conhecemos direito. Acho que as mãos de Deus são mais seguras. Não há problema algum se uma igreja tenha seus ritos, costumes e tradições, desde que isso não passe de costumes. Precisamos de tradições e marcos na vida para que tenhamos referências. Mas Deus nos deu sua palavra justamente para que possamos construir nossa fé. A vida com Deus pode ser muito sólida e recompensadora. Ele mesmo nos promete isso. Mas se deixarmos que falsas doutrinas nos influenciem, viveremos uma fé frustrada, aquém do que Deus quer para nós e ainda corremos um sério risco de nos perdermos do caminho mesmo sem perceber. Estude tua Bíblia, tenha vida com Deus e ele te mostrará a verdade. Que a paz de Cristo seja o árbitro de teu coração.
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FORTE
Sempre ouvi dizer que a pessoa forte é centrada, não perde o controle e nem age por impulso. O problema é que muitas vezes é impossível ser assim. Principalmente quando tudo dá errado, você é ignorado e esquecido. Mas temos que ser fortes e ainda ficarmos calados, para não corrermos o risco de desabafar e magoarmos a pessoa errada ou acabar piorando ainda mais a situação. Porém, tem uma coisa que me mantém forte e disposto a seguir e passar por todos os problemas; o exemplo de Cristo.
Ele foi o Deus encarnado, o verbo que se esvaziou e se entregou por amor a nós. Este verbo serviu, este Deus se doou e aguentou o escárnio, este Deus todo poderoso viveu a vida para fazer a vontade do Pai e isso me da certo conforto. Pois o que eu faço é para a glória D’ele e é somente isso que me mantém tranquilo nestas situações. Paulo em 2Coríntios 12: 10 diz:
“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.
Paulo dispensa apresentações, este homem foi o pensador mais relevante e uma pessoa tremendamente usada por Deus. E neste texto em questão, ele conta que três vezes pediu uma cura ao senhor, por causa de um espinho na carne, mas Deus não quis curar e ainda falou que aquele espinho era para manter a sua pessoa humilde (2Coríntios 12:7-10).
Ninguém gosta de passar por decepções, muito menos gosta de ser esquecido e jogado de lado. Mas certas situações têm que produzir em nós mudança e amadurecimento. Vivemos em um mundo onde o sofrimento é comum, está inserido em nosso cardápio da vida. Habitamos em um lugar onde ser esquecido é uma rotina. Pois temos os nossos sonhos, temos a nossa falta de tempo e nossos objetivos e muita das vezes o nosso amigo ao lado não esta incluído nestes projetos todos, ou nos esquecemos deles, por pura distração, acontece.
Só quem passou por estas dores pode realmente sentir o sofrimento do próximo e entender a sua situação. Só quem foi esquecido ou desvalorizado consegue se colocar no lugar do outro e ajudar. Pois o sofrimento tem que nos causar sensibilidade, deve mover a nossa vida para olhar o próximo e ser humildes. Não é fácil, eu sei, não é mesmo, mas quem disse que tudo na vida seria fácil?
No entanto o sofrimento tem outra função, nos fazer enxergar quem realmente esta ao nosso lado. As vezes não valorizamos certas pessoas, mas acaba sendo elas, mesmo sendo poucas, que nos prestam auxílio e nos acompanham nas piores horas. Mário Sergio Cortella em uma palestra diz algo curioso: O amigo em um período difícil, nem sempre nos consola, mas sempre conforta. Provérbios 17:17 diz:
“Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão”.
Gosto deste versículo, porque ele deixa claro que é em nosso período mais difícil que enxergamos quem realmente se preocupa conosco.
Contudo, mesmo com estas palavras sinceras, de quem já passou por maus bocados, se viu esquecido por muitos e decepcionado, você não se convença do sofrimento e de seus períodos difíceis. Nada mais natural, há tempos em nossa vida que nenhuma resposta é resposta e acabamos seguindo na caminhada com mágoas, tristezas e decepções. Só não gosto de pensar que você, que esta passando por um período ruim e está inconsolável, é um perdedor, um Zé ninguém. Penso que na vida tudo colabora para o nosso crescimento e encarar o sofrimento por este prisma, nos faz evoluir mais.
Afinal, uma verdade é certa, não ganhamos sempre, não estamos sempre felizes e nem toda a realização frutifica, mas quando você segue entendendo que tudo nos traz crescimento, até as decepções e derrotas, ai você acaba ficando cada vez mais forte.
Gosto da letra de uma música do Los Hermanos, que descreve bem como deveríamos seguir a vida:
“Olha lá, quem acha que perder.
É ser menor na vida.
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar.Eu que já não quero mais ser um vencedor.
Levo a vida devagar pra não faltar amor”.Nem sempre venceremos, nem sempre estaremos felizes e seremos lembrados. Mas sempre podemos aprender com os problemas!
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A DINÂMICA DO PECADO
Um dos maiores problemas do homem é o pecado. Algumas questões referentes ao pecado são extremamente complexas. Ele geralmente é relacionado ao mal e uma das perguntas de difícil resolução é: qual a origem desse mal? Esse é apenas um dos exemplos de temas que podem render uma discussão interminável. Porém, não é esse meu objetivo. Não quero refletir sobre a origem do mal, mas sim seu mecanismo. Por que algo que sabemos que não nos faz bem, nos influencia tanto? Como, muitas vezes até gostamos de pecar, mesmo sabemos que isso nos trará problemas?
Há diversas definições sobre o que seja o pecado. Existe aquela clássica que afirma que o pecado é errar o alvo. Concordo com isso, mas prefiro um pensamento mais amplo, como aquele que entende que pecado é qualquer ação, ou falta dela, que prejudica o relacionamento do homem com Deus. Em outras palavras, é tudo aquilo que não é da vontade de Deus. Quando tiramos os olhos da vontade de Deus e olhamos para nossa própria vontade é quando começamos a regar a semente do mal. Geralmente quando se fala em diabo imaginamos aquele ser bizarro, meio monstro, avermelhado, com tridente, chifres um rabo, falando com voz gutural. Mas ele é muito esperto para se apresentar assim. Da mesma forma, quando pensamos em pecado, logo imaginamos coisas horríveis como assassinato, roubo, vida promíscua, corrupção, bebedeiras, consumo de drogas, mentiras entre outras obras más. Contudo, nem sempre o pecado vem dessa forma e é justamente aí que acabamos caindo. Em boa parte das ocasiões, o pecado nos parece ser bom. Se não fosse assim, não o cometeríamos tantas vezes. A Bíblia relata vários exemplos de pessoas que caem e eu gostaria de refletir um pouco sobre o primeiro pecado praticado pelo homem, que foi a queda no jardim do Éden. Vejamos os primeiros seis versículos de Gênesis 3:
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? “. Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão”. Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
Nesses poucos versículos está descrita a queda do homem. Foi a maior desgraça que pôde ter acontecido à humanidade e jamais haverá outra maior. Esse acontecimento impactou de forma drástica não só o homem, mas a toda criação. Até hoje, todo o planeta sofre consequências da opção que Eva e Adão, fizeram. Para o homem, a maior consequência foi a morte, que é a separação de Deus. Adão e Eva viviam uma realidade talvez inimaginável para nós. Mas mesmo assim sucumbiram ao pecado.Quando se trata de um texto Bíblico, logo vem várias interpretações. Será que se tratava realmente de uma árvore e Adão e Eva comeram um fruto dessa árvore ou foi no sentido literal? Será que a serpente realmente falou com eles ou é somente algo no sentido figurado? Aqui abre-se um leque de possibilidades, mas não é esse o foco da nossa reflexão. A questão curiosa, é que o ser humano pecou quando o mundo ainda era perfeito. Costumamos responsabilizar o diabo por nossos pecados, mas somos nós que tomamos a decisão. Ele nos dá a ideia, oferece a situação e o resto é conosco. Na carta de Tiago 1:14, lemos que cada um de nós é tentado pelos próprios desejos, sendo por eles arrastado e seduzido. Foi isso que aconteceu com Eva e depois com Adão. Como citado anteriormente, o pecado não se apresentou de forma feia ou de maldade. Esse é o triunfo dele.
Já no início do capítulo 3 de Gênesis, há dois aspectos interessantes. A maioria das traduções da Bíblia para o português, optaram pela palavra serpente. Mas uma tradução mais específica do hebraico é áspide. Áspide é uma determinada espécie de víbora. Sabemos que as víboras são venenosas e a grande maioria são muito bonitas, tendo cores vivas e chamativas. O mesmo versículo também diz que trata-se do animal mais astuto. Beleza e esperteza é uma combinação perigosa. A serpente tirou os olhos de Eva que estavam em Deus e os atraiu para si, e ela caiu na armadilha. A esperteza da serpente é percebida do transcorrer do diálogo. Ela não desmente a Deus, mas faz uma pergunta induzindo dúvida na mente de Eva. Podemos afirmar que a serpente fez uma pergunta que continha uma meia verdade, se é que seja possível haver meias verdades. Ela aguçou o desejo do ser humano e foi essa a porta de entrada para o pecado no coração do homem. O coração de Eva estava sendo preparado para o pecado como o lavrador prepara a terra para o plantio. A semente só é lançada na terra quando as condições são propícias para a germinação. Depois da semente lançada, se a terra for boa, a natureza se encarregará do resto. Assim também é com o coração do homem. A serpente preparou o terreno com perguntas a respeito do que Deus ordenara, semeando a dúvida. O grande final veio com uma mentira, que Adão e Eva não morreriam ao comer do fruto, a qual a serpente completou aguçando o desejo humano. Pronto; o terreno para o pecado entrar na humanidade estava pronto.
Não é a toa que a Bíblia afirma que a serpente era o animal mais astuto. Ela trabalhou muito bem, usando parte do que Deus havia dito e induzindo Eva à dúvida. Tudo isso fazia parte apenas de sua estratégia. A grande tacada foi aguçar o desejo de Eva. Apresentou a árvore do conhecimento do bem e do mal como algo bom, através da qual viriam a conhecer, assim como Deus, o bem e o mal. E nisso o inimigo tinha razão, pois eles conheciam o bem, mas ainda não o mal. O desejo de Eva em conhecer mais do que já conhecia cresceu, tomou conta de seu coração e enfim ela pecou. Ela foi enganada mas acho que Adão foi pior, pois não há relato que Eva o tenha enganado. Somente ofereceu e ele aceitou. Provavelmente também já pensava à respeito. O desejo do homem é muito intenso. Atente para o fato de o texto destacar que Eva achava a árvore, ou seu fruto, agradável ao paladar, atraente aos olhos e principalmente desejável para dela obter o discernimento. Ela colocou seu desejo, sua vontade acima da vontade de Deus e o resultado foi o pecado. Isso pode parecer somente uma historia que ocorreu a milhares de anos atrás e que isso seria diferente se ocorresse nos dias atuais, afinal o ser humano evoluiu e é detentor de muito mais conhecimento. Acredito que isso seja o mais inocente dos sonhos, pois a essência do homem é a mesma em todos os lugares e em todos os tempos. Diariamente experimentamos do fruto do conhecimento do bem e do mal quando colocamos nossa vontade acima da vontade de Deus. Teoricamente não havia nada de errado no fato de Adão e Eva serem conhecedores do bem e do mal, já que o próprio Deus o era. Mas era algo ilegítimo para a raça humana. A queda do homem corrompeu-o, e perdemos a plenitude da glória de Deus e agora nossa mente não é mais como a mente dele. Como já citado, dificilmente o pecado se apresenta como sendo algo mal. Muitos pecados são cometidos quando não sabemos administrar situações que até são boas. Por exemplo: uma pessoa que tem um senso de justiça mais aguçado, tem a tendência de julgar. Não sabendo tratar a questão do senso de justiça, que é um dos atributos de Deus, o homem acaba pecando. O próprio amor pode nos levar a paixões desenfreadas, ciúme e sentimento de posse. Compaixão pode se transformar em um sentimento de pena, uma pessoa chamada para pastorear vidas pode achar que é dono delas e transformar-se em um ditador “dono” da igreja. A própria vontade é algo bom, algo que Deus colocou no nosso ser, mas ela pode tornar-se um ardente e incontrolável desejo. Veja que justiça, amor, compaixão, liderança, vontades entre muitas outras virtudes podem levar o homem ao pecado. Essa é a armadilha do nosso ego. Somos uma raça falida que não tem a capacidade de gerenciar a própria vida. Simplesmente não sabemos viver e a maior prova é a situação em que a humanidade se encontra. Quando o homem olha para si está dando o primeiro passo em direção ao pecado.
O reformador protestante Martim Lutero deixou um legado de pensamentos e frases muito interessantes. Das frases que conheço, uma que é marcante para mim é a seguinte:
“Você não pode evitar que um passarinho voe por sobre tua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho nela”.
Passarinhos voam sobre nós, mas se um deles quiser fazer um ninho na nossa cabeça, temos que ter atitude para não permitir isso. Da mesma forma, a idéia do pecado vem à nossa mente, mas cabe a cada um de nós dominar o mal. Eva deu ouvidos à serpente e foi seduzida. Se ela tivesse simplesmente virado as costas e ignorado a voz que a seduzia, não teria cedido ao pecado. A dinâmica do pecado é ver a oportunidade, dar atenção a ela, olhá-la com outros olhos, desejá-la e finalmente tomá-la para si. Acredito que Tiago foi muito feliz ao afirmar que somos tentados pelos próprios desejos. Essa palavra deixa claro que cabe a nós resistir aos impulsos do nosso coração. Talvez nunca venhamos a descobrir a origem do mal, mas a origem do pecado é nosso coração corrompido. Cada vez que eu e você tiramos nossos olhos de Deus e fazemos nossa vontade, estamos pecando. Pode até mesmo parecer exagero, mas mesmo que sejamos ativos em um ministério na igreja sendo que não foi Deus que nos colocou ali, estamos pecando, pois estamos ali por nossa própria iniciativa e não pela vontade divina. O pecado pode e geralmente é muito sutil.
O coração do homem é enganoso e é essencial pedirmos para que Deus sonde esse coração corrompido e nos mostre o que há nele. A partir do momento que nos conhecermos pela perspectiva de Deus, e nos colocarmos sob o seu senhorio teremos uma chance muito maior de acertar. É inocente de nossa parte acreditarmos que nessa vida conseguiremos não pecar, mas cabe a nós sermos cada vez mais parecidos com Cristo e desenvolvermos o seu caráter em nossa vida. E a partir disso teremos sua mente e buscaremos a sua vontade. Esse é o caminho para sermos homens e mulheres que pecam por acidente e não por desleixo, por falta de conhecimento ou até de caráter.
BIBLIOGRAFIA
FRANCISCO, F. Edson, Antigo Testamento Interlinear Hebraico Português, Sociedade Bíblica do Brasil: 2012; Barueri; SP.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Estudo NVI: nova versão internacional, Editora Vida: 2000; São Paulo; SP.
BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI, Editora Vida:2009; São Paulo; SP.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Editora Paulus, São Paulo, 2013.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança, Editora Esperança, 1998.
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O DEUS QUE OUVE – W. BINGHAM HUNTER

Como eu já deixei claro em resenhas anteriores, tenho as minhas reservas quanto a livros sobre oração. A maioria deles considero fracos, emocionais e nada Bíblicos. São poucos os materiais relevantes sobre este tema e um deles, que está em minha lista dos melhores, é sem dúvida este livro do autor W. Bingham Hunter.
O Deus que ouve, é um material que mescla experiência e conhecimento Bíblico de uma forma magistral, buscando responder algumas dúvidas sobre a oração e o agir de Deus.
A parte interessante do livro é que cada capítulo termina com algumas perguntas reflexivas, levando o leitor a meditação e o entendimento de cada tema abordado, além de ajudar a fixar o conteúdo para melhor aplicação pessoal.
Sem dúvida este livro é leitura obrigatória para quem busca uma vida relevante de oração, centrada na palavra e em fazer a vontade de Deus.
Vale a pena comprar!
Lançado pela editora Esperança, com 222 páginas.
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MORTE
Poucos gostam de falar sobre a morte, este assunto é evitado por uma boa parte das pessoas. O curioso é que a morte é a nossa única certeza.
Apesar de parecer mórbido e sem sentido, fico muito reflexivo diante deste tema. Quando perco um amigo, ou uma pessoa conhecida, a primeira coisa que penso é: “A vida que eu estou vivendo vale realmente a pena ser vivida? Tem sentido o que eu estou fazendo?”. Marcos 8:36 diz:
“Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
Duas coisas concluo com este versículo. A primeira é sobre a própria salvação, sobre viver uma vida de santidade a Deus. Não adianta você dedicar a sua vida a coisas que vão te tirar do caminho do Pai. O mundo é sutil e faz você trocar as suas prioridades em um passe de mágica. Induzindo-te a trabalhar demais, ou achar que o sentido da sua vida é sua carreira. E aí, com o tempo, você se perde no caminho e se esquece da cruz. E por fim, quando você menos esperar, pecar ou não pecar não mais tocará o seu coração e você seguirá no modo automático.
Mas tem outra coisa implícita neste perder a sua alma, que de uma forma ou de outra se completa com a salvação, seria você perder a sua sensibilidade, o seu amor pelas pessoas. Aí, em um belo dia, você passará na rua e um morador de rua não mais tocará o seu coração, ou uma pessoa passando dificuldade não te preocupará mais. E você vai seguindo, esquecendo o seu chamado como cristão aqui na terra, você vai seguindo sem alma e sem amor pelas pessoas.
O chamado de Jesus não é só para nos dar salvação e arrependimento, palavra esta que não é mais tão usada, mas para também termos uma vida plena e santa, para nos salvar de sermos escravos do pecado e dos vícios deste mundo, é por isso que a Bíblia tem algumas proibições. Certa vez, uma amiga me perguntou por que Deus nos proíbe de fazer um monte de coisas?
Muitos têm o pensamento equivocado sobre o pecado, alguns acham que Deus é um cara que leva a vida nos impedindo de fazer um monte de coisas legais, é um Deus que gosta de nos ver passar vontades, mas não é isso.
O pecado pode até ser algo bom, mas por um período de tempo curto e é algo passageiro, que Depois nos faz mal. O pecado é como uma árvore da fruta mais gostosa que você já comeu, mas plantada no meio de um rio de esgoto. Você pode até ir lá e se deliciar com a fruta, mas vai se sujar muito, vai se contaminar com a sujeira e ficar doente.
A Bíblia nos exorta a não nos embriagarmos, ela não diz que beber é uma coisa ruim, ela diz que o excesso que é ruim. Vai fazer você ficar mal, cometer equívocos e quem sabe com o tempo desenvolver um alcoolismo ou outros problemas.
A mesma coisa são com os mandamentos de não matar, não adulterar, não mentir. Estas coisas não são boas, podem dar momentos bons, mas no fim nos escraviza, é este o motivo das proibições, as leis são para nos proteger. Gosto de uma letra da banda Desertor que diz: “As leis de Deus são pra me proteger”.
Uma pessoa sem alma é perigosa, vive a vida para si, esquece-se dos outros e do fato que cada um tem as suas dificuldades e pontos fracos. Uma pessoa sem alma está morta, no caixão, sem vida, pensando só em si e vendo o mundo somente de sua maneira.
E o interessante é que a passagem de Marcos inteira é um chamado de Cristo para negar a si mesmo, e seguir colocando os interesses de Cristo em primeiro lugar (Marcos 8:34-36).
A Bíblia nos chama a vivermos uma vida plena e feliz e nos chama a fazermos diferença, e para que isso aconteça, temos que estar sensíveis às pessoas.
Uma pessoa estendida em um caixão não pode lamentar, voltar atrás e recuperar o tempo que jogou fora com coisas inúteis. Ou lamentar os momentos que deixou de passar com os amigos, os abraços nos seus familiares, ou de servir a Deus e fazer a sua vontade. Mas nós, que estamos vivos, podemos!
Ser salvo não é só ter um lugarzinho reservado no céu e sim fazer diferença na vida das pessoas, é seguir fazendo a vontade de Deus e você não faz isso sem sensibilidade, sem alma.
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A FIGUEIRA SECA
A família do meu pai mora no interior em uma colônia leiteira. Como não é muito longe de onde moro, cerca de uma hora de viagem, na minha infância visitávamos meus avós regularmente. Eu também passava minhas férias lá. Tenho ótimas lembranças desse tempo. Era muito bom andar a cavalo, tomar banho de rio, ouvir as histórias do meu avô, entre outras coisas. Mas lembro muito bem que eu gostava do pomar, pois havia muitas árvores frutíferas. Eu me deliciava com maçãs, peras e pêssegos. Ver aquelas árvores carregadas de frutas enchia os olhos. Mas em uma propriedade daquele tamanho, sempre havia uma ou outra árvore doente. Quando não havia mais jeito ela era cortada e outra era plantada em seu lugar, pois ela não produzia mais frutos.
Na Bíblia lemos um relato que tem muito a ver com isso. No evangelho de Marcos, no capítulo 11, há um relato no qual Jesus estava saindo de Betânia e ficou com fome. No caminho viu uma figueira cheia de folhas, foi colher figos para come-los, mas não encontrou nenhum. Jesus amaldiçoou aquela árvore que acabou secando completamente. Há alguns detalhes que são interessantes de serem avaliados. Um deles é que esse é o único relato bíblico no qual Jesus destrói algo. Pouco depois ele viria a purificar o templo virando as mesas e cadeiras dos que profanaram aquele lugar, mas destruir a figueira foi único, pois ele destruiu um ser vivo. Outro detalhe é que havia algo muito errado com essa figueira. Na região de Israel, as figueiras começam a brotar folhas nos meses de março ou abril, e não frutificam antes de estarem com sua folhagem plenamente formada, o que ocorre no mês de junho. Era a época da páscoa e a figueira já estava totalmente tomada pelas folhas, mas sem seus frutos. Já que as folhas tinham tomaram conta da árvore, Jesus imaginou que encontraria frutos, mas, procurando pelos figos, não os encontrou. Essa passagem é um simples relato, mas podemos aprender um princípio muito importante nele. Há algumas interpretações distintas para esse episódio, mas quero me ater a uma a qual podemos aplicar à nossa vida.
Assim como a figueira, o ser humano também é criação de Deus. Assim como a figueira, nós também temos um papel a desempenhar. Entre os cristãos, e até na própria Bíblia, é comum encontrarmos a idéia de que os filhos de Deus devem frutificar. Da mesma forma que se espera que a figueira produza figos, se espera que um cristão, cuja vida foi transformada por Deus, produza algo. Mas afinal, o que é esse algo?
Acho que podemos dividir os frutos que o cristão deve gerar em duas categorias. A primeira é o que o próprio cristão deve gerar e a segunda é aquilo que o Espírito Santo gera na vida do cristão. Se estudarmos o assunto de forma mais profunda, acabaremos escrevendo um livro; bem… Pelo menos um, mas provavelmente seriam mais. Mas eu gostaria de tecer breves comentários sobre os frutos do cristão. Vamos começar por aquilo que o próprio cristão deve gerar.
Estamos falando de frutos. Quando pensamos em árvores, principalmente as frutíferas, ao refletir sobre o principal papel delas, logo lembramos dos seus frutos. Pensamos naquelas peras, maçãs e pêssegos que podem saciar nossa fome ou simplesmente a vontade de degustar uma fruta gostosa. Mas a principal função dos frutos não é matar nossa fome, mas sim gerar a semente que produzirá uma nova árvore. Assim também, o principal fruto que um cristão deve produzir é um novo cristão. Da mesma forma que as árvores se reproduzem através das sementes, os cristãos devem reproduzir sua fé na vida das pessoas que os rodeiam. Sabemos que não é tão simples assim, mas acredito que haja algo de errado na vida de um cristão que não oferece a semente da palavra para os que o rodeiam. A aceitação da palavra não depende de nós, homens, mas sim do agir de Deus na vida da pessoa e da disposição da pessoa em aceitar a necessidade de uma vida com Deus. Mas a minha e a tua vida devem ser a semente que pode fazer a vida brotar no coração das pessoas. Esse é o principal objetivo do cristão e da própria igreja. Esse é o principal fruto que a vida do cristão deve produzir. Será que temos uma vida tal que as pessoas são influenciadas a ver Deus em nossa vida? Será que a minha e a tua vida são atraentes aos que convivem conosco?
Há porém, aqueles que o Espírito Santo gera na vida dos filhos de Deus. Esses frutos não são opcionais, mas sim uma conseqüência natural do relacionamento do cristão com seu criador. Na carta aos Gálatas encontramos uma lista de itens que compõe o fruto que deve ser visível na vida de todo cristão: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé,mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5,22). Como já citei, essas características, ou atitudes, são desenvolvidos pelo Espírito Santo e são uma conseqüência natural do nosso relacionamento com Deus. É um fruto que vai se desenvolvendo e amadurecendo a medida que crescemos na intimidade com Deus. Não se trata de um fruto facultativo, mas que deve ser evidente na vida de toda pessoa que professa a fé cristã. Todos nós temos nossas falhas, nossos pontos fracos, mas se tivermos uma vida sadia com nosso Deus, Ele trabalha para que nosso caráter seja aperfeiçoado. Com certeza não chegaremos a perfeição, pelo menos nessa vida, mas devemos desenvolver essas áreas citadas em Gálatas. Aquele que não desenvolve esse fruto deve fazer uma séria avaliação da sua vida.
Da mesma forma que havia algo muito errado com a figueira na qual Jesus esperava encontrar frutos, há algo de errado na vida do cristão que não evidencia os frutos que dele se espera. Mesmo fora de época, a figueira estava cheia de folhas, fato que evidenciava que deveria estar em época de produção. Mas era apenas aparência, pois não produzia nenhum fruto. Infelizmente isso também ocorre com muitas pessoas que sentam nas cadeiras das igrejas. Sua aparência é impecável. Olhando para essas pessoas podemos imaginar que se tratam das pessoas mais fiéis que existem. Estão em todos cultos e demais reuniões, contribuem com generosas ofertas, levantam as mãos quando entoam seus cânticos e até falam o “evangeliquês”. Não fumam, não bebem, não jogam, mas tudo não passa de aparência. É como a figueira: bonita, vistosa, tomada por belas folhas, mas era só isso. Será que esse comportamento descrito é o que Deus quer daqueles que o seguem? Seguidamente vejo os evangélicos criticando a hipocrisia dos fariseus e da religiosidade judaica, mas será que a igreja cristã está longe dessa realidade? O último senso constatou que no Brasil há aproximadamente 42 milhões de evangélicos. Será que se houvesse 42 milhões de pessoas comprometidas com Deus, o país estaria nessa situação? Não estou me referindo à situação econômica, mas a corrupção, desonestidade e falta de princípios permeia toda a sociedade, e infelizmente a própria igreja.
Sou uma pessoa bastante crítica. Acho difícil me conformar com a atual situação da igreja brasileira. Mas não vou responder pelas atitudes da igreja, mas sim pelas minhas próprias atitudes. Será que eu, que critico tanto a igreja, desenvolvo os frutos que Deus espera de mim, ou sou apenas mais um daqueles que tenta enganar a si mesmo? E quanto a você; que vive uma vida de intimidade com Deus e, como conseqüência, apresenta os frutos que se espera de todo cristão, ou é apenas mais um freqüentador de igreja? Comumente confundimos religiosidade com vida com Deus. A religiosidade gera, no máximo, belas folhas na árvore, mas não passa disso. Uma bela aparência que agrada a muitos mas que não traz resultados práticos. Vida com Deus gera frutos que são perceptíveis a todos que convivem conosco. É para isso que Deus nos criou.
A figueira, que deveria alimentar Jesus, era inútil e perdeu sua vida. Da mesma forma, se não apresentarmos os frutos que Deus espera de cada um de nós, não alcançaremos a vida eterna. Não como castigo, mas sim como conseqüência das nossas escolhas. A pessoa que não gera frutos evidencia que está longe de Deus. Ele está muito interessado em mim e em você; provavelmente mais interessado em nós, do que nós nele. Deveria ser exatamente o contrário, mas esse interesse de Deus por todos os homens mostra seu amor. Nossa vida é muito valiosa para produzir somente belas folhas. Como está tua figueira? Desenvolva tua vida com Deus, lance tuas raízes nele e gere todos os frutos que tua vida pode gerar.
Bruno Wedel.
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GUERRA SANTA
Segundo uma boa parte dos cristãos, o anticristo virá da igreja católica. E este papa anticristo, influenciará e desviará uma boa parte das pessoas do caminho de Deus, pelo menos é isso que eu ouço de alguns.
Durante a minha caminhada cristã, tenho visto as mais diversas teorias que protestantes inventam sobre a igreja católica. É uma guerra santa, onde farpas voam dos dois lados, tudo com o propósito de mostrar qual é a igreja certa.
O curioso é que nenhum destes protestantes conspiracionistas consideram a possibilidade do anticristo vir da própria igreja cristã, isso se ele for um homem. Pois como eu já falei em publicações anteriores, a igreja está um caos, perdida e sem rumo. A igreja tem construído teologias das mais bizarras e nenhuma delas é considerada a porta de entrada para o mal, o anticristo ou quem quer que seja.
Algumas igrejas pregam o evangelho da emoção com “moveres” que vão desde se jogar ao chão, comer capim, uivar, até fazer ofertas de fé. E estas teologias demoníacas nem sempre são julgadas e muitas das vezes são aplaudidas de pé, tudo em nome do prazer pessoal. É feito tudo em nome de experiências, mas pouco se faz com base Bíblica e estudo da palavra. John MacArthur faz uma análise interessante destes “moveres espirituais”, em seu livro Fogo estranho, ele diz:
“Como resultado, é quase impossível definir o movimento carismático doutrinariamente, exceto por seus erros. Ele resiste a categorização teológica porque tem uma ampla e crescente gama de pontos de vista, cada um deles sujeito à intuição pessoal ou à imaginação”.
A instituição se preocupa cada vez mais com crescimento numérico e cada vez menos em se relacionar, fazer diferença em seu bairro, ajudar o próximo. Afinal, uma igreja de “sucesso” é uma igreja grande.
Isso sem contar que os cristãos estão cada vez menos se informando e buscando conhecimento para serem pessoas críticas e relevantes. E cada vez mais se preocupando em cumprir o protocolo, ir ao culto, como a regra manda, se alimentar da palavra de púlpito, como se esta palavra provesse força para a uma caminhada com Deus.
Isso sem contar que somos um povo desunido, não parece que adoramos um só Deus, de tão divididos que somos. E pelo menos isso a igreja católica não tem, ela é mais unida e centrada em um propósito, coisa que a igreja protestante já se perdeu há tempos. Ouvi do meu professor uma experiência curiosa sobre isso. Em um jantar de pastores, o governador da cidade que estava presente falou algo curioso:
“Para falar com o responsável da igreja católica, eu chamo o arcebispo, da umbanda eu chamo o babalorixá ou yalorixá, mas para falar com o representante da igreja cristã, eu tenho que organizar um jantar. Pois além de não existir um representante geral, vocês não concordam com a ideia uns dos outros, são muito desunidos”.
Enquanto muitos estão procurando o anticristo na igreja católica, a igreja cristã vai se afundando e cada vez mais pastores mercenários ganham destaque, procurando cada um valorizar seus propósitos.
Quando Cristo fala de lobos em pele de ovelha (Mateus 7:15), ele não está falando de alguma igreja específica. E sim de falsos mestres, que invadem a igreja e deturpam a palavra, e isso tem em muitas igrejas, ninguém está imune a estes ataques.
Lobos em pele de ovelhas são pessoas que aparentam algo que não são, e estão dentro do corpo de Cristo para apenas tirar vantagens. É por isso que a Bíblia constantemente nos adverte a estarmos preparados, 1Timóteo 2:15 diz:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.
Este texto resume como devemos ser e qual a cultura que temos que cultivar. Procura apresentar-te aprovado, no grego é spoudadzo, que significa apressar-se, ser zeloso, ser urgente. (Champlin, 2014, p. 492). E apesar de ainda não existir o Novo Testamento naquela época, o texto se refere aos ensinos dos apóstolos.
Muito se fala do anticristo, muitas são as teorias, mas pouco se fala do grande papel negativo de algumas denominações. Claro, não podemos generalizar, nem todas estão perdidas ou focadas em enganar os outros, mas uma coisa é verdadeira, temos nos calado diante destas falsas teologias. Mas o que fazer para combater este mal? Como proceder para nos proteger destes falsos ensinos?
O Segredo é estudar e orar, esta é a junção perfeita para todo o cristão. Buscar Deus, mas buscar o conhecimento também. Quando você assim procede, você deixa de ir por conversas, medita mais e procura na palavra de Deus a base do que lhe é ensinado.
Faz parte da conduta de todo o Cristão não engolir tudo goela abaixo, faz parte da vida com Deus viver uma fé alicerçada em Cristo e em sua palavra, para assim, em nenhum momento, seguirmos vivendo uma vida medíocre e sem sentido.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014.
MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um Olhar Questionador Sobre a Operação do Espírito Santo no Mundo de Hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2015.
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DEUS E SEU RELÓGIO ATRASADO
Quem me conhece sabe muito bem quanto gosto de motocicletas. Essa paixão é antiga. Desde criança gosto das duas rodas. Durante minha adolescência fiquei ansioso em logo conseguir minha moto, mesmo sendo menor de idade e não podendo pilotá-la. Mas meus pais não tinham a mínima condição de comprar uma para mim e mesmo que tivessem, nunca me dariam uma. Como eu não trabalhava esse sonho parecia ser impossível de se realizar. Isso me atormentava, tirava minha paz e eu incomodava as pessoas que estavam ao meu redor. Em certa ocasião minha mãe, para me animar, citou o exemplo do nosso vizinho que era uns 7 anos mais velho que eu e que tinha um emprego onde ganhava muito bem. Ela disse que logo eu estaria concluindo meus estudos e, como nosso vizinho, poderia conseguir um emprego e comprar a tão sonhada moto. Minha resposta mostrou toda minha imaturidade: “Mãe… ele tem 23 anos e já é muito velho pra curtir moto. Com essa idade nem vou mais querer uma. Eu quero agora”. Lembrando dessa passagem, dou risada da minha estupidez; passaram-se uns 35 anos, tenho minhas motos e as curto como nunca. Não sei o que foi maior, se minha imaturidade ou meu imediatismo.
Algumas semanas atrás escrevi um texto sobre o tempo. Citei que vivemos em uma geração do “aqui e agora”. A velocidade dos acontecimentos é muito rápida. Pedimos uma pizza e sem em trinta minutos ela não estiver sobre nossa mesa começamos a reclamar. Talvez o exemplo mais absurdo seja nosso comportamento na internet. Digitamos o site que queremos, e se em cinco segundos depois do “clic” o site ainda não abriu já pensamos em contratar um link de uns 500M, pois o que temos é muito lento e dão dá mais. Assim como há 35 anos um adolescente tolo não queria esperar o tempo certo para ter sua moto, hoje não queremos, e às vezes nem deixamos, que a vida ande em seu ritmo. Sempre achamos que o relógio de Deus está atrasado, pois as coisas ainda não aconteceram na nossa vida. Enquanto nossa impaciência é com motos, pizzas ou internet o problema não é tão grave assim, mas quando nossa impaciência é com questões mais relevantes da vida, ou até mesmo com Deus, aí podemos nos preparar para enfrentar dificuldades maiores para superar isso. Episódios menores, como os exemplos que citei podem parecer menos importantes, mas é uma escola na qual podemos aprender valiosas lições sobre esperar.
Na Bíblia encontramos um relato de um homem que soube esperar. O quinto capítulo do evangelho de João inicia, contando a história de um homem que era enfermo a 38 anos. Uma vez por ano um anjo descia do céu e agitava a água do poço de Betesda, em Jerusalém. A primeira pessoa que se banhasse nas águas desse poço depois do anjo tê-las agitado era curada de todas suas enfermidades. Provavelmente, durante 38 anos, ano após ano, esse homem ia até esse poço, mas como ninguém o ajudava, aparentemente tinha algum problema de locomoção, ele não chegava a tempo ao poço. Não é difícil imaginar a quantidade de pessoas que se aglomeravam ao redor desse poço na espera da cura. Era praticamente impossível esse homem ser curado, pois a concorrência era acirrada. Imagino que era uma verdadeira briga de foice, e duvido que alguém ajudava seu próximo, pois só o primeiro a chegar era curado. Mas mesmo diante de tantas adversidades, o homem esperava pacientemente sua cura. Ano após ano, lá estava ele a espera do milagre mesmo que este fosse improvável. E um dia o milagre chegou; e chegou de forma surpreendente, pois o próprio Cristo o curou. Ele não precisou ser o primeiro a chegar ao poço. Podemos aprender diversas lições desse texto, e uma delas é aprender a esperar. Será que nós sabemos esperar em Deus?
Talvez uma das coisas mais difíceis na atualidade seja esperar. Somos pressionados de todos os lados e temos a tendência de fazer as coisas acontecerem. É claro que nada cai do céu e temos que fazer nossa parte, mas será que o ritmo louco que vivemos é o melhor para nós? Essa questão torna-se ainda mais relevante quando aplicada na vida de um cristão. Talvez você pergunte por que afirmo isso. É uma questão muito batida que todos sabem, mas uma pessoa que professa a fé cristã, em algum momento da vida, converteu-se, ou seja, colocou sua própria vida sob a vontade de Deus. Sendo assim fica muito fácil perceber que com essa atitude essa pessoa está transferindo os direitos da sua vida para Deus. Mas, infelizmente, parece que no dia a dia tomamos nossa vida das mãos de Deus para vivê-la conforme achamos adequado, e quando achamos oportuno a devolvemos para Deus. Pode parecer um tanto quando radical, mas do universo dos evangélicos que conheço, poucos tem uma vida realmente dedicada a Deus, e que vivem na dependência dele. Muitos dizem que se entregaram a Deus, mas as atitudes das pessoas falam muito mais alto que suas palavras.
Como me criei na igreja, conheço muito jargões que são usados em pregações ou aconselhamentos. Um dos mais famosos, é que quando consultamos Deus, ele tem duas respostas para nos dar: sim ou não, e temos que obedecê-lo. Ok, concordo com isso, mas em partes. Acho que Deus não é um Deus binário que só responde sim ou não. Muitas vezes Deus diz espere. É nesse momento que sentimos muita dificuldade, pois queremos respostas imediatas. Até mesmo o não pode ser mais facilmente digerido do que o espere. Esperar nunca é fácil, mas tornou-se ainda mais difícil em uma época como a nossa, onde tudo é muito rápido. Parece que nosso relógio corre mais rápido que o de Deus. Só que há um pequeno detalhe. É o relógio de Deus que marca o tempo, e não o nosso. Muitas vezes, diante de uma questão que achamos que Deus não respondeu, não queremos esperar e resolvemos por nós mesmos. Creio que temos essa liberdade e podemos fazer isso, mas nesse caso fica claro que estamos fazendo a nossa vontade e não a vontade de Deus. Esse é um dos exemplos de como tomamos nossa vida das mãos de Deus, e depois a devolvemos. Só que na maioria das vezes damos com os burros na água e o preço pode ser alto.
A questão da espera envolve pelo menos outras duas áreas da vida cristã: fé e persistência. Para que uma pessoa espere em Deus, ela precisa ter fé e persistência. Algumas vezes, como no caso da passagem bíblica citada, é uma espera de anos. O homem desse episódio tinha fé que seria curado. Ano após ano ele ia ao poço, mesmo diante do improvável. Mas seu olhar não estava no improvável, mas sim no Deus que iria curá-lo. E ele foi curado. Imagino que a cada ano, mesmo tendo poucas esperanças, ele voltava decepcionado quando não era curado. Mas no ano seguinte, sua fé o movia a continuar crendo e sua persistência o levava a ter a atitude de buscar a cura. Fé é saber que quando nossa vida está nas mãos de Deus, tudo o que ele fará será o melhor para nossa vida. Quando conseguimos viver essa verdade, fica mais fácil esperar, pois entendemos que a espera é a vontade de Deus. Mas quando não conseguimos praticar nossa fé, estamos declarando que a espera não é uma resposta de Deus e partimos para soluções próprias. Outras vezes podemos ter fé, mas nos falta a persistência. Acreditamos com o coração, mas desistimos de tentar novamente ou de simplesmente esperar. Parece que não temos mais força para isso. Pode parecer um tanto quanto contraditório ter fé e desistir, mas creio que isso possa acontecer. Eu mesmo já passei por situações onde me sentia assim. Talvez a persistência seja a forma prática de exercer nossa fé. Parece que ambas estão entrelaçadas. Por isso que precisamos de persistência. E se há algo que demanda persistência é a espera.
Mas, como já citei, parece que vivemos num tempo no qual desaprendemos, ou talvez nunca tenhamos aprendido, a esperar. Como se aprende a esperar? Da mesma forma que se aprende as demais coisas na vida; fazendo. A única forma de aprender a esperar, é esperando. A vida nos dá várias oportunidades de aprendizado e para nosso próprio bem, é importante que estejamos dispostos a aprender. Quando não temos o aproveitamento exigido nos nossos estudos, reprovamos e temos que repetir a matéria. Se não aprendermos na segunda vez, teremos que enfrentar tudo pela terceira vez. O aprendizado na vida é semelhante a isso. Se desperdiçamos uma oportunidade de aprendizado, muito provavelmente tenhamos que passar novamente por algo semelhante para aprender a reagir da forma correta. Se desistirmos novamente, o ciclo se repete indefinidamente até que aprendamos ou até nos darmos muito mal. Além de não aprender a lição, temos que enfrentar tudo de novo. É como ficar anos, anos, e mais anos fazendo a mesma matéria sem conseguir a aprovação; andamos, andamos e não saímos do lugar. Mas o aprendizado da vida pode ser mais fácil do que na vida acadêmica. Nos estudos, eventualmente podemos ser confrontados com conhecimentos que simplesmente estão além da nossa capacidade de entendimento. Por exemplo: sinceramente duvido que eu conseguiria me formar em física quântica. Mas no caso das lições que a vida nos traz, no nosso caso a espera, basta que tenhamos disposição e atitude. Pode demorar um pouco, pode ser difícil, mas conseguimos.
Apesar de poder ser um período extremamente penoso, a espera pode ser de grande valia. Durante o silêncio de Deus podemos aprender valiosas lições. Quando achamos que Deus se calou e não podemos fazer mais nada além de esperar, podemos ser confrontados com nós mesmos. O silêncio de Deus durante nossa espera pode nos ensinar lições que não aprenderíamos se a resposta dele fosse imediata. Se tivermos coragem de encarar a espera e o silêncio, descobriremos muito a respeito de Deus, da vida e de nós mesmos. Provavelmente o homem que esperou pela cura durante esses 38 anos, cresceu muito nesses anos todos.
Como cristãos, nosso desafio é nadar contra a maré que leva a sociedade para onde bem quer. Somos constantemente bombardeados com conceitos que podem parecer inofensivos, mas que podem roubar nossa intimidade com Deus. E com certeza, o imediatismo e o fato de não sabermos esperar o tempo de Deus, é um dos principais fatores que nos roubam dele. Aprender a aceitar o sim, ou não e o espere como respostas de Deus, podem, ao invés de ansiedade, nos trazer paz. Respeitar e viver o tempo de Deus é um dos indícios que realmente entregamos nossa vida nas mãos de Deus. E as mãos dele são simplesmente o melhor lugar onde eu e você podemos estar.
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TEMPESTADE
Há algum tempo, aconteceu um grande temporal em minha cidade. Um vento muito forte varreu a cidade e eu agradeço a Deus que a única coisa que a tormenta me trouxe na madrugada foi o medo, e algumas poucas arvores quebradas.
É curioso como estes vendavais aparecem de repente em nossa vida e nos pegam desprevenidos. E o meu maior medo é que diante de um vendaval destes, não podemos fazer nada. Ele nos deixa impotentes e sem saída, e se não temos algum lugar para correr, perecemos. Tal qual o tsunami que varreu o litoral do Japão em 2011, onde ondas arrasaram a cidade, deixando pessoas sem ação e sem saída.
Quantas coisas já pegaram você desprevenido? Quantas tempestades castigaram a sua vida?
Situações que nem de perto você imaginou passar, mas acabou passando, deixando você sem chão. Tempestades não são boas, situações que te tiram a paz são como pedras no caminho, um muro intransponível, ou quem sabe pareça um castigo divino por causa de alguma desobediência sua, pelo menos é o que alguns pensam.
Quando falamos em caos e dificuldades, logo lembro da história de José do Egito, descrita lá em Gênesis 37. É um texto interessante que suscita diversas conclusões.
A Bíblia diz que ele era o filho que o seu pai mais gostava (Gênesis 37:3) e um dia este filho tem um sonho, ele sonha que todos os familiares iriam se prostrar diante dele (Gênesis 37:7, 37:8). Sonho interessante, não é? Mas os seus irmãos não gostaram, tiveram raiva daquele irmão e planejaram acabar com a vida daquele rapaz sonhador (Gênesis 37:20), mas após um dos irmãos suplicar para que não o matassem, decidem vendê-lo a uns mercadores que passavam pelo local (Gênesis 37: 27).
Mas como Deus era com José, ele acaba indo parar na casa do Potifar, que era um capitão da guarda do palácio (Gênesis 39:1). E lá ele se dá bem, tanto que acaba em uma posição de destaque, tendo a responsabilidade de administrar aquela casa (Gênesis 39:2-6). Entretanto, novamente algo devia estar conspirando contra aquele homem. José foi preso, acusado de abusar da mulher do dono da casa (Gênesis 39:13-15). Depois de muitas vezes recusar a se deitar com ela (Gênesis 39:7-12), aquela mulher arma uma vingança contra ele.
No fim de toda esta confusão e já na cadeia, ele acabou mesmo em meio aquele caos, sendo abençoado por Deus novamente, conquistando a confiança do carcereiro, virando por este motivo, seu ajudante (Gênesis 39:21-23). Que no final, acaba interpretando o sonho de dois presos, sendo que um destes sonhos era um aviso que um deles iria ser liberto em breve (Gênesis 40:12-13).
Depois de interpretar o sonho e pedir aquele homem que intercedesse por ele quando ele fosse liberto, sabe o que aquele preso fez quando ganhou a liberdade? Esqueceu de José por dois anos, sim, dois anos (Gênesis 41:1). Que gratidão, não é?
Quantas tempestades, tal qual José, você passou? Já sofreu injustiças? Já foi abandonado? Sua vida de uma hora para outra virou de cabeça para o ar?
Normal, muitos passam pelo o que José passou, em algum grau maior ou menor, mas a pergunta que você deve fazer é, como passar por estas situações de uma forma que agrade a Deus? Mas por fim o sonho de José se cumpre e ele vira governador, e acaba ajudando os seus irmãos. Vale a pena conferir a história toda escrita a partir de Genesis 37, mas este texto me traz duas reflexões diante de todas estas dificuldades.
A primeira é: não importa o seu caos ou a sua dificuldade, Deus nunca te abandona. E mesmo em lugares difíceis, períodos de crises e inseguranças, Deus esta conosco cuidando de nós.
Você de alguma maneira pode achar que José foi azarado, mas ele foi salvo da morte e Deus ao longo de sua vida, além de cuidar por inteiro dele, transformou todo o mal tramado contra ele em bem (Gênesis 50:20).
E por fim a segunda reflexão que tiro é: Siga confiando, confiar é seguir sem medo, apesar dos problemas. Confiar no dicionário é:
“Entregar aos cuidados, à fidelidade de alguém. Entregar (alguma coisa) a alguém sem receio de perdê-la ou de sofrer dano”.
Confiar é largar o controle, é saber que depois da tempestade vem a bonança.
Quando a minha avó e meu avô saíam de carro, ela seguia durante o trajeto todo dando opiniões quanto ao modo do meu avô dirigir. Isso o irritava, dando a entender que ele não sabia o que estava fazendo, com Deus não é diferente.
Na nossa vida fazemos a mesma coisa. Achamos que Deus não está respondendo só porque ele não está agindo da forma que esperamos. Achamos que ele não sabe o que faz, por isso nos desesperamos, oramos mandando Ele fazer a sua parte e direcionamos Deus em como Ele deve proceder.
Entenda, as vezes a nossa vida não está tão ruim assim, ela só esta em um caminho diferente e você tem que aceitar isso. Confiar não é palpitar, mas saber que apesar do caos no caminho, Ele cuida de nós.
Sabe, nós temos um grande problema, dizemos que confiamos e não confiamos. Queremos que Deus nos guie, mas da nossa maneira. Queremos a ajuda dele, de nossa maneira, afinal, nós sabemos mais do que Deus, não é? Muitas vezes não estamos dispostos a seguir, apesar das lutas, isso não é confiar.
As vezes acho que nos consideramos pessoas com alguns privilégios. Porém o privilegio mais importante, que nós sempre esquecemos, é poder servir a Deus. E quando entendemos o nosso papel de servos, paramos de enxergar o mundo da nossa maneira hedonista.
Falamos tanto em servir, mas priorizamos mais sermos servidos. José era um servo, ele sabia disso e deve ter sido por isso que ele não perdia tempo reclamando, ele seguia confiante, sabendo que Deus cuidava dele, e o texto nos mostra que Deus cuidou. Isso sem contar que José não guardou mágoas, nem semeou vingança em seu coração. Ele seguiu trabalhando e confiando em Deus.
Portanto, confie; siga fazendo a sua parte e quando você não tiver saída e não souber o que fazer, entregue tudo nas mãos de quem sabe muito bem o que faz, Deus!
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DEUS COMO ELE É
Vários anos atrás eu tocava bateria em uma igreja. Em um dos ensaios o responsável pelo trabalho tomou uma atitude que bagunçou tudo. Ninguém do grupo achou isso uma boa idéia e eu argumentei com o líder. Nos indispomos, idéia dele foi mantida e deu tudo errado. Saí indignado, e cuspindo marimbondos. Saindo de lá, minha esposa e eu fomos comer uma pizza com outro integrante do grupo e conversamos a respeito. Eles cobraram outra atitude da minha parte e isso me irritou ainda mais. Perguntei em tom irônico se eles concordavam com o cidadão mesmo que tudo tenha dado errado. Aí veio uma resposta dada por minha esposa que me atingiu como uma chibata. Ela disse algo assim: ”Você está certo quanto ao que houve, mas errado na maneira de agir. Não adianta ficar discutindo e querendo mudar a opinião de quem não quer ouvir. Aprenda uma coisa. Você não tem poder de mudar ninguém; só a si mesmo”. Detestei ouvir aquilo, ainda mais em um momento de raiva, mas foi uma lição que aprendi. Não podemos mudar ninguém.
Por que contei esse episódio? Simplesmente porque a tendência do ser humano é querer que o mundo seja como ele quer. Eu gostaria que o mundo e a vida fosse da forma que eu penso. Acredito que você também seja assim. Mas tenho uma má notícia para todos nós. A vida é como ela é e ponto final. E da mesma forma que o homem tenta mudar o mundo, e algumas coisas realmente são mudadas, ele também tenta mudar Deus. Não é mais Deus que criou o homem; agora é o homem que cria Deus da forma que melhor lhe convenha. Isso não é nenhuma novidade, pois é algo que já ocorre a milênios. Olhando para o cristianismo, percebemos que essa é uma tendência que cativa cada vez mais pessoas.
Durante muito tempo, principalmente na idade média, a igreja exercia um poder extremamente forte em toda a sociedade. Até mesmo os reis e imperadores curvavam-se diante do papa. A ciência foi calada em suas descobertas, hereges queimados e a palavra da igreja e suas leis eram a verdade inquestionável. Até daria certo se o homem vivesse a lei de Deus, mas a lei que estava sendo imposta, era a lei da igreja que não passava de um esboço mal feito da lei divina. Com o passar do tempo a igreja começou a enfraquecer e sua influência política começa a ruir. Um duro golpe foi a reforma protestante em 1517 Toda a sociedade foi se transformando, e aos poucos nascia o iluminismo. A ciência, livre da opressão religiosa começa a prosperar e o centro do universo passa a ser o próprio homem. Veio a era moderna onde se entendia que o homem é auto suficiente, e através de seu conhecimento todos os problemas seriam resolvidos e a sociedade estaria rumo à tão sonhada felicidade. O homem não precisava mais de Deus, mas esse sonho começou a ser desfeito com a 1ª Guerra Mundial. O homem, que, achava que estava evoluindo e construindo uma sociedade melhor, é confrontado com a idéia da guerra que foi causada por si mesmo. O castelo de areia da era moderna veio a ruir definitivamente com a 2ª Guerra Mundial quando o homem se deu conta que ele também não conseguiu responder aos próprios anseios. Se antes a igreja era o centro do universo, agora o homem e sua ciência o são, mas ambos falharam em sua missão. Aos poucos surge outro pensamento, o pós-modernismo. A principal característica dessa forma do homem pensar, é que não há absolutos. Tudo é relativo; o que é uma verdade para você, não necessariamente é para mim. Novamente o homem é o centro da vida, mas sem nada ou ninguém para moldar seu pensamento. É a era do politicamente correto. Nós todos, do mundo dito civilizado, vivemos essa realidade. Alguns mais, outros talvez menos, mas nascemos nessa realidade e o mundo que existe ao nosso redor foi construído sobre esse pensamento. Todos nós temos, em grau maior ou menor, uma base do pensamento pós moderno na forma de viver. Agora que temos uma noção um pouco melhor da base do pensamento humano, quero perguntar: onde fica Deus nisso tudo? Se tudo é relativo, Deus não foge à regra; ele também o é. Ele passou de absoluto, ao relativo. É nesse ponto que cada pessoa que se considera cristão deve fazer uma reflexão. Quem e como é Deus para mim?
Para muitos o cristianismo é uma religião. Para outros é uma ideologia ou uma filosofia de vida. Mas para o cristão, é, ou ao menos deveria ser, a forma que o Criador quer que cada ser humano viva. É muito mais do que um compêndio de leis a serem seguidas, ou um código de moral e ética. Trata-se da vontade de Deus para cada indivíduo. É claro que não se pode esperar que alguém que não professe a fé cristã compartilhe desse pensamento. Mas como nesse blog levantamos questões acerca do cristianismo, é bastante razoável que sigamos nessa linha de pensamento.
No segundo capítulo da carta que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Colossos, encontramos um fragmento, dos versículos 8 ao 15, no qual há claras advertências aos falsos ensinos que haviam se instalado naquela igreja. Quero citar somente o versículo 8:
“Cuidado que ninguém vos venha a redar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não de Cristo”.
A igreja dos colossenses vivia uma realidade similar a nossa. Vários ensinos falsos haviam contaminado o evangelho de Cristo. Acreditava-se que outras divindades e espíritos poderiam beneficiar o homem. Vivia-se um certo sincretismo religioso. Mesmo sendo de uma forma diferente que nos nossos dias, mas o evangelho foi relativizado. Mas Paulo, como apóstolo designado por Deus para edificar a igreja, acaba sabendo do que estava acontecendo em Colossos e envia uma carta relembrando alguns ensinos e princípios da palavra de Deus.
Lendo esse versículo não é difícil imaginar que podemos aplicar a advertência nele contida para a maioria dos cristãos da atualidade. Ao que parece, a igreja perdeu seu poder de impactar o mundo e creio que um dos motivos seja que relativamente poucos vivem o verdadeiro evangelho. Fruto de uma sociedade que relativiza os absolutos, o evangelho foi bombardeado por pensamentos humanistas que o desvirtuaram. Como citei anteriormente, o homem tenta mudar o mundo conforme lhe é cômodo. A natureza é devastada para que tenhamos uma vida mais confortável. Leis e princípios são mudados simplesmente por ser mais cômodo, e a mesma coisa é feita com Deus. Ou melhor, tenta-se fazer a mesma coisa com Deus. Mas Deus não é quem o homem pensa ser, mas é quem é e ponto final. Nada do que possamos pensar ou querer em relação a Deus, vai mudar esse fato. Por exemplo: o senso comum entende que Deus não vai mandar ninguém para o inferno, afinal ele é amor e sendo assim isso não faria sentido; ele não iria castigar eternamente a quem tanto ama. Seguindo o entendimento que o homem tem da vida, isso pode até fazer certo sentido, mas lamento lhe informar que não é o entendimento ou a lógica humana que rege o universo. Se não conseguimos acabar com algo tão simples como a fome no mundo, é só dividirmos os alimentos de forma mais justa, como temos a petulância de querer ensinar Deus a administrar o universo? Me perdoe mas, a meu ver, é uma forma de pensamento simplesmente patética. Ao invés de entender e aceitar a idéia que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, tentamos criar um Deus a nossa imagem e semelhança.
Ao que parece, hoje em dia a igreja transformou-se em um supermercado ou em centro de lazer ou talvez em um banco, onde as pessoas vão em busca daquilo que querem. Alguns querem sentir-se bem, outros um momento de “terapia” para sentirem-se melhor, outros querem dar uma agitada com um som que acham legalzinho e muitos vão em busca de outros benefícios, principalmente dinheiro e curas. Quando a coisa não acontece, simplesmente se vai a outro endereço onde há mais poder e unção. Parece que a grande minoria realmente está em busca de Deus. Dessa forma fica difícil contestar a imagem negativa que a igreja vem deixando na sociedade, pelo menos em nosso país. Talvez a maioria dos que estejam lendo esse texto concordem com o que penso, mas quero perguntar novamente. Quem é Deus para mim e para você? Como vivemos nosso cristianismo? Estamos inseridos nessa verdadeira “Torre de Babel Gospel”, que mais parece um circo. Rimos, pulamos, gritamos e talvez até choramos. Mas o que nos leva a ter essas reações? Deus é o que ele é e pronto. A discordância de algo, ou a certeza que muitos tem que Deus não existe não muda os fatos. Deus existiria e seria da forma que é, mesmo que a ciência viesse provar o contrário, pois a própria ciência não passa de uma teoria.
Fico seriamente preocupado quando vejo como muitos cristãos estão sendo influenciados pelo pensamento da sociedade. Há um clamor para que a igreja se abra, se modernize e seja mais contextualizada com a realidade. Concordo plenamente com isso, tanto é que o TCC da minha graduação foi sobre esse conceito. Mas uma coisa é negociar tradições ou usos e costumes; outra é abrir mão de princípios divinos apenas para agradar a sociedade ou para que o evangelho seja mais cômodo. A igreja vem se tornando um verdadeiro Judas que vendeu um bem precioso por poucas moedas. A filosofia humana da aceitação de tudo e de todos, da relativização e do conceito do politicamente correto vem assolando a igreja como ondas de uma tempestade que castigam o casco de um barco. Se o barco não for forte o suficiente a situação torna-se insustentável. Fico abismado quando vejo colegas que professam a fé cristã, defendendo sem o menor problema, questões como legalização das drogas e do aborto. Há casos muito específicos onde essas questões merecem uma discussão, mas os argumentos apresentados são de que se tratam de uma questão de saúde pública, ou que, no caso das drogas, acabaria com o trafico. Pode até ser, mas tenho certa dificuldade em imaginar que, perdendo seus negócios, os traficantes fariam cursos profissionalizantes e procurariam uma atividade legal. Daqui a pouco estaremos legalizando assaltos, seqüestros e até assassinatos. Cheguei a ouvir justificativas que afirmavam que não podemos “meter a religião” em todas as questões da vida. Isso não me surpreenderia se não viesse de uma pessoa que era da mesma igreja que eu. Mas concordo; não devemos “meter” a religião em tudo, mas sim avaliar todas as nossas atitudes, pensamentos e decisões com os olhos de Deus. Mas o que se faz, é olhar com os olhos da sociedade, e se houver um confronto com os princípios de Deus, muda-se Deus e pronto. Mudam-se os princípios de Deus, mas não os dos homens. Será que isso é cristianismo?
“Cuidado para que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas...”.
Parece que em poucos momentos da história humana essa palavra faz tanto sentido como agora. Para viver da forma que o sistema quer, gastamos cada vez mais nosso tempo e recursos em coisas vãs. Abrimos mão da própria vida para correr atrás de sonhos que nem sonhamos. Não temos mais tempo de buscar a Deus e saber o que ele quer de nós. Quando o fazemos, ouvimos pessoas nos instruindo sabe lá de que forma. Engolimos tudo o que ouvimos a respeito de Deus e esquecemos de confrontar a palavra do “grande homem de Deus” com a Bíblia. É imprescindível que conheçamos Deus, e aquilo que ele quer de mim e de você. A forma mais segura para conhecermos a Deus é estudando a Bíblia. Não se acomode conhecendo Deus pela boca de outros. Jó que foi justo e temente a Deus disse:
“Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora de contigo andar”.
Ninguém é obrigado a seguir o cristianismo. É o que Deus quer, mas ele não obriga ninguém. Quando os discípulos de Cristo lhe disseram que suas palavras eram muito duras, ele lhes respondeu dizendo que se quisessem poderiam ir embora. Não eram obrigados a segui-lo. Mas quem o seguisse, deveria fazê-lo de forma integral, buscando viver o que o evangelho prega e não o que o entendimento humano pensa.
Para encerrar, quero relatar um acontecimento que exemplifica muito bem isso. Alexandre “O Grande”, estava em mais uma de suas batalhas quando um dos soldados desertou. Ele foi trazido à presença do Imperador que lhe perguntou: – Qual o seu nome, meu filho? Cabisbaixo e constrangido, o desertor responde: – Meu nome é Alexandre. Sem pensar muito, o Imperador lhe diz: – Deixe me dizer uma coisa: ou você muda de atitude ou de nome. Assim também é com aqueles que se dizem cristãos mas que querem moldar sua fé ao sistema ou ao que lhes parece mais adequado. Mudam de atitude, ou deixam de carregar o nome de Cristo. Deus é o que é e não negocia sua palavra.
