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HIPOCRISIA CRÔNICA
Estamos em um período onde a insatisfação política é a bola da vez. No Facebook, nas rodas de conversas e em todos os cantos o assunto é sobre o atual governo e todas as roubalheiras que veio a tona este ano.
Ninguém gosta de ser feito de idiota, muito menos alguém gosta de ser roubado. E enquanto milhões de dólares são descobertos nas mãos de corruptos e ladrões, os impostos sobem e as verbas públicas para as diversas áreas da sociedade são cortadas. É um período de incertezas.
O curioso nesta conversa toda é que o culpado é apenas o governo, nós como cidadãos, não temos responsabilidade alguma, ao contrário, somos santos e não temos o mínimo de culpa cartório. A começar por nossas vidas, vivemos tentando ganhar vantagens em tudo, seja no troco errado que não devolvemos, na compra de filmes piratas ou nos downloads de músicas e livros na internet. E o pior é que algumas destas práticas são feitas como se não fossem erradas, como se não fossem ilegais.
Certo dia alguém me perguntou se é errado fazer downloads, a minha resposta quase virou um debate quando eu disse que a prática era incorreta. Afinal, se não é seu, se aquilo que você esta baixando de graça você não pagou, é roubo, simples assim. Se o autor não disponibilizou um conteúdo de forma gratuita, você esta roubando.
Isso sem contar com as pessoas que compram coisas piratas e dão a desculpa que não estão prejudicando alguém pobre, estão tirando grana de quem tem dinheiro. Como se com esta premissa, o erro fosse justificável.
Roubar é roubar, seja de quem tem ou não tem dinheiro, a questão é caráter, se você tem caráter, você não faz, ou tenta não fazer. Não estou aqui para acusar alguém e sim mostrar como olhamos mais para outras pessoas e se esquecemos de tirar as traves de nossos olhos, como se fôssemos santos e perfeitos. Exigimos algo que não somos e seguimos vivendo uma vida hipócrita, Provérbios 29:27 diz:
Os justos detestam os desonestos, já os ímpios detestam os íntegros.
Estes dias eu estava vendo um vídeo de um corredor espanhol chamado Ivan Fernandes Anaya, que no final de uma corrida de Cross country, na Espanha, onde ele era o segundo lugar, deu uma lição de honestidade que pode servir de exemplo para muitos de nós brasileiros. No final da corrida o corredor Abel Mutai, que estava em primeiro lugar, achou que já tinha cruzado a linha de chegada e diminuiu o ritmo para comemorar. Ivan podia ter passado pelo corredor distraído e vencido a prova, mas achou mais justo e honesto avisar aquele adversário do seu engano, empurrando e indicando a ele que a linha da chegada estava à sua frente. Este corredor honesto tirou o segundo lugar naquela corrida, mas venceu na prova mais difícil de nossas vidas, a prova de honestidade. Em um vídeo onde Ivan fala de honestidade, ele diz uma frase interessante:
“Estão em nossos valores fazer a honestidade aparecer ou não. E depende muito da educação que recebemos quando somos jovens”.
E a reflexão que faço é: que exemplo estamos deixando para a próxima geração de brasileiros? Qual é o valor que estamos passando para nossos amigos, filhos ou conhecidos?
O povo brasileiro é conhecido por ser o povo do “jeitinho”, será que estamos nos esforçando para ser conhecidos para sermos um povo da honestidade?
A construção de uma sociedade justa começa com a sociedade sendo honesta e não só os políticos. É não aceitar as injustiças quer tenhamos parte na situação ou não. Não deveria ser notícia de jornal, pessoas devolvendo dinheiro, mas infelizmente é, afinal, estas atitudes nos deixam impressionados por não termos o costume de praticar.
Quando praticarmos o bem e nos acostumarmos em fazer o que é certo, todo o resto vira consequência e assim, podemos dormir em paz, com a certeza que a próxima geração terá valores e conceitos sólidos para seguir, ou ao menos bons exemplos para imitar.
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MAIORIDADE PENAL
A velha e conhecida discussão esta de volta e para quem tem um Facebook (meus pêsames) já sabe, que de tempos em tempos, surge um assunto para dividir a opinião da galera. O tema desta vez é: a lei de maioridade penal.
De um lado do ringue, algumas pessoas defendem a teoria de que a lei de maioridade penal, não soluciona o problema da criminalidade. Afinal, segundo eles, na cadeia além do condenado sofrer, sairá mais revoltado e sabendo muito mais técnicas para praticar seus delitos. Como se na rua, periferia ou na favela, já não tivesse professor suficiente para ensinar todas estas “matérias” do crime, ou como se só na cadeia tivesse bandido.
Do outro lado do ringue, outras pessoas defendem a ideia de que o criminoso tem que pagar por seus erros. E se ele sabe muito bem como matar e roubar, já pode pagar por seus delitos. Sinceramente, esta discussão é um tanto quanto incoerente. Afinal, se pararmos para pensar, na verdade são dois problemas distintos.
Primeiro, realmente as cadeias brasileiras não corrigem mais as pessoas, ao contrário, elas punem, castigam, torturam, mas corrigir não, seja a idade que ela tenha. E ao invés de reabilitar o ser humano, formam revoltados ou indivíduos indignados com a vida, que quando saem destes locais, não tem o mínimo de chance de arranjar um emprego ou obter o seu sustento de forma justa para começar a sua vida honesta. E muitos, por falta de oportunidades, voltam para a sua velha vida. Sem contar que, se todos merecem uma segunda chance e eu acredito que sim, temos que oferecer esta chance, e é por este motivo que sem ensinar uma profissão e oferecer ao menos algum encaminhamento para um trabalho, sua reabilitação não ocorrerá. Tal qual nos Estados Unidos, onde existe um programa de apoio que oferece trabalho e oportunidade para os recém saídos da cadeia.
Segundo, a impunidade. É justo que um criminoso não pague por seus erros? É correto soltar alguém que comete um crime baseado na premissa que ele é uma criança ou um adolescente e por este motivo não deve pagar por seus delitos?
Para toda ação há uma reação, para todos os nossos atos, temos algumas consequências, é a lei da vida, e sim ele deve pagar por seus delitos.
Mas este assunto não é tão simples assim, estas duas questões devem ser discutidas, tendo em mente que o problema só será solucionado a longo prazo. E a solução não é só diminuir a idade penal, mas também fazer uma grande reforma no sistema prisional, investindo em educação, e compreendendo que cada indivíduo é um ser humano ímpar, ou seja, com os seus problemas e dificuldades diferentes uns dos outros.
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MILITANTES
Houve um tempo que chamar alguém de militante era algo bonito e glorioso, mas hoje, militante é um termo pejorativo, indicando alguém bitolado que não enxerga a verdade e não sabe dialogar.
Fico horrorizado com tantas discussões que ando lendo, tudo em nome de seus partidos políticos, tudo feito para defender seus pontos de vista. Isso sem contar com as discussões teológicas que beiram a guerras santas, calvinistas crucificando arminianos, alguns cristãos chamando outros de hereges. É tudo muito deprimente.
Aí você pergunta se eu sou contra a discussão, minha resposta sempre é: “De maneira alguma”. Uma boa conversa, um bom debate, reforça o que acreditamos ou nos mostra outro ponto de vista mais coerente, mas tudo isso vai depender da intenção do debate e do posicionamento que ambas as partes vão ter. Em 2Timóteo 2:14-15 diz:
“Lembra-lhes estas coisas e conjura-os, por Deus, a evitarem discussões de palavras, que só servem para a perdição dos ouvintes”.
Sucedido ao hino confessional dos versículos 11 ao 13, este versículo é um aviso quanto as discussões vãs. Quando Paulo fala: “lembram-lhes estas coisas”, ele está se referindo à boa doutrina que Paulo tratou com Timóteo, mandando este colaborador ficar de olho nas pessoas que fazem os ouvintes desviar os olhos de Deus, por conta de discussões que trazem contendas. Mas ele continua o seu conselho no versículo 15:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.
Neste versículo a Bíblia aponta para a importância de se conhecer a palavra deixando claro também que o seu testemunho de vida, seu trabalho feito de modo correto e seu conhecimento já é uma grande arma para combater os falatórios destes falsos mestres. A palavra aprovado, no grego dokimos, é uma palavra usada para indicar que o metal das moedas da época era genuíno. Também significa aprovado pelos testes ou provações.
Resumindo, todo aquele aprovado por Deus, que se mostra pronto e zeloso para com a mensagem de Cristo, nunca será relaxado quanto ao ensino, à pregação e ao estudo da palavra da verdade.
Aprendi ao longo de minha vida que sem imparcialidade, não conseguimos adquirir conhecimento. Se não tentarmos olhar para os diversos assuntos com olhar neutro, para assim adquirir intimidade com o assunto, nunca seremos relevantes. Olavo de Carvalho tem uma frase genial que eu tirei do livro O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota:
“O idiota presunçoso, […] forma opinião de maneira imediata e espontânea, com base numa quantidade ínfima ou nula de conhecimento. E se apega a seu julgamento com a tenacidade de quem defende um tesouro maior que a vida” (CARVALHO, 2013, p. 453).
Um dia na faculdade, fui abordado por uma amiga com a pergunta: Porque quando o professor esta ensinando algo que você é contra, você fica quieto, em vez de argumentar e discordar do professor?
Eu falei que a resposta era simples, visto que, eu estava na faculdade para aprender e entender todos os pontos de vistas. Quando eu fico quieto, não é porque estou concordando com ele, mas tentando entender a sua forma de pensar. Assim aprendo mais ou quem sabe descubro se estou certo ou talvez errado em minha forma de ver.
Conheço gente que se mete em debates todos os dias nestes Facebooks da vida, se preocupando apenas em ganhar as discussões, sem pensar em aprender, analisar e entender os outros argumentos. Quando você se preocupa apenas em ganhar uma discussão, corre o risco de não aprender, de não adquirir conhecimento com o outro lado da argumentação. Isso sem contar que reconhecer que o nosso ponto de vista está errado é um sinal de maturidade e inteligência, o que muitas das vezes não vemos nestas batalhas de ego. Provérbios 18:6 diz:
“As palavras do tolo provocam briga, e a sua conversa atrai açoites”.
Quando a intenção do coração é provar alguma superioridade, todo o seu debate perde o sentido. Quando não ligamos para a opinião do próximo, colocamos está pessoa como inferior, indigna de ser ouvida. Em um debate a busca pela verdade deve ser o ponto principal, respeitar opiniões é ser maduro. Acho genial uma frase atribuída a Nietzsche, que eu li outro dia:
“O maior inimigo da verdade, não é a mentira e sim, a convicção”.
É sempre bom revermos nossos conceitos, reler, repensar, trilhar outros caminhos e olhar para a vida com os olhos de um aprendiz. Afinal, quem quer aprender, tem que se calar e ouvir.
Mas o texto (2 Timóteo 2) continua. Após Paulo avisar Timóteo sobre dois falsos mestres e dar mais alguns conselhos sobre a prática do pecado. O versículo 24 ao 26 exorta Timóteo a não brigar e tratar quem é contra suas ideias com educação, sendo alguém bom e respeitoso. Pois pode ser que Deus dê a esta pessoa incrédula a oportunidade de conhecer a verdade.
Há muitos anos atrás um amigo meu disse para eu tomar cuidado em não acabar vencendo uma discussão e terminar perdendo uma pessoa. Ganhar debates não é tudo, fazer amigos, falar da palavra da cruz ou apenas adquirir conhecimento é muito mais importante e para isso, o respeito deve ser cultivado.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada – Bíblia de estudo de Genebra, editora Cultura Cristã, São Paulo,1998.
Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2000 ; São Paulo; SP.
Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém, São Paulo: Editora Paulus, 2013.
BRUCE, FF. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.
CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo a Versículo São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
CARVALHO, Olavo. O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser um Idiota. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.
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EIS QUE ESTOU CONTIGO!
Alguns dias atrás acordei as 4:20h da madrugada de uma forma bem brusca, com um versículo na cabeça, sendo ele o Salmo 119:11:
“Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.
Achei um tanto curioso, pois não tenho lido Salmos ultimamente, acabei por ir ler o texto inteiro para matar minha curiosidade, constatando que este Salmo é realmente interessante.
Primeiro, porque ele é um dos maiores Salmos e é escrito em forma de um poema acróstico, com as 22 estrofes, começando com as letras do alfabeto hebraico. Uma obra digna de um grande poeta.
Segundo, porque o conteúdo deste Salmo fala bastante de lei, mas não coloca estas obrigações como um fardo e sim, como um meio de contato com o criador. Diferentemente do que lemos no Novo Testamento, quando Cristo repreendia os fariseus e doutores da lei, por jogarem fardos pesados nas costas de seus discípulos (Mateus 23:4). Parece que o salmista entendeu o propósito da lei, coisa que muitos judeus na época de Jesus não haviam entendido.
Terceiro, porque este Salmo não se refere apenas à lei, mas também as promessas de Deus, as mesmas dadas a Abraão e Moisés. Pois algumas palavras em hebraico têm como raiz verbos ligados a fala, dando a entender que o salmista estava se referindo a promessas que o próprio Deus falou a eles.
O que me faz refletir sobre qual seria a palavra ou a promessa dada por Deus, que me faz não pecar contra ele, que me aproxima mais dele e me faz persistir e seguir confiando nele. Pensei muito sobre isso e lembrei que tenho um versículo que carrego comigo, é uma promessa que levo em meu coração e tentarei levar até o dia de minha morte, esta lá em Mateus 28:20:
“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.
Nesta passagem, Cristo já havia ressuscitado e estava passando todas as informações para os apóstolos do que chamamos de A Grande Comissão. Mas imaginem só, aqueles homens que haviam andado três anos com Jesus, tinham visto seu poder e haviam sido salvos de muitos problemas, naquele momento em diante, depois que Cristo subisse, iriam ficar sozinhos, pregando e proclamando a palavra, sem ter Jesus a sua disposição como tinham antes, eles teriam que dar a cara a tapa. Mas Cristo estava avisando os apóstolos que ele estaria com eles.Quantas vezes passamos por algo semelhante quando temos que enfrentar problemas sozinhos ou trabalhar no reino e ser alvo de preconceito e dificuldades? Quantas vezes nos sentimos desamparados, ou incapazes de fazer algo?
Mas esta passagem, que se encontra no fim do evangelho de Mateus, precisa estar gravada em nosso coração e ser um escudo durante os problemas.
Você esta passando por batalhas? (Eis que estou contigo!)
Sua cruz tem sido pesada de carregar? (Eis que estou contigo!).
Você esta no fim da linha, sem esperança? (Eis que estou contigo!).
Deus não nos abandona, assim como não abandonou os apóstolos. Podemos passar por dificuldades, lutas, mas ele esta conosco nos amparando e nos guiando, por isso, não desista, não desanime e lembre-se sempre desta palavra:
EIS QUE ESTOU CONTIGO!
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O QUE É SER CRISTÃO?
Não acho mais estranho quando alguém me pergunta o que é ser cristão. Em meio a tantas teologias, tantos “moveres”, fica difícil definir o que é ser um seguidor de Cristo, mas a definição que eu mais gosto esta lá em Mateus 5: 13 e 14.
Neste versículo, Jesus nos convida a sermos o sal da terra e a luz do mundo. É interessante esta analogia, afinal, é impossível comermos um alimento sem percebermos a ausência do sal. Apesar de não vermos o tempero, sentimos muito bem a sua falta.
A luz é a mesma coisa. De dia podemos não perceber a luz acesa, mas a noite percebemos o menor ponto de claridade na escuridão. Em tempos antigos, quando um capitão de navio procurava um porto em meio à tempestade, ele tentava avistar o farol, aquela luz salvadora que guiava a sua tripulação para um lugar seguro enquanto a tormenta não passava.
Durante a nossa caminhada como cristãos, vamos ser chamados para ser a diferença em inúmeras situações. Às vezes seremos o tempero na vida de uns, a luz na vida de outros ou apenas o amigo, um suporte. Mas em qualquer uma destas situações, Jesus nos ensina a humildade e nos convoca para sermos luz e sal, para nos doarmos de uma maneira que o evangelho apareça. Não a nossa vida e sim ele e a palavra dele, afinal, se fazemos algo em nome de Deus, só há um que pode ser reverenciado e louvado.
Ser sal e luz é isso, é não aparecer, é não ser visto, mas deixar Cristo ser visto. Ser cristão não é ter e sim reconhecer que precisamos de Deus, e seguir fazendo a sua vontade.
O cristão não precisa aparecer, ou ser o “melhor” e sim, buscar dia a dia ser uma pessoa certa, com uma vida que transborde a palavra de Deus.
Ser cristão é ser imitador de Cristo, ou como a palavra mesmo define: ser pequenos Cristos. Ser cristão, como John Stott já escreveu em um de seus livros:
“É ser gente da maneira certa”.
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HISTÓRIA DAS CONTROVÉRSIAS NA TEOLOGIA CRISTÃ – ROGER OLSON

Em tempos onde Bíblia não é estudada e a teologia anda tão misturada que mais parece uma colcha de retalhos. Um livro que esboce a real doutrina cristã de uma maneira unificadora e conciliadora é muito mais que útil, e é esta a proposta que Roger Olson traz neste que é mais que um livro, é uma ferramenta necessária para a fé, onde muitas respostas para as dúvidas mais profundas são respondidas de forma coesa e simples. Questões como:
A fé cristã, fontes e normas da fé, revelação divina, escritura cristã, Deus e muitos mais temas são abordados com maestria por este experiente teólogo, dando sempre as várias opções existentes na Bíblia e nunca empurrando conceitos goela abaixo.
O autor acertou em escrever este livro, pois é um manual para a fé, onde a real doutrina é ensinada de uma maneira sábia e lúcida.
O livro tem uma pouco mais de 520 páginas e é publicado pela editora Vida.
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A ORIGEM DA SOBERBA
Sou um grande observador do ser humano, na verdade, este espécime me fascina. E o que mais me faz pensar, sendo um assunto no qual eu já escrevi anteriormente, é por que uma pessoa se sente superior a outra, diante do dinheiro ou status? Ou por que uma pessoa finita e frágil se sente como um Deus, diante de reconhecimento e fama em excesso?
Este tema, não é nada novo, em Gênesis, a serpente provoca Eva mostrando como ela poderia ser igual a Deus conhecendo o bem e o mal. Seus olhos devem ter brilhado diante da opção de ser igual ao criador, não depender de ninguém e ser autossuficiente (Gênesis 3:1-7).
Muitos querem ser Deuses, inúmeras pessoas buscam fama e poder e por que com Eva seria diferente? Já que somos seus descendentes, a atitude dela não deveria ser estranha para nós.
Mas os exemplos Bíblicos continuam, pois o que falar de Caim que matou Abel movido pela inveja da oferta do seu irmão? Ou talvez pela sinceridade da atitude dele? E mesmo Deus avisando Caim, ele não liga nem um pouco (Gênesis 4:71-8). Não sabemos o motivo da recusa de Deus pela oferta, mas sabemos que Caim não deu ouvidos para o seu aviso, e como muitos de nós, agiu como bem quis e acabou sendo castigado por matar seu irmão.
E o que falar de Pedro? Que ignorou o aviso de Cristo ao advertir que ele iria traí-lo, preferindo confiar em sua própria força e capacidade (Mateus 26:31-35). Parece que a soberba permeia toda a Bíblia e faz parte de nossa vida também, mas o que significa soberba?
É ter autoconfiança em excesso, é se sentir ser mais do que as outras pessoas. O que me leva a contar a história de um humilde pastor de ovelhas, escrita lá em Samuel 17:16 – 51.
Davi, um pastor de ovelhas, tinha ido ao acampamento de guerra levar mantimentos para seus irmãos, quando vê um gigante chamado Golias desafiar o exército de israel. Naquela época as guerras funcionavam de um modo diferente. Dois dos melhores guerreiros lutavam e quem perdia a luta, perdia a guerra. Assim, os exércitos eram poupados e a conquista era feita de uma maneira mais rápida. Mas Israel não tinha um guerreiro daquele tamanho e nem tão armado assim, pois a Bíblia diz que Israel se encolheu diante das ameaças daquele grande lutador.
Mas Davi, que era pequeno em estatura, servia um Deus poderoso, que inclusive havia protegido sua vida das garras de um urso e um leão, dando capacidade para aquele menino enfrentar estas duas feras. E foi este pequeno corajoso, que aceitou lutar com aquele grande homem.
E enquanto o gigante confiava em sua própria força, no seu tamanho e em sua experiência, aquele jovem confiava em Deus e com sua habilidade de manejar a funda derrubou um gigante, que era pequeno perante o nome do Senhor. Provérbios 16:18-19, fala:
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”.
Ser humilde não é ser fraco e sim, entender suas limitações. A palavra humildade vem do latim, humus, que significa “terra fértil”, e este termo designa a qualidade das pessoas que não se acham maiores do que os outros. Davi tinha esta qualidade, além é claro de confiar em Deus e depositar sua confiança nele.
Não sei a origem da soberba, mas entendo que sempre que acreditamos sermos autossuficientes, caímos com a cara no chão. Sempre que tiramos os olhos de Deus caímos. Tal qual aconteceu com Golias, que preferiu confiar em seu tamanho, considerar-se melhor e superior que os outros. Mas a Bíblia nos convida a não nos moldarmos a este padrão, não acharmos que somos melhores que os outros, mantendo um espírito humilde e simples, e um conceito equilibrado e correto de nós (Romanos 12:2-3).
O ser humano cai por querer viver uma vida independente, o que ele não entende é que não existe vida fora de Deus!
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NÃO JULGUEIS
Quando vou ao centro da cidade, costumo passar por um local onde dorme muitos mendigos e moradores de rua. E nas muitas vezes que passei por este lugar, pensei de uma forma errada e egoísta, achando que todos eles eram desocupados, que poderiam arranjar um emprego e viver do seu trabalho. E se pararmos para observar, muitos que passam por estas pessoas, têm a mesma atitude de preconceito. Eu sei que as ruas são infestadas de ladrões e espertalhões, que ganham a vida passando pessoas inocentes para trás, mas de alguma forma, tirar conclusões, sem ao menos conhecer suas realidades não é a coisa certa a fazer.
Há muitos anos atrás, eu costumava assistir um programa de TV, onde o apresentador se vestia de mendigo, a fim de conhecer a história dos moradores de rua. Era impressionante certas narrativas e de alguma maneira, aprendi a ver as pessoas com outros olhos. Uma das crônicas que eu assisti, que nunca mais esqueci, era de um senhor ex-advogado, que vivia na rua depois de ter descoberto que a sua mulher o traía. Após tal decepção, ele jogou tudo para o alto e foi embora. É difícil não julgarmos as pessoas, e é um desafio enorme olhar para o próximo sem os nossos conceitos e crenças, mas a Bíblia diz em Mateus 7:1-4:
“Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?”.Quando a Bíblia fala, não julgueis, não é para termos uma posição neutra e sim, para não julgarmos de maneira injusta, falsa e acima de tudo, sem amor. Provavelmente neste trecho, Cristo esta falando do julgamento dos Fariseus, que condenavam a todos sem ao menos reconhecer a presença de alguns dos defeitos que eles apontavam, em suas vidas. Isso fica claro no versículo 3 em diante, onde ele fala para não olharmos o argueiro no olho do irmão, estando nós com uma trave em nosso olho.
Acredito que antes de olharmos para o defeito de alguém, devemos olhar para nós, tirar o preconceito de nossa mente e ouvir a história do próximo com amor e respeito. Afinal, todos têm suas dificuldades, cada um sabe o seu ponto fraco e afirmar que não temos nossos calcanhares-de-aquiles, é ser hipócrita. Gosto muito de um provérbio chinês que diz: “É sempre mais fácil para alguém resolver o problema do outro”.
Mas isso não nos impede de confrontar as pessoas que usam a Bíblia para ganhar dinheiro e nem de denunciar as falsas práticas cristãs. Isso não é julgar, é mostrar o que é correto, tal qual Cristo fez com os Fariseus. O “não julgueis”, só nos avisa para não sermos hipócritas, não julgarmos falsamente, não sermos injustos e termos amor na hora de mostrar a verdade.
E vamos falar a verdade, é muito fácil olhar para o próximo, chamar de desocupado e depois irmos para nossa casa ou para nosso emprego. Ou ver o problema do outro e achar que é uma coisa muito pequena para ficar sofrendo. Agora, olhar para o próximo, conhecer a sua realidade e entender que cada um tem a sua dificuldade são outros quinhentos. Então fica o recado, em vez de julgar, ajude.
“Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7:2).
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ABORTO
Aborto é um dos temas mais falados atualmente e a livre prática é alvo de passeatas e de reivindicações, pois muitas pessoas ambicionam a sua legalidade. A bíblia, que para ativistas pró-aborto é considerada um livro retrógrado, deixa explícita o seu posicionamento, destacando a priori que a vida é dom de Deus, e sendo dado por ele, não temos o direito de tirar de maneira alguma (Gn. 2:7). Mas a grande controvérsia é se o feto é humano ou não, para assim, justificar esta matança.
Em um artigo chamado: “Em que momento o feto vira ser humano?”, na revista super interessante. O autor, através de vários dados científicos, se esforça para expor os vários pontos de vista sobre o assunto, deixando o tema com mais dúvidas do que soluções. Uma das correntes que ele expõe é que, alguns cientistas acreditam que um feto só é feto depois de algumas semanas ou depois da terceira semana de gravidez. Outros apontam que a vida começa de verdade apenas depois da vigésima quarta semana de gravidez, que são quando os pulmões estão formados. Mas o autor termina o texto com o pensamento de um filósofo americano chamado, Peter Singer, que defende que o valor da vida está na autoconsciência, este filósofo afirma que matar uma criança não equivale matar um adulto.
Outro blog feminista defende que o feto não é bebê e uma grávida não é mãe, pelo simples fato de que não existe consenso no meio médico e científico de quando realmente começa a vida humana e por mais que o feto e o bebê sejam organismos vivos, somente o bebê é um indivíduo, o feto não. Mas será que estas afirmações sãos verdadeiras? Afinal é fácil defender o aborto quando já se nasceu.
A Bíblia nos dá uma ótima luz para este assunto. Êxodo 21:22-24 considera o bebê na barriga da mãe como uma vida a ser respeitada. E em Lucas 1:41, o autor narra o fato do bebê ter saltado no ventre de Isabel, pela alegria em ver a mãe de Jesus, provando ser o feto algo maior que um simples objeto ou animal sem importância.
Os primeiros pensadores da igreja também tinham uma opinião. Santo Agostinho dizia que a vida seria considerada humana somente após os 40 dias para o feto masculino, e para o feminino seria 80 dias. Tomás de Aquino também considerava humano apenas um feto que tivesse mais de 40 dias, quando é colocada a Alma Racional. E no concílio de Trento, esta doutrina se estabeleceu como oficial, até o ano de 1563, sendo contestada ao longo de todo o período da história da igreja.
A posição da igreja Católica se baseia em duas premissas:
Primeiro: na visão da lei natural, onde se acredita na ordem estabelecida por Deus, onde o ser humano tem a sua participação racional, sendo este o próprio plano de Deus.
Segundo: a escola genética, entendendo que o ser humano é definido pelo seu código genético, e se o seu genótipo esta presente durante a fertilização, entende-se que o indivíduo é humano.
Mas que atitude tomar quanto ao alto índice de aborto ilegal no país? Sabemos que isso virou uma questão de saúde pública e se queremos combater com seriedade o caso, significa entende-lo não tendo preconceito, mas com um olhar de cuidado, visando os direitos humanos e a melhor solução para o problema.
Sabemos que este assunto não é fácil e não é com uma conversa de meia hora que vamos resolver o problema. Tudo demanda tempo e muito debate, sempre respeitando o ser humano, sem esquecer cinco pontos importantes que devem ser pensados e analisados, conceitos estes tirados da Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia do Champlin:
Primeiro: É Deus que dá a vida, e um feto é um ser vivo, não se tem unanimidade quando o espírito se faz presente no feto. Nem em quantas semanas é considerado um ser vivo, mas sabemos que o que está na barriga da mãe é um homem em potencial, uma pessoa que não pode escolher e, portanto, merece viver.
Segundo: Independente de qualquer posição política ou teológica, o feto sofre, seja por qualquer tipo de aborto ele sente. E em uma civilização que se preocupa até com o sofrimento dos animais, nãos podemos virar as costas para este tipo de sofrimento.
Terceiro: O feto, mesmo que não seja considerado humano, não deixa de ser uma forma de vida, por isso deve ser respeitada.
Quarto: Devemos ser moderados nos casos de exceções, como estupro, incesto, anencefalia ou em qualquer caso que envolva a vida da mãe. Como não temos certeza do que é correto em tais casos, devemos ser os mais cuidadosos e cada mulher deve resolver isso da maneira que julga ser a melhor possível.
Quinto: temos muitas informações que nos leva a acreditar que o aborto origina muitas tensões psicológicas, mesmo em mulheres que nãos tinham diagnóstico de tensões negativas. Isso deveria servir de aviso, visto que, muita destas práticas envolve parte de uma própria punição, afinal, a consequência para uma decisão errada é sempre difícil, mas existe.
Bibliografia
BOTELHO, J. F. (10 de 3 de 2011). Em Que MOmento o Feto Vira ser Humano? Acesso em 24 de 11 de 2014, disponível em Super Interessante: http://super.abril.com.br/ciencia/momento-feto-vira-ser-humano-681518.shtml.
MOSCOU, M. (13 de 12 de 2011). Feto Não é Bebê, Grávida não é Mãe. Acesso em 24 de 11 de 2014, disponível em Blogueiras Feministas: http://blogueirasfeministas.com/2011/12/feto-nao-e-bebe/
GEISLER, Norman, Ética Cristã, Vida Nova, São Paulo, 2006.
CHAMPLIN, R.N; Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia; 5 edição; São Paulo; Editora Hagnos; 2001.
Perguntas Básicas sobre Decisões do Fim da Vida, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2004.
BARCHIFONTAINE, Christian de Paul, Bioética e Início da Vida, Editora Idéias & letras, São Paulo, 2004.
FREITAS, Angela, Aborto: Guia para Profissionais de Comunicação, Editora Grupo Curumim, Recife, 2011.
TILLICH, Paul, Teologia Sistemática, Editora Sinodal, Rio Grande do Sul, 2005.
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PERSEGUIÇÃO
Tenho ouvido durante anos, depois que me converti a Cristo, que o povo cristão tem que se preparar para a perseguição, pois logo eles serão proibidos de cultuar e se reunir como igreja, ouço e leio isso há um bom tempo. Não sei se isso é algo possível no Brasil, eu sei que em alguns países esta perseguição existe, mas aqui, duvido muito. Creio mais na teoria de que o evangelho vai ser cada vez mais misturado a outros conceitos falsos, que a bíblia que muitos hoje não leem, não será mais o seu livro de cabeceira e sim, a palavra do profeta, o mandamento do “Pastor ungido” e por aí vai.
Tenho aconselhado e ajudado cristãos que não sabem explicar o mínimo de sua fé, quanto mais defender o que acredita de uma forma bíblica e coesa. Ouvi um pastor e teólogo um tempo atrás falar algo que me impressionou. Que antigamente, quando ele havia começado o seu ministério pastoral, era mais fácil ensinar a palavra, pois naquela época as pessoas se preocupavam em ler e estudar a Bíblia, hoje as pessoas “não tem mais tempo para isso”, e seguem sem se preocupar em aprender e por isso deixam-se levar por muitas mentiras. Não sei se seremos caçados, ou apenas nos diluiremos na massa popular, tomando a forma de um clube ou um local para se passar o tempo e ouvir falar de como um cara chamado Jesus, falou algumas coisas legais.
Eu sei que independente de perseguição ou não, temos que cada vez mais buscar estudar e entender o que a Bíblia diz, para assim, não nos deixar levar por falácias cristãs ou “moveres milagrosos”.
Em Atos 17:11, a Bíblia fala das pessoas da cidade de Beréia, que iam verificar na Bíblia tudo o que Paulo falava, para ver se realmente aquela palavra era verdadeira, e esta atitude é a que menos vemos hoje em dia.
E quanto ao fato que seremos perseguidos, não me importo, tampouco oro para que isso não aconteça, ao contrário, por um lado acho até bom. Afinal, quanto mais perseguição, mais o povo de Deus teria que se unir e assim agir como o real corpo de Cristo aqui na terra, quem sabe só assim nos uniremos.
Jesus disse que teríamos aflições, então é um pouco óbvio que passaremos por dificuldades e perseguições (João 16:33). Então, nada mais lógico seguirmos nossa vida buscando a Deus e fazendo a sua obra de forma relevante e sábia, que no mais ele faz.
