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  • PASTORAS

     Há uns dias, li uma charge de um amigo afirmando que não conseguia achar base Bíblica para que uma mulher fosse pastora. Devido a isso, resolvi escrever este texto, por ter uma grande admiração por inúmeras pastoras que eu conheço e que batalham neste ministério, que por sinal é um dos mais difíceis, além é claro de considerar esta afirmação um tanto quanto complicada. Quero começar conceituando o que significa ser pastor.

    No hebraico o termo é raah e no grego poimén, o conceito literal significa: quem cuida de ovelhas. A primeira vez que aparece é em Gênesis 4:2, onde o texto descreve a ocupação de Abel. Com base no conceito original, que pastor era aquele que alimentava, protegia e cuidava do rebanho, surgiu o conceito de Deus ser o pastor de Israel, conforme Gênesis 48:15, presente também no salmo 23, onde Davi chama o Senhor de pastor.

    Este conceito também descreve muitos líderes no Antigo Testamento como pastor (Números 27:17, 1Reis 22:17). Jesus Cristo também se intitulou como o bom pastor, que dá a vida pelas ovelhas (João 10:11).

    A pergunta que fica é: Porque durante o ministério de Cristo, parece que só os homens eram pastores ou apóstolos? Só homens eram inteligentes o bastante para serem pastores? As mulheres não eram capazes de exercer o ministério?

    A resposta é um tanto quanto óbvia. No período de Jesus, a sociedade era machista, a mulher não tinha muito valor e por  este motivo, Cristo teve que usar a melhor estratégia possível para propagar o evangelho, que era usar homens. Afinal, em uma sinagoga judaica, era considerado como uma grande desgraça uma mulher participar da adoração a Deus, falando ou orando. No judaísmo era proibido a mulher estudar a lei de Moisés, sem contar que a grande maioria delas eram analfabetas. E o lugar delas era tão inferior, que alguns rabinos consideravam a mulher como um ser que não tinha alma.

    Mas isso não significava que Jesus considerava o papel destas mulheres como inferior. Primeiro porque Cristo foi sustentado por algumas mulheres (Lucas 8:1-3). Segundo, o modo com que ele as tratava mostrava o quanto ele as considerava pessoas dignas, isso sem contar que elas foram as primeiras a confirmar que Cristo tinha ressuscitado (Marcos 16:1-6, João 20:11-18).

    Mas apesar de todo este preconceito cultural, em 1Coríntios 16:19, Paulo saúda Priscila e Áquila e a ordem dos nomes leva alguns estudiosos afirmarem que quem tinha a posição de destaque no ministério era Priscila, já que não só neste texto mas também em Atos 18:18 e Romanos 16:3 o seu nome aparece por primeiro. Mas independente de quem era mais ativo ou não, encontramos este casal como responsáveis (ou Pastores) de uma congregação como o próprio texto afirma. Eles aparecem também como Discipuladores (Atos 18:26) e acompanhando Paulo em uma viagem (Atos 18:18). E apesar destes exemplos e da Bíblia citar outras mulheres que trabalhavam na obra como a Febe (Romanos 16:1) Evódia e Síntique que eram ajudantes no ministério de Paulo, a Bíblia não menciona pastoras. A Bíblia cita grandes homens e algumas poucas mulheres que aparecem aqui e acolá no novo e no Velho Testamento, por conta da cultura da época, como mencionei no começo do texto, mas ela não titula pastoras.

    Porém, reconheço que o assunto é polêmico e que muitos teólogos e pastores não concordarão em ver mulheres ordenadas no ministério, e um dos textos que eles vão usar é 1Timóteo 2:11-12 e 1Coríntios 14:34-35, que manda as mulheres ficarem caladas, aprendendo em silêncio e por aí vai. Como explicar estes textos? Alguns vão afirmar que o texto fala de mulheres que tagarelavam sem parar no culto, outros discordarão disso e colocarão inúmeras justificativas para validar a sua forma de pensar, é por isso que prefiro terminar pelo viés de Gálatas 3:28:

    Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”.

    Somos todos um, com somente uma mensagem, apenas um propósito e exercendo somente uma função:

     “Anunciar o evangelho da graça e ser luz aqui na terra” (Atos 2:17).

    E independente de você ter um cargo de pastor ou não, nós somos sacerdotes (1Pedro 2:9), fomos chamados para anunciar a palavra e ser luz. E este sacerdócio é mais do que uma obrigação, é um privilégio concedido por Deus. E apesar de termos um pastor em nossa igreja no qual respeitamos como servo e líder, isso não nos impede de pastorearmos e cuidarmos uns dos outros, independente se somos mulheres ou homens ou se temos ou não o rótulo de pastor. Ser pastor é muito mais do que ter um título, ser pastor é muito mais do que ter um cargo de destaque, é ser um cuidador de vidas, um auxiliador e isso todos nós devemos ser. 

    E se pastoreássemos uns aos outros, cuidássemos, ensinássemos e nos preocupássemos como deveríamos quem sabe a igreja não estaria tão hedonista como ela está!

    BIBLIOGRAFIA

     Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo 2005.

    BRUCE, FF. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida nova, 2008.

    CARSON. DA. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIN, R.N; Novo Testamento interpretado versículo à versículo; 5 edição; São Paulo; Editora Hagnos; 2001.

    CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO – SP HAGNOS. 2011.

  • OSTENTAÇÃO

    Se eu pudesse dar um nome a nossa geração, nomearia como:

    “Geração Ostentação”.

    É Visível a grande necessidade que muitos têm em ostentar, mostrar que tem bens, ou que é superior aos outros.

    A começar pelos carros, ninguém mais compra um carro pela sua funcionalidade e sim pelo status que proporciona, o mesmo vale para casas, roupas e equipamentos eletrônicos, como iphones e coisas do tipo.

    Uma pesquisa em um site de economia diz que o brasileiro é o que mais compra carros de luxo. Em contrapartida, um outro site de economia divulga que o brasileiro vive endividado, ele trabalha para pagar contas e juros de cartão. E não é de se admirar, já que é comum passarmos por casas caindo aos pedaços, com carros novos na garagem, isso é normal no Brasil. No afã de mostrar que tem dinheiro, deixam para trás necessidades básicas a fim de manter um padrão que não corresponde ao seu ganho mensal.

    Mas viver uma vida de ostentação tem o seu ônus, comprometer quase todo o salário em nome de manter um padrão de vida mentiroso tem as suas grandes armadilhas.

    A primeira delas é a preocupação e o fato que muitas vezes o cidadão vai ter que trabalhar dobrado para pagar aquele bem. Conheço pessoas que comprometem o salário todo para pagar um carro. E para sobrar grana para as demais necessidades, eles fazem horas extras, vendem diversos produtos, vivem preocupados com dinheiro, fazendo de tudo para conseguir mais verdinhas, em vez de tentar adequar o valor do carro, com o seu ganho mensal.

    A segunda grande armadilha que a falta de planejamento financeiro traz é que, qualquer oscilação no orçamento: doença, acidente, desemprego etc., transforma a vida deste gastador em um caos, o castelo de cartas desaba, sua vida perde a paz, se é que tinha alguma.

    Eu sempre digo que temos que aprender a nos adaptar as várias circunstâncias e oscilações da vida, é por isso que controlar os gastos é fundamental para que isso aconteça. Afinal, uma hora você pode estar bem, outra não, o dinheiro é assim, algo inseguro e sem certezas, e vive bem que se adapta melhor. Paulo já falou em Filipenses 4:12:

    “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade”.

    Desde novo, aprendi a viver uma vida moderada e simples, sem exageros, tomando cuidado para não dar um passo maior que a perna. Nunca admiti perder o meu sono por falta de dinheiro ou preocupações financeiras é por isso que cuido muito desta área da minha vida. Richard Foster no livro: Celebração da Disciplina, oferece dez dicas de como cultivar uma vida de simplicidade. Sempre lembrando que ser simples, não é ser pobre ou andar como um mendigo, e sim, cultivar uma vida moderada e centrada, abordarei os dez tópicos de uma forma sintetizada.

    1 – Compre coisas pela utilidade que tem e não pelo status que confere.

    2 – Rejeite qualquer coisa que crie em você alguma dependência, aprenda a distinguir entre uma necessidade psicológica real, como um ambiente agradável, e um vício.

    3 – Desenvolva o hábito de dar coisas. Se descobrir que está apegando a algum bem, pense na possibilidade de doá-lo e qualquer que precise dele.

    4 – Recuse a propaganda feita pelos guardiões da moderna quinquilharia eletrônica.

    5 – Aprenda a desfrutar das coisas sem possuí-las.

    6 – Desenvolva um apreço profundo pela criação (natureza).

    7 – Examine com ceticismo saudável todas as propostas “compre agora, pague depois”.

    8 – Obedeça as instruções de Jesus sobre falar direta e honestamente: “ Seja o seu sim, sim, e o seu não, Não o que passar disso vem do maligno” (Mateus 5:37).

    9 – Rejeite qualquer coisa que seja instrumento de opressão, não explore outras pessoas, não deixe que sua avidez por riqueza, empobreça outros, seja justo quando pagar uma pessoa.

    10 – Afaste-se de qualquer coisa que o distraia de sua busca pelo Reino de Deus.

    Vivemos em um mundo onde o ter é mais importante. Poucos valorizam o que tem e poucos se satisfazem com o que possui. A ordem do dia é sempre ter a tecnologia mais nova, o modelo mais novo, e com isso vamos caindo em armadilhas que sugam a nossa paz. Acredito que o segredo está na moderação, e é isso que devemos buscar e é isso que estas dez questões tentam trazer.

    Algumas destas propostas podem parecerem difíceis, mas nos ajudam a manter uma vida equilibrada. Afinal, quando o seu interior esta bem, acaba ocasionando uma mudança nas outras áreas pessoais. Quando você não é dominado por algo, você fica livre para buscar o que realmente importa. Millôr Fernandes já nos alertou:

    “O importante é ter sem que o ter te tenha”

  • SOMOS UM CORPO

    Uns dias atrás eu estava indo embora para casa depois de ensaiar com a minha banda, quando me deparo com alguns mendigos dizendo Jesus te ama, para umas crentes que saíam da igreja. A verdade é que eu morri de rir, pois as senhoras passavam sem olhar para aqueles homens, mas depois daquele episódio parei para refletir.

    Não sei o que nos leva a tratarmos o próximo como pessoas diferentes, alguns indivíduos nem tratamos como pessoas. Acostumamos a rotular as coisas, que criamos em nossa mente indivíduos de outra raça, outra estirpe, que não merece a nossa atenção. Pior é que muitas vezes nem achamos que algumas pessoas são iguais a nós. O ser humano é um ser ímpar, onde em muitos momentos parece não se considerar igual a todos, se escondendo atrás de dinheiro, crenças e status.

    O engraçado é que enquanto nos descrevemos como seres ímpares e importantes. A Bíblia nos descreve como pó, um nada, algo minúsculo e quase invisível. Ela fala que viemos do pó, fomos feito de partículas pequenas e insignificantes, mas mesmo diante destas descrições o homem tem o dom de se engrandecer perante todos. Custamos a nos ver como corpo de Cristo e quando assim o fazemos, tentamos apenas cumprir os protocolos que um culto exige e depois de feita a nossa parte, retornamos ao individualismo.

    Paulo em Coríntios (1Coríntios 12:12) nos descreve como corpo, como um só, salientando a importância da união e deixando claro como é impossível vivermos fora deste corpo. Calvino em sua principal obra, As Institutas, dá uma ótima interpretação para este texto de Paulo:

    “Nenhum membro tem a sua função visando a si próprio, nem a aplica para uso privado; pelo contrário, libera-a aos membros associados, não para extrair daí qualquer vantagem, senão a que procede do proveito comum de todo o corpo”.

    A pergunta que faço é: nós somos mesmo um corpo? Estamos tentando trabalhar para que o corpo de Cristo aqui na terra faça diferença?

    Pois quando ouvimos notícias dos crentes morrendo, passando necessidades ou sofrendo em algum lugar, nos sentimos atingidos por estas notícias? Conseguimos entender a profundidade dos pedidos de ajuda e a importância de nos preocuparmos com estes cristãos?

    Recentemente duzentas mulheres nigerianas foram libertadas pelo grupo radical Islâmico Boko Haram, possivelmente todas estão grávidas por terem sofrido estupros diários. A igreja tem se preocupado com estas pessoas? Ela tem orado, chorado ou ajudado estes injustiçados?

    E sobre a corrupção no Brasil, a igreja tem se levantado contra este mal sistêmico? Ela tem tentado usar a sua influência para combater esta prática? Mas farei uma pergunta mais simples: você se preocupa com os necessitados de sua igreja, bairro ou comunidade? Você tem se preocupado com os moradores de áreas de risco, com os pobres e doentes?

    Antônio Ermírio de Moraes disse em uma entrevista para o programa provocações, que toda a vez que vê uma pessoa dormindo debaixo da ponte ele se sente responsável. Pois quem tem condições deve se preocupar com quem não tem, somos responsáveis por fazer alguma coisa para que o nosso país mude.

     Estamos tendo a mentalidade como a deste empresário? Ou estamos nos fechando em nossas igrejas, sem nos lembrar que se preocupar com os necessitados também é a nossa tarefa (Tiago 2:14-17, Mateus 25:35-40).

    A igreja por séculos catalogou alguns pecados capitais, mas deu pouca importância ao individualismo. O cristão atual não pensa mais como parte de um corpo, ele tem pensado como únicos, individualistas e hedonistas, se importando mais com a placa da igreja ou com as suas necessidades, que com pessoas. E não confunda individualista com individual:

    Individual: Que se refere a indivíduo ou a indivíduos.

    Individualista: Posição de espírito oposta à solidariedade, a capacidade de poder existir separadamente.

    Fico pensando o quanto a igreja poderia fazer se fosse mais unida, olhando o necessitado ou a pessoa diferente sem preconceitos ou reservas. Já é tempo de refletirmos e pensarmos que futuro buscamos para a igreja contemporânea, se realmente queremos fazer diferença ou não e sem união, isso não acontece.

    Pedimos perdão por tantos pecados, mas esquecemos do pecado do individualismo, somos um corpo com Cristo como cabeça, já passou da hora de nos unirmos para fazermos diferença. Ai você me diz:

    Cara, o discurso é até bonito mas é muito utópico, afinal, é impossível atender a tantos necessitados, é impossível fazer diferença ante tanto caos, mas uma das respostas que dou é:

    Quem esta falando em resultados?

     Não fomos chamados para dar resultados ou somar uma quantidade de almas alcançadas, muito menos chamados para somar indivíduos ajudados, fomos chamados para fazer, para pregar e servir. A outra resposta que dou não é nada original, peguei da Madre Teresa de Calcutá, quando foi indagada com uma pergunta semelhante.

     “O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”.

    BIBLIOGRAFIA

    CARSON. DA. Comentário Bíblico Vida Nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012.

    CHAMPLIN, R.N; Novo Testamento interpretado versículo à versículo; 5 edição; São Paulo; Editora Hagnos; 2001.

    CALVINO, João, As Institutas, Tratado da Religião Cristã, Editora Cultura Cristã, São Paulo.

    BRUCE, FF, Comentário Bíblico NVI, Editora Vida nova, São Paulo, 2008.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, São Paulo, 2008.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; São Paulo; 2000.

     

    Dicionário. (2009). Michaelis. Acesso em 05 de 06 de 2015, disponível em Michaelis: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=individual.

    Dicionário. (2009). Michaelis. Acesso em 05 de 06 de 2015, disponível em Michaelis: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=individualismo.

     

     

  • O SOFRIMENTO

    Na vida temos poucas certezas. Uma delas é que não passaremos por essa vida sem problemas. E com eles vem o sofrimento. Se conseguirmos entender um pouco mais sobre o sofrimento conseguiremos administrar melhor nossas dificuldades.

    Temos a tendência de procurar os responsáveis por nosso sofrimento, tentando nos livrar do problema. Qual é, porém, a sua verdadeira origem? Não podemos elaborar verdades simplórias sobre questões como essa, pois a vida é complexa, dinâmica, e cheia de alternativas. A tendência humana é responsabilizar o destino, o acaso ou até Deus pelo nosso sofrimento. Mas geralmente a origem dos nossos sofrimentos é o próprio ser humano. O ser humano gerencia o planeta, desenvolve sistemas para cada vez mais ter o controle absoluto de tudo. E são geralmente as consequências dos atos do homem que causam sofrimento.

    Culpamos a Deus por boa parte do sofrimento. Mas de quem é a culpa pela fome no mundo ? Quem é responsável pela distribuição das riquezas que temos em nosso país ? Por um acaso é Deus quem puxa o gatilho de uma arma que deixa crianças órfãs ?

    O exemplo mais claro dessa verdade é a situação caótica na qual o meio ambiente se encontra. A natureza não é um ser vivo que se vinga das agressões. É como num jogo de tênis, onde a natureza simplesmente nos devolve a bola que jogamos a ela. Ou seja. Estamos colhendo os frutos de nossos atos. Tomamos atitudes e elas nos trarão sofrimento. Esses são apenas os pequenos exemplos de que nós somos os maiores causadores de problemas. Podemos então dizer que o sofrimento é uma herança de nossa maldade.

    Há, porém, aquelas situações nas quais a própria vida nos inflige muito sofrimento sem que tenhamos contribuído para isso. Nessas situações nos sentimos muito injustiçados, e não sabemos como lidar com isso. É o momento que devemos lembrar que o maior problema do sofrimento, não é ele em si, mas sim a forma que lidamos com ele.

    A primeira coisa a fazer é aproveitar a situação para crescermos como pessoa. É em meio as dificuldades que amadurecemos. O ouro é purificado pelo fogo. É com os ventos fortes que as árvores criam resistência nas raízes. Se uma árvore nunca fosse submetida a ventos, qualquer brisa a derrubaria. Assim também é conosco. É isso que temos que ter em mente quando passamos por dificuldades. Uma vez que temos essa consciência, tudo se torna mais fácil. Não digo que devemos gostar do sofrimento, mas aceita-lo como parte da vida, e uma oportunidade para aprender. A vida é uma eterna escola. Estaremos aprendendo até o ultimo dia de nossa vida. Da própria morte estaremos aprendendo, pois nunca passamos por ela. Deus não é Zeus que está sentado nas nuvens, nos açoitando com problemas em forma de raios. Muito pelo contrário Ele nos carrega, nos dá suporte, sem que muitas vezes nos darmos conta disso. Ele não é uma fábrica de sofrimento, mas sim uma fonte de descanso.

    Bruno Wedel: Bacharel em Teologia no Seminário Teológico Betânia de Curitiba, pós-graduado em Teologia e Cultura pela Faculdade Wpós.

  • GÊNIO DA LÂMPADA

    Dê uma oferta de fé e será abençoado, foi o que eu ouvi na primeira vez que vi um tele pregador. Rapidamente procurei uma base Bíblica para aquela afirmação e confesso estar procurando até hoje, pois afinal, não tem.

    Não entendo como alguns cristãos conseguem ver Deus como um gênio da lâmpada, pronto para realizar todos os seus desejos. Ou um garçom, onde você faz os seus pedidos e aguarda ser servido na mesa.

    É até bonito ouvir que somos filhos do rei e temos que comer o melhor desta terra, como alguns pastores falam, mas vida cristã não é assim e o texto bíblico (Isaías 1:19) está sendo usado de modo descontextualizado. O Salmo 23:1, que é muito conhecido e muito usado por estes pastores diz:

     O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.

    Ou como a versão da Bíblia A mensagem coloca:

    Ó eterno, meu pastor!

    Não preciso de nada.

    Este versículo, atribuído bastante a teologia da prosperidade, é muitas vezes incompreendido, o que o texto afirma é que o senhor é o meu pastor e isso basta, não preciso de mais nada além d’Ele. Deus é o nosso complemento, Ele é o que nos sacia. Ao contrário do que a teologia da prosperidade prega. Mas o texto continua a nos ensinar.

     Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

    Quem tem contato com ovelhas sabe o quanto estes animaizinhos são difíceis, e é quase impossível eles sossegarem ao menos que algumas coisas estejam alinhadas.

    Primeiro, porque a ovelha é um bicho esfomeado, come até a raiz do capim, é por isso que os pastores são nômades. Pois estes animaizinhos não descansam se não estiverem bem alimentados.

    Segundo, as ovelhas são muito tímidas e ariscas, não descansam e nem sossegam se não se sentirem tranquilas e sem perigos. Qualquer infortúnio, animais rondando, parasitas, insetos, barulho já tiram a tranquilidade destes seres. Mas a presença do pastor no meio do rebanho traz sossego, nada acalma mais as ovelhas que do seu protetor.

    O versículo dois do salmo 23 não é um chamado a prosperidade e vida boa, é um apelo a presença de Cristo em nossas vidas. Enfrentaremos perigos, passamos por perseguições e dificuldades, Cristo nos avisou disto (João 16:33), mas Deus, em meio ao caos, nos conduz a pastos verdes e tranquilos.

    Muitos têm um conceito errado de vida cristã, ter Deus não é ter as coisas, ser próspero não é ter dinheiro, mas a presença tranquilizadora de Deus nos confortando. É confiar e acreditar em suas provisões. Costumo dizer: se o próprio Deus desceu e passou inúmeras dificuldades, por que acreditamos ser melhor do que Ele, não aceitando os períodos difíceis de nossa vida?

    Acredito que pensar como os pastores da prosperidade insistem em pensar, é muito mais do que acreditar que ser Cristão é ser abençoado financeiramente, e é muito mais do que pensar que a Bíblia ensina que devemos ser prósperos. E sim, é ter um estilo de vida focado no dinheiro, é se motivar nas coisas finitas. Há muitos anos li algo em Mateus 12:34 que nunca mais esqueci, uma frase conhecida e verdadeira:

    “A boca fala do que o coração esta cheio”.

    Mais uma vez deixo claro, não estou pregando a pobreza e sim mostrando como a Bíblia não enfatiza a riqueza. Não estou falando que você não deve correr atrás dos seus sonhos e sim, esclarecendo como a ênfase da Bíblia não é financeira. Experimente colocar Deus na frente de tudo e praticar o que Mateus 6:33 diz:

    “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.


    Busque primeiro o reino de Deus, e o resto, bem…. O resto é resto, Ele provê.

    BIBLIOGRAFIA

     Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo 2005.

    PETERSON, Eugene H, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2012.

    KELLER, Phillip, Nada me Faltará, Editora Betânia, Minas Gerais, 1984.

  • A DITADURA DO PALCO

    Em nenhum outro momento de sua história, o homem avançou tanto em suas conquistas no conhecimento. Nunca o ser humano experimentou uma evolução tão grande como hoje. Em contra partida, nunca esteve tão longe de si mesmo quanto agora.

    À medida que desvendamos mistérios da ciência, trocamos nossa humanidade por tecnologia. Estamos nos tornando máquinas programadas a agir de forma pré determinada.

    Vivemos como artistas num palco, simplesmente representando um papel, o qual nem sempre entendemos. A sociedade nos impõe padrões, ideais de vida, ambições, as quais aceitamos passivamente e sem pensar. Na realidade não pensamos mais.

    Todo palco necessita de um cenário. Assim também é conosco. Esquecemos, porém, que todo cenário é um grande faz de conta, uma mentira. Pura aparência. É nessa aparência que achamos que somos felizes. Buscamos aparência ao invés de procurar nossa própria alma. Vivemos em função de satisfazer expectativas da platéia. Quando conseguimos, mentimos a nós mesmos imaginando ter alcançado o objetivo. O personagem que geralmente nos é imposto deve preencher alguns requisitos: é alguém bem sucedido, de aparência que a platéia deva aprovar, sem esquecer é óbvio, das roupas de marca. Tudo que represente status e poder é indispensável para a construção do personagem. E assim a vida se esvai no palco da vida. Vivemos um roteiro escrito por estranhos, que somente se preocupam em cumprir o protocolo. Não se importam com pessoas. Não se importam com vida. E como bons atores da vida empenharam em satisfazer o roteirista. Ao final do ato, ouvimos os aplausos e nos sentimos realizados. Ao entrar no camarim, sentamos frente a frente com o espelho, tiramos nossa maquiagem, e sentimos que há algo errado. Vem o diretor, dizendo que tudo foi perfeito. Mais uma vez mentimos a nós mesmos. Vamos dormir, afinal amanhã temos que representar um novo ato.

    Um dia acordei. Ao olhar no espelho do camarim vi um estranho debaixo da maquiagem. O sorriso da máscara transformou-se em lágrimas de angústia. Os aplausos que ainda ouvia ao fundo exaltavam apenas minha cegueira em não ver o impostor que vive em mim. Fitando o espelho, deparei-me com um rosto estranho, mas que de alguma forma parece que já tinha visto. Deu-me saudade do que nunca tive. Desisti de viver uma vida de representação. Quero minha própria vida, buscando o real propósito que o Criador tem para mim. Como é bom sentir o vento na pele, e não na maquiagem. Como é bom viver sem um cenário de faz de conta, usar minhas próprias roupas, e viver com a minha alma. Como é bom poder olhar no espelho e encontrar o meu rosto.

    Mas olho para trás, e vejo que o palco continua montado, outro artista tomou meu lugar, meus antigos companheiros já me esqueceram. Preferem o palco. A platéia aguarda ávida pelo novo palhaço.

    Afinal… O show não pode parar.

    Até quando?

    Bruno Wedel: Bacharel em Teologia no Seminário Teológico Betânia de Curitiba, pós-graduado em Teologia e Cultura pela Faculdade Wpós.

  • TU NÃO ÉS COMO O TENHO IMAGINADO (THOMAS MERTON)

    Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na escuridão e no grande silêncio.

    Lamento todos os meus pecados.

    Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.

    Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, a fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.

    Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre. Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à Tua claridade.

    Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo, estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em Tua paz e Tua glória.

    Tua claridade é minha escuridão. Eu não conheço nada de Ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te conhecer.

    Se eu te imaginar, estarei errado.

    Se Te compreender, estarei enganado.

    Se ficar consciente e certo que Te conheço, serei louco.

    A escuridão me basta.

  • JANELA SUJA: SOBRE JULGAR E AJUDAR

    Havia duas famílias vizinhas que moravam uma de frente para a outra. Todo o dia, o marido de uma das casas, ao voltar do trabalho, encontrava a esposa indignada reparando nas roupas penduradas na área da casa vizinha. Não entendia por que não as lavava adequadamente primeiro, para só depois colocá-las no varal. E dizia isso com impaciência e com a certeza de que a vizinha era descuidada e suja.

    Durante muito tempo se repetiu a cena, o marido chegava do trabalho e ouvia a esposa reclamando da falta de higiene da vizinha com suas roupas.

    Após algum tempo, cansado das reclamações da mulher, o marido acordou cedo, lavou o vidro de sua casa e foi para o trabalho. Ao voltar, percebeu sua esposa no mesmo lugar e assim perguntou: — O que fazes aí, querida? Respondeu ela: — Parece que, de tanto eu falar, a vizinha lavou as roupas direito. O marido a interrompeu dizendo: Não foi ela que lavou as roupas direito, fui eu que acordei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela.

     

     

    Esta história nos ensina algumas grandes verdades, não sei quem foi que escreveu, mas sei que ele tinha uma lição muito grande para nos ensinar, que pode ser resumida em:

     “Sempre nos apressamos em julgar o próximo”.

    É mais fácil julgar do que ajudar, é muito mais cômodo reclamar e resmungar ao invés de oferecer ajuda. E falando em julgamento, gosto da parábola do bom samaritano para explicar os malefícios de julgar em vez de ajudar.

    O texto de Lucas 10:29 diz que, para responder à pergunta de um mestre da lei, que queria saber quem eram as pessoas que ele devia ajudar (Lc. 10:27), Jesus conta uma parábola, a famosa parábola do bom samaritano, que muitos, ou todos, já devem ter lido. Muito se fala sobre esta parábola, se realmente aconteceu ou não, alguns estudiosos consideram esta parábola como um fato, pois a história tem traços reais, como vamos ver, mas isso é pura conjectura, a Bíblia não deixa isso evidente.

    Um homem viajava de Jerusalém até Jericó e foi assaltado, espancado e deixado semimorto. Pelo mesmo caminho descia um sacerdote e um levita, os dois viram o homem caído e não ajudaram. A história nos mostra que os sacerdotes e levitas, quando não estavam de serviço em Jerusalém, viviam em outro local, este é um possível motivo de suas idas e vindas.

    Sabemos também que esta estrada, com cerca de 27 quilômetros, era muito perigosa, cheia de assaltantes e beduínos. Seria arriscado eles pararem, sem contar o perigo que eles corriam de se tornarem impuros por tocar em um morto. Mas o fato é que o texto não apresenta motivo de não terem ajudado aquele homem. E um samaritano que passava pelo lugar auxiliou o homem, colocou remédio nas feridas e o levou a uma hospedaria.

    O exemplo do samaritano na parábola de Jesus era um exemplo muito forte. Afinal, o samaritano naquela época era visto como um pagão, um bárbaro, pois além de ter divergências sobre qual lugar  deveriam adorar a Deus, se era no monte Gerizim, conforme eles afirmavam, ou em Jerusalém, como os judeus afirmavam, também eram menosprezados pela sua mistura racial.

    O que me chama atenção no texto é como aquele samaritano, que era alvo de preconceitos e segregações, ao invés de julgar ou tirar conclusões precipitadas, preferiu ajudar. Ele não olhou torto para aquele moribundo, muito menos virou as costas. Não olhou através de sua janela suja, o samaritano simplesmente ajudou.

    Só quem foi injustiçado um dia entende como é difícil assumir uma culpa que não é sua. Apenas quem foi alvo de preconceitos sabe o quanto isso fere, e aquele ajudador sabia muito bem disso. Com toda a sua história, com todas as suas dificuldades, ele sabia que ajudar aquele moribundo era fundamental.

    Estamos em uma época em que olhamos apenas o problema dos outros, nossa mania de querer “consertar o mundo” nos faz ignorar como precisamos limpar a nossa janela.

    Que possamos enxergar esta parábola como um convite, um chamado a ajudar a todos e ser diferença na vida de quem quer que seja, afinal:

    Julgar é fácil, ajudar que é o desafio!

     

    Bibliografia

    BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida Nova, 2008.

    Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Editora Paulus, 2008.

    Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Ed. Soc. Bíblica do Brasil, 2000.

    CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2011.

    CARSON. D. A. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.

    CHAMPLIN, R.N. Novo Testamento interpretado versículo à versículo. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.

  • MÃO DE FERRO

    Quando eu era bem novo, cantávamos uma conhecida música na igreja que tinha como refrão a frase:

    “Nem as folhas das arvores se movem, se não for pelo seu poder”.

    Éramos ensinados que Deus é soberano e por ele ser soberano, tudo o que acontecia era de sua vontade. Seja o bem ou o mal.

    Calvino defendia esta soberania em todos os seus escritos e chamava esta soberania divina de “providência”, acreditando que tudo estava dentro do controle absoluto de Deus. Nada acontece sem o seu consentimento, inclusive o pecado e o fato do descrente não aceitar o evangelho. Tudo estava dentro do insondável propósito divino.

    Do mesmo modo, outros teólogos afirmam que Deus programou você, como você nasceria, como viveria e onde viveria, Deus nunca fez nada por acaso. Esta firmação é bonita, quando é dita para americanos ricos e com a vida ganha.

    Mas é uma ideia difícil de conceber, quando uma pessoa nasce e vive em uma favela, com esgoto ao céu aberto, balas perdidas e fome. Ou quando crianças nascem em países em guerra e no seu cotidiano, pessoas morrem todos os dias.

    Na minha adolescência, sem nada com que me preocupar, afirmar que tudo o que acontece é determinado por Deus, não me chocava. Até começar a conviver com gente passando por problemas de saúde, doenças graves e inúmeras situações que a vida traz. E foi levado por estas casualidades, que os meus conflitos começaram e eu pensava:

    É da vontade de Deus que as pessoas nasçam na miséria e na pobreza?

    É da vontade de Deus tanto sofrimento?

    É da vontade de Deus, tantas catástrofes?

    Que Deus é este?

    Foi com estas afirmações, que meus conflitos nasceram, enquanto a igreja dia a dia declarava: Deus é soberano!

    Porém, esta afirmação é incompreendida, apesar de forte.

    Quando afirmamos que Deus é soberano, estamos querendo dizer que ele não deve satisfação a ninguém, ele faz o que quer e ninguém pode impedi-lo. A bíblia diz:

    “Agindo eu quem impedira?” (Isaías 53:13).

    Deus faz o que quer e ponto final, mas isso não significa que tudo o que acontece foi ele que determinou. Existem inúmeros fatores que causam este mal:

    O diabo (Efésios 6:11, João 10:10), Nossas escolhas erradas (Romanos 3:10-18), O fruto do pecado (Romanos 7:19).

    Quando afirmamos que tudo o que acontece foi determinado por Deus, fugimos das nossas responsabilidades como seres humano. Nos justificamos falando: “Foi Deus quem quis” ou no mínimo pensamos assim. Mas nem tudo o que acontece ele aprova, Deus permite, mas não aprova. Gosto de uma frase de Agostinho:

    “Se o bem vem de Deus, o mal se origina da ausência do bem e só pode ser atribuído ao homem, por conduzir erroneamente as próprias vontades”.

    A Bíblia diz que um dia prestaremos contas de nossos atos, seremos julgados no tribunal de Deus (Romanos 14:11-12). E se tudo foi determinado por Deus, como seremos julgados por nossos atos? Complicado, não é?

    A Bíblia nunca afirmou que tudo o que acontece foi Deus que determinou, o que a bíblia deixa claro é que não há nada que acontece que Deus não saiba. Nada passa despercebido dos seus olhos, nada sai de seu controle e sim, ele faz o que quer afinal, ele é Deus. Mas a vida é dinâmica, temos que enfrentar nossos problemas, fruto de nossas escolhas, tentações do mal e inúmeras situações que a vida nos apresenta e isso não tem ligação com Deus determinar ou não. 

    Apesar do caos e dos problemas, Deus é soberano, apesar das dores e da morte, Deus veio para nos dar vida. Podemos estar no deserto por vontade do Pai ou quem sabe por fruto de nossa inclinação malévola, mas independente da situação, não estamos sozinhos, o Soberano está conosco.

    E quanto à letra que mencionei no começo do texto, que inclusive muitos achavam que estava escrito na Bíblia. Algo parecido à frase desta música se encontra no Alcorão, 6ª Surata versículo 59:

    “Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registrado no livro lúcido”.

    BIBLIOGRAFIA

     GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Editora Vida Nova, 2010.

    MCDERMOTT, Gerald R. Grandes Teólogos: Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja. São Paulo: Editora Vida Nova, 2013.

    CHAMPLIN, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. São Paulo, Hagnos, 2011.

     WARREN, Rick. Uma Vida com Propósitos. São Paulo: Editora Vida, 2002.

    BÍBLIA SAGRADA – Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, São Paulo, 2008.

    BÍBLIA SAGRADA – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; São Paulo; 2000.

  • CAFÉ MORNO

    Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de um bom café quente, considero esta bebida uma das mais revigorantes e levantar cedo sem um cafezinho, é não ter uma manhã completa. Mas o que falar do café morno? Talvez seja um dos piores líquidos, não é verdade?

    É engraçado como a mesma bebida em uma temperatura diferente fica ruim, mas o que falar das pessoas mornas? Você conhece alguém morno?

    Morno é aquela pessoa que faz as coisas para ser mediano, que não se dedica e acha que não precisa mais aprender, pois já sabe tudo. Ou aquele cara pessimista, que acha que nada vai dar certo, pode ser também aquele cara egoísta que só pensa em suas próprias coisas. Mario Sergio Cortella, em um vídeo chamado: “Se você não existisse que falta faria”, fala uma frase muito profunda que sintetiza bem o tema:

    “A melhor maneira de não fazer nada é acreditar que nada pode ser feito”.

    Esta frase explica bem como uma pessoa morna pensa. Mas Apocalipse 3:15-16, também fala de pessoas mornas:

    “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
    Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.

    Esta conhecida passagem se encontra nas cartas as sete igrejas da Ásia, esta é a última igreja a de Laodiceia. Que é uma cidade situada perto do rio Lico e a sua posição é um local estratégico, rota de três grandes estradas imperiais. O que colaborou para desenvolver na cidade um próspero centro comercial e administrativo.

    Três fatores lançam luz ao entendimento desta passagem Bíblica:

    1 – Nesta cidade existia um centro bancário.

    2 – Era um local de produção de tapetes, tecidos e lã.

    3 – E tinha uma escola de medicina, onde inclusive era produzido um excelente colírio.

    Mas esta igreja tinha um problema, confiava muito em suas riquezas e achava que só a benção material já bastava para as suas vidas (v. 17). Conheço algumas pessoas que analisam o sucesso de alguém por sua vida prospera. A riqueza, para alguns, é o resultado de ser competente e bem sucedido. Este pensamento é comum em quem não é cristão e agora tem sido cada vez mais normal para quem é cristão. Mas o texto continua dizendo:

     “não sabes, porém, que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu(Apocalipse 3:17) (Bíblia de Jerusalém).

    Quem confia no dinheiro é morno, infeliz, confia em sua própria força e capacidade. O dinheiro e as riquezas nos transformam em avarentos, nos deixam alheios a tudo, com um único propósito de servir a nós mesmos. Não estou pregando a pobreza, apenas alertando para o fato que o mesmo dinheiro que nos ajuda, nos cega, nos faz sermos egoístas e hedonistas. Tal qual exemplo do café morno e quente.

    Felizmente, dinheiro não é tudo, ter carro e casa não é termômetro para ser bem sucedido e se for, estamos enrascados. Pois depender de uma moeda instável e superficial é um problema. Ouvi uma frase quando era novo que nunca mais esqueci:

    “Dinheiro, bens e riquezas, se vão com o tempo. Conhecimento, vivências e experiências não”.

    Eu acredito na moderação, em viver uma vida equilibrada sem querer ter mais do que precisamos. Todos nós temos os nossos sonhos, o problema é saber se ele compensa e qual é o melhor caminho para realizá-lo. Vale a pena pisar em pessoas, perder a paz, viver para o trabalho ou para acumular riquezas? Gosto de um provérbio chinês que diz:

    “Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade”.

    Conheci um empresário que até aos domingos ou feriados ia até a sua empresa. Ele não tinha paz, não aproveitava nada, pisava sempre nas pessoas e achava que o seu propósito de vida era ganhar este vil metal. Enfim, este homem era um café morno, vivia para coisas finitas.

    Cristo nos chama a alicerçar a nossa vida N’ele, construir nossos sonhos e vontades na rocha. Sempre lembrando que as nossas riquezas não estão na terra, nosso capital é incorruptível, estamos aqui de passagem e qualquer coisa que façamos que nos leve a perder este tesouro, é um mau negócio.

     Quando você confia em Deus, cultiva amizades, está sempre partilhando e em comunhão, você pode perder tudo, que não vai perder nada!