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SER FELIZ
Há tempos que eu paro para refletir sobre o que é felicidade. Considero o tema um tanto quanto complexo e se partirmos da definição do dicionário, a coisa complica ainda mais, pois segundo ele felicidade:
“É o estado de quem é feliz”.
O que nos deixa a pergunta, como é ser feliz? Como se chega a este estado?
Se felicidade é ter as coisas, temos um problema, coisas não duram muito tempo, portanto, nossa felicidade tem um tempo de duração. Isso sem contar que constantemente enjoamos de coisas, deixando a missão de ser feliz como algo passageiro e inconstante.
Se felicidade é ter o amor da nossa vida, temos outro problema, pois pessoas erram, esquecem ou tomam decisões equivocadas que mais dia ou menos dia nos deixarão infelizes. Além de eu considerar uma responsabilidade muito grande ter que fazer alguém feliz. É um problema ter que depender de outra pessoa para algo tão importante e particular.
E se felicidade é ter saúde, a coisa complica ainda mais, afinal, é inevitável ficarmos doentes, faz parte da vida.
O grande problema é que a Bíblia apenas descreve uma pessoa feliz, ela não diz o que é ser feliz com clareza e definição. Salmos 1:1 diz:
“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!”.
Já ouvi muita gente usar este versículo para justificar andar separado do mundo para não se “contaminar” com as outras pessoas. Mas o versículo diz muito mais do que isso, ele é um convite a andarmos pelo mundo sem nos influenciar, não é um chamado a fugir e sim, ter uma postura diante destas situações. E a Bíblia diz que uma pessoa que anda assim, é feliz.
Eu acredito que ser feliz é ter uma vida plena, ser completo, é conseguir sorrir no caos e ter postura. Uma pessoa assim é feliz, ela não depende de nada para ter este sentimento, afinal, a sua vida é completa. E mesmo entre lágrimas, uma pessoa plena e completa consegue ser feliz. Paulo era assim e em 2 Coríntios 12:10 ele diz:
“Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte” (NVI).
Paulo era pleno e sua confiança era calcada em Deus. Ser pleno, segundo o dicionário, é ser completo, e não dá para ser completo sem que Deus esteja conosco em nossa caminhada, sem restaurarmos a nossa comunhão com Ele.
Sentir que não estamos sozinhos, que Deus está conosco, não tem peço. Entender que em meio ao caos, dificuldades e sofrimentos, existe alguém nos acompanhando é o segredo da felicidade. E nesta situação, pode vir problemas, solidão e provações, mas seremos sempre felizes.
Ser feliz não é não ter problemas.
Ser feliz não é não ter dificuldades.
Ser feliz não é ter a vida tranquila.
Ser feliz é seguir confiante em meio aos problemas, é uma condição interior de paz e alegria que não depende de fatores externos.
Ser feliz é ser amado pelo nosso grande Pai e Deus, sabendo que nunca estaremos sozinhos.
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PRIORIDADES
Públio Élio Trajano Adriano, mais conhecido apenas como Adriano, foi imperador romano de 117 a 138 d.C. Pertence à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos chamados “cinco bons imperadores”. Em Roma, ele reconstruiu o Panteão e construiu o Templo de Vênus em Roma. Além de ser imperador, Adriano era um humanista. Durante seu reinado, Adriano viajou para quase todas as províncias do império. Um ardente admirador da Grécia, ele procurou fazer de Atenas a capital cultural do império e ordenou a construção de muitos templos opulentos na cidade. Adriano foi educado em vários assuntos específicos para jovens aristocratas do dia, e gostava tanto de aprender a literatura grega, que ele foi apelidado de Gréculo (“Pequeno Grego”).
Pois bem, conta-se que em certa ocasião, Terantius, capitão do exército de Adriano, apresentou ao imperador romano uma petição, na qual solicitava permissão para os cristãos construírem um templo. Adriano rasgou o documento em pedaços, atirou-o ao chão e disse a Terantius que seria melhor que pedisse algo para seu próprio benefício e seria atendido imediatamente. Terantius humildemente recolheu os pedaços de sua petição e disse: “Se não posso pedir nada para a causa do meu Deus, então nada quero pedir em meu favor”.
Nossa vida é construída com uma variedade de eventos e de diversos elementos. Diariamente temos que tomar decisões sobre o que fazer. E como só conseguimos fazer uma coisa de cada vez, temos que optar por prioridades. Pode ser algo tão sutil que seja quase imperceptível, mas quando fazemos determinada tarefa ou ação, optamos em deixar outra de lado, mesmo que seja temporariamente. Ou seja, naquele momento, aquela atividade torna-se mais importante do que outras. Podemos entender isso como sendo prioridade. Mesmo que não percebamos, nosso dia a dia está repleto de prioridades. Estabelecer prioridades é algo primário para que planejemos nosso dia a dia e até mesmo a vida. Há prioridades de curto, médio e longo prazo. É claro que não podemos ser reféns do planejamento da nossa vida, mas se nunca planejarmos nada, simplesmente não viveremos. Seremos jogados de um lado para outro conforme os ventos da vida.
Enquanto estabelecemos prioridades erradas nas nossas tarefas, o máximo que nos acontece são inconvenientes no dia a dia. Mas e se a inversão das prioridades alcançar questões mais sérias, como o direcionamento da vida? No exemplo de Terantius, percebemos algo interessante. Analisando esse episódio, percebemos claramente a prioridade que ele tinha; era Deus. Ele não pediu nada para o seu bem estar ou de seu interesse. Ele pensava em algo que fosse útil no Reino de Deus. Não conheço cada pessoa que irá acessar esse blog, mas imagino que a grande maioria do que acesse, tenha algum interesse ou alguma experiência com Deus. Tendo-se pelo menos uma noção do conceito de Deus segundo o cristianismo e por tudo que o podemos ler na Bíblia, não fica difícil entender que a prioridade de todo cristão deve ser Deus. Não é muito difícil encontrar pessoas que professam sua fé com a boca, mas a negam com sua vida. Isso é tão gritante que uma das figuras mais respeitadas da história, Mahatma Gandhi afirmou:
“Amo o cristianismo mas odeio os cristãos, pois eles não vivem segundo os ensinamentos de Cristo”
Ele estando certo ou errado em afirmar que odeia os cristãos, não podemos negar a parcela de verdade que encontramos nessa afirmação.
No evangelho de Mateus, capítulo 19 versículos 16 a 22, vemos uma conversa que Jesus teve com um homem que era rico e que perguntou ao Cristo o que deveria fazer para herdar a vida eterna, já que ele cumpria os mandamentos do judaísmo. Jesus, conhecendo o coração desse homem disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”. (versículo 21). No versículo seguinte vemos que o jovem afastou-se triste, pois tinha muitos bens. Não sabemos o que aconteceu mais tarde com esse jovem, pois a Bíblia não relata mais nada de sua história. Mas nesse momento, quando teve o encontro mais importante da vida dele, com o próprio Messias, ele estabeleceu sua prioridade; optou por seus bens e sua vida. Optou em não mudar de vida e ficar com aquilo que já tinha.
Conheço muito bem o ambiente “igrejeiro” e na grande maioria das vezes em que se ouve um sermão ou um estudo sobre esse texto, esse jovem é duramente criticado, mas se esquece que a grande maioria dos cristãos tem essa atitude diariamente. Qual é a prioridade da tua vida? Todos os cristãos sabem da necessidade de uma vida aos pés da cruz para obter a graça da vida eterna. Mas, ao que parece, esse conceito transformou-se em algo tão ordinário, que não impacta mais ninguém, ou pelo menos, a grande minoria dos que se dizem cristãos. O comportamento padrão, ou a rotina do cristão, é mais ou menos a seguinte: ele trabalha a semana toda, vai a uma reunião de oração ou de pequenos grupos caseiros durante a semana, tenta-se fazer tudo certinho para ser um bom exemplo e não envergonhar o nome de Jesus. Nos finais de semana é família e igreja. Pronto, se eu cumprir essa agenda sou um bom cristão. Ter Deus como prioridade é muito mais profundo do que nunca perder um culto ou não envergonhar o nome de Cristo. Isso até que não é tão difícil assim.
Quando Jesus disse ao jovem rico para que ele vendesse seus bens, o ensinamento não era de que o dinheiro era o problema. Na carta que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, ele afirmou que o amor ao dinheiro é a raiz dos problemas; não é o dinheiro em si, mas o valor que se dá ao dinheiro. Esse foi o caso do jovem rico. Jesus está trazendo um grande ensinamento de prioridade. Entregue tua vida a Deus e faça dele a tua prioridade. Essa foi a mensagem que Jesus trouxe ao jovem e é essa a mensagem que Deus tem para mim e para você. Não sei qual o valor do patrimônio desse jovem, mas vamos contextualizar esse acontecimento. Imaginemos uma pessoa no nosso país, em nossa época, com uma casa, no valor de uns 600 mil reais. Tem ainda um carro bonzinho que custa 50 mil e uma casa no litoral no valor de 300 mil. Ou seja, um patrimônio de 950 mil reais. Se Jesus disser para essa pessoa a mesma coisa que disse para aquele jovem e a atitude for a mesma, essa pessoa, mesmo que esteja sentada no banco de uma igreja, com sua atitude estará declarando que sua vida eterna não vale 950 mil reais. Pode parecer um tanto quando radical, mas é isso.
Qual a prioridade da tua vida? Quando falei de planos a curto médio e longo prazo, será que Deus é a razão desses planos? Você faz os planos para si mesmo, ou é como Terantius que queria investir suas forças para as coisas de Deus? Se não for assim, sugiro que você reavalie tuas prioridades. Particularmente acho que temos uma visão muito estreita acerca do Reino de Deus. Todos os cristãos sabem da existência da eternidade, mas parece que relativamente poucos a colocam como prioridade. Geralmente nosso olhar está no aqui e agora. O homem é cada vez mais imediatista e isso faz com que sua prioridade seja no plano terreno. É claro que ainda não vivemos na plenitude da eternidade. Vivemos a vida terrena, mas não podemos negar que a eternidade começa a ser vivida aqui nesse plano. Tudo o que vivemos ou deixamos de viver aqui, trará um impacto na eternidade. Não estou dizendo que não devemos comprar um carro legal, uma casa ou algo assim. Não precisamos passar pela vida vivendo um voto de pobreza. Mas qual o custo de tudo o que quero ter? Se isso me afastar de Deus, não devo investir nisso. De todos cristãos que você conhece, quantos investem pelo menos 1 hora por dia em sua vida com Deus? Trabalha-se 8 horas por dia, muitos ainda estudam outras 3 para se aperfeiçoar e ter uma vida melhor. E quanto tempo dedicamos a Deus? Estatísticas indicam que, no Brasil, 70% dos pastores tem a vida devocional inconsistente. O que esperar de uma igreja assim?
Acredito que a solução não seja repetir as atitudes dos monges que se isolavam da sociedade para viver para Deus. Acho que devemos viver o aqui e agora, com os olhos fitados na eternidade. Acredito que muitos cristãos vivem uma vida de frustração porque ainda não vivenciaram uma entrega total à Deus. Olhando para a Bíblia, não vejo nenhum dos personagens que esteja comprometido com Deus ter uma vida frustrada. As dificuldades existiram e existem para todos, mas eles transpiravam Deus. Eles faziam da própria vida um instrumento para trabalhar no Reino de Deus e isso os realizava. Isso sim é ter Deus como prioridade. Eles podiam aceitar o “título” de cristãos; será que nós podemos?
Mas a resposta de Jesus ao jovem rico não foi somente se desfazer dos bens. A resposta foi completada com o “siga-me”. A atitude de seguir a Cristo é a melhor forma que temos de colocá-lo como prioridade. Segui-lo é desistir dos nossos caminhos e deixar que ele nos leve para onde ela achar melhor. Parece ser algo muito óbvio; na realidade é, mas não é tão fácil de ser vivido. É abrir mão de todos os sonhos que temos assim como da própria vida. Colocar Deus como a prioridade é algo que deve ser vivido a cada momento. A cada circunstância da vida devemos olhar para nossa lista de prioridades e ver onde Deus se encaixa dela. Perder-se pelo caminho é muito fácil. A Sutileza é uma das maiores armas do inimigo. Seja prudente, sábio e atento para não vender tua vida eterna por meros 950 mil reais. Se trocar a eternidade pela vida terrena fosse uma decisão acertada, o jovem rico não teria saído triste da conversa que teve com Cristo. O modo pelo qual você administra tuas prioridades declara quanto que você vale para si mesmo.
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OS DOIS CAMINHOS
Quando eu era novo, fui um grande mentiroso, mentia tanto que se eu fosse parar para escrever todas as minhas histórias, daria um livro, seria um verdadeiro épico, surreal e engraçado.
Eu não acredito que mentia por maldade e muito menos usei esta falha para trapacear alguém, tudo o que eu tinha era um desejo de ser igual a quem eu admirava. Sempre é mais fácil mentir do que se empenhar, é mais fácil seguir por vielas facilitadoras. Mas se dedicar, estudar, ler ou se esforçar, isso eu não queria.
Muitos pensam que para ser relevante basta meia hora para instalar um programa no cérebro, tal qual Matrix. Poucos buscam conhecimento, ou se esforçam, preferem sempre o caminho mais cômodo. E sobre este assunto, a Bíblia em Mateus 7:13-14 fala de dois caminhos, um largo e outro estreito:
“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (NVI).
Nesta parte do texto em diante, temos a conclusão e a aplicação do Sermão do Monte, narrado no capítulo 5. O texto faz alusão a uma porta estreita, que havia no muro das cidades daquela época, pela qual passavam somente alguns. E a porta larga, por onde passavam as multidões e todos os tipos de pessoas.
Sempre refleti sobre estes caminhos, pensando que um seria o mais fácil, e o outro o mais difícil. Até descobrir uma ótima interpretação do Ed René Kivitz em uma de suas pregações. A porta larga é larga porque passa muita gente, é o caminho do povo que está seguindo da maneira que dá. E o caminho estreito é o caminho menos frequentado, que somente alguns escolhem passar.
Eu que fiz muita trilha em minha vida, pude conferir isso bem de perto. As trilhas normais que todos passavam eram bem abertas devido ao número de pessoas que circulavam. Os atalhos, que poucos conheciam, eram bem fechados, por passarem poucas pessoas.
Obviamente, o texto nos fala sobre salvação e sobre seguir o caminho da cruz, que nem sempre é fácil. Requer busca, abrir mão das coisas e passar por períodos difíceis em nossa caminhada, mas que no fim, compensa, por ser o melhor caminho a seguir, afinal, é o caminho que Cristo seguiu e nos convidou a seguir também.
Mas podemos estender esta reflexão bíblica para todas as áreas de nossa vida. Mal sabia eu que, para conseguir chegar em algum lugar, estudar, correr atrás de sonhos e realizações, demandaria tempo e dedicação e, como uma frase que gosto muito já diz:
“Nada do que realmente vale a pena vem sem qualquer tipo de dificuldade”.
E isso, para um músico, é uma realidade (sou músico). Você não aprende a dominar o seu instrumento da noite para o dia, nem nasce fazendo um solo de guitarra. Tudo demanda tempo e empenho, e isso se aplica a toda a nossa vida. Seja em nossa caminhada com Deus, em nossa vida acadêmica ou familiar, tudo demanda um tempo e, para se chegar à perfeição (ou próximo dela), deve-se repetir o exercício muitas vezes, ficar até mais tarde acordado ou calejar os dedos para conseguir executar e aprender. Todo mundo quer “chegar lá”, mas poucos querem pagar o preço por isso.
Sonhe, mas sonhe muito, só não fique sonhando, para não ter que mentir como um dia eu menti. Busque a Deus, mas busque muito e não se entregue à primeira dificuldade.
Lembre-se, certas coisas são difíceis, mas valem a pena, é através deste caminho que vamos atingir o alvo, persistindo e tentando sempre. O segredo da boa caminhada é nunca parar.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, R. N. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2012.
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TEMPO
Vivi em um tempo que talvez a maioria de vocês não conheceu. Eu morava em um bairro afastado do centro e naquela época os bairros não eram tão desenvolvidos como hoje em dia. Não existiam caixas eletrônicos e muito menos cartões magnéticos. Ou seja, se precisasse de dinheiro teria que ir a uma agência bancária, que só existia no centro da cidade. Tínhamos que andar três quilômetros a pé para chegar ao primeiro ponto de ônibus. Para fazer um simples saque, depósito ou pagar uma conta, perdia-se a manhã toda. Coisas das mais simples, como por exemplo comer um pastel eram uma aventura. Perdíamos muito tempo para essas coisas do dia a dia. A vida era muito diferente da atual.
Isso é uma realidade quase que inimaginável nos dias atuais onde vivemos em um estado de “on line” 24 horas por dia. A tecnologia proporcionou uma agilidade jamais imaginada. Ao invés de perder uma manhã toda para pagar uma conta, como era antigamente, posso fazê-lo deitado tranquilamente em minha cama acessando meu banco pelo celular. Mas por incrível que possa parecer, hoje em dia temos menos tempo que antigamente. Como isso é possível? Não se tem tempo para mais nada. Mas afinal, o que é o tempo?
Tempo é algo que talvez seja difícil de definir. Olhando para o dicionário, podemos encontrar definições tais como: período, duração limitada, duração das coisas, duração de cada compasso, séculos, sucessão de dias, entre outras explicações. Acredito, porém, que o conceito de tempo é tão complexo que talvez não possa ser completamente definido com simples palavras. Vários pensadores clássicos refletiram e tentaram definir o conceito de tempo. Heráclito, Platão, Aristóteles, Hobbes, Newton entre outros gênios, fizeram observações interessantíssimas sobre o tempo, mas cada um a partir de um prisma diferente. Talvez nenhum deles conseguiu uma definição holística do que realmente seja o tempo e como o homem se situa nele. Se nenhum desses grandes pensadores chegou a uma definição absoluta, seria muita presunção de minha parte fazê-lo. Mas acho que podemos refletir um pouco sobre esse tema.
Acho interessante o que Agostinho pensou sobre o tempo. Compartilho de sua ideia. Em seu livro Confissões, ao refletir sobre o que seja o tempo, trouxe muitas idéias interessantes, iluminou muito do que se entende por tempo, mas confessou: “Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito?”
Definir o conceito de tempo realmente é uma tarefa ingrata. Nossa percepção do tempo nos faz entendê-lo como algo linear e o dividimos em três partes: passado, presente e futuro. O passado é um período que já foi vivido e dentro da linearidade do tempo se afasta de nós. Não temos mais como interferir no passado. O presente é aquele instante que se vive. Mas o próprio presente é relativo. Ele é tão curto que talvez nem possa ser mensurado pelo mais preciso dos cronômetros. A última palavra desse texto que você leu, acaba se transformar em passado, pois esse tempo já passou. O presente é extremamente limitado. É limitado, porém é tudo o que temos, pois o passado já foi e futuro ainda não nos pertence. Ele é o período que será vivido depois do presente. Ele não pode ser vivido no presente, mas podemos prepará-lo com as atitudes que temos. Não podemos determinar o futuro, mas podemos influenciá-lo. Futuro é período onde viveremos os fatos, os eventos que se concretizam com o passar de um determinado período de tempo. Isso pode parecer complexo e realmente é. Mas essa é apenas uma das percepções do tempo. Como citado, essa é a percepção linear do tempo. Há outras formas de se entender e viver o tempo, como por exemplo, o “tempo espiral” que é uma das características do povo judeu. Os judeus entendem e se relacionam com o tempo de forma diferente. Na língua hebraica não existem verbos no presente, passado ou futuro. Há apenas dois estados de tempo: o completo e o incompleto. É uma forma muito diferente de se pensar. Isso é um indício que o tempo é uma percepção humana e que não seja absoluto.
Sou incapaz de definir o tempo ou talvez até de compreendê-lo. Mas acredito que mais importante que defini-lo, seja saber como relacionar-se com ele, e como vivê-lo. Um dos conceitos filosóficos de tempo, é que ele não passa, mas é o homem que passar pelo tempo. Isso é interessante, pois não é o tempo que envelhece, mas sim o homem. O homem passa pelo tempo vive em momentos distintos da história, como mencionei no início desse texto, mas parece que a cada dia o homem se perde no labirinto chamado tempo. Mas será que o tempo é um labirinto do qual não encontramos a saída, ou nós é que não sabemos lidar com ele? Como administramos nosso tempo? O que você faz com o tempo que chamamos de presente?
Geralmente nos entregamos à correria da vida e às preocupações do amanhã. E essa correria nos rouba do nosso presente. Como vimos, o passado já foi, o futuro ainda não chegou e jogamos o presente fora sem ao menos vivê-lo. Em uma de suas obras, Augusto Cury afirma que todos os homens morrem, mas poucos realmente vivem. Isso tem tudo a ver em viver o presente de forma errada. No livro de Eclesiastes temos um capítulo dedicado ao tempo. Trata-se do capítulo 3. Vemos que nosso tempo é imperfeito, pois não o compreendemos; e o pior: não compreendemos a Deus. É interessante que você leia todo o capítulo, mas quero citar apenas dois versículos. Versículo 1: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:” Versículo 11: ”Ele (Deus) fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez”.
A mensagem desse capítulo é que há tempo para tudo, mas que o homem não compreende isso. Deus está fora da dimensão do tempo essa tensão entre a temporalidade do homem e a atemporalidade de Deus, colabora para que o homem se afaste do caminho do seu criador. Simplesmente não conseguimos entender Deus em sua totalidade. Mas é nesses momentos que devemos vivenciar nossa fé com o real significado dessa palavra. Quer queiramos ou não, quer acreditemos em Deus ou não, vivemos em um sistema criado por Ele. Talvez você não concorde comigo, mas isso não irá mudar esse fato. Em seu devido tempo veremos que isso é uma realidade e não apenas uma crença. Mas para aqueles que simplesmente optam em não querer crer nisso, a falta de fé será fatal.
Mas aqueles que crêem também não estão imunes a desastres que podem ter um final infeliz. Como temos administrado o tempo que Deus nos dá? Esse capítulo de Eclesiastes afirma que há tempo para tudo. Acredito porém, que todo tempo é tempo para buscar Deus. Parece que na época que não existia cartão magnético, serviços delivery, e a agilidade da internet, conseguia-se mais tempo para Deus e para a própria vida. Essas ferramentas deveriam agilizar a vida e nos proporcionar ainda mais tempo. Em algum momento o homem se perdeu. Se perdeu por não compreender o valor do tempo e o valor da vida. Nos entregamos aos apelos de um pós-modernismo que nos induz a relativizar a tudo e a todos. O homem corre cada vez mais rápido para encontrar sua realização, mas a cada passo que dá, a felicidade fica dois passos mais longe. Investimos nosso tempo da pior forma possível. Acreditamos em mentiras e planejamos nossa vida para poder vivê-las. Você quer um exemplo? Quem de nós nunca disse ou pelo menos ouviu a frase que afirma que tempo é dinheiro? Até concordamos com isso e vivemos dessa forma. Mas você realmente acha que tempo é dinheiro? Particularmente acho que tempo é vida. O tempo que você e eu temos nos proporciona vivermos o agora. Ma vivemos em uma época na qual predomina a mais absurda inversão de valores. Ela é absurda, mas muito sutil. Tão sutil que muitos que talvez nem concordem com os valores que a sociedade impõe, vive esses valores sem ao menos perceber.
O versículo 11 desse capítulo de Eclesiastes afirma que Deus pôs em nosso interior o anseio pela eternidade. Não fomos criados para morrer e por isso queremos ser eternos. Não aceitamos e não entendemos a morte. Mas a grande maioria das pessoas vive para a morte e não para a vida. Vivem na limitação do aqui e agora e cauterizam o anseio pela eternidade. A eternidade é o bem mais precioso que temos. Na eternidade não existe a dimensão do tempo e estaremos libertos de sua limitação. O homem eterno é o plano inicial de Deus. A morte e o tempo são herança da queda da criação.
Como você administra aquilo que chamamos de tempo? Você acha que o tempo passa muito rápido? O talvez que passamos muito rápido pelo tempo? Dependendo da idade ou do contexto de cada um, as respostas a essas perguntas podem ser diferentes. Mas o tempo é implacável. Alguns têm mais que outros. Um ícone da música internacional, aquele que é considerado o maior vocalista de rock de todos os tempos, Freddie Mercury, teve um tempo um tanto quanto curto. Sua vida foi ceifada prematuramente. Sabendo que seu tempo estava terminando aqui nesse plano, ele compôs uma música cuja letra é muito marcante e que aborda exatamente a questão do tempo. Diante da imposição do tempo na vida do homem, temos que conviver com nossa finitude. É exatamente isso que a letra da música “These are the days of our lives”, de Freddie Mercury, mostra. Sugiro que você assista o clip, de preferência legendado, para avaliar o que você está fazendo com o tempo que Deus te deu.
O tempo que Ele nos deu aqui na terra, deve ser vivido intensamente e olhando para o Reino de Deus. Cada segundo vivido aqui ecoará na eternidade. Como a própria Bíblia diz, busque a Deus enquanto é tempo. Para encerrar, quero te fazer mais uma pergunta: como você tem vivido aquilo que chamamos de tempo? Como você está passando pelo tempo?
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Ed. Sociedade Bíblica do Brasil: 2005; São Paulo.
CHAMPLIN, R.N., – Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Folosofia, v. 6; Ed. Hagnos: 2011; São Paulo.
OLIVEIRA, Ranis F. de, – Santo Agostinho e sua reflexão sobre o tempo, fonte eletrônica disponível em: HTTP://filosofiacienciaevida.uol.br/ESFI/Edicoes/33/ artigo130300-1.asp; acesso em 31 de agosto de 2015.
PANDÚ, Pandiá – Dicionário Global da Língua Portuguesa, Renovada; Rio de Janeiro.
VINE, W.E. – Dicionario Vine, CPAD: 2009; Rio de Janeiro.
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GRAÇA BARATA
Imagine a seguinte situação: você chegando ao céus e descobrindo que Deus havia salvado a todos, até o mais odiado assassino. Diante desse cenário você ficaria feliz ou triste? Aí você correria perguntar a Jesus ou a um anjo e ele te responderia que não era preciso fazer nada para ser salvo, que todos iriam ser salvos. Você acharia que Deus estaria sendo justo ou injusto?
Você que é temente a Deus, não tomou bebida em excesso, não ficou com todas as mulheres do mundo e nem “aproveitou a vida” e o indivíduo que fez tudo isso, está com você, desfrutando das mesmas coisas que você.
Não estou pregando o universalismo, longe disto, mas vamos falar a verdade, muitos ficam com raiva de pensar nesta possibilidade, por achar isso injusto, mas a pergunta que eu faço é: Porque você tem tentado viver uma vida de santidade? Para ter algo em troca ou para Deus te recompensar? Ou é uma resposta de gratidão ao que Cristo fez por você na cruz?
Vamos falar a verdade, muitas vezes esquecemo-nos da graça e achamos que a salvação é uma moeda de troca, é um prêmio para quem merece. João 2: 5-6 diz como nós sabemos se estamos ou não vivendo uma vida de santidade:
“Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou”.
Quem está em Cristo anda como ele e uma das formas de andar como ele andou aqui neste mundo foi seguir em obediência ao Pai (João 5:19), e na constante busca por santidade. Há tempos tenho visto muitos viverem uma vida de graça sem graça. Ou como Dietrich Bonhoeffer diz no seu livro Discipulado, a graça Barata:
“A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a ceia do senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal” (BONHOEFFER, 1980, p. 10).
Às vezes penso que nós somos oito ou oitenta, pois se antigamente muitos viviam uma vida de troca de favores com Deus, ou iam à igreja porque tinham medo do inferno. Hoje, depois de conhecermos a graça e sabermos que Deus nos salva através de sua misericórdia, sendo que nada que façamos pode pagar isso, vivemos uma vida sem medo de ser condenados, mas em contrapartida, sem aquela busca constante e sedenta. Seguindo sem pensar em nossa vida com Deus, na obra, ou sem nos preocuparmos uns com os outros.
Se a graça em nossa vida não produz temor e constante busca por Deus, algo está errado. Falamos bastante do novo nascimento (João 3:3), de morrer com Cristo e nascer com ele, mas mantemos as velhas práticas em nossa vida.
Não estou sendo legalista, muito menos me limito a apontar os erros uns dos outros. Estou falando de negligenciar a busca constante por Deus, de virar as costas para uma vida longe da prática do pecado ou de pelo menos tentar. Se o nosso sentimento de gratidão a Deus, por ter-nos salvo da morte e da vida medíocre, não produzir frutos, a vida crista é inútil. Romanos 6:1 diz:
“Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente?”.
Se estamos em Cristo e morremos para o pecado, temos que seguir lutando e buscando ter uma vida de santidade. Somos salvos pela graça, mas também morremos para o pecado. Em Cristo somos santos lutando contra todas as dificuldades e tentações, esta deve ser a ênfase da caminhada cristã, se o foco da nossa vida não for este, estamos no caminho errado.
BIBLIOGRAFIA
BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Rio Grande do Sul: Editora Sinodal, 1980.
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OS FILHOS PRÓDIGOS
No evangelho segundo Lucas, lemos uma parábola muito conhecida e uma das mais citadas em estudos e pregações. Trata-se da parábola do filho pródigo. Encontramos esse texto em Lucas 15,11-32. Acredito que a grande maioria conhece. Mas nunca é demais explicar esta parábola.
Parábola é uma técnica muito utilizada na cultura judaica para o ensino. Trata-se de uma narrativa através da qual um ensinamento ou um princípio é transmitido. É uma técnica muito eficiente que era muito utilizada por Jesus.
Esta parábola não foi contada no vazio. Havia uma razão para que Jesus a contasse. Entenderemos melhor toda a situação se analisarmos todo o capítulo 15. Nos primeiros versículos vemos que Jesus estava conversando e comendo com publicanos e outras pessoas, o que era algo muito íntimo na cultura judaica. Os fariseus o viram e começaram a criticá-lo por relacionar-se com “esse tipo de gente”.
Os fariseus eram pessoas de uma classe especial, separada e privilegiada naquela sociedade. Eles eram os líderes religiosos e considerados pessoas que tinham alguns degraus acima das demais pessoas. Eram muito zelosos à lei e a cumpriam fielmente. Porém, o maior problema é que a maioria deles cumpria a lei, mas estava longe de Deus. Podemos dizer que eles cultuavam a lei e não a Jeová; conheciam sua lei, mas não ao próprio Deus. Também mantinham-se longe dos pecadores para não se contaminar com as impurezas do “mundo”. Ao entendermos a práxis desses religiosos é difícil não relacioná-los com muitos religiosos da atualidade.
Vendo que os fariseus estavam indignados por Jesus estar relacionando-se com os considerados imundos da sociedade, ele lhes contou uma sequência de três parábolas. Dos versículos 4 ao 7, lemos a parábola da ovelha perdida; do versículo 8 ao 10 a parábola da moeda perdida e finalmente do versículo 11 ao 32 a do filho pródigo. Para uma melhor compreensão dessas parábolas, não podemos esquecer que elas foram propostas aos fariseus.
Na parábola do filho pródigo vemos 3 personagens principais. O pai e seus dois filhos. O pai simboliza Deus, o filho mais velho, que na cultura judaica tem muitos privilégios sobre os demais, seriam os fariseus, e o filho mais novo os pobres pecadores.
O filho mais novo pede sua parte da herança, e o pai faz sua vontade. Ele se aventura pelo mundo numa terra distante, onde acaba desperdiçando e perdendo todo seu dinheiro. Este filho acaba trabalhando como cuidador de porcos, algo inimaginável para os judeus, já que os porcos são animais imundos. Ele também passa fome e chega a ter vontade de comer a comida dos porcos para saciar sua fome. Em dado momento este filho cai em si e resolve voltar para a casa do pai para trabalhar como um simples empregado, pois assim teria seu sustento. O filho pródigo não se acha mais digno de ser filho; quer ser um simples empregado do pai.
Assim sendo, ele volta para casa e o pai o recebe com uma grande festa. Manda matar um novilho para servir um banquete. Vendo isso. O irmão mais velho fica indignado. Este irmão acha que o pródigo errou e não tem mais direito de voltar para casa. Por conta disso, o irmão mais velho questiona o pai, argumentando que ele fora sempre fiel, nunca o abandonou e nunca sequer ganhou um cabrito para aproveitar. A parábola termina com o pai dizendo a esse filho que ele sempre esteve a seu lado e que tudo o que era seu também pertencia ao filho. Concluiu afirmando que deveriam alegrar-se pois o filho que havia se perdido na vida, voltou.
Quero refletir um pouco sobre os dois filhos. Lembremo-nos a quem esses dois filhos personificam. O irmão mais novo, que representava os pecadores e publicanos, abandonou o que tinha, gastou todo seu dinheiro com extravagâncias e caiu em desgraça. Mas logo reconheceu sua situação e percebeu que tinha que retornar ao pai. Acredito que tenha sido um verdadeiro arrependimento, pois ele não se achava mais digno de ser filho. Estava disposto a trabalhar como um simples empregado. Passou por um doloroso processo, arrependeu-se, voltou para casa e foi perdoado pelo pai. Foi tratado como um filho amado e pela graça do pai, reconquistou a condição de filho.
Quero agora lançar nosso olhar ao filho mais velho. Como citado anteriormente, como o primogênito, ele tinha uma série de privilégios. Era o filho mais importante da família. Normalmente o vemos como um filho mau. Mas olhando para a Bíblia percebemos que é exatamente o contrário. Tratava-se de um filho trabalhador (v. 25). Além de trabalhador, ele também era muito obediente. Nunca havia desobedecido ao pai (v. 29). Segundo seu próprio pai, tratava-se de um filho fiel que nunca o abandonou (v. 31). Quem não iria querer um filho desses?
Entretanto, havia um grande problema. Faltava amor em seu coração. Assim como os fariseus, ele não transgredia as leis. Mas o próprio pai lhe disse que tudo o que era dele, do pai, também era do filho. Ou seja, era algo óbvio, que o filho não sabia. Mais uma vez vemos a figura dos fariseus. A grande maioria dos fariseus conhece a lei, mas não a Deus. Ao que parece, esse filho amava a lei, empenhava-se no trabalho na propriedade do pai, mas nem ao menos o conhecia. E também faltava amor no coração deste irmão. O sentimento de justiça própria falou muito mais alto do que o amor pelo irmão perdido que voltou. Ele criticou duramente o pai, quando este acolheu o filho que retornou. Era mais importante a justiça ser feita do que o irmão ter voltado ao lar.
Da mesma forma que essa parábola trouxe ensinamentos aos fariseus, Jesus também nos desafia, nos confrontando com as nossas atitudes. Com qual dos dois irmãos que você se identificou? Será que realmente entendemos o amor de Deus, temos uma compreensão, pelo menos razoável, do que seja o Reino de Deus? Infelizmente vejo muitos fariseus nas igrejas. E não são somente os líderes. Muitos daqueles que esquentam os bancos das igrejas têm atitudes farisaicas quando olham para as pessoas que não professam a fé cristã. Ou até mesmo um irmão que está na mesma comunidade.
Será que um dependente químico ou um “simples” morador de rua mal vestido e mal cheiroso são vistos como pessoas que necessitam do amor da igreja? Infelizmente vejo que, cada vez mais a igreja se distancia da sociedade. Muitas vezes a igreja, que somos eu e você, têm a mesma atitude que o irmão mais velho dessa parábola. Quando algum cristão é visto sentado conversando com alguém considerado escória da sociedade, é mal visto. Já fui duramente criticado por estar dando atenção a “esse tipo de gente”. Conheço vários outros casos de pessoas muito próximas que passaram pela mesma situação. Já fui até mesmo impedido de entrar em um templo por não estar vestido de acordo com o regimento daquela “igreja”. Infelizmente vejo que isso é muito comum entre os que se dizem seguidores de Cristo. Se eles realmente fossem discípulos do Cristo, fariam o que ele fez. Estariam comendo com publicanos, pecadores e levando a palavra de Deus com sua própria vida.
Em 1ª João 4:20, lemos que quem diz amar a Deus e não ama seu próximo é um mentiroso. Qual a minha e a sua atitude diante das pessoas que achamos que não têm mais jeito? A parábola contada por Cristo, não relata se o filho mais velho mudou sua atitude, se ele se arrependeu ou não. Mas deixa claro que o filho mais novo errou e arrependeu-se e foi acolhido pelo pai.
Mas há mais um detalhe muito interessante nesse episódio. Lendo esse texto, pode parecer que um dos filhos era o bonzinho e o outro não Seja lá como for, ambos necessitavam do amor do pai. Tanto os publicanos, os pecadores com quem Jesus andava e pregava a palavra, quanto os fariseus que eram os líderes religiosos, os cumpridores da lei, precisavam reconhecer sua condição de pecadores e que necessitam de uma grande mudança que só era possível através de um genuíno arrependimento e de uma vida vivida aos pés da cruz.
Cuidado pois muitas vezes o melhor lugar para não ver Deus é na própria igreja. Se o legalismo cegava os fariseus, a cultura religiosa pode nos distanciar de Deus. E se isso acontecer, nada mais valerá a pena. Busque uma vida com Deus, conheça seu Reino e você verá como Deus quer que você viva a sua vida.
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CALVINISTAS VS ARMINIANOS
A briga entra calvinistas e arminianos dura séculos e até hoje não cessa.
Conhecido através de João Calvino e Jacó Armínio, estas duas doutrinas têm como ponto central de divergência a predestinação. Um lado acredita que Deus escolhe salvar quem quer e o outro crê que tem uma participação no plano divino, aceitando ou não a Deus, entre outras coisas.
Alguns Calvinistas falarão que tudo o que acontece é da vontade de Deus, tudo, até o mal. Outros falarão que isso não é possível, sem colocar Deus como culpado. Isso sem contar inúmeros calvinistas que se sentem privilegiados por seres predestinados. Coisa que Calvino não admitia, ele acreditava que o homem não deveria se vangloriar de uma dádiva recebida por Deus.
Sproul disse em seu livro Eleitos de Deus que: “Quem não acredita na predestinação deve ser um ateu convicto”. Como se a teoria calvinista fosse essencial para a vida cristã.
Já Jerry Walls disse: “O calvinista deve sacrificar uma clara noção da bondade de Deus a fim de manter sua visão dos decretos soberanos de Deus”. Como se realmente tivéssemos uma noção real de como é a bondade de nosso Pai. Sabemos que ele é bondoso, mas a ideia que temos é muito pequena e ínfima.
E por aí vai, a guerra nunca vai acabar, pois cada um vai achar as suas desculpas e explicações melhores que a dos outros. Sem contar que a grande maioria destas pessoas não buscam estudar para achar a verdade e sim, para apenas estarem certos e validarem os seus pontos de vista, o que é um erro.
Se você pesquisar toda a história, perceberá o quanto deu pano pra manga, arminianos já foram caçados como hereges, calvinistas condenados como heterodoxos. Mas a grande verdade da discussão, que inclusive nunca terá fim, já que a Bíblia dá base para as duas teorias, é que estas teologias no meu ponto de vista, não são nem de perto fundamentais, direi por quê!
Há tempos que penso e estudo estes dois lados, até ler um dia destes um versículo em Romanos 11:33-34:
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?”.
Esta passagem é tirada de Isaías 40:13 e repetida em Coríntios 2:16, contendo apenas algumas variações. Demonstra a profunda consciência da condição de superioridade de Deus e como é impossível penetrar em sua mente, ou entender seus desígnios (CHAMPLIN, 2014, p. 978).
O que isso significa?
Que nunca entenderemos os pensamentos de Deus, nunca conseguiremos saber os seus propósitos. Acreditar que através de algumas teologias forjadas com o intuito de segregar, você pode entender a mente de Deus é ser muito pretensioso. Gosto de um versículo de Êxodo 33:22-23 onde Moisés pede para ver a glória de Deus:
“Quando a minha glória passar, eu o colocarei numa fenda da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu tenha acabado de passar. Então tirarei a minha mão e você verá as minhas costas; mas a minha face ninguém poderá ver”.
Ele viu apenas as costas de Deus, pois ver a sua face, ou tentar entendê-lo é impossível, quanto mais explicar como ele age e pensa.
Uma vez em um programa de entrevistas, o apresentador perguntou a um teólogo por que ele não era arminiano, o homem respondeu: porque eu leio a Bíblia. Achei a resposta um tanto quanto não cristã, afinal, uma coisa temos certeza sobre Deus: Ele é amor (João 4:8) e deu o seu filho para morrer por nós (João 3:16) tamanho o amor que tinha. E segregar, humilhar ou achar que a sua forma de pensar é a certa e todos estão errados, não é agir com amor.
Eu frequentei por muito tempo uma igreja onde o pastor chamava arminianos de burros, eu me ofendia com aquele extremismo todo. Isso gerou em mim mágoas e ressentimentos, e hoje eu sei muito bem como este tipo de atitude é nociva. Eu acredito no diálogo, na troca de experiências e em aceitar o ponto de vista diferente ao meu, isso é saudável, isso é ser cristão.
Eu sei que a Bíblia existe para estudarmos e assim extrairmos o máximo dos ensinos para as nossas vidas. Mas o propósito deste livro sagrado, nunca foi separar e sim unir, não é classificar pessoas, mas trazer o plano de salvação a cada indivíduo.
Então, se você tem algum destes posicionamentos não segregue, muito menos ofenda quem pensa diferente de você. Não é pecado ter a sua corrente teológica, o pecado é ofender, discriminar e diminuir as pessoas.
Em 1Coríntios 12:12, Paulo descreve a igreja como um corpo, sendo Cristo o cabeça, é por isso que devemos sempre estar unidos, um membro separado do corpo, certamente morrerá.
Sem Cristo, a sua graça e o seu amor, nós não somos nada, este é o cerne da mensagem Cristã, é neste ponto que todos se unem. E é esta a palavra que deve ser pregada, o resto; bem… O resto não importa!
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005.
CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
BRUCE, FF. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.
OLSON, Roger. Contra Calvinismo. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.
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JARDINEIROS
Ao lado do meu trabalho, tem um campo por onde eu passo na hora de ir embora. Fico admirado de perceber a quantidade de lixo que é jogado por entre as árvores daquele local. Tive o desprazer de ver passar muitos caminhões, carros e pessoas jogando lixo enquanto passavam e é lastimável esta situação. O que me faz refletir sobre o futuro do nosso mundo.
O homem tem vivido sem pensar no amanhã, gastando água a toa, desmatado e consumido todo o nosso verde como gafanhotos, em nome de uma comodidade e da “evolução”, ou para construir uma “coisa melhor” no lugar da natureza.
Gênesis 2:15 diz que Deus nos fez jardineiros para cuidar de sua criação. Diferente do que muita gente acredita, o homem sempre teve um trabalho, sempre teve uma função, somos jardineiros.
Mas a Bíblia diz que somos pecadores, por termos desobedecido a ordem de Deus (Gênesis 3:6). E talvez, uma das maiores manifestação deste pecado seja o nosso caráter egoísta e destruidor.
O homem não consegue viver sem destruir, tudo por causa do tal egoísmo. Seja acabar com a sua família, por não querer ser fiel a sua esposa, destruir a sua vida com vícios ou trabalho excessivo, ou poluir o meio ambiente. Ed René Kivitz, disse algo interessante em um de seus sermões:
“Coloque o homem em um lugar bonito, florido e belo, que você vai ver em pouco tempo o lugar poluído e sujo”.
Isso é o homem e tudo isso acontece por pensarmos primeiro em nosso prazer. Aprendi desde pequeno, que o mundo jaz o maligno e não precisamos cuidar das coisas do mundo, não devemos nos preocupar com este negócio de natureza. Será mesmo?
Cristo nos chamou para um nova vida. Ou seja, para vivermos uma vida diferente, boa e plena, o contrário de nossa vida antiga. Ora, então pela lógica, se eu vivia uma vida olhando apenas para meu umbigo, logo, devo aprender a olhar em volta, para as pessoas, para a criação e os problemas do próximo.
Gênesis 1:27 diz que Deus nos deu o domínio sobre os animais, ter o domínio não é explorar, ou acabar com a terra, é cuidar de forma consciente, como seres racionais que somos (Acho eu).
Sempre bato na mesma tecla, a expressão do reino começa aqui e não no céu. E não há manifestação de amor maior que cuidar do meio ambiente, que a próxima geração, um dia vai desfrutar. Não podemos viver como se os recursos naturais fossem ilimitados, nem destruir a flora e fauna, como se aquele ecossistema não fosse importante. Somos jardineiros, fomos criados para cuidar do jardim e não para destruir, e cuidar do meio ambiente é cuidar do próximo e das gerações que estão por vir.
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DÍZIMO
O dízimo é um dos assuntos mais falados atualmente. Pois, após muitos séculos, alguns cristãos descobriram que não serão amaldiçoados por Deus e nem o gafanhoto vai comer o seu dinheiro, caso não entreguem o seu dízimo na igreja. E agora estas pessoas bradam aos sete ventos a sua repulsa contra a igreja, a “eterna vilã” que todos estes anos têm cobrado, de forma errônea, os dez por cento dos seus fiéis.
Este costume existe antes da lei mosaica, como podemos ver em Gênesis 14:20. E foi instituído como parte do culto dos Hebreus e também tinha a finalidade de sustentar os sacerdotes e ajudar aos necessitados. Entre as ofertas que eram oferecidas estavam: Colheitas, frutas, animais, rebanho, como especificado em Levítico 27:30-32 (CHAMPLIN, 2013, p. 202).
Uma coisa é verdade, se apoiar em Malaquias 3:10 para justificar a cobrança é muito complicado. Visto que o texto fala que o povo hebreu, que seguiam a lei, estavam desobedecendo aos mandamentos de Deus e não estavam dando os seus dízimos. Sabemos que não mais vivemos debaixo da lei (Gálatas 2:19) e os mandamentos do Velho Testamento, não mais valem para nós.
E sabemos também que o Novo Testamento não fala de dízimo, ele apresenta apenas uma comparação que Cristo faz lá em Lucas 11:42, onde embora os fariseus cumprissem a lei, deixavam de praticar o amor e a justiça para com as pessoas. Este texto fala da hipocrisia dos fariseus e não sobre dar ou não o dízimo. E apesar de que alguns vão dizer que Jesus não desconsiderou o dízimo, outros vão falar que sim, contudo sabemos que este texto é um tanto complicado para apoiar a prática, ele não é claro.
A pergunta que fica é: Devemos dar o dízimo ou não? Não mais ajudaremos a igreja?
Primeiro, não devemos ajudar a igreja para que possamos prosperar, esta seria a motivação errada. Devemos ajudar para manter o local onde prestamos culto a Deus.
Como em qualquer casa, a igreja tem algumas responsabilidades a cumprir como: Aluguel, água, luz, salários de trabalhadores, etc. E quem deve ser o responsável por estas contas é quem usa o local, ou seja, nós membros. É o mínimo que devemos fazer, pois quem usa certamente é o responsável.
Segundo, aplico uma lição que aprendi com um professor de seminário, a sua lógica é interessante. Se na época da lei, Deus determinava que o povo hebreu desse dez por cento do seu trabalho. Logicamente, agora que somos salvos pela graça, tudo o que temos pertence a Deus. Já que ele nos salvou e não exigiu nada de nós.
Eu acredito que os dez por cento é o mínimo que podemos fazer para vermos a obra de Deus crescer e para agradecer a Ele por sua graça.
Quem ama a sua igreja colabora, quem se preocupa oferta e ajuda e não tem medo de contribuir. Se este não é o seu caso, então repense o local onde você esta frequentando.
BIBLIOGRAFIA
CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Editora Hagnos, 2013.
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PERSEVERANÇA
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.
Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. ( Filipenses 3:12-14)Sempre gostei muito de automobilismo. Durante décadas assisti muitas corridas; a maioria pela televisão, mas muitas ao vivo. Nesse esporte vê-se situações inusitadas e tudo pode acontecer. Talvez uma das cenas mais marcantes foi uma corrida da Fórmula 1 no ano de 1991. O piloto britânico Nigel Mansell liderava a corrida com mais de 50 segundos de vantagem para o segundo colocado. Na Fórmula 1 isso é uma eternidade. Nesse tempo dá pra fazer duas trocas de pneus. Ao abrir a última volta Mansell começou acenar para a torcida comemorando a vitória. Já tinham se passado cerca de 300km na corrida e faltavam apenas uns 4. Ele estava passeando pela pista, quando na metade dessa última volta, cerca de 2 km antes da linha de chegada, acabou a gasolina do seu carro. O brasileiro Nelson Piquet acabou vencendo a prova e Mansell ficou pelo caminho. Esse episódio me levou a entender que o importante nem é tanto como você larga, mas sim como você chega ao destino e isso tem tudo a ver com perseverança.
Perseverança é uma palavra que começa a ser cada vez menos lembrada no dia a dia. Vemos uma geração que é muito estimulada, atenta a tudo, muito ágil, mas a maioria não sabe lidar com problemas e acaba sucumbindo. Percebemos isso claramente nos relacionamentos. Nunca amizades e até mesmo casamentos valem tão pouco. É só os problemas que demandam esforço e abnegação aparecerem, que amigos e cônjuges são trocados pelos próximos da fila, afinal, “a fila anda”. E assim vivemos nosso dia a dia, fazendo da própria vida algo descartável.
Mas é na área da espiritualidade que a falta de perseverança faz mais estragos. Esses versículos da carta aos Filipenses enfatizam justamente isso. O apóstolo Paulo relata como ele lida com as dificuldades. No início do versículo 12, Paulo deixa claro que ele ainda não alcançou o alvo. Assim como Nigel Mansell em 91, Paulo estava muito bem encaminhado, mas ainda não tinha cruzado a linha de chegada. Ou seja, ainda havia lutas pela frente. Enquanto Mansell acenava para o público festejando a vitória antes do tempo, Paulo sabia que ainda havia lutas a serem vencidas; sabia que nada estava ganho. Assim também é com cada um de nós. Dia a dia somos assolados por todo tipo de problemas, dificuldades e desafios e só há uma forma de perseverarmos. Devemos olhar para Cristo e seguir em frente até que alcancemos o prêmio final. Conheço alguns cristãos que vivem como se já estivessem no céu. Não vêem problema algum e parece que esquecem que ainda pisam no planeta Terra. Isso é perigoso, pois perde-se a noção da realidade. Perde-se a conexão com a vida, com as pessoas e dessa forma nem podemos dize que se vive um cristianismo. Outros vêem a dimensão dos problemas e dos obstáculos e logo desistem. Isso também não é cristianismo. Não supervalorize teus problemas, mas sim fite teu olhar em Cristo.
Outro detalhe interessante, é que Paulo afirma que ele esqueceu as coisas do passado e segue firme para o alvo. Uma das coisas que mais atrapalha nossa vida são algumas coisas mal resolvidas no passado. Muitas vezes parece que o passado é como uma âncora que arrastamos pela vida. Um peso enorme que não nos deixa avançar. Paulo não podia se orgulhar do seu passado. Era um perseguidor sanguinário dos cristãos. Muitos pereceram em suas mãos, mas um encontro com o Cristo mudou sua história. Paulo colocou seu passado nas mãos de Deus e seguiu em frente. Será que nós nos libertamos do passado, ou tentamos revivê-lo? Teu passado realmente é passado ou ele ainda está vivo em tua mente, define muitas das tuas atitudes ou impede que você as tome? Uma das chaves para termos forças para seguir em frente é resolver o passado. Não é fazer de conta que ele não existiu, mas sim compreendê-lo e colocá-lo em seu devido lugar. Não devemos permitir que o passado determine nossas ações no presente e no futuro.
A última atitude de Paulo que quero comentar, pode ser entendida como a própria definição da palavra “perseverança”. Ele diz que prossegue para o alvo. Perseverar é prosseguir. Só podemos ter perseverança se tivermos um alvo estabelecido. Quando a questão é nossa espiritualidade, esse alvo é chegarmos à vida eterna. E esse alvo só é alcançado se seguirmos os passos de Cristo. Não adianta começarmos bem nossa vida com Deus e nos perdermos durante a caminhada. Não adianta liderarmos 300km de uma corrida, se nossa energia acaba nos últimos metros antes de completarmos a jornada, porque esquecemos do alvo. Para chegarmos ao final de uma corrida, devemos vencer todo tipo de adversidade. Talvez a maior delas seja nós mesmos. Assim como Paulo, é necessário que cada um de nós tenha muita determinação para perseverar na vida cristã.
Paulo passou fome, frio, foi preso, apedrejado e nada disso o fez desistir da jornada. Só conseguiu perseverar porque tinha um alvo muito bem definido. Será que isso é uma realidade na minha e na tua vida? Há milhões, talvez bilhões de pessoas que iniciam a jornada com Deus, mas muitos, talvez a maioria, acabam ficando pelo caminho. Viver o cristianismo é ter atitudes de abnegação diariamente. Abnegar da própria vida, entregando-a a Cristo, assim como abnegar da própria fraqueza, deixando que a força de Deus nos capacite a superar as dificuldades e o desânimo. Somente através de Deus é que conseguiremos perseverar. Mas para isso aconteça, temos que tomar uma decisão. Estamos dispostos a pagar o preço de suportar e superar todos os obstáculos que vierem pela frente? Você e eu achamos mesmo que nosso alvo vale a pena para lutar arduamente? Faça de Deus o parceiro dessa corrida; tenha ele sempre a teu lado, siga seus passos e não corra o risco de liderar 300km e acabar teu gás a poucos passos do alvo. Persevere dia a dia, momento a momento e assim você cruzará a linha da chegada.
Bruno Wedel: Bacharel em Teologia no Seminário Teológico Betânia de Curitiba, pós-graduado em Teologia e Cultura pela Faculdade Wpós.
