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  • GÊNIO DA LÂMPADA

    Dê uma oferta de fé e será abençoado, foi o que eu ouvi na primeira vez que vi um tele pregador. Rapidamente procurei uma base Bíblica para aquela afirmação e confesso estar procurando até hoje, pois afinal, não tem.

    Não entendo como alguns cristãos conseguem ver Deus como um gênio da lâmpada, pronto para realizar todos os seus desejos. Ou um garçom, onde você faz os seus pedidos e aguarda ser servido na mesa.

    É até bonito ouvir que somos filhos do rei e temos que comer o melhor desta terra, como alguns pastores falam, mas vida cristã não é assim e o texto bíblico (Isaías 1:19) está sendo usado de modo descontextualizado. O Salmo 23:1, que é muito conhecido e muito usado por estes pastores diz:

     O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.

    Ou como a versão da Bíblia A mensagem coloca:

    Ó eterno, meu pastor!

    Não preciso de nada.

    Este versículo, atribuído bastante a teologia da prosperidade, é muitas vezes incompreendido, o que o texto afirma é que o senhor é o meu pastor e isso basta, não preciso de mais nada além d’Ele. Deus é o nosso complemento, Ele é o que nos sacia. Ao contrário do que a teologia da prosperidade prega. Mas o texto continua a nos ensinar.

     Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

    Quem tem contato com ovelhas sabe o quanto estes animaizinhos são difíceis, e é quase impossível eles sossegarem ao menos que algumas coisas estejam alinhadas.

    Primeiro, porque a ovelha é um bicho esfomeado, come até a raiz do capim, é por isso que os pastores são nômades. Pois estes animaizinhos não descansam se não estiverem bem alimentados.

    Segundo, as ovelhas são muito tímidas e ariscas, não descansam e nem sossegam se não se sentirem tranquilas e sem perigos. Qualquer infortúnio, animais rondando, parasitas, insetos, barulho já tiram a tranquilidade destes seres. Mas a presença do pastor no meio do rebanho traz sossego, nada acalma mais as ovelhas que do seu protetor.

    O versículo dois do salmo 23 não é um chamado a prosperidade e vida boa, é um apelo a presença de Cristo em nossas vidas. Enfrentaremos perigos, passamos por perseguições e dificuldades, Cristo nos avisou disto (João 16:33), mas Deus, em meio ao caos, nos conduz a pastos verdes e tranquilos.

    Muitos têm um conceito errado de vida cristã, ter Deus não é ter as coisas, ser próspero não é ter dinheiro, mas a presença tranquilizadora de Deus nos confortando. É confiar e acreditar em suas provisões. Costumo dizer: se o próprio Deus desceu e passou inúmeras dificuldades, por que acreditamos ser melhor do que Ele, não aceitando os períodos difíceis de nossa vida?

    Acredito que pensar como os pastores da prosperidade insistem em pensar, é muito mais do que acreditar que ser Cristão é ser abençoado financeiramente, e é muito mais do que pensar que a Bíblia ensina que devemos ser prósperos. E sim, é ter um estilo de vida focado no dinheiro, é se motivar nas coisas finitas. Há muitos anos li algo em Mateus 12:34 que nunca mais esqueci, uma frase conhecida e verdadeira:

    “A boca fala do que o coração esta cheio”.

    Mais uma vez deixo claro, não estou pregando a pobreza e sim mostrando como a Bíblia não enfatiza a riqueza. Não estou falando que você não deve correr atrás dos seus sonhos e sim, esclarecendo como a ênfase da Bíblia não é financeira. Experimente colocar Deus na frente de tudo e praticar o que Mateus 6:33 diz:

    “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.


    Busque primeiro o reino de Deus, e o resto, bem…. O resto é resto, Ele provê.

    BIBLIOGRAFIA

     Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo 2005.

    PETERSON, Eugene H, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    KELLER, Phillip, Nada me Faltará, Editora Betânia, Minas Gerais, 1984.

  • A DITADURA DO PALCO

    Em nenhum outro momento de sua história, o homem avançou tanto em suas conquistas no conhecimento. Nunca o ser humano experimentou uma evolução tão grande como hoje. Em contra partida, nunca esteve tão longe de si mesmo quanto agora.

    À medida que desvendamos mistérios da ciência, trocamos nossa humanidade por tecnologia. Estamos nos tornando máquinas programadas a agir de forma pré determinada.

    Vivemos como artistas num palco, simplesmente representando um papel, o qual nem sempre entendemos. A sociedade nos impõe padrões, ideais de vida, ambições, as quais aceitamos passivamente e sem pensar. Na realidade não pensamos mais.

    Todo palco necessita de um cenário. Assim também é conosco. Esquecemos, porém, que todo cenário é um grande faz de conta, uma mentira. Pura aparência. É nessa aparência que achamos que somos felizes. Buscamos aparência ao invés de procurar nossa própria alma. Vivemos em função de satisfazer expectativas da platéia. Quando conseguimos, mentimos a nós mesmos imaginando ter alcançado o objetivo. O personagem que geralmente nos é imposto deve preencher alguns requisitos: é alguém bem sucedido, de aparência que a platéia deva aprovar, sem esquecer é óbvio, das roupas de marca. Tudo que represente status e poder é indispensável para a construção do personagem. E assim a vida se esvai no palco da vida. Vivemos um roteiro escrito por estranhos, que somente se preocupam em cumprir o protocolo. Não se importam com pessoas. Não se importam com vida. E como bons atores da vida empenharam em satisfazer o roteirista. Ao final do ato, ouvimos os aplausos e nos sentimos realizados. Ao entrar no camarim, sentamos frente a frente com o espelho, tiramos nossa maquiagem, e sentimos que há algo errado. Vem o diretor, dizendo que tudo foi perfeito. Mais uma vez mentimos a nós mesmos. Vamos dormir, afinal amanhã temos que representar um novo ato.

    Um dia acordei. Ao olhar no espelho do camarim vi um estranho debaixo da maquiagem. O sorriso da máscara transformou-se em lágrimas de angústia. Os aplausos que ainda ouvia ao fundo exaltavam apenas minha cegueira em não ver o impostor que vive em mim. Fitando o espelho, deparei-me com um rosto estranho, mas que de alguma forma parece que já tinha visto. Deu-me saudade do que nunca tive. Desisti de viver uma vida de representação. Quero minha própria vida, buscando o real propósito que o Criador tem para mim. Como é bom sentir o vento na pele, e não na maquiagem. Como é bom viver sem um cenário de faz de conta, usar minhas próprias roupas, e viver com a minha alma. Como é bom poder olhar no espelho e encontrar o meu rosto.

    Mas olho para trás, e vejo que o palco continua montado, outro artista tomou meu lugar, meus antigos companheiros já me esqueceram. Preferem o palco. A platéia aguarda ávida pelo novo palhaço.

    Afinal… O show não pode parar.

    Até quando?

    Bruno Wedel: Bacharel em Teologia no Seminário Teológico Betânia de Curitiba, pós-graduado em Teologia e Cultura pela Faculdade Wpós.

  • TU NÃO ÉS COMO O TENHO IMAGINADO (THOMAS MERTON)

    Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na escuridão e no grande silêncio.

    Lamento todos os meus pecados.

    Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.

    Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, a fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.

    Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre. Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à Tua claridade.

    Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo, estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em Tua paz e Tua glória.

    Tua claridade é minha escuridão. Eu não conheço nada de Ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te conhecer.

    Se eu te imaginar, estarei errado.

    Se Te compreender, estarei enganado.

    Se ficar consciente e certo que Te conheço, serei louco.

    A escuridão me basta.

  • JANELA SUJA: SOBRE JULGAR E AJUDAR

    Havia duas famílias vizinhas que moravam uma de frente para a outra. Todo o dia, o marido de uma das casas, ao voltar do trabalho, encontrava a esposa indignada reparando nas roupas penduradas na área da casa vizinha. Não entendia por que não as lavava adequadamente primeiro, para só depois colocá-las no varal. E dizia isso com impaciência e com a certeza de que a vizinha era descuidada e suja.

    Durante muito tempo se repetiu a cena, o marido chegava do trabalho e ouvia a esposa reclamando da falta de higiene da vizinha com suas roupas.

    Após algum tempo, cansado das reclamações da mulher, o marido acordou cedo, lavou o vidro de sua casa e foi para o trabalho. Ao voltar, percebeu sua esposa no mesmo lugar e assim perguntou: — O que fazes aí, querida? Respondeu ela: — Parece que, de tanto eu falar, a vizinha lavou as roupas direito. O marido a interrompeu dizendo: Não foi ela que lavou as roupas direito, fui eu que acordei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela.

     

     

    Esta história nos ensina algumas grandes verdades, não sei quem foi que escreveu, mas sei que ele tinha uma lição muito grande para nos ensinar, que pode ser resumida em:

     “Sempre nos apressamos em julgar o próximo”.

    É mais fácil julgar do que ajudar, é muito mais cômodo reclamar e resmungar ao invés de oferecer ajuda. E falando em julgamento, gosto da parábola do bom samaritano para explicar os malefícios de julgar em vez de ajudar.

    O texto de Lucas 10:29 diz que, para responder à pergunta de um mestre da lei, que queria saber quem eram as pessoas que ele devia ajudar (Lc. 10:27), Jesus conta uma parábola, a famosa parábola do bom samaritano, que muitos, ou todos, já devem ter lido. Muito se fala sobre esta parábola, se realmente aconteceu ou não, alguns estudiosos consideram esta parábola como um fato, pois a história tem traços reais, como vamos ver, mas isso é pura conjectura, a Bíblia não deixa isso evidente.

    Um homem viajava de Jerusalém até Jericó e foi assaltado, espancado e deixado semimorto. Pelo mesmo caminho descia um sacerdote e um levita, os dois viram o homem caído e não ajudaram. A história nos mostra que os sacerdotes e levitas, quando não estavam de serviço em Jerusalém, viviam em outro local, este é um possível motivo de suas idas e vindas.

    Sabemos também que esta estrada, com cerca de 27 quilômetros, era muito perigosa, cheia de assaltantes e beduínos. Seria arriscado eles pararem, sem contar o perigo que eles corriam de se tornarem impuros por tocar em um morto. Mas o fato é que o texto não apresenta motivo de não terem ajudado aquele homem. E um samaritano que passava pelo lugar auxiliou o homem, colocou remédio nas feridas e o levou a uma hospedaria.

    O exemplo do samaritano na parábola de Jesus era um exemplo muito forte. Afinal, o samaritano naquela época era visto como um pagão, um bárbaro, pois além de ter divergências sobre qual lugar  deveriam adorar a Deus, se era no monte Gerizim, conforme eles afirmavam, ou em Jerusalém, como os judeus afirmavam, também eram menosprezados pela sua mistura racial.

    O que me chama atenção no texto é como aquele samaritano, que era alvo de preconceitos e segregações, ao invés de julgar ou tirar conclusões precipitadas, preferiu ajudar. Ele não olhou torto para aquele moribundo, muito menos virou as costas. Não olhou através de sua janela suja, o samaritano simplesmente ajudou.

    Só quem foi injustiçado um dia entende como é difícil assumir uma culpa que não é sua. Apenas quem foi alvo de preconceitos sabe o quanto isso fere, e aquele ajudador sabia muito bem disso. Com toda a sua história, com todas as suas dificuldades, ele sabia que ajudar aquele moribundo era fundamental.

    Estamos em uma época em que olhamos apenas o problema dos outros, nossa mania de querer “consertar o mundo” nos faz ignorar como precisamos limpar a nossa janela.

    Que possamos enxergar esta parábola como um convite, um chamado a ajudar a todos e ser diferença na vida de quem quer que seja, afinal:

    Julgar é fácil, ajudar que é o desafio!

     

    Bibliografia

    BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Editora Paulus, 2008.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2000.

    CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2011.

    CARSON. D. A. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIN, R.N. Novo Testamento interpretado versículo à versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

  • MÃO DE FERRO

    Quando eu era bem novo, cantávamos uma conhecida música na igreja que tinha como refrão a frase:

    “Nem as folhas das arvores se movem, se não for pelo seu poder”.

    Éramos ensinados que Deus é soberano e por ele ser soberano, tudo o que acontecia era de sua vontade. Seja o bem ou o mal.

    Calvino defendia esta soberania em todos os seus escritos e chamava esta soberania divina de “providência”, acreditando que tudo estava dentro do controle absoluto de Deus. Nada acontece sem o seu consentimento, inclusive o pecado e o fato do descrente não aceitar o evangelho. Tudo estava dentro do insondável propósito divino.

    Do mesmo modo, outros teólogos afirmam que Deus programou você, como você nasceria, como viveria e onde viveria, Deus nunca fez nada por acaso. Esta firmação é bonita, quando é dita para americanos ricos e com a vida ganha.

    Mas é uma ideia difícil de conceber, quando uma pessoa nasce e vive em uma favela, com esgoto ao céu aberto, balas perdidas e fome. Ou quando crianças nascem em países em guerra e no seu cotidiano, pessoas morrem todos os dias.

    Na minha adolescência, sem nada com que me preocupar, afirmar que tudo o que acontece é determinado por Deus, não me chocava. Até começar a conviver com gente passando por problemas de saúde, doenças graves e inúmeras situações que a vida traz. E foi levado por estas casualidades, que os meus conflitos começaram e eu pensava:

    É da vontade de Deus que as pessoas nasçam na miséria e na pobreza?

    É da vontade de Deus tanto sofrimento?

    É da vontade de Deus, tantas catástrofes?

    Que Deus é este?

    Foi com estas afirmações, que meus conflitos nasceram, enquanto a igreja dia a dia declarava: Deus é soberano!

    Porém, esta afirmação é incompreendida, apesar de forte.

    Quando afirmamos que Deus é soberano, estamos querendo dizer que ele não deve satisfação a ninguém, ele faz o que quer e ninguém pode impedi-lo. A bíblia diz:

    “Agindo eu quem impedira?” (Isaías 53:13).

    Deus faz o que quer e ponto final, mas isso não significa que tudo o que acontece foi ele que determinou. Existem inúmeros fatores que causam este mal:

    O diabo (Efésios 6:11, João 10:10), Nossas escolhas erradas (Romanos 3:10-18), O fruto do pecado (Romanos 7:19).

    Quando afirmamos que tudo o que acontece foi determinado por Deus, fugimos das nossas responsabilidades como seres humano. Nos justificamos falando: “Foi Deus quem quis” ou no mínimo pensamos assim. Mas nem tudo o que acontece ele aprova, Deus permite, mas não aprova. Gosto de uma frase de Agostinho:

    “Se o bem vem de Deus, o mal se origina da ausência do bem e só pode ser atribuído ao homem, por conduzir erroneamente as próprias vontades”.

    A Bíblia diz que um dia prestaremos contas de nossos atos, seremos julgados no tribunal de Deus (Romanos 14:11-12). E se tudo foi determinado por Deus, como seremos julgados por nossos atos? Complicado, não é?

    A Bíblia nunca afirmou que tudo o que acontece foi Deus que determinou, o que a bíblia deixa claro é que não há nada que acontece que Deus não saiba. Nada passa despercebido dos seus olhos, nada sai de seu controle e sim, ele faz o que quer afinal, ele é Deus. Mas a vida é dinâmica, temos que enfrentar nossos problemas, fruto de nossas escolhas, tentações do mal e inúmeras situações que a vida nos apresenta e isso não tem ligação com Deus determinar ou não. 

    Apesar do caos e dos problemas, Deus é soberano, apesar das dores e da morte, Deus veio para nos dar vida. Podemos estar no deserto por vontade do Pai ou quem sabe por fruto de nossa inclinação malévola, mas independente da situação, não estamos sozinhos, o Soberano está conosco.

    E quanto à letra que mencionei no começo do texto, que inclusive muitos achavam que estava escrito na Bíblia. Algo parecido à frase desta música se encontra no Alcorão, 6ª Surata versículo 59:

    “Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registrado no livro lúcido”.

    BIBLIOGRAFIA

     GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Editora Vida Nova, 2010.

    MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.

    CHAMPLIN, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. São Paulo, Hagnos, 2011.

     WARREN, Rick. Uma Vida com Propósitos. São Paulo: Editora Vida, 2002.

    BÍBLIA SAGRADA – Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, São Paulo, 2008.

    BÍBLIA SAGRADA – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; São Paulo; 2000.

  • CAFÉ MORNO

    Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de um bom café quente, considero esta bebida uma das mais revigorantes e levantar cedo sem um cafezinho, é não ter uma manhã completa. Mas o que falar do café morno? Talvez seja um dos piores líquidos, não é verdade?

    É engraçado como a mesma bebida em uma temperatura diferente fica ruim, mas o que falar das pessoas mornas? Você conhece alguém morno?

    Morno é aquela pessoa que faz as coisas para ser mediano, que não se dedica e acha que não precisa mais aprender, pois já sabe tudo. Ou aquele cara pessimista, que acha que nada vai dar certo, pode ser também aquele cara egoísta que só pensa em suas próprias coisas. Mario Sergio Cortella, em um vídeo chamado: “Se você não existisse que falta faria”, fala uma frase muito profunda que sintetiza bem o tema:

    “A melhor maneira de não fazer nada é acreditar que nada pode ser feito”.

    Esta frase explica bem como uma pessoa morna pensa. Mas Apocalipse 3:15-16, também fala de pessoas mornas:

    “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
    Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.

    Esta conhecida passagem se encontra nas cartas as sete igrejas da Ásia, esta é a última igreja a de Laodiceia. Que é uma cidade situada perto do rio Lico e a sua posição é um local estratégico, rota de três grandes estradas imperiais. O que colaborou para desenvolver na cidade um próspero centro comercial e administrativo.

    Três fatores lançam luz ao entendimento desta passagem Bíblica:

    1 – Nesta cidade existia um centro bancário.

    2 – Era um local de produção de tapetes, tecidos e lã.

    3 – E tinha uma escola de medicina, onde inclusive era produzido um excelente colírio.

    Mas esta igreja tinha um problema, confiava muito em suas riquezas e achava que só a benção material já bastava para as suas vidas (v. 17). Conheço algumas pessoas que analisam o sucesso de alguém por sua vida prospera. A riqueza, para alguns, é o resultado de ser competente e bem sucedido. Este pensamento é comum em quem não é cristão e agora tem sido cada vez mais normal para quem é cristão. Mas o texto continua dizendo:

     “não sabes, porém, que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu(Apocalipse 3:17) (Bíblia de Jerusalém).

    Quem confia no dinheiro é morno, infeliz, confia em sua própria força e capacidade. O dinheiro e as riquezas nos transformam em avarentos, nos deixam alheios a tudo, com um único propósito de servir a nós mesmos. Não estou pregando a pobreza, apenas alertando para o fato que o mesmo dinheiro que nos ajuda, nos cega, nos faz sermos egoístas e hedonistas. Tal qual exemplo do café morno e quente.

    Felizmente, dinheiro não é tudo, ter carro e casa não é termômetro para ser bem sucedido e se for, estamos enrascados. Pois depender de uma moeda instável e superficial é um problema. Ouvi uma frase quando era novo que nunca mais esqueci:

    “Dinheiro, bens e riquezas, se vão com o tempo. Conhecimento, vivências e experiências não”.

    Eu acredito na moderação, em viver uma vida equilibrada sem querer ter mais do que precisamos. Todos nós temos os nossos sonhos, o problema é saber se ele compensa e qual é o melhor caminho para realizá-lo. Vale a pena pisar em pessoas, perder a paz, viver para o trabalho ou para acumular riquezas? Gosto de um provérbio chinês que diz:

    “Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade”.

    Conheci um empresário que até aos domingos ou feriados ia até a sua empresa. Ele não tinha paz, não aproveitava nada, pisava sempre nas pessoas e achava que o seu propósito de vida era ganhar este vil metal. Enfim, este homem era um café morno, vivia para coisas finitas.

    Cristo nos chama a alicerçar a nossa vida N’ele, construir nossos sonhos e vontades na rocha. Sempre lembrando que as nossas riquezas não estão na terra, nosso capital é incorruptível, estamos aqui de passagem e qualquer coisa que façamos que nos leve a perder este tesouro, é um mau negócio.

     Quando você confia em Deus, cultiva amizades, está sempre partilhando e em comunhão, você pode perder tudo, que não vai perder nada!

  • HIPOCRISIA CRÔNICA

    Estamos em um período onde a insatisfação política é a bola da vez. No Facebook, nas rodas de conversas e em todos os cantos o assunto é sobre o atual governo e todas as roubalheiras que veio a tona este ano.

    Ninguém gosta de ser feito de idiota, muito menos alguém gosta de ser roubado. E enquanto milhões de dólares são descobertos nas mãos de corruptos e ladrões, os impostos sobem e as verbas públicas para as diversas áreas da sociedade são cortadas. É um período de incertezas.

    O curioso nesta conversa toda é que o culpado é apenas o governo, nós como cidadãos, não temos responsabilidade alguma, ao contrário, somos santos e não temos o mínimo de culpa cartório. A começar por nossas vidas, vivemos tentando ganhar vantagens em tudo, seja no troco errado que não devolvemos, na compra de filmes piratas ou nos downloads de músicas e livros na internet. E o pior é que algumas destas práticas são feitas como se não fossem erradas, como se não fossem ilegais.

    Certo dia alguém me perguntou se é errado fazer downloads, a minha resposta quase virou um debate quando eu disse que a prática era incorreta. Afinal, se não é seu, se aquilo que você esta baixando de graça você não pagou, é roubo, simples assim. Se o autor não disponibilizou um conteúdo de forma gratuita, você esta roubando.

    Isso sem contar com as pessoas que compram coisas piratas e dão a desculpa que não estão prejudicando alguém pobre, estão tirando grana de quem tem dinheiro. Como se com esta premissa, o erro fosse justificável.

    Roubar é roubar, seja de quem tem ou não tem dinheiro, a questão é caráter, se você tem caráter, você não faz, ou tenta não fazer.  Não estou aqui para acusar alguém e sim mostrar como olhamos mais para outras pessoas e se esquecemos de tirar as traves de nossos olhos, como se fôssemos santos e perfeitos. Exigimos algo que não somos e seguimos vivendo uma vida hipócrita, Provérbios 29:27 diz:

     Os justos detestam os desonestos, já os ímpios detestam os íntegros.

    Estes dias eu estava vendo um vídeo de um corredor espanhol chamado Ivan Fernandes Anaya, que no final de uma corrida de Cross country, na Espanha, onde ele era o segundo lugar, deu uma lição de honestidade que pode servir de exemplo para muitos de nós brasileiros. No final da corrida o corredor Abel Mutai, que estava em primeiro lugar, achou que já tinha cruzado a linha de chegada e diminuiu o ritmo para comemorar. Ivan podia ter passado pelo corredor distraído e vencido a prova, mas achou mais justo e honesto avisar aquele adversário do seu engano, empurrando e indicando a ele que a linha da chegada estava à sua frente. Este corredor honesto tirou o segundo lugar naquela corrida, mas venceu na prova mais difícil de nossas vidas, a prova de honestidade. Em um vídeo onde Ivan fala de honestidade, ele diz uma frase interessante:

    “Estão em nossos valores fazer a honestidade aparecer ou não. E depende muito da educação que recebemos quando somos jovens”.

     E a reflexão que faço é: que exemplo estamos deixando para a próxima geração de brasileiros? Qual é o valor que estamos passando para nossos amigos, filhos ou conhecidos?

    O povo brasileiro é conhecido por ser o povo do “jeitinho”, será que estamos nos esforçando para ser conhecidos para sermos um povo da honestidade?

    A construção de uma sociedade justa começa com a sociedade sendo honesta e não só os políticos. É não aceitar as injustiças quer tenhamos parte na situação ou não. Não deveria ser notícia de jornal, pessoas devolvendo dinheiro, mas infelizmente é, afinal, estas atitudes nos deixam impressionados por não termos o costume de praticar.

    Quando praticarmos o bem e nos acostumarmos em fazer o que é certo, todo o resto vira consequência e assim, podemos dormir em paz, com a certeza que a próxima geração terá valores e conceitos sólidos para seguir, ou ao menos bons exemplos para imitar.

  • MAIORIDADE PENAL

    A velha e conhecida discussão esta de volta e para quem tem um Facebook (meus pêsames) já sabe, que de tempos em tempos, surge um assunto para dividir a opinião da galera. O tema desta vez é: a lei de maioridade penal.

    De um lado do ringue, algumas pessoas defendem a teoria de que a lei de maioridade penal, não soluciona o problema da criminalidade. Afinal, segundo eles, na cadeia além do condenado sofrer, sairá mais revoltado e sabendo muito mais técnicas para praticar seus delitos. Como se na rua, periferia ou na favela, já não tivesse professor suficiente para ensinar todas estas “matérias” do crime, ou como se só na cadeia tivesse bandido.

    Do outro lado do ringue, outras pessoas defendem a ideia de que o criminoso tem que pagar por seus erros. E se ele sabe muito bem como matar e roubar, já pode pagar por seus delitos. Sinceramente, esta discussão é um tanto quanto incoerente. Afinal, se pararmos para pensar, na verdade são dois problemas distintos.

    Primeiro, realmente as cadeias brasileiras não corrigem mais as pessoas, ao contrário, elas punem, castigam, torturam, mas corrigir não, seja a idade que ela tenha. E ao invés de reabilitar o ser humano, formam revoltados ou indivíduos indignados com a vida, que quando saem destes locais, não tem o mínimo de chance de arranjar um emprego ou obter o seu sustento de forma justa para começar a sua vida honesta. E muitos, por falta de oportunidades, voltam para a sua velha vida.  Sem contar que, se todos merecem uma segunda chance e eu acredito que sim, temos que oferecer esta chance, e é por este motivo que sem ensinar uma profissão e oferecer ao menos algum encaminhamento para um trabalho, sua reabilitação não ocorrerá. Tal qual nos Estados Unidos, onde existe um programa de apoio que oferece trabalho e oportunidade para os recém saídos da cadeia.

    Segundo, a impunidade. É justo que um criminoso não pague por seus erros? É correto soltar alguém que comete um crime baseado na premissa que ele é uma criança ou um adolescente e por este motivo não deve pagar por seus delitos?

    Para toda ação há uma reação, para todos os nossos atos, temos algumas consequências, é a lei da vida, e sim ele deve pagar por seus delitos.

    Mas este assunto não é tão simples assim, estas duas questões devem ser discutidas, tendo em mente que o problema só será solucionado a longo prazo. E a solução não é só diminuir a idade penal, mas também fazer uma grande reforma no sistema prisional, investindo em educação, e compreendendo que cada indivíduo é um ser humano ímpar, ou seja, com os seus problemas e dificuldades diferentes uns dos outros.

  • MILITANTES

    Houve um tempo que chamar alguém de militante era algo bonito e glorioso, mas hoje, militante é um termo pejorativo, indicando alguém bitolado que não enxerga a verdade e não sabe dialogar.

    Fico horrorizado com tantas discussões que ando lendo, tudo em nome de seus partidos políticos, tudo feito para defender seus pontos de vista. Isso sem contar com as discussões teológicas que beiram a guerras santas, calvinistas crucificando arminianos, alguns cristãos chamando outros de hereges. É tudo muito deprimente.

    Aí você pergunta se eu sou contra a discussão, minha resposta sempre é: “De maneira alguma”. Uma boa conversa, um bom debate, reforça o que acreditamos ou nos mostra outro ponto de vista mais coerente, mas tudo isso vai depender da intenção do debate e do posicionamento que ambas as partes vão ter. Em 2Timóteo 2:14-15 diz:

    “Lembra-lhes estas coisas e conjura-os, por Deus, a evitarem discussões de palavras, que só servem para a perdição dos ouvintes”.

    Sucedido ao hino confessional dos versículos 11 ao 13, este versículo é um aviso quanto as discussões vãs. Quando Paulo fala: “lembram-lhes estas coisas”, ele está se referindo à boa doutrina que Paulo tratou com Timóteo, mandando este colaborador ficar de olho nas pessoas que fazem os ouvintes desviar os olhos de Deus, por conta de discussões que trazem contendas. Mas ele continua o seu conselho no versículo 15:

    “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.

    Neste versículo a Bíblia aponta para a importância de se conhecer a palavra deixando claro também que o seu testemunho de vida, seu trabalho feito de modo correto e seu conhecimento já é uma grande arma para combater os falatórios destes falsos mestres. A palavra aprovado, no grego dokimos, é uma palavra usada para indicar que o metal das moedas da época era genuíno. Também significa aprovado pelos testes ou provações.

     Resumindo, todo aquele aprovado por Deus, que se mostra pronto e zeloso para com a mensagem de Cristo, nunca será relaxado quanto ao ensino, à pregação e ao estudo da palavra da verdade.

    Aprendi ao longo de minha vida que sem imparcialidade, não conseguimos adquirir conhecimento. Se não tentarmos olhar para os diversos assuntos com olhar neutro, para assim adquirir intimidade com o assunto, nunca seremos relevantes. Olavo de Carvalho tem uma frase genial que eu tirei do livro O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota:

    O idiota presunçoso, […] forma opinião de maneira imediata e espontânea, com base numa quantidade ínfima ou nula de conhecimento. E se apega a seu julgamento com a tenacidade de quem defende um tesouro maior que a vida” (CARVALHO, 2013, p. 453).

    Um dia na faculdade, fui abordado por uma amiga com a pergunta: Porque quando o professor esta ensinando algo que você é contra, você fica quieto, em vez de argumentar e discordar do professor?

    Eu falei que a resposta era simples, visto que, eu estava na faculdade para aprender e entender todos os pontos de vistas. Quando eu fico quieto, não é porque estou concordando com ele, mas tentando entender a sua forma de pensar. Assim aprendo mais ou quem sabe descubro se estou certo ou talvez errado em minha forma de ver.

    Conheço gente que se mete em debates todos os dias nestes Facebooks da vida, se preocupando apenas em ganhar as discussões, sem pensar em aprender, analisar e entender os outros argumentos. Quando você se preocupa apenas em ganhar uma discussão, corre o risco de não aprender, de não adquirir conhecimento com o outro lado da argumentação. Isso sem contar que reconhecer que o nosso ponto de vista está errado é um sinal de maturidade e inteligência, o que muitas das vezes não vemos nestas batalhas de ego. Provérbios 18:6 diz:

    “As palavras do tolo provocam briga, e a sua conversa atrai açoites”.

    Quando a intenção do coração é provar alguma superioridade, todo o seu debate perde o sentido. Quando não ligamos para a opinião do próximo, colocamos está pessoa como inferior, indigna de ser ouvida. Em um debate a busca pela verdade deve ser o ponto principal, respeitar opiniões é ser maduro. Acho genial uma frase atribuída a Nietzsche, que eu li outro dia:

     “O maior inimigo da verdade, não é a mentira e sim, a convicção”.

    É sempre bom revermos nossos conceitos, reler, repensar, trilhar outros caminhos e olhar para a vida com os olhos de um aprendiz. Afinal, quem quer aprender, tem que se calar e ouvir.  

    Mas o texto (2 Timóteo 2) continua. Após Paulo avisar Timóteo sobre dois falsos mestres e dar mais alguns conselhos sobre a prática do pecado. O versículo 24 ao 26 exorta Timóteo a não brigar e tratar quem é contra suas ideias com educação, sendo alguém bom e respeitoso. Pois pode ser que Deus dê a esta pessoa incrédula a oportunidade de conhecer a verdade.

    Há muitos anos atrás um amigo meu disse para eu tomar cuidado em não acabar vencendo uma discussão e terminar perdendo uma pessoa. Ganhar debates não é tudo, fazer amigos, falar da palavra da cruz ou apenas adquirir conhecimento é muito mais importante e para isso, o respeito deve ser cultivado.

    BIBLIOGRAFIA

    Bíblia Sagrada – Bíblia de estudo de Genebra, editora Cultura Cristã, São Paulo,1998.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2000 ; São Paulo; SP.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém, São Paulo: Editora Paulus, 2013.

    BRUCE, FF. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.

    CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo a Versículo São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

    CARSON, D.A. Comentário Bíblico Vida Nova. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    CARVALHO, Olavo. O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser um Idiota. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.

  • EIS QUE ESTOU CONTIGO!

    Alguns dias atrás acordei as 4:20h da madrugada de uma forma bem brusca, com um versículo na cabeça, sendo ele o Salmo 119:11: 

    “Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.

    Achei um tanto curioso, pois não tenho lido Salmos ultimamente, acabei por ir ler o texto inteiro para matar minha curiosidade, constatando que este Salmo é realmente interessante.

    Primeiro, porque ele é um dos maiores Salmos e é escrito em forma de um poema acróstico, com as 22 estrofes, começando com as letras do alfabeto hebraico. Uma obra digna de um grande poeta.

    Segundo, porque o conteúdo deste Salmo fala bastante de lei, mas não coloca estas obrigações como um fardo e sim, como um meio de contato com o criador. Diferentemente do que lemos no Novo Testamento, quando Cristo repreendia os fariseus e doutores da lei, por jogarem fardos pesados nas costas de seus discípulos (Mateus 23:4). Parece que o salmista entendeu o propósito da lei, coisa que muitos judeus na época de Jesus não haviam entendido.

    Terceiro, porque este Salmo não se refere apenas à lei, mas também as promessas de Deus, as mesmas dadas a Abraão e Moisés. Pois algumas palavras em hebraico têm como raiz verbos ligados a fala, dando a entender que o salmista estava se referindo a promessas que o próprio Deus falou a eles.

    O que me faz refletir sobre qual seria a palavra ou a promessa dada por Deus, que me faz não pecar contra ele, que me aproxima mais dele e me faz persistir e seguir confiando nele. Pensei muito sobre isso e lembrei que tenho um versículo que carrego comigo, é uma promessa que levo em meu coração e tentarei levar até o dia de minha morte, esta lá em Mateus 28:20:

    “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.


    Nesta passagem, Cristo já havia ressuscitado e estava passando todas as informações para os apóstolos do que chamamos de A Grande Comissão. Mas imaginem só, aqueles homens que haviam andado três anos com Jesus, tinham visto seu poder e haviam sido salvos de muitos problemas, naquele momento em diante, depois que Cristo subisse,  iriam ficar sozinhos, pregando e proclamando a palavra, sem ter Jesus a sua disposição como tinham antes, eles teriam que dar a cara a tapa. Mas Cristo estava avisando os apóstolos que ele estaria com eles. 

    Quantas vezes passamos por algo semelhante quando temos que enfrentar problemas sozinhos ou trabalhar no reino e ser alvo de preconceito e dificuldades? Quantas vezes nos sentimos desamparados, ou incapazes de fazer algo?

    Mas esta passagem, que se encontra no fim do evangelho de Mateus, precisa estar gravada em nosso coração e ser um escudo durante os problemas.

    Você esta passando por batalhas? (Eis que estou contigo!) 

    Sua cruz tem sido pesada de carregar? (Eis que estou contigo!).

    Você esta no fim da linha, sem esperança? (Eis que estou contigo!).

    Deus não nos abandona, assim como não abandonou os apóstolos. Podemos passar por dificuldades, lutas, mas ele esta conosco nos amparando e nos guiando, por isso, não desista, não desanime e lembre-se sempre desta palavra:

    EIS QUE ESTOU CONTIGO!